Capítulo longo, chato de ler, mas eu pago R$ 5,00 a quem ler e mandar reviews!Brincadeirinha, eu nem tenho esse dinheiro todo! Boa leitura!

O covarde youkai gato.

Sesshoumaru parou ao lado da cabana e olhou para todos os lados, a procura de algo.

"Ele esteve aqui!" pensou "Aquele youkai gato esteve pelos arredores. Eu senti sua presença enquanto estava com Satsumi. Espero que ele não tenha visto quando eu levei a humana embora!".

Caminhou por um bom tempo esperando encontrar o youkai, mas sabia que era praticamente impossível se ele se mantivesse invisível, pois até mesmo seu cheiro desaparecia. Sesshoumaru sabia também que o youkai deixara sentir sua presença por vontade própria, como para dizer que estava por perto.

"Se ele acha que isso vai me deixar com medo, ele é o youkai mais ingênuo de todas essas terras!" pensou dando um meio sorriso de raiva.

- Você não pode fugir para sempre! – disse baixo – Até mesmo um youkai inferior como você deve ter um mínimo de dignidade e saber que não se deve correr de uma luta!".

Sesshoumaru voltou a caminhar a procura de outro lugar para passar a noite. Não gostava de ficar na cabana, se não fosse para estar com a humana. Achava o lugar claustrofóbico, e com certeza se irritaria ao máximo tendo que ficar ali. Gostava do ar livre, e acima de tudo, gostava de ver de onde seus inimigos sairiam quando fossem atacá-lo. O que era difícil com paredes a sua volta.

Encontrou a cachoeira que dava origem ao riacho, e resolveu ficar por ali. Sentou-se encostado em uma rocha e fechou os olhos, sentindo de vez em quando o rosto ser atingido por gotículas de água trazidas pelo vento, o que refrescava do calor da noite. Deixou a mente livre de pensamentos sobre o youkai gato, e começou a relembrar sua noite com Satsumi, enquanto o sono começava a aparecer.

"Até quando você conseguirá me satisfazer, Satsumi?" pensou sonolento "Quando você deixará de ser um desafio? Quando será seu fim, humana?".

Sabia que se envolver com uma simples humana não prenderia sua atenção por muito tempo. Logo se cansaria daquilo e a largaria de lado, como uma criança diante de um brinquedo que deixou de ser novidade. Isso era uma certeza, mas para o deleite de Sesshoumaru e a felicidade de Satsumi, não seria nos próximos dias. Ainda havia muito a se fazer com a humana, tão jovem e inexperiente, mas com um fervor e beleza que Sesshoumaru há muito não via.

"Se ela não fosse humana..." pensou "... se não fosse tão inferior...".

Adormeceu sem uma conclusão para o pensamento, que com certeza só havia se formado pelo estado de sonolência. Jamais pensaria em tê-la como nada além de uma diversão, por mais excitante que fosse.


Mal o sol havia se levantado no horizonte e todos os guardas do dia já estavam acordados, inclusive Satsumi, apesar do sono que ainda sentia. Tinha dormido pouco e mal, e o único sonho que tivera tinha sido com o youkai.

Estava em pé, à espera da ordem do dia, dada por Hattemaru. Ultimamente apenas treinavam e depois ficavam andando pelo vilarejo, já que as coisas estavam bastante calmas. Nem mesmo o youkai ladrão de galinhas aparecera mais, e tudo se resumia a um monótono dia igual ao anterior.

Satsumi olhava para longe, perdida na confusão de sentimentos que afloravam. O natural seria sentir-se mal por ter sido mais uma vez usada pelo youkai, mas pelo contrário, sentia uma estranha vontade de que ele a procurasse de novo, que desse a ela todo aquele prazer de novo. Estava com a mente tão distante que não escutou sequer uma palavra que seu comandante havia falado, embora soubesse que ele gostava que seus subordinados prestassem bastante atenção. Só acordou de seus pensamentos quando teve uma crise de tosse. Tossiu como se tivesse engasgado, chamando a atenção de todos da guarda. Hattemaru interrompeu seu discurso até que a jovem parasse de tossir.

- Me desculpe! – disse Satsumi envergonhada – Não queria ter interrompido.

Antes mesmo que o comandante pudesse voltar a falar outra crise atacou Satsumi, que tentava se segurar, mas não conseguia.

- Vá tomar um pouco de água, Satsumi! – ordenou Hattemaru – Depois você volta!

Satsumi acatou a ordem e entrou em casa, indo direto para a cozinha, onde tomou um pouco de água, o que resolveu a tosse.

- Engasgou-se? – perguntou Asuka chegando na cozinha.

- Não! – respondeu Satsumi – Eu acho que vou ficar gripada. Eu tenho andado muito por aquele riacho gelado.

