SO RESTA O COMEÇO
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Quinto Ato: O Começo.
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No vidro da janela, gotas de chuva
deslizavam e formavam uma pequena poça na jardineira suspensa logo abaixo. Mais
à frente, um cipreste de tamanho mediano dançava de um lado para outro com o
vento frio e cortante que soprava.
Mesmo sentindo um pouco de frio, Hermione se recusava a fechar as grossas
cortinas. Apreciava de sua escrivaninha a movimentação da tempestade que
anunciava dias muito frios por vir. Com um suspiro enfadado, joga a caneta que
segurava sobre o caderno de estudos, abrindo em seguida a última gaveta da mesa,
trancada com magia.
Retira de lá um porta-retrato de madeira e filetes de metal... a única
fotografia que tinha dele era essa, do dia da sua formatura, com todos os seus
colegas e os professores juntos... nem isso ela tinha dele, uma foto nítida
exclusivamente com Severus Snape.
Olhou por muitos instantes a fotografia, como fazia todos os dias, para logo em
seguida abraçá-la contra o peito, fechando os olhos e tentando reviver
mentalmente aquele passado tão distante, tão inalcançável.
E em sua mente, tentava, em desespero, sorver todo aquele precioso instante que
ocorreu entre ela e Severus em seu quarto na Mansão Black, há mais de dois anos.
E, naquele momento, tudo que pensava era repudiá-lo, por causa de seu raciocínio
torto que a fez ter um julgamento totalmente equivocado, que a fez desperdiçar a
grande chance de viver aquele amor intensamente.
Aqueles beijos, aqueles carinhos tão intensos, era tudo o que ela desejava ter
com Severus e quando finalmente aconteceu... ela, burra demais, negou tudo
aquilo e tirou dele um motivo para continuar vivendo, ferindo-o com mentiras.
Ferindo a si mesma.
"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã..."
Descobriu isso muito tarde... tarde demais.
Três batidinhas leves na porta de seu quarto, que se abre em seguida. Joanne,
mãe de Hermione, apenas coloca a cabeça e metade do corpo para dentro, chamando
a filha para o jantar, aborrecendo-se logo em seguida ao ver aquela cena que se
tornou tão típica nos últimos dois anos, mas não fazendo qualquer comentário a
respeito.
—Vamos descer, Hermione.. hora de jantar, filha.
—Hã? Ah, sim, já vou descer, mãe...
Joanne Granger fecha a porta do quarto com uma expressão aborrecida e desce as
escadas de madeira em passos pesados, chamando a atenção do marido que ajudava a
postar a mesa do jantar na copa.
—O que foi dessa vez, Jô? – perguntou Hermes, terminando de arrumar os últimos
talheres junto aos pratos.
—Eu gostaria muito, mas muito mesmo que fosse qualquer outra coisa do que aquela
mesma maldita cena de todo o santo dia!
—Ah, sei.. novamente com aquele retrato, não é? Eu já falei para você não se
preocupar com isso, que um dia passará... isso foi um imenso trauma para ela!
—Exatamente, Hermes! Nossa filha não está bem! Esse 'um dia passará' já tem dois
anos! Ela precisa de ajuda! Precisa de terapia!
Hermione descia as escadas silenciosamente, até ouvir a voz alterada da mãe,
parando em seguida e se apoiando no corrimão para ouvir o que ela dizia, embora
soubesse exatamente o quê. Há meses que a conversa era a mesma. Ela não queria
preocupar os pais e fazê-los sofrer com seu comportamento, mas ela, somente ela
sabia o que a faria mudar, melhorar... e isso era impossível.
—...já falamos milhares de vezes sobre isso, Joanne! E você sabe muito bem qual
é a posição dela a esse respeito! Ela sofre pelas mortes dos amigos, não há como
resolver isso! Só o tempo cura coisas desse tipo.
