SPOILERS: OUT OF TIME
Comments: Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional alem da imensa paciência e carinho conosco. Beijokaxxx!!!
Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Dez
"Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados."
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"
.........................................
Contra todos os prognósticos, Verônica resistia dia após dia, noite após noite.
E a rotina da casa da árvore mudou radicalmente. Marguerite era uma mulher decidida, e de garra, isto não era surpresa para ninguém. Com a mesma garra e coragem com que administrava sua vida, aplicou-a nos afazeres tornando-se uma espécie de governanta da casa. Ninguém imaginava que Verônica fazia tanta falta até então. Suas tarefas tinham que ser redistribuídas. Mas era muito mais do que isto.
Normalmente cabia a Roxton e Malone a procura de alguma coisa que Challenger e Summerllee necessitassem. Banana, limão, abóbora, barro, nabo, enfim, o que eles pedissem os dois tentavam conseguir. Marguerite fizera dois buracos no fundo da mochila de Ned, onde ele alojava Thomy confortavelmente. E então lá iam os três mata adentro para retornarem quase ao anoitecer sempre exaustos e com o peito apertado esperando alguma má notícia.
Malone não parava. Malone não queria e não podia parar. Qualquer coisa que precisasse lá estava ele sempre pronto, sempre com o garoto na mochila ou no colo. Thomy andava irritado, indócil e triste. Só Ned cuidava dele que por sua vez aceitava somente o jornalista. Chorava até mesmo com ele, e piorava ainda mais quando estava com outra pessoa. Esta aproximação da criança com os outros, estaria mais difícil se não fosse a paciência de todos, principalmente a do próprio Ned. A noite ele e Thomy estavam tão cansados que tomavam um banho, comiam e dormiam sem dificuldade. Mas quando Thomy acordava no meio da noite e levantava a cabeça procurando por Verônica e chorando baixinho, Ned lhe dava o leão Edward e o consolava até que ele voltasse a dormir. Depois Ned sentava na cama com o olhar triste e aquela era a pior hora do dia. Era a hora em que se sentia completamente sozinho, sem os risos de Thomy, o pouco de alegria que lhe restava naqueles dias. Alguem havia gostado do homem Ned Malone com todas as suas inseguranças e hesitações e agora a estava perdendo.
A Summerllee passava seu tempo pesquisando alternativas, recolhendo plantas, preparando medicamentos, ajudando na cozinha eventualmente ficando com Verônica para que Challenger tomasse um banho. Arthur estava pronto para qualquer coisa. Mas à tardinha Marguerite fechava seus livros ordenava- lhe que tomasse um banho, jantasse e fosse dormir. Ele obedecia sem questionar. Era sábio o suficiente para saber que se quisesse ser útil precisava estar em boas condições.
Summerllee sempre fora o segundo a acordar, e agora sentia falta de ao chegar a cozinha encontrar Verônica ao fogão. Ela então ouvia seus passos e virando-se com um sorriso cumprimentava-o já lhe trazendo uma xícara de café. "Bom dia professor".
E Challenger, se não fosse também por Marguerite e suas broncas, nem comeria. Não queria sair do quarto, e então ela levava a comida até ele obrigando-o a comer antes que esfriasse. Era ela quem ordenava que ele fosse dar um pequeno passeio em volta da Casa da Árvore para esticar as pernas. Ele voltava poucos minutos depois e ela duvidava que ele tivesse realmente feito o que ela dissera, mas pelo menos havia saído para tomar ar fresco.
Nas poucas horas em que desfrutava de um pouco de tranqüilidade, Challenger lembrava de quando Verônica o seguia pelo laboratório ou o guiava pelos caminhos do platô. Sua curiosidade era insaciável e George adorava a forma como ela prestava atenção em tudo que ele lhe ensinava.
