Ao lado daquele Reino, havia outro com uma grande muralha negra. Kanahyor caminhou lentamente até a muralha.

Ergueu a mão direita e tocou a muralha. Um estrondo foi ouvido e destroços voaram para todos os lados.

Como no outro reino, havia uma vila em frente à muralha, mas essa estava deserta.

O vento passava ruidoso pelas ruas desertas da cidade, Kanahyor olhou atentamente para cada casa e então uma voz alta e fria veio do meio dos escombros.

-Quem ousa atravessar a muralha das Terras das Trevas?

Ao ver que não estava em Hyrule, Kanahyor deu meia volta e caminhou para outra direção.

Uma figura negra se materializou sobre os escombros e lançou um raio negro em Kanahyor.

Sem olhar para trás, ele ergueu a mão esquerda e uma luz prateada encheu o local por alguns instantes.

No segundo seguinte, Kanahyor estava caminhando calmamente e atrás dele não havia nada mais do que uma grande cratera.

Stenka tentou diversas vezes convencer a Princesa Zelda de voltar ao Castelo, mas ela insistia em ter de confirmar uma suspeita.

Elas atravessaram a vila e passaram por um guarda. Começaram a caminhar por uma estrada de pedra e então encontraram muitas aranhas gigantes vermelhas e azuis.

Stenka empunhou sua espada, mas deixou-a cair no chão ao se aproximar de uma das aranhas.

Um dos monstros agora atacava a ama, que se arrastava pelo chão. Zelda recolheu a espada no chão e retalhou os inimigos com demasiada habilidade.

-Onde você aprendeu isso? –Perguntou Stenka impressionada.

-Já disse que tenho meus próprios segredos! Levante-se Stenka. Pelo que li ainda temos um grande caminho a percorrer.

Depois de algumas horas, chegaram a uma caverna deformada com o tempo da qual não se enxergava interior.

-Nós vamos entrar aí?

-Não. –Respondeu a Princesa. Vamos por ali. –Ela apontou um estreito "caminho" acidentado que subia contornando a montanha.

Muito mais cansada do que a Princesa, Stenka continuou o caminho ofegando até que chegaram a um círculo de pedras e ela se jogou no chão:

-Não agüento mais!

-Tenha paciência. –Ali está o nosso destino.

Na frente da Princesa havia uma abertura que mais parecia uma fenda. Zelda atravessou-a e chegou na Cidade dos Gorons.

Ali havia muitas pedras de cor castanha. Zelda se aproximou de uma delas e então a pedra foi erguida por duas pernas finas, havia também dois braços e na parte superior da pedra havia duas bolas azuis que olhavam para a princesa.

Os lábios da criatura se moveram formando a palavra "Goro". Zelda sorriu para a criatura e desceu uma escadaria de pedra ao lado.

Havia várias flores pelo o lugar, exatamente como Zelda havia visto em seu livro.

Logo chegou ao último andar onde uma pedra em forma de vaso girava no centro de um círculo de tochas de madeira.

Zelda caminhou até um tapete que estava em frente a uma porta de pedra. Ela se certificou de não haver ninguém olhando.

Um símbolo surgiu na mão da Princesa, nele havia um triângulo dividido em quatro partes com a parte da esquerda brilhando. Um barulho agudo atravessou a cidade.

Ali não estava mais a Princesa Zelda, havia uma pessoa escondida por vestes roxas com um símbolo sheikah. De todo o homem, era possível apenas ver seu olho direito vermelho em um pedaço rasgado dos trapos que lhe cobriam o rosto.

Ele tirou das vestes uma harpa e tocou uma melodia calma. A porta de pedra se abriu e ele entrou em um grande salão.

Nele havia um Goron, esse olhou para o homem e perguntou-lhe:

-Quem é você? O que está fazendo na Cidade dos Gorons?

-Eu sou Sheik, enviado da Família Real. Vim aqui em uma missão, Renek, Líder dos Gorons.

-E que missão seria essa?

-Vim aqui para falar com o dragão Volvagia que vive na Montanha.

-Faça como quiser! Não vou impedi-lo, estou com um humor terrível hoje! É até melhor que você morra com o calor da montanha!

-Poço saber o que lhe perturba?

-Não é da sua conta!

Sheik atravessou o cômodo e atravessou a passagem atrás da estátua que Renek puxou para ele.

Lá não havia nada além de lava. Havia também um pouco de pedra desgastada. Sheik sorriu e saltou para uma plataforma de pedra.

