Errata:

No capítulo anterior o Legolas falou sobre as espadas gêmeas dele, mas na verdade ele usa adagas, desculpa povo eu não entendo nadinha de armas brancas.

Aviso aos Navegantes

Sobre as palavras em japonês "chichi" e "haha", segundo o site que eu uso para pesquisar essas palavras elas significam respectivamente pai e mãe. Mas se não me engano essa seria a forma como as crianças pequenas chamam os pai. Como aqui nos falamos papai e mamãe, por isso adotei essa tradução.

Sobre a medicina dos elfos, eles eram mais avançados que os humanos, mas, mesmo assim, seus métodos de cura deveriam ser bem primitivos (é nisso que eu acredito).

Para criar a medicina élfica nessa fic tomei como base a medicina popular (os famosos chazinhos da vovó) e técnicas médicas usadas no passado (uma coisinha ou outra que eu vi num documentário).

Acho que é só!

Obrigada a todos (ou devo dizer todas) que lêem essa fic.

Agradecimento especial a minha amiga borboleta, também conhecida como Sadie! Foi o talento dessa maravilhosa escritora que me incentivou o voltar a escrever!

Este capítulo é dedicado a minha querida Lady Eowyn também conhecida como Dani de Rohan.

Dani, Você me mostrou que ainda vale a pena sonhar, pois os sonhos podem se tornar realidade, muito obrigada.

05- A idade certa para amar

Nindë passou por Elladan, o elfo franziu o cenho e observou a elfa com olhos de curador. Ele a acompanhou a uma boa distância, quando estavam longe o suficiente da balburdia causada por Aranel, o elfo apertou o passo e, antes que Nindë pudesse esboçar qualquer reação, segurou em seu braço, puxando-a para perto de si.

'Nindë Ancalímon, não adianta tentar se esconder!' Disse lançando-lhe um olhar severo. 'Eu sei que você está ferida.'

'Nada que eu não possa cuidar sozinha.' Ela olhou ao redor, havia muitos guerreiros feridos, alguns com gravidade. 'Seus serviços são necessários em outro lugar' Afirmou ela com convicção.

'Meus serviços são necessários aqui e agora.' Dizendo isso ele abriu a capa dela revelando a flecha orc logo abaixo do seio direito, que ela tentava esconder. Como a senhora pretendia tratar disso? Transpassar a fecha e quebrar a ponta para tirar a haste?'

Ela abriu a boca para retrucar, mas foi interrompida pelos gritos da Nadeshiko.

'Kenji! Seja forte!'

'Enok!' Chamou Angrod. 'Ele está ferido! '

O samurai havia recebido um golpe de espada nas costas, golpe que estava destinada a Nadeshiko.

Enok, que estava coordenando a montagem do acampamento, correu para acudir o samurai.

'Vá ajudar o humano. Sou uma elfa! Posso perfeitamente suportar uma simples flecha.' Disse afastando-se.

Elladan segurou o braço da elfa com mais força.

'Enok é eficiente! Ele pode cuidar de tudo sem a minha ajuda.'

Ela o encarou nos olhos.

'Se a senhora está constrangida em se despir aqui para que eu possa tratá-la, podemos providenciar um abrigo, ou alguma coisa parecida.'

Nindë encarou Elladan, depois de uns instantes de silêncio ela suspirou resignada.

'Não há necessidade.' Respondeu desviando os olhos. 'Onde eu devo ficar?'

Elladan colocou seu braço entorno dos ombros dela e começou a procurar o melhor lugar para tratar dos feridos. Mas Enok já havia providenciando isso, o elfo de Mirkwood comandou com maestria a montagem do acampamento numa área mais distante, onde os vestígios da batalha não eram muitos. Madeira era trazida para a fogueira, os corpos dos inimigos eram empilhados em um ponto mais distante, aqueles que ainda estavam vivos eram executados.

Os elfos e humanos feridos estavam sendo reunidos sob a copa de uma grande árvore. Era para lá que Angrod e Enok estavam levando o humano desacordado.

'Venha!' Disse, guiando-a com delicadeza. 'A senhora está certa, terei muito trabalho essa noite.'

XXX

Shuit ajudava, empilhando os corpos dos inimigos, que eram muitos e alguns bem pesados. Era o caso daquela criatura que o pequeno samurai tentava arrastar, ele já estava cogitando a possibilidade de deixar o mostro ali mesmo quando um daqueles novos youkais veio ajudá-lo. Era aquele youkai que tinha um outro igualzinho.

