" Os anos de vida dos edain foram prolongados, de acordo com o cálculo dos homens, depois de sua chegada a Beleriand; mas, no final, Bëor, o Velho, faleceu quando já tinha vivido noventa e três anos, quarenta e quatro dos quais a serviço do Rei Felagund. E, quando jazia morto, sem nenhum ferimento ou mágoa, mas abatido pela idade, os eldar viram pela primeira vez o rápido ocaso da vida dos homens e a morte por cansaço que eles mesmos não conheciam. E lamentaram muito a perda de seus amigos. Bëor, entretanto, entregara a vida de bom grado e fizera a passagem em paz. E os eldar muito se admiraram com o estranho destino dos homens, pois em toda a sua tradição de conhecimento não havia nenhuma menção a ele, e seu fim lhes era desconhecido"- O Silmarillion página 185.
Este capítulo é dedicado ao meu avô João, que me ensinou muitas coisas e em sua imensa doçura conquistou o amor de muitas pessoas.
João Altemiras
Nota da autora: Os diálogos entre aspas "" estão em língua comum, os que estão entre apostrofes '' estão em élfico ou japonês, pensamentos e memórias estão em itálico.
Créditos: A explicação sobre porque cargas d'água os raios dos elfos dormem de olhos abertos é da minha querida, amada e idolatrada salve, salve beta Sadie.
E ela também me ajudou a escolher os nomes das elfas.
Agradecimentos também à poderosa Lorevaleu a ajuda e a dica.
A PATRULHA
Os japoneses passaram a integrar o dia-a-dia de Mirkwood.
Shinji e Shinobu, que falavam um pouco da língua comum, decidiram aprender mais sobre os youkais.
Shinji passava os dias na Casa de Cura trocando informações com Melimë, mãe de Enok e curadora mor de Mirkwood.
Shinobu preferia ficar com o Rei aprendendo mais sobre o inimigo comum, e falando sobre o Império do Sol Nascente.
Nadeshiko e os demais japoneses passaram a fazer parte da patrulha de Legolas, o que era muito interessante, pois assim, elfos e samurais podiam aprender uns com os outros, novas técnicas de combate.
XXX
Nadeshiko estava no estábulo escovando sua égua branca e cantando uma música de sua terra.
"Bonita canção."
Nadeshiko sobressaltou-se.
"Desculpe-me, assustei você?" Legolas estava próximo de Nadeshiko, trazia seu cavalo castanho, um facho de luz iluminava os dois.
Nadeshiko sorriu.
"Só um pouquinho. Vocês youkais não fazem barulho e eu estava tão distraída cantando para Ai."
"Sobre o que você cantava?"
"Cantava sobre o amor, Ai significa amor." Ela olhava para a égua com carinho.
"Bonito nome." Legolas acariciou o pescoço do belo animal.
Enok entrou apressado, parou ao lado do amigo e falou aos seus ouvidos.
'Hora do espetáculo, Angrod está vindo.'
Legolas tocou de leve o braço de Nadeshiko e apontou a grande porta.
"Observe."
Angrod entrou e parou ainda na entrada, voltou-se e chamou.
'Curu, entra.' Sem resposta. 'Não faz essa cara! Eu sei que você está me ouvindo.'
Legolas traduzia para Nadeshiko o que estava sendo dito.
'Você vai ficar aí me ignorando desse jeito?' Sem resposta. 'Ah, é assim? Fique aí se você quiser, eu não me importo.' Angrod foi para o fundo do estábulo.
Pouco depois apareceu na porta a cabeça de um cavalo malhado, o animal olhou para o enfezado elfo que estava de costa para a porta chutando algumas palhas que estavam no chão.
O cavalo caminhou até o dono e encostou o focinho nas costas dele empurrando-o em seguida.
Angrod ignorou-o.
Curu começou a trotar ao redor do elfo, que continuava ignorá-lo.
O Cavalo então começou a pegar o feno do chão e jogar no elfo, que agora tentava ignorá-lo.
Vendo que desta vez seria mais difícil, Curu usou seu último truque, ele se fingiu de morto.
Diante de tamanha proeza Angrod não resistiu e se atirou sobre o cavalo.
'Cavalo safado, você age assim porque sabe que eu te adoro.'
"Angrod criou esse cavalo desde potrinho." Explicou Legolas.
"Agora o bicho tem o temperamento do dono." Completou Enok provocando o riso dos outros.
