Depois de ter dormido por apenas algumas horas, Anna acorda sentindo-se tão cansada quanto no dia anterior. Ela vira-se para o relógio sob a mesinha de cabeceira e vê que ainda são 4 da manhã. Ainda é tão cedo... mas acho que não vou mais conseguir dormir. Ela se levanta, veste seu hobby por cima do pijama, vai até o banheiro escovar os dentes e desce as escadas até o saguão de entrada. Ela se surpreende ao ver Yoh sentado no sofá perto da janela, fitando o céu da madrugada. Anna hesita um pouco, mas resolve aproximar-se dele.
– Achei que não tivesse mais ninguém acordado... – ela diz aproximando-se da janela.
Ao ouvir a voz de Anna, Yoh se vira para ela e a observa por alguns segundos antes de responder:
– Eu não conseguia mais dormir, então resolvi vir pra cá, pra refletir um pouco...
– Então acho melhor deixar você sozinho – Anna diz se afastando.
– Não, espere, não vá! – Yoh segura sua mão, fazendo-a parar.
Nesse instante eles se olham fixamente e ela responde:
– Está bem.
Ele a solta rapidamente e vira-se para a janela outra vez. Anna senta-se ao lado dele no sofá e ambos ficam em silêncio.
– Sabe, Anna... sobre tudo o que aconteceu ontem, eu... só quero dizer que eu quero muito acreditar em você... – Yoh diz quase num sussurro.
– Verdade?
– Eu sinto que... devo acreditar em você, porque... o que nós temos é especial, entende?
Anna não responde nada imediatamente. Apenas observa Yoh atentamente por alguns instantes.
– Entendo – ela responde séria – Eu também quero acreditar em você, Yoh. Mas ontem à noite, eu pensei... que talvez devesse ir embora.
– Ir embora? Não, você não pode fazer isso!
– Talvez fosse a coisa certa a fazer, afinal, nós terminamos tudo, não foi?
– Mas eu nunca quis terminar com você, só fiz isso porque estava bravo! - Yoh diz num tom de voz nervoso, o que acaba deixando Anna nervosa também.
– Eu também não queria terminar com você! E também não quero ir embora porque eu amo você, e mesmo que tenha ficado brava eu...
– O quê? Você disse que... me ama? – Yoh pergunta totalmente surpreso com as palavras de Anna.
Ela mesma se surpreende com as próprias palavras e tenta se manter na defensiva:
– Não! Eu não disse nada, esquece... – ela diz levantando-se do sofá e caminhando a passos rápidos.
Yoh a segue e a faz parar de andar, colocando-se à sua frente:
– Anna... eu tenho certeza que ouvi você dizer "não quero ir embora porque eu amo você".
Ela rapidamente desvia o olhar.
– É, eu disse. Acho que de repente me dei conta de que...
– Eu também amo você, Anna – Yoh interrompe gentilmente.
– Como é?
– Eu também te amo. E é por isso que eu quero acreditar em você. Não podemos deixar que nada nem ninguém destrua o que sentimos um pelo outro, Anna – Yoh diz segurando as mãos de Anna entre as suas.
– Você tem razão, nós devemos ficar juntos, não importa o que aconteça – ela diz com um sorriso.
Ele também sorri e eles se abraçam.
– Me perdoe por tudo o que houve ontem, eu fui um idiota...
– É claro que perdôo você, Yoh. Eu também agi feito uma tonta ontem...
– Bom, o importante é que estamos bem agora, não é?
– É, nunca houve razão pra duvidarmos um do outro.
Eles voltam para o sofá próximo à janela e sentam-se juntos para apreciar o nascer do sol.
– Mas tem uma coisa que ainda não foi explicada... – Yoh diz minutos depois – Como o Hao foi parar no seu quarto ontem?
– E o que você foi fazer na casa da Tamao? – Anna responde com outra pergunta.
Flashback:
– Anna...
– O que você quer, Hao?
– Calma, não precisa ficar irritada! Eu venho em paz, ok?
– Ok. Qual é o assunto então?
