Comments:
Agradecemos especialmente a Rosa, Nay, Mary, Nessa Reinehr , Taiza e Kistis.Muito obrigado, mais uma vez, pelo carinho com que se referiram a fic em suas Reviews!Estamos felizes e muito animadas para continuar esta trama, que com certeza, é muito especial para nós escritores, e esperamos que esteja sendo para vocês, leitores.
...................................................
Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Seis
"Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta".
..................................................
Challenger estava em seu laboratório pesquisando um pequeno fio de cabelo de Thomy que achara em sua toalha de banho. Foi, sem ninguém perceber, até onde Verônica acabara de deixar a toalha e procurou algo que pudesse observar. Um fio de cabelo bastou.
"Interessante, muito interessante..." Ele murmurava observando o fio no microscópio.
"O que é interessante George? Alguma nova invenção ou descoberta?" Summerllee chegou amigável perto do cientista que levou um grande susto. Escondeu a lâmina com o fio e virou-se para estar de frente, porém ainda sentado, com Arthur.
"Eu... é... estava testando algumas amostras de uma das soluções com... seivas diferentes e achei uma interessante, o... o modo de como elas reagem à luz do sol...".
"Sim... Que tipo de planta está estudando, alguma leguminosa?".
"É... é sim...".
Summerllee olhou para a bancada atrás do cientista e lhe lançando um olhar desconfiado.Challenger engoliu seco e sorri, disfarçando.
"Ok George... Tudo bem... Vou deixá-lo me paz com suas 'leguminosas'... Mas não demore a subir, o chá está quase pronto...".
"Tudo bem... Obrigado Arthur, e não demorarei...".
Assim que o botânico subiu as escadas, George pegou a lâmina e a escondeu perto do outros tubos de ensaios, e ouviu mais um barulho. Fingiu estar limpando o microscópio. Era Marguerite.
"Que bom Challenger, que você resolveu fazer faxina nessa bagunça!" Ela sorriu botando ternamente a mão no ombro do cientista que retribuiu o sorriso.Os olhos curiosos dela chamaram sua atenção.
"O que está procurando?".
"Oh, nada demais... é que, como você sabe... Ah... Minha pele, ela anda muito... ah, sensível... Mesmo tendo chovido esse calor parece que não diminue. Acho que vou desintegrar em breve, então, só queria saber se há alguma coisa aqui que possa fazer minha pele ficar protegida do sol, pelo menos por algumas horas...".
"Sua pele sensível Marguerite?".
"É George... Muito sensível... Como a de um... bebê...".
Challenger enrugou a testa e repetiu. "Bebê?".
"Sim..." Ela sorriu descarada.
Challenger sabia que ela não precisava de nada para a pele, mas não demonstrou nada.
"É, realmente, você está com alguma alergia...".
"... ALERGIA?" Alterou-se o interrompendo. "Tenho certeza de que não tenho nada, só queria uma resposta..." Desconversou. "Você tem ou não o que eu pedi aqui?".
"Acho que tenho aqui alguma solução com extratos de algumas ervas medicinais, está bem assim?".
"Ajudaria bastante... Obrigada...".
Marguerite recebeu um vidrinho com uma espécie de gel azulado e olhou para George perguntando rapidamente. "Já tinha esta mistura pronta?".
O cientista ficou um pouco surpreso com a pergunta, mas respondeu. "Já tinha pensado algo para peles sensíveis...".
George deu-lhe um sorrisinho e Marguerite tratou de ir embora dali o mais rápido que pode e ele, que não era bobo, balançou a cabeça. "Sensível como a de um bebê...".
Como um raio, algo lhe veio à mente...
Challenger não se lembrava de ter tido algum brinquedo que lhe chamasse tanto a sua atenção quanto a ciência. Desde criança interessava-se pelas coisas, de onde vinham, como eram feitas, como podia muda-las. Não se lembrava de gostar de brincar com cavalinhos de madeira nem soldadinhos de chumbo. Lembrava sim de observar a cozinheira da família e de como a água reagia ao ferver. Queria saber como e por que aquilo acontecia. Lembrava-se de observar os formigueiros e de como ao tirar uma formiga de sua trilha ela não conseguia voltar ao caminho anterior. Eram tantas perguntas e tão poucas respostas, e ele queria ter essas respostas. Seu pai, atento ao interesse e a genialidade do menino, direcionou-o para que seu estudo fosse o mais completo e abrangente possível.
E assim Challenger estudou nas melhores escolas. E ele evitava misturar-se com as outras crianças. Elas queriam brincar e para ele sua diversão era outra.E seus professores o colocavam diante de desafios científicos cada vez maiores. George resolvia todos. O pequeno notável logo chamou a atenção das autoridades em especial de um jovem professor de biologia Arthur Summerllee que dai por diante resolveu acompanhar a distancia aquela mente promissora. E Challenger destacou-se em tudo o que fez. E quando já estava terminando seus estudos universitários ele finalmente encontrou aquela que seria sua querida esposa.
Challenger estava sentado em um banco no campus da Universidade de Edimburgo lendo e almoçando, como fazia regularmente quando seu olhar se desviou para aquela moça esbelta e morena; ele a acompanhou com o olhar e sorriu. Ela simplesmente o ignorou. Mais tarde George descobriu que ela era aluna e nova assistente contratada pela universidade. Challenger teve que aprender algo novo e muito difícil principalmente para ele. A arte da conquista.
