Em um castelo em Gandara
Capitulo II
Por Josiane Veiga
A brisa suave tocou o rosto adormecido de Kurama. Ele mexeu-se devagar sobre os lençóis, acordando e se perguntou mentalmente o porque de sua mãe abrir a janela do seu quarto. Desde que havia pegado aquela virose, há duas semanas, ele sentia-se cansado e sempre com frio. Talves ela só quisesse ajudar o filho, dando a ele um pouco de ar fresco.
Já estava bem melhor do que imaginava, mas um pouco do seu desanimo se devia ao fato de o Koorime amado não ter aparecido quando ele mais precisava e queria.
O vento vindo da janela agitou suas madeixas ruivas. Apesar do frio sentido ele gostou da sensação. Talves fosse melhor parar de se martirizar e tomar um banho, colocar uma roupa fresca e ir ver os amigos. Podia ir jogar algo com Yusuke ou tomar um sorvete com Botan. Seria bom pra ele encontrar-se com pessoas queridas e se divertir. Talves tirasse do pensamento aquela atitude de Hiei.
Quando um outro sopro mais forte soprou pela janela ele sentiu que algo estava errado. O cheiro! Vinha um cheiro estranho de dentro do seu quarto... Um odor que qualquer raposa poderia identificar! Mukuro!
Seus olhos abriram-se rapidamente e ele sentou-se na cama com a mesma precisão. Viu então num canto mais afastado, sobre uma poltrona, com um ar ressentido, a mulher que ele detestava.
Tranqüilamente a guerreira o observou e sorriu. Kurama agitando-se na cama tentou em vão encontrar as roupas.
-Olá Youko.- Ela cumprimentou arrogante.
Era só o que faltava, pensou Kurama. Além de Hiei não vir vê-lo ainda tinha que suportar esta mulher.
-O que você quer?
-Vim olhar com meus próprios olhos a sua decadência.
-Decadência?- Kurama guspiu as palavras-O que você acha que é? Acha que estou decadente só porque peguei uma gripe de ningens? Isso é normal, porque estou num corpo humano.
-Uma gripe?- Ela parecia surpresa
-Sim, somente uma virose.
Ela então sorriu. Dobrando as pernas de uma maneira sensual, olhou Kurama com um olhar superior.
-Você é detestável Kurama Youko.
Ele irritou-se com a ofensa. Quem ela pensava que era pra invadir seu quarto, acordá-lo de seu descanso e ainda o xingar?
-Detestável é você Mukuro.
Ela então se levantou. Dê pé em sua frente parecia uma figura imponente e forte, mas Kurama sabia que ela não era tudo isso. Ele ainda era superior. Não só na força como na agilidade e raciocínio.
-Você me tomou Hiei por pura maldade.
Ele teve vontade de rir. Que idiota esta mulher que nunca percebeu que Kurama nunca usou Hiei. Que sempre amou aquele demoniozinho do fogo e agora daria a vida pra estar do lado dele.
-Você nunca vai perceber o que existe entre nós, não é Mukuro? Não roubei Hiei de você, ate porque ele nunca foi seu. Ao contrario. Ele é meu, sempre foi e sempre será.
O semblante de Mukuro não se transfigurou em ódio como Kurama imaginou que ela faria. Ao contrario. Seus olhos indicaram uma surpresa e ela molhou os lábios ao mesmo tempo em que pensava rápido.
-Não entendo...
Agora quem se surpreendeu foi Youko. O que ela não entendia?Que duas pessoas podem se amar apesar das diferenças, distancias ou sonhos?
-Achei que estivesse doente por causa de Hiei. Mas chego aqui e você me diz que esta apenas com gripe. Se o amasse de verdade estaria desesperado, assim como eu estou.
Mas o que ela queria dizer com aquilo? Deus, claro... Hiei não tinha aparecido desde que ficara doente. Devia ter acontecido alguma coisa com o koorime. Kurama repreendeu-se mentalmente pela ignorância. Ele então saiu da cama e segurou firmes os braços de Mukuro.
-O que aconteceu com Hiei?
-Você não sabe?
-Claro que não – ele gritou- diga de uma vez!
-Ele arrumou um novo amante...
O baque foi muito forte. Kurama percebeu neste momento que seria mais fácil pra ele que Hiei tivesse morrido, mas dividi-lo com alguém era uma dor insuportável demais para suportar.
-Mentira!
-Não minto! Se duvidas vá atrás de informações. No Makai não se fala em outra coisa.
-Não pode ser! Ele me ama!
Então ela gargalhou. Kurama teve gana de espancá-la, mas sabia que jamais faria isso. De toda maneira, sempre sentiu pena de Mukuro porque sabia o quão sincero eram os sentimentos da mulher por Hiei. Mas ele também amava Hiei, e não hesitou em brigar pelo amor do koorime. E até aquele momento tinha certeza de que era correspondido apesar do que Mukuro tinha acabado de falar.
-Deve ser algum engano, Hiei não faria isso comigo.
-Bom querido...Ele fez.
-Você mente! – ele repetiu já não com tanta convicção
-Não Kurama Youko! Todos sabem disso já. Se duvidar, vá ao Makai e tire as suas próprias conclusões.
Não, ela não mentia. Kurama percebia nos seus olhos que Mukuro não blefaria com algo assim. E ela havia vindo do Makai para ridicularizá-lo e acabava tendo a surpresa de que ele nem sabia o que estava acontecendo.
-Mas com quem? – ele perguntou piedoso.
Então ela começou a rir com vontade. Ela gargalhava tanto que parecia uma histérica. Kurama não conseguia ver onde estava toda a graça, porque afinal, pelo jeito Hiei não tinha voltado para os braços da mulher, mas então...