– Olha, eu sei que peguei muito no seu pé esse tempo todo e eu sinto muito por isso. Agora eu já entendi que nunca vai rolar nada entre a gente.
– É mesmo?
– É. Por isso eu quero fazer as pazes com você, quero que a gente fique numa boa.
– Bom, se você estiver falando sério...
– Eu estou falando sério!
– Então, já que é assim... tudo bem, eu acho.
– Ótimo, é bom saber que estamos bem. Você aceita um café como prova do meu arrependimento?
– Claro, por que não?
Fim do Flashback– Quer dizer que o Hao te convenceu que tinha desistido de tentar separar a gente? – Yoh pergunta depois de ouvir a história de Anna.
– Pois é, e aí eu só lembro de dormido feito uma pedra; e quando acordei vocês dois estavam no meu quarto. Então depois que você saiu, o Hao mudou de atitude mais uma vez...
Flashback:
– Esquece ele, Anna! Vamos aproveitar que estamos sozinhos pra nos entender melhor, o que você acha, querida? – Hao diz abraçando Anna.
– Tire as suas mãos de mim! – Anna exclama furiosa, empurrando Hao e acertando um belo tapa em seu rosto – Sai daqui, agora!
– Tudo bem, eu vou. Mas se quer ir atrás do Yoh está perdendo seu tempo...
– Por que você está dizendo isso?
– Porque eu aposto que ele está na casa da Tamao agora, e eles devem estar se divertindo, com certeza...
Fim do Flashback– E foi quando eu fui atrás de você e te encontrei com ela no jardim.
– Aquilo também foi um engano...
Flashback:
– Yoh!
Ele vê Tamao do outro lado do portão de entrada a chamá-lo. Ele caminha até ela e aproxima-se do portão.
– O que aconteceu? Você não parece estar bem... – ela pergunta com uma expressão preocupada.
– Eu não sei explicar. Ouvi o Hao dizendo que estava com a Anna, depois eu o encontrei no quarto dela. Mas nada disso faz sentido...
– Eu sabia que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde. Eu sinto muito, Yoh. De verdade. Olha, eu sei que tivemos uns problemas antes, mas agora já passou; espero que ainda sejamos amigos. Esqueça um pouco a Anna e o Hao. Por que você não vem comigo pra conversar um pouco?
– Está bem. Que mal pode fazer, não é?
Fim do Flashback– E você foi mesmo pra casa dela?
– Fui sim. E foi aí que as coisas se complicaram mais...
Flashback:
– Eu ainda não acredito que a Anna tenha feito isso, não pode ser!
– Yoh, acho que você deve aceitar que ela te decepcionou completamente; fazer o quê, não é? A não ser que você queira dar o troco... – Tamao diz com uma voz insinuante, aproximando-se mais de Yoh.
– Não, eu não quero fazer nada disso! Eu tenho que... tenho que falar com a Anna! – Yoh responde afastando-se de Tamao rapidamente e dirigindo-se à saída.
– Não vá ainda, Yoh! Espere!
Chegando ao jardim, Tamao alcança Yoh e o abraça. Ele a afasta imediatamente com um empurrão, ao mesmo tempo em que escuta Anna chamá-lo.
Fim do Flashback:
– Quer dizer que ela também te convenceu de que não estava mais a fim de te perseguir, e aí depois voltou a dar em cima de você?
– É, foi isso mesmo que aconteceu. E você achou que eu estava mesmo com ela e saiu correndo; eu fui atrás de você e depois... bem, o resto nós já sabemos.
– Mas Yoh... o que foi tudo isso então? Não pode ter sido coincidência o Hao e a Tamao terem nos convencido de que tinham ficado "bonzinhos" e depois terem voltado a dar em cima de nós dois... e ao mesmo tempo!
– Você tem razão, isso parece ter sido planejado. Talvez... o Hao e a Tamao tenham se unido e armado tudo isso pra tentar nos separar! Isso é típico do Hao! Criar armações pra prejudicar os outros... Aposto que foi ele que contou à mamãe e ao papai sobre o nosso namoro falso!
– Isso explicaria tudo! Mas ainda assim não podemos provar nada.
