Olá. Espero que todos estejam bem. Por favor leiam os comentários abaixo:

Estive preparando o capítulo, juntando alguns fatos que estavam separados e acabei percebendo que deixaria algo muito vago no ar se postasse apenas o capítulo 18, por isso acabei fazendo um feito inédito: preparando o capítulo 19 também. Desculpem a sobrecarga. Se vocês quiserem ler devagar para me mandarem seus comentários depois eu vou entender. Realmente são dois capítulos que acabaram ficando muito longos e densos. Acho que algumas de vocês ou talvez todas vão querer me matar depois disso, mas, por favor, tentem me perdoar, o nosso elfo louro vai passar mais alguns apuros, alguns até diferentes dos que tem passado (aproveito para pedir-lhes desculpas por algumas cenas "fortes" que virão, mas que serão as únicas, já lhes adianto), porém novos acontecimentos vão surgir para mudar o rumo de tudo novamente, como sempre acontece na vida do príncipe de Mirkwood desde o dia que o nobre Elrond o encontrou sozinho na floresta há muitos e muitos anos...

Agradecimentos agora... não podia deixar passar.

Lady-Liebe Aguardo seus comentários amiga! Ei!! Não suma!! Preciso de você me dizendo as incoerências que estou fazendo quando entro na sua área. Obrigada amiga! Reforço novamente o convite para que vocês leiam as short-fics da Liebe, quem são uma fonte de satisfação. Amiga!! FICS!!!

Misao-dono – Continuo sem notícias suas. Gente!! "COMO UM PÁSSARO" ainda está sem atualizações. Vamos pressionar!! Misao, queremos atualização já!! Não nos deixe sem um prazer tão grande como é ler a sua fic!!Amiga, continuamos esperando!!

Kagura Bakura – Minha grande leitora. Sempre um prazer receber suas reviews. Um super obrigada!

ReginaEspero notícias. Não esqueci de você.

Myriara –  Gente, "A PAIXÃO DOS EDAIN" está imperdível. O capítulo 7 me deixou sem ar. Esse Haldir é mesmo apaixonante. Não deixem de ler essa fic. O romance que está se estruturando promete rasgar alguns corações, eu mesma já estou sofrendo. Leiam!!! Como eu disse e volto a repetir: é poesia pura. Amiga, continuo aguardando mais capítulos, especialmente o capítulo especial sobre o qual falamos!!

Nimrodel Lorellin –  "CRÔNICAS ARAGORNIANAS" já foi atualizada, quem não está acompanhando a jornada de Estel e seus doces irmãos está perdendo tempo na net. O meu elfo favorito até deu uma passadinha por lá. Leiam pessoal. Não vão se arrepender. Amiga, novo capítulo!!

BotoriObrigada, Obrigada!! Outra leitora que continua me acompanhando e me fazendo muito feliz com isso. Obrigada mesmo!!

Erualmar Elessar(Perséphone Pendragon) – Se a associação não me pegou até agora acho que dessa vez não escapo. Não recebi sua opinião sobre o capítulo ainda. Espero que não tenha desistido de mim.

Leka: Obrigada por mais uma review. Espero que esses capítulos lhe agradem.

Vick Weasley:  Pessoal, a Vick leu minha fic! Nem sei o que dizer. Sua fic é maravilhosa e seus elogios só me fizeram pensar na sorte que tenho por escritoras tão boas perderem seu tempo precioso dando atenção aos meus textos. Quem já leu BITTERSWEET sabe bem que o amargo e doce juntos podem fazer uma fic maravilhosa. Já quem não leu, precisa descobrir urgente. Obrigada Vick. Espero que minha fic ainda continue merecendo sua atenção.

Elfa Ju Bloom: Tive o prazer de ter uma das minhas short fics comentadas pela maravilhosa Elfa Ju Bloom autora de ROSAS, ARMAS, AMOR E SANGUE, uma fic que estou lendo e adorando. Vale a pena. Não sei se ela acompanha essa minha fic por isso não sei se saberá do meu comentário. Mas mesmo assim não posso deixar de aconselhar a leitura dessa fic de tirar o fôlego.

Ufa. Espero não ter esquecido ninguém. Obrigada pessoas maravilhosas que impulsionam a minha vontade de escrever e melhorar. Devo muito a vocês.

Agora vamos finalmente para os dois capítulos mais difíceis que escrevi até agora. Nosso elfo vai precisar do carinho de vocês depois dessa...

18

Foi o dia mais longo que os filhos de Elrond pareceram vivenciar. O grupo cavalgara durante todo o dia no mais completo silêncio. Elrohir, Elladan e Estel trocavam olhares temerosos quase todo o tempo e algumas vezes Estel atrevia-se a olhar para trás tentando se assegurar de que Legolas ainda estava lá. O guardião sentia um medo terrível de que de uma hora para outra o príncipe desaparecesse sem deixar vestígios como fizera na primeira vez. Afinal, motivos para isso não lhe faltavam, o que lhe faltava talvez fosse energia para tanto, pois o rapaz passara todo o trajeto com seu rosto encostado nas costas de Halbarad e os olhos fechados.

