Capítulo 12 – Verdades

Depois de ter dormido por apenas algumas horas, Anna acorda sentindo-se tão cansada quanto no dia anterior. Ela vira-se para o relógio sob a mesinha de cabeceira e vê que ainda são 4 da manhã. Ainda é tão cedo... mas acho que não vou mais conseguir dormir. Ela se levanta, veste seu hobby por cima do pijama, vai até o banheiro escovar os dentes e desce as escadas até o saguão de entrada. Ela se surpreende ao ver Yoh sentado no sofá perto da janela, fitando o céu da madrugada. Anna hesita um pouco, mas resolve aproximar-se dele.

– Achei que não tivesse mais ninguém acordado... – ela diz aproximando-se da janela.

Ao ouvir a voz de Anna, Yoh se vira para ela e a observa por alguns segundos antes de responder:

– Eu não conseguia mais dormir, então resolvi vir pra cá, pra refletir um pouco...

– Então acho melhor deixar você sozinho – Anna diz se afastando.

– Não, espere, não vá! – Yoh segura sua mão, fazendo-a parar.

Nesse instante eles se olham fixamente e ela responde:

– Está bem.

Ele a solta rapidamente e vira-se para a janela outra vez. Anna senta-se ao lado dele no sofá e ambos ficam em silêncio.

– Sabe, Anna... sobre tudo o que aconteceu ontem, eu... só quero dizer que eu quero muito acreditar em você... – Yoh diz quase num sussurro.

– Verdade?

– Eu sinto que... devo acreditar em você, porque... o que nós temos é especial, entende?

Anna não responde nada imediatamente. Apenas observa Yoh atentamente por alguns instantes.

– Entendo – ela responde séria – Eu também quero acreditar em você, Yoh. Mas ontem à noite, eu pensei... que talvez devesse ir embora.

– Ir embora? Não, você não pode fazer isso!

– Talvez fosse a coisa certa a fazer, afinal, nós terminamos tudo, não foi?

– Mas eu nunca quis terminar com você, só fiz isso porque estava bravo! - Yoh diz num tom de voz nervoso, o que acaba deixando Anna nervosa também.

– Eu também não queria terminar com você! E também não quero ir embora porque eu amo você, e mesmo que tenha ficado brava eu...

– O quê? Você disse que... me ama? – Yoh pergunta totalmente surpreso com as palavras de Anna.

Ela mesma se surpreende com as próprias palavras e tenta se manter na defensiva:

– Não! Eu não disse nada, esquece... – ela diz levantando-se do sofá e caminhando a passos rápidos.

Yoh a segue e a faz parar de andar, colocando-se à sua frente:

– Anna... eu tenho certeza que ouvi você dizer "não quero ir embora porque eu amo você".

Ela rapidamente desvia o olhar.

– É, eu disse. Acho que de repente me dei conta de que...

Eu também amo você, Anna – Yoh interrompe gentilmente.

– Como é?

– Eu também te amo. E é por isso que eu quero acreditar em você. Não podemos deixar que nada nem ninguém destrua o que sentimos um pelo outro, Anna – Yoh diz segurando as mãos de Anna entre as suas.

– Você tem razão, nós devemos ficar juntos, não importa o que aconteça – ela diz com um sorriso.

Ele também sorri e eles se abraçam.

– Me perdoe por tudo o que houve ontem, eu fui um idiota...

– É claro que perdôo você, Yoh. Eu também agi feito uma tonta ontem...

– Bom, o importante é que estamos bem agora, não é?

– É, nunca houve razão pra duvidarmos um do outro.

Eles voltam para o sofá próximo à janela e sentam-se juntos para apreciar o nascer do sol.

– Mas tem uma coisa que ainda não foi explicada... – Yoh diz minutos depois – Como o Hao foi parar no seu quarto ontem?

– E o que você foi fazer na casa da Tamao? – Anna responde com outra pergunta.

Flashback:

Anna...

O que você quer, Hao?

Calma, não precisa ficar irritada! Eu venho em paz, ok?

Ok. Qual é o assunto então?