Jessie era o nome dela. Moça de boa família sabia que como mulher desfrutava de uma situação privilegiada podendo estudar. Mas por mais que achasse as abordagens de Challenger desengonçadas não podia negar que ele tinha charme. Era um homem íntegro, trabalhador, esforçado e educado. Tinha a ética que tanto almejava nos homens. E o mais importante para ela era saber que ele a amava; e surpresa ela percebeu que o amava também.
O casamento não se realizou logo. Jessie percebeu que por mais que eles se amassem entre os dois havia o primeiro amor de Challenger: a ciência.Ela não sabia como competir com isso, apesar de ter tentado inúmeras vezes. Até que com o passar dos tempos, percebeu que não poderia jamais seria páreo para aqueles tubos de ensaio, soluções, teorias e inventos.
Pensou que talvez ela não pudesse, mas quem sabe, um fruto dos dois chamasse sua atenção para um mundo que até então ele desconhecia. Mas ele sempre foi categórico, ao afirmar que eles podiam esperar mais um pouco.
Então ela esperou. Esperou a vida toda. Até o dia em que ele disse que não podia ter uma criança interferindo em suas atividades acadêmicas.
Ele soube que a magoou bastante, e que a fez infeliz durante anos a fio. E quando ia para a cama, e quando o sol raiava, ele a encontrava, com seus lindos olhos azuis, mas profundamente mergulhados na tristeza de suas lágrimas. Aquela imagem ficou guardada em sua memória. Mas o que deveria te- los separado, virou motivo de maior aproximação. Ela entendeu que aquele homem possuía uma meta na vida, e por ama-lo sobre todas as outras coisas, ela sabia que vê-lo feliz iria fazê-la feliz, então porque chorar?
Mal sabia ela que por ve-la sofrer todas as noites, ele trabalhava como nunca, não para se 'auto-promover' no mundo científico, mas apenas, para esquecer que por causa de sua grande paixão, estava fazendo aquela que tanto amava sofrer amargamente.
Lembrando de todas essas coisas, um barulho na cozinha tomou sua atenção. Lembrara-se de que o chá já deveria estar pronto. Challenger subiu devagar as escadas, mas percebendo que ainda não haviam terminado os preparativos foi até a varanda, e ao inclinar-se viu Verônica chegando com Thomy no colo. Por anos ele e Jessie pareciam ter se conformado em não discutir o assunto. E quando ele organizou a expedição ao mundo perdido nunca imaginou que essa opção pudesse ser tão dura.
Depois de um tempo começou a pensar o quanto fora egoísta ao deixar Jessie sozinha e sem nenhuma lembrança de seu amor.E seu filho teria a idade de Verônica e estaria certamente cuidando de sua Jessie.
Challenger riu de seus pensamentos. Ele seria tão forte quanto ela e certamente tão teimoso. Tentara impor sua figura autoritária a Verônica, mas ela dona de suas próprias vontades e desejos.Mas o cientista também era um homem de vontades e desejos e isto os estava afastando cada vez mais."Verônica é muito teimosa" - pensava ele – "Se ao menos me ouvisse veria que eu tenho razão ou se ao menos aceitasse meus conselhos... É só para o bem dela, ela sabe disso... Mas, ela parece demais com Jessie! Tão teimosa, tão persistente, tão sensível...".
"Tenho que tentar mostrá-la que ela precisa de mim e de minhas orientações... Ela sempre vai ser uma menina com medo de ficar sozinha sem os pais, nunca uma mulher...apesar da aparência, nunca uma mulher!".Orgulhou-se."Muito menos com uma responsabilidade dessas para si mesma... Ela precisa de mim, sei disso!".
"Challenger, o chá vai esfriar...".
"Já está esfriando...".
"Por que você sempre tem que rebater o que falo Marguerite?". Roxton e Marguerite discutiam a mesa mais uma vez e Challenger seguiu para a mesa, vendo uma xícara preparada, certamente a dele.
"Rebater? Rebater o que Roxton, você está doente? Eu nem ligo pra o que você fala...".
"... Ahhhh mas liga muito para o que eu 'faço' não é?". Alguma coisa acertou a canela de Roxton por baixo da mesa. Ele gemeu e ela fingiu não estar ouvindo nada.
Todos olharam-se entre si e os dois ficaram sem graça, Marguerite fechou mais ainda a expressão enquanto Roxton tentava não olhar pra ninguém.
Depois de alguns segundos...
"Grosso...".
"Grossa...".
"Mal educado...".
"Infantil...".
"Ridículo...".
Todos se entreolhavam sem entender nada. E eles não paravam, somente resmungando e olhando para suas próprias xícaras. Em tom baixo, mas ninguém deixava de ouvir.
"Arrogante...".
"Santa...".
"Selvagem...".
"Metida...".
"Petulante...".
"Mandona...".
"Bobão!".
"Bobona!".
"VOCÊS QUEREM PARAR COM ISSO!". Challenger gritou na mesa.
Todos olharam para ele que passou a mão nos cabelos e fechou os olhos.
"Challenger tem razão, o que vocês pensam que estão fazendo um com o outro?" -Summerlle tentou amenizar, enquanto Marguerite e Roxton se fulminavam com o olhar.
