Mais um capítulo de proporções estratosféricas! Mais longo que a ficha policial do Beira-Mar! Mas muito mais comovente, e sem tanto sangue. Espero que gostem! Boa Leitura!

O fim do youkai gato e a paixão de Satsumi.

Pouco menos de um minuto se passara até o Kirio refazer sua pergunta a Sesshoumaru.

- Então, vai preferir lutar comigo primeiro ou salvar aquela bela humana? – disse o youkai gato – Não deve ser tão difícil de respon...

Antes que Kirio completasse a frase Sesshoumaru correu até ele e o agarrou pelo pescoço, e antes que ele desaparecesse o jogou contra a parede de rochas atrás dele. O youkai caiu sentindo um pouco de dor, mas sua surpresa com o ataque era bem maior.

- Por um instante imaginei que fosse atrás da humana primeiro! – disse Kirio se levantando – Realmente não há nenhuma preocupação com o sofrimento pelo qual ela está passando neste momento?

- Eu não vim até aqui atrás dela! – respondeu Sesshoumaru inexpressivo – Eu vim atrás de você!

Correu novamente até Kirio e o agarrou de novo. Desta vez o segurou e apertou suas garras ao redor do pescoço do youkai com força.

"Por que ele não desaparece como das outras vezes?" estranhou Sesshoumaru "Não acredito que de um momento para outro ele resolveu lutar sem usar aquele truque!".

Kirio criou uma pequena esfera de energia na mão direita e a soltou em Sesshoumaru, fazendo apenas com que ele o largasse. Deu um salto e parou em cima de uma rocha no alto da cachoeira. Fez uma esfera de energia ainda maior e a lançou. Sesshoumaru apenas desviou dela, que atingiu o riacho, levantando a água e provocando uma chuva no local.

- Você sabia que não é o único youkai venenoso aqui, Sesshoumaru? – perguntou Kirio abrindo a boca e soltando uma nuvem de fumaça de tom avermelhado que cobriu a área ao redor deles.

Sesshoumaru apenas deu um meio sorriso ao ver aquilo.

- Seu veneno não pode causar nenhum dano a mim! – disse Sesshoumaru – Melhor usar outro truque!

Kirio riu alto ao ouvir as palavras de Sesshoumaru.

- Eu tenho consciência disso, cachorro! – disse o youkai gato – Eu até admito que meu veneno é bem fraco para qualquer tipo de youkai. Mas, com certeza, ele pode matar um humano, ou melhor, "uma humana"!

"Satsumi está por perto?" pensou Sesshoumaru "Mas não sinto o cheiro dela em parte alguma!".

- Você precisa ver o que isso causa num humano! – continuou Kirio – Ele paralisa a respiração da pessoa. Imagino que deve ser uma morte bem lenta e dolorosa, como ser enterrado vivo!

Sesshoumaru olhou para os lados tentando imaginar um local onde Satsumi poderia estar. Até que entendeu tudo. Olhou para o youkai que ainda ria.

- Então é por isso que você não desapareceu? – perguntou causando um olhar de espanto em Kirio – Você está usando o poder nela, e não pode usar em você mesmo, não é?

Kirio bateu palmas para Sesshoumaru.

- Parabéns! – disse Kirio – Descobriu meu segredo. Mas ainda não tem a menor idéia de onde está a garota!

- Mas sei que agora você não vai fugir dos meus ataques! – disse Sesshoumaru lançando seu chicote em Kirio. O youkai gato ficou pulando de rocha em rocha, fugindo do ataque constante, tendo que descer da cachoeira e ficar no mesmo plano que Sesshoumaru novamente.

Sesshoumaru correu e desta vez cravou as garras no peito de Kirio, quase atravessando o corpo dele. Tirou a mão cheia de sangue e a chacoalhou retirando o excesso do líquido rubro.

Kirio colocou a mão no peito, cheio de dor e caiu de joelhos no chão. Mas um riso de vitória se formou novamente em seu rosto, enquanto o sangue escorria com força pelo corpo.

Sesshoumaru conseguiu então sentir levemente o cheiro de Satsumi, e olhou para a margem da cachoeira. Viu surgir o corpo da humana, caído de bruços com os pés sendo tocados pelas águas geladas, mas sem nenhuma reação.

