SPOILERS: OUT OF TIME

Comments: Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional alem da imensa paciência e carinho conosco. Beijokaxxx!!!

E para todas as meninas que têm acompanhado essa fic sentindo como nós, toda a emoção da trama!

Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Treze

"Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro, seja a vossa alegria:"

Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"

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Verônica abriu os olhos, porém fechou logo em seguida quando o filete de luz que entrava no quarto incomodou-a. Tentou mais uma vez, mas agora muito lentamente até que se acostumasse a claridade. Olhou onde estava e ficou confusa tentando resgatar qualquer lembrança de como chegara a casa da árvore. Sentia muita sede, o corpo todo doía e descobriu que respirar era ainda mais doloroso. Aos poucos e com muito cuidado começou a se mexer até que percebeu alguma coisa segurando-a firmemente. Puxou a ponta da coberta e abriu um sorriso ao descobrir Thomy agarrado a ela, com os braços tão seguros que duvidou que pudesse soltá-los.

"Também senti sua falta amorzinho..." – pensou emocionada.

Bem devagar tirou um dos bracinhos que estava em cima de seu abdômen, ajeitou o menino para mais perto ainda, e o abraçou carinhosamente bem devagar, para que não acordasse. Colou seu rosto ao da criança - "Como você cresceu Thomy... está um menino muito forte..." - de olhos fechados, acariciava as costinhas dele. - "Está bonito... e olhe só... que roupinha bonita também... Roupinha que Marguerite fez não é mesmo?" - Beijou ternamente sua cabeça quentinha - "Cheirinho bom amorzinho... melhor do que quando estivemos fora não é?"

Quando a memória daqueles dias voltou a sua mente, Verônica sentiu imensa tristeza. Arrependia-se profundamente do que falara durante a discussão e de ter levado Thomy consigo para longe. - "Algum dia você irá me perdoar meu bem?" - Ela enterrou o nariz no pescoço do menino e fechou os olhos, sentindo a criança bem perto de si. Estava muito fraca, mas não havia nada que a fizesse mais fortalecida do que ter seu Thomy nos braços, tão sadio.

Tentou voltar a dormir, mas não pode. Não cansava de olhar para o garoto, certificando-se de que estava bem. E não conseguia parar de pensar na horrível discussão com Challenger e de como o magoara. Como estaria ele? Será que um dia a perdoaria?

A porta rangeu e Verônica viu Summerllee entrando. Imediatamente ele sentou- se pegando a mão da moça. Percebeu que o calor das mãos do bom homem a fazia sentir-se melhor e viu o amor e o alívio que emanavam dos olhos dele.

"Nunca mais teste o coração deste velho." – Arthur carinhosamente ajeitava os cabelos da jovem que sorria com um toque de inocência. – "Gostou de seu acompanhante?".

"Hum, Hum!" – Ela respondeu numa voz muito fraca e rouca. Summerllee notou e ajudou-a a tomar alguns goles de chá fresco.

"Vou chamar alguém para pegá-lo..."

"Por favor...deixe."

"Se ele acordar não vamos mais conseguir separa-lo de você." – Justificou Arthur saindo e voltando com Roxton que sorriu beijando Verônica na testa.

"Olá minha amiga. Senti sua falta."

"E eu a sua."

"E então, quando podemos sair para caçar? Se você quiser estarei livre daqui alguns minutos" - John deu-lhe uma piscadela que a fez sorrir mais uma vez.

Delicadamente Roxton tentou soltar a criança.

"Vamos Thomy, Verônica precisa descansar". Delicadamente, ele o aconchegou em seu colo e o menino continuou a dormir.

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A recuperação de Verônica ia ser lenta. Todos sabiam disso, mas estavam felizes e aliviados.

Challenger reuniu os quatro amigos e deu suas ordens: Se tudo corresse bem a febre continuaria a ceder bem devagar e estando muito fraca qualquer esforço a deixaria esgotada. Então a prioridade passou a ser fortalece-la para que seu organismo combatesse a infecção e recuperasse as forças. Também foi categórico ao informar que ela iria permanecer na cama por no mínimo mais quinze dias. O cientista sabia que cedo ou tarde ficaria inquieta por ficar tanto tempo trancada no quarto mas ele foi bem convincente ao afirmar que qualquer coisa que dissesse respeito a saúde de Verônica seria determinada unicamente por ele. E que ninguém se atrevesse a questionar suas ordens mesmo que por insistência da jovem.

