Capítulo III

Os dias passaram e a relação entre os dois parecia estar piorando, se isso fosse possível. Draco tentava ignorar os insultos, mas já estava no limite. Era um Malfoy e se seu pai fosse vivo o mataria por ele ser tão imbecil.Além de assumir um filho do seu pior inimigo, ainda casara-se com uma Weasley. Nem ele mesmo entendia quando e porquê tinha perdido o senso das coisas.

Já estavam casados há seis meses e a mulher estava no nono mês de gestação, a qualquer momento a criança poderia nascer e ele, de alguma forma, sentia-se emocionado como se fosse pai daquela pequena vida que antes de nascer já tinha sofrido a rejeição do pai verdadeiro. Por isso ia cuidar dele (ou dela) como se fosse seu. Mas isso só seria possível se Ginny permitisse.

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Deitada em sua cama na Mansão Malfoy, Ginny pensava em como era infeliz. Casara-se com o homem que mais odiava na face da Terra e esperava um filho de outro que nem mesmo queria saber como ela estava, apenas a usou e depois jogou fora.

Às vezes um sentimento de remorso a invadia quando lembrava como tratava Draco, mas logo depois desviava o pensamento para outro em que ela lembrava dos insultos que ele proferia contra ela quando ainda estavam em Hogwarts, e aquilo já era o bastante para querer humilha-lo cada vez mais.

Lembrou de Harry fazendo juras de amor e planos de um futuro feliz com ela. Como poderia ser feliz se ele era casado com sua melhor amiga? Draco tinha razão quando a chamou de falsa, não merecia a amizade de Luna.

Pensar em tudo aquilo fez que sentisse uma pontada forte na barriga. Olhou para as pernas e viu um líquido escorrendo. Tinha chegado a hora de ter o bebê, mas não tinha como ir ao Hospital sozinha, já que Draco estava no trabalho e mesmo que ele estivesse ao lado dela nunca pediria a ajuda dele.

Pegou o telefone que Draco sempre deixava ao lado de sua cama para o caso de alguma emergência e discou o número da casa dos pais. Em poucos minutos, Molly e Ginny estavam aparatando para o St. Mungos.

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Estava olhando alguns papéis quando ouviu a voz aflita da Sra. Weasley atrás de si. Olhou para a lareira e viu o rosto da mulher, que dizia:

"Draco, venha rápido ao St.Mungos, Ginny está quase dando à luz ao filho de vocês."

Saiu correndo sem nem mesmo avisar para onde ia e aparatou no Hospital. Viu Molly parada no balcão de entrada e foi até ela.

"E a Ginny onde está?"

"Lá dentro. Os médicos disseram que ninguém pode entrar."

"Nem eu que sou o pai?"

Molly olhou Draco como se soubesse de algo e o rapaz se assustou. Será que a mulher sabia da verdade? Ginny tinha contado tudo?

"Eu acho melhor nós ficarmos aqui fora. Vamos sentar e esperar."

E assim fizeram. Esperaram por um longo tempo até o medi-bruxo sair da sala e Draco perguntar:

"E então?"

"A mãe e o bebê estão bem. Ela será transferida para o quarto e depois vocês poderão vê-los."

"Mas e o bebê?"

"É um menino, Sr. Malfoy."

Depois de alguns minutos, Draco e Molly foram levados à enfermaria onde Ginny estava, além dele havia mais uma cama com outra mulher que amamentava um bebê, enquanto o marido apenas olhava. Os dois se aproximaram da cama de Ginny, onde ela segurava o filho adormecido, Molly pegou o neto, enquanto Draco sentou-se ao lado da esposa.

"Então, tudo bem?"

"Estou ótima!" - disse com um sorriso que mais parecia uma careta.

"Sra. Weasley, eu posso conversar á sós com a Ginny?"

A mulher apenas concordou e saiu, levando o pequeno.

"Você quer que eu chame o Potter?"

"Não, Malfoy. Enlouqueceu?"

"Porque se você quiser eu chamo. Aquele canalha tem que ver o filho dele."

"Olha, eu não quero nada, entendeu?"

Os dois ficaram calados e depois Ginny continuou:

"Por que você é tão bom para mim?"

