Capítulo XV
O Castelo de Forkres
Ele uniu e separou as mãos, formando um clarão negro no local.
Nesse meio tempo, Sheik chutou e socou todos os que estavam as sua volta e então começou a andar calmamente pelo meio do tapete vermelho daquele castelo de pedra amplo em que estava.
Ele espancou mais pessoas adiante e então foi por uma pequena porta a direita do corredor.
Ela levava a uma pequena sala mal-iluminada. Com paredes de pedra.
Sem parar um instante, Sheik derrubou a parede com um chute e atravessou a nova passagem com um salto.
Atrás das ruínas da parede havia uma escada que subia para além de onde a vista alcançava em espiral.
Com um salto exagerado, conseguiu agarrar-se com a mão direita no corrimão da escada em um andar já bem avançado.
Ele apoiou os pés em um degrau e deu outro enorme salto, apoiando-se no corrimão e tentou transpassá-lo para chegar à porta final.
O corrimão se partiu.
Sem apoio para escapar, Sheik começou a cair lentamente do centésimo terceiro andar.
– O que está fazendo, Forkres? –Por que não me colocou junto com os outros dois.
– Você já sabe Kold. Não é por você trair o povo. É por você trair o povo no instante em que me apaixonei por você!
Sem perceber, Forkres derramou uma lágrima.
– Mas eu já lhe disse, não estou mais querendo manter a aliança com Lyfnos e Pyoof! Eu quero poder ajudar meu povo agora!
Ela parou e encarou-o, calada por alguns instantes:
– Sinto muito. –Disse ela baixinho. –Mas não posso acreditar. –Ela começou a andar na direção de outra sala. –Alguém o leve para a Sala da Morte... –Ela se virou. –Não conseguiria fazer isso. –Acrescentou.
Sheik estava cada vez mais se aproximando do chão e então usou uma magia para aparar a queda.
Quase funcionou.
Ele caiu no chão, sentiu todos os ossos se quebrarem, mas graças à magia, não morreu.
– Deixo o resto com você, Princesa... –Disse ele antes de desmaiar.
Kold estava pendurado em uma corda sobre um jarro de dois metros de altura, cheio de alguma coisa brilhante:
– O que é isso aí embaixo? –Perguntou ele para a pessoa que segurava a corda.
– É poder puro. –Disse o homem. –Se alguém tocá-lo, é automaticamente desintegrado pela força.
O homem amarrou a corda em uma argola de aço na parede da sala e pegou uma espada, preparando-se para cortá-la.
– Não faça isso! –Exclamou uma pessoa à porta.
– Senhorita Forkres? –Disse o homem. –Qual o problema?
– Eu mudei de idéia, farei isso por mim mesma. –Disse ela. –Queira se retirar, por favor.
– Mas senhorita...
– Sem mas! Para fora!
O homem obedeceu resmungando e ao sair fechou a porta.
Forkres pegou a espada e jogou-a no jarro:
– Você não vai me matar? –Perguntou Kold.
Ela não respondeu. Ergueu uma mão na direção da corda e murmurou:
– Fogo.
A corda explodiu em chamas.
Antes que Kold caísse no jarro, um clarão dourado invadiu a sala.
Ao Kold tocar o "poder" tudo foi absorvido nas costas de sua mão direita e ele então emergiu de dentro dele flutuando.
Kold pousou em frente a Forkres, que recuou alguns passos:
– O que é você?
Ele ergueu a mão direita e uma nuvem negra pairou sobre ela:
– Você não devia ter tentado me matar Forkres. –Ele sorriu.
Colley ainda estava parado em sua prisão olhando para o alto:
– Se uma Princesa conseguiu sair, eu também consigo! –Exclamou.
Ele tirou duas garras de ferro que escondia na armadura e colocou-as nas mãos, começando a subir apoiando-se com elas na parede.
Depois de alguns minutos ele alcançou o topo, encontrou vários guardas desacordados pelo chão e então prosseguiu.
Chegou um corredor com várias portas laterais e seguiu em frente, abrindo cuidadosamente a porta dupla ao final.
Lá dentro, Kold estava com uma espada negra na mão direita e ameaçava uma garota que se encolhia em um canto da sala.
– Eu jamais iria apoiar esse povo nojento! –Exclamou ele.
Ele desferiu um golpe com a espada e o sangue jorrou pela sala.
Colley correu pelo corredor, entrou em qualquer porta lateral, ela estava com a parede quebrada e levava a uma escada que subia em espiral.
No buraco centrar da escada, Sheik estava estatelado no chão:
– Príncipe Zeldo? –Chamou Colley.
Ele abriu os olhos:
– Meu nome... É Sheik. –Murmurou.
– Está bem Sheik, mas o que faz aí estatelado no chão?
– Eu caí... Do último... Andar...
– Temos de sair daqui! Kold era um mentiroso! Ele não quer realmente ajudar o povo...
– Nada mais... –Cortou Sheik. –Está ao meu alcance... Só me resta torcer para que a Princesa consiga o que ela quer...
