CAPÍTULO 17

Sala de Arquivo

Hermione avançou rapidamente pelos corredores, com seu plano secreto na cabeça. Rony estava muito curioso para saber o que era, mas seguiu calado, imaginando o que ela estaria planejando. Andaram pelos corredores apinhados de alunos que acabavam de despertar, até chegarem ao corredor da Sala dos Professores.

Passaram pela porta da sala e se esconderam atrás de uma estátua. Por mais que Rony quisesse evitar uma grande proximidade com Hermione, era praticamente impossível. O esconderijo atrás da estátua era apertado, o que deixou quase colado à garota. Mais uma vez, ele sentiu o perfume da garota, suave, entorpecer-lhe os sentidos. Aquele aroma conhecido, que evocava em sua memória a noite anterior...

Estava até se esquecendo de que estavam escondidos quando a porta da Sala dos Professores se abriu e o arrancou daquele torpor.

Ele encolheu-se, assustado, como se despertasse subitamente de um sonho. Alguns professores viraram para o lado oposto, mas outros vieram para o lado onde eles se encontravam.

Minerva McGonagall passou direto, olhando para frente. Sprout também nem olhou para o lado da estátua. Flitwick, em sua estatura diminuta, olhou para o lado da estátua, mas seu tamanho fez com que seus olhos apenas batessem no joelho de pedra.

Quando o último professor bateu a porta, Rony olhou intrigado para Hermione.

– Você não parou nenhum deles... Pensei que seu plano era falar com um deles. Ah, não me diga que você pretende entrar na sala?

– Não.

– Então por que estamos escondidos aqui, no corredor da Sala dos Professores?

– Eu quero falar com um dos professores. Mas o problema é que ele ainda não saiu da sala.

– Todos os professores já saíram. Você viu que o último a sair bateu a porta. Não tem mais ninguém dentro da sala.

– Digamos que o professor com que a gente tem que conversar não precisa de portas abertas para sair da sala.

– Binns? – perguntou Rony.

Antes que Mione pudesse confirmar, o fantasma atravessou a parede da sala, quase em frente a estátua, e começou a flutuar tranqüilamente, enquanto folheava um livro. Hermione puxou Rony e os dois seguiram o fantasma. No momento que Binns ia entrar no outro corredor, eles passaram na frente dele e o fecharam.

– Bom dia, professor – falou Hermione, sorrindo.

Binns, de tão distraído que estava, não pôde refrear-se a tempo e acabou atravessando os dois. Rony e Mione sentiram um tremor de frio enquanto ele passava por eles. Binns virou-se para os dois, com uma expressão nem um pouco agradável.

– O que vocês querem comigo?

Rony engoliu em seco e olhou para Hermione.

– É. O que vocês querem com ele... Digo, o que nós queremos com ele?

– Uma informação, Rony. Esqueceu? – Hermione franziu a testa para ele, irritada. Rony não estava sabendo disfarçar. – Uma informação muito importante professor.

– Sobre o que? – o tom do fantasma mudou. Ele cruzou os braços, interessado.

– É que esses dias eu estava lendo um livro muito interessante na biblioteca sobre a Revolta dos Bruxos Amalucados de 1786.

– Ah essa Revolta! – o professor suspirou. – Uma revolta muito interessante. Destaca-se muito na História Bruxa.

– Pois é. Foi justamente por isso que me interessei. Achei bárbara a história da Revolta. Fiquei com muita pena dos bruxos malucos, coitados... Queriam apenas um lugar seguro para viver...

– Também tenho pena deles... Mas o Ministério da Magia da época quis fechar a escola especial para os malucos, como você sabe... E eles se revoltaram. Tenho uma certa pena, sim, mas não posso deixar de ficar satisfeito. Afinal, se eles não tivessem feito isso, não haveria na História essa Revolta tão interessante!

– Muito interessante mesmo. E muito curiosa não é, professor? Bruxos com um parafuso a menos lançando feitiços e mais feitiços para todos os lados, criando maluquices... Falando nessas maluquices, e chegando na informação que eu procuro, é verdade que eles chegavam a mudar portas de lugar?

– Sim – Binns confirmou com um exagerado movimento da cabeça. – Eles mudavam as portas. Lançavam um encantamento e colocavam um prazo para elas mudarem de lugar. Eles podiam fazer uma porta mudar a cada minuto, e houve casos de até um segundo! Eles também criavam armações, como, alem de mudarem a porta de lugar, a camuflarem em uma parede... Os bruxos das redondezas quase ficaram tão amulacados quanto os revoltados... Essa Revolta foi uma loucura.