- Junte o fato de que a srta não come – disse Asuka – E pode apostar que vai ficar doente mesmo.

- Claro que eu como, Asuka! –irritou-se Satsumi – Quem ouve você falar desse jeito imagina que eu estou sem comer há dias!

- Comer só frutas não ajuda em nada, Satsumi-hime – insistiu a mulher – Ainda mais para uma jovem que se esforça tanto como você.

Satsumi colocou a mão no peito ainda sentindo a dor que a crise de tosse tinha causado.

- Eu vou lá para fora! – disse Satsumi incomodada com a preocupação de Asuka – Me chame quando meu pai acordar, está bem?

Ela deixou novamente a casa e voltou a ficar junto dos outros guardas, mas Hattemaru já havia deixado de falar. Havia dois guardas treinando no meio do pátio, sob a supervisão do comandante.

- Melhorou? – perguntou Hattemaru de longe.

Satsumi fez que sim com a cabeça e ficou observando o treino.

- Quer treinar agora? – perguntou ele – Eu treino com você!

Ela balançou negativamente a cabeça, e pôs a mão na boca para mostrar que estava com sono. Ele riu, mas fez sinal para que ela fosse assim mesmo. Os dois treinaram apenas golpes básicos, já bastante conhecidos de Satsumi, mas ainda assim ela quase foi atingida no braço pela espada de Hattemaru, que desviou o golpe no último segundo.

- O que foi isso, Satsumi? – perguntou ele irritado – Quando você disse que estava com sono eu não pensei que você estivesse dormindo em pé!

- Desculpe! – disse ela já acostumada com o jeito dele falar sobre os erros de seus subordinados.

- Eu não usei nenhuma técnica diferente da normalmente usada – disse ele olhando o braço dela para ver se não havia mesmo machucado – Você não deveria ter nenhuma dificuldade em defender-se!

Ela abaixou a cabeça em mais um pedido de desculpa.

- Eu não sei onde está minha cabeça – disse Satsumi – Minha concentração é quase inexistente neste momento.

- Você está liberada do treino! – disse Hattemaru – Dê uma volta por aí, quem sabe você não encontra sua concentração jogada por algum canto!

Ela abaixou a cabeça em respeito e saiu. Já conhecia Hattemaru há tempo suficiente para saber que esse era o típico jeito dele como chefe da guarda. Não tolerava erros, insubordinação nem a falta de atenção dos comandados. Isso numa luta real poderia custar a vida não só de quem cometesse esses erros, mas principalmente de quem não os cometeu.

A jovem saiu caminhando pelo vilarejo, se criticando por estar perdendo mais tempo pensando em Sesshoumaru do que nas suas obrigações.

"Isso não é um bom sinal!" pensou irritada "Eu não devo deixar que ele me afete dessa maneira!".

Parou perto da lavoura e ficou observando os homens e mulheres que trabalhavam lá, enquanto tentava deixar de pensar no youkai.


Sesshoumaru havia acordado bem antes do nascer do sol. Tinha pressentido novamente a presença do youkai gato, e já estava se impacientando com o esconde-esconde dele. Estava novamente na clareira onde o vira pela primeira vez, e esperava que ele aparecesse de vez para poderem lutar e acabar logo com tudo aquilo.

- Vejo que acordou bem cedo, Sesshoumaru! – disse o youkai gato aparecendo de uma distância bem segura – Pelo jeito, disposição não lhe falta!

- Se você realmente quer lutar, lute agora! – disse Sesshoumaru sério – Não tenho tempo para ficar conversando com um youkai da sua espécie!

- Calma, cachorro! – disse o youkai – Você não quer ao menos saber o nome de quem irá matá-lo?

Um sorriso debochado se formou nos lábios de Sesshoumaru.

- Eu nunca quis saber o nome de nenhum dos seus companheiros quando os matei – respondeu Sesshoumaru – O que te faz pensar que eu vou querer saber o seu?

- Eu sou Kirio! – disse o gato – E vou vingar justamente estes companheiros que você nem sabe o nome.

Sesshoumaru estava começando a ficar mais impaciente com a demora do youkai. Decidiu começar atacando para acabar logo com a falação inútil.

- Eu não tenho interesse em saber seu nome – disse Sesshoumaru correndo em direção ao youkai – E nem me importo se algum dos youkais gatos que eu matei com tanto gosto eram chamados de algo diferente de perdedores!

Sesshoumaru agarrou o pescoço do youkai gato, que rapidamente desapareceu no ar, aparecendo há dez passos de distância e lançando uma esfera de energia em Sesshoumaru, que desviou dando um salto para o lado.

- Pelo menos você usou outro truque! – disse Sesshoumaru.