Do outro lado da caverna havia uma caverna de pedra muito escura onde não se enxergava nada.

Com um salto exagerado, Sheik se pendurou no teto da caverna escura, adivinhando que abaixo havia apenas lava.

Horas depois, Kanahyor chegou a uma pequenina cidade onde todos os moradores pareciam estar atormentados com alguma coisa.

-Onde fica o Reino de Hyrule? –Perguntou ele.

Um homem gordo veio até ele e respondeu sua pergunta:

-O que você quer em Hyrule? Seja o que for é melhor não ir para lá! Dizem que um Kanenkai está procurando pelo reino e que ele não parece amigável!

-Diga-me onde fica o Reino de Hyrule.

-Espere aí, você é o Kanenkai! Guardas!

Um grande estrondo foi ouvido. Link parou de conversar com os guardas e foi até uma janela. No horizonte havia uma grande nuvem de fumaça.

-Onde está Zelda? –Perguntou ele.

Sheik continuou atravessando a caverna pelas saliências do teto, um tempo depois a caverna começou a se alargar, uma coisa vermelha era facilmente vista:

-Você é o dragão Darunia? –Perguntou Sheik.

-Exatamente, humano. O que trás você a minha caverna.

-Sou o portador da Triforce da Sabedoria. Vim perguntar-lhe algumas coisas sobre Darunia.

-Triforce da Sabedoria? A última vez que conheci o Enviado de Nayru era uma mulher. Foi a pouco mais de seiscentos anos...

Já estava escurecendo quando um vulto roxo esgueirava-se pelos jardins do Castelo de Hyrule e então ele passou por uma janela e entrou.

Um soldado pensou ter visto alguém, mas concluiu que foi apenas uma ilusão. Sheik chegou no andar de cima.

O Príncipe Link esmurrava uma porta gritando:

-Abra essa porta Zelda, ou eu entrarei arrombando-a!

Sheik esgueirou-se bela borda da janela e pulou para o cômodo seguinte, mas ao atravessar a janela, a porta cedeu.

-Quem é você? –Perguntou Link.

Sheik correu para o banheiro que tinha ao lado do quarto e se trancou ali, um barulho agudo partiu de lá e uma espada despedaçou a porta.

Link entrou e viu sua irmã lavando as mãos na pia dourada:

-O que você fez com a minha porta? –Esbravejou ela. –Eu gritei dizendo que estava indo, mas você não ouviu...

-Onde ele está?

-Ele quem?

-O homem!

-Que homem?

-Esqueça! Lembra-se que lhe disse sobre a reunião com nosso pai? Pois bem! Pelo que acabo de ver acho que não há mais o que discutir! Um homem havia invadido seu quarto, você precisa de mais segurança! Afinal, onde está Stenka?

Link levou-a até uma sala onde encarregou dois guardas de vigiá-la. A Princesa não sabia ao certo por que não havia contado seu segredo, mas achou que ninguém deveria saber principalmente agora que sabia que os Sábios não eram apenas uma lenda.

Stenka recebeu castigos por não estar vigiando a Princesa. Ao que parecia ela se perdeu na Montanha da Morte e voltou para o Castelo.

Enquanto estivera fora, parecia que a pessoa que atacara o criado havia atacado mais cinco pessoas, mesmo assim a Princesa Zelda conseguiu encontrar uma brecha em sua segurança para conversar com Stenka.

Pela terceira vez os seguranças vasculhavam o quarto a procura de Sheik, enquanto isso Zelda já estava com Stenka combinando uma possível partida para o Domínio de Zora.

-Para você não ser culpada Stenka, peça para meu irmão uma conversa sobre segurança. Quando ele der permissão e você não estiver mais encarregada de me vigiar, eu poderei facilmente sair daqui.

-Sinto muito Princesa, mas não posso deixar você fazer isso depois do que aconteceu ontem. Se seu irmão não chegasse na hora certa, você certamente estaria em apuros.

-Não se preocupe, Stenka. Quem meu irmão viu ontem era eu mesma, de certa forma.

-O que?

-Esqueça! Vamos logo!

Stenka obteve sua permissão e ela e Link foram junto com alguns guardas para outra sala.

Os dois guardas que vigiavam a Princesa ouviram um barulho agudo e então se viraram. O homem de roupas roxas estava lá e parecia estar segurando a Princesa.

-É ele! Príncipe Link! Ele está levando a Princesa!

Os guardas se aproximaram, mas Sheik jogou algo no chão e com um clarão de luz desapareceu.