Capítulo 4 – Contratempo inesperado

No dia seguinte, quando Anna e Pirika descem as escadas para ir tomar o café-da-manhã, encontram Jeanne conversando animadamente com uma garotinha.

– Bom dia, meninas! Essa é a irmãzinha do Lyserg, a Milly.

– Oi, Milly. Muito prazer, eu sou a Anna.

– E eu sou a Pirika, muito prazer.

– Muito prazer em conhecer vocês! – Milly responde sorrindo.

– A Anna é a namorada do meu primo Yoh e a Pirika é uma amiga dela da universidade – Jeanne explica a Milly depois das apresentações – Você já tomou café-da-manhã, Milly?

– Não... ainda não...

– Então já está na hora, vamos!

Depois do café...

– Não sabia que o Lyserg tinha uma irmã, ela é mesmo uma gracinha! – Pirika comenta enquanto observa Milly brincar no jardim – A família deles também é grande?

– Não. Os pais do Lyserg morream num acidente de carro há alguns anos, e agora ele e a Milly moram com a tia deles – Jeanne responde séria.

– Puxa vida, que triste...

– É mesmo. Mas que coisa...

– O quê?

– Aquelas manchinhas vermelhas no rosto da Milly... Não tinha reparado antes...

– Jeanne, pode vir aqui um pouco, querida? – a mãe de Yoh chama na porta de entrada.

– Já estou indo, tia Keiko! – Jeanne responde se levantando.

– Você está feliz com o casamento do seu irmão, Milly? – Anna pergunta depois que Jeanne se afasta.

– Estou sim! Eu gosto muito da Jeanne, acho que ela vai fazer o Lyserg muito feliz! E você e o Yoh, também vão se casar?

– Não! Quero dizer... agora não, somos só namorados... Anna responde rapidamente.

– O Yoh é muito lindo, não é?

– É, ele é sim, com certeza – Anna fica surpresa consigo mesma por ter concordado tão firmemente, sem perceber.

– Oi Milly, tudo bem? – Yoh cumprimenta aproximando-se das garotas.

– Oi, Yoh! Tudo bem. Eu tava falando com a sua namorada, ela também te acha lindo!

– Ah, é mesmo? Que bom, porque eu também acho que ela em muito linda... – Yoh responde com um sorriso maroto, fazendo Anna corar – Eu não sabia que você estava aqui, a sua tia ligou agora a pouco e a Jeanne disse a ela que você tinha vindo pra cá antes do café e...

– Ah, não! Contou pra ela que eu tô aqui? – Milly interrompe Yoh, assustada.

– ...Ela está vindo te buscar.

– Essa não!

– Tem algum problema, Milly? – Yoh pergunta confuso.

– Não, é só que...

– MILLY! QUANTAS VEZES EU LHE DISSE PRA NÃO SAIR DE CASA! – a tia de Milly e Lyserg chega gritando, irritada, no portão da frente.

Quando Yoh abre o portão e a deixa passar, ela caminha rapidamente até onde estão as garotas e continua a dar bronca na sobrinha:

– Milly, será possível que você não pode me obedecer uma vez sequer?

– Desculpa, tia Shalona. É que eu já tava cansada de ficar trancada em casa, aí eu acabei fugindo pra cá...

– Você não entende o quanto isso é perigoso?

– Desculpe, mas eu não entendo. Por que é tão ruim assim que a Milly esteja aqui? – Anna pergunta, confusa com a situação.

– Porque ela está com sarampo; por isso deveria estar em casa, pra não contagiar ninguém! – Shalona responde exasperada.

– Sarampo? – Anna, Yoh e Pirika perguntam ao mesmo tempo.

– Mas tia Shalona, eu não queria contagiar ninguém, só queria sair um pouquinho... – Milly se desculpa chorosa.

– Ah, tudo bem, não precisa se preocupar, Milly. Acho que todo mundo aqui já teve sarampo então, não tem perigo! – Yoh afirma despreocupado – Eu já tive.

– Eu também.

– Eu também já tive.

Pirika e Ana respondem apoiando Yoh.

– Bem, se é assim, menos mal. Mas é melhor você vir pra casa, Milly, precisa descansar para se recuperar. Até logo e desculpem o incômodo – Shalona se despede sai, levando a sobrinha pela mão.

– Que nada, não foi incômodo nenhum – Yoh responde simpático.

– Tchau Yoh, tchau Anna, tchau Pirika! Digam tchau pra Jeanne por mim!

– Tchau, Milly!

– Até outro dia!

– Fique boa logo!

Yoh, Anna e Pirika respondem com um aceno de mão.

Alguns minutos depois, quando eles entram em casa encontram Jeanne, que vem descendo as escadas junto com a sra. Asakura.

– A Milly já foi, Yoh?

