Quando Satsumi chegou ao vilarejo, tratou de fazer uma cara melhor, embora estivesse se sentindo humilhada pelo que o youkai fizera. Mas não demonstraria isto à ninguém, principalmente à Hattemaru, que estava parado na frente do casarão principal conversando com outros guardas. Ela sabia que ele lhe daria um sermão por ter saído em busca de um youkai sozinha. Quando ele a viu chegar, toda molhada, tratou logo de saber o que havia acontecido.

- O que aconteceu com você, Satsumi? – disse ele com uma cara de preocupação.

- Eu caí no riacho – respondeu ela – Eu fui dar uma volta e acabei escorregando nas pedras.

- Você se machucou? – disse Hattemaru notando o pescoço um pouco vermelho de Satsumi.

- Não! – respondeu ela – Eu vou entrar e trocar de roupa, eu estou morrendo de frio.

Satsumi passou por Hattemaru e os outros guardas e foi direto para seu quarto. O chefe da guarda ficou desconfiado, mas voltou a conversar e deixou a preocupação de lado.

Satsumi trancou a porta do quarto e arrancou toda a roupa, jogando-a num canto com raiva. Vestiu um kimono normal, pois não voltaria à fazer a guarda pelo restante do dia. Não estava com cabeça para isso, preferia ficar sozinha, remoendo cada palavra que o youkai havia lhe dito.

"Maldito!" pensou com raiva "Quem ele pensa que eu sou?".

Sentou-se no futon e colocou sua espada no colo.

"Não posso vencê-lo com a espada, e nem tenho confiança de que o vencerei de outro modo! Talvez seja sensato não ir à cabana. Talvez fosse melhor eu conversar com Hattemaru, ele saberia o que fazer" pensou segurando a arma "Eu estou tremendo só de pensar no que aquele youkai pode fazer comigo".

Segurou com mais força a espada, tentando parar com o tremor, e se criticou duramente por estar com tanto medo.

"Com certeza você ia rir bastante disso, não é youkai?" pensou já começando a chorar "Mas não vou lhe dar a vitória assim tão fácil. Eu irei hoje à noite, e acabarei com você e aquela maldita cabana. Nunca mais ninguém vai passar pelo o que eu estou passando!".

Alguém bateu na porta, assustando Satsumi que tratou de enxugar as lágrimas.

- Sim? – perguntou ela limpando os olhos – Quem é?

- Asuka! – respondeu a pessoa – Posso falar com você, Satsumi-Hime?

- Precisa ser agora? – perguntou na tentativa de continuar sozinha.

- Precisa! É sobre seu pai! – disse Asuka.

Satsumi se levantou rápido e tratou de abrir a porta, preocupada com o assunto.

- O que é? – perguntou – Aconteceu alguma coisa?

- Não precisa ficar preocupada – disse Asuka – Eu só vim dizer à srta que eu conheço um doutor bastante experiente, que trabalha para os nobres da capital. Ele poderia tratar do seu pai. A srta não quer que o chame?

- Um doutor? – disse a jovem – Ele é bom mesmo?

- Sim , srta Satsumi! – respondeu Asuka – Eu já trabalhei para ele, antes de me mudar para este vilarejo. Vai ser bom um doutor de verdade cuidar do seu pai.

- Você acredita mesmo que seja uma tuberculose, Asuka? – disse Satsumi.

- Eu já cuidei de muita gente com essa doença – disse a mulher – E infelizmente os sintomas do seu pai são idênticos.

Satsumi abaixou a cabeça desconsolada. Desesperava-se só de imaginar que o pai poderia morrer. Deu um sorriso triste ao lembrar de sua vida.

- Como o destino pode ser tão inimigo da gente, Asuka? – disse ela pensativa – Eu perdi minha mãe há menos de dois anos e agora posso perder meu pai também. Posso ficar sozinha no mundo, pois da família que me deu a vida, um já foi levado e eu agora vejo o outro definhando com sofrimento numa cama.

- Não perca as esperanças, Satsumi! – disse Asuka tentando amenizar o clima – Além do mais seu pai disse que se nega a deixar este mundo enquanto não tiver um neto!

Satsumi forçou um sorriso.

- Eu espero pelo menos dar esta alegria à ele, Asuka! – disse a jovem – Já que eu não posso curá-lo.