- Eu tenho muitos outros ainda! – disse o youkai gato correndo na direção de Sesshoumaru enquanto formava outra esfera de energia nas mãos, só que desta vez bem maior. Sesshoumaru deu um meio sorriso à espera do ataque. O youkai esperou estar bem próximo a Sesshoumaru para soltar a esfera, mas ele somente ergueu a mão frente ao corpo e a parou, para espanto do gato.

- Você segurou minha esfera com energia máxima? – disse o youkai espantado.

- Não se preocupe, eu a devolverei! – disse Sesshoumaru jogando a esfera na direção do youkai gato, que teve que desaparecer no ar para evitar ser atingido.

A esfera atravessou todas as árvores que havia em seu caminho e só parou ao chocar-se com uma parede de rochas, causando um estrago considerável.

O youkai gato apareceu na frente de Sesshoumaru ainda atordoado com o que tinha acontecido.

- Você escolheu o youkai errado para se vingar! – disse Sesshoumaru – Eu darei a você a chance de ir pedir desculpas pelo seu baixo nível de luta, diretamente aos seus companheiros mortos. No outro mundo!

Sesshoumaru lançou seu chicote no pescoço do youkai, fazendo-o se ajoelhar no chão.

- Você matou todos da minha família, seu miserável! – disse o youkai tentando se soltar – Você não me matou daquela vez e não vai me matar agora!

- Você conseguiu fugir da minha fúria? – disse Sesshoumaru surpreso – Como isso aconteceu?

- Eu era apenas uma criança, mas me lembro bem de você! – disse o youkai.

- Então foi por isso? – disse Sesshoumaru apertando ainda mais o chicote em volta do pescoço do youkai – Realmente, eu não mataria uma criança. Mesmo que fosse um ser tão desprezível quanto um youkai gato!

O youkai gato desapareceu mais uma vez, causando uma raiva enorme em Sesshoumaru. Seus olhos ficaram vermelhos e seus caninos estavam saltados, e se pegasse o gato agora acabaria com ele usando apenas uma mão, tamanho a ira que sentia.

- Eu vou fazê-lo sentir-se como eu me senti! – disse o youkai gato aparecendo e desaparecendo rapidamente no ar – Vou matar todos os que tenham algum valor para você! Eu sei que você tem um irmão! Eu vou acabar com ele!

Sesshoumaru riu bem alto da ameaça.

- Você só estaria me fazendo um favor! – debochou Sesshoumaru.

- Ou talvez eu comece por aquela humana! – disse o youkai – Ela deve ser importante para você!

Sesshoumaru deu outra risada ao ouvir aquilo.

- Eu não me importo com a humana! – disse ele ficando sério – Eu mesmo a matarei depois que conseguir tudo o que eu quero!

- Então, se eu matá-la, também estarei te fazendo um favor! – disse o youkaiOu talvez eu não a mate. Ela parece saber entreter um youkai muito bem!

- Você acredita mesmo que eu me incomodarei se você matar uma humana? – disse Sesshoumaru – Você acha que isso me faria sofrer? Você é mais idiota do que eu pensava.

- Você não sabe se vai sofrer ou não! – disse o youkai rindo – Só depois que eu arrancar o coração dela do peito, eu vou poder saber se isso te afeta de alguma maneira!

- Então faça o que quiser! – disse Sesshoumaru – Se você quer perder seu tempo matando todos seres vivos destas terras esperando que eu me sensibilize, faça! Eu sinceramente escolheria lutar com meu adversário direto! Mas você é um covarde! E os covardes sempre arranjam uma maneira de adiar suas lutas!

Era possível ver o ódio estampado nos olhos do youkai gato ao ouvir tudo aquilo.

- Eu a matarei de uma forma bastante dolorosa, cachorro! – disse o youkai irado – Aí depois eu acabarei com você com minhas próprias mãos!

O youkai desapareceu no ar, e Sesshoumaru sabia que ele ia até o vilarejo, em busca de Satsumi. O youkai também devia estar esperando que Sesshoumaru fosse atrás dele e tentasse evitar o encontro com a humana, mostrando assim que se importava com ela.

"Tolo! Eu não correrei atrás de você se é isso que espera!" pensou "Mas também não o deixarei viver por mais um dia se machucar Satsumi!".

Voltou caminhando normalmente, sem se preocupar com o que o youkai poderia aprontar até sua chegada.


Hattemaru avistou Satsumi olhando os trabalhadores da lavoura e resolveu conversar com ela sobre o acontecido no treino. Aproximou-se e ficou ao seu lado em silêncio por alguns minutos, na espera de que ela falasse primeiro, mas a jovem ainda parecia perdida em pensamentos.