O entardecer já enrubescia o céu e a temperatura caia consideravelmente. O inverno se aproximava em Lasgalen, uma terra fria por natureza, fazendo com que os homens, mais suscetíveis do que os elfos a temperaturas baixas, buscassem aquecerem-se como podiam. Thranduil pareceu perceber que o grupo já tinha dado o que podia e, ao olhar os homens de Aragorn encolherem-se em seus cavalos devido a queda de temperatura, decidiu ser misericordioso e autorizar uma parada para que pudessem enfrentar o anoitecer perto de uma fogueira.

"Comam e descansem".Ordenou o rei. "Meus soldados revezarão a guarda essa noite".

Aragorn e os irmãos se entreolharam sem saberem exatamente o que fazer. Seus corações estavam angustiados com as péssimas expectativas de futuro que tinham. Eles queriam poder ao menos se aproximar de Legolas, oferecer-lhe algum conforto, mas os olhos do rei pareciam fiscalizar cada passo que davam. Halbarad também era vigiado de perto pelos olhares intrigados do líder de Lasgalen, por isso, assim que desceu de seu cavalo levou Legolas para se sentar junto com Skipper e Fowler. O líder puxou o velho caçador de lado.

"Velho amigo, Skipper".Disse Halbarad quase num sussurro enquanto o caçador franzia as grossas sobrancelhas intrigado. "Preciso de um grande favor. Um favor que não pode ser acompanhado de questionamento algum".

"Diga o que quer, Halbarad".Respondeu o outro sem sorrir. "Sabe que lhe jurei fidelidade. E tenho motivos para lhe ajudar sempre, meu capitão".

O dunedain sorriu mais uma vez, admirado com o caráter invejável de um homem tão simples.

"Preciso que fique com Squirrel. Não posso dizer o porquê, mas temo que a vida dele corra perigo aqui entre esses soldados".

"Mas ele é um elfo também".Surpreendeu-se o outro não conseguindo se conter.

Halbarad respirou fundo, depois olhando para os lados segurou num dos cotovelos de Skipper e aproximou seu rosto mais ainda do amigo, parecia querer transmitir-lhe o que sabia por pura telepatia.

"Esse grupo de elfos não quer bem ao rapaz. Não posso lhe dizer o porquê. Por isso o menino está disfarçado e seu disfarce não pode ser descoberto em hipótese alguma. Isso é muito sério, muito sério mesmo."

"Como alguém pode não querer bem a ele?" Indagou o velho caçador formulando a mesma pergunta que Halbarad se fazia desde o dia que Aragorn lhe contara a mesma história.

"Bem, como existem todos os tipos de homens existem todos os tipos de elfos, meu caro".Foi a única resposta que veio a mente do líder dos dunedain e que pareceu satisfazer o amigo que acenou com a cabeça.

"Darei minha vida por ele se preciso for".Prometeu o homem fazendo com que Halbarad apertasse um pouco mais o cotovelo que ainda segurava.

"Não diga isso. Ele não quer uma coisa dessas, amigo. Ele só precisa de alguém que o ajude a esconder-se e que..." Halbarad parou uns instantes, receoso. "E que nos ajude a impedir que o medo o faça fugir de nós..."

Agora tudo voltara a ficar enevoado para o velho caçador que franzira novamente as sobrancelhas sem entender. Halbarad encheu os pulmões e esvaziou-os em meros segundos balançando a cabeça e depois olhando mais uma vez a sua volta. Temia estarem sendo ouvidos.

"Não me questione, amigo".Disse ele. "Apenas faça o que lhe pedi".

Skipper acenou novamente com a cabeça e olhou para o rapaz que estava sentado ao lado do seu filho agora. Fowler conversava com ele e ria muito parecendo entretido em contar uma história qualquer enquanto o arqueiro apenas ouvia pacientemente segurando os joelhos e apoiando o queixo sobre eles, em seu semblante um leve sorriso.

"Nada acontecerá a ele".Prometeu o velho enternecido pela imagem que via e sem retornar seu olhar a Halbarad.

Mas o líder não se sentia confortável com aquela conversa, algumas coisas ainda pareciam estar mal resolvidas. Ele segurou novamente o braço do amigo e o fez voltar a olhá-lo.

"Escute, Skipper. Preciso que prometa que não enfrentará nenhum desses elfos, não importa o que acontecer".

"Quer que eu o proteja ou não quer?" Indignou-se o homem chegando ao limite de sua paciência. Aquilo tudo ganhava e perdia o sentido com uma rapidez que incomodava o caçador terrivelmente.

"Quero que o esconda! Que o esconda e o impeça de fugir se ele se sentir tentado a fazê-lo".

"Mas se os elfos o descobrirem devo deixar que façam mal a ele? Se aquela figura pomposa e arrogante ali" Ele apontou o queixo para Thranduil que estava do outro lado do acampamento conversando com alguns de seus homens. "vier perturbá-lo ou querer-lhe algum mal devo simplesmente assistir?"

