As duas ficaram caladas por um minuto, até que sem aviso a porta se escancarou e entrou o Príncipe Link seguido por toda a guarda da Princesa.
Ele foi até o sofá e ficou na frente da Princesa, olhou ameaçador para Stenka que se encolheu contra o sofá:
-O que foi, irmão?
-Explique você. Eu encontro uma equipe especializada para te proteger e então quando eu não estou olhando você dispensa todos?
-Eu não os dispensei, apenas pedi que saíssem da biblioteca.
Os guardas que estavam atrás de Link não prestavam esforços para segurar o riso, estavam às gargalhadas.
-E quem lhe deu o direito de tirá-los de perto de você?
-E quem foi que me tirou o direito de fazer isso?
Link olhou ameaçador para sua irmã e falou lentamente de modo que todos pudessem ouvir:
-Eu sou o Príncipe, ordenei a eles que a vigiassem de perto, por tanto não me desobedeça!
Antes de perceber o que estava fazendo, ela já havia se levantado e deu um tapa em seu irmão.
O Príncipe caiu no chão com a bochecha vermelha e então levantou o rosto para sua irmã.
Todos os guardas pararam de rir, Stenka tentava entrar dentro do sofá e então Zelda começou a falar:
-Você é o Líder de Todos os Exércitos de Hyrule, mas isso não significa que você também ganhou o direito de dar qualquer ordem a mim!
Link se levantou humildemente e a Princesa continuou a gritar:
-Quando você for declarado o Rei de Hyrule você poderá ousar mandar e mim, isto é, se você tiver coragem o suficiente!
-Me desculpe... –Murmurou ele.
O Príncipe se retirou do aposento de cabeça baixa e todos se voltaram para a Princesa, que olhava com os olhos faiscando para os guardas.
-O que ainda estão fazendo na biblioteca? –Exclamou ela.
Eles não ousaram responder, todos saíram da biblioteca sem ousar responder. Stenka e a Princesa Zelda voltaram para a sua busca pelo livro.
Os dias se passaram e elas ainda não haviam encontrado nem uma pista de como chegar a Master Sword.
A Princesa já havia praticamente desistido e em uma manhã que ela saia da biblioteca ao lado de Stenka seguida por todos os guardas e então Ralph veio correndo até ela e disse gentilmente:
-Olá Princesa! Vejo que não está muito feliz hoje... Tem algo que eu possa fazer por você?
-Com certeza! –Exclamou Stenka. –Não encontrei nenhuma servente hoje, portanto peço a você que limpe meu quarto!
-Está bem, Princesa! –Disse ele se afastando.
Na noite daquele dia, Zelda estava voltando para seu quarto, Stenka ainda não havia terminado o jantar portanto não a acompanhava, ela dormiu mais cedo do que nos outros dias e acordou mais cedo também.
Saiu do quarto quando toda sua guarda ainda estava dormindo e então desceu para a biblioteca.
No meio do caminho encontrou Ralph, que caminhava pelo corredor folheando um grande livro marrom com pedras douradas.
-Bom dia, Princesa!
-Bom dia, Ra... –Então ela percebeu o livro e foi até ele. –Onde você encontrou esse livro? –Perguntou ela admirada.
-Quando Stenka me mandou limpar o quarto dela eu encontrei em um canto do armário. Ia dar para ela assim que acordasse, mas como eu te encontrei, acho que você pode entregar para mim.
Ela pegou o livro ainda admirada e ao notar sua expressão ele disse:
-Algum problema, Princesa?
Ela olhou para ele e então disfarçou sua expressão:
-Não é nada! Pode deixar que eu entregarei para ela, obrigada!
A Princesa continuou o caminho, mas quando foi entrar na biblioteca alguém chamou seu nome.
Ela se virou, era Link:
-O que faz sozinha pelos corredores?
-Algum problema? –Disse ela com sarcasmo.
-Com certeza! Aliás, é problema o suficiente para que eu aumente sua segurança. Onde está sua guarda?
-Pensei que ontem eu tivesse deixado bem claro que...
-Sinto muito, mas agora você terá de ser acompanhada pelos guardas mais confiáveis em todos os cômodos do castelo. –Zelda se preparou para reclamar. –Sei que você está se preparando para protestar. –Continuou ele. –Mas agora você precisa de mais proteção do que antes. Lembra-se de quando disse que os Gerudos estão se voltando contra a Família Real? –Ela assentiu. –Descobrimos que eles têm alguém espionando dentro do Castelo de Hyrule. Entendeu? Existe um traidor andando pelos corredores. Certamente é ele que está atacando os serventes, por isso terei de acrescentar o cavaleiro que mais tem se destacado nas guerras para a sua segurança pessoal, pois além do homem roxo também temos um traidor no Castelo.
