Capítulo XIV
Kold Vinnician
Link arremessou a Master Sword para frente e esta atravessou o coração de Kanahyor.
Link sorriu, Kanahyor estava paralisado como uma estátua com a espada atravessando seu corpo.
– He... –Uma pequena exclamação foi ouvida, Kanahyor estava sorrindo. –Este é então o poder da Legendária Espada?
Com um clarão de luz dourada, o Símbolo da Metade da Triforce do Poder se destacou nas costas de sua mão direita.
Ele colocou sua mão deitada abaixo do cabo da espada sem tocá-la.
Ela começou a sair sozinha do peito de Kanahyor, conforme ela saia, a abertura se curava atrás dela.
A Master Sword ficou verticalmente flutuando sobre a mão direita de Kanahyor sem uma única gota de sangue.
Ele colocou a mão esquerda verticalmente paralela com o cabo da espada.
A espada deitou-se novamente flutuando, apontando a lâmina para Link.
– Link! Saia daí! –Berrou Zelda chorando.
A espada disparou no ar com um forte estampido.
Link deu alguns passos para trás.
A Master Sword estava transpassando seu coração.
Ele caiu no chão.
Por alguns momentos Kanahyor e Zelda ficaram apenas observando, mas de repente Link foi envolvido por uma luz dourada.
De sua mão esquerda saiu de repente um pequeno triângulo dourado que ficou flutuando sobre seu cadáver.
Kanahyor limitou-se a erguer o punho direito e a Triforce da Coragem disparou em sua direção e foi absorvida, juntando-se a metade da Triforce do Poder em seu punho direito.
Zelda não conseguia fazer nada além de chorar, até que de repente um cavalo negro entrou no castelo.
Alguém escondido por uma capa preta estava montado nele. Ele trotou até a princesa e o sujeito colocou-a com o movimento rápido sobre o animal e cavalgou rápido para fora dali.
Kanahyor nem sequer olhou para a direção do cavaleiro, mas assim que ele saiu, Kanahyor pegou a Master Sword e saiu do Castelo, visando testar seu novo poder.
– Por que pediu para que eu trouxesse essa Princesa, Mestre? –Foi a primeira coisa que Zelda ouviu a acordar
– Faça menos perguntas! Foi difícil trazer ela até aqui?
Ela ainda estava largada sobre o cavalo, não abriu os olhos, mas continuou ouvindo a conversa das duas vozes.
Ela estava um pouco machucada, o que mostrava que ela havia sido um pouco maltratada.
– Não, ela nem resistiu... No meio da viagem ela desmaiou! Acho que foi de tanto chorar...
– Como assim? –Exclamou a primeira voz. –Eu não lhe disse que era para trazê-la com cuidado?
– Eu não ouvi...
– Ora, mas que desculpa mais ridícula! Isso é um absurdo! Você não deivia tê-la ferido!
Zelda sentiu que alguém se aproximava dela.
A pessoa pôs uma mão em seu rosto e de repente todos os seus ferimentos começaram a se curar:
– Princesa Zelda. –Disse ele. –Sei que está acordada. Abra os olhos.
Sem olhar para a pessoa, ela desceu do cavalo e então se virou e pôs-se a encarar o homem.
Ele tinha longos cabelos negros e olhos castanhos-escuros. Era alto, cm uma pele branca e olhava com uma expressão calma para ela.
– Me desculpe pela recepção pouco calorosa, Princesa.
– Quem é você? –Perguntou ela desconfiada.
– Meu nome é Kold Vinnician. E este é Colley. –O outro tirou o manto negro.
Colley tinha olhos azuis e cabelos ruivos, era um pouco menor que Kold, usava três brincos na orelha direita e tinha um olhar que expressava raiva.
Por alguns minutos ninguém falou nada, apesar de Colley bufar de vez em quando, mas então Kold se propôs a falar:
– Suponho que você queira saber onde está, não é mesmo Princesa?
Ela não concordou nem discordou, então Kold não continuou.
Zelda então olhou em volta estava em um beco escuro cheio de lixo e tralhas, de um de seus lados havia uma grande construção em forma de agulha, com uma rampa de pedra que subia em espiral até o céu:
– Este é o Prédio Agulha, como é popularmente chamado, ou simplesmente o Palácio de nosso Mestre. –Disse Kold notando o interesse dela.
– Que horas são? –Perguntou Zelda olhando o céu escuro com nuvens negras na qual constantemente eram vistos e ouvidos raios e trovões.