Halbarad voltou a esvaziar os pulmões impacientemente soltando os braços ao lado do corpo e baixando a cabeça. Ele compreendia o quanto aquilo não fazia sentido. Ele mesmo queria torcer o pescoço do rei com suas próprias mãos.

"Escute, Halbarad." Continuou Skipper usando um tom sério e duro que não lhe era peculiar. "Se aquele elfo vier fazer algum mal ao menino eu serei obrigado a esquecer o juramento que lhe fiz. Eu farei a cabeça dele rolar dando-lhe uma função melhor do que a que tem em cima daquele corpo pomposo."

"Não!" Disse Halbarad erguendo subitamente as duas mãos e acenando-as freneticamente em frente ao rosto do amigo.

O silêncio de quem se cala forçadamente se fez mas a força da indignação ainda pesava no ar. O amigo sabia que estava exigindo demais até mesmo de alguém tão fiel quanto Skipper.

 "Esse elfo pomposo..." Disse o dunedain já arrependido pelo que estava prestes a fazer. "Ele é o pai do rapaz."

Skipper empalideceu e voltou a olhar o rei não conseguindo conter sua admiração. Seu rosto tornou-se um reflexo tão evidente de que algo estava errado que Halbarad puxou-o imediatamente para que ficasse de costas para Thranduil e assim, não denunciasse que estavam tendo uma conversa a respeito do rei.

"Halbarad..." Foi a única palavra que o pobre homem preso conseguiu dizer, seu tom era de súplica, um desejo de que o velho guardião desmentisse a afirmação que acabara de fazer.

"Sim, meu amigo. Aquele menino ali é o Príncipe Legolas, único filho de do rei de Mirkwood. O bom coração do rapaz o fez ajudar pessoas a quem não deveria ter ajudado, ou pelo menos não dá forma corajosa que fez..." Halbarad parou alguns momentos olhando mais uma vez para Legolas com carinho. "Enfim, um ato de misericórdia dele o colocou contra os preceitos do pai e conseqüentemente para fora de sua terra natal. O menino é um exilado há muitos e muitos anos. Ele não pode regressar a Mirkwood, mas está sendo obrigado, por isso mesmo precisamos impedir que descubram quem ele é".

Skipper entendera tudo finalmente. O porquê do disfarce, da atitude rude e sem sentimentos que o elfo encenara sempre, do medo e principalmente dos olhares que o rapaz sem intenção lançava para ele e Fowler quando o caçador instintivamente oferecia algum carinho ao filho.

"Pobre rapaz".Lamentou-se numa voz branda.

"Entende agora?" Indagou Halbarad num tom ainda mais baixo. "Não pode fazer mal ao pai dele, nem a ninguém de seu povo, ele não vai admitir. Eu conheço Legolas e sei que ele não aceitaria ver seu pai ou seu povo sofrer nem para salvar sua própria vida".

Skipper soltou um leve suspiro e sentiu seu coração atormentado por causa da situação. Ele acenou então para Halbarad e voltou para junto das duas figuras, sentando-se ao lado do príncipe.

Legolas ergueu levemente o rosto ao ver o velho Skipper se aproximando. Uma mudança nas feições do caçador era visível e transmitia que a conversa que o homem tivera com Halbarad talvez tivesse sido dura demais.

"O senhor está bem, mestre Skipper?" Indagou esquecendo-se completamente de disfarçar sua voz ou seus modos.

Fowler focou os olhos grandes no pai também repetindo o mesmo questionamento.

"Estou bem, crianças." Ele apenas respondeu trazendo um leve sorriso aos lábios do arqueiro, que sempre se lembrava de Elrond quando ouvia alguém chamá-lo assim. O lorde de Imladris na verdade era o único com idade o bastante para tratá-lo dessa forma. "E você Squirrel? Como se sente? Como está o ferimento?"

"Estou me sentindo bem, mestre Skipper".Respondeu o elfo quase num reflexo abraçando os joelhos com uma pouco mais de força para disfarçar seu constrangimento com a preocupação que lhe era direcionada. Mas suas feições e suas dificuldades para se mover pareciam atestar o contrário.

"Não deve se esforçar entendeu?" Aconselhou o homem paternalmente. "Não quero que saia daqui de perto de nós. Eu e Fowler vamos revesar a guarda e você vai dormir seu sono de recuperação"

"Os elfos vão fazer guarda, pai".Disse Fowler estranhando a posição do pai diante daquilo.

"Não confio nesses elfos e não quero você conversando com eles, entendeu Fowler?"

"Mas os elfos de Rivendell..." Tentou argumentar o rapaz.

"Esses não são elfos de Rivendell... e não estão aqui para fazer banquetes ou cantar canções. Eles estão em guerra."

"Mas pai... os elfos são pessoas boas.... todo mundo sempre diz..."

"Basta Fowler!" Indignou-se o pai que não tinha muita paciência com as teimosias do jovem rapaz. "Você vai fazer o que eu digo e como eu digo. Agora vá até a fogueira e consiga algo para comermos."

