Capítulo XVII
Encontro em Família
– Vou libertar vocês. –Disse Forkres por fim, mas saibam que se estivem mentindo, o preço será a morte! –Exclamou ela.
Dizendo isso retirou uma chave e destrancou a cela:
– Estamos dizendo a verdade, você não vai se arrepender, eu garanto! –Disse Kold saindo da cela.
– Tem alguma idéia de onde ir? –Perguntou Colley.
– Na verdade não. –Respondeu ele. –Mas acho que poderemos descobrir se formos até o castelo da agulha. Muito obrigado por nos libertar Forkres, mas temos que ir.
– Eu vou com vocês. –Disse ela. –O que me garante que não vão tentar me enganar?
Ele não se importou, os três atravessaram o corredor de pedra que levava à cela. Chegando assim em uma grande escadaria que subia pelo menos cem metros em uma forma quadrada.
Colley e forkres subiram correndo, Kold deu um soco no chão e usou-o como impulso para subir até o topo.
Diferente de Sheik, ele conseguiu segurar-se no corrimão da escada e passar para o outro lado.
Ele escancarou a porta de aço. Ela levava à um deserto, ao que parecia ele via vindo de uma pequenina construção quadrada de pedra, e o castelo ficava no subsolo.
Como Forkres e seu povo conseguiam viver a ele não sabia, mas também não perguntou.
Ele não parou de correr, nem para esperar Forkres e Colley que ainda estavam no meio da escada.
Alguns minutos depois, ele estava em um campo aberto, coberto por vegetação rasteira, e ao longe avistava bem pequenina a torre em forma de agulha.
Foi este o luar que escolheu para esperar os outros dois, embora ele não conseguisse enxergá-los.
De repente ele ouve um crescente som de cavalo.
Olhou para todas as direções e ao Leste avistou um pequeno pontinho que ia aumentando cada vez mais.
Como ele estava em um campo plano, não demorou para avistar maiores detalhes.
A pessoa que vinha tinha longos cabelos prateados que davam uma impressão de leveza, usava uma roupa elegante, provavelmente de um chefe de vila.
A pessoa ergueu a mão direita para o ar.
Ela vinha rapidamente em sua direção, e todo ar que batia em sua palma erguida se acumulava, formando uma grande bola de vento.
Foi então que Kold reconheceu aquela pessoa, mas isso foi quando Kanahyor atirou a bola de vento contra ele.
Kold foi arremessado para longe, Kanahyor pulou do cavalo, que continuou indo indefinidamente para a escuridão do anoitecer.
– Finalmente, depois de tantos anos eu reencontrei você. –Ele disse calmamente.
Kanahyor tinha um olhar que expressava uma raiva gigantesca.
Kold não esperava reencontrar seu irmão naquela hora, na verdade esperava nunca ter de encará-lo novamente.
– O que andou fazendo nesses últimos anos, Kold? Estragando a vida de pessoas, imagino?
– Hein? Kanahyor! Você está vivo! Que alegria! – Mas ele não se deu o mínimo trabalho de fazer sua expressão confirmar sua fala.
– Depois de tanto tempo ainda é de se surpreender que ninguém tenha te matado... Você e papai não costumavam ser bons governantes não é mesmo? – Seus olhos agora estavam brilhando mais do que a lua.
Ele ergueu as duas mãos na altura dos ombros e uma esfera branca de energia se formou e explodiu logo em seguida, Kanahyor segurou a espada prateada que se formara e avançou com velocidade e ímpeto na direção de Kold.
Kold recuou, mas não tinha a velocidade e determinação do outro, que desferiu um golpe.
Ele conseguiu desviar-se, mas perdeu o equilíbrio e caiu com o rosto na grama. Kanahyor ergueu a espada para um segundo golpe, teria que fazer algo.
Kold havia sido treinado na arte da espada desde os cinco anos, enquanto Kanahyor ficara em um deserto, em uma luta de espadas suas chances de vitória seriam maiores, por isso, ainda no chão, ergueu as mãos na altura dos ombros e uma esfera brilhante negra se formou.
Kanahyor golpeou, Kold girou para a direita, escapando de ganhar um furo na cabeça, a esfera se explodiu e uma espada pequena e negra caiu no gramado.
– Pensei que você tivesse seus próprios truques, vejo que estava enganado.
– Pare de atacar, pense um pouco Kanahyor! Eu não tive culpa em nada do que te aconteceu.
"Não teve culpa?" Pensou ele. "Achei que ao menos teria coragem para assumir seus erros." Então jurou que Não importando o que custasse, mataria Kold antes de morrer.
