Sheik voltou cansado para o Castelo de Hyrule, queria passar em seu quarto antes de se encontrar com Kanahyor, que provavelmente demoraria no deserto.

Ao escalar o Castelo e chegar ao seu quarto, viu que nele havia uma única tocha acesa.

Andou um pouco para frente e então sentiu que não estava sozinho.

Alguém o agarrou por trás e tampou sua boca.

-Finalmente conseguir te pegar, Stenka! –Exclamou o Príncipe Link com um sorriso demente.

Ele tentou dizer alguma coisa, mas o que conseguiu fazer foi soltar um som que soou para Link como um desesperado pedido de desculpas.

-Você nos enganou por muito tempo... Mas agora pagará por sua traição! Guardas!

As portas se escancararam e dois soldados mal-encarados entraram segurando duas tochas.

Os dois guardas o levantaram e começaram carregá-lo nas costas.

Quando pensou em dizer algo, porém, o Príncipe cobriu sua boca com um lenço que foi fortemente amarrado.

Ao saírem do castelo, ele viu dezenas de outras pessoas com tochas na mão, não só guardas, como também cidadãos.

Link andava na frente, ao que parecia subindo uma colina e indicando o caminho para os outros segurando uma grande tocha dourada.

Os guardas que o carregavam seguiam o Príncipe de perto, enquanto o resto dos habitantes caminhava o mais rápido que conseguiam agüentar.

Minutos depois eles estavam no topo da colina, lá parecia haver uma grande casa de Maira... Ou de ferro...

"Uma guilhotina!". Pensou ele percebendo a gravidade da situação.

-Povo de Hyrule! –Gritou o Príncipe. –Com uma enorme satisfação eu apresento a pessoa de nosso povo que nos traiu, passou informações importantes para nossos inimigos e tentou assassinar nossa Princesa.

Todos os habitantes agora fitavam-no nas pontas dos pés, procurando enxergar melhor o tão comentado traidor.

-É um homem malvado! –Exclamou um dos habitantes para um outro ao seu lado, provavelmente querendo mostrar que sabia o que estava falando:

-Creio que você esteja enganado. –Disse Link friamente parando todos os comentários. –Na verdade o traidor não é um homem! Ele é uma mulher disfarçada! Mais precisamente a guardiã da Princesa de Hyrule, Zelda! A traidora é Stenka!

-Sim, alteza? –Ofegou Stenka que acabara de voltar da Vila Kakariko.

Ela havia avistado uma quantidade considerável de tochas no topo da montanha e então decidiu subir para verificar.

Todos começaram novamente a fazer comentários sarcásticos em relação à sanidade do Príncipe.

-Mas se você está aí... Quem pode ser o sheikah que está aqui? –Exclamou ele.

Ele agarrou os trapos que cobriam o rosto do traidor, mas isso não fez com que ele se parecesse com qualquer pessoa que ele já vira.

Ele arrancou o lenço da boca de Sheik e perguntou:

-Quem é você?

-Eu sou um monstro terrível! –Disse ele com sarcasmo.

-O que quer aqui?

-Eu vim para destruir o jardim do Castelo de Hyrule.

-Se você não me responder direito serei obrigado a matá-lo.

Então ele pensou por alguns instantes e então decidiu contar tudo, mas não podia dizer isso para todos.

Teria de encontrar um jeito de contar apenas para Link.

O homem misterioso ficou calado durante cinco minutos e então ele finalmente perdeu a paciência:

-Vejo que você não quer me contar! –Berrou ele.

De repente alguns habitantes atravessaram o céu voando junto a alguns guardas.

Todos se viraram para ver o que havia feito aquilo, menos o Príncipe Link, que parecia cegado por ódio.

Ele então deu um murro na cara daquele garoto não lhe queria responder as perguntas.

A lâmina começou a cair, com o murro o homem agora inconsciente estava caindo em direção ao suporte de madeira.

Link continuou olhando para ele com desprezo.

Mas seus cabelos dourados começaram a crescer, os músculos a diminuir, de repente estava usando um vestido e luvas brancas.

O Príncipe viu a inconfundível imagem de sua irmã cair no suporte de madeira, não estava entendendo como aquilo podia estar acontecendo.

