JAMES: MEU AMIGO, MEU RIVAL
Se havia alguém que eu admirasse neste mundo era James. Idolatrava-o. Adorava vê-lo a jogar Quidditch e adorava ver o que ele fazia com Snape. Ele era como eu gostava de ser, era um ídolo para mim. Mas nunca senti inveja dele, via-o como o meu melhor amigo, embora soubesse perfeitamente que o melhor amigo de James era Sirius. De Sirius sim, tinha inveja... e ciúmes. Queria ser eu o melhor amigo de James. Queria estar no lugar do Sirius. Era um sonho impossível. James e Sirius eram inseparáveis, faziam tudo em conjunto, mesmo os exames. Nunca me apercebi qual era o feitiço que eles utilizavam, mas sei que quando a um sinal de um ou de outro, eu devia chamar o professor que estava de vigia e fingir que não entendia uma pergunta qualquer, e enquanto o professor estava distraído comigo, eles faziam voar um aviãozinho de papel transparente, sob o olhar reprovador de Remus.
Mas, cerca do nosso 4ºano, eu passei a invejar James numa coisa: Lily. Começamos ambos a gostar dela mais ao menos ao mesmo tempo. Ela também estava em Gryffindor, era sempre simpática comigo e o género de aluna que os professores adoravam. Mas claro que nunca admiti a ninguém que, ainda hoje, amo Lily. Ao lado de James, eu não tinha hipóteses nenhumas: ele era mais bonito, desportista e não desistia enquanto não conseguisse o seu objectivo. Só havia uma coisa que mantinha a minha esperança acesa: ela odiava-o. Detestava a sua maneira infantil de torturar Snape, achava-o um convencido, e chegara mesmo a dizer-lhe no nosso 5ºano que preferiria sair com a Lula Gigante do que com ele. Nesse dia quase estalei de felicidade. Afinal sempre tinha uma hipótese... Mas estava enganado, claro. No 7ºano, quanto James adquiriu alguma maturidade, Lily acabou por aceitar sair com ele e começaram a namorar. Quando se casaram, não fui ao casamento com a desculpa de ter furúnculos nas bochechas, mas na verdade passei aquele dia a chorar e a desejar estar no lugar de James. Foi há tanto tempo... ainda era um rapazinho num corpo de homem, era puro, não estava manchado com o sangue da traição nem com o odor da morte. Quando eles tiveram Harry, enraiveci-me pela sua parecença com James. Quando vi Harry a dormir no berço e o cabelo, preto e rebelde como o de James, a cair-lhe para a testa, nessa altura sem a cicatriz, perguntei-me vezes sem conta porque James e não eu.