O menino entristeceu-se, mas obedeceu. Legolas também sentiu seu coração pesar ao vê-lo caminhar a passos lentos em direção do lugar onde os outros homens se reunião dividindo a caça que preparavam.

"Ele é um jovem muito inocente ainda." Explicou Skipper percebendo o mal estar do arqueiro que acenou silenciosamente com a cabeça como resposta.

Em poucos minutos Fowler vinha regressando com duas canecas numa mão e uma grande tigela, ao seu lado vinha Aragorn também com duas canecas e uma tigela. A aproximação do amigo era um ato de grande risco e o príncipe encolheu-se ao ver que esse ato decididamente ia se concretizar.

"Olá!" Disse Aragorn ajoelhando-se à frente do grupo. Fowler sentou-se ao lado do pai e ofereceu-lhe uma caneca de vinho e um pedaço da carne que estava na tigela.

"Você não devia".Condenou o arqueiro num tom tão baixo que Estel praticamente teve que ler seus lábios para entender o que dizia.

Aragorn sorriu e estendeu-lhe uma tigela com amoras vermelhas e uma caneca d'água.

"Devia comer um pouco de carne".Resmungou Skipper olhando para as frutas na  tigela

"Elfos da floresta não comem animais, mestre Skipper".Explicou-se Legolas comendo suas amoras pacientemente. Eram doces e ele sentia-se agradecido pela consideração do amigo. Embora estivesse sem fome devido à situação, sentia-se fraco e sabia que precisava se alimentar para recuperar suas forças. O caçador ainda resmungou algo para si mesmo, mas nada comentou.

 "Depois você bebe isso." Disse Aragorn colocando uma caneca no chão perto do elfo. Legolas reconheceu o líquido de imediato.

"Pode levar. Não vou beber isso. Não vou dormir na situação em que estamos".

Aragorn então jogou o corpo no chão pacientemente.

"O quê?" Indagou Legolas incomodado com o olhar que o amigo estava lhe lançando.

"Estou esperando".Disse o outro sorrindo.

"Esperando o que?"

"Esperando que você termine suas frutinhas vermelhas."

O tom com o qual 'frutinhas vermelhas' chegou ao ouvido do elfo não o agradou e ele franziu os lábios insatisfeito com a brincadeira do amigo.

"Esperando para que?"

"Para obrigá-lo a beber o chá. Fazer uma grande cena."

O arqueiro que ia colocar a última amora na boca parou instantaneamente como se estivesse paralisado ou receasse que o amigo cumprisse a promessa depois que ele comesse a fruta.

"Não posso dormir".Reafirmou girando os olhos pelo grupo para certificar-se de que não havia ninguém de Mirkwood por perto.

"Se dormir não será notado".

"Então fingirei dormir".

"Você ainda não se recuperou. Precisa de sono".

Legolas aborreceu-se e entornou rapidamente a caneca por sobre a grama antes que Aragorn pudesse impedi-lo. O guardião não conseguiu disfarçar a indignação.

"Elfo teimoso! Está ficando pior ano a ano. Pensa que não farei outra?"

"Eu estou bem o bastante para dormir por conta própria Strider. E se me sinto tão melhor isso pode ser um problema."

"Como assim?"

"Sinto que posso dormir o sono élfico." Admitiu o príncipe fazendo finalmente seu amigo entender o problema. Fowler olhou para o pai confuso, mas Skipper ergueu uma mão pedindo silêncio. Ele não queria atrair mais atenção para si.

"O rei." Disse finalmente o caçador falando quase entre os dentes. "Está olhando para nós."

Foi então que Legolas percebeu que o velho Skipper sabia mais sobre sua situação do que ele imaginava e sentiu-se muito constrangido. Mas a advertência do caçador se fez maior do que o sentimento de desconforto diante do fato de sua vida e problemas estarem se tornando cada vez mais públicos.

"Strider".Disse o príncipe num suspiro. "Por favor..."

Aragorn entendeu bem o recado. Ele ergueu-se imediatamente e afastou-se sem olhar para trás. Legolas sentiu seu coração doer ao ver o amigo afastar-se assim, parecendo magoado. Era bom ter Estel e os gêmeos por perto, mas parecia que até esse simples prazer estava lhe sendo tirado agora. Seu coração só aquietou-se um pouco mais quando ele percebeu que os três se sentavam juntos agora e disfarçadamente olhavam e sorriam para ele assegurando-lhe que tudo acabaria bem. Legolas queria acreditar naquilo. Como ele queria poder acreditar, mas um medo do tamanho de toda a Arda parecia estar invadindo seu coração. Instintivamente ele voltou seu olhar e cruzando toda a distância do acampamento ele encontrou um outro olhar que não deveria encontrar, embora ansiasse em fazê-lo. Skipper estava certo, Thranduil os estava encarando.