O pai teve outra crise de tosse, então Asuka correu para o quarto dele. Satsumi chorou ainda mais. Já tinha tanto o que sofrer com a doença do pai, agora estava também triste por causa do youkai. Se fechou de novo no quarto e chorou até dormir.

Sesshoumaru estava sentado embaixo de uma árvore, imaginando onde o pai poderia ter escondido sua espada mais poderosa, a Tessaiga. Não era possível que todos os que conviveram com seu pai quando ele estava vivo, como o ferreiro Tottousai ou o conselheiro Myouga, não tivessem a mínima idéia de onde a espada se encontrava.

"Aquela espada deveria ter sido dada a mim!" pensou irritado "Não é justo que ela tenha sido escondida para ser entregue somente àquele hanyou desprezível!"

Olhou então para a espada em sua cintura.

- Tenseiga... – sussurrou o nome da espada - ...qual sua utilidade para mim? Uma espada que não pode tirar uma vida, mas pode devolvê-la! Para que um youkai como eu precisa de uma espada assim? Você não tem nenhum valor...

Lembrou-se de Tottousai lhe dizendo uma vez que talvez seu pai tivesse lhe deixado a Tenseiga com o propósito de torná-lo mais bondoso e sorriu.

- Bondoso! – disse ele – Não existe bondade correndo em minhas veias, só o desejo de ser o mais forte youkai. Bondade é para os fracos, como os humanos, como Satsumi.

Sesshoumaru lembrou-se da jovem, e percebeu que talvez só tivesse implicado com ela para poder liberar um pouco da frustração de não achar a Tessaiga.

"Vou usá-la para preencher meu tempo enquanto não consigo nenhuma boa pista sobre o paradeiro da espada! Tenho certeza que eu vou gostar muito de tudo isso!".

Uma criada bateu na porta do quarto, acordando Satsumi de um estranho sonho onde ela usava uma coroa de flores vermelhas enquanto olhava para uma grande pedra com algumas palavras que ela não conseguia ler. Levantou-se e abriu a porta.

- Sim? – disse Satsumi.

- Minha senhora, todos já almoçaram – disse a criada – A srta não irá comer também?

- Não, estou sem fome! – respondeu ela – Obrigada por chamar!

A criada se retirou deixando Satsumi sozinha para tomar suas decisões. Ela se arrumou e resolveu procurar o conselho de um homem do vilarejo, que era um profundo conhecedor de remédios e de uma coisa que Satsumi julgou ser o que ela precisava para acabar com o youkai.

Saiu do casarão sem dizer nada à ninguém e foi até a casa do tal feiticeiro, como o povo dali o chamava. Parou em frente à porta e o chamou.

- Sr Hitto! – disse alto.

Um senhor aparentando ter mais de 50 anos apareceu e sorriu.

- Satsumi! – disse ele – Que surpresa maravilhosa! Entre!

Ela entrou na casa do homem e sentiu um cheiro maravilhoso de flores e ervas. Haiva vidros e bacias com misturas em todos os cantos.

- Em que posso ajudá-la? – disse Hitto.

- Eu preciso de um veneno! – respondeu Satsumi – O mais forte que você tiver!

O homem a olhou surpreso com o pedido.

- Pensei que tivesse vindo em busca de algum remédio para seu pai – disse ele – Mas vejo que o motivo é bem diferente.Você não quer nada que cure, mas sim algo que mate. E para que você irá usar este veneno?

Satsumi sentiu-se um pouco irritada de ter que se explicar, mas pensou que se ele soubesse com o que ela queria acabar talvez ele indicasse o veneno certo.

-Eu quero matar um youkai! – disse ela.

O homem pensou um pouco, olhou alguns vidros e pegou um dos menores que tinha em cima de uma mesa.

- Este dever servir! – disse ele.

Ela pegou o pequeno vidro e o olhou.

- Isto aqui pode matar um youkai? – duvidou Satsumi – De forma rápida?

- Depende da maneira que você vai usar o veneno! – disse Hitto.

- Como assim? – disse Satsumi.

- Se você fizer ele beber este vidro todo, com certeza ele morrerá bem rápido – explicou o homem.

- Eu não vou conseguir fazê-lo tomar veneno – disse ela – Não tem outra opção?

- A srta pode molhar a ponta de sua espada com ele e depois causar algum ferimento no youkai – sugeriu Hitto.

