Satsumi e o jogo cruel de Sesshoumaru.
Satsumi entrou em sua casa e foi direto para o quarto do pai. Deu duas batidas leves na porta de correr, e uma voz feminina pediu que entrasse.
- Oi, Asuka! – disse ela baixo entrando e se ajoelhando ao lado da cama do pai –Como ele está?
- Hoje ele passou o dia bem melhor – respondeu Asuka, uma senhora de meia idade que cuidava do pai de Satsumi – Eu fiz alguns chás para ele, e ao que parece tem ajudado.
- Que bom! – disse ela passando a mão na testa do pai – Espero que ele melhore logo.
Asuka não pôde evitar mostrar uma expressão triste para a jovem, que nutria uma esperança de que o único parente que havia lhe restado se recuperasse. Mas ela, sendo experiente no tratamento de outros enfermos do vilarejo com os mesmos sintomas do senhor das terras, tinha quase certeza que ele sofria de uma tuberculose, e que certamente não viveria muito tempo, devido ao estado avançado em que se encontrava sua doença. Deu um pequeno sorriso para Satsumi e preferiu mudar de assunto.
- O que você fez hoje, o dia inteiro, jovem? – perguntou ela.
- Nada importante – respondeu Satsumi escondendo obviamente o que acontecera com ela e o youkai - Apenas a rotina de sempre.
- Posso apostar que o Sr Hattemaru estava com a srta. – disse Asuka com um sorriso.
- Como sempre! –disse Satsumi também sorrindo – Ele sempre está ao meu lado.
- Ele gosta muito de você, Satsumi – disse a mulher - E acredito que ele logo pedirá sua mão ao seu pai.
Satsumi concordou com a cabeça. Sabia que certamente isso aconteceria, pois Hattemaru era o braço direito de seu pai, e como tal, o primeiro na lista de pretendentes a marido da única herdeira daquelas terras.
- Ele é um ótimo rapaz – concluiu Asuka – Você vai ser muito feliz se aceitar se casar com ele...
Satsumi deu um beijo no pai e se levantou.
- A conversa está boa, mas eu preciso de um banho, Asuka! – disse ela fugindo do assunto – Boa noite!
- Boa noite, Satsumi-Hime! – disse Asuka.
Saiu do quarto pensativa sobre seu futuro. Há alguns meses que o assunto de maior importância naquele vilarejo era se ela se casaria com Hattemaru. Desde que o pai adoecera, passou a se sondar quem tomaria seu lugar no governo das terras caso o pior acontecesse. Satsumi, sendo mulher, não poderia tomar o lugar do pai, então seu marido deveria ser o sucessor. Embora soubesse que o amigo fosse uma ótima escolha, pois estava ao lado de seu pai há mais de 8 anos, Satsumi não o via como um marido, um companheiro. Ela o conhecia desde que era uma criança ainda. Ela tinha apenas 11 anos quando ele, com 23, chegou ao vilarejo, em busca de trabalho como professor da arte da espada. Logo ele se tornou mestre de todos os guardas e chefe de segurança do vilarejo. Ele ensinara Satsumi a lutar. Ela o tinha como professor, como amigo, como irmão.
Resolveu parar de pensar naquele assunto, que a atormentava tanto. Pediu a uma empregada da casa que arrumasse seu banho e foi para a sala. Ajoelhou-se em frente a um pequeno altar e fez uma oração aos deuses pedindo que o pai se recuperasse. Pediu também proteção para o vilarejo, principalmente contra youkais, que ultimamente eram os únicos problemas daquelas terras.
- Aquele youkai... – sussurrou ao se lembrar do acontecido na cabana - ...miserável...
Sentiu raiva de si mesma por ter acreditado quando ele disse que não lhe faria mal e a levou até a cabana. Sentiu ainda mais raiva quando se lembrou que cedeu ao beijo dele. Deixou a sala e foi para seu quarto, onde a empregada terminava de arrumar seu banho.
"Que tipo de mulher eu sou?" condenou-se em pensamento "Deixar alguém que eu não conheço me beijar daquela maneira! Um youkai! Nem o nome dele eu fiquei sabendo!".