O príncipe não pode deixar de desejar ser Elrohir naquela hora e vestir uma máscara, ou pelo menos lançar ao pai o irritante olhar de Squirrel como fazia todas as vezes que se sentia pressionado. Mas por que não conseguia fazê-lo agora? Ele se questionava. Por que simplesmente não atuava o mesmo papel que representara nos últimos anos? Talvez porque não acreditasse que conseguiria êxito. Talvez porque acreditasse que tudo estava realmente perdido. O pai iria reconhecê-lo cedo ou tarde.

Pensando nisso ele nem se deu conta de que não desviara o olhar do do pai como deveria ter feito e, pior do que isso, ele se deu conta de que agora Thranduil se dirigia até eles.

"Elbereth." Clamou o elfo baixinho olhando para o chão e começando a tremer ligeiramente. Skipper olhou para ele e depois de volta para o rei compreendendo de imediato o problema. Num instinto o velho caçador enlaçou o rapaz em seus braços e fingiu conversar com ele. Legolas entendeu a atitude do amigo, embora temesse comprometê-lo também, ele não pôde evitar a boa sensação que sentia por ter alguém ao seu lado tentando não só apaziguar seu medo, mas também protegê-lo do pior. O príncipe instintivamente deitou sua cabeça no ombro de Skipper e fechou os olhos, o caçador apoiou a palma por sobre seu rosto bem a tempo da chegada do rei.

"Majestade!" Uma voz parou os movimentos de Thranduil quando estava a três passos deles. O rei voltou-se para um de seus batedores intrigado.

"Senhor, peço permissão para levar um grupo comigo até a Clareira da Garganta pela qual passaremos amanhã." Pediu o elfo. Ele parecia um tanto preocupado.

"O que se passa?"

"Estava fazendo minha ronda e ouvi sons estranhos".Respondeu o soldado. Seus braços permaneciam cruzados nas costas e o corpo ereto em sinal de respeito. Thranduil olhou novamente a sua volta. Ele sentia uma estranha sensação para qual estava buscando uma resposta urgente.

"Junte três elfos. Não mais do que isso".Respondeu finalmente o rei. "Já perdemos demais".

O elfo fez nova reverência e ia se afastando quando o rei lhe fez um sinal.

"Quatro." Repensou o rei ligeiramente angustiado. "Eu irei com vocês."

Depois de uma nova reverência o soldado afastou-se para cumprir as ordens de seu mestre, enquanto Thranduil lançava mais um olhar para o enigma que agora parecia dormir nos braços de um velho caçador. Skipper encarou o rei durante alguns momentos, mas depois desviou o olhar dando a Fowler instruções para ajeitar os sacos de dormir dos três. Quando voltou seu olhar novamente o rei já havia se afastado.

"Venha, filho." Disse o caçador puxando levemente Legolas para a direção do lugar onde o elfo deveria dormir. Mas o rapaz assim que se vira autorizado a reabrir os olhos não os tirava da direção que o pai tomara.

"O que o senhor acha que pode ser, Mestre Skipper?" Indagou sendo novamente puxado pelo caçador que franziu a testa diante da preocupação do menino, mas acabou sorrindo olhando na mesma direção do outro.

"Nada que vá engolir aquela criatura indigesta".Respondeu tentando amenizar os ânimos. "Venha se deitar".

Mas a preocupação ainda habitava aqueles olhos azuis que permaneciam fixos no caminho pela mata. Skipper olhava a figura a sua frente com uma mistura de dúvida e admiração. Ele sabia com o que estava roubando a paz do rapaz .

"Não é nada." Assegurou mais uma vez tentando desfazer o semblante rígido do arqueiro. "Algum animal qualquer. Nada que quatro soldados não resolvam."

Legolas balançou levemente a cabeça disfarçando a agonia que ainda habitava todo o seu ser e convencendo o amigo de que seus argumentos eram realmente válidos.

"Preciso me banhar." Disse procurando parecer despreocupado. "Estou dormindo há dias."

Fowler riu da observação.

"Elfos são mesmo muito limpos, não é Squirrel?" Indagou sendo imediatamente reprimido pelo pai que olhava para todos os lados cautelosamente.

"Nada disso, rapaz. É muito arriscado."

"Eu conheço a região." Disse o elfo fazendo o mesmo. Aragorn e os gêmeos conversavam agora com Halbarad, pareciam envoltos em um assunto muito importante. Aproveitando a oportunidade ele levantou-se vagarosamente, administrando a dor que ainda sentia. "Eu não demoro."

Skipper levantou-se também.

"Vou com você então. Fique aqui, Fowler."

"Não precisa me acompanhar. É bem perto. O suficiente para qualquer um me ouvir gritar se algo acontecer."

"Não quero te ouvir gritar, menino".Foi a resposta do caçador que desconcertou de vez o jovem príncipe.

"Não tenho a intenção de parecer rude, mestre Skipper." Disse Legolas sem olhar o amigo. "Mas eu não me banho acompanhado."

"Squirrel. Eu prometi olhar por você."

"E o fará, senhor. Eu agradeço e prezo sua proteção. Dou-lhe minha palavra que estarei de volta em pouco tempo."