- Eu já tinha envenenado ela antes! Com mais um pouco que ela respirar agora, o efeito já será suficiente para matá-la! Eu e ela vamos juntos para o outro mundo! – zombou Kirio – Eu a guiarei direitinho até lá!

Um olhar sereno, mas assustador de Sesshoumaru encarou Kirio.

- Ela não o acompanhará! – disse Sesshoumaru erguendo a mão – O lugar dela não é o inferno, você terá que ir sozinho!

Sesshoumaru baixou a mão na direção do pescoço de Kirio e cortou sua cabeça fora. Olhou satisfeito a cabeça do youkai gato rolar pelo chão ainda exibindo um olhar de pavor.

Olhou novamente para Satsumi, então correu até ela. Ajoelhou-se e a virou, colocando a cabeça dela em seu colo. Ela não respirava, mas Sesshoumaru conseguiu sentir que seu coração batia bem fraco ao colocar a mão em seu peito.

"A nuvem de veneno ainda não se dissipou" pensou "Tenho que levá-la para outro lugar!".

Pegou a humana no colo e correu até um local bem afastado e sem árvores, iluminado somente pelo clarão da lua bem no alto do céu. Sentou-se e segurou Satsumi em seus braços, passando a mão em seu rosto frio.

- Respire! – disse baixo para a humana – Respire, Satsumi!

As batidas do coração dela estavam bem fracas e espaçadas, e pela primeira vez Sesshoumaru visualizou que aquele poderia ser o fim dela. Colocou seus lábios bem próximos ao ouvido dela, tendo a certeza de que ela ouviria sua voz.

- Respire, Satsumi! – repetiu em um tom mais firme – Eu não te dei permissão para deixar esse mundo! Você ainda pertence a mim, e eu não deixarei que morra sem que seja minha vontade. Respire!

Como se obedecesse às ordens do youkai, Satsumi puxou o ar para os pulmões, abrindo a boca desesperada e voltando a respirar, com dificuldade. Sesshoumaru segurou seus braços que tremiam violentamente, evitando que ela se machucasse e tentando aquecê-la.

- Calma! – disse baixo para a jovem – Não há mais nenhum perigo!

Satsumi começou a parar de tremer, e também abraçou Sesshoumaru em busca de mais proteção. Ela abriu lentamente os olhos, enxergando o rosto do youkai bem próximo ao seu.

- Sesshou...maru... – sussurrou aliviada ao vê-lo ao seu lado.

Ela desmaiou novamente, mas deixando Sesshoumaru despreocupado, pois a respiração dela voltava ao normal aos poucos.

"Tenho que levá-la para aquele chefe da guarda!" pensou pegando-a no colo de novo "Ele a levará para casa!".

Saiu correndo com Satsumi de volta para a área do vilarejo. Conseguiu sentir a presença dos companheiros dela, e resolveu deixá-la deitada em segurança próximo à uma árvore. Resolveu chamar a atenção dos homens para que eles a encontrassem logo. Aproximou-se o suficiente e falou em voz alta.

- É melhor vocês virem buscar a humana o mais rápido possível! Antes que eu mude de idéia e a mate!


Hattemaru sentiu o coração disparar ao ouvir as palavras do youkai. Correu junto com os outros o mais rápido que podia na direção do som e encontrou Satsumi caída ao chão, mas sem nenhum youkai por perto. Soltou sua espada e ajoelhou-se ao lado dela, agarrando-a com força.

- Satsumi! – disse desesperado – Acorde! Por favor, acorde!

Ela reclamou da força com que ele a sacudia resmungando palavras sem sentido.

- Eu vou levá-la para casa, Satsumi – disse Hattemaru pegando-a no colo – Eu te encontrei, não vou deixar nada mais acontecer à você, eu juro! Eu amo você e nunca mais ninguém irá machucá-la novamente!

Ele saiu carregando Satsumi, sob o olhar frio de Sesshoumaru, que observava tudo do alto da árvore.

"Suas palavras, humano..." pensou irritado "... não são nada! Você não tem a mínima capacidade de proteger Satsumi, e seu amor não pode torná-la sua!".

Esperou que eles sumissem de vista e voltou para a cabana. Passaria a noite toda lá dessa vez, pensando seriamente em deixar a humana de lado, visto que ela poderia chamar problemas desnecessários para o seu lado.