Ele baixou a mão direita com a espada e ergueu a esquerda, atirou um raio de luz branca em Kold, este ergueu a parte superior que estava deitada e protegeu-se com o punho direito, como uma ameaça, fazendo brilhar o símbolo de uma metade da Triforce do poder.
O raio se dissipou a medida que se aproximava e ele saltou de pé.
Kanahyor esperava que ele usasse a Triforce e também sabia muito bem que mesmo com esse poder ele não conseguiria vencê-lo.
Kold também sabia disso e sabia também que o irmão esperava que ele se defendesse e tentasse fugir, teria que surpreendê-lo.
Ele começou a correr na direção de Kanahyor, com o punho direito erguido usando o poder da Triforce, o outro não esperava por isso, não teve reação, Kold se jogou no irmão e derrubou-lhe com um soco no rosto.
Kanahyor no chão piscou os olhos, não esperava por isso, mas o que mais lhe surpreendia agora era a dor que estava sentindo, não deveria subestimar a Triforce.
Kold caído na grama podia ver a espada negro a pouco centímetro de sua mão direita, percebeu que o irmão já se levantara, pegou rapidamente a espada e escondeu-a atrás de si.
Virou-se para encarar Kanahyor, que estava de pé a sua frente e apontava a espada prateada em sua direção.
– Não esperava por aquilo, mas mesmo assim não foi o suficiente...
Neste momento em que Kanahyor achava que já tinha a vitória garantida foi quando Kold escolheu para levantar-se em um salto e golpear com a espada.
Ele bloqueou, mas como esperado Kold havia trinado muito mais na espada do que Kanahyor, que não conseguiu bloquear o segundo golpe que o atingiu no estômago.
Ele recuou alguns passos, a espada negra que estava perfurando-o desapareceu, mas havia um ferimento e o sangue escorria livremente.
Kold recriou a espada:
– Você pode ser bem mais forte que eu Kanahyor, mas em uma luta de espadas eu venceria, pois treinei desde meus cinco anos de idade!
Ele não soube como responder, esperava poder derrotar Kold com facilidade, mas estava tendo surpresas desagradáveis.
– Para onde aquele idiota foi? – Perguntou Forkres pela quarta vez a Colley. – Você deveria saber!
– Eu não sei! EU NÃO SEI! Por que você não pára de me perguntar a mesma coisa desde que nós saímos daquele caixão gigante?
– Não é um caixão, é um refúgio! – Respondeu ela pela terceira vez. –Desse jeito nós nunca vamos encontrá-lo! Fique atento para tentar enxergá-lo, como estamos em um campo aberto não pode ser muito difícil.
– Espere! Estou vendo algo vindo em nossa direção lá longe... Parece um cavalo!
Um cavalo branco passou rapidamente por eles, Colley notou que ele não havia ninguém montado nele, mas ele corria como se temesse algo.
– Acho que devemos ir na direção de onde ele veio! – Exclamou Forkres.
– Certo!
Eles apressaram o passo na direção de onde viera o cavalo, apertando a visão para procurar algum sinal de Kold naquele campo fracamente iluminado pela luz da lua.
Com a velocidade em que estavam, não demoraram a avistar a silhueta de duas pessoas ao longe.
– Um deles pode ser o Kold, vamos que será fácil de chegar lá! Guie-se pelo cabelo prateado daquele ali, que se destaca mais do que tudo neste campo... Credo!
O vulto de cabelos prateados havia lançado um raio branco contra o outro vulto, que foi envolvido por uma luz dourada que iluminou-o, era mesmo Kold.
– Ele está lutando com alguém! Vamos mais rápido.
Kold saltou na direção do de cabelos prateados e os dois caíram no chão, este se levantou primeiro.
Eles já estavam quase alcançando-os e nenhum dos dois parecia ter notado a presença deles, de repente Kold se levantou e golpeou o outro, então disse alguma coisa.
Pararam logo atrás de Kanahyor, que não lhes deu atenção.
Ele ergueu os olhos para Kold, de repente, como se o Sol estivesse renascido no meio da noite, uma explosão dourada aconteceu, o forte brilho e calor que emanavam de Kanahyor eram praticamente insuportáveis.
Kold, Colley e Forkres voaram longe, mas ainda com distância não conseguiam suportar a luz que cegava os olhos e calor que derretia o ferro.
Aos poucos a luz foi baixando e o calor diminuindo, quando a escuridão voltou ao normal, não viram mais nenhum rastro de Kanahyor.
– Onde ele está? – Perguntou Colley depois de todos se levantarem.
Logo depois de acabar de perguntar, todos foram erguidos no ar, mas não sentiram nada, como se o mundo estivesse se afastando de seus pés.
