Depois de cada casa hylia da Vila Kakariko ter ao menos cinco cartazes pregados, o Príncipe Link montou sua égua chamada Epona e voltou ao castelo de Hyrule.

Já eram quase dez horas da manhã, parecia que a única pessoa acordada em todo o castelo era a Princesa Zelda na biblioteca.

-Onde você esteve essa noite toda? –Perguntou ela.

-Na Vila Kakariko.

-Que específico...

-Nosso pai me disse para pregar cartazes por toda a Vila. É um trabalho cansativo, mas pelo menos agora posso descansar. Até logo!

Zelda estava tão entretida com a Lenda dos Seis Sábios que nem deu atenção a seu irmão.

Um barulho foi ouvido no lado de fora da biblioteca, ela receosa foi até o corredor, ouviu o barulho de espadas, se aproximou mais e viu que havia uma pessoa caída no chão.

No fim do corredor estava Stenka, com uma espada na mão veio até a Princesa:

-Eu ouvi um barulho e vim ver o que estava acontecendo... Minhas Deusas! O que aconteceu aqui?

-Não faço idéia, Stenka... Eu ouvi barulho de espadas e o encontrei caído. Afinal, quem é esse?

A ama virou o homem para cima, parecia com um dos criados que trabalhava na biblioteca, ele carregava um grande livro marrom com pedras douradas sem título algum na frente e no verso.

Stenka cuidadosamente pegou o livro e abriu-o em uma página qualquer. Não havia nada escrito.

Ela olhou outras páginas e não encontrou nada, todas as páginas estavam em branco sem nem um risco de tinta.

-Isso é estranho... –Murmurou ela.

-O que está acontecendo? –perguntou uma voz masculina atrás delas.

As duas se viraram. Era Ralph que vinha correndo escada abaixo e então elas responderam que não fora nada e mandaram ele levar o criado para a ala médica.

Na noite do dia anterior, chovia em Kanasrayou. A cabana que ficava nos terrenos do Castelo Real estava em pedaços.

Um cabelo fino e prateado era quase confundido com a chuva. Sobre os escombros da construção estava sentado Kanahyor.

A chuva caia livremente sobre o retrato rachado do casamento de Kanarakentu, Kanahyor olhava vagamente para ele:

-Herói do Tempo... –Murmurou ele pausadamente.

Algumas horas depois ele se levantou e começou a rumar para a direção em que achava que deveria ser Hyrule, mas parou e foi em direção ao castelo.

No Castelo de Hyrule, Zelda e Stenka estavam na biblioteca conversando:

-Stenka, você me disse que se acontecesse algo de estranho você ouviria. Pois bem, acho que o que aconteceu a esse homem é estranho o bastante.

-Mas Princesa! É só um sonho!

-Ouça com atenção. Ao que parece há um inimigo vindo do Vale Gerudo. Sonho sempre que o Castelo está vazio. Estou em meu quarto e de repente a porta se escancara. Lá há uma coisa que não consigo enxergar. Link aparece e é atacado, ele cai no chão e então algo aparece das sombras e enfrenta a coisa. O sonho então acaba.

-Vou ficar realmente atenta. –Disse ela em um tom pouco convincente.

Em Kanasrayou, Kanahyor estava em um canto com sombras do castelo.

Estava em dúvida se destruiria Kanasrayou. Por fim resolveu que sim. Foi até o centro da vila.

Preparando-se para destruir o castelo, ele viu na entrada uma multidão. Muitos guardas, a Rainha e dois senhores de idade.

Aqueles eram os habitantes que lhe hospedaram anos atrás. Era visível que a Rainha estava furiosa:

-Vocês traíram nosso povo ao tentarem resgatar Kanahyor do Deserto de Yokoluh! Podem ter certeza de que sua pena será muito severa!

De repente os guardas foram arremessados contra as paredes do castelo, por fim a Rainha correu para se abrigar no mesmo e os dois senhores correram.

Kanahyor já não estava mais lá. Caminhava lentamente para além do deserto, na direção que lhe parecia mais conveniente.

Link acordou por volta das quatro da tarde e foi até a biblioteca. Nela Zelda tentava tomar um livro sem título das mãos de Stenka:

-Deixe-me lê-lo!

-Não Princesa! Se o criado estava tentando tirá-lo daqui é porque é perigoso!

-Já chega! –Exclamou a Princesa. –Dê-me o livro ou desobedeça minha ordem!