"O que significa Curu?" Perguntou a curiosa Nadeshiko.
"Significa talento. Um nome ideal para um cavalo cheio de truques como esse." Falou Legolas.
"Cavalo? Às vezes eu acho que ele é um elfo disfarçado de cavalo!" Resmungou Enok provocando novamente o riso dos outros.
XXX
A patrulha partiu na manhã seguinte, o anor (sol) iniciava sua jornada em todo o seu resplendor, prometendo que aquele seria um belo dia.
Eles iam patrulhar uma área tranqüila na orla da floresta.
No caminho destruíam ninhos e teias de aranhas que infestavam a trilha.
Angrod estava visivelmente contrariado com isso.
'Angrod ... São aranhas. Elas são perigosas, não temos alternativas!' Legolas tentou consolar o amigo.
'Eu sei, eu sei!' Respondeu o elfo mal-humorado, enquanto destruía mais um ninho.
Nadeshiko observava a cena com curiosidade.
"O que há de errado com Angrod?" Perguntou a Enok.
"Angrod não suporta matar qualquer animal. Ele acredita que todos os animais são essencialmente bons. O que os faz maus são influências alheias. Ele acredita que esses animais são as maiores vítimas do Lorde do Escuro e seus seguidores." Explicou o elfo.
"Mas, pelo que pude entender, se não destruirmos esses ninhos, as aranhas que nascerem, vão tornar essa floresta ainda mais perigosa, não é isso?"
"Sim, é exatamente isso."
A menina ficou observando o elfo como quem espera maiores explicações.
"Às vezes é difícil até para nos entendermos a cabeça do Angrod. Ele sabe que isso é necessário, mas não gosta de fazê-lo. Sua esperança é que um dia a Terra-Média fique livre da influência do mal e assim, todos, principalmente os animais, possam viver em paz."
Nadeshiko observou Angrod destruir mais um ninho com a ajuda de Legolas e sentiu pena do elfo.
"Espero que um dia o desejo dele se torne realidade." Disse ela.
"Nós também. Nós também." Disse Enok.
E os dois retornaram ao trabalho de limpar a trilha.
XXX
A noite havia chegado e o grupo estava acampado numa campina além da orla da floresta, era uma área perfeita para acampar naquela região. O espaço amplo dava uma boa visão em todas as direções e a floresta não ficava muito distante.
A noite estava agradável, o céu estrelado, os humanos ficaram impressionados com o fantástico brilho que emanava dos belos youkais.
Os elfos estavam felizes pela possibilidade de admirar a criação de Elbereth.
Alguns estavam deitados no chão adormecidos no sono élfico, as janelas da alma voltadas para o céu estrelado.
Nadeshiko sentou-se ao lado de Legolas perto da fogueira. E começou a polir suas espadas. O elfo observava-a com curiosidade.
"Por que suas espadas têm tamanhos diferentes? Eu conheço vários guerreiros que usam duas espadas, mas elas são do mesmo tamanho. Eu mesmo tenho as minhas espadas gêmeas."
Nadeshiko olhou com carinho para sua wakizashi.
"Um samurai nunca deve estar desarmado, mas a katana é muito grande para recintos pequenos e pode atrapalhar a movimentação do samurai, por isso carregamos a wakizashi, como ela é curta podemos nos movimentar sem problemas." Explicou.
"A katana é usada nas lutas." Ela acariciou a espada longa. "A wakizashi deve estar sempre conosco, ela também é usada no harakiri, que é um privilégio dos samurais."
Legolas ficou curioso com a nova palavra, mas como ela calou-se, guardou as espadas e passou a olhar a fogueira, ele sorriu pensando que a pergunta poderia ficar para outra ocasião e voltou seus olhos para o céu.
Eles ficaram em silêncio por uns instantes, ela observando a dança das chamas e ele com o olhar perdido entre as estrelas.
"Vocês gostam muito das estrelas, né?" Ela quebrou o silêncio.
Legolas sorriu, mas continuou olhando o céu noturno.
Nadeshiko desviou a atenção da fogueira e olhou ao redor, um elfo estava deitado próximo deles, as mãos cruzadas sob a cabeça olhos desfocados voltados para o céu.
"Por que vocês dormem de olhos abertos?"