George também ensinou Marguerite o uso das ventosas explicando que eram usadas para para retirar a umidade e reduzir as toxinas. Surpreendeu-se com a facilidade com que ela aprendera e suspeitou que a herdeira já tivesse tido contato com a técnica em alguma de suas viagens, mas resolveu nada perguntar. Marguerite era mulher de muitos segredos que talvez fossem revelados com o tempo. Então ela começava com a massagem nas costas de Verônica para em seguida aplicar os copinhos. Malone ainda tentou observar uma ou duas vezes, mas desistiu. Embora Marguerite garantisse que não provocava dor ele não se convencia, principalmente ao ver as marcas de hematomas que deixavam na pele.

Quando Malone levava o garoto para uma visita, parecia que as únicas pessoas que existiam mundo eram Thomy e Verônica. Thomy atirava-se para a moça com tanta urgência que Ned precisava intervir para que ele não a machucasse. Então ela o aconchegava com ternura. E aquele passou a ser um dos poucos momentos em que, enquanto acordado, Thomy ficava quieto, abraçado a ela, como se tivesse a certeza do quão preciosa era aquela ocasião para ambos.

Challenger fazia questão de zelar pelo seu sono. E que ninguém o contrariasse.

"Não se preocupe, você está melhor a cada dia..." – sussurrava ele – "e se não quiser mais me ver, eu entenderei... Fui cego e egoísta... Mas cuidar de você me fez ver os meus atos falhos, e graças a você querida, sou uma pessoa melhor... Não implorarei por perdão, o que fiz não merece nenhum tipo de desculpas. Mas se um dia você fizer a besteira de me conceder este perdão, saiba que vou ser o homem mais feliz deste mundo...".

Mas sempre que percebia que ela estava acordando o cientista afastava-se e chamava alguém para ocupar seu lugar. Depois Challenger tomava banho, fazia uma refeição e dormia por algumas horas. Acordava e dava um passeio pela mata sempre acompanhado de Marguerite, Roxton ou Summerllee. Ao retornar a casa da árvore ia para o laboratório onde anotava e separava com cuidado tudo o que iria precisar para o tratamento de Verônica.

Ela entristeceu-se ao perceber que ele agora a evitava. Mas compreendia. Às vezes sua mente se distanciava, e quando seus amigos percebiam sua amargura, e lhe perguntavam sempre dizia que estava tudo bem e que não era nada.

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Malone se dirigia ao quarto de Verônica para levar-lhe o jantar quando Roxton que vinha chegando com Marguerite tomou-lhe a bandeja das mãos.

"O que...?" – disse o jornalista sem entender.

"Desculpe Ned. Mas hoje quem vai jantar com a sua garota sou eu." – Roxton saiu sorrindo antes que o rapaz pudesse protestar. Marguerite pegou-o pelo braço.

"Deixe ele. Roxton anda com mania de querer parecer educado. O que está preparando Summerllee?"

"Ah minha querida! Temos um jantar muito especial hoje."

"O que é?"

"Sente-se ai e espere pela melhor refeição de sua vida" – riu Arthur.

Marguerite bufou virando os olhos.

"Bife de raptor de novo Summerllee?"

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"Toc, toc." – disse Roxton bem humorado entrando no quarto de Verônica. Ela estava deitada e admirou-se-se ao ver o caçador entrar no lugar de Malone.

"Meu Deus Verônica. Você está péssima."

"Você é muito gentil Roxton" – Respondeu tentando sentar-se com uma careta – "Eu me sinto péssima." – Ele correu para ela.

"Deixe que eu ajudo" – John auxiliou a moça e colocou alguns travesseiros em suas costas. Ela sorriu agradecida. O caçador pegou o prato.

"Adivinhe o cardápio de hoje."

"A mesma coisa de ontem e anteontem. Sopa de cenoura, inhame e nabo e chá de cardo-santo. Acertei?"

"Você é um gênio."

"Não tenho fome Roxton. Só sede."

"Eu sei, mas faça um esforço." – John deu-lhe um olhar suplicante – "Preciso da minha parceira de caça o mais rápido possível ou vou enlouquecer. Malone se esforça, mas é muito enrolado; Summerllee é muito lento e Marguerite reclama tanto que espanta todos os animais da região."