Satsumi pensou um pouco. Não tinha conseguido acertá-lo com a espada nenhuma vez pela manhã, pois o youkai era muito rápido.

- Ou a ponta de uma flecha! – concluiu o homem.

Satsumi pensou mais um pouco, então sorriu.

- A ponta de uma flecha? – repetiu ela – É uma boa idéia. Eu vou levar este veneno!

Ela saiu da casa de Hitto e foi até a cabana onde eram guardadas as armas dos guardas do vilarejo. Sorriu ao ver centenas de flechas espalhadas pelo lugar.

"Você não perde por esperar, youkai!" pensou feliz por ter achado um meio de se vingar.

Escolheu uma flecha já quebrada e retirou dela só a ponta.

"É só eu molhar esta ponta com o veneno e escondê-la na minha mão. Quando ele se aproximar o máximo de mim, eu o furarei, e verei seu sofrimento" pensou "Agora é só esperar até a hora de encontrá-lo!".

Saiu do depósito de armas e fez o caminho de volta para sua casa. Viu Hattemaru na porta, a observando, e sabia que ia receber uma chamada do chefe da guarda.

- Hattemaru! – disse ela.

- Onde você esteve? – perguntou ele com uma expressão séria.

- Eu precisei resolver umas coisas – respondeu Satsumi – Me desculpe por não ter avisado que não ia voltar a fazer a guarda hoje.

- Aconteceu alguma coisa? – disse ele mudando a expressão do rosto – Hoje pela manhã, você estava estranha...

- Não aconteceu nada, Hattemaru! – ela respondeu – Eu só cai no riacho. Isso conseguiu acabar com o meu humor pelo resto do dia.

Ele a olhava certamente desconfiando da história, mas Satsumi jamais contaria o que aconteceu no riacho e o que pretendia fazer à noite. Resolveu acabar com a conversa antes que ele fizesse mais perguntas.

- Eu vou ficar com meu pai – disse ela – Eu não vou voltar para a guarda hoje, tudo bem?

Hattemaru concordou e a deixou entrar. Satsumi foi para o quarto do pai e ficou lá, olhando-o dormir e conversando com Asuka sobre o tal doutor que ela conhecia, enquanto esperava o entardecer para poder sair à caça do youkai.

Quando viu o Sol começar a descer no oeste, Satsumi se preparou para seu encontro. Foi até seu quarto e colocou uma roupa de treino, que dava mais mobilidade, ao contrário dos seus kimonos que mal a deixavam andar. Guardou o veneno e a ponta da flecha em um saquinho que amarrou na cintura. Prepararia tudo antes de chegar na cabana. Saiu de casa, não sem antes pedir proteção aos deuses, e começou a caminhar para a mata. Estranhamente, nenhum de seus companheiros da guarda a questionou sobre sua saída, e por sorte, Hattemaru não estava por lá.

Chegou no riacho, e por um momento pensou em desistir, mas encheu-se de coragem e atravessou pelas águas, entrando em seguida na floresta fechada, indo de encontro ao youkai no qual precisava dar uma lição.

Sesshoumaru acendeu uma fogueira ao lado da cabana só para fazer passar o tempo, pois sendo um youkai, não sentia frio. Ficou olhando as chamas, e pensando se a jovem humana teria mesmo coragem de aparecer. A lua cheia estava começando a se mostrar no céu, ainda grande e alaranjada, sem iluminar muito ainda, e a fogueira também servia para iluminar o local para Satsumi encontrá-lo mais fácil.

"Se ela aparecer!" pensou jogando mais um graveto no fogo.

Satsumi viu o clarão da fogueira entre as árvores ao longe, e sabia que o youkai já estava à sua espera. Se aproximou mais um pouco, e quando pôde ver a silhueta dele encostado na parede da cabana, parou e retirou o saquinho da cintura. Abriu o vidro de veneno e o derramou na ponta da flecha. O sr Hitto, que lhe vendera o veneno garantira que por ser um veneno oleoso, ele não secaria da ponta da flecha tão rápido, o que daria à Satsumi tempo o suficiente para fazê-lo chegar bem perto dela e atacá-lo.

Sesshoumaru deu um meio sorriso ao sentir o cheiro de Satsumi sendo trazido por um fraco vento, mas não se virou para vê-la chegar. Simplesmente desencostou da parede e sabendo que ela o via começou a entrar na cabana.