—Há sim, Hermes, talvez devêssemos enviá-la a uma clínica de repouso ou até
mesmo um spa, um lugar onde ela possa esquecer isso tudo e se socializar um
pouco. Pelo-amor-de-deus! Nossa filha está com vinte e dois anos e não tem uma
amiga com quem sair, conversar... ela sequer tem um namorado!
—Está dizendo que Hermione virou uma anti-social, mulher?!
—E não é isso? Ela vive da faculdade para casa, de casa pra faculdade! Não sai,
não se diverte, sequer assiste a tv ou ouve um rádio... isso não é normal,
Hermes, não é!
—Não, não é, mas vamos dar mais um tempo a ela... cedo ou tarde isso vai passar,
eu tenho certeza. Nossa filha é muito forte, você sabe disso.
Com os olhos cerrados e cabeça baixa, Hermione solta um longo suspiro de enfado,
pensando que talvez os pais estivessem mesmo certos... talvez ela esteja mesmo
desperdiçando sua vida... mas saber disso é uma coisa; o que ela sentia e tinha
vontade de fazer era totalmente diferente.
Ela volta a descer as escadas, desta vez ruidosamente, para anunciar a sua
chegada. Seus pais estavam terminando de pôr a mesa quando ela adentra a copa.
—Hoje temos suflê de queijo, douradinho como você gosta, querida... – falava o
pai com um sorriso sincero no rosto, enquanto a mãe ainda se mostrava um pouco
aborrecida.
—Oh, isso é ótimo pai... – Hermione respondia sem qualquer entusiasmo, forçando
o esboço de um sorriso.
Os três sentavam-se à mesa e serviam-se num silêncio quase incômodo quebrado
apenas pelo barulho da chuva forte de caía naquela noite. Como era em todas as
refeições, Hermione havia colocado muita pouca comida em seu prato, o que
incomodava muito a sua mãe.
—Só isso novamente, Hermione? Você deve estar uns dez quilos abaixo do seu peso
ideal... por acaso pretende se tornar manequim, é? – Perguntava a mãe com um
palpável tom irônico na voz.
—Até que isso seria uma boa idéia... linda como é, faria muito sucesso no mundo
da moda. – Completou marotamente o pai, com seu típico sorriso.
Hermione retribui o sorriso, mas volta seu olhar rapidamente para seu prato,
onde brincava com a comida.
—Não, não.. quem dera... só estou sem fome, hoje...
—Como sempre, aliás, não é Hermione? – perguntava a mãe, já muito aborrecida.
Hermes apenas segurou e apertou levemente a mão da esposa, para que ela parasse
de pressionar a menina. Ele sabia que, como mãe, Joanne agia certo, mas ele
acreditava que nesse caso precisava mesmo dar mais um tempo à Hermione. Afinal,
eles não tinham uma idéia exata da tragédia dessa guerra... o que eles entendiam
por guerra era o que viam na tv, mas nada que pudesse dar uma idéia certeira do
que seria uma "guerra mágica"... apesar de serem pais de uma bruxa, eles não
conseguiam assimilar com precisão tudo que envolvia a magia.
Mesmo a contragosto, Joanne se calou e voltou sua atenção ao seu próprio prato.
Hermione agradecia intimamente por seu pai ser ainda muito mais compreensivo que
sua mãe... não que lhe desagradasse a constante intromissão dela em seus
assuntos particulares, pelo contrário, sentia-se muito querida e amada por isso,
mas não se sentia pronta para contar sobre tudo o que havia acontecido,
inclusive sobre a morte de seu primeiro, único e grande amor.
Hermes e Joanne conversavam sobre os acontecimentos do dia, já que ambos
trabalhavam em consultórios diferentes. Hermione mantinha-se alheia a tudo,
apenas degustando lentamente a sua refeição, até o pai tocar num assunto que
chamou-lhe a atenção, principalmente por ela estar numa fase em que detesta este
tipo de idéia...