– Apesar da cor do céu, ainda é meio-dia. Isso é causado pelas trevas, aqui no Palácio, nem a luz do Sol consegue penetrar. Mas neste momento, nenhum dos nossos superiores está presente. Você poderia entrar se quiser, pois agora não corre mais perigo. –Disse Kold novamente.
– Perigo? –Perguntou ela. –Há maior perigo do que estar no meio das trevas? –Ela apontou para o céu.
– Estar no meio das trevas não significa estar em um lugar perigoso, no seu caso, a luz do Kanenkai da Destruição era muito mais perigosa do que as trevas deste lugar. Entre, por favor.
Ela não falou, muito menos percebeu que havia sido empurrada para dentro do Palácio.
Ela olhou a sala em que estava, ao fundo havia um balcão no qual Kold mexia com alimentos.
Do lado esquerdo havia um tapete vermelho e sobre ele, uma pequena mesa e duas poltronas vermelhas, em uma delas estava sentado Colley.
Do lado direito havia apenas uma escada.
– Sente-se. –Disse Kold. –Vou preparar alguma coisa para você comer.
Zelda não se mexeu. Continuou encarando-o.
De repente um clarão dourado irrompeu da entrada.
– Voltei antes do previsto. –Disse uma voz vinda de lá.
– Mestre Pyoof! Que bom que está aqui! –Exclamou Colley com uma falsidade óbvia.
Kold ergueu a mão esquerda para a parede direita.
De repente, um enorme círculo negro foi formado na parede direita e sugou Zelda para dentro dele.
Zelda sentiu como se estivesse atravessando gelo.
Ela caiu no chão
Estava novamente no beco, mas ainda escutava as vozes dentro do Palácio.
– Quem era aquela, Vinnician? –Perguntou Pyoof.
– Quem? –Perguntou Kold.
– Não minta para mim, idiota! Eu sei muito bem o que vi! Você conjurou um portal para salvá-la não é mesmo! –Um grande ruído ecoou. –Fora daqui!
Menos de um minuto depois, os dois estavam de volta no beco.
Zelda se afastou um passo. A metade esquerda do rosto de Kold estava manchada de sangue:
– É melhor sairmos daqui. –Disse ele baixinho.
Os dois começaram a andar na direção da rua principal. Sem saber o que fazer, Zelda os seguiu.
Kold começou a falar:
– Eu sint...
– Vejam o que conseguimos! –Exclamou uma voz do lado oposto da rua.
Os três olharam para trás e se surpreenderam ao ver milhares de pessoas atrás deles.
– Se não é Kold Vinnician e seu escravo Colley! –Exclamou a mulher que comandava a multidão.
– Amarrem-nos! –Exclamou ela.
Sete homens ergueram os dois braços e os três ficaram paralisados.
A mulher aproximou-se de Kold:
– Finalmente... Finalmente eu terei minha grande vingança! –Ela exclamou.
– Forkres... –Começou Kold.
– Não diga nada! –Exclamou ela. –Levem os dois! Eu mesma me encarregarei de Vinnician.
Em menos de um minuto, a multidão já havia ido embora levando Colley e Zelda.
– E então Kold. –Disse ela. –Tem alguma coisa para me dizer.
-Forkres... Eu já lhe disse...
Ela aproximou-se mais ainda e limpou o sangue de seu rosto. –Até que gosto do castigo que você recebe, são bem adequados para um traidor como você...
– Eu não tinha idéia das conseqüências que aquilo poderia provocar... Eu não queria...
– Vou me vingar por todo o sofrimento que você me fez passar!
– Que lugar é esse? –Perguntou Zelda para Colley quando a multidão os jogou dentro de uma porta negra.
Ele grunhiu como resposta.
– Que construtivo... Ela disse.
Zelda ergueu o punho direito e ativou a Triforce da Sabedoria.
Com um clarão ela se transformou em Sheik.
– O que é isso? Você então era travesti? –Exclamou Colley.
– Cale a boca! Eu vou sair daqui usando a força e nem a Princesa Zelda vai poder me deter.
Sheik deu um salto gigantesco e atingiu a porta por onde haviam sido jogados.
Ele deu um chute no ar e a porta se abriu.
Sheik ficou parado de pé diante da porta quebrada e olhou para as pessoas que se reuniam à sua volta segurando todos os tipos de armas.
Ele ergueu as mãos juntas e separou-as, formando um clarão negro no local.