– Portas que mudam de lugar... É realmente possível, professor? Só bruxos malucos fazem isso?

– Não. É possível, sim, e não são somente os amalucados que fazem. Aqui em Hogwarts, por exemplo, existe uma, a Sala de Arquivo, que muda a cada ano letivo. Esse ano ela foi mandada para o sexto andar. E, conforme na Revolta, foi camuflada!

– Camuflada?

– É. Num quadro de Merlim. Não é interessante?

– Muito – Mione sorriu e lançou um discreto olhar para Rony. – Sabe, professor, assim eu vejo que o que os amalucados faziam não era tão ruim assim...

– Foi o que eu disse. Adoro essa Revolta! – ele até bateu palmas de entusiasmo. – Tenho que ir agora, mocinhos. Já estou atrasado. Srta Granger, qualquer coisa, estou às ordens.

– Eu sei – respondeu Hermione. – Pra qualquer coisa mesmo.

O professor nem percebeu a ironia. Seguiu caminho tranqüilamente. Quando ele sumiu, Hermione olhou para Rony. O garoto estava boquiaberto.

– Não acredito... – murmurou. – Isso foi brilhante! A forma mais inocente de conseguir uma informação importante que eu já vi.

– Eu lembrei que na Revolta dos Amalucados esse tipo de encantamento foi utilizado. Só o Professor Binns mesmo pra me falar sobre isso. Sabia que, ao tocar no assunto das portas que mudam de lugar, ele poderia abrir a boca. E olha que foi mais fácil do que imaginei. Pensei que precisaria detalhar as perguntas para obter respostas.

– Aí ele poderia perceber...

– Rony, esqueceu que estávamos falando com o professor que nem percebeu que estava morto?

– É. Agora, se queremos entrar na Sala de Arquivo antes das aulas começarem, e melhor irmos andando para o sexto andar.

Os dois caminharam com passos rápidos, mas procurando ser o mais discreto possível. Quando chegavam em corredores desertos, abandonavam o fingimento e corriam. Quando chegaram ao sexto andar, começaram a entrar nos corredores lentamente, olhando para cada quadro, inclusive os pequenos.

– O quadro de Merlim... Onde estará? – perguntou Mione, olhando para todos os lados.

Entraram em três corredores sem encontrar o bendito quadro do bruxo. Ao entrarem no quarto corredor, viram que, no fundo dele, havia um quadro imenso, que começava no meio da parede e ia até o teto. A pintura destacava-se mesmo ao longe. Nela havia um bruxo de barba branca, com veste azul, com um chapéu cônico de mesma cor, enfeitado por estrelinhas prateadas brilhantes.

– Só pode ser ele – falou Hermione, entusiasmada.

Os dois correram pelo corredor deserto. A cada passo, os detalhes da pintura se destacavam. O velho Merlim, eles observaram somente ao chegarem mais perto, tirava um cochilo. As pontas da barba se movimentavam a cada vez que ele soltava o ar. Eles pararam de chofre em frente ao quadro.

– E agora? Cadê a porta? – perguntou Rony.

– Binns disse que está camuflada no quadro. Ela deve estar em algum lugar da pintura, com as mesmas cores, para parecer que não existe. É camuflagem. Ela deve estar tão integrada a pintura que fica invisível.

– Como encontrar a porta?

– Me ajude a ficar na altura do quadro.

Rony estranhou. Aproximou-se da amiga, a apoiou nas costas e a levantou na altura do quadro. A moldura do quadro era grossa, de modo que Mione pisou nela, apoiando-se. Rony se afastou, exausto.

Hermione, tomando cuidado para não perder o equilíbrio, começou a apalpar a pintura. Merlim estremeceu num primeiro contato, mas não despertou. Rony, embaixo, franziu a testa.

– O que está fazendo? Está fazendo cócegas nele, é?

– Não – respondeu Mione, impaciente. – Estou apalpando para ver se encontro a superfície da porta, ou a maçaneta.

Hermione apalpou e apalpou. Não sentia nada de diferente. Rony continuou observando, atento. Até que a mão de Mione esbarrou num objeto sólido e circular. A maçaneta.

– Rony. Achei! Estou segurando na maçaneta.

Ele se aproximou, intrigado. Realmente, a mão de Mione se fechava em círculo, como se ela estivesse segurando um objeto circular. Mas ele não conseguia ver o que ela segurava.

– Não estou vendo nada!