"O que está acontecendo, eu ouvi seu grito lá debaixo George, está tudo bem?" Malone chegou curioso e assustado saindo do elevador meio apressado.
"Não está Malone, esses dois não se deixam e não deixam ninguém em paz!". Challenger bateu na mesa e saiu furioso.
"Viu o que você fez!?" Marguerite levantou-se e com uma das mãos na cintura, apontou a outra para Roxton que se levantou também. "Eu? O que eu fiz? Foi você quem começou!".
"Hey, hey, hey! Parem vocês dois! Estão assustando Thomy!". Verônica brigou chegando de repente na sala.
"Desculpe Verônica..." Roxton abaixou a cabeça enquanto Marguerite ainda o encarava.
"Muito bem Roxton... Está desculpado..." Marguerite respondeu antes que Verônica dissesse alguma coisa. Verônica olhou para ela surpreendida.
Roxton, que tinha se sentado novamente, levantou-se. "Eu não pedi desculpas para você Marguerite".
"... Mas devia!".Interrompeu.
"Vocês são normais, absolutamente normais, mas depois de hoje tenho minhas dúvidas... Que absurdo!".
"Mas Summ...".
"Nada Marguerite! Basta!... Acho melhor vocês irem para seus quartos imediatamente!".
"O quê? Não somos crianças Summerlle!!!".
"Ah, são sim. Vocês agem como tal, e devem ser tratados como tal, e não ousem me desobedecer! Vocês assustaram o menino, tiraram a pouca paz que ainda restava neste lar, e conseguiram fazer Challenger ficar fora de si!".
"Vão, por favor!" Verônica percebeu que o professor estava alterado e que não estava bem.
Marguerite e Roxton também notaram isso, e antes de irem para seus quartos, se olharam com raiva mais uma vez e seguindo seus caminhos.
Rapidamente Verônica colocou Thomy na cadeirinha e foi até o professor. Estava preocupada com a reação de Summerllee. Nunca o vira tão alterado.
Verônica amparou-o até uma cadeira. "O senhor está bem professor?".
"Estou sim" - disse ele sentando-se. "É que esses dois às vezes me dão nos nervos. Parecem cão e gato...".
Verônica serviu-lhe uma xícara de chá sentando-se a seu lado. "Não ligue para esses dois, o senhor sabe como são, adoram se provocar...".
"Eu conheço um nome para isto...".
"Apaixonados!" Os dois disseram juntos e riram.
Ficaram um tempo em silencio aproveitando a companhia um do outro e o delicioso chá que Roxton havia preparado.Thomy estava se distraindo com um prato de mingau. Verônica desistiu de impedi-lo de espalhar comida por toda parte. De qualquer forma ela ia ter que limpar tudo. "Limpar a cozinha e o Thomy coberto de mingau... Pelo menos por enquanto ele está quieto...".
"Verônica" Disse summerllee. "Challenger gostaria de examinar Thomy".
"Não Arthur".
"Ele não vai machucar o menino... e sabe que seria importante que tivéssemos mais informações, até mesmo pra você saber das necessidades dele...".Tentou convencer.
"... Sei disso Summerllee. Às vezes me pergunto se o que estou fazendo é o certo ou não, se ele precisa do que eu acho que precisa ou não... Acho até que o Challenger seria a pessoa certa pra isso, mas temos tido tantos problemas...". Entristeceu-se.
"Por que estão se evitando, eu não entendo!".
"Quer uma resposta sincera?" Perguntou Verônica com um sorriso triste."Porque ambos achamos que estamos absolutamente certos...".
Summerlle surpreendeu-se e não conseguiu esconder um riso.
"Então professor, a única coisa que ele quer é estudar Thomy... 'Em nome da ciência'".
"Preste atenção. Eu estarei por perto e você também, concorda se for assim?".
Verônica levantou-se. "Avise a ele professor. Amanhã cedo, assim que voltarmos do nosso passeio" Disse ela começando a limpar a cozinha.
..................................................
"FORA ROXTON!...Oh!!! Challenger, desculpe, não sabia que era você!Precisa de alguma coisa?".
Marguerite ouviu batidas na porta e automaticamente abriu furiosa e gritou, pensando que era John. Lá estava George, com outro vidrinho na mão, com a mesma espécie de gel que ele lhe dera antes.
"Preparei mais uma mistura... Caso você precise de mais...".
"Obrigada... Mas acho que só vou precisar de uma... Bem, neste caso acho melhor guarda-lo em caso de uma emergência não é..." Sorriu ainda um pouco sem graça, mas logo percebendo a cara fechada do cientista, ela se recompôs.
"Fiz uma amostra extra, pois não quero interrupções nos próximos dias. Estou entrando em um estudo que exige total dedicação, então, por favor, se não for muito incômodo, gostaria de não ser interrompido por gritos de discussões de certas pessoas cujo nome não quero proferir, mas que uma delas está em minha frente...".
Marguerite ouvia seriamente e só balançando a cabeça concordando. "Claro Challenger... Claro. Pode ficar tranqüilo, não haverá mais conflitos com aquele homem... Pelos menos aqui na casa da árvore...".
"Ótimo, que seja verdade... A propósito..." Ele olhou em volta para ver se via alguém e em tom mais baixo prosseguiu. "Você teve algum contato com aquele garoto nas últimas 36 horas?".