Satsumi esperou a empregada sair e entrou na banheira. Ficou se criticando imensamente pela estupidez cometida e jurou a si mesma que jamais seria tão ingênua novamente. E que se o tal youkai fosse encontrada por suas terras, ele seria punido da forma merecida.
Sesshoumaru acordou bem cedo, disposto à aproveitar o dia o máximo possível. Sairia à caça de Satsumi, e quando a encontrasse, brincaria com ela mais um pouco. Era uma brincadeira interessante, onde a única pessoa que poderia se machucar era a humana, mas isso dependeria da vontade de Sesshoumaru. De repente, ele poderia ser misericordioso e deixá-la sair ilesa de seu joguinho diabólico. Já tinha decidido que ia arrastá-la para a cabana de novo, que ali seria seu cárcere, onde ele a manteria em cativeiro se assim desejasse.
Atravessou o riacho e se colocou na mesma árvore do dia anterior, onde a visão do vilarejo era privilegiada. Para sua surpresa, Satsumi acordava bem mais cedo que ele, e já estava reunida com os outros guardas, sentados no chão de terra batida, à espera de algo.
- Então o namoradinho dela é o chefe da guarda? – disse ao ver Hattemaru chegar e começar a falar com os soldados – Conheço uma história parecida...
Sesshoumaru se lembrou com certa raiva de seu pai e a humana que era mãe de Inuyasha.
- Detalhes parecidos, mas as conseqüências serão bastante diferentes... – concluiu.
Olhou Satsumi sentada, pernas cruzadas, como uma criança ouvindo o sermão do pai. O olhar seguindo atentamente os movimentos de seu superior, ao lado de horríveis homens barbados, feios, com certeza cheirando a suor. Ela que cheirava tão bem, conforme Sesshoumaru havia já comprovado. Havia mais duas mulheres também, mas estas pareciam até mais masculinas do que alguns dos soldados.
E ela, Satsumi, parecia tão frágil, como uma flor cercada de espinhos. Era até um pecado deixá-la junto daqueles seres enojantes.
Mais alguns minutos de conversa até que Hattemaru dispensou os guardas. Ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar e ficou conversando com ela.
- Preciso arranjar um meio de atraí-la para cá – disse Sesshoumaru – Mas sem o namoradinho por perto.
Pensou um pouco e decidiu se mostrar. Sabia que se ela o visse, viria atrás para como ela mesma disse "acabar com ele". Esperou Hattemaru deixá-la sozinha, e desceu da árvore num salto. Chegou há uns 5 metros da distância da entrada do vilarejo, e a chamou.
- Satsumi! – disse em um tom normal de voz.
Satsumi se virou e para seu espanto era o youkai desconhecido que á chamava.
- O quê? –disse baixo sem acreditar na ousadia dele.
- Está interessada em resolver a nossa disputa de ontem? – perguntou Sesshoumaru com um sorriso irônico no rosto – Fomos interrompidos, mas pelo que eu me lembro, eu estava ganhando.
Ela colocou a mão na bainha da espada e olhou para trás, para ver se havia algum outro guarda por lá.
- Você precisa pedir permissão para o namoradinho? – zombou ele ao vê-la procurando por alguém – Eu pensei que você respondesse pelos seus próprios atos!
Satsumi irritou-se profundamente com o comentário do youkai. Ele estava duvidando da coragem dela de enfrentá-lo sozinha, e isso não ela não permitiria.
- Você me paga! – disse ela com raiva e indo na direção dele.
- Agora sim! – disse Sesshoumaru –Uma mulher de decisão! Siga-me!
Ele entrou na mata e Satsumi foi atrás. Ela manteve uma distância segura dele, e quando ele atravessou o riacho, ela parou.
- O que foi? – perguntou Sesshoumaru já do outro lado – Tem medo de água?
- Eu não vou além deste ponto! – disse Satsumi séria – Se você quer lutar, que seja aqui!
Sesshoumaru olhou para a mata fechada atrás de si e entendeu a recusa da humana em prosseguir.