Skipper não respondeu, ficando mais alguns instantes fitando o rapaz. O lago realmente era perto, logo atrás de algumas árvores. Ele sabia porque Fowler enchera seus cantis lá assim que chegaram.

"Prometo, meu senhor".Insistiu Legolas fixando seus olhos nos do homem agora.

"Menino..." Tentou argumentar o outro se sentindo totalmente perdido no mar de dúvidas no qual se encontrava. Ele prometera a Halbarad que protegeria o arqueiro e não podia descumprir uma palavra dada.

"O senhor não confia em mim?" Inquiriu o príncipe com um aperto no coração. Esse tipo de jogo decididamente não era o seu.

Skipper franziu os lábios e as sobrancelhas ao mesmo tempo e seu humor pareceu se alterar um pouco.

"Seus amigos parecem não confiar, rapaz." Ele respondeu num tom amargo apontando para o grupo que agora conversava em pé perto de uma grande árvore. Aragorn parecia um tanto aflito e gesticulava no meio dos irmãos enquanto Halbarad olhava o amigo pacientemente. "Eles me pediram que olhasse por você... Acham que você pode querer fugir."

Legolas sentiu a boca seca naquele momento. Estava experimentando o sabor amargo da desconfiança. De certa forma era o que ele tinha conseguido semear em torno de si durante todos esses anos. Primeiro perdera a confiança de seu pai e agora a de seus amigos também.

"Eles têm motivos." Disse o príncipe baixando os olhos com tristeza.

Skipper percebeu o poder de suas palavras e o mal que tinham feito ao rapaz.

"Então não me dê motivo também, menino".Disse enfim apontando o caminho do lago. "E cumpra o que prometeu."

A indecisão e o remorso atingiram o arqueiro operando como grandes pesos que o faziam ficar imóvel onde estava. Por que tudo em sua vida tinha que ser dessa forma? Para ajudar a uns era preciso trair a outros, para salvar certos sentimentos era preciso sacrificar outros. Mas ele sentia aquela sensação obrigando-o como uma força poderosa que não lhe dava trégua. Então não esperou mais, tomando disfarçadamente o mesmo rumo do pai enquanto Skipper e Fowler terminavam de arrumar seus pertences.

&&&

O emaranhado de galhos e folhas se adensava mais conforme Legolas seguia a trilha que tomara. Ele de fato conhecia bem o local e sabia qual era a clareira que o batedor mencionara. O problema que mais o incomodava naquele momento era que ele não pudera pegar arma alguma a não ser o punhal que Skipper lhe dera e que agora substituía o que ele usava anteriormente dentro da bota. Legolas mantinha a arma na mão apertando-a firmemente entre os dedos. Naquele momento ele se questionava pela milésima vez sobre o porquê de sua vinda nessa direção. Ele se odiava por, mais uma vez, trair a confiança de alguém a quem respeitava muito.

A mata estava escura e o silêncio o incomodava muito.

Mas o incômodo vazio logo foi substituído por alguns sons que ele não desejava ouvir.

"Olhem só!" Surgiu uma voz das trevas e uma figura que ele não esperava ver deu a ela um rosto. "Nosso amigo Squirrel perdido na floresta."

Legolas não pôde conter o ar de surpresa e medo que seu rosto demonstrava agora. Ao lado de Hawk, a figura do irmão também aparecia.

"Como vai, amiguinho?" Indagou Heron com um sorriso largo. "Pensamos que nunca mais o veríamos de novo."

"Heron... Hawk..." Disse Legolas descrente de seus olhos enquanto dava alguns passos para trás.

"Que tal me passar essa bela adaga?" Indagou ironicamente Hawk erguendo o arco e mirando a flecha na direção do rosto do arqueiro. "Você sabe que não queremos te machucar. Muito pelo contrário..."

Legolas não se moveu, mas Heron aproximou-se devagar e cobriu a mão do arqueiro com a sua forçando o punho do rapaz até que soltasse a arma.

"Bom menino", Disse o sulista numa ironia macabra enquanto se colocava atrás do jovem de gorro preto laçando sua cintura e encostando o próprio punhal do rapaz em sua garganta para ameaçá-lo. Legolas não pode evitar o tremor que sentiu com a proximidade do inimigo e sua total vulnerabilidade.

"Humm... é bom vê-lo tremer." Deliciou-se Heron colando seu corpo atrás da sua vítima. "O que faz sozinho aqui?" Indagou numa voz doce, os lábios próximos ao ouvido encoberto pelo capuz. "Veio atrás de mais elfos? Já vi que você aprecia a companhia deles."

"É verdade!" Hawk exclamou soltando uma risada. "Alguns passaram por aqui agora. Mas vão encontrar o destino deles em breve. Sinto pena de matar criaturas tão belas. Aqui não é lugar para elas, deveriam ir-se embora e deixar a escuridão para os donos dela".

"Não faça mal a eles, Hawk." Pediu Legolas sentindo todo o calor de seu corpo desaparecer subitamente.