- Pelo visto você não conseguiu encontrar sua concentração ainda, não é? – perguntou ele sorrindo.

- Me desculpe pelo ocorrido no treino – disse ela – Eu deveria prestar mais atenção.

- Você poderia ter se machucado feio – disse ele – O que está acontecendo com você!

- Por que pergunta isso? – estranhou Satsumi.

- Você parece um pouco diferente nesses últimos dias – disse Hattemaru – Parece estar preocupada com alguma coisa!

Satsumi deu um sorriso nervoso. Será que estava na cara que ela andava fazendo algo escondido? Será que justo Hattemaru desconfiava de algo?

- Não há nada! – respondeu simplesmente – Eu estou do mesmo jeito de sempre!

Começou a caminhar na espera de que ele a deixasse sozinha, mas ele passou a acompanhá-la.

- Alguma coisa entristece você? – perguntou ele.

- Eu não estou triste, Hattemaru! – ela respondeu – Acho até que é essa felicidade toda que eu sinto no momento que está me deixando preocupada...

- Por que a felicidade te preocuparia? – insistiu ele.

Satsumi parou pensativa. Não tinha uma resposta para essa pergunta. Por que se sentia mal em estar feliz? Por que não poderia simplesmente aproveitar o momento, e viver algo diferente por pelo menos uma vez na vida? Suspirou quando a resposta atingiu em cheio seu coração.

- Porque talvez eu não esteja feliz pelo motivo certo! – respondeu – Ou talvez eu não devesse estar feliz, talvez eu devesse me condenar por essa felicidade, não sei!

Hattemaru sorriu e pegou a mão de Satsumi.

- Você sabe que eu faria de tudo para vê-la sempre feliz, não é? – disse ele tentando alegrá-la – Por isso eu vou te dar um conselho. Nem sempre o que nos deixa feliz é o que convém ser feito! Do que adianta ter a felicidade se ela vem carregada de culpa?

Por um momento Satsumi chegou a pensar se Hattemaru não sabia de algo sobre ela e o youkai, devido às palavras dele.

- Eu não vou perguntar o que você fez que te deixa assim – continuou ele – Mas posso apostar que não foi nada de tão grave. Afinal você sempre teve um comportamento exemplar, não acredito que tenha feito algo tão importante assim.

"Comportamento exemplar!" pensou confusa "Era exatamente esse o motivo por se sentir mal. Sempre fora a jovem mais respeitável do vilarejo, e agora parecia que sua imagem se desmanchava ao lembrar-se da forma com que se entregou ao youkai, e a forma como ainda desejava ser dele novamente!".

Deu um sorriso totalmente sem se decidir entre acatar o conselho de Hattemaru ou deixar que o que sentia tomasse conta de vez de si.

Hattemaru ia falar mais alguma coisa quando alguma mulher do vilarejo gritou desesperada. Satsumi e ele correram de encontro à mulher, onde já havia alguns outros guardas e perguntaram o que havia acontecido.

- Um youkai me atacou! – disse a mulher mostrando um arranhão no braço – Eu fui pegar uma coisa atrás de minha casa e ele estava lá. Ele somente olhou para mim e me atacou!

- Um youkai? – perguntou Satsumi – Ele tinha a forma humana?

- Sim! – respondeu a mulher chorando – Ele era bem mais alto do que eu! E correu para o meio da mata!

- Não pode ser... – disse Satsumi baixo sem querer acreditar que pudesse ser Sesshoumaru.

- Nós vamos sair em busca dele! – disse Hattemaru escolhendo dois outros guardas – Fique aqui, Satsumi!

- Não! – respondeu firme – Eu vou junto!

- Satsumi, isso não é um pedido! – disse Hattemaru já indo em direção da mata.

- E eu também não estou lhe pedindo permissão! – disse Satsumi já ao lado dele – Eu estou comunicando que vou junto!

Ele não disse mais nada. Resolveria isso depois, pois tinham que ir atrás do youkai, antes que ele sumisse de vez.

Eles percorreram um longo caminho, observando os galhos quebrados deixados pelo youkai. Saíram no riacho, sem encontrar nada, e resolveram atravessá-lo, e ir o mais longe possível em busca dele.

Satsumi sentia um certo temor de encontrar Sesshoumaru. Só não sabia se seria pior descobrir que ele é quem havia atacado a mulher ou que ele não fizera nada e ainda assim Hattemaru e os outros guardas achariam que era ele o culpado.

"Espero que não tenha sido você, youkai!" pensou um pouco irritada "Você havia dito que nada no vilarejo o interessava!".

Andaram por um bom tempo ainda, sem encontrar mais nenhum rastro do youkai.

