SO RESTA O COMEÇO

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SO RESTA O COMEÇO
Segundo Ato – Um Mês Depois

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Um mês depois. Constatava-se a perda irreparável do mundo mágico. Voldemort fora morto por Harry Potter, que veio apenas para cumprir uma profecia. O menino que uma vez sobreviveu só veio a existir para ser a destruição do mais ambicioso bruxo da história. Ambos vítima e algoz um do outro. E a profecia se cumpriu. Lados opostos se atraíram e se anularam. Pouco restou depois disso.

Os ferimentos externos foram curados sem quase restar cicatrizes. Mas o coração continuava a sangrar. A alma dilacerada em dores. Muitos dos que amou e odiou estavam mortos. Seus irmãos de coração padeceram nas garras ferinas da guerra. Sua mãe de alma também. Mas a razão de sua existência estava desaparecida.

Precisava encontrá-lo.

De seu grande amor restou apenas as lembranças de sua existência. Os sonhos e desejos que não foram concretizados. A declaração não externada. O sentimento permaneceu guardado, oculto em seu coração. Nada dele fora encontrado. Ainda havia uma breve esperança.

—Você tem certeza de que quer fazer isso, filha? O mundo mágico foi praticamente dizimado... não vejo onde ele poderia estar... e por que estaria escondido.

—Eu sei, Prof Dumbledore, mas é algo que preciso fazer. É vital que eu faça. Essa maldita guerra nos consumiu a ponto de nos fazer inimigos de nós mesmos. Para proteger meu amor e evitar seu sofrimento, fiz com que me odiasse nos últimos tempos... e como me arrependo disso agora...

—Esse é um erro que cometemos sem que possamos evitar... o egoísmo às avessas. Maltratar quem amamos para que não sofram com nossa perda. É um erro natural. Não se culpe por isso, Hermione.

—É, sei... talvez eu esteja sendo prepotente, mas penso que se Severus soubesse o quanto eu o amava.. amo.. seria um motivo para continuar...

—Se você só ficará em paz consigo mesma desta forma, então faça isso, querida. Também sinto que nosso amado Severus está vivo, em algum lugar. Mande lembranças minhas quando o encontrar e diga para vir me visitar, algum dia.

—Para onde você pretende ir, professor?

—Vou aceitar um convite de uma velha amiga, um convite de muitos e muitos anos... irei para a Holanda, cultivar flores. E plantarei uma árvore para cada um dos nossos, para cada um de nós... depois do fim, só resta o começo, mesmo.

—Para mim, é só depois do fim, apenas... minha vida só recomeçará quando o encontrá-lo. Tudo o que quero é vê-lo vivo e bem. Não me preocupa se ele irá me hostilizar, se desdenhará e zombará de meus sentimentos... tudo que quero é encontrá-lo...

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"Quero voltar ao meu ninho,
Onde não devo morrer
Das roseiras entre o espinho,
Nos destroços do moinho
Rolas ouvindo gemer;"

(1º verso de "Desiderium" – Sousândrade – 1832 1902)
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—O senhor está completamente recuperado, o que eu diria que é quase um milagre. Quando a ambulância do corpo de Bombeiros o trouxe para cá semimorto, achávamos que não iria se recuperar.

—Fico feliz que não tenham me tratado como um semimorto mesmo. Agradeço tudo que fizeram por mim... "embora não tenham sido muito eficientes! Se fosse em St Mungus, eu teria ficado bom em 3 dias e não em um mês... trouxas, enfim..."

—É a nossa obrigação, Sr Snape. O senhor já pode ir para casa, está de alta.

"—Casa... nunca mais. A antiga vida chegou ao seu fim há um mês, agora só resta o começo. Nova casa. Nova vida..."

Não há mais casa a qual retornar. O mundo ao qual pertencia já não mais existe. Mas ainda há a vida... uma longa vida pela frente, ao que hoje parece. Como um pagão recém-nascido, deverá procurar novo abrigo fora do mundo intra-uterino, uma nova religião a qual rezar.

É tudo absolutamente novo. E é tudo absolutamente possível. É o pacote básico que vem junto com a liberdade adquirida. A existência continua, porém a vida mudou. Seu passado parece agora ainda mais distante. É uma outra vida, é como se não tivesse existido. É como um filme longo e memorável, mas agora apenas isso.

Recomeçar... ou começar de fato?

Liberdade de ir e vir, de fazer aquilo que se quer, de se experimentar novos sabores, de partir para novas conquistas. E isso lhe trazia uma certa felicidade.

Mesmo que muitos que estimava tivessem tombado, ainda sentia-se com uma irracional felicidade de poder continuar a respirar nesse mundo. Ou seria uma profunda amargura de ainda continuar quando quase todos se foram? Não dá para distinguir.

Só lhe resta seguir adiante, continuar a vida que não lhe foi tirada. Só resta o começo.

E é o que fará. Começar. E partir do zero, do ponto em que sua vida se encontrava neste momento.

E se por alguma benevolência divina pudesse ter de volta algo de seu passado, apenas quereria ELA, embora jamais a tivesse alguma vez... embora ela lhe odiasse como havia deixado bem claro... mas era uma nova vida da qual esse amor impossível em seu passado poderia se alcançável neste seu novo futuro.

E o que faria agora seria se estabelecer em seu novo mundo. Construir seu novo alicerce. E buscá-la seria... bem, esperava que o 'acaso' lhe arranjasse um meio, uma vez que lhe daria todas as bases.