– É verdade. A menos que... o próprio Hao confesse que planejou tudo!
A recepcionista do hotel disse que uma pessoa está aqui pra me ver. Será a Pirika? Tomara que ela finalmente tenha caído na real... - Horo-Horo pensa enquanto caminha até a porta de seu quarto no hotel – Você! O que está fazendo aqui?
– Calma, não precisa se alterar. Eu vim aqui porque preciso dizer uma coisa importante – Ren responde já entrando pela porta aberta.
– Que seja então, mas é melhor falar de uma vez!
– A Pirika me contou que você a obrigou a escolher entre você e eu. Isso foi um golpe muito baixo, você não tinha o direito de fazer isso!
– Era só isso que você queria dizer? – Horo-Horo pergunta friamente.
– Não. Tem mais. Ainda que você esteja sendo injusto, eu entendo que está fazendo isso porque ficou preocupado com a sua irmã. Talvez tenha sido ruim vê-la com um cara que nem sequer conhecia... Mas você precisa saber de uma coisa: o que a Pirika e eu temos não é algo bobo ou passageiro. Eu realmente gosto dela, de verdade. E também quero o melhor pra ela. Por isso, se ela dicidir fazer o que você está querendo eu vou respeitar a decisão dela, porque... eu amo a Pirika.
Horo-Horo escuta as palavras de Ren com uma expressão quem mistura choque e surpresa.
– Você está falando sério? – ele pergunta momentos depois.
– Estou sim. Eu amo a sua irmã, Horo-Horo. Pra valer. Só quero que ela fique bem; é isso que realmente importa, não é? Acho melhor ir embora agora, adeus – Ren afirma abrindo a porta e saindo do quarto, deixando Horo-Horo bastante confuso em relação a seus recentes pensamentos e atitudes.
– Yoh, isso não é possível. Sabemos que o Hao pode ser difícil às vezes, mas ele não seria capaz de planejar algo que pudesse prejudicar você e a Anna!
– Mas mãe, é verdade! Vocês têm que acreditar!
– A sua mãe tem razão, Yoh. Isso seria demais até mesmo para o seu irmão.
– Tudo bem, então vocês vão ouvir a verdade do próprio Hao, e aí vão ter que acreditar!
– Mas como isso vai acontecer, Yoh?
– Fácil, Anna. Você vai ver...
Mais tarde, Yoh vai até o quarto de Hao, onde é recebido com surpresa pelo irmão:
– Ora, mas que novidade é essa você ter vindo me fazer uma visitinha, maninho?
– Temos um assunto pendente – Yoh responde bastante sério.
– Que assunto? Do que você está falando?
– Estou falando do seu "planinho" pra tentar me separar da Anna!
– Você ficou maluco? Não tem plano nenhum, eu não tenho culpa se ela se cansou de você...
– Olha, você já pode desistir dos seus joguinhos porque eu não caio mais nessa, Hao. E só pra você saber, toda aquela sua armação não adiantou nada porque a Anna e eu estamos melhor que antes. Pode falar isso pra Tamao também – Yoh diz num tom irônico, virando-se para a porta e fazendo menção de sair.
– Espera aí, como assim "melhor que antes"? E por que eu diria alguma coisa pra Tamao?
– Por favor, Hao. Eu sei que vocês dois tramaram tudo aquilo, mas o feitiço acabou virando contra o feiticeiro e o plano de vocês só fez com que a Anna e eu nos uníssemos mais. Encare a verdade, você já era!
Hao encara Yoh com uma expressão fechada.
– Quer saber de uma coisa? Não importa o que você diga, é inaceitável que a Anna prefira você a mim! Por isso eu armei pra que vocês brigassem e aí eu pudesse finalmente ficar com ela!
– Então você está admitindo que planejou tudo?
– É, foi isso mesmo! Eu disse a Anna que queria fazer as pazes com ela e quando ela acreditou eu coloquei sonífero no café pra fazê-la dormir por muito tempo. Então eu liguei pra Tamao de manhã bem cedo dizendo que estava no quarto com a Anna; isso foi um sinal pra ela ficar de sobreaviso. Eu falei no telefone bem alto pra que você ouvisse e fosse até o quarto da Anna, e como ela ainda estava dormindo por causa do sonífero, não me ouviu entrar.