Olha, eu sei que peguei muito no seu pé esse tempo todo e eu sinto muito por isso. Agora eu já entendi que nunca vai rolar nada entre a gente.

É mesmo?

É. Por isso eu quero fazer as pazes com você, quero que a gente fique numa boa.

Bom, se você estiver falando sério...

Eu estou falando sério!

Então, já que é assim... tudo bem, eu acho.

Ótimo, é bom saber que estamos bem. Você aceita um café como prova do meu arrependimento?

Claro, por que não?

Fim do Flashback

– Quer dizer que o Hao te convenceu que tinha desistido de tentar separar a gente? – Yoh pergunta depois de ouvir a história de Anna.

– Pois é, e aí eu só lembro de dormido feito uma pedra; e quando acordei vocês dois estavam no meu quarto. Então depois que você saiu, o Hao mudou de atitude mais uma vez...

Flashback:

Esquece ele, Anna! Vamos aproveitar que estamos sozinhos pra nos entender melhor, o que você acha, querida? – Hao diz abraçando Anna.

Tire as suas mãos de mim! – Anna exclama furiosa, empurrando Hao e acertando um belo tapa em seu rosto – Sai daqui, agora!

Tudo bem, eu vou. Mas se quer ir atrás do Yoh está perdendo seu tempo...

Por que você está dizendo isso?

Porque eu aposto que ele está na casa da Tamao agora, e eles devem estar se divertindo, com certeza...

Fim do Flashback

– E foi quando eu fui atrás de você e te encontrei com ela no jardim.

– Aquilo também foi um engano...

Flashback:

Yoh!

Ele vê Tamao do outro lado do portão de entrada a chamá-lo. Ele caminha até ela e aproxima-se do portão.

O que aconteceu? Você não parece estar bem... – ela pergunta com uma expressão preocupada.

Eu não sei explicar. Ouvi o Hao dizendo que estava com a Anna, depois eu o encontrei no quarto dela. Mas nada disso faz sentido...

Eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Eu sinto muito, Yoh. De verdade. Olha, eu sei que tivemos uns problemas antes, mas agora já passou; espero que ainda sejamos amigos. Esqueça um pouco a Anna e o Hao. Por que você não vem comigo pra conversar um pouco?

Está bem. Que mal pode fazer, não é?

Fim do Flashback

– E você foi mesmo pra casa dela?

– Fui sim. E foi aí que as coisas se complicaram mais...

Flashback:

Eu ainda não acredito que a Anna tenha feito isso, não pode ser!

Yoh, acho que você deve aceitar que ela te decepcionou completamente; fazer o quê, não é? A não ser que você queira dar o troco... – Tamao diz com uma voz insinuante, aproximando-se mais de Yoh.

Não, eu não quero fazer nada disso! Eu tenho que... tenho que falar com a Anna! – Yoh responde afastando-se de Tamao rapidamente e dirigindo-se à saída.

Não vá ainda, Yoh! Espere!

Chegando ao jardim, Tamao alcança Yoh e o abraça. Ele a afasta imediatamente com um empurrão, ao mesmo tempo em que escuta Anna chamá-lo.

Fim do Flashback:

– Quer dizer que ela também te convenceu de que não estava mais a fim de te perseguir, e aí depois voltou a dar em cima de você?

– É, foi isso mesmo que aconteceu. E você achou que eu estava mesmo com ela e saiu correndo; eu fui atrás de você e depois... bem, o resto nós já sabemos.

– Mas Yoh... o que foi tudo isso então? Não pode ter sido coincidência o Hao e a Tamao terem nos convencido de que tinham ficado "bonzinhos" e depois terem voltado a dar em cima de nós dois... e ao mesmo tempo!

– Você tem razão, isso parece ter sido planejado. Talvez... o Hao e a Tamao tenham se unido e armado tudo isso pra tentar nos separar! Isso é típico do Hao! Criar armações pra prejudicar os outros... Aposto que foi ele que contou à mamãe e ao papai sobre o nosso namoro falso!

– Isso explicaria tudo! Mas ainda assim não podemos provar nada.

