Nota da Autora: Chegamos ao capítulo final. Eu peço desculpas pela demora.

Peço desculpas também pelo fato do Aoshi ter ficado um pouco OOC nesse capítulo... Minha prima teimou em dizer que o "Iceberg" jamais ajudaria uma velhinha a juntar suas coisas... Bom, de certa forma eu concordo com ela. Mas vamos imaginar que ele ficou mais sensível à dor alheia depois do desaparecimento e morte da Misao...

Novamente, agradecimentos especiais à Kitty, por ter paciência com essa prima chata, e a Li, por ter paciência com essa amiga chata!

Disclaimer: Rurouni Kenshin e seus personagens não me pertencem... Aoshi seria ais humanos e fácil de lidar se eu fosse a autora!

Escute seu coração

Aoshi caminhava sem rumo pelas estradas de Hokkaido. Dois dias se passaram desde que chegara à ilha, e ainda sentia-se atordoado com tudo o que acontecera.

Havia deixado uma mensagem para que a mulher do prostíbulo enviasse ao Aioya, avisando a todos sobre Misao, e pedindo que viessem para Hokkaido providenciar os ritos funerais. E avisando Okina que não iria mais voltar. Não sabia o que faria dali para frente, ou para onde iria, mas sabia que não podia mais voltar para o Aioya. Sentia-se culpado demais pela morte de Misao, para que pudesse voltar para casa. Sabia que ninguém o culparia, e isso era ainda pior.

Tinha decidido que não voltaria mais para Kyoto, mas não sabia muito bem para onde ir. Se ficasse em Hokkaido por muito tempo, provavelmente Okina acabaria o encontrando, e isso era o que ele menos desejava. Entretanto... Algo o impedia de ir até o porto e pegar o primeiro navio que aparecesse... Era como se alguma coisa... O estivesse mantendo ali, naquela ilha.

Naqueles dois dias, vagou sem rumo pelo interior de Hokkaido. Andou por cidades, vilarejos, bosques, sem ao menos perceber onde estava realmente... Tinha a mente vazia e uma dor no peito que insistia em não passar. E uma voz em sua mente que não parava de gritar 'A culpa é sua. Sua. Sua. Sua. Querendo protegê-la, você fez com que ela fugisse. E agora ela está morta! Você a matou! A culpa é sua!'

Nos poucos momentos de lucidez que ele se forçava a ter, realmente pensava que estava ficando maluco. Sabia que um ninja não podia ficar tão abalado com a morte, mesmo que fosse da pessoa amada. Fora treinado para sufocar seus sentimentos, fora treinado para lutar, contra todos e contra si mesmo, se necessário... Mas estava sendo um fraco, e sequer conseguia superar a dor da perda de Misao.

A dor que sentia era forte demais.

Seguindo com sua caminhada, Aoshi mal percebeu quando nuvens escuras cobriram o sol, e um vento frio começou a soprar. Só notou que estava se aproximando de um pequeno vilarejo quando passou por algumas casas na beira da estrada. Era uma vila pequena, e estranha... As casas tinham um aspecto velho e sujo, e pareciam desertas. Não havia as habituais crianças brincando pelas ruas, nem pessoas... Parecia abandonada. Aoshi sabia que eram comuns, em algumas partes do Japão, vilarejos abandonados, mas nunca havia passado por um como esse...

Deixando de lado a desconfiança, continuou sua caminhada. Estava atravessando o que parecia ser a rua principal do vilarejo, quando escutou um baque surdo, gemidos de dor, e uma tosse insistente. Era uma voz de mulher. Guiado pela curiosidade foi seguindo o som até uma estreita rua lateral. Uma senhora de idade avançada, cabelos completamente brancos, estava ajoelhada no chão, juntando algumas hortaliças que estavam espalhadas a sua volta. Aoshi apressou-se em ajudá-la. A velhinha parecia muito doente, não parava de tossir. O jovem ajoelhou-se ao seu lado, e ajudou-a a colocar as verduras novamente na cesta que ela segurava.