"Também dormimos com os olhos fechados como os humanos. Mas apenas quando estamos realmente cansados ou quando nosso corpo ou nosso espírito está tão ferido que o repouso de horas nos é necessário. Entretanto, como nos cansamos com menos facilidade do que vocês, raramente precisamos fechar nossos olhos para um breve repouso. Quando o que nos falta é apenas um pequeno momento de paz para que recobremos um pouco de nossas forças, podemos recorrer a esse sono de contemplação que você vê meu amigo fazer agora."
Legolas finalmente desviou o olhar das estrelas e encarou a menina.
"Quer ouvir uma história?"
Ela acenou a cabeça sorrindo.
"Essa é uma história de tempos antigos, quando a terra ainda era nova, é a história do despertar dos elfos."
"A Lenda do Despertar dos Elfos·Os primeiros elfos dormiam no seio da terra, debaixo de um verde gramado enquanto seus corpos eram feitos e só despertaram quando se tornaram adultos".
Mas
eles não acordaram ao mesmo tempo.
Eru havia então
determinado que cada um deveria estar ao lado de seu parceiro
destinado.
Primeiro despertaram três elfos homens, pois eles eram mais fortes fisicamente e mais ávidos e aventureiros em lugares estranhos. Eles são chamados nos contos antigos Imin, Tata e Enel, os pais dos elfos.
Primeiro
despertou Imin, depois Tata e por último Enel, mas com pouca
diferença de tempo entre cada um; foi apartir deles que as
palavras um, dois e três foram feitas.
Eles despertaram
antes de suas esposas, e a primeira coisa que eles viram foram as
estrelas, é por isso que as amamos tanto, em seguida viram
suas esposas destinadas adormecidas ao lado deles, eles ficaram tão
encantados com a beleza delas que surgiu o desejo de falar e cantar.
Impacientes,
eles acordaram suas esposas. Assim, a primeira coisa que cada mulher
elfo viu foi seu esposo, e seu amor por ele foi seu primeiro amor; e
seu amor e admiração pelas maravilhas de Arda veio
posteriormente.
Durante um tempo eles viveram juntos, e inventaram
muitas palavras.
Imin
e Iminyë, Tata e Tatië, Enel e Enelyë caminharam
juntos, e deixaram o verde gramado de seu despertar, e logo eles
chegaram a outro gramado ainda maior e lá encontraram seis
casais de elfos, e os elfos homens estavam nesse momento
despertando.
Imin, que era o mais velho disse:
"Eu escolho estes doze para serem meus companheiros." E os elfos homens acordaram suas esposas.
Eles viveram juntos por mais um tempo e aprenderam muitas palavras e inventaram mais.
Eles
caminharam juntos e logo, em outro vale ainda mais profundo e mais
amplo, encontraram nove casais de elfos, e os elfos homens recém
haviam acordado sob a luz das estrelas.
Tata por ser o segundo
mais velho disse:
"Eu escolho estes dezoito para serem meus companheiros." Então novamente os homens elfos acordaram suas esposas.
E
eles moraram e falaram juntos, e criaram muitos novos sons e palavras
mais longas. E então eles caminharam para o exterior, até
chegarem a um bosque de bétulas por um rio, e lá eles
encontraram doze casais de elfos, e os elfos homens estavam de pé
da mesma forma, e olhavam para as estrelas através dos ramos
das bétulas.
Enel, o último a despertar disse:
"Eu escolho estes vinte e quatro para serem meus companheiros." Novamente os elfos homens acordaram suas esposas.
Por
muitos dias os elfos moraram à margem do rio, fazendo versos e
canções para a música da água.
Por
fim, mais uma vez todos partiram juntos.
Imin notou que cada vez eles encontravam mais elfos do que antes, e ele pensou consigo mesmo:
"Mesmo sendo o mais velho tenho apenas doze companheiros, farei uma nova escolha ."
Eles chegaram a um bosque de abetos na encosta de uma colina, e lá encontraram dezoito casais de elfos, e todos ainda estavam dormindo. Os elfos homens despertaram e ficaram impressionados com as estrelas, por muito tempo os dezoito novos elfos não prestaram atenção aos outros, mas olharam para as luzes de Menel. Mas quando, por fim, voltaram seus olhos novamente para a terra, eles contemplaram suas esposas e acordaram-nas para que olhassem para as estrelas, gritando-lhes elen, elen! E então as estrelas receberam seu nome.
Imin, pensando em encontrar um número maior de elfos mais além disse:
"Eu ainda não escolherei"; e Tata, então, escolheu estes trinta e seis para serem seus companheiros; e eles eram altos e de cabelos negros e fortes como abetos, e deles a maioria dos noldor posteriormente originou-se.