"Por que?".Com grande surpresa e inocência ela retrucou. "Bem, se estiver se referindo a Roxton...".
"Não me refiro a Roxton, me refiro aquele garoto... Que Verônica trouxe...".
Marguerite arqueou a sobrancelha e balançou a cabeça. "Ah... não, não... Na verdade, nenhum contato... Por que?".
"Tem certeza? Nem com seus objetos?".
"Não mas,...".
"Oh nada demais, nada demais... Boa noite Marguerite...".
"Boa noite...".
O cientista saiu e Marguerite fechou a porta. "George amigo, você poderia me dar alguma coisa para fazer certa pessoa sumir do mapa!". Rodou os olhos e deitou-se novamente. "Contato com o pirralho macaquinho nas últimas 36 horas?" Ficou pensando no porque daquelas perguntas uma boa parte do tempo, antes de começar a ler um livro.
.........................................................
Outra batida na porta.
"Sim, pode dizer...". Marguerite abre a porta, mas não percebeu que não era Challenger quem está a sua frente.
"Já está calminha?" John pergunta e Marguerite olha para ele rapidamente.
"NÃO!" Marguerite empurra a porta contra ele que segura com uma das mãos facilmente.
"Eu preciso conversar com você!".
"Não temos nada pra conversar, boa noite!".
"Não!" Ele conseguiu entrar e fechou a porta. "Temos sim, e muito. Querendo ou não agora você vai me ouvir".
Marguerite cruzou os braços e sentou pesadamente sobre a cama.Roxton ignorou sua atitude e puxou uma cadeira, sentando-se perto dela.Ela lançou um olhar interrogativo para ele.
"Marguerite, as vezes nós passamos dos limites não é?".
Marguerite solta uma risadinha.Roxton resolve se controlar. "Nós?".
"Sim, nós... E, por favor, deixe me concluir, depois você pode falar o que quiser".
"Vá em frente, estou ouvindo!". Com certo cinismo no tom de voz, deixa-o prosseguir.
"Bem... Você sabe que ultimamente a situação entre todos aqui em casa está um pouco, conturbada, eu diria que estamos sem rumo aqui dentro, em relação...".
"... Ao pirralhinho?".
"Thomy...".
"Tá, seja quem for... E o que tenho a ver com isso?".
Roxton se surpreendeu-se com a pergunta de Marguerite e balançou a cabeça dizendo. "Você também está envolvida com a criança, se está com Verônica. É inevitável...".
Marguerite rodou os olhos colocando a mão no queixo, apoiando sua face em uma almofada em seu colo.
"Acho que se você não quer ajudar, ótimo, só não atrapalhe. Há muitas pessoas que só julgam os outros e esquecem de si mesmas... Apesar de tudo, não quero que você e nem ninguém aqui fique desta maneira, julgando e tapando os olhos diante de uma realidade...".
Marguerite prestava atenção em cada palavra dita.Era nessas horas em que quando tinha mais vontade de mata-lo, é que ele dizia as palavras mais sinceras que um homem pode dizer.Seu coração era nobre, disso ela tinha certeza.
"Vou lhe dizer uma coisa. Por razões que só a mim interessam prefiro não me intrometer nesta situação John...".
"Por que não? Você sabe que Verônica e o menino precisam de apoio... Você sabe bem que Verônica é um bom ser humano, mas pedir ajuda, é muito orgulhosa. Foi por isso que não fiz alarde quanto ao berço, as roupas e outras coisas".
"Se Verônica quisesse ajuda, ela estaria conversando com Challenger".
"Challenger não quer contato com ela, e por causa de um inocente. E ela também o está evitando".
"Você odeia Challenger?".
"Claro que não Marguerite! Pelo contrário, Challenger é meu melhor amigo... e acho que ele pode estar certo em algumas coisas. Acho que a culpa não é somente dele".
"Verônica é muito prepotente, muito dona de si, e não é assim que a coisa funciona... Até eu admito que precisamos, às vezes, uns dos outros, mas se depender dela, este conceito muda".
"Por que não conversa com Verônica?".
"E por que não conversa com Challenger?".
Roxton ficou em silêncio olhando para Marguerite do mesmo jeito. "Está bem, vou falar com George... E você?".
"Não sei, Verônica não para mais em casa, e quando está, ela fica grudada no maca..." John olha severamente para ela. "Thomy...".
"Sei que como ninguém aqui, você também não está gostando deste clima que se criou entre nós, sei que também quer mudar esta situação, mas se não agirmos rápido corremos o risco de perder dois bons amigos...".
"Do jeito que as coisas vão, perderemos é todos, de uma só vez...". Ela sorriu um pouco triste, abaixando o olhar.John toca em sua mão.
"Você sabe que me terá pra sempre... Mesmo que não queira".
Marguerite engoliu em seco com o coração disparado. "Bem... amanhã veremos isto, agora está na hora de dormir...".
"Certo..." John retira suas mãos das dela repousadas na almofada, e se levanta, colocando a cadeira no lugar. "Boa noite Marguerite...".
"Boa noite John...".
Ela acompanha com o olhar a saída do caçador, e quando ele fecha a porta, ela se afunda nas almofadas em sua cama, tentando desviar seus pensamentos dele.Mas ela tinha que admitir, ele estava certo em tudo o que disse.
CONTINUA...