-Quem? –Ele perguntou desta vez com mais raiva e força
-Yomi... –ela sussurrou.
E neste momento Kurama perdeu suas forças.
Hynde tinha pernas bonitas e sedutoras, mas também eram pesadas e a maneira como ele as colocava sobre o corpo do koorime irritavam Hiei. Nessas ultimas duas semanas em que estava vivendo no castelo de Yomi, passava fazendo sexo com os dois demônios. Yomi era insaciável, e Hynde, seu empregado, um libertino de marca maior. E pensar que fora Hiei que o desvirginara na noite em que chegou ao castelo.
Sexo a tres. Yomi, Hynde e Hiei praticamente não saiam da cama e apesar de divertido, tudo aquilo já estava se tornando cansativo. O Koorime sentia falta das conversas após o amor que tinha com Kurama. Sentir o cheiro do Kitsune e falar de banalidades. Kurama tinha algo especial, ele tinha senso de humor e fazia Hiei rir e se sentir bem mesmo após o êxtase. Era isso exatamente o que não acontecia com Hynde e Yomi. Eles faziam sexo de uma maneira carnal, feroz e cheia de tesão. Mas quando acabava Hiei se sentia confuso e sozinho. Um grande vazio o preenchia e ele só conseguia se arrepender do que estava fazendo.
-Acordado amor?- Perguntou o jovem empregado de Yomi dando lhe um selinho nos lábios.
A reação repugnante foi imediata. Nem com Mukuro Hiei se sentia tão mal. O arrependimento da traição e a saudade de Kurama o fizeram levantar da cama que compartilhava com Hynde e se dirigir ao banheiro. Precisava de um banho. Queria limpar da pele os restos daquela noite de selvageria.
Quando a água fria caiu sobre seu corpo, um alivio repentino se instalou nele. Hiei esfregou com força o peito e um espelho (colocado propositalmente por Yomi, a fim de se observar tomando banho), fez Hiei perceber que estava com o corpo todo marcado de mordidas.
Logo ele desviou a atenção disso ao perceber uma mão grande, forte e macia descer por seu abdômen.
-Levantou cedo, querido...
A voz do Yomi chegou ao seus ouvidos lhe provocando um arrepio. Yomi era um excelente amante e despertava um forte desejo em Hiei, mas ele nunca seria o Kitsune.
-Estou com raiva. Seu empregado estúpido me mordeu ontem à noite e agora meu corpo esta todo marcado.
Sua queixa provocou um sorriso malicioso no demônio alto e ele lambeu os lábios de Hiei enquanto entrava embaixo do chuveiro com o Koorime.
As lembranças de Hiei se espaireceram ao sentir a pele de Yomi contra a sua e naquele momento, Shuiichi se tornou apenas uma reflexão. Yomi também despertava algo nele. Não tão forte quanto Kurama, mas era delicioso também. As mãos de Hiei desceram aflitas pelas nádegas de Yomi e o apertaram contra ele.
-Percebo que você acordou animado - disse sorrateiramente Yomi.
-Sempre acordo assim.
-Que ótimo... – ele falou tomando um dos mamilos de Hiei entre os lábios.
A sucção da pele entre a água era uma das maiores delicias que Hiei se confrontava. Os dois demônios se agarravam e esfregavam-se com uma ânsia já conhecida entre eles. As línguas mexiam-se copiosamente entre suas peles e Yomi apenas reagiu com consentimento quando Hiei o virou de costas...sua habilidosa língua percorreu por toda sua coluna vertebral, dando a Yomi a sensação de um corrente eletrica percorrendo seu corpo. Em resposta Yomi se inclina esperando para receber seu premio. Um prêmio que com certeza Kurama já tinha se deliciado muitas vezes. E agora seria dele. A sensação de triunfo sobre o Kitsune foi o mais poderoso afrodiziaco que o demonio já havia experimentado. Yomi apoiou as mãos na parede do banheiro e empinou o bumbum para Hiei. Sentiu o membro duro invadir-lhe as nádegas e riu embevecido ao perceber que estava gostando daquele baixinho. Talves de Kurama não tirasse da cabeça seu amor por Hiei, o rei de Gandara poderia ficar pra sempre com o Koorime.
A dança dos corpos começou e mais um gemido se misturou ao de Yomi e Hiei. Hynde se tocava em pé, sob a porta, observando os dois amantes. Hiei olhou o empregado de Yomi e aquilo o encheu mais de tesão. Agarrando com forças as nádegas do rei de Gandara ele alcançou o clímax.
Pouco depois, sentado no piso do banheiro, Hiei viu Yomi se secar com a toalha e sair do banheiro, indo ao quarto para se divertir mais com Hynde. E Hiei ficou ali, ouvindo os gemidos sexuais dois e sentindo-se completamente estranho a si mesmo. Vazio...triste...
O que ele estava fazendo a Kurama? E a ele mesmo? Com nojo de si mesmo, ele se levantou e não olhou para o espelho...Não queria ver seus olhos cheios d´água.
Continua...
Nota da Autora: Pois é pessoal. Um fic pra Sandy não pode ser algo doce e gentil, tem que ser forte e cheio de perversão...Hehehe... Mas eu to sofrendo mto em fazer Hiei trair Kurama... Viu Sandy, o que eu faço por você?
Obrigada pelos reviews e continuem dando seus comentários. Bjoes especiais pra Akai Tenshi que ta me matando de chorar com o fic dela do Kai e Tyson, pra Lu-Hiei e pro Kamui (meu beta).