Aoshi percebeu que a velha senhora olhou para ele surpresa. Provavelmente não esperava receber ajuda, sabendo que a vila estava vazia. O jovem Okashira também notou que, apesar de velha e doente, aquela mulher tinha olhos astutos, e observava-o com atenção enquanto ele a ajudava.

"Muito obrigada, meu jovem... Minhas mãos já não são mais tão fortes quanto costumavam ser..." falou, com voz rouca, quando Aoshi entregou-lhe sua cesta, agora cheia novamente, e ajudou-a a levantar-se. "Você é muito gentil..."

Aoshi agradeceu com um aceno de cabeça, e já tinha se virado para ir embora, quando escutou a voz rouca da velha novamente.

"Mas você está sofrendo..."

Ele congelou ao ouvir aquelas palavras... Como ela poderia saber? Virou-se e encarou a velha senhora, sem proferir uma única palavra. Ela sorriu.

"Está escrito nos seus olhos. Você tem em seu coração a dor mais profunda que uma pessoa pode sentir. A dor da perda de um grande amor..."

Aoshi tentou não deixar transparecer, mas as palavras daquela mulher o atingiram como um soco. Quem era ela? Como ela sabia?

"Quem é a senhora?"

"Oh, sou apenas uma velha que já viveu demais... E conhece as dores do mundo... Eu sei o que você está sentindo, eu também já sofri com perda da pessoa amada..."

"A senhora não imagina o que estou sentindo" respondeu Aoshi, já pronto para se afastar novamente. Mas novamente, as palavras da mulher o fizeram parar.

"Culpa"

Desta vez o jovem nada disse. Apenas observou mais atentamente aquela velha franzina e enrugada, com roupas gastas, que parecia ter o poder de ler sua alma.

Novamente, ela sorriu.

"A culpa corrói o espírito e envenena a alma. Ela foi criada pelos deuses para ajudar o ser humano a admitir seus próprios erros, mas a culpa pela morte da pessoa amada... É uma dor que nem mesmo o pior dos demônios merece. A dor que você está sentindo, meu jovem, é grande demais... Mesmo com um passado coberto de sangue, você não merece um castigo assim... Você já admitiu sua culpa, você já se redimiu dos seus erros, só por agüentar essa dor. Agora, você merece a paz. Você me ajudou, e agora é minha vez de retribuir. Eu posso lhe ajudar a encontrar essa paz."

E dizendo isso, a velhinha tirou de dentro de uma pequena bolsa que carregava um cristal transparente, em forma de pêndulo. Aproximou-se de Aoshi e estendeu-lhe o cristal.

"Por favor, aceite."

"Não acredito em amuletos."

"Você tem alguma coisa a perder?"

Ela estava certa. Não tinha mais nada a perder. Além do mais, era uma simples pedra transparente, que mal poderia lhe causar? Aceitou por educação.

"Pense em algum momento da sua vida que você gostaria de mudar. Algo que você fez, e que se arrepende. Ou algo que deixou de fazer. E escute seu coração. Você vai entender quando a hora chegar."

Aoshi observou enquanto a velhinha se afastava, virando a esquina. Era sem dívida uma mulher estranha. Uma bruxa, talvez? Como podia saber tantas coisas a seu respeito? O jovem olhou para o cristal em sua mão, e lembrou das palavras dela. 'Um momento de minha vida que gostaria de mudar... Algo que deixei de fazer'. No mesmo instante, a imagem de Misao batendo a sua porta, há quase um ano atrás, e declarando seu amor, veio em sua mente. Foi naquele momento que sua vida mudou para sempre...

Então, tudo aconteceu muito rápido. O cristal na mão de Aoshi começou a brilhar, um brilho alaranjado e intenso. E a última coisa que o jovem ouviu, antes de ser tomado pela escuridão, foi uma voz rouca, que falava dentro de sua cabeça.

"Tente não fazer tudo errado desta vez, Aoshi-sama..."

ooooo

Chovia forte naquela noite.