—... então, finalmente, o velho Fish encontrou um inquilino que lhe agradasse...
então teremos uma farmácia de manipulação perto de casa...
—Isso é ótimo, os pacientes é que irão adorar isso.. sabe como é, todo mundo tá
aderindo a essa moda de naturalismo, coisa e tal...
—...então estava pensando em oferecer um jantar de boas vindas ao novo
vizinho... também seria interessante estreitarmos um laço, comercialmente
falando, é claro.. afinal, o cliente de um bem poderá ser o cliente de outro...
—Só não vá querer exigir minha presença nesse jantar, está bem, pai? –
Finalmente Hermione quebrou o seu silêncio, lançando um olhar fulminante para o
pai.
—Que absurdo é esse agora, menina? Você faz parte da família, como pretende não
participar de um jantar na sua própria família? – Perguntava a mãe, largando o
talher sobre o prato e cruzando os braços sobre a mesa.
—Não é nenhum absurdo, mãe... só não quero estar presente em nenhum tipo de
comemoração ou coisa parecida. – Hermione respondia aborrecida, partindo um
pedaço do suflê com um pouco mais de força do que deveria.
—Se você fizer isso, Hermione, deixará a mim e ao seu pai sem jeito perante o
convidado... ou prefere que escondamos o fato de termos uma filha?
—Faça como quiser, mãe, eu é que não estarei aqui nesse dia. – Hermione larga
com raiva o guardanapo sobre o prato e levanta-se, saindo apressada para não dar
chance de resposta à mãe.
Joanne leva as mãos à testa como apoio à cabeça. Hermes acaricia o ombro da
esposa como conforto. A expressão de ambos é de muito cansaço.
—E você ainda me diz que não devo me preocupar, que devo manter a calma...
—É, e ainda acho que deva ser assim por mais um tempo, Jô...
—Esse medo dela de conhecer novas pessoas, falar com outras pessoas.. está se
tornando irracional... sempre que falamos em convidar alguém para um jantar ou
um almoço, ela fica dessa forma.. hostil...
—Eu sei.. ela tem medo de criar novas amizades e vê-las morrerem novamente...
vamos esperar só mais um pouco, está bem?
¤
Alguns dias se passaram e Severus Snape já estava totalmente estabelecido com a
sua farmácia de manipulação. Não estava sendo difícil conseguir clientela, uma
vez que o bairro carecia desse tipo de serviço e comércio. Mesmo estando ainda
no princípio, o negócio parecia que iria dar e muito certo. Mas não era isso que
o interessava de fato.
Tudo o que queria era reencontrar Hermione. Seria muito simples e fácil ir até a
casa dela, agora que ele sabia onde ela morava graças às conversas quase diárias
com o Dr Granger. Mas o que tinha de fácil, também tinha de estúpido. As
palavras dela, naquela noite no quarto da Mansão Black, ainda lhe comprimiam
dolorosamente o coração.
Desde então ele ficou muito dividido. Ele sentia que seu amor por ela era
recíproco, mas depois de tudo aquilo que ouviu, ele não tinha mais tanta
certeza... sequer tinha certeza...
Então, a alternativa que lhe restava era essa, desde o fim da guerra... começar
tudo de novo, desde o início... já que só lhe restava o começo, queria mesmo
partir do princípio.. conhecê-la de novo e tentar conquistá-la.
E talvez ela não tivesse mais o que odiá-lo...
Snape limpava e guardava os seus últimos utensílios de preparos de produtos. Já
era início de noite e o Dr Granger lhe fazia companhia com uma conversa animada
– ao menos da parte dele.
—... então você é novo até mesmo aqui na cidade?
—Sim... estive fora do país nos últimos dois anos, aprimorando a técnica.
—...hum.. seria um jantar de boas vindas em dose dupla, eu diria... – Hermes
falou num tom mais baixo como fosse apenas para si, coçando o queixo, pensativo.