Silêncio.

"Por que você agüenta toda essa situação? Eu te insulto, te ignoro e você responde sendo gentil comigo. Por acaso você é louco?"

"Não. Eu apenas..."

"Apenas o que? É masoquista?"

"Não. Eu... apenas... vou cumprir com a palavra que dei para sua família."

Depois os dois ficaram calados e assim permaneceram até Molly entrar novamente no quarto, acompanhada pelos gêmeos, Rony e Hermione, Gui, Carlinhos, Percy e o Sr. Weasley. A família parecia feliz com a chegada do novo membro Weasley, mas Draco sabia que tinha uma única pessoa que se sentia péssima.

No dia seguinte, à tarde, Ginny foi para casa com Draco e agora sim, parecia que tudo ia piorar. Sempre quando o bebê chorava, a mãe também começava a chorar, porque não sabia o que fazer, além disso, Ginny mostrava-se totalmente desinteressada na criança, não se importava se ele estava com fome ou se queria dormir, ela chorava junto com o garoto, deixando Draco desesperado, até que teve a "brilhante" idéia de chamar Molly para ajuda-lo durante uns dias, ao que a mulher atendeu com o maior prazer.

Os dias passaram e, enquanto Draco aprendia a cuidar do menino, Ginny afundava em uma profunda depressão, não comia, não dormia, não falava com ninguém e muito menos dava a alimentação do filho. Até que depois de um mês, Molly decidiu ir embora, talvez assim, a filha tomasse conta da criança, mas Draco sabia que nada ia mudar, porque ela queria Potter e como não podia ter, tudo ficaria igual. Em uma nova tentativa de fazer a mulher se interessar pelo filho, foi até o quarto levando a criança e começou:

"Ginny, sua mãe foi embora."

"Ta..."- a mulher disse com o mesmo desinteresse de sempre.

"E agora, quem vai cuidar do Aaron?"

"Aaron? Quem no mundo é Aaron?"

"Nosso filho. Eu tenho que trabalhar, então você vai ter que cuidar dele."

"Primeiro, Malfoy, ele não é seu filho. Segundo deixa ele aí."

"Deixa ele aí? Você está louca? Ele é um bebê de um mês, como ele vai se cuidar sozinho?"

"Ele se vira..."

Como aquela demente podia dizer aquilo? Aquela mulher estava rejeitando o próprio filho tudo por causa do idiota do Potter! Não! Era muita ignorância para ele acreditar. Colocou o pequeno no berço que estava no quarto do casal, sentou-se na cama em que a mulher estava deitada e sem pensar muito bem no que fazia, a pegou pelos braços e sacudiu o corpo frágil de Ginny, dizendo:

"Você vai levantar agora e cuidar do NOSSO filho! Nosso, porque todos esses dias em que você decidiu não reagir eu cuidei dele, posso não ser o pai biológico, mas sou o pai que cuida, ao contrário daquele imbecil por quem você está morrendo, que nem quer saber se você ainda está viva. Eu vou agora para o Ministério e você vai sim cuidar do garoto, entendeu?"

Ela apenas aquiesceu e ele soltou-a e saiu sem dizer mais nada.

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Assim que Draco saiu, Ginny ficou olhando o berço que estava do lado da cama. Como se lá estivesse alguma fera, aproximou-se devagar até ver que dentro dele estava uma pessoa muito pequenininha, que dormia profundamente como se não tivesse nenhum problema. E realmente não tinha... a única pessoa problemática ali era a mãe daquele bebê... que rejeitou o filho assim como o pai tinha feito.

Pegou o filho e pela primeira vez olhou para o rostinho rosado. Seu filho era lindo e ela agira de forma tão infantil. Chorou, mas dessa vez de alegria, por ter enfim acordado, mesmo que tivesse sido por causa de Draco.

E daquele dia em diante cuidou do filho, com a ajuda do marido, é claro. Agradecia à ajuda de Draco e ainda na conseguia entender o porquê de tanta paciência com ela. Demonstrava que estava grata, tentando não insulta-lo, embora isso fosse difícil, às vezes. Sentia que todo o ódio que nutria pelo marido havia acabado e que, de vez quando, algum sentimento diferente tomava conta de si quando estava perto dele.