– Como você pôde ser tão baixo, Hao?
– Pois é, irmãozinho. E aí, quando você saiu zangado, achando que a Anna estivesse mesmo comigo, a Tamo pareceu pra cumprir a parte dela no plano. Ela convenceu você de que queria ser sua amiga e depois tentou seduzir você, ao mesmo tempo em que eu tentava o mesmo com a Anna. Como ela se recusou, eu disse que você tinha ido pra casa da Tamao, ela foi te procurar e... bingo! Encontrou vocês dois abraçados. Então, você e a Anna brigaram e terminaram tudo. Agora ela deveria estar comigo e você com a Tamao. Isso sim seria perfeito! E agora você vem me dizer que o meu plano deu errado! Isso não é possível!
– Não só é possível como é verdade. Não importa o que aconteça; nem você, nem a Tamao, nem ninguém vai conseguir me separar da Anna! Sabe, eu podia arrebentar a sua cara, de novo. Mas não vou fazer isso, sabe por quê? Porque o que mais vai doer em você é ver que tudo o que você fez foi em vão, e que a Anna e eu estamos juntos e felizes.
– Você é um idiota!
– E você é desprezível, Hao! E agora é a minha vez de contar a verdade aos nossos pais.
– Experimente, eles não vão acreditar em nada do que você disser. E mesmo que acreditem, eu posso fazê-los mudar de idéia rapidinho, afinal, sempre foi tão fácil enrolar eles...
– É isso mesmo o que você acha, Hao? – Mikihisa pergunta autoritário, entrando no quarto.
– Estamos muito decepcionados com você, Hao – Keiko diz bastante séria, acompanhando o marido.
– Pai? Mãe? Vocês... ouviram tudo? – Hao pergunta chocado.
– Cada palavra, Hao. Cada palavra. E logo você vai descobrir que não será tão fácil nos "enrolar" dessa vez...
Continua...
Nota da autora:
Oi povo! Em 1º lugar, desculpem pela demora! Tive problemas com o meu pc de novo! Ninguém merece! Bom, continuando a nota, esse capítulo deve ter esclarecido tudo o que aconteceu no capítulo anterior, não foi? E também quero aproveitar pra dizer que a fic está chegando ao final (o que é uma pena, porque essa é sem dúvida uma das minhas fics preferidas!). Espero que vocês continuem acompanhando até o fim!
Pra quem deixou review:
Luna: Engraçado, não sabia que você possuía os direitos autorais sobre Tao Ren... Mesmo assim, valeu pela review.
Saturn-MariCat: O Hao bem que tentou seduzir a Anna e a Tamao tentou fazer o mesmo com o Yoh mas foi tudo por água a baixo... Como em toda boa novela, né? rsrs Bjs!
Kiuri-Kyouyama: Oi! O beijo foi mesmo muito fofo, que bom que vc tá gostando da fic! Valeu pela review! Bjs!
Joyce-chan: Oi! A Anna e o Yoh não podiam ficar separados por muito tempo, não é mesmo? Espero que vc tenha gostado desse capítulo também! Bjs!
Akima Yuki: Oi! Fico feliz que vc tenha gostado do final de Unidos por acidente, valeu pelas reviews! Nossa, não esperava que vc fosse ficar tão triste com o capítulo 11! Mas como eu disse lá em cima, o cap12 esclareceu tudo, espero que agora você tenha ficado um pouquinho mais feliz... E não se preocupe, ainda tem mais romance Yoh e Anna nos próximos capítulos, ok? Bjs!
Blood Shadow: Oi! Que bom que vc tá curtindo a fic,mesmo não gostando de romance! Tomara que eu possa postar mais depressa os próximos capítulos! É verdade, nessa estória o Hao e a Tamao se merecem mesmo... Valeu pela review! Bjs!
Beijos pra todo mundo!
Estelar
