Capítulo XVI

Pedido de Resgate

Realmente ela estava no Palácio Agulha, mas não podia comprovar, pois a sala redonda tinha paredes totalmente feitas de espelhos que refletiam uma luz dourada vinda de alguma parte do cômodo.

A luz facilmente cega qualquer um que olhe diretamente para ela, e irritava a vista de quem olhasse para seu reflexo.

–Então esta é a famosa Princesa Zelda? –Disse uma voz atrás dela.

Não se virou, a Triforce lhe dizia que a voz vinha da luz dourada.

Ao invés disso, jogou o braço direito para trás e lançou um poderoso raio na criatura.

A criatura desviou, o raio foi diretamente refletido por um dos espelhos que o lançou nas costas de Zelda.

A princesa foi atirada para frente e caiu no chão.

A criatura riu e então falou:

–Gosta de magias, não é? –Perguntou ele. –Vou levá-la para um lugar, um lugar especial. E lá use sua magia. Tudo o que conseguir e então sofra as conseqüências...

De repente, todo o brilho dourado na sala se apagou. Ainda no chão ela olhou para a direção de onde vinha a voz.

Lá havia alguém coberto por uma armadura dourada. Ele segurava uma esfera negra que parecia sugar o ar à sua volta.

Além do ar, vários fios prateados eram atraídos por ela e giravam à sua volta.

Ela reconheceu aquele objeto imediatamente, ela já havia lido sobre ele em um livro.

Tentou desviar o olhar, mas não conseguiu, ao invés disso estendeu involuntariamente seu braço direito e lançou um fio dourado que como os outros ficou girando ao redor da esfera.

Zelda caiu inerte no chão...

–Ora Kold... –Disse Lyfnos após Zelda entrar no portal. –Eu realmente não achei que você fosse nos ajudar tanto...

Ele se virou para Lyfnos:

–Que quer dizer com isso?

–Não teria como saber, mas a espada é a peça fundamental para o plano da ressurreição... Mas agora você não pode fazer nada senão esperar... E assistir a ressurreição do Mestre, de um Mestre maior do que o Senhor da Torre... A partir de agora todos não passamos de peças em seu jogo. –Ele sorriu.

–Se você pensa que vou deixar isso acontecer está muito enganado! –Exclamou Kold. Erguendo as duas mãos –Vou criar um portal que irá levá-la diretamente à Torre!

O sorriso de Lyfnos se manteu inabalável e logo Kold notou isso:

–Por que continua sorrindo? –Exclamou ele.

–Hiaryham está na torre. –Respondeu ele simplesmente.

Kold virou-se para formar um novo portal, mas nada saiu dele.

–Ela já está fora do alcance de qualquer um, Kold. E agora eu vou matar vocês!

De repente, todas as sombras da sala começaram a girar e a absorver seus donos.

Colley estava imóvel desde a aparição de Lyfnos, e agora não se importava e estar sumindo.

–O redemoinho das sombras é infalível... –Disse Lyfnos.

–Não enquanto a Triforce estiver comigo! –Exclamou Kold erguendo o punho direito.

Uma luz dourada desintegrou as sombras que o rodeavam, mas não deu atenção a Colley sumido até o pescoço.

Com as duas mãos brilhando dourado, saltou na direção de Lyfnos.

Mas então o próprio Lyfnos transformou-se em uma sombra e para a sorte de Colley, o redemoinho de sombras parou de rodear a sala e concentrou-se em Kold, fazendo-o sumir.

Lyfnos deixou de ser uma sombra e voltou a sua forma comum, mas antes que pudesse sorrir uma flecha passou por ele e o fez dissolver-se o ar.

Era uma flecha lançada por Forkres da entrada da sala, ela estava sem nenhum ferimento.

–Eu prestaria mais atenção na pessoa que atacar, antes de chamá-la de Forkres. –Disse ela.

O redemoinho de sombras se dissolveu e Kold surgiu perfeitamente bem de dentro dele.

–Mas o que está acontecendo aqui? –Exclamou ele.

Zelda abriu os olhos.

Ao que parecia, estava no cume de uma montanha, cheio de neve à sua volta.

O ar era rarefeito e uma neblina densa não deixava Zelda enxergar muito além de alguns metros. Flocos de neve caiam rapidamente com um vento forte e frio congelante.

Suas pálpebras tentavam se forçar para baixo, mas ela olhou em volta. Não parecia haver nada por perto.

Para onde será que aquele monstro a havia levado?

O primeiro passo para descobrir isso seria descer daquela montanha, mas havia um problema.

Seus pulsos estavam presos por faixas de um material áspero e resistente. Seus pés não estavam no chão, ela estava presa ao que parecia em uma cruz torta feita com dois troncos semipodres precariamente presos com correntes.

Os cabelos dourados esvoaçavam para todas as direções com o vento que constantemente mudava de direção.

Ele estava muito veloz, zunindo nos ouvidos.

O vestido de Zelda fora feito para ser elegante, não para proteger do frio e do vento cortante.

Ela já deveria estar ali há algumas horas, por seu cabelo estava coberto de neve e o vestido picotado em algumas partes.