- Acho melhor voltarmos! – disse Hattemaru – Pode ser que ele ataque lá novamente. Então o pegaremos!

Satsumi ficou olhando o local à sua frente enquanto os outros já faziam o caminho de volta. Congelou quando pôde ver ao longe Sesshoumaru, que parecia estar chegando no local. Olhou para os companheiros para ter certeza de que eles não o viram, sentindo que não deveria contar sobre a presença do youkai.

Sesshoumaru notou que Satsumi estava um pouco nervosa ao encontrá-lo e olhou para os lados a procura do youkai gato.

- O que ela está fazendo aqui? – perguntou-se – Será apenas um acaso ou aquele youkai a fez vir até esse local?

- Vamos, Satsumi! – ordenou Hattemaru já bem à frente dela – Não é bom você ficar aqui sozinha!

- Já estou indo! – disse ela ainda olhando Sesshoumaru – "Eu tenho que vê-lo hoje de novo! Eu preciso saber se foi você!" pensou enquanto dava as costas para ele e se juntava aos outros guardas.

"Ela está com outros guardas do vilarejo" pensou Sesshoumaru "Aquele youkai deve ter mesmo aparecido por lá!".

Sesshoumaru passou a sentir novamente a presença do youkai, bem acima de sua cabeça. Olhou para o alto e o viu sentado num galho de árvore, observando Satsumi ir embora.

- Ela é bonita! – disse o youkai para Sesshoumaru – Entendo sua atração por ela!

- Você não disse que ia matá-la? – disse Sesshoumaru – Me parece que você não tem capacidade nem para dar fim a uma humana!

- Eu fui até o vilarejo – respondeu rindo o youkai – Eu ia matá-la assim que a encontrei, mas tinha muita gente por perto! Além do mais, uma outra mulher me viu e fez um escândalo, aí eu tive que machucá-la primeiro para fugir! Mas não se preocupe, eu a matarei com toda certeza!

- Por que você não para de falar demais e luta comigo de uma vez por todas? – perguntou Sesshoumaru sério.

- Porque eu acredito que minha idéia de matar a humana primeiro vai te deixar mais abalado do que você imagina! – respondeu o youkai.

- Então me procure quando você criar coragem para enfrentar um youkai forte de verdade! – disse Sesshoumaru indo embora – Por enquanto pode continuar fingindo que seu plano vai dar certo!

Sesshoumaru deixou para trás o youkai gato, sem dar atenção às palavras que ele lhe falava sobre como mataria Satsumi.

"Não sou um youkai que foge de lutas!" pensou irritado "Tampouco vou ficar correndo atrás de um adversário tão fraco como esse! Se ele não quer lutar de verdade, não há o que eu possa fazer!".

Parou de andar ao pensar em Satsumi.

"Espero que ela não me procure esta noite!" pensou "Além de não poder me servir em nada, ainda corre o risco de ser atacada por aquele idiota!".


Hattemaru reuniu todos os guardas no pátio do vilarejo e comunicou que ninguém deveria deixar o vilarejo sem que fosse extremamente necessário e que haveria vigília dobrada durante a noite. Satsumi sentiu que não ia conseguir ver Sesshoumaru, pois os guardas não a deixariam sair, principalmente à noite. Teve uma idéia e decidiu tentar.

- Eu quero participar da vigília da noite! – disse ao comandante.

Hattemaru deu apenas um sorriso irônico, jamais deixaria que ela fizesse a guarda noturna.

- Eu sou tão capaz quanto qualquer outro aqui! – insistiu Satsumi.

- Eu não permitirei que você faça isso! – disse Hattemaru firme – Eu não vou expor a filha do meu senhor a riscos desnecessários!

- Eu não sabia que no fim eu era apenas a filha do seu senhor para você, Hattemaru! – disse ela irritada – E você me disse que meu tratamento ia ser igual ao dos outros guardas!

- Não é o momento para se discutir o que eu penso ou não de você! – disse Hattemaru sério – Você acatará minhas ordens como qualquer subordinado!

- E você acatará minha decisão como empregado do meu pai! – disse Satsumi – E como tal, também meu empregado! Eu vou fazer a vigília noturna e não há ninguém que vá me impedir!

Os dois se encararam em desafio. Se tinha algo que os dois tinham em comum era o fato de não gostarem de perder um para o outro.

- Faça o que quiser, princesa! – disse Hattemaru bastante irritado – e não venha me culpar se o passeio noturno não for tão agradável quanto espera!

- Eu aprendi com você a não culpar os outros pelas minhas escolhas! – disse Satsumi deixando o grupo e indo para casa.

Foi ver o pai antes de ir para seu quarto e tentar dormir um pouco para estar bem à noite. Encontrou Asuka passando um pano úmido na testa dele, tentando abaixar uma febre.