Agradecemos especialmente a Rosa, Nay, Mary, Nessa Reinehr , Taiza e Kistis.Muito obrigado, mais uma vez, pelo carinho com que se referiram a fic em suas Reviews!Estamos felizes e muito animadas para continuar esta trama, que com certeza, é muito especial para nós escritores, e esperamos que esteja sendo para vocês, leitores.
...................................................
Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Seis
"Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta".
..................................................
Challenger estava em seu laboratório pesquisando um pequeno fio de cabelo de Thomy que achara em sua toalha de banho. Foi, sem ninguém perceber, até onde Verônica acabara de deixar a toalha e procurou algo que pudesse observar. Um fio de cabelo bastou.
"Interessante, muito interessante..." Ele murmurava observando o fio no microscópio.
"O que é interessante George? Alguma nova invenção ou descoberta?" Summerllee chegou amigável perto do cientista que levou um grande susto. Escondeu a lâmina com o fio e virou-se para estar de frente, porém ainda sentado, com Arthur.
"Eu... é... estava testando algumas amostras de uma das soluções com... seivas diferentes e achei uma interessante, o... o modo de como elas reagem à luz do sol...".
"Sim... Que tipo de planta está estudando, alguma leguminosa?".
"É... é sim...".
Summerllee olhou para a bancada atrás do cientista e lhe lançando um olhar desconfiado.Challenger engoliu seco e sorri, disfarçando.
"Ok George... Tudo bem... Vou deixá-lo me paz com suas 'leguminosas'... Mas não demore a subir, o chá está quase pronto...".
"Tudo bem... Obrigado Arthur, e não demorarei...".
Assim que o botânico subiu as escadas, George pegou a lâmina e a escondeu perto do outros tubos de ensaios, e ouviu mais um barulho. Fingiu estar limpando o microscópio. Era Marguerite.
"Que bom Challenger, que você resolveu fazer faxina nessa bagunça!" Ela sorriu botando ternamente a mão no ombro do cientista que retribuiu o sorriso.Os olhos curiosos dela chamaram sua atenção.
"O que está procurando?".
"Oh, nada demais... é que, como você sabe... Ah... Minha pele, ela anda muito... ah, sensível... Mesmo tendo chovido esse calor parece que não diminue. Acho que vou desintegrar em breve, então, só queria saber se há alguma coisa aqui que possa fazer minha pele ficar protegida do sol, pelo menos por algumas horas...".
"Sua pele sensível Marguerite?".
"É George... Muito sensível... Como a de um... bebê...".
Challenger enrugou a testa e repetiu. "Bebê?".
"Sim..." Ela sorriu descarada.
Challenger sabia que ela não precisava de nada para a pele, mas não demonstrou nada.
"É, realmente, você está com alguma alergia...".
"... ALERGIA?" Alterou-se o interrompendo. "Tenho certeza de que não tenho nada, só queria uma resposta..." Desconversou. "Você tem ou não o que eu pedi aqui?".
"Acho que tenho aqui alguma solução com extratos de algumas ervas medicinais, está bem assim?".
"Ajudaria bastante... Obrigada...".
Marguerite recebeu um vidrinho com uma espécie de gel azulado e olhou para George perguntando rapidamente. "Já tinha esta mistura pronta?".
O cientista ficou um pouco surpreso com a pergunta, mas respondeu. "Já tinha pensado algo para peles sensíveis...".
George deu-lhe um sorrisinho e Marguerite tratou de ir embora dali o mais rápido que pode e ele, que não era bobo, balançou a cabeça. "Sensível como a de um bebê...".
Como um raio, algo lhe veio à mente...
Challenger não se lembrava de ter tido algum brinquedo que lhe chamasse tanto a sua atenção quanto a ciência. Desde criança interessava-se pelas coisas, de onde vinham, como eram feitas, como podia muda-las. Não se lembrava de gostar de brincar com cavalinhos de madeira nem soldadinhos de chumbo. Lembrava sim de observar a cozinheira da família e de como a água reagia ao ferver. Queria saber como e por que aquilo acontecia. Lembrava-se de observar os formigueiros e de como ao tirar uma formiga de sua trilha ela não conseguia voltar ao caminho anterior. Eram tantas perguntas e tão poucas respostas, e ele queria ter essas respostas. Seu pai, atento ao interesse e a genialidade do menino, direcionou-o para que seu estudo fosse o mais completo e abrangente possível.
E assim Challenger estudou nas melhores escolas. E ele evitava misturar-se com as outras crianças. Elas queriam brincar e para ele sua diversão era outra.E seus professores o colocavam diante de desafios científicos cada vez maiores. George resolvia todos. O pequeno notável logo chamou a atenção das autoridades em especial de um jovem professor de biologia Arthur Summerllee que dai por diante resolveu acompanhar a distancia aquela mente promissora. E Challenger destacou-se em tudo o que fez. E quando já estava terminando seus estudos universitários ele finalmente encontrou aquela que seria sua querida esposa.
Challenger estava sentado em um banco no campus da Universidade de Edimburgo lendo e almoçando, como fazia regularmente quando seu olhar se desviou para aquela moça esbelta e morena; ele a acompanhou com o olhar e sorriu. Ela simplesmente o ignorou. Mais tarde George descobriu que ela era aluna e nova assistente contratada pela universidade. Challenger teve que aprender algo novo e muito difícil principalmente para ele. A arte da conquista.