Marguerite aproveitava também para entrar no quarto e saber notícias de Verônica. Quando saia de lá, voltava com um olhar triste, atordoado. E se neste momento Roxton estivesse em casa, ele pegava sua mão preocupado. - "Marguerite, você está bem?" – e ela balançava a cabeça afirmativamente. John então a conduzia até a cozinha para um tomar um café ou até a varanda onde ficavam em silêncio.
Por mais que odiasse admitir Marguerite, encontrara em Verônica uma das poucas mulheres que ousara falar com ela no mesmo tom e descobriu que sentia falta disso. Alguém que não se sentisse intimidada pela sua presença imponente. Percebeu também que na verdade adorava provocar a garota sempre esperando uma reação. E riu ao perceber finalmente que Verônica também gostava provocá-la.
E se Marguerite assumira o controle da casa, Roxton tornou-se seu fiel escudeiro.
"Roxton, leve essas armas para perto do elevador, não é hora de dar um desses ataques masculinos de deixar as coisas jogadas num canto..." - John não questionava nenhuma de suas ordens. Parecia que ele sempre estava por perto. Quando no meio da noite percebia Ned acordado e triste sentado na cama ele ficava a seu lado. - "Precisa de companhia meu amigo?" – perguntava o caçador sem esperar por uma resposta. E ficaram os dois insones ali, sentados até o amanhecer. Para Summerllee sempre trazia coisas novas que encontrava em suas excursões na selva na esperança de que ele pudesse aproveitar. E quando Marguerite aparecia na cozinha de manhã cedo ele já a estava esperando com uma xícara fresquinha de café para ela e outra do chá preferido de George.
Um dia à noite Summerllee escutou um barulho na base da casa da árvore e desceu para olhar do que se tratava. Ficou surpreso ao ver Roxton chutando com violência a pilha de lenha que despencava. Sem que ele percebesse sentou-se até que John se cansasse.
"Eu estava me perguntando como você desabafava." – disse Summerllee com tranquilidade.
"O que faz aqui Summerllee?" – Perguntou Roxton ofegante.
"Esperando aqui para ver se você quer conversar com alguém"
"Parece que estou precisando mesmo" – riu o caçador sorrindo e sentando-se ao lado do professor.
Roxton sentia falta de caçar ao lado de Verônica, com os dois sempre rindo e conversando sobre a melhor maneira de capturar um raptor. John insistia em suas técnicas modernas enquanto Verônica se divertia quando ele perdia um tiro. "Da próxima vez Roxton, vamos tentar do meu jeito". E quando ela errava era a vez dele passar o dia espalhando rindo e espalhando a novidade. Nenhum dos dois admitia perder para o outro.
..............................................
Marguerite acordou irritada.
"Summerllee, leve essas coisas a Challenger, eu cuidarei do que sobrar. Roxton hoje as louças da janta são suas. Menino, tira a colher da boca!".
Marguerite abaixou-se perto de Thomy e lhe tirou a colher um pouco bruscamente.
"Quantas vezes já lhe disse que isso não é banana? Usamos isso para comer e não é um de seus brinquedos...".
Malone largou o que ia fazer para na hora se aproximar dos dois.Thomy olhava para ela, respirando acelerado, querendo chorar. Roxton interviu. "Marguerite ele é pequeno demais"
"É assim que se corta o mal pela raiz, Roxton...".
Thomy fazia bico e as lágrimas dançavam em suas pálpebras, mas sem rolar.
"Ele é só um bebê!" Malone pegou o menino e encarou Marguerite.
"Escute aqui. Ela se aproximou"Ele tem que ser educado se quiser crescer civilizadamente aqui. Apesar de não parecer, não faço isso para o mal dele. E você, ao invés de dar uma de ofendido, ao menos assuma a postura de um..."
Marguerite parou apenas abaixando o dedo direcionado a Malone. "Que postura Marguerite?".