Sempre que algo lembrava Harry, desviava a sua atenção para outra coisa mais importante, mas logo depois que voltou para o Ministério, não pôde evitar encontra-lo.

Estava em sua sala sozinha, porque Draco havia saído para buscar alguma coisa para eles comerem, quando Harry entrou no local, sem nem pedir licença.

"Oi, meu amor."

"O que você quer, Potter?"

"Ah, Gin, você sabe o que eu quero."- disse o homem se aproximando

"Não sei e nem estou interessada em saber."

"Ah, que foi? Por que você está assim?"

"Por que?"

O homem apenas concordou.

"Seria porque eu passei nove meses esperando um filho seu que você nem mesmo sabe se está vivo? Ou seria porque eu passei um mês com depressão por causa do seu desprezo? Ou seria pelo simples fato de você ser um canalha?"

"Gin, não fala assim..."

"Potter, eu falo do jeito que eu quero. Agora, retire-se."

"Mas, Ginny..."

"Você ouviu o que ela disse, Potter. Saia."- disse uma terceira voz vinda da porta.

"Malfoy, você não manda em mim. E outra você só é marido dela no papel e eu conheço a sua esposa melhor que você."

Draco avançou em Harry, desferindo vários socos no homem até deixa-lo quase sem sentidos, só não matou o infeliz, porque Ginny o impediu. A mulher foi até o corpo de Harry e disse para o marido:

"O que você fez?"

"Eu te defendi."

"Não preciso de você. Posso me cuidar sozinha."

"Claro que pode, não é? Então, fique com esse imbecil. Eu já cansei dessa vida de aparências com você."

E saiu sem deixar a mulher falar nada.

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Assim que fez alguns curativos em Harry e o deixou aos cuidados de um curandeiro do St.Mungos, Ginny foi para casa. Aquilo ia ser muito ridículo, mas tinha que se desculpar com Draco. Procurou o homem por todos os cantos da casa, até que resolveu falar com o elfo doméstico que trabalhava para eles: Mya.

"Mya, você viu o Sr. Malfoy?"

"Sim, o menino está no escritório."

"Escritório? Onde?"

"Sra. Vem comigo e eu mostrar."

As duas entraram no quarto do casal e pararam em frente a uma parede. Ginny estava começando a pensar que aquela criatura era louca, quando apareceu uma porta.

"Pronto. A Sra.pode entrar."

Ginny entrou e viu um cômodo enorme, cheio de estantes com livros e no meio estava Draco, sentado atrás de uma mesa, com a cabeça entre as mãos. A mulher sentou-se na cadeira em frente ao marido e vendo que ele não ia dizer nada, começou:

"Malfoy, eu..."

"Não precisa dizer nada."

"Mas..."

"Você quer ir com ele? Pode ir. Amanhã mesmo eu posso entrar com o pedido de anulação do casamento."

"O quê?"

"Uma vez você me perguntou por que eu fazia tudo isso, por que agüentava tudo calado. Então, vou dizer agora, já que essa é a última vez que vamos nos falar."- e olhando para ela, disse- "Eu te amo. Sim, eu sei que é estranho. Um Malfoy amando é a coisa mais estranha que você poderia ouvir. E ainda mais se ele ama uma Weasley. Então, Ginny, eu estou desistindo de toda essa mentira, que um dia eu pensei que pudesse se tornar verdade, para você ser feliz com aquele canalha."

"Draco... eu não quero o Harry. Eu e o Aaron estamos bem, aqui com você."- disse se aproximando

"Mas você ainda o ama, não é?"

"Não."

"Então... você...?"

"Sim..."

E sem deixa-lo falar, acabou com a distância entre os dois, unindo seus lábios aos dele.

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Nota da Autora: Alguém me avisa que essa fic está uma porcaria...nhá...eu pensava que a idéia ia ficar legal, mas estou piorando a cada capítulo...desculpem mesmo... e obrigada p/ quem comentou... :(

Beijos e até a próxima (se eu não apagar essa porqueira)

Manu Black