- Entre, Satsumi! – ordenou ele – O assunto que temos a tratar será resolvido aqui dentro!

Satsumi respirou fundo e o seguiu. Entrou e ficou próxima a porta aberta. Seu coração batia tão rápido que parecia que ele ia ouvir e rir do desespero da jovem.

- Feche a porta! – disse Sesshoumaru no fundo da cabana.

Ela olhou para a porta com receio de fechá-la.

- Eu não vou machucá-la! – disse Sesshoumaru em um tom baixo.

Ela deu um sorriso cínico para ele, e por fim fechou a porta. Ela podia sentir o veneno escorrer pela ponta da flecha em sua mão e molhar seus dedos. Agradeceu aos deuses por não ter feito nenhum ferimento na mão nos últimos dias.

Sesshoumaru deu um sorriso malicioso para Satsumi, que estava encostada na porta, exalando medo por todos os poros. Começou a caminhar na direção dela, assustando-a. Parou há alguns passos dela.

- O que você quer comigo? – ela perguntou firme.

- Pensei que você não viria! – disse Sesshoumaru olhando-a de cima a baixo.

- Eu disse que vinha – disse Satsumi escondendo os braços para trás – Para mostrar a você que não tenho medo.

- Você tem medo sim! – disse Sesshoumaru – Só não gosta de admitir isto!

- Diga logo o que você quer, youkai! – disse ela – Você quer me humilhar novamente? Pois não vai ser tão fácil desta vez!

- Eu não precisaria te trazer à esta cabana se só quisesse te humilhar, não é mesmo? – disse Sesshoumaru – O que eu quero de você é algo que no fundo você também deseja, senão não teria vindo até aqui.

- Eu só desejo a sua morte, nada mais! – respondeu Satsumi.

Sesshoumaru se aproximou de Satsumi e tentou passar a mão em seu rosto, mas ela o virou.

- Eu vou ter que beijá-la a força como ontem? – disse ele – É dessa maneira que você gosta, Satsumi?

Ele puxou-a pela cintura forçando o corpo dela contra o seu.

- Eu vou matá-lo, youkai! – disse ela cerrando os dentes com raiva.

- Tente... – sussurou ele levando seus lábios ao dela.

Satsumi virou a mão que continha a ponta de flecha envenenada direto no braço direito de Sesshoumaru.

- Tome isto, maldito! – gritou ela cravando com força a ponta afiada no braço do youkai.

Sesshoumaru soltou a jovem ao sentir uma pequena dor no braço, mas nada que pudesse incomodá-lo muito. Olhou para o machucado, e mesmo na escuridão da cabana pôde distinguir que se tratava de um pedaço de uma flecha. Ele arrancou o artefato do braço, irritado com a atitude de Satsumi.

- O que você pensou que ia fazer com isto? – disse ele segurando o objeto – Acha que pode me matar com uma ponta de flecha, Satsumi?

Ele a empurrou na porta, segurando-a lá enquanto sentia o medo dela aumentar.

- Está envenenada! – disse Satsumi – Eu molhei a ponta da flecha em um veneno forte o bastante para matá-lo!

Sesshoumaru não conteve um riso irônico ao ouvir as palavras da humana.

- Veneno? – disse ele – Você colocou veneno? Como você é má, Satsumi!

- Vá para o inferno! – gritou ela de novo – Me solte!

Ele resolveu dar à ela um minuto de satisfação, deixando-a achar que aquilo o machucaria. Soltou Satsumi e fingiu estar sentindo dor no braço, gemendo de uma maneira bastante convincente.

- Como você pôde fazer isto comigo, Satsumi? – disse ele – Você não sabe como isto dói!

Satsumi virou-se e abriu a porta, saindo correndo e deixando o youkai dentro da cabana.

"Morra, maldito!" pensava enquanto corria para dentro da mata "Por favor, morra!"

Ela correu sem notar que não estava fazendo o mesmo caminho pelo qual chegara até a cabana, tão desesperada que estava em sair dali.

Dentro da cabana, Sesshoumaru ria de Satsumi, que realmente acreditara que ele ia morrer por causa de um mísero veneno.