Jessie era o nome dela. Moça de boa família sabia que como mulher desfrutava de uma situação privilegiada podendo estudar. Mas por mais que achasse as abordagens de Challenger desengonçadas não podia negar que ele tinha charme. Era um homem íntegro, trabalhador, esforçado e educado. Tinha a ética que tanto almejava nos homens. E o mais importante para ela era saber que ele a amava; e surpresa ela percebeu que o amava também.
O casamento não se realizou logo. Jessie percebeu que por mais que eles se amassem entre os dois havia o primeiro amor de Challenger: a ciência.Ela não sabia como competir com isso, apesar de ter tentado inúmeras vezes. Até que com o passar dos tempos, percebeu que não poderia jamais seria páreo para aqueles tubos de ensaio, soluções, teorias e inventos.
Pensou que talvez ela não pudesse, mas quem sabe, um fruto dos dois chamasse sua atenção para um mundo que até então ele desconhecia. Mas ele sempre foi categórico, ao afirmar que eles podiam esperar mais um pouco.
Então ela esperou. Esperou a vida toda. Até o dia em que ele disse que não podia ter uma criança interferindo em suas atividades acadêmicas.
Ele soube que a magoou bastante, e que a fez infeliz durante anos a fio. E quando ia para a cama, e quando o sol raiava, ele a encontrava, com seus lindos olhos azuis, mas profundamente mergulhados na tristeza de suas lágrimas. Aquela imagem ficou guardada em sua memória. Mas o que deveria te- los separado, virou motivo de maior aproximação. Ela entendeu que aquele homem possuía uma meta na vida, e por ama-lo sobre todas as outras coisas, ela sabia que vê-lo feliz iria fazê-la feliz, então porque chorar?
Mal sabia ela que por ve-la sofrer todas as noites, ele trabalhava como nunca, não para se 'auto-promover' no mundo científico, mas apenas, para esquecer que por causa de sua grande paixão, estava fazendo aquela que tanto amava sofrer amargamente.
Lembrando de todas essas coisas, um barulho na cozinha tomou sua atenção. Lembrara-se de que o chá já deveria estar pronto. Challenger subiu devagar as escadas, mas percebendo que ainda não haviam terminado os preparativos foi até a varanda, e ao inclinar-se viu Verônica chegando com Thomy no colo. Por anos ele e Jessie pareciam ter se conformado em não discutir o assunto. E quando ele organizou a expedição ao mundo perdido nunca imaginou que essa opção pudesse ser tão dura.
Depois de um tempo começou a pensar o quanto fora egoísta ao deixar Jessie sozinha e sem nenhuma lembrança de seu amor.E seu filho teria a idade de Verônica e estaria certamente cuidando de sua Jessie.
Challenger riu de seus pensamentos. Ele seria tão forte quanto ela e certamente tão teimoso. Tentara impor sua figura autoritária a Verônica, mas ela dona de suas próprias vontades e desejos.Mas o cientista também era um homem de vontades e desejos e isto os estava afastando cada vez mais."Verônica é muito teimosa" - pensava ele – "Se ao menos me ouvisse veria que eu tenho razão ou se ao menos aceitasse meus conselhos... É só para o bem dela, ela sabe disso... Mas, ela parece demais com Jessie! Tão teimosa, tão persistente, tão sensível...".
"Tenho que tentar mostrá-la que ela precisa de mim e de minhas orientações... Ela sempre vai ser uma menina com medo de ficar sozinha sem os pais, nunca uma mulher...apesar da aparência, nunca uma mulher!".Orgulhou-se."Muito menos com uma responsabilidade dessas para si mesma... Ela precisa de mim, sei disso!".
"Challenger, o chá vai esfriar...".
"Já está esfriando...".
"Por que você sempre tem que rebater o que falo Marguerite?". Roxton e Marguerite discutiam a mesa mais uma vez e Challenger seguiu para a mesa, vendo uma xícara preparada, certamente a dele.
"Rebater? Rebater o que Roxton, você está doente? Eu nem ligo pra o que você fala...".
"... Ahhhh mas liga muito para o que eu 'faço' não é?". Alguma coisa acertou a canela de Roxton por baixo da mesa. Ele gemeu e ela fingiu não estar ouvindo nada.
Todos olharam-se entre si e os dois ficaram sem graça, Marguerite fechou mais ainda a expressão enquanto Roxton tentava não olhar pra ninguém.
Depois de alguns segundos...
"Grosso...".
"Grossa...".
"Mal educado...".
"Infantil...".
"Ridículo...".
Todos se entreolhavam sem entender nada. E eles não paravam, somente resmungando e olhando para suas próprias xícaras. Em tom baixo, mas ninguém deixava de ouvir.
"Arrogante...".
"Santa...".
"Selvagem...".
"Metida...".
"Petulante...".
"Mandona...".
"Bobão!".
"Bobona!".
"VOCÊS QUEREM PARAR COM ISSO!". Challenger gritou na mesa.
Todos olharam para ele que passou a mão nos cabelos e fechou os olhos.
"Challenger tem razão, o que vocês pensam que estão fazendo um com o outro?" -Summerlle tentou amenizar, enquanto Marguerite e Roxton se fulminavam com o olhar.
