Olá.!! Como vão? Tudo bem? Espero que sim.

Esse capítulo custou a ser finalizado. Estava reeditando, lendo e relendo o que já tinha feito há tanto tempo e simplesmente não conseguia me dar por satisfeita. Por fim resolvi que se ele queria ser assim eu não podia impedi-lo. Acho que está muito denso, carregado... não sei explicar. Talvez porque envolva muitos sentimentos... Depois vocês me contam se acharam a leitura muito difícil. Sejam sinceras como sempre, por favor.

Agradecimentos muitos e sinceros

Lady-Liebe Amiga. Que bom que apareceu!! Quero mais short-fics!! Estamos todos com saudades de seu bom humor.

Misao-dono – "COMO UM PÁSSARO" Onde está?? Por favor!!!

Kagura Bakura – Zilhões de obrigados para a minha amiga e leitora fiel. Muito obrigada mesmo!

Regina Oi, espero que goste desse capítulo.

Myriara– Eu fico dizendo que não vou mais elogiar "A PAIXÃO DOS EDAIN" porque a Myri não acredita em nada do que digo (risos). Mas não consigo. Eu amo essa fic e, sem medo de parecer piegas vou continuar dizendo isso muitas e muitas vezes. O capítulo novo está muito comovente (Gente! Peçam a versão NC-17, vale a pena ler!).

Nimrodel Lorellin "CRÔNICAS ARAGORNIANAS". A fic do meu coração. Uma mistura de tudo o que uma fic de qualidade deve ter. Leiam e comprovem!

BotoriEspero que goste desse capítulo também. Obrigada pelas reviews!!

Erualmarë Elessar(Perséphone Pendragon) – Mandei dois emails para você, mas voltaram para mim. Precisamos conversar sobre a sua fic! Obrigada pela review.

Vick Weasley: "BITTERSWEET" é um dos textos que, de tão bem escrito chega a não parecer real. Leiam! E aproveitem para acompanhar "O VINGADOR" também. Esses textos prometem muito.

Elfa Ju Bloom: "ROSAS, ARMAS, AMOR E SANGUE" recomendo sempre, sempre. Quem procura suspense com toques de poesia não vai se decepcionar.

Dark Lali: "NARN VENDENIEL" é outra dica que tenho que repetir sempre. Não deixem de ler.

Kika-Sama: "O ADEUS A ELESSAR". Texto novo e que vale a pena ser lido (como os outros também). Estamos mesmo bem servidos.

Chell1: "MEMORIAS DE UM PASSADO DISTANTE" e uma fic que deve ser lida. É uma idéia original que me surpreendeu muito. Leiam. Obrigada pelo tempo que você gastou lendo e me enviando suas reviews, amiga. Foi muito importante saber sua opinião.

Nossa, sempre tenho medo de ter esquecido alguém. Me avisem!!

Agora vamos a fic. Será que o conflitoentredoispoderosos elfos vai acontecer?

Essa fic foi agora revisada pela Myri. Obrigada, amiga!

22

Legolas ainda piscou várias vezes olhando dentro daqueles olhos acinzentados. Imagens e sentimentos o invadiram sem aviso fazendo sua cabeça girar, afogando-o num mar de recordações. Todas as dores das quais Elrond o tinha curado, o carinho nas horas difíceis, as palavras de incentivo, tudo veio a sua mente enquanto ele olhava para aquele grande e poderoso elfo, humildemente curvado em seus joelhos, vestido com roupas de guerra sujas de sangue e lama e mesmo assim lhe sorrindo o mesmo sorriso acalentador de sempre.

"Como... como soube, senhor?" Ele indagou a pergunta perdida, mesmo sabendo que a resposta não o salvaria do naufrágio em que estava.

O sorriso se intensificou então nos lábios do guerreiro que se fazia reconhecer curador novamente, enquanto ele pousava levemente uma mão por sobre o ombro do rapaz.

"Nem sempre as previsões nos vem e vão, minha criança. Nem sempre."

Foi mais um não entender na vida de Legolas que ele apenas procurou ignorar. Sua cabeça doía e as palavras de Elrond não faziam sentido, como nada fazia sentido há muito tempo. Ele então quis sorrir, tentando a todo custo navegar aquela torrente de emoções que o havia inundado, procurando o ar de uma superfície que parecia cada vez mais distante, mas não conseguia. Tudo o que conseguia agora era olhar dentro dos olhos do elfo a sua frente, como se achasse que ao fazê-lo pudesse segurar o seu amigo e protetor ali, garantir-se de que ele não desapareceria do mesmo modo como havia aparecido.

Elrond sentindo a intensidade daqueles olhos, fechou brevemente os seus como quem cerra as cortinas num dia nublado para não se entristecer com a saudade do sol. Aquela dor, que agora também o atingia não era uma dor qualquer e o lorde elfo sentiu-a tão forte e absoluta que seu coração se inquietou.

"Vai ficar tudo bem agora, criança." Garantiu o elfo utilizando-se de sua frase de sempre cujo complemento Legolas conhecia e ansiava por ouvir. "Confie em mim."

E aquelas palavras foram o que faltava para que o príncipe cedesse. O sorriso de Elrond se apagou quando ele finalmente recebeu o rapaz em seus braços e pôde então confirmar o quão real o sofrimento que agora compartilhavam era. Legolas agarrou-se ao mestre como quem se segura em um apoio para não ser levado pela correnteza e não pôde evitar o pranto que lhe inundou, transbordando todos aqueles sentimentos. Ele soluçava abraçado ao lorde de Rivendell, sentindo que nem assim a dor o deixaria em paz.

"Mestre..." O jovem elfo apenas repetia entre soluços. "Obrigado... Obrigado." Ele repetia a mesma palavra tentando encadear todas as outras que queria dizer, mas não conseguindo.

Elrond balançou a cabeça e sentou-se sobre os calcanhares afastando agora o jovem arqueiro um pouco para poder olhá-lo. Depois deslizou carinhosamente as costas das mãos enxugando as lágrimas e os caminhos que haviam deixado no rosto a sua frente, mas em poucos instantes suas sobrancelhas se curvaram ao ver o quão ferido e fraco o menino estava e o quanto precisava de ajuda.

"Onde está sua pior dor?" Perguntou erguendo o rosto do rapaz para que ele o olhasse nos olhos e não pudesse esconder-lhe nada.

O jovem arqueiro tentou respirar um pouco mais fundo, mas sentia que nem para isso ele tinha forças. Então apenas ergueu a mão direita e depositou-a por sobre o peito que ainda batia ferozmente. Elrond entristeceu-se mais. Ele sabia que aquele simples gesto na situação em que estavam não era uma saudação. Com a sombra de um sorriso triste, o curador pousou a mão por sobre a do príncipe e deixou-a lá por alguns instantes.

"Para essa dor, criança, eu não tenho medicamento." Ele disse num suspiro fraco. "Deixe-me pelo menos ajudá-lo nas outras".

Os cantos dos lábios do rapaz se ergueram levemente e ele abanou a cabeça. Um reflexo de paz surgia em seu rosto cansado.

"Meu mestre me diz inverdades".Afirmou apertando os lábios e buscando coragem para ainda enfrentar aquele olhar que parecia sondá-lo. "Pois essa foi a primeira dor que o senhor apaziguou no momento em que o vi".

Aquelas palavras derrubaram as últimas barreiras que o curador tentava manter no momento de guerra em que se encontravam e ele voltou a sorrir, não conseguindo impedir-se de lembrar-se do quanto amava o rapaz que ali estava. E por amá-lo como a um filho verdadeiro ele não se perdoava por encontrá-lo assim. Ele sabia que não devia tê-lo deixado ir quando o encontrara depois de tantos anos. Ele sabia dos riscos e agora temia que fosse mais difícil poder ajudá-lo.

"Abaixe um pouco a cabeça".Pediu preocupado, tentando fazer algo de útil naquele tempestuoso clima que os circundava. As intempéries da guerra até então não haviam mostrado todas as suas faces e o elfo temia que o tempo o desfavorecesse. O arqueiro o atendeu prontamente oferecendo-lhe, ainda um tanto confuso, uma oportunidade de vistoriar um dos ferimentos. Fowler e Halbarad se levantaram e agora estavam lado a lado. O velho dunedain apoiava a mão no ombro do menino enquanto este parecia conseguir sorrir de novo, vendo o carinho com que aquele elfo tratava seu amigo Squirrel e o modo totalmente diferente com que o arqueiro retribuía esse carinho. Legolas gostava muito mesmo de lorde Elrond, aquilo estava claro.

Mas os ventos da paz tomaram outros rumos.

"Afaste-se dele, Peredhel".Surgiu uma voz atrás deles. Elrond fechou os olhos antes mesmo de se voltar. Ele se lembrava muito bem daquele que nunca desistira de lembrá-lo de sua condição de meio-elfo.

"Thranduil".Ergueu-se o curador apoiando uma mão no ombro de Legolas para que ele ficasse no chão. Ainda não sabia o quanto o rapaz estava ferido e não queria arriscar-se.

Os dois poderosos elfos então se encararam frente a frente depois de anos incontáveis e ambos não gostaram do que viram. Thranduil manteve-se distante alguns passos, arma em punho, peito arfando, uma guerra inteira terminada em suas costas, mas ele parecia muito mais insatisfeito do que deveria estar.

"Afaste-se dele!" Repetiu o rei num tom mais alto.

"Não estou fazendo nenhum mal a seu filho, Oropherion".Respondeu pacientemente o lorde de Imladris apertando o ombro do príncipe ao senti-lo tremer agora sob seu toque. "Ele está ferido. Precisa de cuidados, como muitos de nós".

Thranduil enervou-se mais ainda ao ouvir as palavras daquele a quem esperava nunca mais ver. Ele engolia cada uma delas como se a gentileza com que fossem expressas se transformasse em puro fel quando chegavam a seus sentidos. Elrond não iria enganar-lhe com aquelas flores cujos caules eram cheios de espinhos envenenados. Ele não beberia daquela bebida amarga nem que aquele fosse seu último dia na Terra Média.

"Eu disse para afastar-se dele, Peredhel. Muito me admira de que ainda se lembre filho de quem ele e".

O curador teve que ignorar todas as palavras que transbordaram subitamente em seus pensamentos e que pareciam querer fazer o caminho direto até sua boca sem sua autorização. Certos fatos que poderiam muito bem ser lembrados eram assuntos perigosos demais para serem comentados ali, na condição em que estavam todos. Ele tinha que ter cautela.

O clima tornou-se tão aterrador que Legolas, temeroso pelo que poderia vir a acontecer, viu-se obrigado a erguer-se devagar para tentar afastar-se do lorde de Rivendell, apesar daquela não ser exatamente a atitude que ele gostaria de tomar. Ele queria ficar perto de Elrond, queria abraçá-lo e pedir-lhe que convencesse o pai a desistir de puni-lo com o rigor que tencionava. Ele queria desesperadamente pedir ajuda, mas seu coração temia por aquele que já o tinha ajudado mais do que devia ou ele merecia ser ajudado. Por aquele a quem ele já havia causado problemas demais.

Elrond observou o menino gemer levemente enquanto levantava o corpo cansado com muito custo para caminhar alguns passos em direção ao pai e simplesmente voltar a cair um pouco mais adiante. Seu instinto de curador não lhe proporcionou dúvida alguma e ele correu novamente para ajudá-lo ignorando as conseqüências que seu ato poderia acarretar.

E acarretou.

O rei, exasperado, ergueu a espada e partiu para cima do elfo inimigo, mas Legolas ao perceber a reação do pai voltou a se erguer colocando-se entre os dois antes que Thranduil pudesse realizar a loucura que pretendia.

"Misericórdia, meu mestre".Ele disse apoiando uma mão no peito do rei e tentando encará-lo. Como era difícil olhar dentro daqueles olhos sem se sentir aprisionado no azul-esverdeado que agora chegava a mudar de tom, temperado pela mais pura cólera que invadia o rei. Thranduil ainda mantinha os olhos fixos em Elrond ignorando o filho à sua frente. Ele não cabia em si envolto como estava no nervosismo que, somado a experiência de se sentir ajudado por aquele a quem odiava e, além de tudo, por ver o carinho com que o filho tratava esse mesmo elfo, estava insuportável. Elrond e sua gente já haviam tomado coisas demais dele, não tomariam sua dignidade de líder e pai.

"Eu lhe imploro, meu mestre".Insistia o filho desesperado agora.

Thranduil voltou-se então para a trêmula figura que se apoiava nele e mal conseguia manter-se em pé. O menino cheirava a sangue fresco novamente e seu rosto coberto por manchas e hematomas enervou ainda mais o pai. Como ele sairia daquela situação em que estava se o filho nunca se recuperava dos ferimentos que tinha? Como ele conseguiria efetivar a condenação que dera se aquela criança parecia sempre estar pronta para cair e nunca mais se levantar?

"Ferido novamente".Ele disse passando uma mão pelas costas do rapaz e, ao segurá-lo, agarrando-lhe impiedosamente os cabelos enquanto o mantinha colado a seu corpo agora. Ele não queria que o menino voltasse a cair, mas não podia tratá-lo com nenhuma consideração na frente de seus homens.

O rosto de Legolas se contorceu de dor com a brutalidade do pai e, embora ele tentasse utilizar as forças que lhe restavam, seu corpo fraquejou, sua visão se escureceu e ele desmaiou ali mesmo sem qualquer cerimônia.

Thranduil fechou os olhos inconformado agarrando o filho antes que ele simplesmente escorregasse de seus braços. Quantas vezes mais ele faria isso com ele, por quantas humilhações ele passaria devido a sua franqueza? O rei sentiu um enorme desejo de deixá-lo cair, de abandoná-lo ali mesmo naquele chão coberto de sangue e lodo, de finalmente poder esquecê-lo. E se odiou ainda mais quando, olhando a figura que pendia como um feixe de feno, segura apenas por um braço seu, ele sentiu o coração doer novamente pelo filho e pela dor que emanava dele. Ele se odiou por perceber o quanto ainda o amava.

A sua frente, entretanto, um outro elfo parecia bastante aflito.

"Deixe-me cuidar dele, Thranduil".Pediu Elrond agoniado, despertando novamente a ira que parecia querer adormecer no coração do rei.

O regente de Mirkwood respirou fundo e ergueu novamente a espada. Elrond quis espelhar o gesto inicial do inimigo, mas acabou apenas erguendo uma mão para seu grupo. Ele se sentia sufocado pelas preocupações do momento. Seus elfos agora se mesclavam aos soldados de Thranduil que estavam em número muito inferior, mas com certeza defenderiam seu rei até a morte e essa seria uma cena que Elrond não queria ver nem em um milhão de estações.

"Ada!" Surgiram então os gêmeos e Aragorn vindo ao encontro do pai. Um pequeno sinal de alegria dentre tanta dor e conflito. O dunedain mancava levemente tendo a perna amarrada por um pedaço de tecido manchado de sangue. Elrond olhou para ele preocupado, mas ainda tinha uma questão que provavelmente fosse mais séria a ser resolvida.

Thranduil sentiu a ira roubar-lhe novamente todo o ar ao presenciar essa cena. Elrond encontrara seus filhos agora e poderia simplesmente pegá-los e levá-los de volta para casa como se nada houvesse acontecido, como se pudesse ignorar o fato de que ele sabia o que o meio-elfo havia feito. Ele sabia de sua traição.

Pensando nisso o rei não hesitou, erguendo a espada e fazendo com ela um sinal para os elfos que estavam próximos de Elladan, Elrohir e Estel. Os soldados bem treinados entenderam imediatamenteas ordens não verbais de seu rei e cercaram os filhos de Elrond criando uma nova consternação. Os gêmeos se olharam intrigados vendo-se repentinamente ameaçados pelas espadas dos elfos que há pouco lutavam ao lado deles.

Mas Elrond não se alterou. Ele encheu o peito com aquele ar carregado que não lhe fazia bem algum e deixou morrer em seu coração o desejo que tinha de ajudar o pobre Legolas. Ele entendera bem o recado do hábil rei e não pôde deixar de admirar-lhe a coragem e a noção de riscos e perdas que só um senhor da guerra teria. Thranduil não era um tolo irresponsável que arriscava a vida dos poucos elfos que tinha por uma questão pessoal. Ele tinha outros planos e parecia saber muito bem o quão longe poderia forçar a situação com o senhor de Imladris sem que este pudesse reagir. Agora restava apenas entender o que se passava dentro daquela mente atribulada.

"Seu filho está ferido e um número considerável de homens os estava atacando sem nenhum propósito aparente".Disse o curador então sem retribuir o olhar de indignação que os filhos lhe lançavam. "Não acredita que tenhamos assuntos mais importantes para tratar?".

Thranduil olhou mais uma vez para o corpo em seus braços e depois fez um sinal para um elfo que estava atrás de Aragorn. O soldado respirou fundo como se temesse o chamado, mas obedeceu caminhando firmemente e colocando-se em frente ao seu líder.

"Alagos".Disse o rei com austeridade estendendo o braço com o corpo que segurava para o elfo que, compreendendo bem a situação, tomou o amigo de infância nos braços sentindo uma tristeza que mal podia disfarçar. "Eu lhe incumbo dessa tarefa, capitão. A você cabe levar meu servo para que cumpra sua pena".

Os lábios do elfo simplesmente não conseguiram permanecer selados e ele deixou o queixo cair sem perceber. O que o rei lhe estava ordenando não fazia qualquer sentido. Aquele era Legolas, o príncipe de Mirkwood, e ele não podia simplesmente deixá-lo numa masmorra cheia de roedores e outros seres ferido como estava.

"Majestade, perdoe-me a ousadia mas..." Ele tentou argumentar, mas foi calado por um gesto de seu senhor.

"Faça com que um curador o veja. Um curador de Mirkwood".Ele disse olhando para Elrond que, por tentar arduamente juntar as peças do tenebroso quebra cabeças das palavras que escutava, sequer conseguiu perceber a provocação. "Mas ele não sai do lugar a que foi destinado, nem para ser tratado!" Completou o rei num tom mais forte,desencorajando qualquer outro comentário que o confuso Alagos pudesse querer fazer.

Impossibilitado de mais pelo fardo que carregava, o elfo fez uma meia reverência e depois se afastou, levando o desacordado amigo em seus braços e chamando um outro elfo para ajudá-lo. Aragorn acompanhou aflito o caminhar compassado dos elfos que silenciavam suas bocas e mentes agora se limitando a cumprir sem questionamento as ordens de seu rei. Um grande desespero encheu-lhe o coração. O pesadelo que viviam era cada vez mais aterrador e não parecia haver nenhuma perspectiva deles acordarem em suas camas tão cedo. Aquele rodamoinho o estava tragando depressa e ele começou a se exaltar conforme via a figura dos elfos desaparecerem pela trilha que subia a colina. Ele nunca temera tanto pelo amigo como temia agora e aquela impossibilidade de ajudá-lo estava ultrapassando todos os limites do suportável. Aragorn voltou a cabeça para todos os lugares. Halbarad e Fowler, agora abraçado ao pai, também estavam cercados por alguns elfos de Mirkwood, enquanto o grupo todo tinha a sua volta os vários elfos de Rivendell.

"Por que..." indagava-se o guardião não conseguindo conter as perguntas que brotavam em sua boca como se tivessem vida própria.

Elladan segurou o antebraço do irmão com força percebendo toda a exaltação que emanava dele tal qual o calor de uma fogueira acesa.

"Silêncio, Estel".

"Não posso..." Agitava-se o humano aflito. "Por que ada não os enfrenta? Por que não os impede?".

"Você é pior que eu, Estel".Lamentou-se Elrohir num misto de indignação e complacência. "Não conhece nada sobre diplomacia".

"Diplomacia?" Repetiu o caçula descrente olhando para os dois líderes que agora se encaravam como grandes animais que se preparavam para uma luta cruel. "Não vejo nenhuma diplomacia aqui".

Elrohir soltou um suspiro forçado e sacudiu a cabeça.

"Olhe, Estel! Eu não sei quanto a você, sobre o que o seu sangue humano clama em seu coração".Disse o gêmeo amargurado. "Mas eu não quero carregar em minhas mãos a morte de nenhum elfo pelo resto dos meus dias aqui".

Aragorn virou-se para o irmão sentindo-se apunhalado. Ele entendera os argumentos de Elrohir, mas fora definitivamente ofendido pelo tom e a insinuação do gêmeo e queria colocar tudo em pratos limpos. Ao olhar para Elrohir, porém, ele compreendeu o porquê daquelas palavras. O gêmeo tremia agora amarrado em uma agonia que parecia consumir-lhe todas as entranhas. Estava tão indignado quanto ele, mas já olhava para o caçula com um arrependimento expresso no rosto. Eles viviam uma situação limite onde os caminhos da razão eram árduos e perigosos.

O breve diálogo do grupo, no entanto, foi interrompido por um movimento. Thranduil finalmente dera alguns passos e parava em frente de Elrond agora. O lorde de Imladris não se intimidou analisando friamente todos os traços do inimigo a sua frente. Em outra situação ele se condoeria mais pela cansada figura do rei, compreendendo bem os problemas que lhe ocupavam a mente e o espírito, mas naquele momento a parte humana de seu sangue parecia querer recusar-se a alimentar qualquer sentimento de compaixão por aquela criatura.

E compaixão também parecia ser o último sentimento que Thranduil queria despertar no inimigo que enfrentava face a face agora.

"Seus filhos infringiram regras graves, das quais acredito que você seja no mínimo conhecedor, ou quem sabe mais do que isso".Afirmou o rei demonstrando estar tentando com todas as forças que lhe restavam recuperar a sobriedade, depois daquela tempestade de acontecimentos que os assombraram.

Elrond mantinha sua máscara de passividade. Ele não iria mentir, mas também não admitiria ter ajudado o condenado príncipe de Mirkwood em frente de seus elfos.

"Quer discutir o assunto?" Indagou finalmente o curador.

Thranduil não pôde deixar de rir.

"Discutir?" Ele repetiu com descaso. "Não sou eu aquele avesso à diplomacia? Não é a visão que se espalha por toda a Arda?".

"Thranduil, não me faça repetir uma pergunta desnecessariamente".Disse Elrond. Suas feições não se alteraram, mas usa voz parecia conter uma certa indignação.

"Não tenho nada a discutir com você, Peredhel!" Afirmou o rei demonstrando claramente a indignação que o curador disfarçava tão bem. "Regras não foram feitas em vão! Seus filhos as infringiram e serão punidos!".

Punição. Aquela palavra soava diferente nos lábios do rei e parecia fazer parte de seu sobrenome. Elrond enervou-se ao ouvi-lo associá-la a seus filhos. Ele, que já não conseguia aquietar o coração preocupado com o príncipe, outra vítima da tão valorosa "punição" clamada como correta pelo rei, sentia ser impossível agir com paciência vendo agora o autoritário Thranduil querer estender os laços de sua "justiça" para sua família também.

"Vamos falar em regras então, Oropherion".Dispôs-se o curador erguendo sua voz um tom. "Vamos falar de uma criança que, pelo que pude entender, deitar-se-á agora em uma masmorra fria e escura abraçando suas próprias dores".Continuou então percebendo a respiração do rei voltar a se alterar. "Vamos falar em regras para o tratamento de soldados, prisioneiros de guerra, traidores, serviçais, escravos,... filhos...".

Thranduil não respondeu e em meros segundos Elrond mal poderia fazê-lo também se fosse da vontade do rei. O regente de Mirkwood ergueu a espada num rompante e encostou-a na garganta do curador implacavelmente.

"Você é muito ávido quando o assunto refere-se a questões de família, seu meio-elfo miserável".Disse o rei erguendo o queixo e segurando firme a arma que empunhava.

"Vamos falar de regras de diplomacia, então?" Continuou o elfo num tom de ironia sem se deixar abalar e fazendo com que Thranduil admirasse a coragem que demonstrava "Vamos realmente falar em regras ou vamos negociar?".

O rei respirou fundo e analisou a situação por mais alguns instantes. A ira o estava impedindo de pensar com clareza, mas havia outros detalhes que mereciam sua atenção e ele não podia por tudo a perder em um momento tão precioso.

"Eu só negocio em meu território".Decretou o rei baixando então a espada. "Você vem sozinho para Mirkwood. Seus soldados ficam aqui a sua espera".

Aragorn e seus irmãos não gostaram da oferta que ouviram e que, apesar de não soar como uma oferta, aguardava por uma resposta formal do líder de Rivendell. Elrond gastou alguns segundos em sua decisão. Depois acenou concordando. Não havia mesmo muita alternativa que lhe restasse.

&&&

Thranduil deixou o grupo alojado no salão de festas do palácio. Aragorn já imaginava que ele não cederia quartos para aqueles homens. Na verdade os colocara num único lugar onde pudessem ser vigiados. Os homens de Halbarad, porém, acostumados a viver ao relento e dormir na relva acharam o lugar confortável, comeram a comida que lhes fora enviada, trataram seus feridos e em pouco tempo a maioria já estava dormindo. Apenas Fowler insistia em fazer milhares de perguntas ao pai que parecia estar muito incomodado com o fato de não poder estar dormindo também e esquecer de onde estava, esquecer o que vira aquele rei elfo fazer. O menino estava tão fascinado pelo palácio e pelo luxo de Mirkwood que parecia ter se esquecido das amargas experiências que vivenciara, ele elogiava tudo o que via, desde as vestimentas dos elfos até os candelabros das paredes, parecendo estar vivendo em um mundo de sonhos. O salão era um dos lugares mais luxuosos do palácio, havia uma fonte bem no centro e algumas plantas cresciam em pequenos vasos por toda a parte.

A Elrond e seus filhos, entretanto, não fora concedido o direito de passar a noite com o grupo de Halbarad. Os quatro permaneceram num dos grandes quartos do palácio onde algumas camas foram improvisadas, mas não foram utilizadas durante toda a noite que se passou. A família, vigiada todo o tempo, aproveitou para tentar se interar dos fatos que ocorreram. Os filhos narraram pacientemente tudo o que lhes acontecera desde que deixaram Imladris para o pai, que ouvia atentamente questionando sobre meros detalhes que pareciam sem importância. Em seguida Aragorn relatou a história que Halbarad lhe contara no caminho para o palácio, sobre as coisas terríveis que Hawk pretendia fazer e sobre a pressão que exercera sobre Legolas.

Elrond franziu a sobrancelha apertando as têmporas com os dedos. Toda aquela história junta, todas aquelas palavras que representavam ações cruéis e cenas terríveis pareciam tê-lo envenenado e ele não se sentia bem. Sentando-se perto da janela o curador encheu os pulmões com o ar de Mirkwood e fechou os olhos por alguns instantes.

"Ada?" Indagou Elladan ajoelhando-se perto do pai e colocando uma mão por sobre seu joelho. Ele sentia que a situação na qual estavam era muito delicada e o pai teria que usar de todos os seus dotes diplomáticos se quisesse realmente tirá-los dali.

Elrohir também se aproximou sentando-se no chão em frente ao pai e Estel encostou-se tristemente no parapeito da janela.

"Nós lamentamos muito, ada".Disse o guardião olhando o pai com pesar.

"Lamentam?" Indagou o curador abrindo os olhos e encarando o filho.

"Podíamos ter recusado a oferta de Thranduil".

"Estariam aqui mesmo assim, ion nîn".Replicou o pai. "Pelo que pude entender o rei já os tinha como prisioneiros desde que colocara os olhos sobre vocês próximos à saída da caverna".

"Podíamos ter feito algo. Devíamos ter..." lamentou-se Estel num suspiro olhando pela janela e encontrando uma estranha visão. Halbarad e seus homens haviam sido libertados e estavam sendo conduzidos por uma tropa de arqueiros de Mirkwood para fora das fronteiras da cidade. De longe o velho líder ainda pode ver o amigo Strider e acenou-lhe um triste adeus.

Aragorn sentiu-se petrificado pela incerteza e mal pôde retribuir a despedida, atendo-se apenas a observar enquanto o pequeno grupo se dirigia portão a fora em cavalos que não eram deles.

"Não... entendo..." Ele apenas disse quase para si mesmo, sendo ouvido, porém pela audição privilegiada de sua família.

"O que houve, Estel?" Indagou Elladan levantando-se a tempo de observar os últimos homens de Halbarad saírem pelo grande portão. Ele franziu a testa apoiando-se no ombro do irmão e os dois se olharam quase ao mesmo tempo, rostos expressavam a mesma dúvida.

"O que houve?" Indagou Elrohir ainda no chão.

"Libertaram Halbarad".Informou Elladan pegando em seguida a mão que o irmão estendia como pedido de apoio para se levantar. Elrohir juntou-se então ao gêmeo e ao caçula, mas tudo o que pode ver foi o bater do grande portão.

"Por que..." A pergunta iniciou-se, mas definhou na boca do gêmeo mais novo sem um complemento, de repente tornava-se totalmente desnecessária.

"Somos os únicos prisioneiros aqui".Deduziu o guardião apertando as mãos nervosamente.

"Ele não fará nada contra nós, Estel".Garantiu Elladan tentando se acalmar. "Seria um incidente diplomático muito grande, não somos elfos quaisquer, muito menos nosso pai".

"Diplomacia nunca fora a maior virtude de Thranduil", lembrou-se o outro gêmeo. "Vindo dele eu espero qualquer atitude insana. Vocês viram o que ele fez com o próprio filho?".

"Thranduil não quer mal a Legolas, crianças".Disse Elrond finalmente voltando a fazer parte da conversa. Ele não parecia surpreso com a partida do grupo dos dunedain.

"Ele não quer mal ao filho do mesmo jeito que eu não quero mal a ele".Ironizou Elrohir sem olhar o pai.

"Ele não quer".Repetiu o curador balançando a cabeça com tristeza ao relembrar toda a triste história dos fatos que se decorreram e das dores que o pobre príncipe de Mirkwood sofrera.

"Ada".Indignou-se o caçula segurando o rosto com ambas as mãos e esfregando a face avidamente. Ele tentava entender aquele absurdo que seu pai lhe dizia, mas era impossível. "Ada, de onde o senhor tira essas certezas? Nós não podemos estar pensando no mesmo elfo".

"Ele ama o menino. Só que luta contra esse sentimento e nesses conflitos que trava acaba por ferir o rapaz".

"Certo... certo... e eu sou um Balrog".Disse Elrohir afastando-se do grupo com indignação e atirando-se por sobre uma das camas. "Bem que eu gostaria de ser um Balrog agora...".

Elladan e Estel acompanharam o movimento do irmão e depois se encararam balançando suas cabeças num meio riso. Elrohir dizia certas coisas a Elrond que eles jamais teriam coragem de dizer.

"É mais fácil de se compreender do que vocês imaginam, ionath nîn. – meusfilhos -" Mas infelizmente não é tão fácil de se aceitar.

"É claro que não ".Indignou-se o gêmeo erguendo o corpo e cruzando as pernas por sobre o colchão. Eu já vi Legolas derramar mais sangue nesses últimos tempos do que nas batalhas que eu e todos os elfos da minha patrulha enfrentamos juntos. E Thranduil nem assim demonstra qualquer compaixão. Aquele pai deve querê-lo morto. Só pode ser isso."".

"Às vezes ele quer".Disse o pai com tristeza. "Tanto quanto quer ver a si mesmo morto".

Elrohir parou por alguns instantes digerindo as palavras do pai. Os enigmas de Elrond sempre lhe surgiam assim, como poucas palavras querendo explicar uma história inteira e na maioria das vezes, por mais que ele negasse, conseguindo fazê-lo.

"Por favor, ada".Disse Estel agora se afastando do irmão e do pai e se sentando aos pés da cama, próximo a Elrohir. "Não me faça ter simpatia por esse elfo".

"Não posso obrigá-lo a ter um sentimento do qual nem eu mesmo compartilho".Disse o pai surpreendendo seus filhos mais uma vez. "Mas o que digo é a verdade e somente a verdade, Estel. E a verdade tem muitas faces".

&&&

E aquele dia se encerrou e quatro outros também sem que fossem libertados. Apenas tinham autorização para andarem por certas partes do palácio e eram muito bem vigiados enquanto o faziam. Aragorn percorria os lugares que conhecia buscando notícias do príncipe, mas ninguém sabia, ou queria, ou não temia responder.

Elrond, por sua vez, não saia do quarto onde estava, aguardando pelas notícias que os filhos traziam. Seu coração enfrentava a dor da dúvida que parecia cruel. Ele entendia bem o jogo de paciência que o rei estava fazendo, evitando as discussões de imediato, adiando assim qualquer conflito que pudesse surgir enquanto ganhava tempo para reestruturar seu exército. Embora conhecesse Thranduil o suficiente para saber que a covardia não era uma de suas características ele preocupava-se com o que o rei élfico poderia estar arquitetando.

A porta voltou a se abrir e três figuras impacientes entraram e se atiraram por sobre as camas. Elrond olhou para os filhos com carinho, não queria transmitir-lhes as incertezas que o estavam afligindo.

"Não consigo chegar às masmorras".Lamentava-se Estel jogado de bruços por sobre o colchão macio com a cabeça enterrada no travesseiro. Sua voz abafada era quase ininteligível.

Elladan sentado na cama ao lado ergueu olhou o pai com tristeza.

"Eu consegui ir até a casa do curador".Disse finalmente fazendo com que Estel saísse de sua posição original e se sentasse na cama querendo saber mais.

"Como conseguiu?" Indagou Elrohir. "Como conseguiu sair do palácio".

"Eu disse que estava ferido e precisava de algumas ervas".

"E eles não questionaram? Não quiseram ver seu ferimento?".

O gêmeo apertou os lábios erguendo uma das mãos que estava envolvida em várias ataduras. Elrond franziu as sobrancelhas e se aproximou desfazendo o curativo na mesma hora para vistoriá-lo. O filho tinha um corte muito fundo na palma da mão que tinha sido suturado e agora cheirava a varias ervas conhecidas.

"Tinha que parecer convincente, ada".Defendeu-se o primogênito sabendo o que se passava na cabeça do pai. "Se fosse apenas um corte que o senhor pudesse cuidar sem suas ervas eu não os convenceria".

Elrond comoveu-se com a coragem do filho.

"Como aconteceu?" Indagou voltando a fechar o curativo.

"Apertei um vaso de flores".Respondeu o rapaz baixando a cabeça e corando ligeiramente como uma criança que admite uma travessura diante do pai.

Estel e Elrohir se olharam perplexos com a determinação do irmão e se levantaram para sentarem-se ao lado dele. Elrond ergueu o rosto do filho fazendo-o olhar em seus olhos. Elladan obedeceu, mas uma tristeza que habitava o olhar do filho indicava duas possibilidades: ou que ele não havia conseguido descobrir nada ou que as notícias não eram das melhores.

"Eu já disse o quanto me orgulho de você tantas vezes que acreditava não haver mais necessidade, ion nîn".Disse o pai deslizando dois dedos pelas faces do filho. "Mais uma prova de que não podemos prever o futuro".

Elladan voltou a desviar seu olhar e uma lágrima solitária rolou por sua face direita. Estel o envolveu com carinho e Elrohir segurou a mão ferida entre as suas com cuidado.

"Conseguiu notícias dele?" Indagou Estel a pergunta que estava na mente de todos.

"Foi difícil convencê-lo a me contar".Admitiu o rapaz olhando para o pai que puxava uma cadeira para sentar-se em frente a ele agora. "Legolas foi tratado, mas está nas masmorras".

"Valar".Aclamaram os dois outros irmãos em uníssono.

"E tem sido visitado pelo curador depois do primeiro dia?" Indagou Elrond fixando seus olhos acinzentados no filho como se quisesse ler as respostas de sua face antes mesmo de ouvi-las.

"Não".Lamentou-se Elladan. "Ele está só. Há guardas, mas não se tem notícia. Ele disse que ouviu alguns rumores…".

"Rumores?".

Elladan engoliu seco e usou sua mão boa para segurar a do gêmeo ao seu lado em busca de forças para o que tinha que dizer. Elrohir desprendeu os lábios assustado e achegou-se mais ao irmão.

"Ele tem que cuidar das masmorras, trabalhar porque é um servo. Mas o curador disse ter ouvido que tudo que o príncipe faz é ficar sentado em um dos cantos escuros de uma das celas".

Estel levantou-se aflito e começou a ziguezaguear pelo quarto como se tivesse tomado uma grande dose de um poderoso veneno e agonizasse terrivelmente.

"Ele não vai agüentar. Ele tem medo de lugares fechados" Dizia o guardião em seu desespero.

"E o rei?" Indagou Elrond voltando a olhar para o filho.

"Saiu em uma patrulha há três dias. Uns conflitos surgiram em uma das fronteiras e ele foi obrigado a ir com um grupo de elfos".

Elrond não pensou duas vezes, levantou-se, apanhou uma de suas bolsas com ervas e dirigiu-se até a porta.

"Ada, aonde vai?" Indagaram os filhos levantando-se, mas sendo impedidos por uma das mãos do pai que num gesto os fez parassem onde estavam.

"Vocês ficam aqui. Eu vou tentar não demorar".

"Aonde vai?" Indagou Estel num tom mais alto. Sua impaciência característica aflorando-lhe a pele.

"Vou achar Legolas".

"Não pode resgatá-lo de lá, ada!" Disse Elrohir sentindo que subitamente suas posições se invertiam e ele ridiculamente tentava dar conselhos inúteis ao pai.

"Só vou tentar saber como ele esta".Esclareceu o curador saindo rapidamente e fechando a porta.

Aragorn voltou a jogar-se por sobre a cama.

"Ele não vai conseguir. Estou tentando desde que fomos autorizados a sairmos daqui".

Elladan sorriu um sorriso triste apoiando uma mão por sobre a perna do irmão.

"Você é o melhor guardião que eu já conheci, irmãozinho".Ele disse atraindo os olhos do caçula para os dele. "Mas você ainda não viu do que ada é capaz".