Verônica riu.

"Só um pouco então." – Ela começou a comer lentamente.

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Malone entrou no laboratório.

"Challenger. O jantar está pronto."

"Mais alguns minutos e já vou. Quero terminar isto aqui." – disse o cientista sem deixar-se distrair pelo jornalista que se aproximou curioso.

"O que está fazendo?"

"Terminando algumas anotações sobre os próximos passos na recuperação de Verônica."

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Verônica comeu pouco mais da metade do que lhe foi oferecido. Qualquer esforço que fazia lhe era penoso e ela odiava isto mais do que qualquer outra coisa. Roxton ainda pensou em oferecer ajuda para que terminasse a refeição, mas como não queria constrange-la deu-se por satisfeito quando ela empurrou o prato .Era uma mulher orgulhosa e livre e depender das pessoas sempre havia sido muito difícil para ela. John ficou muito sério.

"Todos nós sabemos que alguma coisa está te incomodando, então, por favor, converse comigo...ou com Malone, Summerllee, até mesmo Marguerite, mas fale com alguém."

"Não é nada...Sério..." – o caçador inclinou-se pegando-lhe as mãos.

"Fale comigo Verônica."

Roxton fez uma pausa. Quando ela olhou para o amigo sentiu-se tão amparada que, mesmo hesitante a princípio, as palavras começaram a fluir de sua boca.

"Todos tem sido tão maravilhosos que jamais poderei agradecer-lhes o suficiente. Thomy deveria ser minha responsabilidade e eu sinto muito que vocês estejam tendo todo este trabalho com ele e principalmente comigo. Não imaginam como é difícil para mim depender de vocês sem poder fazer nada." – ela engoliu em seco.

"E você não faz idéia de como cuidar de você e do Thomy tem mudado as coisas por aqui. E apesar de todos os sustos, para melhor. Acredite em mim." – Após alguns segundos Roxton continuou - "Você tem visto Challenger?" – Ela deu-lhe um olhar melancólico e respondeu secamente.

"Não."

Malone adiantou-se e fechou o diário de Challenger que olhou para ele.

"Você a está evitando. Por que?"

"Eu? Que idéia Malone."

"Eu sei que vocês têm opiniões diferentes sobre algumas coisas, foram para lados opostos, discutiram, se machucaram, mas depois de tudo que os dois passaram juntos não seria hora de você deixar o orgulho de lado e perdoar?" – perguntaram Roxton e Malone a Verônica e Challenger que responderam com vozes emocionadas, mas firmes.

"Perdoar? O que eu deveria perdoar?...Eu falei um monte de bobagens com o único objetivo de machucar alguém que gosto profundamente. E no momento que me dei conta do quanto fui cruel eu senti tanta vergonha de mim, e tanta dor como nunca havia sentido antes."

"E eu senti tanto medo de perde-la Malone. Fiquei todos esses dias com ela não só para salvar sua vida, mas principalmente para salvar a minha. Eu esperei e rezei para que reagisse e melhorasse e assim foi. E agradeço também por ela não se lembrar de nada, não se lembrar que eu estava lá com todo o peso dessa vergonha e da culpa sobre mim."

"Naquele dia quando peguei o Thomy fui embora e não olhei para trás. E não conseguia pensar em nada, só em me afastar de vocês e principalmente me afastar de Challenger. Eu não ia conseguir encara-lo. Aliás, nenhum de vocês. E eu cuidava do Thomy e me envergonhava cada vez mais. Que exemplo eu seria para ele? Eu só pensava no que havia dito a Challenger e em como fui injusta."

"Mas agora sei que não preciso ser apenas George Challenger, o cientista. Eu sou muito mais do que isto. Só queria ter feito esta descoberta há 25 anos atrás, e então minha Jessy jamais teria ficado sozinha e eu seria o pai orgulhoso de alguém como Verônica."

"Dias atrás pedi que ficasse comigo. Eu precisava daquele conforto e ele foi gentil o bastante para fazer isso por mim. Summerllee disse que Challenger passa as noites aqui, mas nunca consegui vê-lo... Não tenho o direito de pedir que ele me perdoe Roxton. Não tenho direito de lhe pedir mais nada."