'Youkai, não, Shuit!' Pensou ele. 'Elfo! Como a Nadeshiko ensinou.'

Elrohir e Shuit arrastaram o orc absurdamente grande para a pilha que estava sendo preparada para queimar.

Aquele era um dos últimos cadáveres.

Terminado o trabalho, as piras foram acesas, Shuit olhou para onde Kenji recebia os cuidados de Enok, auxiliado por Nadeshiko. Próximo a eles estava o elfo de cabelos negros, se preparando para tirar a flecha do corpo da elfa que se chamava Nindë.

XXX

Elladan ajoelhou-se ao lado de Nindë.

'Já adiei demais seu tratamento!' Ele trazia uma caneca com um chá verde, viscoso e de aroma desagradável.

Nindë tomou a repugnante bebida sem fazer careta.

Enquanto Elladan esperava uns instantes até que o analgésico fizesse eleito, pegou uma caixa em seu alforje, nele haviam vários cilindros de metal cuja borda eram muito afiadas. Ele escolheu um deles e aqueceu-o no fogo até o metal ficar vermelho, nesse ponto mergulhou-o um recipiente com água limpa. O metal incandescente chiou em contado com o líquido.

'Vai doer um pouco, mesmo com o analgésico.' Avisou.

Ele quebrou a ponta de penas e introduziu o cilindro na haste da flecha cuidadosamente, quando alcançou a pele ele começou a girar a peça para que penetrasse com mais facilidade.

Nindë sentiu o instrumento avançar milímetro por milímetro em sua carne, apesar da desagradável bebida que supostamente era um analgésico, a dor era insuportável.

Elladan via a elfa, famosa por sua habilidade de ocultar seus sentimentos, o que lhe valeu os apelidos de Elfa das Neves ou Elfa de Gelo, pressionar os lábios e fechar os olhos com força, tentando administrar a dor.

'Falta pouco.' Disse ele tentando consolá-la, e sentindo-se um idiota por isso. 'Estou quase alcançando a ponta da flecha.'

Nindë abriu os olhos por uns instantes e encarou os de Elladan, azul confrontando azul, para deixar claro que ela entendia, e depois tornou a fechá-los. Foram apenas alguns segundos, mas para Elladan pareceu uma eternidade, ele ficou completamente perdido naqueles olhos azuis, mas o curador falou mais alto e o elfo continuou o trabalho.

Foi com grande alívio para os dois quando Elladan finalmente alcançou a ponta da flecha, retirando-a rapidamente.

'A parte mais difícil já acabou.' Suspirou ele enquanto afastava uma mecha de cabelos do rosto da elfa. 'Agora é só limpar bem e tratar.' Sorriu ele.

XXX

Com o amanhecer veio o alívio da certeza de algumas horas de tranqüilidade, já que os orcs detestavam a luz do sol. Mas os próximos passos deveriam ser estudados, por isso uma reunião estava sendo feita com representantes de cada companhia.

"O que está acontecendo, Legolas?" Perguntou Elrohir. "Esta era uma área tranqüila! Desde quando os orcs tomaram essa região? Por que não pediram ajuda?" O Elfo confrontava o amigo loiro.

"Paz, irmão!" Disse Elladan segurando Elrohir pelo ombro. "Vamos ouvi-lo"

"De fato. Os ataques dos orcs estão ficando mais e mais freqüentes." Legolas trazia um ar de preocupação no belo rosto. "Não sabemos quais são seus objetivos, mas eles estão se aproximando perigosamente de nossas fronteiras."

"Essa era uma região tranqüila, por isso estávamos com um grupo tão pequeno." Completou Angrod.

"Resumindo, não estamos seguros aqui." Constatou Anwar. "A partida deve ocorrer o mais rápido possível."

"Mas e os feridos?" Perguntou Nadeshiko, chamando a atenção dos elfos para si. Ela trazia no rosto um ar de preocupação que destoava de seu jeito habitual.

Anwar posou a mão na cabeça da menina e inclinou o corpo para encará-la nos olhos.

"Não se preocupe, minha pequena. Eles serão levados com muito cuidado para um lugar seguro." Ele sorriu.