– Eu sei, Rony. Eu também não. Só que, por mais que eu não veja, eu posso senti-la. É muito estranho. Mas tenho certeza que é a porta. Quer ver?

Hermione girou a mão. Puxou a maçaneta. Com um leve rangido, a porta começou, finalmente, a se revelar. Rony arregalou os olhos. A superfície da porta tinha os mesmos desenhos da parte da pintura onde ela se encontrava. Ela se abriu totalmente, revelando um lugar de onde saía uma luz alaranjada.

– Encontramos! – exclamou Mione, espiando pela passagem. – Vamos, Rony, suba!

Ela estendeu o braço para que Rony o segurasse e tomasse impulso. O fato ocorrido na noite seguinte estava longe de ser lembrado naquele momento. Os dois estavam muito entusiasmados pela descoberta da Sala de Arquivo, ansiosos por imaginar o que iriam encontrar lá dentro, para ligar para coisas fúteis como timidez.

Rony tomou o impulso e subiu na moldura. Hermione entrou primeiro na sala. Rony entrou em seguida. Mione esperou que o amigo passasse e fechou a porta camuflada.

Ela olhou para a placa acima da porta e leu:

SALA DE ARQUIVO – HOGWARTS

Desceu o olhar e encontrou outra placa, dessa vez de metal, que trazia as inscrições:

AVISO:

É proibida a entrada de alunos e pessoas não autorizadas.

Se você se enquadrar num dos dois casos, caia fora.

Alunos de Hogwarts encontrados na Sala de Arquivo serão expulsos e terão os próprios arquivos queimados.

– Nossa... Espero que ninguém nos encontre por aqui – suspirou Rony.

– Acho que eles não devem vir aqui freqüentemente. Os arquivos, pelo que eu lembro do Hogwarts, Uma História, são magicamente atualizados. Qualquer detenção que o aluno leve, qualquer nota que o aluno tire, surge no arquivo pessoal dele.

– Menos mal – falou Rony, aliviado.

Eles finalmente encararam a sala onde se encontravam.

O primeiro lugar que eles olharam foi o teto, para saber de onde provinha aquela estranha iluminação alaranjada. A pergunta foi respondida com assombro. Vários bichos pequeninos, semelhantes a insetos, estavam presos dentro de círculos de vidro que pendiam do teto. Seus olhos diminutos faiscavam e soltavam a luz alaranjada pela sala, provocando uma fraca luminosidade. Os bichos eram muito estranhos e remexiam-se a todo o instante. Rony não gostou nada deles.

Depois eles olharam para a sala em geral.

Havia longas fileiras de estantes, bem altas, lotadas de arquivos dos alunos, separados um por um. Hermione aproximou-se de uma estante e viu que ela trazia, no alto, a inscrição: 1297/1298. Olhou para o lado e viu que as estantes sumiam do olhar. Ela recordou de mais uma informação sobre a sala.

– Ela é amplificada – disse para Rony. – Gigantesca. Para caber todos os arquivos e todas as estantes. Afinal, tem muita coisa por aqui, Hogwarts tem mais de mil anos.

– Se essa daqui – ele apontou para a estante – contém os arquivos dos alunos que estudaram no período letivo de setembro de 1297 a junho de 1298, como faremos para encontrarmos uma estante mais atual? Levaremos a vida inteira! Essa outra aqui – ele andou para a outra fileira. – Corresponde a 1432 a 1433! Nossa, vamos demorar e muito para encontrar...

– Relaxa, Rony – falou Hermione, com um sorriso. – Estava me esquecendo de uma coisa...

– Do que?

– Daquilo ali!

Ela apontou. Rony virou-se na direção que Hermione apontava.

Um pouco para o lado da porta, havia uma pilastra branca. Sobre ela, um livro aberto, com as bordas amareladas das páginas. Rony franziu as sobrancelhas, olhando para Mione.

– Não entendo... Um livro? O que um livro tem demais?

– Esse tem muita coisa, Rony. Não precisaremos percorrer as estantes atrás da pasta de arquivo do Michael. Esse é o livro mais importante da escola. O Livro da História.

Hermione avançou em direção à pilastra. Rony, ainda meio perdido, a seguiu e parou ao lado dela. Os dois fitaram as páginas do livro. Rony viu que havia listas cheias de nomes.

– Esses são os nomes dos alunos que já estudaram em Hogwarts. Veja!

Rony observou que a lista era organizada em ordem alfabética. O livro estava aberto na página de sobrenomes que começavam com a letra B, e listava inúmeros deles. Ele também percebeu que alguns nomes tinham a caligrafia diferente de outros.