E os elfos conversaram entre si, e os recém-despertos inventaram muitas palavras novas e belas, e muitos artifícios de linguagem interessantes; e eles riram, e dançaram sobre a encosta da colina.
Por
fim desejaram encontrar mais companheiros. Então todos
partiram juntos novamente, até que chegaram a um lago escuro;
e havia um grande penhasco próximo a ele no lado leste, e uma
cachoeira descia do alto, e as estrelas reluziam na espuma. Mas os
elfos homens já estavam se banhando na cachoeira, e eles
haviam despertado suas esposas. Havia vinte e quatro casais; mas até
o momento eles não possuíam uma linguagem formada,
embora cantassem docemente e suas vozes ecoassem nas pedras,
misturando-se com o ímpeto das quedas d'água.
Mas
novamente Imin conteve sua escolha acreditando que o próximo
grupo seria ainda maior.
Enel, então, disse:
"Eu tenho a escolha, e eu escolho estes quarenta e oito para serem meus companheiros."
E
eles moraram por muito tempo próximo ao lago, até que
todos adquiriram as mesmas vontades e a mesma linguagem, e estavam
alegres.
Por fim Imin disse:
"Agora
é a hora na qual devemos prosseguir e procurar mais
companheiros." Mas a maior parte dos outros estava satisfeita.
Então Imin e Iminyë e seus doze companheiros partiram, e
muito vagaram na região ao redor do lago, próximo ao
qual todos os elfos haviam despertado - por esta razão ele é
chamado Cuiviénen. Mas eles nunca encontraram mais
companheiros, pois o conto dos Primeiros Elfos estava completo.
E
assim sucedeu-se que os "Companheiros de Imin" ou a
Companhia Mais Velha eram, apesar de tudo, apenas quatorze ao todo,
e a menor companhia, deles vieram os Vanyar, os mais belos e os
maiores poetas entre nós, todos estão em Valinor agora.
Os "Companheiros de Tata" eram cinqüenta e seis ao todo, deles surgiram os Noldor que são os mais curiosos, inteligente e habilidosos.
Os "Companheiros de Enel", embora fossem a Companhia Mais Jovem, era a maior; deles vieram os Teleri, e no início eles eram setenta e quatro ao todo, são os que têm as vozes mais belas.
"E dos Teleri surgiram os Sindar." Completou Angrod jogando-se no chão entre Legolas e Nadeshiko e deitando-se.
"É por isso que nós, os sindar, somos os mais talentosos de todos os elfos" Ele encarou Legolas e mostrou a língua.
"Os elfos silvestres também são descendentes dos Teleri." Retrucou Legolas.
Angrod riu.
"É por isso que nós, os Sindar e os Silvestres," Angrod enfatizou a palavra silvestre, olhando para Legolas, "somos tão talentosos." Ele sorriu para a garota e começou a cantar. Era uma canção que falava do amor que os Teleri sentiram pelo mar, era uma música suave no compasso das ondas do mar, uma noite calma de verão, Legolas começou a acompanhar o amigo, as vozes dos dois elfos envolveram a menina como a maresia noturna levando-a lentamente ao sono.
Bocejando Nadeshiko deitou-se na posição fetal e antes mesmo da canção acabar ela já estava em sono profundo.
Legolas cobriu a garota com sua capa e voltou-se para Angrod.
"É melhor descansarmos também. O próximo turno é nosso" Dizendo deitou-se ao lado do amigo e logo ambos estavam no sono élfico.
XXX
O dia chegou junto com uma estranha sensação de perigo no ar. Os humanos traziam o semblante pesado e os elfos mantiam os corpos eretos e os sentidos alertas.
Eles iam para a região das cavernas, nelas cresciam alguns líquens de grande poder medicinal.
Enok foi encarregado pela curadora mor de Mirkwood de coletar alguns desses líquens.
O grupo marchava em silêncio, tomado pelo estranho sentimento que os assolava desde o raiar do dia.
Angrod aproximou seu cavalo do capitão.
'Legolas.' Chamou.
'Você também está com essa sensação de perigo iminente?' Perguntou Legolas.
'Eu detesto quando me sinto assim.' Resmungou o elfo que não estava propenso a piadas naquele momento.