– Já sim, a tia dela já veio buscá-la.

– E por que foram com tanta pressa?

– Porque a Milly está com sarampo e não queria contagiar ninguém, mas eu disse que tudo bem porque todo mundo aqui já teve sarampo e...

– Eu não – Jeanne diz interrompendo Yoh.

– O quê?

– Eu ainda não tive sarampo – ela afirma séria.

– Ah, meu Deus! Isso é terrível! – a mãe de Yoh exclama nervosa.

– O que foi, mãe? O que é tão terrível?

– Você não entendeu, Yoh? Se a Jeanne esteve com a Milly com certeza vai pegar sarampo!

– E...? – Yoh pergunta ainda sem entender.

– Ela vai se casar daqui a quatro dias! – Anna exclama alto, assustando Yoh.

– Isso mesmo! O que vamos fazer? Isso é um desastre!

– Calma, sra. Asakura! Não fique tão nervosa, talvez a Jeanne nem fique doente... – Pirika diz tentando acalmar a mãe de Yoh.

– É, tia Keiko. Vamos ser otimistas! – Jeanne concorda, embora ela mesma tenha ficado preocupada.

Mais tarde, Pirika está na varanda, folheando uma revista.

– Por que a sra.Asakura estava tão nervosa hoje cedo? – Ren pergunta aproximando-se dela.

– Não sabia que você era curioso... – ela responde com um toque de ironia e ele disfarça um sorriso – É que a Milly, irmã do Lyserg, está com sarampo e a mãe do Yoh ficou com medo que a Jeanne também acabe pegando e estrague o casamento.

– Não entendo como isso estragaria o casamento...

– É claro que sim! Imagina só uma noiva coberta de manchas vermelhas!

– É verdade, ia ser meio... estranho.

– Você já teve sarampo?

– Já sim, e você?

– Também. Eu lembro que fiquei horrorosa!

– Aposto que não é verdade, você fica bonita de qualquer jeito...

– O que você disse? – Pirika pergunta surpresa.

– Ah, nada. Eu não disse nada – Ren responde nervoso.

– Disse sim. Você disse que me acha bonita de qualquer jeito...

– Foi só uma observação – ele responde ficando vermelho.

– Bom... obrigada pelo elogio! – ela diz com um sorriso.

– Não há de quê – ele responde sem jeito.

Eles permanecem em silêncio, observando o jardim, até que avistam Manta abrir o portão para alguém entrar:

– Olá, Manta. Onde está o Yoh?

– Ah, oi Tamao. Ele tá lá dentro, por que você não entra?

– Claro, obrigada.

Tamao e Manta atravessam o jardim sob o olhar curioso de Pirika e Ren:

– Quem será aquela garota?

– Não faço idéia, deve ser alguma conhecida da família...

– Yoh! Que bom que você está de volta! Senti tanto a sua falta! – Tamao exclama, correndo para abraçar Yoh assim que o encontra.

– Claro, Tamao. Há muito tempo não te via – ele responde tentando se soltar da garota.

Anna, que vem entrando na sala de visitas nesse instante, faz questão de chamar a atenção de Tamao para sua presença, diante dessa cena:

– Olá! Não sabia que tínhamos visita...

– Ah, Anna, essa é a Tamao, nossa vizinha, lembra dela? – Yoh diz finalmente livrando-se do abraço da garota.

– Lembro sim – Anna limita-se a responder.

– Tamao, essa é a Anna, ela já morou aqui em Izumo há alguns anos e é...

– Sou a namorada do Yoh – Anna completa num tom de voz um pouco mais alto que o normal.

Tamao parece ficar um tanto chocada com a declaração de Anna,mas logo se recompõe:

– É claro que eu lembro de você, Anna – ela diz com um falso sorriso – Yoh, esse tempo em que esteve fora te fez muito bem, você está tão... lindo! – ela diz tentando abraçar Yoh novamente.

– Tamao, você não acha que está sendo um pouco atrevida, não? O Yoh está muito bem sim, mas quem deve observar isso sou eu, que sou a namorada dele e não você! – Anna afirma séria, encarando Tamao com um olhar frio.

Tamao olha para Yoh e ele apenas lhe devolve um "ela tem razão, sabe?"

– Eu estava apenas sendo simpática, não precisam ficar nervosos!

– Simpática ou atirada? – Anna pergunta sarcástica.

– Acho melhor ir embora agora. Vejo você depois, Yoh – Tamao responde irritada e sai pisando forte.

– Que garota mais irritante! – Anna comenta depois de Tamao ir embora.

– É, ela é mesmo difícil de agüentar... Foi legal você ter dado um "chega pra lá" nela, valeu mesmo!

– Foi um prazer.