- Agora eu vou ter que caçá-la pela mata até te pegar, Satsumi! – disse ele saindo da cabana – Eu só quero ver sua carinha quando me vir inteirinho na sua frente!

Satsumi parou de correr e olhou para os lados, ofegante.

"Eu não consigo encontrar o riacho!" pensou "Não tenho a mínima idéia para que lado seguir!"

- Satsumi! – disse uma voz calma atrás de si.

A jovem perdeu o fôlego ao ouvir o youkai chamá-la. Não acreditava que ele tivesse conseguido vir atrás dela. Se virou, e com pavor o viu seu vulto iluminado pela lua cheia.

- O quê... – disse baixo.

- Surpresa? – disse Sesshoumaru a agarrando, a encostando em uma árvore e tapando sua boca, como ele fizera pela manhã – Não está feliz em ver que eu estou bem?

Ela se debateu, o que fez com que ele a apertasse mais contra a árvore.

- Você achou que um veneno me faria mal, Satsumi? – disse Sesshoumaru chegando os lábios próximos aos olhos dela – Mas para sua infelicidade, eu já sou um youkai venenoso. Eu sou imune a qualquer tipo de veneno...

Ele beijou o pescoço de Satsumi, passando os caninos pela pele sensível da jovem, fazendo-a sentir medo de que ele a mordesse ali e a deixasse sangrar até morrer.

- Você quer ver um veneno forte mesmo? – sussurrou ele – Eu vou fazê-la experimentar apenas uma quantidade mínima do veneno que corre no meu sangue, e aí sim você saberá o que é ser envenenada...

Ele passou a mão pelo pescoço dela e forçou o dedo indicador na pele até machucá-la, fazendo Satsumi soltar um grito abafado, então liberou um pouco de seu veneno na ferida, retirando o dedo rapidamente.

- Você vai se sentir um pouco mal e desmaiar – disse Sesshoumaru olhando fixamente para a humana que tremia – Mas logo você acordará. Eu coloquei uma quantidade pequena de veneno, então não se preocupe, pois isso não vai matá-la!

Satsumi começou a sentir os efeitos de imediato. Conforme o youkai falara, ela estava tonta, e se ele a soltasse agora, ela cairia no chão. A sensação era idêntica à se tivesse girado muito rápido, então tudo parecia se mover a sua volta. A mata começou a ficar mais escura ainda, e então saiu Satsumi desmaiou, sendo segurada pelo youkai.

- Eu te darei o castigo merecido quando você acordar, humana! – disse ele a pegando no colo e levando de volta ao local da cabana.

Satsumia ouvia, ainda desmaiada, um barulho estranho. Sentia as mãos doendo, o que a fez acordar.

- Por Kami... – sussurrou ao notar a situação em que se encontrava.

Estava com as mãos amarradas e presas num galho alto acima de sua cabeça, o que deixava seus braços esticados. Estava nua, e seus pés mal podiam tocar o chão. Estava próxima à fogueira ao lado da cabana. Ainda estava sentindo uma tontura por causa do veneno, e sua visão estava um pouco embaçada, mas pode ver o youkai há uns 10 passos de distância, sem a parte de cima de sua roupa, exibindo um tórax definido por anos de lutas. Ele a olhou e deu um sorriso ao vê-la acordada.

- Que bom que acordou, Satsumi! – disse ele se aproximando – Pensei que eu ia ter que começar a brincar sozinho!

- O que você pretende fazer, seu monstro! – disse ela devagar.

- Como se você já não imaginasse! – respondeu ele parando há dois passos dela.

Sesshoumaru pegou a bainha e sacou sua espada, Tenseiga, e ficou observando por alguns segundos a lâmina que refletia a luz da fogueira. Lembrou-se então de uma coisa importante, antes de começar sua brincadeira com Satsumi. Se aproximou dela e segurou seu queixo.

- Olhe para mim! – ordenou ele – Primeiro eu vou te conceder o direito de saber o meu nome! Eu sou Sesshoumaru, senhor das terras do oeste... e seu dono esta noite...

Satsumi o olhou desesperada. Não conseguia acreditar que seu plano tinha falhado, e lá estava ela naquela situação, a mercê da vontade dele. Sua prisioneira, sua presa.

Ele ficou novamente a dois passos de distância dela e levou a Tenseiga na direção de Satsumi. Deslizou o lado sem corte da lâmina por toda extensão da perna da humana, até encontrar sua virilha.