Nadeshiko ficou impressionada com o elfo, ele era diferente dos outros, sua pele tinha um tom dourado, os longos cabelos negros estavam presos em varias pequenas tranças, os olhos eram como raras perolas negras, o sorriso aberto de dentes muito brancos iluminava o rosto, mas o que mais surpreendeu Nadeshiko foi o fato de ele ter barba!

Anwar riu, ao ler a surpresa estampada nos olhos da menina.

"Fique tranqüila pequena, eu tenho um plano."

XXX

Anor estava iniciando a segunda metade de sua viagem, quando o grupo levantou acampamento. O plano de Anwar era simples, um grupo de batedores partiu horas antes com a missão de pedir que uma patrulha de resgate os encontrasse trazendo equipamentos adequados para transportar os feridos.

Anwar e era um elfo de soluções simples e, apesar do ceticismo dos outros, havia conseguido por seu plano em prática e agora estava cavalgando a frente da comitiva, crivando Legolas de perguntas sobre os humanos que os acompanhavam.

Enok levava Kenji no seu cavalo, o samurai estava inconsciente sob o efeito da beberagem administrada pelo elfo curador.

Nindë era levada por Elladan. A elfa se recusara a tomar qualquer coisa que a fizesse dormir, apesar da dor que sentia ser agravada pelo movimento cadenciado do cavalo, ela queria estar desperta para o caso de um novo ataque.

Não demorou muito para o grupo alcançar a Floresta das Trevas, mas no lugar do alivio do retorno ao lar o que eles encontraram foi mais batalha.

Assim que a patrulha entrou na floresta, um grande grupo de aranhas os tomou de assalto.

Mas os elfos estavam preparados para o pior, imediatamente um grupo de arqueiros formou um cinturão protetor em torno dos feridos e começou a atirar com precisão, até que todas as flechas se acabassem. Então chegou a vez das espadas, elfos de Mirkwood, Rivendell e dos Portos Cinzentos espalharam-se pela floresta lutando pelas suas vidas e de seus amigos feridos.

As aranhas tentavam a todo o custo capturar os feridos usando suas teias, que eram lançadas a distancia.

Aranel, Nadeshiko e outros elfos trabalhavam incansavelmente, cortando as teias e libertando as vítimas.

Distraídos pelo trabalho ninguém percebeu quando uma aranha sorrateira se aproximou perigosamente de Kenji. A horrenda criatura estava prestes a dar o bote quando Nindë, contrariando as ordens de Elladan, saltou sobre ela e fincou seu punhal na carne do animal que guinchou e sacudiu o corpo atirando a elfa contra uma árvore próxima, a força do impacto fez com que ela perdesse os sentidos.

Aranel continuava a cortar as teias, quando uma enorme aranha saltou sobre ela em ataque, mas o bicho foi impedido em pleno salto por Legolas, que atirou sua adaga abatendo o animal.

Após atirar uma de suas adagas, Legolas ficou vulnerável, e aproveitando-se disso uma aranha derrubou-o, Aranel que presenciando a cena, arrancou a adaga do amado do corpo da aranha e correu para salvá-lo.

'Sai de perto do meu elfo, bicho peludo!' Ela fincou a adaga até o cabo no corpo do animal. 'Só eu posso agarrar este elfo, sua coisa feia!' A aranha esperneou uns instantes, para depois ficar inerte, sem vida.

Legolas retirou com dificuldade a adaga do corpo do animal e a entregou para a noiva.

'Aranel, crise de ciúmes agora não!' Bronqueou. 'Proteja-se.' Pediu, encarando-a nos olhos e voltou para a batalha.

Nindë estava vulnerável, como nunca esteve na vida, pelo menos era isso que a aranha que tentou atacar a elfa inconsciente pensava, antes de ser morta pelos gêmeos de Rivendell.

A luta foi difícil, mas os elfos saíram vitoriosos e desta vez sem baixas.

Eles retomaram a viagem e encontraram a patrulha de resgate, que vinha com macas para levar os feridos. Em poucas horas eles estavam na segurança do palácio.

XXX

Nindë sentiu a consciência voltar a seu corpo, e com ela o mal estar. Ela estava deitada numa confortável cama, o corpo encharcado de suor e assolado por tremores.

Ela sentiu que seu estômago revirava, então começou a respirar fundo, os olhos fechados, concentrada na respiração. Inspira, espira, inspira, espira. Na vã esperança do enjôo passar.