Em pânico sacou sua espada. Uma forte luz dourada emanou das costas de sua mão direita, ele entrou de baixo do trajeto da lâmina e com a espada a parou.

O Príncipe parecia estar fazendo um esforço tremendo, Zelda acordou vagarosamente e então lembrou-se da situação.

Olhou para seu irmão, mal acreditando na cena, quando se lembrou do Livro e então pensou:

"Meu irmão é o Herói do Tempo".

Ninguém parecia ter notado o que estava acontecendo no topo da colina.

Todos os habitantes estavam olhando para uma figura prateada que andava vagarosamente subindo a montanha.

Um áurea dourada rodeava o Príncipe, que continuava a parar milagrosamente o pesado ferro com a espada minúscula.

A princesa rapidamente se levantou e então começou a pensar em um modo para tirar Link dali.

Transformou-se em Sheik.

Kanahyor terminou de subir a colina e então avistou as duas pessoas perto da guilhotina.

Observou o garoto loiro que emanava aquele forte brilho dourado e apenas duas palavras lhe vieram à cabeça:

Herói do Tempo

Ergueu o dedo indicador direito na direção do ferro.

Sheik olhava para a cena quando sentiu um vento forte passar de seu lado.

O ferro da guilhotina virou pó.

Link afastou-se da guilhotina e olhou para o garoto de cabelos prateados.

Todos então se voltaram para o Príncipe e Sheik, olhando confusos como se tentassem entender o que eles não haviam visto.

-Peguem o sheikah traidor! –Exclamou um guarda tentando agradar o Príncipe.

-Não. –Disse ele em um tom muito baixo. –Peguem o garoto de cabelos prateados.

Sheik sabia que isso ia acontecer, adiantou-se na frente de todos e lançou uma Noz Deku no chão.

Um clarão cegou momentaneamente a todos, quando eles olharam novamente não havia mais ninguém.

Algumas horas depois a Princesa voltou ao Castelo, logo se dirigiu a Stenka que estava esperando por ela em seu quarto:

A ama não parecia muito alegre, com uma voz severa falou para Zelda:

-Por que fez aquilo?

-Aquilo o quê?

-Por que não contou para seu irmão de uma vez ao invés de correr perigo de vida?

-Eu não pensei... Mas onde você esteve aquele tempo todo? Por que atrasou tanto?

-Eu... Estava tratando de negócios pessoais!

De repente a porta do quarto se escancarou.

O Príncipe Link entrou em passos rápidos, estava pálido comparado a como costumava ficar.

Ele virou-se diretamente para a Princesa:

-Explique-se.

Ela não disse nada, ficou apenas olhando para os próprios pés.

-O que você fez hoje foi hediondo.

Ela continuou sem dizer nada:

-Por causa dessa sua brincadeira você podia ter morrido! Já pensou o que teria acontecido se eu não estivesse lá para te ajudar? E além do mais você protegeu aquele assassino.

-Ele não é assassino! –Exclamou ela olhando para seu irmão.

-Alguém que destrói dezenas de vilas e todos seu habitantes é um assassino ao meu ponto de vista!

Link virou-se e foi embora do quarto:

-Ele é tão injusto! –Exclamou ela virando-se para Stenka.

-Ele tem razão. –Respondeu a ama.

-O que? –Exclamou a Princesa indignada.

-Ele destruiu a Vila Kakariko, tirando a vida de dezenas de pessoas incluindo minha irmã.

Irritada, a Princesa deu as costas e saiu do quarto, descendo as escadas indo em direção à sala de jantar.

Ela sentou-se em uma mesa e começou a comer.

Ao colocar a primeira garfada na boca segurou-se para não cuspir: Estava horrível!

Um batalhão de guardas entrou na sala junto com o Príncipe Link:

-O que está havendo aqui? –Exclamou ela.

O Príncipe dirigiu-se a ela, estava agora mais pálido do que antes:

-O traidor agiu novamente! –Disse ele num sussurro.

-Como? –Perguntou ela.

-O traidor que está no Castelo ajudou alguns Gerudos a entrar no Castelo. Como a guarda do Castelo estava praticamente inteira indo para o alto da colina, foi fácil para elas entrarem no Castelo.

-Oh não! –Exclamou a Princesa.

-O corpo de nosso pai foi encontrado jogado aos pés do trono.