Satsumi estava tão perdida com o que estava acontecendo que nem lhe passou pela cabeça gritar por socorro. Ele aproximou seu corpo ao dela, ficando separados apenas pela espada. Passou seu braço livre pela cintura de Satsumi e puxou-a para si, fazendo a lâmina encostar-se totalmente em sua feminilidade, causando um arrepio na humana ao sentir o frio do metal.

- Agora não tem como fugir! – disse Sesshoumaru – aconselho você a não lutar...

Ele afastou um pouco o corpo e tirou a Tenseiga do caminho, cravando-a no chão, ao lado dos dois. Puxou a cabeça de Satsumi e a beijou. Primeiro sob a relutância dela, mas depois de alguns segundos, talvez pelo ainda presente efeito do veneno, Satsumi não resistiu mais e se entregou ao beijo ardente do youkai, passando a explorar a língua dele com a sua própria, sentindo o calor do corpo dele em contato com o seu.

- Olha como você me deixa, Satsumi... – disse ao deixar de beijá-la e fazendo-a sentir seu membro já ereto encostado na perna dela.

Ela soltou um gemido baixo, enquanto ainda tentava se controlar e resistir em vão. Ele se afastou de novo para olhá-la de cima a baixo, e Satsumi não conseguiu esconder a curiosidade e olhou para o volume na calça do youkai. Sesshoumaru percebeu isto e aproveitou para atiçar a humana ainda mais.

- O que você está olhando, hein? – disse ele com um sorriso malicioso – Não se preocupe! É do tamanho certinho para você!

Satsumi desviou o olhar ao mesmo tempo que sentia o rosto arder de vergonha. Ele a pegou pela cintura e a levantou, encaixando-a em seu colo e fazendo com que ela passasse suas pernas em volta da cintura dele. Voltou a beijá-la com uma luxuria incessável, excitando-a ao máximo antes de tentar penetrá-la.

Satsumia gemia baixo, enquanto sentia vontade de implorar ao youkai que a possuísse logo. Sesshoumaru levou a mão até a calça e a abaixou o suficiente para liberar seu sexo ao contato direto com o de Satsumi. Começou então à forçar a barreira da virgindade da humana, fazendo com que os gemidos dela começassem a aumentar de volume.

Satsumi sentia um misto de ardor e prazer enquanto Sesshoumaru a penetrava calmamente, dando ao seu corpo a chance de se adaptar a cada avanço do membro duro dele.

- Está doendo... – sussurrou no momento que ele novamente deixou seus lábios.

- Sempre dói ter que se transformar, Satsumi – disse ele ao ouvido dela – Eu estou transformando você de uma menina assustada para uma mulher feita...

Um enorme calor percorreu o corpo de Satsumi fazendo-a apertar ainda mais as pernas ao redor de Sesshoumaru. Conforme ela ia soltando cada vez mais o corpo, o peso do mesmo fazia seus pulsos amarrados se machucarem ainda mais, chegando a causar uma sensação de queimadura. Precisava se liberar daquelas amarras para poder sucumbir de vez ao prazer que sentia, então resolveu pedir ao youkai que a soltasse.

- Meu braço...está doendo – disse ela com a respiração acerelada - ...me solta...

Sesshoumaru não deu atenção ao pedido dela, pois estava concentrado no prazer que sentia ao penetrá-la.

- Solta meu braço... por favor... – insistiu Satsumi.

Ele então a ouviu e a ergueu um pouco mais, liberando as mãos dela do galho, mas deixando que elas continuassem amarradas. Uma vez que ela não estava mais pendurada, Sesshoumaru a deitou no chão, completando de vez sua penetração.

Começou a entrar e sair e dentro de Satsumi com mais vigor, e pôde sentir que ela se aproximava do orgasmo quando ela começou a contrair seu sexo, levando ele também a sentir que logo chegaria ao prazer. Satsumi sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo e gemeu o mais alto que pôde ao sentir um prazer nunca antes imaginado tomar conta de sua feminilidade.

Sesshoumaru sabia que ela tinha tido um orgasmo, pois ela tremia como se um choque tivesse percorrido pelo corpo dela. Sentindo então que não conseguiria segurar seu próprio prazer por muito mais tempo, penetrou com força mais duas vezes, e se retirou de dentro dela antes de liberar nela seu sêmen, derramando-o pelas coxas de Satsumi.