"Shh..." Disse Heron apertando um pouco mais seu abraço e deslizando a ponta do nariz pelo rosto do príncipe. "Não vale a pena lutar por essas criaturas... Logo você verá. Nós temos muito para te ensinar e você vai ser um bom aprendiz, não vai?"

Legolas fechou seus olhos enojado com a súbita intimidade com que Heron o estava tratando, mas preso como se encontrava ele pouco podia fazer para se defender. Hawk aproximou-se olhando fixamente em seus olhos e parou a apenas um palmo de distância de seu rosto.

"Não tenha medo, meu rebelde Squirrel." Ele aconselhou num tom indecifrável enquanto deslizava sua mão pelo peito do arqueiro. "Nós sabemos da sua revolta. Do ódio que você tem em seu coração. Sabemos que foi humilhado, desprezado por quem amava. Nós sabemos mais do que você imagina."

Legolas balançou instintivamente a cabeça e virou o rosto angustiado.

"Não sei do que você está falando."

Uma risada sarcástica foi a resposta de Hawk que agora se ocupava em desfazer os laços da túnica do rebelde prisioneiro que quis se rebelar quando percebeu o que estava para acontecer, mas não pôde.

"Me deixe em paz, Hawk. Eu não quero ser seu aliado. Eu prefiro a morte." Legolas afirmou com firmeza jogando todas as suas cartas agora e fazendo os olhos estranhos do sulista se voltarem para ele.

"Do que tem medo? De que tomemos algo a força de você?" Disse o outro pausando as palavras de forma que elas parecessem soar piores do que realmente eram. "Não, não, meu caro amigo. Você nos dará o que queremos por sua livre e espontânea vontade, quando perceber que só queremos para você o que ninguém nunca quis. Queremos que você seja livre, que não tenha mais medo".

"Eu não tenho medo!" Afirmou o príncipe apertando os olhos ao sentir as mãos de Hawk deslizando por dentro de sua túnica agora. Ele ergueu subitamente os braços ao sentir num reflexo acionado pelo pavor de que suas conjecturas fossem realidade, mas a adaga em seu pescoço aproximou-se tocando a sua pele para lembrá-lo de que aquela não era uma atitude sensata. "Me deixe em paz."

"Você não está em paz agora, meu amigo".Atentou mais uma vez a voz torturante de Hawk. Legolas queria golpeá-lo ali mesmo, fazê-lo calar-se para sempre. "Nunca teve paz, nunca te permitiram. Mas agora você pode ser feliz ao nosso lado e dentro de nosso grupo. Quando toda a Arda estiver sobre o nosso comando não haverá mais dor e nem as pessoas que te fizeram sofrer".

Legolas tentava a todo custo ignorar as palavras de Hawk, queria poder imaginar-se em outro lugar, mas não conseguia. Aquele experiente sulista parecia saber muito bem o que estava fazendo.

"Pare, Hawk. Eu não quero sua amizade".

"Ah, você quer".Contrariou o mais velho dos irmãos mantendo o sorriso em seu rosto. "Nós entendemos você. Só nós! Nós sabemos o que você passou. Sabemos da injustiça que cometeram contra você. Sabemos da sua solidão, do seu medo. Nós conhecemos a sua dor".

Não havia respostas para aquelas palavras e o poder delas parecia fazer com que todo o ar pesasse mais do que num dia carregado de chuva.

"Olhe para mim!" Pediu Hawk erguendo o rosto do arqueiro com uma das mãos em seu queixo.

Legolas obedeceu enfrentando bravamente o olhar do inimigo, mas seria muito mais fácil se houvesse ira ou ódio naquele olhar e não aquele sentimento de amizade e compaixão que Hawk demonstrava. O sulista sorriu novamente e apoiou uma mão no rosto do príncipe por cima do gorro que encobria seus cabelos sua outra mão terminava agora de abrir a túnica do príncipe e voltava a acariciar-lhe o abdômen. Uma confusão de sentimentos assolou-lhe junto com aquele toque, com a brisa fria que atingira a sua pele, seguida de uma possibilidade que pareceu aterradora: Hawk o tinha visto. Os sulistas sabiam de seu segredo.

"Nós vamos te ajudar mais do que a sua ajuda poderá nos recompensar." Continuou Hawk. "Nós vamos te fazer inteiro novamente. Vamos ajudá-lo a ser quem você é novamente."

E ao dizer isso Hawk puxou o gorro de Legolas libertando seus cabelos. O elfo assustou-se com a atitude imprevisível e moveu-se tão abruptamente que acabou libertando-se dos braços de Heron. Os dois irmãos ficaram lado a lado em frente do príncipe agora. Heron ainda segurava a adaga e Legolas notou que estava manchada de sangue. Erguendo sua mão instintivamente ele percebeu que a arma havia feito um corte em seu pescoço quase na altura do rosto que sangrava muito.

"Quem são vocês?" Indagou o elfo confuso segurando o ferimento e tentando não ceder a dor.