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Quando eu te fujo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, oh! Bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
"—Meu Deus! Que gelo, que frieza aquela!"

Como te enganas! Meu amor que é chama
Que se alimenta no voraz segredo,
E se te fujo é que te adoro louco...
És bela – eu moço; tens amor – eu medo!...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,
Da luz, da sombra, do silêncio ou vozes,
Das folhas secas, do chorar das fontes,
Das horas longas a correr velozes.

O véu da noite me atormenta em dores,
A luz da aurora me entumece os seios,
E ao vento fresco do cair das tardes
Eu me estremeço de cruéis receios.

É que esse vento que na várzea – ao longe,
Do colmo o fumo caprichoso ondeia,
Soprando um dia tornaria incêndio
A chama viva que teu riso ateia!

Ai! Se abrasado crepitasse o cedro,
Cedendo ao raio que a tormenta envia,
Diz: —que seria da plantinha humilde
Que à sombra dele tão feliz crescia?

A labareda que se enrosca ao tronco
Torrara a planta qual queimara o galho,
E a pobre nunca reviver pudera,
Chovesse embora paternal orvalho!

(primeiro trecho de "Amor e Medo", outubro de 1858 – Casimiro de Abreu – 1839 1859)

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Fim do Segundo Ato – continua...
By Snake Eye's, 2004.
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Agradecimentos pelos Reviews v v

Hai Den Chan! o/ Wow! Minha nova fã por aqui também? Nossa, quanta presunção da minha parte... maaas, o que importa, não é? Deixe que o ego infle até estourar!

Cruz e Souza é maravilhoso! Assim como é a maioria dos autores do século XIX daí para baixo.

É, o primeiro cap tá mesmo muuuito pequeno, é apenas 1 pág e meia, o resto é do Cruz e Souza, que fiquei com dó de não colocar toda a poesia dele... alguma coisa tinha que ter de bom nessa fic, não é? Heheh

Mas os próximos caps - no total de 5 - não são assim tão curtinhos, então aguarde que tem muita abobrinha pela frente

Quanto às outras fics, a Animago e a 2 Realidades, os próximos caps (isto é, um cap de cada uma) já tão quase prontos... é que bateu a maledita trava, aquele medo irracional de prosseguir com a parada... mas tá saíndo... só não me mate senão é aí que não sai mais mesmo, já que o Chico Xavier morreu e não tem mais ninguém para fazer psicografias...

Ah, e não sou A Pat e nem O Pat... sou Snake Eye's, como o Nicholas Cage no filme homônimo, heheh! Ah, e um ninja feio pra encrenca do Esquadrão Cobra do Gi Joe, ehehe... péssimo --'

Beijusss!!

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Oie AvOaDa! Esta é a torcedora/sofredora fiel e constante! E aí, como vai? Já assistiu Shrek? Eu fui pro Rio pra assistir Harry Potter e desisti quando vi que a entrada tava 15 contos... prefiro esperar pra ver de graça no comput, heheh, e viva la pirataria!

Como o poema é muito lindo, a fic ficou msm muito linda, eu sei, eu sei... mas se eu tiro ela não sobra muita coisa, não? Modéstia à parte, muito lindo msm está o próximo cap... espero que goste!

Beijussss!

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Oii Noctivague! Como estás?

Como vc tem coragem de dizer publicamente que não leria mais nenhuma fic?? Moça! O povo que tá por aqui é tudo autor de fics... acho que isso não é um bom marketing pra vc - e suas fics.

Hahah! Eu sabia que o poema ia enganar que a fic é boa! Por isso que eu coloquei ele inteirinho - realmente não resisti, é muito lindo! Era só pra entrar a primeira parte, mas aí...

Lembra aquela parada que te falei pra usar um poema pra destravar? Pois é, eu queria pq queria fazer o desafio do site, mas não me vinha nada útil à mente, daí fui catar um poema do Cruz e Souza pra me auxiliar, e esse foi achado quase que por 6º sentido, daí então que a fic foi escrita... então foi a fic que se encaixou no poema (o Poeta deve tá se revirando no túmulo por essa profanação, heheh)

O lance das descrições, bem, é que imagino tudo como fosse um quadrinho, mas no quadrinho a gente desenha todas aquelas paradas e não precisa descrever nada, mas, agora, quando tem que escrever... já exagerei bastante, mas espero que esteja aprendendo a compactar isso... aliás, só pelo que vc falou - e vc não é de perder tempo fazendo média - acho que tô aprendendo, não ?

Ah, os clichês não têm jeito não, afinal, 'todas as palavras já foram ditas'... mas dá pra pôr um babadinho aqui ou ali pra disfarçar, né? Aliás, o que mais tem nas minhas fics é clichê (geralmente de quadrinhos)... ah se eu fosse original... seria um Guaraná Antártica, XD

É que pelo tema que a Sarinha escreveu, acho que não dava msm colocar a HG e SS juntos nesse cap... aaah, queria tanto ter feito os outros temas... maldita acefalia!

E os meus mais sinceros agradecimentos aos seus mais sinceros parabéns :) Mas acho que vc exagerou em dizer que a parada tá impecável... tudo bem, como dizem, o Amor é cego, heheh XD

Bom soninho! E a Telemelda me deixou todo o findi sem tel!! Vou dar um de zumbi tb!

Tô esperando mais comments!!

Beijinhão procê tb! (Adorei isso!)