– É verdade. A menos que... o próprio Hao confesse que planejou tudo!


A recepcionista do hotel disse que uma pessoa está aqui pra me ver. Será a Pirika? Tomara que ela finalmente tenha caído na real... - Horo-Horo pensa enquanto caminha até a porta de seu quarto no hotel – Você! O que está fazendo aqui?

– Calma, não precisa se alterar. Eu vim aqui porque preciso dizer uma coisa importante – Ren responde já entrando pela porta aberta.

– Que seja então, mas é melhor falar de uma vez!

– A Pirika me contou que você a obrigou a escolher entre você e eu. Isso foi um golpe muito baixo, você não tinha o direito de fazer isso!

– Era só isso que você queria dizer? – Horo-Horo pergunta friamente.

– Não. Tem mais. Ainda que você esteja sendo injusto, eu entendo que está fazendo isso porque ficou preocupado com a sua irmã. Talvez tenha sido ruim vê-la com um cara que nem sequer conhecia... Mas você precisa saber de uma coisa: o que a Pirika e eu temos não é algo bobo ou passageiro. Eu realmente gosto dela, de verdade. E também quero o melhor pra ela. Por isso, se ela dicidir fazer o que você está querendo eu vou respeitar a decisão dela, porque... eu amo a Pirika.

Horo-Horo escuta as palavras de Ren com uma expressão quem mistura choque e surpresa.

– Você está falando sério? – ele pergunta momentos depois.

– Estou sim. Eu amo a sua irmã, Horo-Horo. Pra valer. Só quero que ela fique bem; é isso que realmente importa, não é? Acho melhor ir embora agora, adeus – Ren afirma abrindo a porta e saindo do quarto, deixando Horo-Horo bastante confuso em relação a seus recentes pensamentos e atitudes.


– Yoh, isso não é possível. Sabemos que o Hao pode ser difícil às vezes, mas ele não seria capaz de planejar algo que pudesse prejudicar você e a Anna!

– Mas mãe, é verdade! Vocês têm que acreditar!

– A sua mãe tem razão, Yoh. Isso seria demais até mesmo para o seu irmão.

– Tudo bem, então vocês vão ouvir a verdade do próprio Hao, e aí vão ter que acreditar!

– Mas como isso vai acontecer, Yoh?

– Fácil, Anna. Você vai ver...

Mais tarde, Yoh vai até o quarto de Hao, onde é recebido com surpresa pelo irmão:

– Ora, mas que novidade é essa você ter vindo me fazer uma visitinha, maninho?

– Temos um assunto pendente – Yoh responde bastante sério.

– Que assunto? Do que você está falando?

– Estou falando do seu "planinho" pra tentar me separar da Anna!

– Você ficou maluco? Não tem plano nenhum, eu não tenho culpa se ela se cansou de você...

– Olha, você já pode desistir dos seus joguinhos porque eu não caio mais nessa, Hao. E só pra você saber, toda aquela sua armação não adiantou nada porque a Anna e eu estamos melhor que antes. Pode falar isso pra Tamao também – Yoh diz num tom irônico, virando-se para a porta e fazendo menção de sair.

– Espera aí, como assim "melhor que antes"? E por que eu diria alguma coisa pra Tamao?

– Por favor, Hao. Eu sei que vocês dois tramaram tudo aquilo, mas o feitiço acabou virando contra o feiticeiro e o plano de vocês só fez com que a Anna e eu nos uníssemos mais. Encare a verdade, você já era!

Hao encara Yoh com uma expressão fechada.

– Quer saber de uma coisa? Não importa o que você diga, é inaceitável que a Anna prefira você a mim! Por isso eu armei pra que vocês brigassem e aí eu pudesse finalmente ficar com ela!

– Então você está admitindo que planejou tudo?

– É, foi isso mesmo! Eu disse a Anna que queria fazer as pazes com ela e quando ela acreditou eu coloquei sonífero no café pra fazê-la dormir por muito tempo. Então eu liguei pra Tamao de manhã bem cedo dizendo que estava no quarto com a Anna; isso foi um sinal pra ela ficar de sobreaviso. Eu falei no telefone bem alto pra que você ouvisse e fosse até o quarto da Anna, e como ela ainda estava dormindo por causa do sonífero, não me ouviu entrar.