Aoshi acordou sobressaltado. Ouvia batidas na porta. Olhou em volta, um pouco confuso... Estava em seu quarto, no Aioya. Era tarde da noite, e estava chovendo. Seu cérebro dava sinais de que alguma coisa estava errada, mas ele não conseguia identificar o que era...

As batidas na sua porta tornaram-se mais insistentes. Ele resolveu levantar-se e ver quem era. Se alguém estava batendo na sua porta àquela hora da noite, deveria ser algo importante...

Sentiu algo estranho, como se já tivesse vivido aquela situação antes, mas sua mente parecia estar envolta por uma densa névoa, e ele não estava conseguindo raciocinar direito... As batidas na porta continuavam, e ele achou melhor atender antes que acordasse a casa toda.

Misao...

Foi como se o raio que caiu lá fora o tivesse atingido. Todas as suas lembranças vieram à tona. A partida de Misao, meses sem notícia, sua viagem a Hokkaido, morta... Misao, morta... Dor, sofrimento, a velhinha na vila estranha... Era isso! Sua última lembrança era a velhinha lhe dando aquele amuleto, e dizendo que ele deveria pensar em algum momento de sua vida, e ele pensara justamente neste dia! O dia que, aparentemente, ele estava tendo a chance de viver de novo! Ou estaria apenas sonhando?

"Aoshi-sama? Você está me ouvindo? Você está bem?"

Olhou para Misao a sua frente. Ela estava dizendo alguma coisa, mas ele não prestou atenção. Sua Misao. Viva, saudável...

'Será que é mesmo um sonho? Parece... Tão real... Ela não está fazendo a mesma coisa que fez da outra vez... Claro, da outra vez eu apenas deixei ela entrar, não fiquei parado na porta encarando-a...'

"Eu... Posso entrar?" Perguntou a menina, corando levemente.

Aoshi concordou de leve com a cabeça, e deu um passo para trás, dando-lhe passagem. Não conseguia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo. Misao estava viva, bem, parada à sua frente, como a quase um ano atrás. Seria um sonho? Não... Era real demais para ser um sonho. Mas como ele pudera voltar no tempo? Como pudera voltar para o dia quem que sua vida desmoronara para sempre?

Lembrou-se das palavras da velha... 'Você já sofreu demais... Você me ajudou, e agora é minha vez de retribuir. Eu posso lhe ajudar a encontrar essa paz.' Ajudar a encontrar a paz... Trazer Misao de volta. Fazê-lo voltar no tempo. O amuleto. O amuleto o trouxera de volta àquele dia...

Misao entrara no quarto, e agora o encarava insistentemente. Se Aoshi bem se lembrava, ele sabia o que viria a seguir. Ficou em silêncio, observando-a, tentando acalmar seu coração que batia depressa. Misao respirou fundo, e falou as mesmas palavras que ele já tinha ouvido uma vez, mas agora de forma mais rápida e sôfrega.

"Aoshi-sama... Eu passei vários dias tomando coragem para vir aqui... Para falar com você. Eu não agüento mais essa situação... Essa dúvida! Eu preciso saber... Eu quero ouvir de você. Me diga Aoshi-sama: O que você sente por mim?"

Aoshi olhou dentro dos olhos da menina por um instante. Lembrava-se bem do que havia dito para ela, quase um ano atrás. Principalmente, lembrava-se do que havia feito. Evitara responder a ela e simulara um falso desprezo, para que ela fosse embora. Tudo com o intuito de protegê-la... Protegê-la de si mesmo. E o que aconteceu? Misao partiu e morreu. Por sua culpa.

Não, não cometeria o mesmo erro novamente. Pelo bem dela, pelo seu próprio bem. Decidiu não lutar mais. Decidiu escutar seu coração, como a velhinha o aconselhara.

"Misao..."

Tocou de leve o rosto da jovem... E no instante seguinte, não conseguiu mais se controlar. Abraçou-a com força, da forma que sempre quisera fazer, e nunca tivera coragem. Agora tinha. Agora sabia que a amava.