- A febre dele piora a cada dia, Satsumi-hime! – disse Asuka – Espero que aquele doutor de quem eu lhe falei venha mesmo na próxima semana.

- Ele já acordou hoje? – perguntou Satsumi.

- Apenas por pouco tempo – respondeu Asuka – E as tosses dele também estão cada vez mais fortes.

Satsumi olhou para um pano ao lado do rosto do pai, todo sujo de sangue, que saia a cada crise de tosse. Teve vontade de chorar, mas já fizera tanto isso por causa da saúde dele que nem conseguia mais encontrar lágrimas para demonstrar sua dor. Ainda por cima agora era tão raro encontrar o pai acordado, nem poderia mostrar a ele seu choro.

- Eu vou dormir, Asuka! – disse Satsumi saindo do quarto – Me acorde antes do pôr-do-sol, por favor!

Foi para o seu quarto e se deitou, já pensando no momento de encontrar Sesshoumaru.


O restante do dia transcorreu sem nenhum acontecimento. Surgiu a idéia de que talvez o ataque do youkai tivesse sido apenas um acontecimento aleatório, e que não se repetiria. Mas pelo menos por aquela noite haveria uma vigília maior. E se nada acontecesse nem durante a noite nem no dia posterior, tudo voltaria ao normal.

Asuka acordou Satsumi bem antes do pôr-do-sol, como ela havia pedido. Levantou-se surpresa, pois pensara que não ia chegar a dormir tanto. Tomou um banho para acordar de vez, e vestiu sua roupa toda preta da guarda, prendendo o cabelo num rabo de cavalo bem forte, para que pudesse lutar, se necessário, sem o incômodo do cabelo batendo no rosto.

Saiu do quarto pronta para se apresentar para a vigília e já ia sair da casa quando Asuka a chamou.

- Satsumi-hime! – disse Asuka com um prato de arroz na mão – Coma pelo menos um pouco!

- Eu não estou com fome, obrigada! – disse Satsumi.

- Sua atitude me deixa preocupada, Satsumi! – disse Asuka – Falta de fome não é um bom sinal!

- Não é nada de mais, Asuka! – disse ela sorrindo – Eu só estou um pouco ansiosa com algumas coisas, isso me faz perder a fome. Agora, deixa eu ir,senão o Hattemaru sai para fazer a vigília sem mim!

Ela saiu correndo da casa, deixando Asuka com uma expressão bastante preocupada no rosto.

- Espero que Satsumi não esteja com a mesma doença de seu pai! – disse baixo – Ela já não tinha apetite, agora também está tossindo! Ela é tão jovem!

Satsumi se reuniu aos outros guardas no pátio do vilarejo esperando por suas ordens. Hattemaru balançou a cabeça negativamente quando a viu, para dizer que ainda não concordava com a presença dela. Ele separou os guardas em três grupos, dois com dois guardas, e o outro com três, incluindo Satsumi. Como ela já esperava, o comandante não a deixou em seu grupo, pois ele não ia querer que ela pensasse que ele a estava protegendo, e também porque estava com raiva da ousadia da jovem.

Todos saíram em busca pela mata, e agora Satsumi só precisava arranjar um jeito de se afastar e ir até a cabana, onde contaria com a sorte para encontrar Sesshoumaru lá e teria que conversar com ele o mais rápido possível.

Sesshoumaru caminhava pelos arredores da cabana quando viu alguns guardas andando por lá também. Pulou num galho bem alto e ficou observando enquanto os dois homens vasculhavam a cabana em busca de algo.

"Estão procurando o youkai gato!" pensou "Só que neste momento ele não está por aqui! Para a sorte destes homens!".

Os guardas avançaram mata adentro, deixando livre a área da cabana. Sesshoumaru desceu da árvore e foi até a frente da pequena casa, mas sem entrar. Ficaria esperando, para ver se Satsumi apareceria, embora já não acreditasse nisso, pois havia outros guardas pelo local.

"Ela não se arriscaria dessa forma!" concluiu em pensamento "Um risco dobrado, descobrirem que ela se encontra comigo e ser atacada pelo youkai!".

Satsumi caminhou até próxima ao riacho junto dos dois outros guardas, então resolveu agir de vez.

- Vamos nos dividir! – disse aos outros dois guardas – Eu vou para lá – e apontou para o lado que ficava a cabana – E vocês vão para lá e para aquele outro lado! – disse apontando lados opostos.

- Não acho bom nos separarmos! – disse um dos homens – Hattemaru não ia admitir isso!

- Ele não vai saber! – disse firme aos homens – Nós faremos um bom serviço, e ele nem desconfiará!