Sentiu o bolo subir pela sua garganta, Nindë cobriu a boca com a mão e girou o corpo para fora do colchão e vomitou, ela sentiu alguém segurar seus cabelos e massagear suas costas com movimentos circulares. Quando terminou o acesso, ela deixou seu corpo cair onde estava. A elfa foi acomodada sobre os travesseiros. Ela sentiu alguém limpando sua mão com um pano úmido, ouviu o barulho deste sendo mergulhado na água e lavado, para em seguida senti-lo sobre seus lábios, Nindë abriu os olhos e viu o rosto de um dos gêmeos de Rivendell.

Elladan sorriu complacente.

'Veneno orc?' Ela perguntou num fio de voz.

'Na verdade é o antídoto que está te fazendo passar mal, mas esse é o objetivo, o veneno tem que sair de seu corpo. ' Elladan afastou uma mecha de cabelo do rosto da elfa e acariciou-o com as costas da mão.

Ele devolveu o pano à bacia de prata na mesa lateral e pegou uma caneca.

'Você tem que tomar mais uma dose do remédio.' Disse ele, erguendo a elfa. 'Desta vez ela está completa. ' Afirmou enquanto ela tomava os primeiros goles. 'Alem do suor e do vomito, vai provocar um desarranjo intestinal... ' Ao ouvir essas palavras Nindë cuspiu a bebida.

'Não faça manha, você tem que beber isso. ' Ralhou ele.

'E perder o resto de dignidade que eu tenho?' Ela retrucou.

'É para o seu bem, qualquer traço do veneno que estiver em seu corpo pode ser fatal. ' Argumentou ele, mas a elfa continuava a se recusar.

'Elladan.' Chamou Melimë na porta do quarto.

O elfo devolveu a caneca ao seu lugar de origem e foi ter com a curadora.

'Elfo tolo!' Sussurrou ela. 'Não vê que ela esta constrangida em ser tratada por você?'

'Bobagem! Estou aqui como curador e não como elfo! E ... 'Ele foi impedido de continuar a frase por um gesto da elfa.

'É por isso que a profissão de curador é destinada as elfas.' Resmungou ela.

Elladan tentou argumentar, mas foi interrompido por outro gesto impaciente da elfa.

'Vá ajudar Enok a cuidar do humano.' Mandou. 'Deixe que eu, pessoalmente, cuido desta elfa.' Dizendo isso ela empurrou Elladan para fora do quarto e fechou a porta.

Elladan olhou alguns instantes para a porta fechada, balançou a cabeça negativamente, suspirou e foi ajudar Enok.

XXX

Enok tentava fazer baixar a febre que assolava o samurai usando um pano que ele umedecida de quando em quando.

Em seu delírio Kenji repetia sempre à mesma palavra, como se estivesse recitando um mantra.

'Hoshi, Hoshi, Hoshi...'

Elladan entrou no quarto e se surpreendeu com a cena.

'A febre surgiu de repente e veio muito alta.' Disse Enok enquanto Elladan se aproximava em passos rápidos da cama. 'Já pedi para providenciarem um banho frio para ele.'

Ciente da situação, Elladan começou a despir o samurai que continuava a murmurar.

'Hoshi, Hoshi, Hoshi...'

'Hoshi, Hoshi, Hoshi...'

Kenji corria para alcançar a criança que estava muito à frente. Era uma menina pequena de uns três, ela usava um quimono azul decorado com delicadas sakuras(flor de cerejeiras), as tranças que prendiam os cabelos já estavam praticamente desfeitas pela correria da pequena, que insistia em ignorar o chamado do samurai.

Kenji não conseguia alcançá-la.

'Impossível!' Pensou ele. ' Ela é pequena, não pode correr mais que eu!' O Samurai já sentia o desespero tomar conta de seu coração.

'Hoshi!' Gritou ele em plenos pulmões.

A menina voltou se e acenou, sua risada infantil enchendo o ar tal qual uma bela musica.

'Chichi (papai)!' Gritou a pequena em resposta, e voltou a correr.

Kenji estava aflito, pois a filha se afastava demais.

De repente, começou a chover, uma chuva tão pesada que em segundos o samurai estava completamente encharcado.

Então um grupo de orc surgiu do nada cercando a pequena que estagnou assustada. Hoshi fechou os olhos com força, agachou-se abraçando o próprio corpo e começou a gritar.

'Chichi! Haha (Mamãe)!'