– Como você pôde ser tão baixo, Hao?

– Pois é, irmãozinho. E aí, quando você saiu zangado, achando que a Anna estivesse mesmo comigo, a Tamo pareceu pra cumprir a parte dela no plano. Ela convenceu você de que queria ser sua amiga e depois tentou seduzir você, ao mesmo tempo em que eu tentava o mesmo com a Anna. Como ela se recusou, eu disse que você tinha ido pra casa da Tamao, ela foi te procurar e... bingo! Encontrou vocês dois abraçados. Então, você e a Anna brigaram e terminaram tudo. Agora ela deveria estar comigo e você com a Tamao. Isso sim seria perfeito! E agora você vem me dizer que o meu plano deu errado! Isso não é possível!

– Não só é possível como é verdade. Não importa o que aconteça; nem você, nem a Tamao, nem ninguém vai conseguir me separar da Anna! Sabe, eu podia arrebentar a sua cara, de novo. Mas não vou fazer isso, sabe por quê? Porque o que mais vai doer em você é ver que tudo o que você fez foi em vão, e que a Anna e eu estamos juntos e felizes.

– Você é um idiota!

– E você é desprezível, Hao! E agora é a minha vez de contar a verdade aos nossos pais.

– Experimente, eles não vão acreditar em nada do que você disser. E mesmo que acreditem, eu posso fazê-los mudar de idéia rapidinho, afinal, sempre foi tão fácil enrolar eles...

– É isso mesmo o que você acha, Hao? – Mikihisa pergunta autoritário, entrando no quarto.

– Estamos muito decepcionados com você, Hao – Keiko diz bastante séria, acompanhando o marido.

– Pai? Mãe? Vocês... ouviram tudo? – Hao pergunta chocado.

– Cada palavra, Hao. Cada palavra. E logo você vai descobrir que não será tão fácil nos "enrolar" dessa vez...

Continua...

Nota da autora:

Oi povo! Em 1º lugar, desculpem pela demora! Tive problemas com o meu pc de novo! Ninguém merece! Bom, continuando a nota, esse capítulo deve ter esclarecido tudo o que aconteceu no capítulo anterior, não foi? E também quero aproveitar pra dizer que a fic está chegando ao final (o que é uma pena, porque essa é sem dúvida uma das minhas fics preferidas!). Espero que vocês continuem acompanhando até o fim!

Pra quem deixou review:

Luna: Engraçado, não sabia que você possuía os direitos autorais sobre Tao Ren... Mesmo assim, valeu pela review.

Saturn-MariCat: O Hao bem que tentou seduzir a Anna e a Tamao tentou fazer o mesmo com o Yoh mas foi tudo por água a baixo... Como em toda boa novela, né? rsrs Bjs!

Kiuri-Kyouyama: Oi! O beijo foi mesmo muito fofo, que bom que vc tá gostando da fic! Valeu pela review! Bjs!

Joyce-chan: Oi! A Anna e o Yoh não podiam ficar separados por muito tempo, não é mesmo? Espero que vc tenha gostado desse capítulo também! Bjs!

Akima Yuki: Oi! Fico feliz que vc tenha gostado do final de Unidos por acidente, valeu pelas reviews! Nossa, não esperava que vc fosse ficar tão triste com o capítulo 11! Mas como eu disse lá em cima, o cap12 esclareceu tudo, espero que agora você tenha ficado um pouquinho mais feliz... E não se preocupe, ainda tem mais romance Yoh e Anna nos próximos capítulos, ok? Bjs!

Blood Shadow: Oi! Que bom que vc tá curtindo a fic,mesmo não gostando de romance! Tomara que eu possa postar mais depressa os próximos capítulos! É verdade, nessa estória o Hao e a Tamao se merecem mesmo... Valeu pela review! Bjs!

Beijos pra todo mundo!

Estelar