Houve uma certa relutância dos homens, que por fim aceitaram a ordem de Satsumi. Ela atravessou o riacho correndo bastante até encontrar a cabana. Parou, respirando fundo para recuperar o ar, e aliviada de ver Sesshoumaru à sua espera.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou ele friamente.

- Eu precisava vê-lo! – respondeu Satsumi ofegante.

- Eu não vou dar o que você deseja essa noite! – disse ele – Vá embora!

- Não presuma errado o que eu desejo de você! – disse ela – Eu só quero lhe fazer uma pergunta. Quero saber se foi você quem atacou a mulher do vilarejo.

- Eu não tenho que responder suas questões, Satsumi! – respondeu Sesshoumaru – Eu nunca daria o direito de uma humana questionar o que eu faço!

- Eu só preciso saber se encontrei quem procuro! – disse ela – Ou se eu me engano ao culpar você!

- Se você acha que sou eu, qual a diferença do que eu vou responder? – indagou Sesshoumaru.

- Eu preciso saber! – insistiu Satsumi – Eu não posso demorar aqui, então eu lhe peço, me responda com sinceridade.

- O que "você" acha? – perguntou Sesshoumaru – O que a Satsumi que se entregou a mim acha?

- Eu não acredito que tenha sido você! – respondeu ela – Você disse que não tinha interesse em nada do vilarejo...

- Então você já tem sua resposta! – disse ele se virando – Vá embora! Infelizmente meus planos para essa noite com você foram arruinados, mas alguém pagará por isso! E ainda teremos amanhã!

- Eu não voltarei aqui amanhã! – disse ela – Nem nunca mais!

Sesshoumaru apenas virou um pouco o rosto, mostrando um sorriso malicioso e desafiador para Satsumi.

- Se tem algo que eu tenho certeza, é dos sentimentos que eu provoco em você, Satsumi! – disse ele – Posso provar que você anseia pelo meu toque, e que se for preciso se arrastar até aqui para senti-lo, você o fará!

- Você não tem o direito de falar assim comigo! – irritou-se Satsumi.

Sesshoumaru se virou e se aproximou da jovem, encarando olhos negros e furiosos dela com os seus dourados e inexpressivos.

- Você ainda não percebeu que agora me pertence, Satsumi? – disse ele passando os braços em volta da cintura dela – Por isso eu posso falar e agir com você da maneira que mais me agradar?

- Eu não estou sozinha! – disse ela sem resistir – Me solte, ou eu vou gritar pelos outros guardas!

- Não, você não vai! – disse ele aproximando seus lábios aos dela – Entre comigo na cabana...

Ele a beijou, mas sem que Satsumi respondesse ao beijo. Ela somente esperou que ele soltasse seus lábios para poder repetir sua ameaça.

- Eu vou gritar por eles, Sesshoumaru! – disse ela – Eu não vou entrar na cabana com você...

Ele deu outro sorriso e a pegou no colo, surpreendendo-a.

- Grite... – sussurrou carregando-a para dentro - ...e todos verão como você gosta que eu a possua!

- Me solte... – pediu pela última vez antes de mais uma vez ceder ao beijo quente do youkai.

Ele a colocou no chão, já dentro da cabana e a encostou na parede, beijando-a com desejo e colando seu corpo ao dela.

- Por que você resiste tanto, se só o que eu faço é te dar prazer, Satsumi? – perguntou ele entre um beijo e outro – Exceto pelo ferimento no pescoço da primeira noite, eu não deixo nenhuma marca em seu corpo que lhe dê motivos para temer ser minha!

- Não são as marcas externas que me fazem temê-lo – revelou Satsumi já totalmente entregue ao youkai – As internas é que me preocupam...

Sesshoumaru segurou o queixo dela e a olhou seriamente.

- Eu te darei tudo o que você merecer fisicamente – disse ele – Mas não espere que eu retribua a nenhum sentimento que você possa ter. Espere amor apenas do seu namoradinho...

Satsumi despertou do transe em que se encontrava e se lembrou que deveria voltar rapidamente.

- Eu preciso ir! – disse ela preocupada – Outros dois guardas que faziam a vigília comigo devem estar me esperando junto ao riacho.

- Eles podem esperar... – disse Sesshoumaru a pegando no colo e passando as pernas dela por sua cintura - ...você não vai a lugar nenhum...

Ele a beijou com ainda mais fervor enquanto pressionava seu sexo contra o dela. Depois se deitou com ela no chão, procurando abrir a parte de cima da roupa de Satsumi. A jovem somente gemia sem esboçar nenhuma reação as ações do youkai, esquecendo de vez a vigília, os dois guardas e Hattemaru. Esperava somente que a possuísse logo e acalma-se aquele desejo todo que ela sentia por ele.