—Como, Dr Granger?
Hermes dá seu sorriso cortês, aproximando-se em dois passos de Snape que acabava
de lavar alguns recipientes de cerâmica.
—Estive falando com Joanne, minha esposa, e pensávamos em lhe oferecer um jantar
de boas vindas nesta sexta-feira... hã.. claro, se não tiver nenhum compromisso
mais importante...
Snape abriu um raro sorriso de satisfação com o convite. Tudo caminhava melhor
do que esperava.. e não esperava reencontrar Hermione ainda tão cedo e agora, a
menos de duas semanas que chegara à Inglaterra, estava prestes a revê-la em sua
própria casa.
—Sequer sonharia com tal desfeita em recusar um convite de boas vindas! Estou
honrado com sua gentileza. Muito obrigado.
—Ora, não seja tão formal, Sr Snape... é apenas um jantar em família, mas que
espero que aprecie muito.
—Certamente que sim.
—E se não se importa, será algo bastante informal, coisa de família mesmo. Serão
apenas nós e minha esposa... duvido muito que minha filha dará o braço a torcer
e aceitará participar do jantar... – Hermes terminou a frase quase num sussurro,
desviando-se até a janela da botica, olhar o nada para se distrair.. qualquer
coisa que o fazia se lembrar do atual estado psicológico da filha lhe causava
uma grande tristeza que não conseguia disfarçar.
Snape sentiu gelar por dentro... algo que ele não havia cogitado até então era a
possibilidade de Hermione não estar realmente bem, com seqüelas da guerra. Justo
ele, sempre tão frio e calculista, não havia se permitido pensar em qualquer
coisa negativa em relação ao estado de Hermione. Esperava reencontrar a moça
como ela sempre fora: feliz, alegre, cheia de vida... tola ingenuidade.
—Sua filha? Algum problema com ela? – Perguntou vacilante.
—Sim.. quer dizer, não... bem, coisas da idade, entende? Ela é uma menina
maravilhosa, mas não está sabendo lhe dar com algumas situações,
responsabilidades, coisas desse tipo...
Hermes se desviou da janela para olhar de relance o farmacêutico, encontrando em
seu rosto uma expressão de tristeza e preocupação, que o fez tentar consertar o
que acabava de falar... uma coisa que jamais poderá fazer em sua vida é comentar
o fato de sua filha ser uma bruxa e sobrevivente de uma guerra que nenhum outro
lugar no mundo presenciou além do próprio mundo bruxo.
—...creio que seja paranóia de pai, sabe? Quando se têm filhos, qualquer
coisinha que acontece a eles parece que o mundo vai acabar... se eles dão um
espirro você já pensa em pneumonia, se eles gritam ou choram você se desespera e
se ficam calados por muito tempo você se desespera ainda mais...!
—Acho que entendo o que quer dizer... – Snape voltou seu olhar cabisbaixo para o
balcão onde arrumava seus utensílios. Seu semblante estava mergulhado numa
tristeza profunda e agora sentia, mais do que nunca, a necessidade de estar
junto de Hermione.
¤
Sexta-feira. Nesse dia, Hermione costuma chegar da faculdade por volta das sete
da noite, por causa de alguns tempos extras de aula. Logo ao abrir a porta, se
depara com deliciosos aromas vindos da cozinha, mas que perdeu o interesse
segundos depois, assim como era com tudo.
Chegou até a entrada da copa-cozinha e encontrou Joanne e Hermes ocupados com
vários afazeres. Hermione mal notou a mesa bem arrumada, com uma decoração mais
requintada. Apenas cumprimentou os pais e se retirou rapidamente para seu
quarto.
Na cozinha, os pais se entreolharam, com certa tristeza.
—Você não acha que deveríamos ter contado sobre o jantar bem antes, Hermes?
—Que diferença iria fazer, Jô? Ela só iria ficar aborrecida com antecedência...
assim, ao menos, temos a chance de ela acabar aceitando em participar do jantar
conosco...