Ela olhou a volta e balançou a cabeça.Passou a mão nos cabelos e fechou os olhos, soltando sua respiração como um alívio. "Nada Malone... Continue o que você ia fazer, me deixe aqui com meus afazeres... Pare de olhar pra mim Roxton!"
Roxton sinalizou para Malone que pegou Thomy e saiu da cozinha. Aproximando- se dela Roxton tirou delicadamente a faca e o legume que ela estava cortando de suas mãos e virou-a olhando nos olhos. Ela o abraçou com força e chorou baixinho encostada a seu peito. Marguerite cumpria muito bem sua tarefa de manter tudo funcionando, mas como os outros também precisava externar seu desabafo.
..............................................
Apesar da gravidade, Summerllee e Challenger asseguraram-se de que a doença de Veronica não era contagiosa. Malone queria ve-la mas Summerllee, pediu que ele se afastasse por algum tempo garantindo que assim que fosse conveniente ele o chamaria. Mesmo a contragosto o jornalista concordou.
Em um dos dias de chuva Roxton e Malone ajudavam Marguerite na cozinha. Thomy finalmente se distraia sentado no chão com alguns brinquedos feitos de trapos. Mas sempre conferia para ver se Ned estava por perto. Alguém entoou baixinho uma canção e Thomy levantou a cabeça procurando por todos os lados de onde vinha o som. Quando viu Marguerite saindo da dispensa, ficou confuso até que entendeu que era ela quem cantarolava e não Veronica. Colocou as mãos no chão onde apoiou o rosto e começou a soluçar baixinho. Malone foi até ele sentando-se no chão a seu lado e acariciando sua cabeça mas não adiantou.
Roxton viu Marguerite parar de cantarolar e sair da cozinha. "Certamente que ela não queria aturar mais uma cena de choro daquela criança."
Passados uns poucos minutos mais uma vez ouviram a canção. E novamente Thomy, agora com o rosto molhado de lágrimas, levantou a cabeça procurando. E lá estava Marguerite, desta vez vestida com o roupão que Veronica usava ao sair do banho. Ela abaixou-se e com delicadeza e pegou-o no colo tendo cuidado para que ele mantivesse o rosto perto do tecido. Depois, sempre cantarolando em seu ouvido carregou o menino já mais calmo para a varanda, observada pelos incrédulos Roxton e Malone.
..............................................
Certa noite, Challenger teve um pesadelo. Sonhou que Verônica se atirava da varanda. Acordou um pouco atordoado e resolveu sentar-se perto da jovem. "Foi só um sonho, um sonho horrível, mas só um sonho" - Repetia para si mesmo.
Challenger observava a jovem perdida em febre, com os olhos ligeiramente abertos. Ficou penalizado ao perceber que ela sentia dores ao respirar e por isso ofegava. Uma inexplicável emoção caiu sobre George, um sentimento de clemência foi como identificou isto. Aos poucos, viu-se de mãos grudadas em frente à face inclinada para baixo.
"Seja quem for, e seja como for, eu vou salvá-la... Este é meu primeiro passo. Se há alguém ou alguma coisa, um ser extraordinário morando acima de nós, por favor, prostrarme-ei diante de tudo para que possa salvar Verônica. Mande algum sinal a mim, me faça ter alguma idéia, uma chama acesa dentro de minha mente, essa nunca cessará. Tenho certeza que meus cálculos estão certos, mas não consigo ver uma melhora significativa em seu estado. Alguém aí me ouve?... Agora percebo que não é só fechar os olhos... Seja quem for possa ter ouvido este...desabafo, obrigado".
Challenger encostou a cabeça quando sentiu a mão de Verônica segurando com força as suas. Ele consolou-a. - "Estou aqui querida".
Repentinamente o cientista alarmou-se ao sentir a mão de Verônica relaxar e perceber que ela fechava os olhos lentamente.
"Não, não, não, não. Você não vai fazer isso comigo."