"Já imaginou que ambos podem estar se torturando pelo mesmo motivo?" – concluíram Roxton e Malone.

"Vamos jantar grande cientista." – Ned subiu as escadas em direção a cozinha e foi seguido por George agradecido por ter conversado com alguém. Só não esperava que esse alguém fosse Malone.

"Roxton. Obrigada pelo jantar e pela conversa."

O caçador levantou-se.

"Sou eu quem agradece por ter confiado em mim Verônica."

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Naquela tarde Summerllee havia decidido relaxar dedicando-se a arrumar a horta. Com as prioridades impostas ultimamente as plantas haviam sido deixadas de lado. Arthur apreciava a companhia das pessoas, mas ao estar com as plantas ele sentia-se em casa.

Roxton tinha razão ao dizer que apesar de tudo as coisas estavam mudando para melhor. Ao acompanhar Challenger e Verônica em seus respectivos processos de cura Summerllee descobriu que a mudança que o episódio havia provocado nele foi deixar de se torturar por não ter ficado com Hannah na hora de sua morte.

E por algum motivo ele tinha a sensação de que aquele ainda seria um dia especial.

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Roxton convidou Marguerite para acompanha-lo em uma caçada. Não que a casa da árvore estivesse necessitando de provisões, mas após tanta pressão andar pela mata sem preocupações era uma benção.

"Posso lhe fazer uma pergunta Marguerite?" – começou Roxton.

"Fale logo. Ou você acha que não conheço esse tom de provocação?"

"Você gosta dele não gosta?"

"De quem você está falando?"

"Você sabe."

"Do macaquinho?" – Ela não esperou resposta – "Você está maluco Roxton."

"Foi você quem cantou para ele e o fez parar de chorar"

"Eu não ia passar o resto do dia com o macaquinho chorando no meu ouvido"

"Sei. Ele gosta de você" – Continuou a provocar Roxton.

"Ele não gosta de mim. Ele gosta é de me irritar. Um perfeito discípulo de Verônica"

John riu ao concluir que a velha Marguerite estava de volta.

"Você tem sido maravilhosa Marguerite" – As palavras formaram se no cérebro do caçador, mas ele percebeu a tempo que dize-las seria a sua ruína. A herdeira jamais o deixaria esquecer aquele elogio.

Marguerite seguiu a frente de Roxton sem deixar que ele percebesse seu sorriso - "Fico feliz que seu destino possa ser diferente do meu Thomy." – pensava ela.

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Verônica sentiu sua coberta sendo puxada para o chão. Abriu os olhos e viu Thomy tentando subir na cama, e já estava ficando irritado por não conseguir. Pela porta entreaberta apareceu Malone.

"Achei você!"

O menino deu um gritinho e tentou desesperadamente subir. Ned fingia querer pegá-lo enquanto o menino se escondia no pedaço de cobertor puxado.

Verônica virou-se apoiando a cabeça na mão olhando aquilo tudo, era impossível não se sentir bem. Finalmente ela estendeu a mão que Thomy usou para conseguir subir e os dois esconderam-se embaixo do cobertor.

"Ei! Não vale esta proteção! Não posso entrar aí em baixo... Ou será que posso!?"

"NÃO!" - Verônica disse sorrindo.Ned aproximou-se e tirou de uma vez um pouco da coberta.

"Há! Há!"

Thomy gargalhou enterrando a face no colo da loira que ria ainda um pouco fraca.

Ned encarou-a muito sério e ela sentiu um arrepio na espinha quando ele aproximou-se encostando ternamente seus lábios nos dela beijando-lhe com uma ternura que ela jamais experimentara antes. O toque macio de ambos os lados fazia com que os dois mergulhassem em um profundo lago de sensações. Malone sentia o sabor e a textura como se um doce morango estivesse massageando seus lábios. Os corações estavam se aquecendo quando o beijo terno e carinhoso foi interrompido por uma pequena mãozinha, empurrando o rapaz. Os dois sorriram embaraçados e Malone balançou carinhosamente os cabelos de Thomy.

"Já entendi, é sua garota não é?"

Verônica sorriu quando Thomy a abraçou não querendo olhar para Ned - "Está bem, você ganhou... Não posso ficar só um pouquinho com ela Thomy? Prometo que a deixo em casa!"