– Você não é a Zelda?
– Somos dois espíritos que dividimos o mesmo corpo... E o espírito dela não está presente aqui no momento...
Um minuto após abandonar seu corpo, o espírito de Zelda atravessou todo o reino, e em menos de um minuto estava em frente a uma pessoa que andava pelas cinzas de um castelo:
– Kanahyor? –Chamou ela.
Ele parou, não podia vê-la e não respondeu.
– Sei que já me reconheceu. Sou eu, Zelda. Sei que você deve estar achando que eu não tenho motivo algum para estar aqui, mas não é verdade! Você está me devendo um favor!
– Não lhe devo nada. Saia daqui e pare de assombrar a quem não deve ser perturbado. –Respondeu.
– Não é verdade! –Gritou ela. –Sua alma está rompida! Você se quebrou em milhões de pedaços quando ficou naquele deserto, mas é o único que não consegue ver isso! Buscando os pedaços de sua alma você matou a dezenas de pessoas, incluindo meu irmão! E é por isso que me deve! Ou isso não lhe importa?
Ele não respondeu.
– Não sei onde estou! –Ela continuou. –Não sei por que estou aqui! Só sei que fui seqüestrada por um tal de Kold Vinnician que tem algum problema com uma mulher chamada Forkres e por causa disso vim parar no castelo dela!
Kanahyor continuou sem responder:
– Está ouvindo. –Ela perguntou. –Você não vem me ajudar? Vai ficar parado?
– Você diz que minha alma está quebrada. –Respondeu ele. –Mas você está em pior estado. Leve isso para seu corpo em menos de um minuto e você terá chances de sobreviver.
Ele ergueu a mão direita, formando uma pequena jóia verde e colocando-a flutuando no ar.
Depois disso voltou a andar, como se nada tivesse acontecido.
Zelda olhou ele ir embora e então olhou para a jóia.
Tocou-a.
Ela dissolveu-se e foi absorvida por sua mão.
Zelda ficou parada alguns instantes sem saber o que fazer, e então começou a correr na direção de Sheik.
– Ela chegou. –Disse Sheik de repente.
Ele ergueu o baço direito e ativou a Triforce da Sabedoria.
Zelda se ergueu do chão:
– Ca-cade todos aqueles ferimentos? –Perguntou Colley espantado.
– Fui salva. –Respondeu ela. –Por uma alma que quer ser salva, mas ainda não sabe disso.
De repente, a porta se abriu.
Kold entrou, seguido por Forkres:
– Estão todos bem? –Perguntou ele.
– Traidor! –Exclamou Colley. Atacando-o com as garras. –Não acredite nele! É uma farsa! Acabei de vê-lo matando esta mulher em uma sala ali ao lado!
– Do que está falando, Colley? –Perguntou Kold que estava apenas se defendendo com a espada. –Estávamos na Sala da Morte no primeiro andar até agora a pouco.
– Mas se não era você, quem era? –Perguntou Colley.
– Eu, talvez. –Disse Forkres sorrindo.
Ela se transformou em uma sombra e de repente ficou idêntica a Kold:
– Ou talvez me reconheça assim? –Perguntou ela. Então mudou de forma novamente, tomando a forma de um guerreiro coberto por uma armadura negra. –Ou talvez assim?
– Mestre Lyfnos? –Exclamou Colley. –Oh não!
– Oh, sim! –Exclamou ele. –Até que foi bem engraçado ver aquela mulher ser assassinada pelos próprios sentimentos! HAHAHAHAHAHAHAHA!
– Zelda. –Disse Kold. –Seu irmão foi assassinado pelo Kanenkai da Destruição, mas ainda há uma chance de salvá-lo. Pegue a espada no degrau e leve-a ao corpo de seu irmão!
Dizendo isso, um portal negro surgiu e sugou Zelda para dentro.
Ela estava agora no mesmo lugar em que pegara a Master Sword, mas desta vez havia um portal no meio da escada e aos pés dele a espada em que havia tropeçado.
Ela correu até ela e segurou-a logo depois entrou no portal.
Este a levou até o quarto de Link, no Castelo de Hyrule, onde dentro de um caixão de vidro estava depositado seu corpo.
Ela jogou a tampa do caixão no chão e olhou para seu irmão vestido com roupas de rei.
Parecia já ter se passado anos desde que fora assassinado.
De repente, a espada saltou de sua mão e começou a flutuar horizontalmente sobre Link.
Inscrições indecifráveis brilharam negras na lâmina seguida por murmúrios espectrais e então um clarão negro cegou Zelda por alguns instantes.
Quando ela olhou para ele novamente, Link abriu os olhos, e então ele agarrou o cabo da espada com as duas mãos.
– Link! –Gritou ela.
Mas estava sendo puxada pelo portal, e ele se levantou do caixão:
– Link! –Exclamou.
Mas de repente tudo sumiu, ela parecia estar dentro do Palácio-Agulha.