Não houve tempo de Kenji alcançar a filha, os orcs atiraram-se sobre a indefesa presa...

Kenji despertou, seu corpo estava mergulhado numa banheira, ele estava confuso e olhou assustado para Elladan, o elfo de Rivendell sorriu e pousou suavemente a mão sobre o peito do humano.

'Paz, amigo!' Disse com sua voz harmoniosa.

Kenji não entendeu o que o elfo havia dito, mas o gesto e o tom de voz, de alguma forma devolveram-lhe a paz.

Enok agradeceu mentalmente pelo humano ter voltado à consciência enquanto fazia o samurai beber um remédio.

XXX

Nadeshiko estava sentada aos pés de um salgueiro, suas longas folhagens chegavam quase até o chão, formando uma cortina verde ao redor da árvore, lugar perfeito para quem não quer ser visto.

Ela tinha o olhar perdido, a mente vagando pelo passado recente.

O cerco em torno de Angrod, Nadeshiko e Kenji estava se fechando, a batalha parecia perdida! Nadeshiko utilizava todos os seus conhecimentos da arte samurai para se defender, os movimentos eram harmoniosos, a espada longa estreita e curva era uma extensão do corpo da menina. A aparente delicadeza da arma da espadachim contrastava com a habilidade mortal de sua proprietária.

Os inimigos eram muitos, e Nadeshiko não percebeu um orc traiçoeiro que se aproximando por traz, ergueu sua espada contra ela.'Nadeshiko! Cuidado!' Gritou Kenji. O samurai correu e abraçou a garota usando o próprio corpo como escudo.

O orc golpeou o humano com toda a sua força, mas não teve oportunidade de repetir o feito, pois Angrod atirou sua adaga atingindo a criatura no pescoço, o monstro tombou ferido mortalmente.

Para Nadeshiko a realidade adquiriu outras cores, como se um véu cobrisse seus olhos deixando tudo enevoado, os sons das espadas bramindo e dos gritos dos combatentes estavam distantes, abafados. Ela nem percebeu quando o reforço élfico chegou, definindo a luta em favor dos de seu grupo.

Nadeshiko despertou de suas dolorosas memórias quando silenciosa elfa sentou-se ao seu lado.

"Olá, pequena. ' Saudou Aranel. ' Escondida?"

Nadeshiko encolheu as pernas e abraçou-as, escondendo o rosto atrás dos joelhos.

Aranel observou a menina por uns instantes.

"Estranho, a humana que Legolas me descreveu não se parece em nada com a que está do meu lado neste momento."

Nadeshiko se mexeu, atingida pelas palavras da elfa, que sorriu ao perceber que tinha alcançado seu objetivo, pelo menos em parte.

"A humana que Legolas me descreveu é forte, corajosa, inteligente e curiosa, onde ela está agora?"

"Bem aqui." Respondeu Nadeshiko com voz abafada.

A elfa sorriu por ter conseguido arrancar alguma reação da humana e encostou a cabeça no salgueiro, fechando os olhos.

'Como vou abordar um assunto tão delicado?' Pensou Aranel suspirando.

A atitude da elfa chamou a atenção de Nadeshiko, que levantou o rosto o suficiente para poder olhar para ela. A elfa era realmente muito bonita, um perfil delicado, os cabelos negros exalavam um aroma que lembrava a viagem de barco que ela e seus companheiros fizeram ao partir das terras do Imperador.

"Você cheira a mar." Falou Nadeshiko.

Aranel sorriu.

"O Angrod diz que eu estou o tempo todo fedendo a peixe." Ela riu. "Mas o Legolas gosta." Ela piscou.

"Eu também gosto, me traz boas lembranças." Disse a menina.

Elas ficaram em silencio por mais algum tempo, ouvindo o canto dos pássaros.

"Você é uma princesa?" Nadeshiko quebrou o silêncio.

"Acho que não! Eu sou uma prima distante de Círdan, O Armador, ele é o Guardião dos Portos Cinzentos onde eu vivo, é por isso que eu tenho cheiro de peixe como diz o Angrod." Ela riu. "Porque você pensou que eu era uma princesa?"

"Você está comprometida com o Príncipe, né?"

Aranel riu com o comentário.

"Você já entregou seu coração a alguém, Nadeshiko?"

Nadeshiko ficou em silêncio por poucos segundos, mas para Aranel pareceu uma eternidade.