- Esperta! – disse sorrindo – Eu pensava mesmo em levá-la próximo à cabana. Lá poderíamos lutar sem a possível intervenção de algum amiguinho seu. Mas já que você não quer ir, tudo bem! Vamos esquecer tudo. Pode voltar para casa!
Ele deu as costas e começou a ir embora.
- Qual o problema, youkai? – disse ela – Sua força só aparece perto daquela cabana? Ou será que o único ataque que você sabe é agarrar mulheres e beijá-las à força?
Sesshoumaru parou ao ouvir o insulto da garota.
- Eu vou te mostrar do que eu sou capaz, humana! – disse ele se virando.
Satsumi sacou a espada e esperou pelo ataque do youkai. Sesshoumaru apenas correu em direção à ela com sua super velocidade e agarrou a mão dela, torcendo-a e fazendo-a soltar a arma. Satsumi ágil rápido e com a mão livre pegou um punhal que carregava na cintura e tentou acertá-lo, mas Sesshoumaru se desviou, soltando sua mão. Ele deu dois passos para trás e sorriu.
- Você é habilidosa! – disse ele – Mas ainda assim não é páreo para mim!
Ele correu até ela de novo e desta vez agarrou seu pescoço. Levou Satsumi até o riacho e a deixou cair sentada na água, recuperando o fôlego. Quando ela tentou se levantar, Sesshoumaru se agachou ao lado dela e a empurrou de novo, afundando sua cabeça na água. Ele a segurou por alguns segundos e a trouxe de volta à superfície. Ficou olhando em silêncio enquanto a humana tossia e respirava desesperada.
- Maldito... – disse Satsumi com a voz falha.
- Isso é só um exemplo do que eu posso fazer, Satsumi! – disse Sesshoumaru num tom frio – Seria melhor você fazer o que eu mando!
- Vá para o inferno! – irritou-se Satsumi.
- Outro dia , talvez! – disse ele achando divertida a reação da jovem – Mas hoje eu só vou mesmo para aquela cabana com você!
- Você acha mesmo que vai me arrastar até lá de novo? – perguntou ela olhando com raiva para o youkai que tinha um sorriso nos lábios – Só se eu estiver morta!
- Eu não quero você morta, humana – disse levantando-a da água – Eu quero você viva, muito viva. E você vai até lá de livre e espontânea vontade...
- Há há! – riu Satsumi – Só nos seus sonhos!
Ele a puxou para junto do seu corpo, segurando-a pelos braços e deu uma mordiscada na orelha dela.
- Você vai, sim! – sussurrou ao ouvido dela – Você vai, porque você está gostando desta brincadeira tanto quanto eu!
- Me solta! – disse se debatendo – Como você ousa me tratar deste jeito? Eu não sou uma vadia qualquer que você pode chegar e ir agarrando desta forma!
- Não, você não é uma vadia qualquer! – disse ele – Mas dependendo da qualidade do seu jogo, eu posso deixá-la ser minha vadia exclusiva!
Satsumi petrificou ao ouvir a frase do youkai. Sentiu tanta raiva da insinuação dele que não conseguia se mexer. Sentiu que estava tremendo, mas não sabia se era de frio, medo ou ódio.
- Me solta! – disse baixo cerrando os dentes – Agora!
Ele soltou os braços dela e se distanciou. Não, não era de medo que tremia, senão teria fugido neste momento. Nem era de frio, pois sentia um calor imenso atingir--lhe o rosto. Era mesmo ódio, tanto ódio que ela nem pensou em perder mais tempo ouvindo as besteiras que ele lhe falava. Saiu da água caminhando normalmente, sem pressa. Pegou sua espada e a guardou, e saiu em direção ao caminho de volta ao vilarejo.
- O que foi, Satsumi? – perguntou Sesshoumaru – Cansou de brincar? Vai voltar para casa e chorar nos braços do namoradinho?
Ela continuou caminhando sem dar a mínima atenção. Ele correu e bloqueou a passagem dela.
- Ficou com raiva só porque eu disse que você seria minha vadia? – disse o youkai sério.
- Saia da minha frente! – disse ela.