A marcha foi difícil, não pelo caminho, que era fácil e agradável, mas sim pelo sufocante sentimento que os envolvia naquela bela manhã de primavera.
Quando a patrulha chegou até as cavernas já estavam no meio da tarde. Legolas ordenou.
'Enok. Entre e faça seu trabalho logo, leve alguns soldados com você. Nós não vamos acampar aqui.'
Enok obedeceu sem questionar, pois o mesmo sentimento que perturbava o amigo o estava assolando também.
Enquanto Enok executava sua tarefa, os outros membros da patrulha estavam sondando a região ao redor e vigiando a entrada da caverna.
Em 2/4 de hora Enok e os elfos que o auxiliavam emergiram das profundezas da caverna trazendo várias sacolas cheias da preciosa carga. Rapidamente eles carregaram os cavalos com os medicamentos.
"Vamos partir imediatamente." Ordenou Legolas. Seriam sete horas de cavalgada até o acampamento da noite anterior, mas eles estavam dispostos a apertar a marcha, quem sabe galopar até aquele lugar seguro no menor tempo possível.
A patrulha cavalgava com velocidade, seus corações estavam pesados, eles se sentiam sufocados por aquela sensação de perigo que os perseguia cruel e implacavelmente tal qual uma besta selvagem ao encalço de sua presa.
A noite já cobria a terra com seu manto negro, mas as criações de Elbereth não enfeitavam o firmamento como na noite anterior, pois nuvens escuras tomaram o céu de ponta a ponta.
E de repente, como uma onda negra, um grande grupo de orcs e wargs caiu sobre eles em ataque.
Tomados pela surpresa, a patrulha se dispersou.
Para Shuit parecia que os orcs surgiam de todos os lados como se brotassem do chão, só restou a ele fazer como os outros, tentar se defender da melhor maneira possível. Porém o jovem samurai logo percebeu que apesar da força e brutalidade os youkais de sangue negro eram completamente estúpidos e covardes, seria fácil derrota-los, se não fosse pelo número.
Shuit eliminou seu adversário com um movimento rápido de sua katana, ele olhou ao redor para visualizar a batalha, ele pode ver Nadeshiko galopando Ai velozmente eliminando os youkais inimigos com suas flechas, sem perder nenhum dos tiros. Ele se distraiu um segundo, admirando a destreza da amiga, ao menos era isso que o youkai que tentou matá-lo achava antes de ter sua garganta trespassada pela leve espada do samurai.
Angrod lutava no chão lado a lado com Kenji.
Kenji lutava com destreza, sua espada aparentava uma fragilidade que contrastava com sua força destrutiva. Com ela o samurai desmembrava os inimigos com a mesma facilidade que cortava uma tenra fruta, muitas vezes os orcs caíam sem saberem direito o que os havia atingido.
Angrod usava toda a sua habilidade de guerreiro, e lutava em igual com Kenji, o elfo brilhava como se as estrelas estivessem libertas do manto negro que as encobria, Kenji fazia sua espada cantar e havia chamas em seus olhos negros.
Legolas, montado em seu cavalo, cortou a cabeça de um org que tentava atacar um samurai o qual, atravessando a garganta da besta com uma estocada da espada, havia acabado de matar um inimigo.
Legolas procurou por Enok. Como um curador, o elfo não podia sujar suas mão com a batalha, isso preocupava o capitão.
Após eliminar mais um inimigo o Príncipe da Floresta das Trevas conseguiu avistar o jovem curador, ele mantinha-se sobre sua montaria e incitava-a a empinar e dar coices. Girando e pulando o cavalo derrubava vários inimigos.
Curu vendo-se sem seu cavaleiro começou a imitar a montaria de Enok. O esperto cavalo corria para onde a concentração de inimigos era maior e começava a coicear até todos estarem no chão, então ele corria para outra área e repetia o processo.
Legolas saltou de seu cavalo sobre um warg derrubando o orc que o montava e matando o animal em seguida.
O capitão dourado havia derrubado um orc de sua maléfica montaria e Shuit, que estava próximo, tratou de eliminá-lo enquanto o capitão fazia o mesmo com a besta. O samurai correu ao encontro do capitão e ambos foram cercados imediatamente pelos inimigos.
Os orcs se aproveitavam da vantagem numérica para cercar suas vítimas e derrota-las pelo cansaço.