– Bom, e agora que tal a gente ir até a cozinha "assaltar" a geladeira? – Yoh convida animado.

– Mas já é quase hora do almoço, Yoh!

– Ah, é só um lanchinho rápido, Anna! Vamos lá!

– Tá bem, tá bem. Não sei como você sempre acaba me convencendo...

Na cozinha...

– E aí, o que vamos comer? – Anna pergunta de pé perto do armário, com os braços cruzados.

– Hum... Deixa ver, que tal sorvete? – Yoh pergunta abrindo o freezer.

– De que sabor?

– Tem de creme com passas e napolitano, qual você prefere?

– Napolitano.

– Boa escolha!

Enquanto isso, Hao está em seu quarto pensativo. Ele havia observado de longe Tamao "dar em cima" de Yoh, Anna se aborrecer e reclamar com ela, assim como Yoh tinha reclamado com ele no dia anterior. Pelo jeito vai ser difícil separar esse casalzinho... Mas de qualquer forma, é bom saber que tem mais alguém interessado nessa separação...

Na cozinha, Yoh e Anna continuam saboreando seu sorvete:

– Sabe Anna, eu tava pensando... vai inaugurar um parque de diversões aqui amanhã. A gente podia ir à noite, o que você acha?

– É uma ótima idéia, vai ser divertido! – Anna responde e em seguida começa a rir.

– Não sabia que você ia ficar tão animada...

– Não é isso, é que... tem sorvete no seu queixo!

– Ah, tá! – ele começa a rir também.

– Espera, deixa que eu limpo...

Anna se aproxima e ao passar um guardanapo em seu queixo, seus rostos ficam bem próximos um do outro. Eles param de rir e se olham por alguns instantes.

– Então, amanhã à noite vai ser legal... – Anna comenta se afastando de Yoh.

– Claro, com certeza, vai sim! – ele responde voltando ao seu sorvete, que acabou derretendo um pouco.

O restante do dia transcorre normalmente. Após um almoço em família, todos passam uma tarde tranqüila e depois do jantar, Jeanne resolve ir dormir, alegando estar um pouco cansada.

– Espero que ela não fique doente, ainda mais agora, estando tão perto do grande dia... – Kino Asakura comenta preocupada, depois que a neta se retira para seu quarto.

– Ah, não se preocupe vovó, seria preciso muito azar pra que isso acontecesse... – Yoh afirma tentando tranqüilizar a avó.

No dia seguinte...

Jeanne levanta-se um pouco mais tarde que o habitual, sentindo ainda um tanto cansada. Ela caminha até o banheiro e ao olhar-se no espelho sobre a pia, acaba tomando um grande susto:

– Ahh! Tia Keiko! – ela grita correndo de volta para o quarto.

– O que houve, querida? Por que está gritando desse jeito? – a sra.Asakura entra correndo no quarto da sobrinha.

– Eu estou com sarampo! – Jeanne exclama alarmada.

– Ah, minha nossa!

– O que eu vou fazer, tia? Não posso me casar assim!

– Eu sei, eu sei. Só há uma coisa a fazer: temos que adiar o casamento!

Continua...

Nota da autora:

Oi gente!

Quero fazer duas observações sobre esse capítulo: a 1ª é que, como já deu pra perceber, eu mudei um pouco a personalidade da Tamao, pra ficar mais interessante rsrs! A 2ª observação é sobre a doença da Jeanne: seria necessário um período de no mínimo 12 dias pra que ela começasse a apresentar os sintomas clássicos do sarampo, ou seja, as manchas vermelhas. Mas na fic não teria tempo pra esperar tanto, então como é tudo ficção eu resolvi apressar as coisas. Espero que estejam gostando e continuem comentando!

Agora respondendo às reviews:

Mistr3ss: Tudo bem, às vezes eu também esqueço de comentar, não tem problema! É, como eu disse lá em cima acabei mudando a personalidade da Tamao; e o Hao, não gosto dele, por isso ele costuma ser "vilão" nas minhas fics.Obrigada pela review! Beijinhos!

Yami No Goddess: As cenas no cinema foram mesmo fofas, né? É verdade, o Hao já tá começando a aprontar rsrs! Obrigada pela review! Bjks!

Saturn-MariCat: Oi! Que bom que você tá gostando da fic! Por esse capítulo já deu pra responder algumas das suas perguntas, eu acho. Mas sobre o Ren e a Pirika não posso te dizer exatamente em que capítulo eles vão ficar juntos oficialmente porque ainda tô escrevendo a fic, capítulo por capítulo, então... E já comentei na sua fic, achei muito divertida, espero que continue. Bjks!

Joyce-chan: Fico super feliz que a minha estória esteja agradando! Continue acompanhando, porque muita coisa ainda vai acontecer! Beijinhos!

Estelar