"O que está acontecendo, eu ouvi seu grito lá debaixo George, está tudo bem?" Malone chegou curioso e assustado saindo do elevador meio apressado.
"Não está Malone, esses dois não se deixam e não deixam ninguém em paz!". Challenger bateu na mesa e saiu furioso.
"Viu o que você fez!?" Marguerite levantou-se e com uma das mãos na cintura, apontou a outra para Roxton que se levantou também. "Eu? O que eu fiz? Foi você quem começou!".
"Hey, hey, hey! Parem vocês dois! Estão assustando Thomy!". Verônica brigou chegando de repente na sala.
"Desculpe Verônica..." Roxton abaixou a cabeça enquanto Marguerite ainda o encarava.
"Muito bem Roxton... Está desculpado..." Marguerite respondeu antes que Verônica dissesse alguma coisa. Verônica olhou para ela surpreendida.
Roxton, que tinha se sentado novamente, levantou-se. "Eu não pedi desculpas para você Marguerite".
"... Mas devia!".Interrompeu.
"Vocês são normais, absolutamente normais, mas depois de hoje tenho minhas dúvidas... Que absurdo!".
"Mas Summ...".
"Nada Marguerite! Basta!... Acho melhor vocês irem para seus quartos imediatamente!".
"O quê? Não somos crianças Summerlle!!!".
"Ah, são sim. Vocês agem como tal, e devem ser tratados como tal, e não ousem me desobedecer! Vocês assustaram o menino, tiraram a pouca paz que ainda restava neste lar, e conseguiram fazer Challenger ficar fora de si!".
"Vão, por favor!" Verônica percebeu que o professor estava alterado e que não estava bem.
Marguerite e Roxton também notaram isso, e antes de irem para seus quartos, se olharam com raiva mais uma vez e seguindo seus caminhos.
Rapidamente Verônica colocou Thomy na cadeirinha e foi até o professor. Estava preocupada com a reação de Summerllee. Nunca o vira tão alterado.
Verônica amparou-o até uma cadeira. "O senhor está bem professor?".
"Estou sim" - disse ele sentando-se. "É que esses dois às vezes me dão nos nervos. Parecem cão e gato...".
Verônica serviu-lhe uma xícara de chá sentando-se a seu lado. "Não ligue para esses dois, o senhor sabe como são, adoram se provocar...".
"Eu conheço um nome para isto...".
"Apaixonados!" Os dois disseram juntos e riram.
Ficaram um tempo em silencio aproveitando a companhia um do outro e o delicioso chá que Roxton havia preparado.Thomy estava se distraindo com um prato de mingau. Verônica desistiu de impedi-lo de espalhar comida por toda parte. De qualquer forma ela ia ter que limpar tudo. "Limpar a cozinha e o Thomy coberto de mingau... Pelo menos por enquanto ele está quieto...".
"Verônica" Disse summerllee. "Challenger gostaria de examinar Thomy".
"Não Arthur".
"Ele não vai machucar o menino... e sabe que seria importante que tivéssemos mais informações, até mesmo pra você saber das necessidades dele...".Tentou convencer.
"... Sei disso Summerllee. Às vezes me pergunto se o que estou fazendo é o certo ou não, se ele precisa do que eu acho que precisa ou não... Acho até que o Challenger seria a pessoa certa pra isso, mas temos tido tantos problemas...". Entristeceu-se.
"Por que estão se evitando, eu não entendo!".
"Quer uma resposta sincera?" Perguntou Verônica com um sorriso triste."Porque ambos achamos que estamos absolutamente certos...".
Summerlle surpreendeu-se e não conseguiu esconder um riso.
"Então professor, a única coisa que ele quer é estudar Thomy... 'Em nome da ciência'".
"Preste atenção. Eu estarei por perto e você também, concorda se for assim?".
Verônica levantou-se. "Avise a ele professor. Amanhã cedo, assim que voltarmos do nosso passeio" Disse ela começando a limpar a cozinha.
..................................................
"FORA ROXTON!...Oh!!! Challenger, desculpe, não sabia que era você!Precisa de alguma coisa?".
Marguerite ouviu batidas na porta e automaticamente abriu furiosa e gritou, pensando que era John. Lá estava George, com outro vidrinho na mão, com a mesma espécie de gel que ele lhe dera antes.
"Preparei mais uma mistura... Caso você precise de mais...".
"Obrigada... Mas acho que só vou precisar de uma... Bem, neste caso acho melhor guarda-lo em caso de uma emergência não é..." Sorriu ainda um pouco sem graça, mas logo percebendo a cara fechada do cientista, ela se recompôs.
"Fiz uma amostra extra, pois não quero interrupções nos próximos dias. Estou entrando em um estudo que exige total dedicação, então, por favor, se não for muito incômodo, gostaria de não ser interrompido por gritos de discussões de certas pessoas cujo nome não quero proferir, mas que uma delas está em minha frente...".
Marguerite ouvia seriamente e só balançando a cabeça concordando. "Claro Challenger... Claro. Pode ficar tranqüilo, não haverá mais conflitos com aquele homem... Pelos menos aqui na casa da árvore...".
"Ótimo, que seja verdade... A propósito..." Ele olhou em volta para ver se via alguém e em tom mais baixo prosseguiu. "Você teve algum contato com aquele garoto nas últimas 36 horas?".