A jovem permanecia imóvel, alheia ao ato de precaução do youkai, ainda sentindo-se admirada com a sensação nova que acabara de experimentar.

Ele permaneceu com o corpo deitado sobre o dela por alguns segundos, recuperando as energias gastas no ato, depois se levantou, deixando que Satsumi, descoberta, cubrisse os seios e o sexo com as mãos.

Como um gesto de desafio, pegou a roupa de Satsumi que estava jogada por perto e se limpou, arrumando a calça e colocando o restante da roupa em seguida. Satsumi ficou observando enquanto ele recolocava a armadura sobre a roupa e amarrava novamente a bainha com a espada na cintura. Ela fez força para se levantar, mas conseguiu somente sentar-se, tamanha a dor que sentia pelo corpo.

Sesshoumaru terminou de se arrumar e estendeu a mão para a humana se levantar. Então, ainda segurando seu braço, entregou-lhe a roupa e começou a levá-la em direção à mata, para espanto de Satsumi, que não conseguia entender o que ele ia fazer.

Ele a levou em completo silêncio até a beira do riacho e soltou seu braço. Satsumi sentiu um pouco de tontura e quase não conseguiu permanecer em pé. Então, dotado de uma frieza contrastante com todo o calor que ele lhe havia demonstrado, Sesshoumaru deu uma última ordem à ela.

- Lave-se e vá embora! – disse ele dando as costas e fazendo o caminho de volta para a cabana.

Satsumi olhava incrédula o desfecho da situação. Não sabia se gritava para que ele voltasse e não a deixasse sozinha naquele lugar, somente iluminado pela luz do luar, ou se tentava manter pelo menos um pouco de sua dignidade e ir embora, fingindo não se sentir novamente humilhada por Sesshoumaru.

Sentiu uma enorme raiva dele, por tê-la feito desejar por cada segundo do que acontecera e agora deixá-la ali como se ela nada valesse.

Juntou um pouco de água nas mãos e passou nas coxas, limpando todos os vestígios de que ele a possuíra.

Começou a chorar ao sentir o ardor em seu sexo, a dor nas costas causada pelas pedrinhas que forravam o chão em que esteve deitada e também a dor do ferimento em seu pescoço. Se vestiu e olhou para os lados, pedindo a Kami que a protegesse no caminho de volta, uma vez que tinha sido deixada sozinha.

Mas nem imaginava que Sesshoumaru a observava de longe, escondido atrás das árvores. Ele sabia que era perigoso uma humana estar sozinha à noite naquela parte da mata, um alvo fácil para youkais famintos. E ele não a deixaria correr perigo, à menor presença de youkai por perto ele voltaria para junto dela. Não era de seu interesse que ela se machucasse ou morresse. Não, Sesshoumaru tinha outros planos para ela. Tinha gostado bastante de tê-la pela primeira vez, e não largaria tão rápido de algo que lhe deu um prazer tão grande. Por fim, o jogo continuaria.

Satsumi se vestiu rapidamente e correu todo o caminho de volta para o vilarejo. A lua já estava alta no céu, indicando ser meia- noite ou mais. Ela encontrou um dos guardas que faziam a vigília noturna parado frente à entrada do vilarejo, e ele a olhou surpreso e preocupado.

- Satsume-Hime! – disse ele se aproximando da jovem – Aconteceu alguma coisa?

Satsumi tentou mostrar-se despreocupada, embora sentisse que estava tremendo.

- Não, não se preocupe comigo! – disse ela – Eu peço à você que guarde o segredo de me ver chegar a esta hora no vilarejo, está bem? Eu irei recompensá-lo muito bem pela manhâ!

O guarda aceitou a oferta de sua senhora em troca de seu silêncio e até a ajudou a chegar no casarão sem ser percebida pelo outro guarda da noite. Satsumi entrou em casa, sem fazer nenhum barulho e foi direto para seu quarto, onde deitou-se na cama com a mesma roupa, fechando os olhos tentando dormir o mais rápido possível e não ficar lembrando do que se passara com o youkai.

- Sesshoumaru... – sussurrou seu nome afundando a cabeça no futon - ... por quê?

Dormiu pouco minutos depois, deixando o corpo ceder ao cansaço e à indignação.