Abriu a porta do quarto e gritou a plenos pulmões
"Preciso de ajuda aqui, agora!"
CONTINUA...
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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Dez
"Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados."
Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"
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Contra todos os prognósticos, Verônica resistia dia após dia, noite após noite.
E a rotina da casa da árvore mudou radicalmente. Marguerite era uma mulher decidida, e de garra, isto não era surpresa para ninguém. Com a mesma garra e coragem com que administrava sua vida, aplicou-a nos afazeres tornando-se uma espécie de governanta da casa. Ninguém imaginava que Verônica fazia tanta falta até então. Suas tarefas tinham que ser redistribuídas. Mas era muito mais do que isto.
Normalmente cabia a Roxton e Malone a procura de alguma coisa que Challenger e Summerllee necessitassem. Banana, limão, abóbora, barro, nabo, enfim, o que eles pedissem os dois tentavam conseguir. Marguerite fizera dois buracos no fundo da mochila de Ned, onde ele alojava Thomy confortavelmente. E então lá iam os três mata adentro para retornarem quase ao anoitecer sempre exaustos e com o peito apertado esperando alguma má notícia.
Malone não parava. Malone não queria e não podia parar. Qualquer coisa que precisasse lá estava ele sempre pronto, sempre com o garoto na mochila ou no colo. Thomy andava irritado, indócil e triste. Só Ned cuidava dele que por sua vez aceitava somente o jornalista. Chorava até mesmo com ele, e piorava ainda mais quando estava com outra pessoa. Esta aproximação da criança com os outros, estaria mais difícil se não fosse a paciência de todos, principalmente a do próprio Ned. A noite ele e Thomy estavam tão cansados que tomavam um banho, comiam e dormiam sem dificuldade. Mas quando Thomy acordava no meio da noite e levantava a cabeça procurando por Verônica e chorando baixinho, Ned lhe dava o leão Edward e o consolava até que ele voltasse a dormir. Depois Ned sentava na cama com o olhar triste e aquela era a pior hora do dia. Era a hora em que se sentia completamente sozinho, sem os risos de Thomy, o pouco de alegria que lhe restava naqueles dias. Alguem havia gostado do homem Ned Malone com todas as suas inseguranças e hesitações e agora a estava perdendo.
A Summerllee passava seu tempo pesquisando alternativas, recolhendo plantas, preparando medicamentos, ajudando na cozinha eventualmente ficando com Verônica para que Challenger tomasse um banho. Arthur estava pronto para qualquer coisa. Mas à tardinha Marguerite fechava seus livros ordenava- lhe que tomasse um banho, jantasse e fosse dormir. Ele obedecia sem questionar. Era sábio o suficiente para saber que se quisesse ser útil precisava estar em boas condições.
Summerllee sempre fora o segundo a acordar, e agora sentia falta de ao chegar a cozinha encontrar Verônica ao fogão. Ela então ouvia seus passos e virando-se com um sorriso cumprimentava-o já lhe trazendo uma xícara de café. "Bom dia professor".
E Challenger, se não fosse também por Marguerite e suas broncas, nem comeria. Não queria sair do quarto, e então ela levava a comida até ele obrigando-o a comer antes que esfriasse. Era ela quem ordenava que ele fosse dar um pequeno passeio em volta da Casa da Árvore para esticar as pernas. Ele voltava poucos minutos depois e ela duvidava que ele tivesse realmente feito o que ela dissera, mas pelo menos havia saído para tomar ar fresco.
Nas poucas horas em que desfrutava de um pouco de tranqüilidade, Challenger lembrava de quando Verônica o seguia pelo laboratório ou o guiava pelos caminhos do platô. Sua curiosidade era insaciável e George adorava a forma como ela prestava atenção em tudo que ele lhe ensinava.