Não seria difícil de se soltar daqueles dois troncos podres, nem que ela ganhasse uma pulseira de um material áspero e desconhecido. Só precisava de um pouco de um pouco de magia para arrebentar o tronco.

Tentou se concentrar, e então um raio saiu da pala de cada uma das mãos, arrebentando o material que prendia.

Fora melhor do que ela pensava, começou a cair.

Mas antes que chegasse ao chão, uma dor aguda atacou suas mãos, Zelda caiu de joelhos.

A dor foi se espalhando pelo corpo aumentando cada vez mais, ela caiu na neve e desmaiou...

– Pensamos que você estivesse morta! –Exclamou Kold.

– E de certo estaria, se não desconfiasse que você tentaria me atacar e mandei um sósia. –Respondeu ela. –Mas agora que já sei da verdade não há mais problema. Mesmo assim não pense que vou livrá-lo de seus crimes, Kold! Você apenas ganhou o direito de julgamento siga-me se quiser viver.

Algumas horas depois, Zelda novamente acordou, estava com mito rio.

O que havia acontecido? Ela nunca havia lido algo sobre isso antes. Precisava comunicar o acontecido a Colley e Kold agora mesmo. O único problema era que não sabia se seu poder poderia alcançá-os do lugar onde estava.

– Kold? Colley? –Chamou a voz de Zelda vinda do nada.

Já fazia algumas horas que forkres os havia prendido numa cela.

A própria estava vigiando-os sentada numa cadeira do lado de fora da cela e deu um sobressalto com a voz vinda do nada.

– Quem está aí? –Exclamou ela.

– Princesa Zelda? –Perguntou Colley para a escuridão.

– Sou eu mesma! Aconteceu algo errado no Castelo e eu vim parar no castelo em forma de agulha.

Zelda começou a sentir algumas pontadas vindas do nada.

– Depois disso ele usou uma bola que me deixou desacordada. Quando acordei não estava mais lá

– Onde você está agora? –A voz de Kold ecoou na montanha.

– Não sei! Nunca estive aqui antes! É o topo de uma montanha! Está nevando, muito vento e frio, congelante, provavelmente abaixo de zero graus centígrados! –Exclamou ela.

– Você não consegue ver nenhuma característica única? Que não exista em outro lugar?

– Não são todas as montanhas que têm uma cruz de madeira podre no topo! –Exclamou ela.

– Está de dia ou de noite nesse lugar? –Perguntou Forkres.

As pinicadas começaram a se agravas e causar dores mais agudas. Não sabia como Forkres estava viva, mas isso com certeza significava que Kold e Colley não estavam em liberdade, por isso empenhou-se em inventar uma história que provou-se ser parcialmente verdadeira:

– Acho que a pessoa que me trouxe aqui foi a mesma pessoa que forçou vocês a fazer coisas terríveis com o povo de Forkres! Mas vocês precisam vir aqui me ajudar!

– Aí está de dia ou de noite? –Repetiu Forkres.

Ninguém respondeu, e também não iria mais responder, Zelda não estava mais conseguindo manter contato com eles.

Fez-se um minuto de silêncio, forkres estava pensando.

Aquela garota era uma Princesa, além disso, ela disso que Kold fora forçado a atormentar seu povo. Deveria ela confiar em uma Princesa que ela nunca havia ouvido falar?

Olhou para os dois prisioneiros.

As pequenas dores de Zelda agora se transformaram nas mesmas dores de antes, mas ela estava preparada para suportá-la.

Ela ainda precisava mandar uma última mensagem, mas não era para aqueles três. Tentou com sua magia encontrar em que lugar do mundo estava Kanahyor.

– Kanahyor! –A voz de Zelda ecoou pelo campo aberto em que Kanahyor cavalgava. Ele parou bruscamente.

– Você destruiu meu reino, matou meu irmão e depois foi embora sem dizer mais nada! Não se arrepende disso?

– Não. – Respondeu simplesmente.

– Mas nós tínhamos um trato! Eu confiei em você naquela hora! Mas ao invés de proteger o Castelo você assassinou o rei em plena cerimônia de coroação!

– Meu único objetivo na última década foi lutar com o Herói do Tempo.

– E você já fez isso! E o matou! Não está satisfeito! No dia da coroação fui levada até duas pessoas, Kold vinnician e Colley. Os dois queriam apenas me proteger de você! Os Sábios de Hyrule sempre me preveniam que você era um assassino! Eu não acreditei! E o que aconteceu depois? Você matou o meu irmão! Um homem em um castelo em forma de agulha me fez ir parar no topo e uma montanha.

Não estava mais conseguindo suportar a dor tinha que terminar logo de falar. Além disso teve a impressão de ver alguns vultos se aproximando.

– Se ainda lhe resta um pouco de dignidade! Venha me salvar! Estou em um lugar em que é dolorido o uso de magia...

Dizendo isso ela começou a perder a consciência, não sabia se Kanayor viria ajudá-la, mas um nome em sua história fez com que ele não tivesse outra alternativa.