Thomy esticava o braço, mas sem desgrudar de Verônica e nem olhar para Ned -"Ah, não quer conversa comigo? Está de mal, está? Tudo bem então... Acho que vou ter que arrumar outra colher..."

O menino olhou para ele e os dois sorriram - "Ah seu interesseiro!"

"Vamos Thomy, vamos brincar lá na sala, Verônica precisa descansar..."

Ned pegou o menino que olhava triste para ele e Verônica - "Mmmm..." - ele murmurava apontando para ela.

"Você é espertinho não é garoto? Quer ficar com ela o dia inteiro não é? Bem, você não é o único."

"Ned..." - Disse ela baixinho - "Poderia me fazer um favor?"

"Pode pedir até dois, hoje estou de bom humor..."

"Me leva um pouco para a sala?"

"Desculpe-me, mas... não posso..."

"Por que?"

"Porque você tem pneumonia, e corrente de ar é a última coisa que quero que você pegue..."

"Mas deve estar um sol tão bonito... E eu aqui nesta cama, fechada há tanto tempo..."

Ned pensou um pouco. "Não sei se seria bom pra sua saúde..."

"Pra mim seria Ned... Por favor...".

Ela pedia com tanta fé que parecia estar devota a alguns minutos de sol.

"O que acha amiguinho? Vamos leva-la para passear?" – disse Malone colocando Thomy no chão - "Está bem... Mas primeiro vou arrumar as coisas para você lá na sala..."

Ned saiu e Thomy engatinhou o mais rápido que podia atrás dele. Minutos depois o jornalista retornava. Pegou Thomy e o colocou agarrado ao pescoço de Verônica.

"Posso ir andando Ned." - Disse ela.

"De jeito nenhum. Lord John Roxton está me dando umas aulas de como ser um cavalheiro e nós temos que praticar, não é pequeno?" – olhou para Thomy - "Pode segura-lo?"

"É ele quem está me segurando" - riu ela

"Nesse caso" - Ned retribuiu o sorriso - "Transporte para dois" - Ele inclinou-se e pegou Verônica no colo. -"Nossa, vocês pesam heim?" - Ela encostou a cabeça no tórax de Malone que adorou aquele contato. Sentiu que poderia permanecer com ela ali, aconchegada a seu peito por horas.

Levou os dois pela sala e acomodou Verônica em uma espreguiçadeira no canto da sala onde não havia vento encanado, mas de frente para a varanda de onde ela podia ver a área externa do platô. Só então percebeu que ela tremia. Ned correu até o quarto e voltou trazendo o cobertor.

"Desculpe" – disse ele constrangido. Ela sorriu.

"Ned? Quem cortou o cabelo do Thomy?"

Malone ficou sem graça.

"Você notou é? Roxton cortou."

"Roxton?"

"Tá bom. Eu confesso. Roxton e eu. O cabelo estava caindo nos olhos dele e resolvemos dar uma cortadinha. Ficou meio torto, não está tão ruim assim, está?"

Verônica começou a rir – "Não."

Ned pegou Thomy colocando-o no chão - Inclinou-se se aproximando lentamente falando baixinho.

"Está melhor? Ainda acho que não é uma boa idéia."

"Estou bem...sério..." – garantiu ela amolecendo o tom de voz percebendo a aproximação do rapaz.

Ele inclinou-se mais até que novamente seus lábios se encontraram com doçura. Thomy resmungava enquanto puxava insistentemente a barra da calça do jornalista. Ned afagou o rosto de Verônica.

"Também senti sua falta Ned." - Ambos sorriram.

"Pode ficar um pouco sozinha? É que está na hora de dar um banho neste menino sujinho e colocar ele pra comer" – Ela assentiu.

"Agora descanse. Se precisar de alguma coisa estaremos por perto. Vamos embora menininho sujinho" - Disse colocando Thomy nos ombros.

Verônica tentou relaxar e aproveitar os raios de sol daquela manhã.

Fechou os olhos.Tocou levemente os lábios ainda sentindo o mais doce beijo que algum dia pode sentir. Sem dúvida, não iria esquecer aquelas circunstâncias, e ainda mais Thomy empurrando Ned. Sorriu. "Ciumentos...".

CONTINUA...