- Teria sido tão mais fácil e rápido de matar aquele youkai, se ele não tivesse raptado Satsumi – disse para si mesmo.

Fixou o olhar no chão se lembrando de Satsumi em seu colo, sem respirar. Por um pequeno momento, sentiu toda a frieza de seu coração sumir e dar lugar a algo diferente, uma dor. Franziu a testa irritado com a sensação.

"Então é isso que chamam de se preocupar com alguém? pensou "Eu não sentirei mais isso!".

Ficou sentado no canto, tentando não pensar no que aconteceu e fingindo não querer saber se Satsumi estava bem, até que os primeiros raios de sol começaram a se infiltrar pelas frestas da cabana. Levantou-se, pronto para buscar algo diferente no novo dia que nascia.


Asuka entrou no quarto e viu Satsumi já acordada, mas ainda deitada no futon e com uma cara nada boa.

- Você está se sentindo melhor, Satsumi-hime? – perguntou Asuka.

-Não posso me sentir bem depois do que aconteceu ontem – disse Satsumi entristecida.

- Hattemaru já veio saber da srta – disse a mulher – Ele me parece bastante chateado.

- Ele deve estar me odiando pelo o que eu fiz – disse Satsumi se sentando – Ontem eu passei por cima de todas as ordens dele, e o resultado...

- Não se culpe pela morte do guarda – disse Asuka – Todos têm sua hora, e a dele tinha chegado. Aliás, por pouco a hora da srta não chega também, segundo me contaram. Quase que o youkai consegue matá-la.

- Se não fosse por ele me salvar... – disse lembrando-se de Sesshoumaru.

- Ele quem? – perguntou Asuka – Hattemaru?

Satsumi ficou em silêncio, já que não poderia revelar o nome de seu salvador.

- Levante-se, tome um banho e coma alguma coisa! – ordenou Asuka – E não fique se remoendo em culpa, a srta é uma jovem tão boa, não deveria se sentir assim.

Asuka saiu do quarto deixando Satsumi sozinha com seus pensamentos. Sentia a dor da culpa pela morte do guarda, e nem imaginava como conseguiria encarar todos os companheiros de novo. Desejou por um instante que o youkai tivesse dado um fim em sua vida também.

"Não posso pensar assim! Só covardes pensam dessa maneira!" criticou-se "Devo enfrentar tudo de cabeça erguida, mesmo tendo culpa nisso!".

Levantou-se e resolveu fazer tudo o que Asuka recomendara. Depois enfrentaria Hattemaru, que com certeza tinha muito a lhe falar. Mas teve uma surpresa ao encontrá-lo na sala da casa, já a sua espera. Olhou para ele já sentindo que ele não ia poupar sua insubordinação, e a castigaria com a expulsão da guarda. Para sua surpresa o olhar firme de chefe da guarda desviou do seu e fitou o chão.

- Hattemaru, eu... – disse Satsumi - ... me perdoe!

- Nunca mais faça isso! – ele disse com uma voz falha – Nunca mais...

- Eu entenderei qualquer coisa que você resolver sobre mim – disse a jovem – Entenderei se você quiser me tirar da guarda.

- Eu não vim aqui como seu comandante, Satsumi – disse encarando ela – Eu vim aqui como alguém que gosta muito de você, e que não quer sentir de novo o medo que eu senti ontem. Medo de que tivesse acontecido algo com você. Eu jamais me perdoaria...

Satsumi sentiu os olhos lacrimejarem, sabendo que Hattemaru lhe abria o coração, e que nunca poderia retribuir à ele da mesma forma.

- Eu fui a culpada de tudo – disse Satsumi se rendendo ao choro – Se eu não fosse tão idiota ninguém teria morrido!

Hattemaru a abraçou forte para consolá-la.

- Embora você tenha realmente cometido um erro ao separar o grupo, você não pode ser culpada disso – disse ele – Aquele youkai com certeza tinha a intenção de matar a todos que cruzassem seu caminho. Você ainda conseguiu se esconder naquela cabana velha.