Se ainda restava alguma dúvida de que aquilo era um sonho, desfez-se neste momento. O corpo de Misao era quente junto ao seu. No início ela pareceu surpresa com a reação do jovem, mas depois relaxou, e abraçou-o pela cintura.

Aoshi sentia o coração de Misao batendo rápido, suas mãos delicadas tocando suas costas. Kami... Como pudera passar tanto tempo sem ela? Como pudera achar que conseguiria? Como pudera achar que seria melhor para ambos ficarem separados! Fora um idiota, um completo idiota. Abraçou-a com mais força.

"Perdoe-me Misao. Perdoe-me por ser teimoso, e idiota! Prometa, prometa que nunca irá partir. Prometa que nunca irá embora!" Falou Aoshi, segurando o rosto da garota com as duas mãos.

Misao olhava para ele confusa, e levemente ruborizada.

"Eu... Eu não estou entendendo Aoshi-sama! Perdoá-lo? Por quê? Você não fez nada... E... Eu não vou partir! Eu não vou a lugar algum... Agora, pelo menos..."

Aoshi fechou os olhos por um instante e quase sorriu. Claro, ela deveria estar confusa... Com certeza não estava entendendo uma só palavra que ele disse, assim como também não entendia seu comportamento. Ela não sabia o quanto ele tinha sofrido, nesses últimos meses... Não tinha como saber. Mas Aoshi estava decidido. Não queria aquele sofrimento todo novamente. Não queria que ela sofresse também. Tocou seu queixo de leve com a ponta dos dedos.

"Eu nunca mais vou deixar você ficar longe de mim, Misao..."

E antes que a jovem pudesse expressar toda a sua surpresa diante das palavras de Aoshi, ele a beijou. Não foi um beijo suave, não foi um beijo delicado. Foi um beijo apaixonado, intenso, como que demonstrando todo o sofrimento e dor que ele sentiu nesses últimos meses.

Misao ficou estática no primeiro momento, mas depois correspondeu ao beijo com toda a sua paixão. Ficou na ponta dos pés, e enlaçou-o pelo pescoço. Ele deslizou as mãos devagar pelas costas da garota, numa carícia suave e sensual ao mesmo tempo. Sentiu Misao suspirar contra seus lábios e colar seu corpo ainda mais no dele, como se precisasse de apoio para continuar de pé.

Segundos, minutos, horas... Nenhum dos dois sabia ao certo quanto tempo havia se passado... Quando Aoshi percebeu que suas mãos estavam ficando ousadas demais e que estavam ficando sem ar, decidiu que era hora de parar.

"Isso é um sonho?" Perguntou a jovem, ofegando, ainda de olhos fechados.

"Espero que não." Respondeu Aoshi, mais para si mesmo do que para ela.

Misao abriu os olhos e sorriu. Aoshi havia sentido tanta falta daquele sorriso...

"Eu ainda não acredito que isto está acontecendo... Você gosta mesmo de mim, Aoshi-sama?"

"Você ainda tem alguma dúvida?" falou o jovem, olhando-a com carinho.

O sorriso de Misao se alargou, e ela abraçou-o novamente, escondendo o rosto em seu peito.

"Se eu soubesse que esta seria a sua reação, eu tinha vindo aqui antes! Passei dias tomando coragem para falar com você, Aoshi-sama! Eu achei que você fosse me rejeitar, me mandar embora... Eu estava preparada para tomar medidas drásticas!"

'Eu sei', pensou Aoshi, sentando-se no futon e puxando Misao para junto de si. Afastou as lembranças ruins da mente. Elas não existiriam mais, pelo menos ele assim esperava... Não haveria mais momentos ruins em sua vida, agora que Misao estava do seu lado.