-Mas como saberemos que esse cavaleiro não é o traidor?
-Cabe a você julgar se seu amigo de infância Ralph está qualificado para ser um traidor.
-Está certo, mas eu vou ficar aqui na biblioteca, está bem?
-Claro. –Disse ele se afastando.
Zelda entrou na biblioteca e colocou o livro sobre a mesa. Sentou-se em uma das seis cadeiras de madeira e abriu-o na primeira página.
Ela observou as folhas em branco e então aproximou o rosto da folha amarelada.
A Princesa começou a apalpar a folha. No momento em que a ponta de seu dedo tocou a folha do livro o Símbolo da Triforce da Sabedoria brilhou dourado nas costas de sua mão direita.
Ela virou o rosto para proteger os olhos, a luz foi abaixando, ela olhou novamente para o livro que agora estava totalmente preenchido e leu as primeiras palavras.
Se alguém está lendo esse livro com certeza é a Princesa Zelda, que carrega a Triforce da Sabedoria.
Esse livro foi escrito pela Princesa Zelda de seiscentos anos atrás e foi selado com a magia da Triforce da Sabedoria para que aqueles que ele não fosse lido por qualquer um.
Ele contém informações sobre a Master Sword, que é uma espada que com certeza será de grande utilidade nessa época.
Era uma grande sorte eles terem encontrado o livro que justamente falava sobre aquilo que estavam procurando.
Ela passou o dia praticamente inteiro lendo, ignorou completamente a chegada de sua guarda pessoal.
A passagem para a Terra das Deusas foi completamente selada pelos Nove Sábios...
Ao terminar de ler essa frase foi cutucada por Stenka que não estava com uma expressão muito amigável no rosto.
-Como você conseguiu esse livro? –Perguntou ela sem conseguir esconder a preocupação.
-Isso não importa agora. –Disse a Princesa.
-Me dê o livro! –Exclamou a ama.
-Por que deveria? –Disse ela tirando os olhos das palavras.
-Deixe que eu o leio, Princesa. Me desculpe, mas eu não gosto desse livro. Parece que é protegido por alguma magia antiga...
"Você não faz idéia de como você está certa!" Pensou a Princesa.
No dia seguinte ela já estava planejando uma fuga para a Floresta Kokiri, como sempre ela conseguiu.
Sheik atravessou os Campos de Hyrule e chegou até a Floresta Kokiri. Lá ele subiu a colina e atravessou a passagem que levava a Lost Woods.
Logo que chegou no labirinto ergueu o punho direito e uma linha dourada se formou mostrando o caminho.
Ele se esgueirou pelos caminhos desviando-se de todos os ataques e inimigos até chegar na Clareira Sagrada da Floresta.
Ele chegou até o final do caminho e então pulou para cima do tronco de uma árvore.
Onde deveria ser a entrada do Templo da Floresta estava uma grande quantidade de escombros. Já esperava por isso, jogou uma bomba nos escombros.
Eles ficaram intocados, a Princesa precisaria seguir o "plano b" e criar uma passagem para o Templo da Floresta.
Ele saiu da Floresta Kokiri e foi para o Pântano de Vowler, logo ao chegar nocaminho lamacento ele ergueu o punho direito.
Uma fina linha dourada se formou e ele seguiu pelo caminho sem se importar pelo cheiro forte de miasma que infestava o ar.
Meia hora depois a linha apontava por uma grande poça de lama, mas ele preferiu contornar a poça.
Ao pisar na terra ela começou a afundar, ele piscou os olhos e agora ele estava na lama e a linha apontava para a terra.
Apoiou as mãos em um tronco próximo e dando um salto mortal para trás ele voltou para o caminho certo.
Continuando pela trilha, ele atacou alguns corvos que sobrevoavam o local então ele chegou até o fim da linha.
A linha acabava em uma parede branca coberta de limo, seguindo as instruções do livro, Sheik colocou uma bomba no local em que a linha dourada acabava.
A bomba explodiu e despedaçou a parede, ele retirou alguns escombros da entrada e passou pela passagem.
Estava em uma sala circular, havia dois potes ao fundo e dois Stalfos, esqueletos munidos de espada e escudo.
Ele entrou e os dois Stalfos o atacaram imediatamente.