—Sei não.. é melhor eu ir falar com ela o quanto antes.
Hermione já havia entrado no banho quando sua mãe sobe até seu quarto para
conversar com ela e tentar convencê-la a participar do jantar de boas vindas ao
novo vizinho comercial de seu pai... sabia que seria inútil, mas precisava, ao
menos, deixar a menina sobreavisada.
Joanne entra na suíte, onde Hermione relaxa dentro de uma banheira de água
quente.
—Filha.. posso falar com você um instantinho?
—Claro, mãe... algum problema? Vi que vocês estavam aprontando na cozinha..
estamos comemorando algo? Não é aniversario de casamento de vocês, é? Ou será
que finalmente vou ganhar um irmãozinho?
A mulher riu com o aparente bom humor da filha, sentando-se na beirada da
banheira. Hermione mantinha o esboço de um sorriso nos lábios. O vapor quente
que subia corava as faces da garota, dando-lhe um saudável tom rosado a sua
pele.
—Errou todas, querida... e acho que estou na idade de ser avó e não mãe de
novo...
—Isso foi alguma indireta? Olha que isso não vai funcionar comigo, heim?
—Pode interpretar isso como uma alfinetada, sim... mas vim falar de outra coisa
e fico aliviada que pelo menos você tenha percebido que estamos preparando algo
especial para esta noite.
—Também não estou assim tão alienada a ponto de não notar algo diferente dentro
da minha própria casa... e aí, vai ficar enrolando muito ou vai me contar o que
você e papai estão preparando de tão especial assim?
—É um jantar... um jantar de boas vindas que seu pai ofereceu ao novo vizinho
dele, o tal que abriu uma botica.
—Aaah, não, que ótimo! E por que vocês não me avisaram antes? Eu não teria
sequer vindo pra casa!
—Hermione! Não diga isso! Você iria fazer o quê? Ficar zanzando pelas ruas até
de madrugada??
—Poderia passar a noite toda pelas lojas e livrarias do centro que ficam abertas
vinte e quatro horas... que, aliás, é isso mesmo que vou fazer!
Hermione levanta-se abruptamente da banheira, respingando um pouco de água na
perna da mãe. Ela enrola-se numa longa toalha rosada com flores bordadas e sai
rapidamente para o seu quarto, sob protestos da mãe.
—Você está sendo infantil, Hermione! Custa muito você tentar ser o mínimo cortês
com um convidado de seu pai?!
—Custa sim, mãe, custa muito! Não entende que não quero ver a cara de ninguém,
não quero conhecer ninguém?! Já me basta ser obrigada a conviver com aqueles
idiotas lá da faculdade! Não quero ter contato com mais ninguém além do
necessário!
Hermione já estava quase completamente arrumada, com uma saia jeans longa até os
tornozelos, um twin-set listrado de lã em tons de sépia e tênis. Escovava de
qualquer jeito seus cabelos, prendendo apenas a parte da frente com uma larga
faixa de mesmo padrão do casaquinho, pegando sua mochilinha logo em seguida e
jogando-a nas costas.
—Hermione! Não faça essa desfeita, filha! Está frio lá fora! Pode ser perigoso
ficar andando pelas ruas a esta hora da noite!
—Não me importa! Se tivessem me contado antes, eu teria me programado melhor...
isso foi golpe baixo, sabia?
Hermione descia às pressas a escada, voando para a porta de entrada quando a
campanhia é acionada. A garota solta um muxoxo de raiva, abrindo a porta
apressadamente. Quanto antes ela saísse dali, menos falta dariam por ela... e o
tal convidado poderia se contentar com uma desculpa qualquer de seus pais, isso
não era problema dela.
—...se veio falar com meu pai, ele está lá na cozinha. Agora, com licença que eu tenh...