Marguerite aproveitava também para entrar no quarto e saber notícias de Verônica. Quando saia de lá, voltava com um olhar triste, atordoado. E se neste momento Roxton estivesse em casa, ele pegava sua mão preocupado. - "Marguerite, você está bem?" – e ela balançava a cabeça afirmativamente. John então a conduzia até a cozinha para um tomar um café ou até a varanda onde ficavam em silêncio.
Por mais que odiasse admitir Marguerite, encontrara em Verônica uma das poucas mulheres que ousara falar com ela no mesmo tom e descobriu que sentia falta disso. Alguém que não se sentisse intimidada pela sua presença imponente. Percebeu também que na verdade adorava provocar a garota sempre esperando uma reação. E riu ao perceber finalmente que Verônica também gostava provocá-la.
E se Marguerite assumira o controle da casa, Roxton tornou-se seu fiel escudeiro.
"Roxton, leve essas armas para perto do elevador, não é hora de dar um desses ataques masculinos de deixar as coisas jogadas num canto..." - John não questionava nenhuma de suas ordens. Parecia que ele sempre estava por perto. Quando no meio da noite percebia Ned acordado e triste sentado na cama ele ficava a seu lado. - "Precisa de companhia meu amigo?" – perguntava o caçador sem esperar por uma resposta. E ficaram os dois insones ali, sentados até o amanhecer. Para Summerllee sempre trazia coisas novas que encontrava em suas excursões na selva na esperança de que ele pudesse aproveitar. E quando Marguerite aparecia na cozinha de manhã cedo ele já a estava esperando com uma xícara fresquinha de café para ela e outra do chá preferido de George.
Um dia à noite Summerllee escutou um barulho na base da casa da árvore e desceu para olhar do que se tratava. Ficou surpreso ao ver Roxton chutando com violência a pilha de lenha que despencava. Sem que ele percebesse sentou-se até que John se cansasse.
"Eu estava me perguntando como você desabafava." – disse Summerllee com tranquilidade.
"O que faz aqui Summerllee?" – Perguntou Roxton ofegante.
"Esperando aqui para ver se você quer conversar com alguém"
"Parece que estou precisando mesmo" – riu o caçador sorrindo e sentando-se ao lado do professor.
Roxton sentia falta de caçar ao lado de Verônica, com os dois sempre rindo e conversando sobre a melhor maneira de capturar um raptor. John insistia em suas técnicas modernas enquanto Verônica se divertia quando ele perdia um tiro. "Da próxima vez Roxton, vamos tentar do meu jeito". E quando ela errava era a vez dele passar o dia espalhando rindo e espalhando a novidade. Nenhum dos dois admitia perder para o outro.
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Marguerite acordou irritada.
"Summerllee, leve essas coisas a Challenger, eu cuidarei do que sobrar. Roxton hoje as louças da janta são suas. Menino, tira a colher da boca!".
Marguerite abaixou-se perto de Thomy e lhe tirou a colher um pouco bruscamente.
"Quantas vezes já lhe disse que isso não é banana? Usamos isso para comer e não é um de seus brinquedos...".
Malone largou o que ia fazer para na hora se aproximar dos dois.Thomy olhava para ela, respirando acelerado, querendo chorar. Roxton interviu. "Marguerite ele é pequeno demais"
"É assim que se corta o mal pela raiz, Roxton...".
Thomy fazia bico e as lágrimas dançavam em suas pálpebras, mas sem rolar.
"Ele é só um bebê!" Malone pegou o menino e encarou Marguerite.
"Escute aqui. Ela se aproximou"Ele tem que ser educado se quiser crescer civilizadamente aqui. Apesar de não parecer, não faço isso para o mal dele. E você, ao invés de dar uma de ofendido, ao menos assuma a postura de um..."
Marguerite parou apenas abaixando o dedo direcionado a Malone. "Que postura Marguerite?".
Ela olhou a volta e balançou a cabeça.Passou a mão nos cabelos e fechou os olhos, soltando sua respiração como um alívio. "Nada Malone... Continue o que você ia fazer, me deixe aqui com meus afazeres... Pare de olhar pra mim Roxton!"