Quando as flechas de Nadeshiko se acabaram, ela sacou sua espada e analisou seus arredores, Kenji ainda lutava ao lado de Angrod, eles estavam completamente cercados pelos inimigos. Nadeshiko correu com seu cavalo na direção deles derrubando os orcs que atravessavam seu caminho. Ela quebrou o cerco ao redor dos amigos usando a força da Ai, que pisoteava os orcs.
Ela desceu do cavalo ao lado de Kenji.
'Volte para sua montaria Nadeshiko!' Ouviu a voz de Kenji, seu tom era ríspido. ' Aqui não é seguro.'
' Neste momento nenhum lugar é seguro!' Nadeshiko deu um tapa nas ancas de Ai para que a égua saísse correndo. 'Morrer ao lado de um grande samurai será morte honrada.' Dizendo isso ela começou a atacar o orcs.
Mas a coragem da pequena Nadeshiko e de todos na patrulha não era o bastante, os orcs continuavam a atacar, não importava quantos fossem derrotados, seu número parecia não diminuir.
Legolas e Shuit também estavam cercados, eles estavam de costas um para o outro, O capitão dourado usava suas espadas gêmeas, movimentando-as com elegância, Shuit fazia o mesmo com sua Katana eles se movimentavam em harmonia como se fossem um único ser, eliminando qualquer orc que invadia aquele perímetro.
'De onde surgiram tantos?' Pensou Legolas. 'Não vamos conseguir!' Constatou o elfo à beira da exaustão.
Shuit estava no limite de suas forças. Seus braços doíam, seus pulmões ardiam a cada respiração. 'Parece que o encontro com meus os ancestrais vai ocorrer muito mais cedo do que esperava.' Pensou o Samurai. 'O que importa é morrer com honra!' Concluiu. Foi quando ele viu um elfo de longos cabelos brancos, pele muito pálida e vestes tão brancas como a neve imaculada, ele irradiava uma luz pálida, como se a lua o estivesse tingindo de prata. O elfo prateado caminhou lentamente para o centro do campo de batalha.
Shuit notou que a princípio os orcs se sentiram intimidados por aquela gélida figura, mas passado o primeiro impacto, e se valendo da ainda vantagem numérica, eles cercaram o elfo misterioso.
Eram aproximadamente quinze orcs de sangue negro que grunhiam e gritavam, tentando arrancar qualquer reação daquele ser que mais parecia uma estátua de gelo, nada.
Quando finalmente um orc tomou coragem e se aproximou teve seu braço e sua cabeça decepados por um raio de luz prateada.
Shuit não acreditou no que seus olhos viram a seguir!
Com movimentos harmoniosos, como um baile mortal, o youkai de prata foi derrotando aqueles que o cercavam.
Como um raio de luz mortal, o youkai prateado girava seu corpo e sua espada, leve como um floco de neve ao sabor do vento e mortal como o gelo cortante.
Não era possível saber o que apavorou mais os youkais malignos, a habilidade com a espada ou o belo rosto sem qualquer traço de sentimento.
Shuit ficou tão maravilhado com a cena que se esqueceu de lutar. O jovem samurai teria sua cabeça cortada por um orc se não fosse a providencial intervenção de Legolas, que matou a besta antes que o ato se consumasse.
Foi então que, como se o próprio Oromë tivesse voltado a cavalgar na Terra-Média, um novo grupo de elfos, altos e imponentes, com lustrosos cabelos negros, montados em seus belos cavalos veio em socorro dos primeiros.
As malignas criaturas, tomadas de total pavor, começaram a fugir de forma completamente desorganizada, mas foram caçadas implacavelmente pelos novos combatentes.
XXX
Shuit acompanhou o capitão, que caminhava em direção ao elfo prateado, o samurai sabia que a curiosidade era o pior de todos os seus defeitos, mas ele precisava vê-lo de perto.
Shuit ficou nas pontas dos pés para espiar sobre os ombros do capitão, ele não acreditou no que seus olhinhos negros avistaram, o youkai prateado era uma dama de incrível beleza.
Legolas se aproximou silenciosamente de Nindë Ancalímon, ele sempre se sentia intimidado diante de sua postura altiva e fria.
'Suas vestes estão maculadas com sangue negro, minha senhora.' Antes mesmo de completar a frase Legolas se recriminou por dizer algo tão estúpido.
Nindë olhou para o príncipe, e para espanto de Legolas, franziu o cenho.