Quando finalmente encara a pessoa que estava a sua porta, Hermione sente o
coração falhar e a respiração cessar... o corpo fraquejou de repente e ela teve
que se apoiar no batente da porta, para que não desabasse no chão.
Diante dela um homem ainda jovem, trajando um sobretudo negro. Os cabelos, agora
bem mais curtos e alinhados, eram tão negros quanto seus olhos. Olhos que
possuíam um brilho ímpar, uma expressão de felicidade e carinho. Na tez pálida
se desenhava um sorriso sincero, o mesmo sorriso que viu nesse mesmo rosto, há
dois anos atrás, naquela alcova em que quase se amaram...
—Boa noite, Srta Granger... é um grande prazer reencontrá-la depois de tanto
tempo... – a mesma voz macia e firme, mas desta vez com um tom não de sarcasmo,
mas de muita ternura.
Hermione não conseguia pronunciar qualquer palavra, sequer conseguia crer que
aquele momento estava mesmo acontecendo de verdade... devia ser um sonho, só
podia ser um sonho! Aquilo seria perfeito demais! Seria maravilhoso demais!
Aquilo chegava a ser divino!
Levou as mãos ao rosto. Os olhos cor de mel brilhavam em rasos d'água. A
respiração ofegante fez com que suas palavras saíssem sussurradas e falhas de
sua boca.
—Severus... isso.. isso está mesmo acontecendo?? Você está aqui?! Você está
mesmo aqui...
A emoção era tamanha que só era possível para Snape sorrir o seu mais belo e
raro sorriso de satisfação. Não era mais sonho... era cru, real, concreto... o
maior desejo de ambos se tornava realidade naquele momento.
Não havia mais qualquer medo ou receio e tudo que queriam era ter um ao outro,
sentir fisicamente a presença real um do outro. Hermione enlaçou com fervor ao
pescoço de Snape, que retribui o abraço prontamente, apertando-a com força
contra seu corpo, para tentar senti-la o máximo possível por inteira, para ter a
plena certeza de que não era mais um sonho, que desta vez era mesmo realidade.
Entre lágrimas e sussurros, Hermione externava tudo aquilo que vinha em seu
coração há tantos e tantos anos... finalmente havia chegado esse dia, o dia em
que se entregaria completamente ao seu grande amor, sem se preocupar com
qualquer coisa que pudesse interferir e mantê-los separados.
E um beijo longo e apaixonado selaria aquele romance que tanto sofreu para
existir, que resistiu à guerra e ao tempo. E nada mais os separariam, nada mais
os fariam mentir e esconder seus sentimentos...
Quando tudo havia terminado, apenas o amor resistiu ao fim...
E o que restou foi apenas o começo...
E finalmente eles começariam novamente suas vidas e, desta vez, juntos, para
sempre...
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Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição...
(Perfeição – Aldir Blanc)
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◄ FIM ►
By Snake Eye's – 2004
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E pra finalizar mesmo... foi muito divertido fazer isso, essa coisa de desafio. Mesmo que o enredo não seja meu, e tenha sido bastante difícil encaixar uma história dessa forma, foi legal fazer...
Valeu, Sarinha! My mistress!
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O desafio: O mundo mágico é destruído e Hermione volta para a casa de seus pais no mundo trouxa. O Dr. Granger comenta que um novo químico se instalou na sala comercial ao lado de seu consultório e que num ato de boas vindas, ele o convidou para jantar. Qual não é a surpresa de Hermione, quando ela abre a porta ao convidado de seu pai, e dá de cara com a pessoa que mais procurou desde que Hogwarts fora destruída: Severo Snape.
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♥AGRADECIMENTOS PELOS REVIEWS!!!!♥
Estou desanimado e em processo de depressão, então sorry por não responder os reviews a altura que merecem... não tomem isso como algo pessoal. Acho que é o frio que tá chegando.
♥ Oi, Nocty!
