AUTHOR: Lady F., Lady K, Towanda

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions.

SPOILERS: OUT OF TIME

Comments: Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional, além da imensa paciência e carinho conosco. Esperamos ter aprendido direitinho. Beijokaxxx!!!

Obrigado pelo carinho.e milhões de beijos pra Gio, Jéssy, Taíza, Nessa Reinehr, Nay, Rosa.

Estamos adorando escrever. Esperamos que vocês também estejam gostando de ler.

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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Nove

"Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós;"

Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"

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Malone largou a arma, correndo para o elevador, enquanto os outros ficaram ali parados por alguns segundos, paralisados com a visão chocante da jovem, muito pálida, e com alguns hematomas e ferimentos pelo corpo, segurando Thomy aos prantos.

"Me ajude aqui, Roxton" – gritou Ned, que amparou Verônica antes que ela caísse. John soltou a arma e, com cuidado, ajudou Malone a tirá-la do elevador. Primeiramente Ned tirou Thomy de seus braços. Ainda abraçava firmemente o garoto. Seus olhos estavam abertos, mas sem o mesmo brilho de antes. Malone sentiu crescer uma imensa revolta, uma mistura de dor e arrependimento dentro dele.

Pegando a criança aos berros, por um instante parou e olhou para Thomy, que chorou ainda mais ao ser separado de Verônica. Ned engoliu seco, entregando- o a Roxton, que por sua vez, sentiu seu coração partir ao ver o menino e Verônica tão abalados. Ele também ficou.

"Marguerite, não fique aí parada, ajude!" - disse John entregando Thomy a ela. Marguerite pegou o garoto e afastou-se para não atrapalhar.

"Depressa" – Summerllee assustou-se com a aparência da mulher – "levem-na para o quarto".

A herdeira ficou ainda mais nervosa ao ver Malone passar com Verônica nos braços.

Olhou o menino de cima em baixo antes de aproximá-lo de si. "Temia por isso... Droga, Verônica! Por que não pensou antes de expor vocês dois a isto?" - Revoltou-se ela estranhando a si mesma, mas naquele momento tinha vontade de acabar com Verônica. - "Muita irresponsabilidade sua, Verônica!!! Você não é uma criança, mas é tão tola quanto uma! Poderia estar morta! Se não, poderá morrer daqui a alguns minutos, e aí, com quem o macaquinho vai ficar?! Você não pensou nisso!"

"Marguerite, pense menos, aja mais!" - Summerllee voltou dizendo - "Tente fazer Thomy parar de chorar!" - Pegou o kit de primeiros socorros e voltou para o quarto, mas não sem antes dar um olhar piedoso para Challenger, que ao escutar o barulho, subira e agora assistia a tudo sem dizer uma única palavra.

"Challenger" - Chamou Marguerite decidida, balançando Thomy, tentando fazê- lo calar-se. "Você não vai fazer nada? Vai ficar aí olhando para o tempo? A irresponsável..."

"... o único irresponsável aqui fui eu, Marguerite... eu."

Challenger também não estava bem, e ela sabia que parte da culpa também era dele.

"Preste atenção, George. Temos muita coisa para nos preocuparmos e não podemos ficar escutando você reclamar da vida. Então resolva agora. Ou você faz alguma coisa pra ajudar ou volta para o seu laboratório e pelo menos não atrapalha."

Ficaram calados por alguns instantes com Thomy ainda chorando forte.

Finalmente Challenger estendeu os braços.

"Me dá ele aqui."

"O que você vai fazer?"

Challenger pegou Thomy que chorava desesperado. "Venha comigo."

"Marguerite" - era Roxton que se aproximava - "Summerllee precisa de você."

A herdeira hesitou, mas percebeu a urgência nos olhos do caçador.

"Então acompanhe George" - respondeu ela.

Seguido por Roxton, Challenger levou Thomy até o laboratório. Tirou as roupinhas e limpou o menino com um pano úmido. A temperatura estava normal, a coloração da pele saudável, estava no peso que George julgava ideal, não havia ferimentos, nem um arranhão. Concluiu que ele estava bem. Depois, enrolando-o numa toalha, o entregou a Roxton.

"Por que ele não para de chorar, George?".

"Não sei. Fisicamente ele está muito bem." - Olhava o menino um pouco intrigado.

Roxton subiu ainda tentando acalmar o menino. - "O que você quer, pequenino?"

Ao chegar à sala, viu Malone vindo furioso, encarando Challenger que vinha logo atrás. John colocou a mão no peito de Malone.

"Pegue a criança, Ned" – O jornalista não cessava de olhar para Challenger – "Agora!" - disse Roxton com firmeza.

Só então Malone percebeu Thomy chorando no colo do amigo. E só assim a raiva que fazia seu peito doer foi aliviando ao estender os braços e o menino jogar-se para ele abrandando um pouco o choro. Levou-o para longe, encheu a tina de água, misturando com água quente até que ficasse a uma temperatura agradável, e algumas ervas que Summerllee havia dito serem calmantes. Deu-lhe um banho, massageando o corpinho cansado, sempre cantarolando em seu ouvido. Depois secou a cabeça, vestiu-o e certificou-se de que o cheiro das ervas havia permanecido no menino. Realmente estava muito melhor. - "Você está triste, não está?" - Malone parou e olhou para ele. Como se tivesse entendido Thomy, suspirou pesadamente. Terminando de arrumar o garoto, agora bem mais calmo, colocou-o em frente ao espelho. - "Agora está melhor" - sorriu, dando um beijo demorado em sua cabeça. Thomy parecia lamentar solenemente. - "Ei rapazinho, homem não tem lágrimas de crocodilo" - Com os olhos cheios d'água, o menino apontava para a porta, tentando dizer algo. - "Você quer sair? Estamos indo para sala agora mesmo".

Quando Roxton olhou para os dois, Malone justificou.

"O que foi? Não fiz nenhuma mágica, só dei banho."

Roxton entregou um prato de mingau ao jornalista, que sentou-se com o garoto, oferecendo-lhe o alimento. Thomy recusou, Ned insistiu mais uma, duas, três vezes, mas ele trancava a boca.

"Acho que ele já está alimentado, Ned..." - sorriu Roxton.

Malone ainda estava intrigado e John completou.

"Parece que apesar de tudo, Verônica cuidou muito bem do nosso amiguinho."

Ned deixou o prato na mesa e Thomy voltou a chorar. Ele pegou o menino novamente.

"Malone, já viu se ele está com dor?"

"Com dor ele está Roxton, e acredito que seja a mesma que a minha."

Thomy aparentava sinal de cansaço, bocejando e coçando os olhos com as mãos. Mas mesmo assim, continuava chorando. "Meu deus, Thomy. O que foi agora?"

Foi então que Arthur aproximou-se e colocou o leão Edward na frente do garoto, que imediatamente abraçou o brinquedo e aconchegou-se ao tórax de Ned, soluçando baixinho.

"Tudo por causa de um brinquedo, Arthur?"

"Não é um simples brinquedo, Roxton. Ele está sentindo falta de Verônica e este brinquedo tem o cheiro dela."

Summerllee sentou-se pesadamente na mesa de jantar, tirando os óculos e esfregando os olhos. Roxton e Malone fizeram o mesmo.

"Como ela está, professor?" – Perguntou Malone. Summerllee soltou um suspiro.

"Nada bem, Ned."

"Mas vai ficar, não é Summerllee?"

"Acho que se embrenhou na mata e a única força que a fez chegar aqui foi a necessidade de trazer o garoto para um lugar seguro. Ainda não posso confirmar, mas acredito que seja muito sério."

"Do que você precisa, Summellee?" - disse Roxton.

"Marguerite está terminando de ajeitá-la, mas vai me ajudar com outras coisas. Verônica não pode ficar sozinha."

"Eu cuido dela." - todos se viraram na direção de onde veio a voz surpreendendo-se ao ver Challenger numa postura bem diferente do homem cabisbaixo dos últimos dias.

Imediatamente Malone se levantou irritado, ainda assim tomando o cuidado de não incomodar Thomy que permanecia em seus braços. Falou numa voz baixa, mas muito firme.

"Você não chega perto dela."

Challenger o encarou. Mas não havia nenhuma ponta de desafio em seu olhar. Apenas tristeza.

Roxton ficou sem reação quando Malone colocou Thomy em seu colo e começou a andar na direção do cientista já fechando o punho.

Alguém começou a bater ruidosamente na ponta da mesa. Lá estava Marguerite com uma expressão muito séria.

"Chega de julgarmos uns aos outros. Já não basta termos uma enferma dentro de casa e vocês ainda querem se matar? Além disso, há uma criança assustada com tudo isso e por estar com pessoas estranhas."

"Não somos estranhos."

"Somos, sim! Ou alguém mais além de Malone tem tido contato mais próximo com ele? Preste bem atenção, Ned" – continuou ela muito firme – "O garoto precisa de cuidados e é você quem vai fazer isto. Challenger, você cuida de Verônica."

"Mas..." – tentou protestar Ned já estendendo os braços para Thomy que se atirou para ele.

"Nada de 'mas'. Pode ir, Challenger" – Marguerite sinalizou para o cientista que seguiu para o quarto sem dizer nada. Depois ela voltou-se para Roxton e Malone.

"Vocês dois agora vão me escutar. Summerllee e eu mandamos, vocês obedecem, fui clara?"

"Marguerite..." - insistiu o jornalista ainda inseguro. Pela primeira vez ela abrandou a voz.

"Ned, você sabe muito bem que ele não faria mal a ela. George está mal com toda esta situação e essa pode ser a ajuda de que ele precisa. Deixe que Challenger e Verônica cuidem um do outro e do resto, cuidamos nós."

Malone percebeu que a lógica de Marguerite era incontestável. Notou Thomy dormindo tranqüilamente. "Com licença, vou cuidar do que realmente preciso neste momento...".

Levou a criança para o seu quarto e colocando-o em sua cama cobriu-o com uma de suas mantas.

"Sabe, Thomy... quando você chegou, confesso que não aceitei a idéia de você vir morar conosco..." - Malone olhou entristecido para a criança e continuou - "... as pessoas mudam, e opiniões também... Vocês devem ter passado muitas dificuldades todos esses dias. Mas você sabe que ela não se entrega facilmente... só se for por seus encantos... ei, com o que você está sonhando, heim? Este sorriso aí eu conheço... hum... deve estar sonhando com alguma garota que conheceu nessa aventura, não é? Tenho inveja de você, garotão... passa a maior parte do tempo com uma linda mulher e ainda tem um sono tranqüilo..." – Beijou-lhe o topo da cabeça - "Eu prometo a você que tudo ficará bem... Como nos contos de fadas, esta história ainda terá um final feliz... Com direito a princesa e um príncipe... pelo menos, é o que eu espero. Sonhe com os anjinhos, está bem?... E não se preocupe, eu vou estar aqui ao lado, vigiando você...." - levantou-se e saiu deixando a porta entreaberta.

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Marguerite havia feito o melhor possível. Limpou a jovem e a vestiu com uma camisola que encontrara em um dos baús dos Layton. A organização dos objetos que lá estavam a surpreendeu. Comovida observou que Verônica mantinha as roupas de seus pais cuidadosamente limpas e perfumadas, provavelmente à espera que retornassem. Pela primeira vez, desde que chegara ao platô, pensou na solidão que ela devia ter sentido ao longo dos onze anos em que estivera praticamente sozinha.

Challenger só precisou de alguns poucos exames para confirmar seu diagnóstico. Febre, tosse, dor ao respirar. Ainda auscultou-lhe o tórax em uma vã esperança de que estivesse enganado. Infelizmente no que dizia respeito às coisas da ciência, ele nunca errara antes.

Sentou-se em uma cadeira ao lado da cabeceira da cama tentando pensar com clareza a respeito do que deveria ou não fazer. Ouviu a amiga murmurando palavras que, a exceção do nome da criança, ele não conseguia entender. Colocando mais um pano umedecido em água fresca em sua testa e segurando sua mão sussurrou - "Ele está bem".

"George" - Summerllee entrou no quarto - "Já sabe o que ela tem?".

"Pneumonia, Arthur."

"Oh céus! Isso não! Não aqui no platô. Que chances teria?"

"Todas, se não descuidarmos um só segundo...". A voz de Challenger foi sumindo e ele tremeu dos pés a cabeça quando a jovem perdeu os sentidos. Summerllee percebeu.

"Fique calmo, George, ela está muito cansada para se manter acordada, quem sabe quantas noites em claro e quanto teve que percorrer até chegar aqui, e neste estado..."

Challenger sabia que era de fato verdade o que ele dissera, mas as palavras entraram em seus ouvidos e não fizeram efeito algum. Temia pela vida de Verônica e, certamente, se algo lhe acontecesse, jamais se perdoaria.

"George?" Summerllee chamou sua atenção de volta ao mundo onde flutuava nos pensamentos.

"Summerllee, você é o botânico. Precisamos de algumas coisas." – disse Challenger subitamente alerta.

"É só dizer."

"Certo." – O cientista pensava e falava rápido – "Precisamos baixar a febre. E precisa se fortalecer para combater a infecção. Uma sopa bem rala talvez, fácil de engolir. Está com dificuldades para respirar e sentindo dores. Alguma coisa pra tosse também. Veja o que pode fazer com as plantas. E eu preciso que tragam a cama do laboratório para cá. E muita água fresca."

Summerllee resolveu não discutir - "Está bem... Se precisar de mais alguma coisa chame, por favor".

Challenger concordou com a cabeça e o professor deixou o quarto um pouco atordoado.

Rapidamente Arthur convocou Malone, Roxton e Marguerite. A primeira providência foi levar o berço de Thomy para o quarto de Malone e colocar a cama para Challenger. Iriam precisar de muitas outras coisas, se ela resistisse os próximos dias.

E a primeira noite foi muito difícil para todos. Felizmente Thomy estava tão cansado que dormiu todo o tempo.

Empunhando tochas e lampiões, Malone e Roxton correram até a horta, de onde trouxeram vários vegetais pedidos por Summerllee que, junto com Marguerite, passou a noite entre a cozinha e o laboratório.

Marguerite fez uma sopa usando cenouras e inhame. Arthur preparou um cataplasma de folhas quentes de quiabo e chá das folhas para combater a pneumonia, e outro cataplasma macerado, frio, de couve e agrião, desta vez para baixar a febre. Usou o agrião e mel na preparação de xarope. E para a dor, Summerllee fez um chá da casca e ramos de salgueiro branco.

Pela manhã, os quatro amigos estavam cansados e desolados. Sabiam o que significava o diagnóstico do cientista. Era apenas uma questão de tempo. A Challenger coube a tarefa mais difícil. E Challenger manteve-se firme à sua fé em duas coisas: Sua amada ciência e na força de Verônica.

CONTINUA...