"Sim, mas meu coração pertence a alguém que não pode ser meu."

Aranel sentiu um arrepio na espinha. Ela tentou disfarçar, mas a perspicaz japonesa percebeu.

"Fique tranqüila. Os sentimentos que tenho pelo príncipe são da mais pura amizade." Disse ela com um sorriso triste.

Aranel franziu o cenho.

"Aquele que eu amo não pode ser meu porque é casado."

O silêncio se fez presente novamente.

Aranel começou a acariciar os ramos do salgueiro.

"Deve pensar que sou uma tola, que sou jovem demais para entender o amor." Disse a menina tornando a esconder o rosto atrás dos joelhos.

Aranel parou o que estava fazendo e se aproximou mais um pouco da humana.

"O amor não conhece idade, minha pequena Nadeshiko." Disse enquanto deslizava as costas dos dedos pelos cabelos da menina. "Nem a distância, nem o tempo. Ele simplesmente vem e se instala em sua alma." Um belo sorriso iluminou seu rosto."Nós elfos costumamos encontrar nossos parceiros destinados ainda na infância, por isso eu sei que você não é uma tola."

"Você e o Legolas se apaixonaram ainda crianças?" Nadeshiko ergueu o rosto para encarar Aranel nos olhos

A elfa sorriu novamente e seus olhos se perderam em lembranças de um tempo distante.

A pequena Aranel corria pelos jardins de Rivendell, fugindo de um dos gêmeos Els, ela nunca sabia quem era quem, o danado insistia em ficar fazendo cócegas nela, por isso Aranel fugia.

Rivendell estava em festa era solstício de verão, por isso Lorde Elrond convidou todas as crianças élficas, que era poucas, para a comemoração.

À principio a idéia parecia boa, mas ter uma dúzia de crianças explorando, era deveras cansativo. Eram apenas doze elfinhos, mas em alguns momentos pareciam um milhão.

Aranel finalmente foi alcançada pelo gêmeo malvado que passou a torturá-la com cócegas.

'Angrod, não monta no Tornado!' Ouviu-se o outro gêmeo gritar, vários adultos correram para tentar impedir a traquinagem do elfinho, que insistia em montar o cavalo mais arisco de todo o estábulo, incluindo ai o torturador.

Aranel aproveitou a oportunidade para fugir sem rumo, mas quando ela passou por um arbusto florido foi puxada e mergulhou nas flores azuis, sua boca foi coberta para que ela não gritasse, por uns segundos a elfinha pensou que fosse um orc, como aqueles que os adultos falavam tanto. Mas quando ela abriu os olhos viu um par de olhos azuis, como o das flores que os cercavam.

Aranel tomou fôlego para dizer algo, mas ele colocou o indicador sobre a própria boca, pedindo silêncio e indicou o pátio com um gesto de cabeça.

Elrohir havia voltado ao pátio, ele procurava por Aranel.

'Que coisa, perdi uma elfinha!' Elrohir começou a caminhar em direção ao esconderijo dos elfinhos.

Ele estava bem próximo quando a voz de Elladan se fez ouvir mais uma vez.

'Cuidado, El!' Elrohir precisou usar toda sua habilidade élfica para escapar do cavalo que vinha à galope, montado pelo travesso Angrod.

'Não acredito! Ele conseguiu montar o Tornado?'

'Não fica ai parado!' Gritou Elladan enquanto passava pelo irmão, correndo atrás de cavalo. ' Me ajuda a resgatar esse elfinho maluco. Se acontecer alguma coisa com ele nosso ada nos manda para Valinor, e não vai ser de barco.'

Aranel viu os dois elfos desaparecerem numa curva.

Legolas pegou na mão da elfinha e correu em direção contrária.

"Foi assim que nos conhecemos, no mesmo dia Legolas comunicou ao Rei que iria se casar comigo quando a época chegasse."

"Quantos anos vocês tinham?"

"Éramos bem novinhos, eu tinha cinco e o Legolas dez."

"Então ele não era tão pequeno assim, eu tenho treze."

"Dez é muito pouco para um elfo!" Riu ela. "Fisicamente parecíamos crianças pequenas, eu parecia ter uns dois anos e ele três."

"E quantos anos vocês têm agora?"

Aranel começou a rir.

"Parei de contar depois dos cinqüenta!" A elfa riu ainda mais com a cara de surpresa da menina. "Atingimos a idade adulta aos cinqüenta anos, por isso só me interessei em contar até ai."