Stenka parou de se afastar e a contragosto se aproximou da Princesa. Tropeçou em suas próprias pernas e o livro voou pela janela.

-Veja o que você fez! –Exclamou a Princesa indo até a janela.

Estava no terceiro andar, do lado de fora Ralph e mais alguns soldados estavam treinando suas habilidades com espadas. Perto do castelo havia um lago correndo, mas o livro parecia estar precariamente preso pela terra das margens.

-Dessa as escadas e traga o livro, rápido!

Stenka correu escada abaixo e o Príncipe Link virou-se para sua irmã:

-Que livro é esse?

Zelda contou-lhe tudo que ela havia presenciado dês de que ouvira um barulho fora da biblioteca:

-Isso é estranho. De qualquer forma tenho de ir logo. O Líder de Todos os Exércitos de Hyrule não pode ficar descansando o dia todo.

Instantes depois de ele sair, Stenka entrou ofegando, sentou-se no sofá e disse que não havia encontrado livro algum nas margens do rio.

A Princesa olhou pela janela, realmente não havia nada ali. Os soldados agora seguiam Link que ia para uma entrada ao leste do Castelo.

No dia seguinte, ela acordou e silenciosamente desceu as escadas. Esgueirou-se por uma janela e saiu do castelo.

Havia um pequeno pedaço de terra separando o rio do castelo. Ela olhou para o alto e calculou onde deveria estar o livro correu pelo caminho de terra e chegou no local.

Comprovando sua suspeita de que não havia nada ela fez menção de se virar, mas avistou algo que chamou sua atenção.

Na terra ainda havia a marca do livro, mas também havia mãos que ao que se deduzia haviam pegado o livro.

Pegadas acabavam no rio, do outro lado havia apenas o gramado, mesmo que alguém houvesse passado por lá não seria perceptível.

Ela voltou para dentro do Castelo, passou pela janela e ao se virar deu de cara com Stenka:

-Não é muito sensato você passear sozinha pelo castelo depois do que houve ontem, Princesa.

-Não se preocupe, Stenka. Afinal eu já tenho dezesseis anos. Não preciso que você tropece em meus sapatos quando anda.

-Por ordens reais tenho de vigiá-la. Afinal, o que faria se alguém tentasse atacá-la?

-Tenho meus próprios segredos. Mais uma coisa, eu te darei mais uma ordem real: Leve-me a Montanha da Morte.

-O que? –Exclamou a ama.

-É uma ordem. Tenho coisas de que preciso investigar. Leve-me a Montanha da Morte.

Depois de caminhar o dia todo pelos campos, Kanahyor avistou algo que parecia ser uma muralha.

Quando chegou mais perto, Kanahyor tocou a muralha dourada com sua mão direita.

A partir do ponto tocado a muralha se despedaçou, o lugar à frente dela parecia ser uma vila. Todos os habitantes andavam pelas ruas, mas então olharam para o garoto que acabara de fazer sua muralha se despedaçar.

Uma pessoa montada em um cavalo branco e com uma armadura dourada veio até Kanahyor:

-Quem é você? O que fez com a muralha das Terras Douradas?

-Terras Douradas? Quero saber onde fica o Reino de Hyrule.

-Minhas perguntas são mais importantes! –Gritou o soldado agarrando a gola das vestes do Príncipe dos Kanenkais.

A armadura dourada virou pó e o soldado começou a pegar fogo. Kanahyor deu meia volta e continuou em outra direção que poderia possivelmente ser Hyrule.

A Princesa estava coberta por uma capa e um capuz marrons. Estava montada em um cavalo branco ao lado de Stenka:

-Olá, guarda Guyonor! A Princesa Zelda continua em segurança no Castelo e nem sonha em ir para a Montanha da Morte!

"Ela está praticamente dizendo o que estou fazendo..." Pensou Zelda beliscando discretamente as costas de Stenka.

-Oh! E ela está no castelo em segu... RANÇA! –Gritou ela ao sentir a dor em suas costas.

Horas depois, as duas estavam na Vila Kakariko. Zelda tirou a capa que a cobria. Estava vestida com um simples, largo e encardido vestido marrom:

-Onde você conseguiu essa roupa? –Perguntou a ama. –Ela deixa você parecendo um cidadão comum!

-É a intenção, Stenka. Agora vamos para a Montanha da Morte, há coisas que me preocupam e devem ser esclarecidas.