– Por que existem escritas diferentes?

– Pura magia – respondeu Hermione com entusiasmo. – Ele foi enfeitiçado para que o nome de cada novo aluno de Hogwarts fosse escrito com a caligrafia do fundador da casa para a qual ele foi selecionado.

– Como esse livro funciona? Como ele pode facilitar as coisas, se só têm uma camabada de nomes escritos aí.

– Veja só. Vamos ver o seu nome.

Ela seguiu até os sobrenomes de letra W. Percorreu a lista com o dedo, até finalmente encontrar os Weasley. Fez a busca pelo nome de Rony.

– Nossa... Quanto Weasley já passou por aqui – comentou Mione com um sorriso. – Achei. Agora, pelo que eu me lembre, é só apertar o dedo sobre o nome. E dizer: Weasley, Ronald.

Ela olhou na direção das estantes, ansiosa. Rony deu risada.

– O que você quer que aconteça? – zombou. – O que você está esperando? Não me diga que você acha que...

Ele não terminou a frase. Um arquivo cheio de pergaminhos saiu do meio das estantes e voou em sua direção. Rony não teve tempo de desviar. O arquivo bateu com tudo na cabeça dele. Rony caiu no chão.

O arquivo parou em cima do Livro da História. Hermione, preocupada, foi socorrer o amigo, que estava se levantando com a mão na testa ferida.

– Obrigado por ter me avisado, Hermione – falou ele, irritado.

Ela abriu o arquivo dele e mostrou.

– Veja. Aqui estão as suas notas... Detenções. Aqui no último pergaminho estão os NOM's do quinto ano. Viu? Todos os detalhes. E aqui estão os pessoais. Nome dos pais, endereço etc...

Ela arremessou o arquivo no ar, e, ao invés de ele cair no chão, saiu flutuando por entre as estantes, para voltar para o seu lugar de origem.

Mione fechou o Livro da História, com certa dificuldade pela grossura e peso do mesmo, e eles finalmente encararam a capa do livro.

Era feita de couro. O brasão de Hogwarts refulgia e trazia um brilho especial. Abaixo do brasão, estava o nome, em um forte dourado: LIVRO DA HISTÓRIA – HOGWARTS.

– É belíssimo – murmurou Mione, em extrema fascinação.

– Realmente – balbuciou Rony, admirado.

Ela abriu o livro. Na primeira página, estavam as assinaturas dos fundadores da escola. As caligrafias eram idênticas às que escreviam os nomes dos alunos das casas.

Hermione passou essa página.

– Onde está o índice dos nomes dos alunos... – dizia para si mesma, enquanto folheava. – Não, diretores não... Professores não... Ah, achei! Alunos! Agora temos que ir até os sobrenomes com a letra E.

Ela pulou grandes números de páginas, sempre murmurando:

– Ainda é C, agora... Não, sobrenomes com D... Ainda com D, nossa, quantos com D... Agora, aqui! E. Basta chegar ao E com V.

Ela começou a deslizar o dedo pela lista, na busca pelo sobrenome. Rony batia os pés no chão, impaciente e ansioso. Quando chegou ao E + V, Hermione começou a deslizar o dedo mais lentamente, e começou a falar os nomes por que passava.

Ao chegar nos Evans, Mione deu um pulo de felicidade. Rony aproximou-se mais e espiou a página sobre o ombro dela.

– Evans, Evans... Quantos Evans... Evans, Brian... Evans, Drew... Deixe descer mais... Evans, Jane... Mais um pouco... Evans, Lílian... A mãe do Harry, Rony – ela disse, mas sem tirar o olhar aguçado da página. – Evans, Louren... Aqui, com M... Evans, Mabile... Evans, Malcolm... Evans, Merick... Evans, Midom... Espere aí!

Hermione olhou para Rony.

– Evans, Michael era para estar entre esses dois! – ela aproximou-se da lista novamente, para ver se estava errada. – É... Estou certa. Em ordem alfabética, Michael devia estar entre Merick e Midom.

– Vê se ele está mais embaixo.

– Não – ela olhou, atenta. – E, além do mais, o Livro da História é infalível, não tem erro – ela olhou para Rony. – Isso só pode significar uma coisa.

– O que?


-– O Livro da História foi alterado, Harry.

Rony e Hermione estavam na ala hospitalar, na hora do almoço, visitando o amigo. Harry estava bem melhor, sentado na cama, esperando que Madame Pomfrey desse a alta. Enquanto isso não acontecia, o trio conversava bem baixinho.

– Como assim?