Um grito na mata interrompeu os dois, assustando Satsumi e chamando a atenção de Sesshoumaru.

- Não pode ser... – disse Satsumi fechando a blusa – ...espero que não tenha acontecido algo com algum dos guardas...

Os dois se levantaram e foram para fora da cabana.

- Então você resolveu aparecer? – disse Sesshoumaru baixo sobre o youkai gato.

- Eu tenho que ir lá para saber o que aconteceu! – disse Satsumi passando pelo youkai para ir embora, mas sendo segurada pelo braço por ele.

- Fique aqui! – ordenou Sesshoumaru – Eu sinto o cheiro de sangue, e bastante! Tenho certeza que você não vai querer ver isso!

- Por Kami! – disse Satsumi desesperada – Por minha culpa...

- Não saia daqui de dentro! – ordenou Sesshoumaru – Seus companheiros a acharão aqui logo! Eu vou atrás desse youkai, eu tenho contas a acertar com ele!

Ele saiu correndo pela mata seguindo o cheiro de Kirio, que o levou até próximo ao corpo do guarda morto. Sesshoumaru se colocou atrás de uma árvore enquanto via os outros homens, incluindo Hattemaru chegar ao local. Se os guardas o vissem ali certamente achariam que ele havia matado o homem, e Sesshoumaru não tinha interesse em perder tempo lutando com humanos.

"Maldição! O cheiro dele desapareceu de novo!" pensou irritado "Covarde miserável!".

Hattemaru olhou com raiva o estrago que o youkai havia feito em seu guarda, olhou para os outros e só então notou com pavor algo.

- Onde está Satsumi? – perguntou ele – Ela estava junto com vocês! – disse apontando o morto e o outro em pé à sua frente.

- Ela disse para nos dividirmos e irmos em direções diferentes! – respondeu o outro guarda já temeroso com o comandante.

- Você pagará muito caro se algo acontecer com ela! – ameaçou Hattemaru – Vamos procurá-la!

Os homens saíram à procura de Satsumi e Sesshoumaru aproveitou para procurar o youkai gato.

"Eles encontrarão Satsumi!" pensou "Não preciso me preocupar com ela!".


Satsumi ficou dentro da cabana, se sentindo culpada pelo que tinha acontecido. Cruzou os braços tentando se segurar e não tremer. Estava escuro e ela sentiu algo tocar seu ombro. Virou-se assustada sem ver ninguém.

- BUUU! – gritou o youkai gato aparecendo na frente de Satsumi e a assustando – Te achei!


Hattemaru e os outros homens ouviram o grito de Satsumi e correram na direção de onde o som partira.

- Droga, Satsumi! – disparou Hattemaru – Onde você está?


Sesshoumaru parou ao ouvir o grito de Satsumi e se virou para a direção da cabana.

- Maldito! – disse com raiva – Se você machucá-la...

Saiu correndo na direção de onde sentia a presença do youkai, sabendo que era exatamente isso que ele queria, ver Sesshoumaru correr atrás dele por causa da humana.

"Eu não deixarei que sobre nem cinzas do seu corpo, youkai!" pensou furioso.


Hattemaru olhou desolado a cabana vazia.

- Ela devia estar se escondendo aqui! – disse Hattemaru – Eu não acredito...

Ficou olhando para os lados sem saber onde procurar Satsumi.


Sesshoumaru parou de correr quando percebeu que o youkai gato estava parado próximo à cachoeira, encostado em uma rocha, sozinho. Não sentiu o cheiro de Satsumi por perto, mas resolveu não perguntar por ela.

- Você veio rápido! – disse Kirio.

- Vai lutar agora ou não! – perguntou Sesshoumaru calmo.

- Agora não! – respondeu o gato – Ainda não deu tempo da humana ter morrido ainda! E eu disse que só te mataria depois que matasse ela!

Sesshoumaru olhou para os lados tentando descobrir onde Satsumi poderia estar.

- Agora, se sua intenção é partir para a luta comigo direto... – disse o gato – ...eu acho que a humana não vai resistir tempo suficiente para você me derrotar e ainda salvá-la! Fica à sua escolha!

Sesshoumaru viu com ódio o sorriso que o youkai gato exibia, convencido da vitória fácil e se decidiu sobre o que fazer.

Êta lelê! Suspense máximo para o próximo capitulo! Agradecimentos...

Mei-chan: Obrigada pela review e espero que esteja bem melhor de saúde agora. Abraços!

Juliane-chan: Obrigada de coração pela review e pela indicação da minha fic no orkut. Quando me mostrara fiquei super feliz. Abraços!

E eu espero poder fazer uma história digna de leitoras como vocês e a as outras que já mandaram reviews. Até a próxima!