Ficou mexendo no cabelo dela, até que a jovem adormeceu em seus braços, com um leve sorriso no rosto. Aoshi queria passar a noite acordado, velando por ela, mas começou a ser vencido pelo sono, e antes que pudesse perceber, adormeceu também, com os braços firmemente em torno de Misao.

ooooo

Aoshi acordou lentamente, do que parecia um sono muito pesado. Sentiu a luz clara do amanhecer invadir o quarto, e escutou ao longe um choro de bebê, e uma voz suave, cantando uma antiga canção de ninar.

As vozes foram se tornando mais próximas à medida que ele acordava completamente. E quando abriu os olhos, Aoshi teve uma das visões mais enternecedoras de sua vida. Misao, de cabelos soltos, amamentava no peito um lindo bebê recém nascido.

As lembranças de Aoshi vieram à tona novamente, como um raio. Depois daquela noite, Misao se acostumara... A fazer-lhe visitas noturnas, e dormir em seus braços todas as noites, partindo sempre antes do amanhecer, para que ninguém no restaurante desconfiasse.

Numa dessas visitas... Bem... O famoso auto-controle que tanto o Okashira se orgulhava de ter foi por água a baixo... Aoshi e Misao se amaram a noite toda. Na manhã seguinte, assim que amanheceu, Aoshi pegou uma sonolenta, mas radiante Misao pela mão, e levou-a até Okina. E informou-lhe que eles iriam se casar o mais depressa possível. A atitude não pegou ninguém de surpresa – ao contrário do que Aoshi imaginou. Todos haviam percebido as mudanças de comportamento de Aoshi e Misao naqueles dias, e especulavam se algo estaria acontecendo entre eles.

Misao não poderia estar mais feliz. Ela sabia que não podia esperar atitudes tolamente românticas de Aoshi. Ele não iria mudar da noite para o dia... Mas a jovem sabia que ele a amava. Do seu jeito, mas amava. E ela estava disposta a, aos pouquinhos, derreter todo aquele iceberg. Teria a vida toda pela frente!

O casamento foi uma cerimônia simples, mas muito bonita. Misao fizera questão de convidar Himura e seus amigos de Tókyo. Todos estavam muito felizes pelo casal... E principalmente por Misao. Sabiam o quanto ela amava Aoshi, e o quanto esperara por aquele momento.

O casamento viera em boa hora. Oito meses depois da cerimônia, Misao dera a luz a uma linda menininha, que os pais chamaram de Michiro. A garotinha era a bonequinha do Aioya, e a alegria dos pais.

Aoshi por sua vez, mudara visivelmente. Podia ser visto com freqüência com Michiro nos braços, fazendo-a dormir. Ele alegava que Misao era agitada demais para tal tarefa. E pelo que se podia observar, ele parecia não se importar de andar pelo Aioya no meio da noite com o bebê nos braços.

O jovem finalmente entendeu o que tinha acontecido. Tivera a chance de voltar no tempo para mudar o seu passado, e agora estava de volta no futuro, com uma nova vida, e novas lembranças. Aoshi ainda lembrava dos momentos terríveis que passara por Misao. Mas estas memórias estavam sendo substituídas por lembranças novas, mais intensas, e decididamente mais doces e felizes.

Agora estava diante das duas mulheres de sua vida, e não conseguia se lembrar de nenhuma época em sua vida que estivesse mais pleno, tranqüilo e... Por que não? Feliz!

"Ohayou, anata... Acordamos você? Eu disse para Michiro 'Não chore, você vai acordar o papai', mas ela estava faminta! Nisso ela se parece comigo, fica impaciente quando está com fome."

Aoshi abraçou-a por trás e encostou o rosto no seu pescoço. Fechou os olhos por um instante, e agradeceu mentalmente àquela velhinha que lhe dera o amuleto. Graças a ela estava tendo a chance de viver uma felicidade que ele nunca acreditou que existisse realmente. Abriu os olhos e viu o rostinho de sua filha. Misao já havia terminado de amamentá-la, e ela agora fechava os olhinhos e bocejava, sonolenta.

Aoshi suspirou. Eram pequenos momentos assim, de felicidade, que ele desejava para sua vida, e para sua família. Para sempre.