Roxton sinalizou para Malone que pegou Thomy e saiu da cozinha. Aproximando- se dela Roxton tirou delicadamente a faca e o legume que ela estava cortando de suas mãos e virou-a olhando nos olhos. Ela o abraçou com força e chorou baixinho encostada a seu peito. Marguerite cumpria muito bem sua tarefa de manter tudo funcionando, mas como os outros também precisava externar seu desabafo.
..............................................
Apesar da gravidade, Summerllee e Challenger asseguraram-se de que a doença de Veronica não era contagiosa. Malone queria ve-la mas Summerllee, pediu que ele se afastasse por algum tempo garantindo que assim que fosse conveniente ele o chamaria. Mesmo a contragosto o jornalista concordou.
Em um dos dias de chuva Roxton e Malone ajudavam Marguerite na cozinha. Thomy finalmente se distraia sentado no chão com alguns brinquedos feitos de trapos. Mas sempre conferia para ver se Ned estava por perto. Alguém entoou baixinho uma canção e Thomy levantou a cabeça procurando por todos os lados de onde vinha o som. Quando viu Marguerite saindo da dispensa, ficou confuso até que entendeu que era ela quem cantarolava e não Veronica. Colocou as mãos no chão onde apoiou o rosto e começou a soluçar baixinho. Malone foi até ele sentando-se no chão a seu lado e acariciando sua cabeça mas não adiantou.
Roxton viu Marguerite parar de cantarolar e sair da cozinha. "Certamente que ela não queria aturar mais uma cena de choro daquela criança."
Passados uns poucos minutos mais uma vez ouviram a canção. E novamente Thomy, agora com o rosto molhado de lágrimas, levantou a cabeça procurando. E lá estava Marguerite, desta vez vestida com o roupão que Veronica usava ao sair do banho. Ela abaixou-se e com delicadeza e pegou-o no colo tendo cuidado para que ele mantivesse o rosto perto do tecido. Depois, sempre cantarolando em seu ouvido carregou o menino já mais calmo para a varanda, observada pelos incrédulos Roxton e Malone.
..............................................
Certa noite, Challenger teve um pesadelo. Sonhou que Verônica se atirava da varanda. Acordou um pouco atordoado e resolveu sentar-se perto da jovem. "Foi só um sonho, um sonho horrível, mas só um sonho" - Repetia para si mesmo.
Challenger observava a jovem perdida em febre, com os olhos ligeiramente abertos. Ficou penalizado ao perceber que ela sentia dores ao respirar e por isso ofegava. Uma inexplicável emoção caiu sobre George, um sentimento de clemência foi como identificou isto. Aos poucos, viu-se de mãos grudadas em frente à face inclinada para baixo.
"Seja quem for, e seja como for, eu vou salvá-la... Este é meu primeiro passo. Se há alguém ou alguma coisa, um ser extraordinário morando acima de nós, por favor, prostrarme-ei diante de tudo para que possa salvar Verônica. Mande algum sinal a mim, me faça ter alguma idéia, uma chama acesa dentro de minha mente, essa nunca cessará. Tenho certeza que meus cálculos estão certos, mas não consigo ver uma melhora significativa em seu estado. Alguém aí me ouve?... Agora percebo que não é só fechar os olhos... Seja quem for possa ter ouvido este...desabafo, obrigado".
Challenger encostou a cabeça quando sentiu a mão de Verônica segurando com força as suas. Ele consolou-a. - "Estou aqui querida".
Repentinamente o cientista alarmou-se ao sentir a mão de Verônica relaxar e perceber que ela fechava os olhos lentamente.
"Não, não, não, não. Você não vai fazer isso comigo."
Abriu a porta do quarto e gritou a plenos pulmões
"Preciso de ajuda aqui, agora!"
CONTINUA...