"Somos a ajuda, príncipe Legolas." Disse Hawk revelando finalmente o que havia ocultado durante tantos anos. "Venha. Não tenha medo".Ele disse estendendo as mãos e caminhando em direção do rapaz. Legolas arregalou seus olhos, mas voltou a fechá-los respirando fundo e tentando amenizar a surpresa que sentira. Se aqueles homens o conheciam e o queriam a seu lado eles com certeza teriam um plano muito pior do que a conquista de uma vila ou mesmo das comunidades humanas. Apavorado com aquelas perspectivas todas, aliadas a outras inúmeras perguntas sem resposta que se formulavam freneticamente em sua cabeça, o arqueiro encostou-se numa árvore próxima e estendeu uma das palmas abertas para seu agressor.

"Fiquem longe de mim. Sejam vocês quem for. Eu não vou colaborar e é bom que saibam disso."

"É claro que vai." Disse Hawk parando e segurando o irmão para que fizesse o mesmo. Ele sabia que o rapaz estava abatido demais para correr, não havia porque continuar a pressioná-lo. "Logo vai ver que só queremos o seu bem. Vamos libertá-lo de todos esses opressores que o impediram de viver sua vida. Vamos colocá-lo no trono de Mirkwood e você vai vingar-se de todos os que te fizeram mal."

Legolas voltou-se para os irmãos, mas percebeu que não conseguia vê-los bem por trás da nuvem que se formava agora em sua frente. O elfo sentiu os joelhos fraquejarem e caiu devagar se encostando à árvore. Os irmãos aproximaram-se e ajoelharam-se a sua frente.

"Quem são vocês?" Indagou o príncipe tentando reconhecer aqueles homens que ainda eram uma incógnita para ele.

Heron e Hawk se entreolharam, depois puxaram seus cabelos levemente mostrando ao príncipe suas orelhas ponteagudas.

"Elfos?" Indagou Legolas descrente. "Mas como? Não..."

"Temos nossos próprios disfarces". Admitiu Hawk sorrindo e apoiando uma mão por sobre o joelho do príncipe. "E nosso mestre nos ajuda bem a escondermos certas evidências. Ele é muito justo. Você vai gostar de servi-lo também".

 "Me deixem".Disse Legolas evitando olhar seus agressores agora. O medo e o sentimento de impotência o estavam impedindo de pensar em uma saída.

"Pobre, criança." Disse Heron com ironia. "Acha que vamos fazer-lhe algum mal? Mal foi o que seu pai fez. Mal é o que seus amigos fazem. Você é uma mera criatura sem valor para a qual se dedica alguma caridade. Seu pai já disse que espera que você esteja morto e seus amigos te tratam como se você fosse uma criança que precisa ser protegida. Você não é mais o príncipe de Mirkwood. Você é um ser vazio. Não é mais ninguém. Precisa de nós".

"Ele é um exilado".Surgiu uma voz grave por trás dos dois irmãos. "Mas ainda é meu filho".

Heron e Hawk voltaram-se num sobressalto. A descrença no que ouviam desapareceu quando eles se depararam com a luminosa imagem que estava a poucos passos deles. Extinguiu-se também a certeza de que os outros homens já tivessem eliminado permanentemente o problema que eles julgavam ser o pior deles. O arrogante rei Thranduil deveria estar morto. Mas não estava.

"Afastem-se dele. AGORA!" Ordenou a voz poderosa que parecia se fazer ouvir por toda a arda. A imponente figura ainda mantinha sua espada na mão, ambas cobertas de sangue fresco. "Meros traidores jamais serão uma ameaça para meu reino."

Os dois levantaram-se de imediato, mas não estavam dispostos a se renderem. Em um movimento rápido Hawk ergueu o arco e direcionou uma flecha que atingiu certeiramente um dos elfos do grupo enquanto Heron largara a adaga e preparava-se para atirar também.

Legolas assistiu ao conflito entre seus breves momentos de consciência. Vozes foram ouvidas, flechas voaram no ar sem rumo, gritos de dor seguiram-se e pareceram intermináveis e subitamente veio a escuridão. Uma escuridão profunda e sem sons da qual o elfo julgava que nunca mais fosse sair. Mas alguns momentos depois o príncipe despertou com alguém apoiando a mão por sobre o corte no seu pescoço.

"Rápido!" Surgiu a voz de seu pai. "Ele está sangrando muito. Vão buscar os filhos de Elrond."

Legolas piscou algumas vezes tentando focalizar melhor o rosto de Thranduil que parecia diferente para ele naquele momento. As sobrancelhas do pai estavam franzidas e seu rosto tinha uma palidez ainda mais acentuada. Seu peito arfava enquanto ele olhava para todos os lados esperando pela ajuda que custava a chegar. Seu pai estava demonstrando algo que Legolas nunca o vira demonstrar antes. Thranduil estava com medo. Ele sofria.

"Deixe-me..." Disse o príncipe tentando manter-se acordado. O rei voltou seus olhos para o filho ainda com dois dedos apoiados no corte em seu pescoço.

"Deixá-lo?" Indagou perplexo. "Deixá-lo morrer?"

Mas Legolas não conseguiu responder. A escuridão apertou mais suas garras e seus olhos se fecharam.