"Por que?".Com grande surpresa e inocência ela retrucou. "Bem, se estiver se referindo a Roxton...".
"Não me refiro a Roxton, me refiro aquele garoto... Que Verônica trouxe...".
Marguerite arqueou a sobrancelha e balançou a cabeça. "Ah... não, não... Na verdade, nenhum contato... Por que?".
"Tem certeza? Nem com seus objetos?".
"Não mas,...".
"Oh nada demais, nada demais... Boa noite Marguerite...".
"Boa noite...".
O cientista saiu e Marguerite fechou a porta. "George amigo, você poderia me dar alguma coisa para fazer certa pessoa sumir do mapa!". Rodou os olhos e deitou-se novamente. "Contato com o pirralho macaquinho nas últimas 36 horas?" Ficou pensando no porque daquelas perguntas uma boa parte do tempo, antes de começar a ler um livro.
.........................................................
Outra batida na porta.
"Sim, pode dizer...". Marguerite abre a porta, mas não percebeu que não era Challenger quem está a sua frente.
"Já está calminha?" John pergunta e Marguerite olha para ele rapidamente.
"NÃO!" Marguerite empurra a porta contra ele que segura com uma das mãos facilmente.
"Eu preciso conversar com você!".
"Não temos nada pra conversar, boa noite!".
"Não!" Ele conseguiu entrar e fechou a porta. "Temos sim, e muito. Querendo ou não agora você vai me ouvir".
Marguerite cruzou os braços e sentou pesadamente sobre a cama.Roxton ignorou sua atitude e puxou uma cadeira, sentando-se perto dela.Ela lançou um olhar interrogativo para ele.
"Marguerite, as vezes nós passamos dos limites não é?".
Marguerite solta uma risadinha.Roxton resolve se controlar. "Nós?".
"Sim, nós... E, por favor, deixe me concluir, depois você pode falar o que quiser".
"Vá em frente, estou ouvindo!". Com certo cinismo no tom de voz, deixa-o prosseguir.
"Bem... Você sabe que ultimamente a situação entre todos aqui em casa está um pouco, conturbada, eu diria que estamos sem rumo aqui dentro, em relação...".
"... Ao pirralhinho?".
"Thomy...".
"Tá, seja quem for... E o que tenho a ver com isso?".
Roxton se surpreendeu-se com a pergunta de Marguerite e balançou a cabeça dizendo. "Você também está envolvida com a criança, se está com Verônica. É inevitável...".
Marguerite rodou os olhos colocando a mão no queixo, apoiando sua face em uma almofada em seu colo.
"Acho que se você não quer ajudar, ótimo, só não atrapalhe. Há muitas pessoas que só julgam os outros e esquecem de si mesmas... Apesar de tudo, não quero que você e nem ninguém aqui fique desta maneira, julgando e tapando os olhos diante de uma realidade...".
Marguerite prestava atenção em cada palavra dita.Era nessas horas em que quando tinha mais vontade de mata-lo, é que ele dizia as palavras mais sinceras que um homem pode dizer.Seu coração era nobre, disso ela tinha certeza.
"Vou lhe dizer uma coisa. Por razões que só a mim interessam prefiro não me intrometer nesta situação John...".
"Por que não? Você sabe que Verônica e o menino precisam de apoio... Você sabe bem que Verônica é um bom ser humano, mas pedir ajuda, é muito orgulhosa. Foi por isso que não fiz alarde quanto ao berço, as roupas e outras coisas".
"Se Verônica quisesse ajuda, ela estaria conversando com Challenger".
"Challenger não quer contato com ela, e por causa de um inocente. E ela também o está evitando".
"Você odeia Challenger?".
"Claro que não Marguerite! Pelo contrário, Challenger é meu melhor amigo... e acho que ele pode estar certo em algumas coisas. Acho que a culpa não é somente dele".
"Verônica é muito prepotente, muito dona de si, e não é assim que a coisa funciona... Até eu admito que precisamos, às vezes, uns dos outros, mas se depender dela, este conceito muda".
"Por que não conversa com Verônica?".
"E por que não conversa com Challenger?".
Roxton ficou em silêncio olhando para Marguerite do mesmo jeito. "Está bem, vou falar com George... E você?".
"Não sei, Verônica não para mais em casa, e quando está, ela fica grudada no maca..." John olha severamente para ela. "Thomy...".
"Sei que como ninguém aqui, você também não está gostando deste clima que se criou entre nós, sei que também quer mudar esta situação, mas se não agirmos rápido corremos o risco de perder dois bons amigos...".
"Do jeito que as coisas vão, perderemos é todos, de uma só vez...". Ela sorriu um pouco triste, abaixando o olhar.John toca em sua mão.
"Você sabe que me terá pra sempre... Mesmo que não queira".
Marguerite engoliu em seco com o coração disparado. "Bem... amanhã veremos isto, agora está na hora de dormir...".
"Certo..." John retira suas mãos das dela repousadas na almofada, e se levanta, colocando a cadeira no lugar. "Boa noite Marguerite...".
"Boa noite John...".
Ela acompanha com o olhar a saída do caçador, e quando ele fecha a porta, ela se afunda nas almofadas em sua cama, tentando desviar seus pensamentos dele.Mas ela tinha que admitir, ele estava certo em tudo o que disse.
CONTINUA...