O capitão acompanhou o olhar da elfa e deparou-se com o humano que lutara lada á lado com ele há pouco, o movimento repentino de Legolas fez o humano, que estava na ponta dos pé, ir ao chão levando o capitão com ele.
Legolas agradeceu aos Valar quando viu os elfos de Rivendell retornando, mas quando percebeu a presença dos gêmeos entre eles, tentou se levantar rapidamente aquela situação era constrangedora o suficiente, não havia necessidade de ficar pior.
'Está caindo de maduro, verdinho?' Perguntou o gêmeo mais novo.
Legolas ignorou a provocação, preferiu ajudar o humano, que ainda estava no chão, a se levantar.
'Cai de maduro ainda arrasta uma pobre criatura com ele!' Provocou mais um pouco Elrohir. ' Tsc, tsc! E ainda se diz um elfo!'
Legolas lançou um olhar indignado ao amigo, provocando o riso no gêmeo mais novo.
'Pare de atormentá-lo, Elrohir! Não vê que ele e todos os outros estão esgotados?' Ralhou Elladan.
Legolas sorriu, a verdade é que ele adorava as brincadeiras de Elrohir, assim como as de Angrod.
'Muito obrigado pela providencial ajuda, amigos.' Legolas pos a mão no coração e inclinou-se. 'Eliminaram todos os inimigos?'
'Infelizmente alguns escaparam.' Respondeu Elladan com pesar.
'O que os trazem tão longe de suas terras?' Perguntou o Príncipe, tentando esconder seu embaraço, por ter levado um tombo diante da lendária elfa.
'Fomos rebaixados a guarda costas.' Afirmou Elrohir, fingindo-se indignado.
'De quem?' Perguntou Legolas. Voltando-se para Nindë, surpreso por ela necessitar de guarda costas.
'Não meus guarda costas, elfo tolo!' Informou a elfa com sou voz musical. ' Dela!' Apontou com um movimento de cabeça.
Legolas olhou na direção indicada, e viu Aranel.
Então tudo desapareceu, os elfos, os humanos, os corpos esparramados no chão, todo o campo de batalha havia desaparecido! Só havia aquela luz envolvendo a bela elfa como o entardecer nos Portos Cinzentos. Os cabelos negros lisos eram como a noite estrelada, os olhos azuis como o mar em dia de sol, o vestido branco esvoaçava e um delicioso cheiro de maresia entorpecia os sentidos de Legolas.
'Dá pra sair de perto dessa elfa branquela!' A voz irritada da noiva despertou o príncipe do seu devaneio, a elfa de cabelos negros puxou Legolas pelo braço afastando-o da elfa de cabelos brancos.
'Valar dá-me paciência.' Pediu Nindë olhado para o céu. 'Aranel Ringëril, não me envolva em suas crises de ciúmes, pois seu elfo não me interessa em hipótese nenhuma.'
Dizendo, isso Nindë afastou-se lentamente do grupo, sob os olhos atentos de Elladan.
Continua...
Texto original da lenda do despertar dos elfos no site Dúnvendor-Um Tributo a Tolkien
Como expliquei no outro making of. as três primeiras páginas desse capítulo eram originalmente do capítulo anterior.
Essa mudança facilitou muito minha vida porque, juntando essa parte com o que já estava pronto o capítulo estava completo, só restava a árdua tarefa de digitar (eu preciso aprender a digitar mais rápido com urgência), pelo menos era o que eu achava.
A maior dificuldade foi escrever a cena da audiência com o Rei. Por mais que eu pensasse não conseguia imaginar a roupa da Nadeshiko, felizmente eu tenho um livro de contos e lendas japonesas com gravuras lindíssimas, usei uma daquelas gravuras com inspiração (praticamente um plágio) para ser a roupa dela ;D
Sobre os personagens:Rei Thranduil- Não pensei que tivesse que falar dele.
O Rei Thranduil dessa fic não é tão diferente assim do Thranduil da fic da Sadie (pelo menos a meu ver). A diferença é que esse não esconde seus sentimentos.
Ele é um Rei muito amado por seu povo e muito justo (favorecimento é uma palavra desconhecida para ele), em seu reinado Thranduil mantém seu povo seguro numa floresta dominada pelo mal.
Ele e o filho estão sozinhos (como família), por isso eles são tão unidos. Vou falar mais sobre essa história nos próximos capítulos, embora tenha dado uma pequena pista em A Patrulha.
Giby a hobbit
que continua odiando janelinhas (principalmente as infectadas com spyware).