- Você achou que eu realmente tinha interesse em lutar com você porque você é uma boa espadachim? – insistiu ele sem sair do caminho – Você acha que alguém se importa mesmo com o fato de você saber lutar ou não? Aposto que aqueles guardas só deixaram você junto com eles porque você é bonita! Eu posso até imaginar os pensamentos lascivos deles em relação a você! Posso até apostar que você gosta de imaginar isto também!
Satsumi virou um tapa na direção do rosto de Sesshoumaru, e como era de se esperar ele desviou. Ele a empurrou até que ela batesse as costas em uma árvore, e prendeu lá com seu corpo.
- O único que tem o direito de bater aqui, sou eu! – disse ele – Jamais levante esta mão para mim novamente.
- Me solta! – disse Satsumi sem forças para se debater – O que você quer de mim?
- Eu só quero que você até a cabana hoje quando escurecer, entendeu? – disse ele com o rosto bem próximo ao da jovem – Você vai, não vai?
Satsumi balançou a cabeça negativamente. Ele segurou seu rosto e a beijou.
- Vai sim! – disse soltando os lábios dela - Você vai porque também quer o mesmo que eu quero! Embora por fora você demonstre raiva e indignação, eu sei que por dentro você está louca para que eu te possua aqui mesmo.
Satsumi deixou uma lágrima escapar do canto do olho, odiando estar naquela situação. Como uma garota indefesa. Como se não tivesse treinado tanto tempo em sua vida e não fosse capaz de lutar de igual para igual com um homem qualquer. Mas ele não era um homem qualquer, era um youkai, muito mais forte, e disposto a demonstrar o quão inferior ela era. Pelo menos ele tinha dito uma meia verdade. Neste momento se sentia com vontade de sair correndo para casa e chorar sozinha trancada em seu quarto.
- Me solta! – disse de novo – Eu quero ir embora!
Sesshoumaru notou que a jovem estava completamente derrotada. Ela nem se mexia para tentar se soltar. Sabia que tinha achado o ponto fraco dela.
"Não gosta de ser tratada como uma menininha, não é?" pensou satisfeito "Pois eu vou deixá-la se sentindo pior!".
- Vá embora! – disse ele a soltando –Você já está chorando. Daqui a pouco é capaz de desmaiar nos meus braços!
Satsumi só pensava em sair dali e nunca mais olhar para aquele youkai. Continuou caminhando, mas se deu conta que desistira muito rápido da luta, ou da brincadeira, como o youkai mesmo disse. Parou e encheu o peito de ar, junto com coragem para fazer o que tinha decidido. Se não podia vencê-lo na força, jogaria com a inteligência, e teria sua vingança. Respirou fundo mais uma vez e falou com ele sem se virar.
- Eu vou! – disse firme.
- O quê? – perguntou ele sem entender.
- Eu vou na cabana hoje à noite! – concluiu Satsumi.
- Que bom! – exclamou Sesshoumaru surpreso – Mas espero que não esteja pensando em levar os seus amigos soldados junto!
Satsumi se virou e deu um sorriso desafiador para Sesshoumaru.
- Não, eu vou sozinha! – disse ela – O único covarde aqui é você, youkai!
Sesshoumaru a olhou fascinado. Deu uma gargalhada com o insulto da jovem, que continuou a caminhar e sumiu entre as árvores.
- Mal posso esperar pela noite! – disse Sesshoumaru – Ela tem algum plano, tenho certeza! Pobrezinha, pensa que pode fugir dos meus caprichos!
O youkai deu as costas e também sumiu em meio à mata fechada. Com certeza a noite prometia muito para os dois...
Oi, pessoal! Espero que gostem deste capitulo, e mandem reviews. Eu tenho uma fixação por fics do Sesshy/OC humana. Não consigo imaginá-lo com a Rin. Para mim ele a tem como a filha que ele nunca vai ter graças ao gênio terrível dele. E com outras mulheres da história, eu acho estranho, parece que o Sesshy está pegando o resto largado pór alguém. Agradeço as reviews de:
Mei-chan
Isisk
Analuisa