A elfa parou de rir, abraçou as próprias pernas e suspirou.

"Geralmente nós elfos nos casamos nessa idade, mas Legolas decidiu esperar." Ela olhou para a humana. "Acho que ele teme perecer nesse período em que as garras do mal estão se estendendo pela Terra-Média e me deixar sozinha." Ela apoiou o queixo nos joelhos.

"Quando nos casamos é por toda a eternidade, se um dos parceiros morrer, o outro fica sozinho até o fim dos tempos." Explicou ela.

"É por isso que o Rei não se casou depois que ficou viúvo?"

"Sim, quando nos casamos é por toda a eternidade,como já falei, pois não é apenas nosso corpo que está casando, mas nosso espírito também."

"E se um morrer, como aconteceu com a rainha? É muito triste pensar que o Rei vai ficar separado de sua amada até o fim dos tempos." Disse a menina com lágrimas nos olhos.

Aranel puxou a humana e a aconchegou em seus braços até.

"O Rei sabe que um dia ele vai se encontrar com a Amada Imortal dele, era assim que ele a chamava." Lágrimas brotavam dos olhos da elfa, mas ela sorria. "Não existem barreiras para o amor verdadeiro. Eu acredito nisso! Não existe tempo nem espaço, os laços do amor são eternos e não há mãos nesse ou em qualquer outro mundo que possa desfazê-lo."

"É a isso que eu me agarro, na esperança que em uma outra vida meu amor não encontre barreiras tão intransponíveis." Ela reprimiu um soluço. "Eu sou uma fraca por sofrer assim."

"Não é não! Se Legolas pertencesse à outra provavelmente eu já teria definhado de tristeza." Aranel ergueu o rosto da menina com delicadeza. "Se Legolas estivesse ferido, como o humano que está sob os cuidados de Enok, eu estaria aos prantos nos braços de alguém."

"Mas como? Eu não disse nada." Nadeshiko estava surpresa.

"Você não pode esconder um sentimento tão forte como esse de alguém que o conhece tão bem." Aranel colocou a mão sobre a cabeça da humana fazendo com que ela a apoiasse em seu ombro. "É por isso que estou aqui, para que você possa chorar até a dor diminuir, até ela voltar a ficar suportável."

Continua...

Making of.

A Patrulha

Esse capítulo foi a visão do Senhor do Escuro tendo um piriri!

Iluvatar, que capítulo difícil de sair! Ainda bem que minha beta, não deixou postar a versão original, delicadamente dizendo que não estava bom!

A coisa estava tão complicada que eu apelei para uma segunda beta, a Lore ( que me deu ótimas dicas). Agradeçam às duas, porque se não fosse por elas eu teria desistido de vez!

Resumo da ópera, a idéia original foi para o saco! Com isso personagens que só apareceriam no final da fic surgiram agora, aqueles que deveriam só fazer volume ganharam voz própria e exigiram seus direitos de personagens, entre outras coisinhas.

Com isso devo dizer que uma revisão dos primeiros capítulos vai ser necessária. Aguardem!

Sobre os personagens

Samurai Kenji: No passado era tradição no Japão. Quando um acordo era selado entre dois inimigos eles trocavam um parente próximo, a mãe, um filho, etc.

Na casa do seqüestrador o refém teria o mesmo tratamento que teria se estivesse com sua família

Kenji é filho de uma família de aristocratas.

Depois de muitos anos de brigas, o patriarca da família fez uma aliança com uma família rival e para selar o acordo houve a tradicional troca de reféns. Kenji foi enviado como refém aos três anos de idade. Na casa de seu seqüestrador ele recebeu a mesma educação que teria em casa. Aos quinze anos, idade em que os samurais atingem a idade adulta, Kenji jurou fidelidade ao seu seqüestrador, o único pai que conheceu, e se casou com a única filha dele, Keiko, com quem teve uma filha de três anos, Hoshi.

Kenji se apaixonou por Nadeshiko no dia em que a conheceu, mas como ele é muito honrado, guardou esse sentimento no fundo de sua alma e continuou casado, respeitando e cuidando de sua família.

Keiko sabe que o marido ama outra, mas sabe também que ele jamais a abandonará, pois ela lhe deu o maior de todos os tesouro, Hoshi, sua estrelinha (Hoshi significa estrela).