Infelizmente, esse cap que comentou (o 3) foi o único feito sob inspiração, enquanto os outros 4 foram por transpiração msm. Como eu queria pq queria fazer o desafio, a fic não saiu como deveria - dá para se notar pela quantidade de texto escrita, que não é o meu padrão. As poesias disfarçaram muito a extensão.
Acho que vc está sendo injusta... o Harry daquela fic "Cumprindo Promessas" está muito bom, adulto e compreensivo. Se ainda não leu, não sabe o que está perdendo, heheh!
Quanto à Sra Longbotton, ela é bem Minerva sim, mas a austeridade dela é mais por proteção, algo bem matriarcal msm. O fato dela estar toda doce na fic é pq a situação assim pedia - e os puritanos que se arranquem os cabelos, mas se o personagem é humano, então ele deve agir como um, logo ele deve ser moldado ao ambiente
A Sarinha não só fez escola como tb manda na parada, heheh... vê lá se ela se incomoda com essa coisa de ooc ou canyon? E ela é uma das melhores fanfiqueiras que temos ♥
E acho que vc estava feliz no momento em que leu o cap, por achar tanta coisa boa assim... que ótimo pra mim :)!! E pior que vc falando isso com todo esse entusiasmo, eu posso acabar acreditando!
Como não estou num bom momento, vou me limitar a dizer que adorei seu review - um texto digno de receber esse nome - todas as dissertações, os seus achados e tudo o mais! Isso sim é muito emotivo, que dá vontade de continuar a fazer esse trabalho (se é que não é profanação chamar fic de trabalho, mas...). Só é uma pena não poder saber o tudo que se passou na sua cabeça (e isso já é querer demais, né?? é só ser elogiado que já fica abusado!).
Como vc prometeu, quero mais reviews! E seria muito bom pode contar com todas as suas impressões nas minhas outras fics, heheh, tadinha de vc, acabaria morrendo de indigestão por tanto lixo!
Ah, ser "leitor crítico" é uma profissão que dá uma boa grana, sabia? Muitos autores antes de lançarem seus livros, contratam um profissional para que ele leia a obra e dê toda a opinião técnica sobre ela, ajudando o autor a melhorá-la
Beijus! E muito obrigado pelas palavras!!
♥ Oi, Den Chan!
É, Hermione foi mesmo uma estúpida com idéias totalmente estapafúrdias em mente... já que ela tava por morrer (como achava) devia é ter liberado geral! Mas, enfim, não foi isso e aconteceu o que vimos...
Ainda estou esperando o seu comentário com mais calma que vc prometeu! Eu queroooo!!!!
Bjokas!!
♥ Hai, Den Chan! E agora com o comentário que me prometeu!! Oba o/
É, são só 5 caps msm, sorry! E não adiantam ameaças, a coisa já tá feita e já tá encerrada... afinal o desafio foi concluído ;)
Não há tantos shippers assim que curto, mas com certeza não gosto de RW/HG, HP/GW e GW/DM... tb não curto slash e menos ainda lemon, por questões de caretice msm.
Quanto ao fanarteiro que não é pinto nem gema (essa foi ótima XD), vc pode tentar pelo email que tem lá no site. Mas sabe como são esses artistazinhos, né? Arrogantes e presunçosos, mas talvez vc consiga uma capa para a sua fic :)
E agora eu tenho uma cria?
E estou me sentindo abandonado sim! Ninguém mais tá lendo as minhas fics, buaaa!! Vou começar a fazer chantagens, tipo: só terá novo cap se o anterior tiver, pelo menos, 5 novos reviews, hohoho!! Eu sou mauuu!!
Beijinho, filhota!
Cabô os reviews :,((( buaaaa! Os próximos reviews serão respondidos num novo cap exclusivo para isso, portanto, não deixe de fazer seus comentários, pois eles são muito importantes até mesmo para o andamento das outras fics!
À todos, um grande abraço e um beijo!!
Snake Eye's:
