Cinco anos depois, o Príncipe Kanahyor voltava de seu emprego como jardineiro na vila de Honppo, mas foi cercado por cinco homens mal encarados e com roupas brancas encardidas.

-Sempre soube que um dos Príncipes estava trabalhando na cidade, mas nunca pensei que estivesse levando uma vida tão miserável. –Disse um rindo e pegando uma faca do bolso, todos fizeram o mesmo. –Quando o Rei me pediu para procurá-lo imaginei um garotinho mimado que levava uma vida luxuosa.

Kanahyor não se mexeu. Todos saltaram para cima dele que continuava imóvel.

De repente, um símbolo dourado brilhou nas costas de sua mão direita, todos os ladrões foram arremessados para longe e ele continuou caminhando.

Chegou na casa em que dois senhores de idade, lhe hospedavam com muito prazer. Habitualmente ele se lavou e colocou uma roupa limpa.

A notícia do poder do Príncipe se espalhou rápido por Kanasrayou por meio dos ladrões, logo o Rei chegou, a saber.

O Rei partiu com uma grande parte dos soldados do castelo e com o irmão de Kanahyor, que ainda não havia engordado.

Eles sabiam onde Kanahyor estava, portanto logo o encontraram e então o rei puxou a mão sua mão direita.

-Era o que eu temia!

Nas costas da mão direita de Kanahyor havia um triângulo dividido em quatro partes, com a parte do topo brilhando dourado, o Símbolo da Triforce do Poder, mas o brilho do triângulo do topo estava dividido ao meio.

O rei pegou a mão do irmão de Kanahyor e então comparou as duas lado a lado.

Em cada uma das costas das mãos havia uma metade do Símbolo.

-Só há um jeito de unir a Triforce do Poder! –Gritou o Rei com raiva. –Tenho de matar um dos dois!

Ele virou-se para Kanahyor:

-Você está condenado a viver durante seis anos no Deserto de Yokoluh, ao leste de meu reino! Iremos buscar o que sobrar de você nessa data!

Os guardas o arrastaram para fora do reino sob o protesto de todo o povo de Kanasrayou.

Todos temiam aquele deserto, era um buraco colossal no meio do continente, no fundo desse buraco havia um deserto onde nenhum ser vivia.

As lendas diziam que todas as almas de monstros que morriam iam para lá para esperar uma segunda chance para matar quem se aventurasse pelo deserto.

Os guardas chegaram até lá junto com o Rei e o irmão, depois de escapar da revolta populacional, eles jogaram Kanahyor dentro do buraco.

A maior parte das pessoas foi embora adquirindo os mesmos pensamentos do rei por serem Kanenkais, deixando os dois senhores hospedeiros chorando sobre o deserto, resistindo o máximo que podiam sobre a falta de opinião própria.

-Eu não entendo o que você tanto lê nessa biblioteca, Zelda! –Exclamou Link enquanto desfilava na frente de sua irmã.

-Diferente de você, que é o cavaleiro mais jovem da história de Hyrule, eu gosto de ler livros antigos. Ontem encontrei uma lenda interessante que falava sobre seis Sábios e... –Link continuava andando de um lado para o outro. –Você não está nem ouvindo o que eu estou dizendo! –Gritou ela.

-Acalme-se Princesa, afinal não é uma má idéia que o Príncipe Link se torne um cavaleiro com apenas dez anos de idade. –Disse a ama

-Você está certa, Stenka. Cada vez mais eu tenho tido sonhos estranhos sobre guerras e muitas mortes...

-Ora, Zelda! São apenas sonhos bobos de uma garota boba.

-O príncipe Link tem um fundo de razão nisso, são apenas sonhos, Princesa. Esqueça.

Stenka encostou-se na cadeira dourada enquanto Zelda voltava a ler uma lenda antiga sobre os Sábios, ela começou a murmurar algo sobre uma lâmina banidora do mal e uma Árvore Deku.

Link foi novamente para os jardins, enquanto a Rainha dizia para o Rei:

-Não é a toa que ele tem o nome do Herói do Tempo.

-Realmente. Mas me diga uma coisa, por que Link era chamado de Herói do Tempo? Ele fez algo mais do que se casar com a Princesa Gornell?

-Isso é uma lenda esquecida, não tente adivinhar o nome da Princesa, na biblioteca deve ter algo a respeito.

Seis anos se passaram e o Rei da terra dos Kanenkais foi junto com muitos soldados do reino buscar a metade restante da Triforce do Poder no Deserto de Yokoluh.

Eles se asseguraram de poder voltar após pegar a metade da Triforce e então adentraram no deserto.

Após meia hora, eles enxergaram alguma coisa sentada em uma pedra mais adiante, os soldados cercaram o Rei e então uma cortina de areia passou.

Quando abriram os olhos à pedra estava vazia, voltaram a caminhar e, na frente da pedra, outra cortina de areia passou.

Sem dúvida havia alguém ali, os cabelos prateados caiam pela frente do rosto e pelos ombros, até a cintura. Usava uma longa roupa negra com um cinto marrom e uma capa negra que esvoaçava ao vento.

Todos estavam assustados, parecia haver uma voz pairando no vento:

- Kanahyor? –Perguntou o Rei apavorado.

Uma mecha se afastou nos cabelos prateados da pessoa, todos puderam ver um olho verde que parecia emanar fúria e frieza.

Um dos guardas ficou em chamas, outro foi arremessado para longe, transformaram-se em areia, todos começaram a correr para a entrada do Deserto:

-Me protejam! Protejam-me! –Gritava o rei, mas todos os guardas, por serem Kanenkais, estavam influenciados pelo medo do soberano.

Ao chegar à entrada do Deserto, não havia mais nenhum soldado, o Rei continuou correndo em direção ao Sul da propriedade do castelo.

Então encontrou uma cabana que nunca havia visto antes, sem pensar no que poderia ser, ele entrou.

Havia um pedestal dourado no meio da sala, ao lado dele estava parado um garoto alto com cabelos prateados lhe caindo pelas vestes até a cintura.

Sem dúvida era a mesma pessoa que haviam encontrado no Deserto de Yokoluh, mas ele havia afastado a franja dos olhos verdes.

- Kanahyor?

-Sim, meu pai. Sou eu.

-Estou tão feliz que esteja vivo.

Kanahyor observou-o:

-Verdade? Então qual foi o motivo de ter me confinado naquele deserto?

O Rei não conseguia falar, muito menos se mover.

-Que lugar é esse? –Perguntou ele.

-Isso é algo que você não deve saber...

O Rei finalmente parecia ter recuperado a sensibilidade nas pernas, esperou alguns segundos e desatou a correr, chamando pelos guardas.

Ele foi paralisado e arrastado novamente para a cabana, Kanahyor olhou o rei apavorado e disse:

-Essa não é uma atitude certa para um rei...

-Oh meu querido filho! Por favor, tenha piedade!

Uma grande explosão cobriu todo o Deserto de Yokoluh e um pouco mais, no castelo de Hyrule a Princesa Zelda olhou pela janela e pôde ver a enorme explosão.

-O que foi, irmã? –Perguntou Link que estava subindo as escadas. –Alguma coisa que o Líder de Todos os Exércitos de Hyrule possa ajudar?

-Ah, não! Foi só... Líder do que? –Perguntou ela mudando a expressão.

-Líder de Todos os Exércitos de Hyrule! –Disse ele orgulhoso. –Nosso pai me concedeu esse título hoje de manhã quando provei ser o melhor de todos os cavaleiros de Hyrule ao vencer a guerra contra o reino vizinho.

-Parabéns, Link! –Disse Stenka.

-Que bom! Mas esta é uma lição para vocês dois acreditarem em meus sonhos! E falando neles...

-Sinceramente, Princesa. São apenas sonhos. –Disse Stenka rindo. –Você não deve acreditar neles.

-Estamos em tempos de guerra! Se vocês soubessem o que vejo em meus sonhos seria uma grande ajuda...

-Demorará a chegar o dia em que eu dependerei de seus sonhos para vencer guerras... –Cortou Link. –Sinto muito, mas eu tenho assuntos pendentes para tratar na Vila Kakariko...

-Por acaso esses "assuntos pendentes" não são suficientemente importantes para que eu mande alguns guardas para lhe protegerem? –Disse Stenka friamente.

-Não, não! –Link saiu correndo pela escadaria, mas parou subitamente. –Zelda, quando voltar, eu terei uma reunião com nosso pai para decidirmos se devemos aumentar sua segurança. A rumores de que o Rei dos Kanenkais está preparando seu filho para um ataque a Hyrule. Por enquanto vou deixar sua segurança por conta de Stenka e daquele garotinho mimado, o tal Ralph... –Link então correu escada abaixo.

Por volta das onze horas da noite, Zelda levantou-se e caminhou para a janela, olhando uma cidade à leste do Castelo de Hyrule:

-Acho que devíamos tomar alguma providência, Stenka. Eu sei que são apenas sonhos, mas se eles realmente acontecerem deveríamos estar preparados.

-Se acontecer alguma coisa estranha pelo Reino eu irei me preocupar, mas por enquanto são apenas sonhos. Pensando bem, a primeira coisa estranha é o Príncipe Link ainda não ter retornado da Vila Kakariko...

Mas o Príncipe Link continuou na Vila Kakariko até a manhã do dia seguinte, passou a noite toda fazendo algo indigno para um príncipe e Líder de Todos os Exércitos de Hyrule: pregou cartazes.

Todos eles tinham os seguintes dizeres:

Por ordem do Rei de Hyrule, há um novo Líder de Todos os Exércitos de Hyrule. Ele é o Príncipe Link. Garanto a Todos os habitantes que agora todos estarão mais seguros e que todos aqueles que pretendiam seguir uma carreira indigna para um hylia (ladrões) devem se arrepender e voltar a trabalhar.

Respeitosamente: Lower, Rei de Hyrule.