– O nome do Michael foi apagado do Livro da História – explicou Mione. – Apagado. Eu pensei que isso não era possível de se fazer no livro, mas suponho que tenha sido coisa de alguém muito poderoso, o Dumbledore, por exemplo.

– Pois é, Harry. Não adiantou nada irmos naquela sala.

– Aí é que você se engana, Rony – retorquiu Harry. – Podemos não ter encontrado uma pista grandiosa, mas confirmamos mais uma vez que Michael Evans realmente existiu.

– É?

– Claro! O nome foi apagado para que, caso alguém procurasse o nome dele no livro, ele não fosse encontrado. Devem ter até queimado os arquivos dele... Para que todos pensassem que ele foi, simplesmente, uma lenda! Querem apagar o nome Michael Evans da história da escola.

– Mesmo assim, Harry... – lamentou Hermione. – Eu esperava encontrar coisas mais importantes...

– Ainda vamos encontrar. Relaxem... A escola não quer que encontremos, mas vamos encontrar. E ainda chegaremos ao atual Michael Evans.

Madame Pomfrey veio na direção deles e eles se calaram.

– Você pode ir, Harry – avisou ela, sorrindo. – Quero que saiba que estou muito feliz em lhe dar alta. Quando você chegou ferido daquele jeito, achei que não sobreviveria... É muito bom ver que estava enganada. Agora – ela apanhou o novo cálice de cristal com a Essência de Kaviazat. – Tome cuidado com esse vidro de essência. E lembre-se de tomar um gole toda a noite.

– Pode deixar, Madame Pomfrey – respondeu Harry, levantando-se. – E obrigado por tudo.

Animados, os três saíram da ala hospitalar. Nem perceberam o trio que os observava de dentro de um dos corredores.

– Não acredito – murmurou Úrsula.

– Nossa... Não pensei que você desejasse tanto a morte do Potter – falou Kevin. – Está desolada por ver ele saindo da ala hospitalar.

– Não é isso, seu idiota – disse ela. – É por causa do Rony e da chata da Hermione. Eles estão muito próximos de novo...

– Não estou te entendendo... – disse Draco.

– Hoje de manhã, eu vi os dois caminhando muito afastados um do outro. Sei lá... Pensei que a proximidade dela com o Kevin já estivesse causando um certo atrito entre os dois.

– Pelo que eu vejo – comentou Draco, observando o trio que se afastava. – Eles parecem estar muito bem, obrigado.

– Úrsula, Úrsula, parece que os seus planos estão sendo uns fiascos... – brincou Kevin.

Úrsula não gostou nada da brincadeira do garoto. Avançou furiosa para ele, encostando-o na parede. Os dois ficaram cara a cara. Kevin começou a tremer, assustado.

– Desculpe, eu não queria ofender...

– Mas ofendeu! – respondeu ela, enraivecida. – Isso é só o começo, Wallace. Tenho algumas jogadas guardadas, como eu já cansei de dizer. Se uma não dá certo, eu pulo pra outra. E eu acho que está chegando a hora de eu lançar mais uma cartada...

– E eu, como fico nessa história? – perguntou Draco. – Temos um trato. Você sai beneficiada dessa história, mas eu também tenho que sair. Mas, até agora, eu não consegui irritar o Harry!

– Eu não esqueci o nosso trato – falou Úrsula. – Mas o seu plano já está em andamento. Você e a Gina já estão namorando.

– Mas em segredo. Em encontros secretos. Tudo escondido! Em público, nem nos falamos direito. Como poderei deixar o Potter furioso se ninguém sabe que eu e Gina estamos namorando?

– Não tem como convence-la a assumir?

– Não... Já tentei, mas não tem jeito...

– Já que não tem como convence-la – começou Úrsula, com a sobrancelha erguida. – Vamos fazer com que esse romance se torne público a força...

– De que jeito?

– Ainda não sei... Mas vou pensar. Vou pensar numa forma de unir o útil ao agradável. Um plano que ajude você e também me ajude a ficar mais perto de conquistar o Rony de uma vez por todas.

– Pense em um bem rápido. Mal vejo a hora de deixar o Harry louco de ciúme...

Draco e Kevin olharam para Úrsula. O olhar da garota estava parado. Ele mexia distraidamente num dos cachos dourados do cabelo. De repente, olhou para eles, soltando uma risadinha.

– Já tenho um plano excelente.

– Como é?

– Não vou contar. Mas pode ter certeza, Draco, que depois desse plano, até os bruxos do Japão saberão que você está namorando Gina Weasley.