Satsumi chorou ainda mais por saber que aquilo era mentira. Não estava fugindo do youkai e se escondera na cabana, tinha ido encontrar Sesshoumaru, com a desculpa de saber se ele era quem tinha atacado a mulher no vilarejo, mas no fundo com o desejo de revê-lo.

- Mas não se preocupe – disse Hattemaru – Nós vamos encontrar aquele youkai ainda, e da próxima vez ele não sairá vivo destas terras!

Satsumi preocupou-se por Sesshoumaru. E se Hattemaru e os outros homens o encontrassem? Com certeza achariam que ele é o culpado pela morte do guarda, e mesmo que Satsumi dissesse que não era ele o mesmo youkai que a atacou, Hattemaru não ia permitir que ele ficasse por lá, o mataria da mesma forma.

"Como eu poderei avisá-lo de tal perigo?" perguntou-se "Com certeza não conseguirei encontrá-lo mais depois do que aconteceu ontem à noite. Não deixarão a vigília noturna enquanto não encontrarem o youkai!".


Sesshoumaru passou o dia procurando pistas sobre o paradeiro da espada do pai, Tessaiga, junto àqueles que o conheceram, tentando não pensar se Satsumi estava bem. Mas, estranhamente, ao conversar de maneira nada amistosa mais uma vez com Tottousai, ouviu dele uma pergunta para a qual não sabia a resposta.

- Por que não aceita a Tenseiga e pronto? – disse Tottousai – E por que não admite logo que como todos os seres vivos, você também tem um coração, e que pode usá-lo de vez em quando?

- Um coração só serve para manter vivo, velho! – respondeu sem expressar sua surpresa – Só os tolos tem a idéia de que ele serve para amar!

- Espero que você não descubra que está errado em seu modo de pensar muito tarde, Sesshoumaru! – retrucou Tottousai.

Sesshoumaru deixou o velho youkai sozinho com suas filosofias. Se tinha algo que não precisava era do conselho de alguém. Sempre tomara suas decisões sem se preocupar em pedir a opinião dos outros, e nunca errara nelas.

Pensou em procurar saber algo mais sobre onde a espada estava escondida, mas a noite já se aproximava, então resolveu voltar para suas terras.

Quando chegou, foi novamente ao cenário da luta com o youkai gato. Viu o sangue dele ainda presente no chão, ressecado pelo forte calor do dia. Olhou para o pôr-do-sol, evitando olhar para a beira da cachoeira e se lembrar da humana mais uma vez. Esperou até o fim do lindo espetáculo e saiu caminhando em busca de sossego para a alma. Encontrou um lugar para ficar, distante do vilarejo o suficiente para que o desejo que sentia por Satsumi não aflorasse dentro de si.

Seu olhar se perdeu no céu estrelado enquanto sua mente se perdia em pensamentos confusos e inúteis. Sentiu os olhos pesarem, e desejou sonhar quando dormisse. Há muito tempo os sonhos o haviam abandonado, confirmando uma frase que seu pai uma vez lhe falara.

"Só sonha quem não tem preocupações!" disse o pai.

E preocupações não faltavam na vida de Sesshoumaru. E a maior delas era o fato de não ter herdado a espada mais poderosa do pai, aquela que o tornaria, com certeza, o youkai mais forte de todos. Ele preferiu deixar a espada ao filho mais novo, e criando assim um ódio ainda maior de Sesshoumaru pelo bastardo, filho de seu pai com uma humana.

"Não entendo, meu pai" pensou "Por que fez isso comigo? Colocou de lado minha importância como filho mais velho, somente para proteger aquela mulher e o hanyou que ela gerou. Como o senhor pôde cometer um erro desses?".

Fechou os olhos mais uma vez tentando parar com suas preocupações e esperando sonhar, até que adormeceu embalado pelo barulho dos insetos em meio à grama a sua volta.


Satsumi olhava pela janela do quarto para um ponto fixo na mata. Como se esperando que Sesshoumaru aparecesse entre as árvores, quem sabe desejando saber como ela estava.

"Como foi bom abrir os olhos e vê-lo, Sesshoumaru!" pensou "Eu já não tenho mais certeza sobre o que sinto por você!".

Deitou-se pensando se seria possível encontrá-lo de novo. O sono começou a se aproximar devagar, sem pressa. Demorou a dormir, mas quando o fez, sonhou com a mãe. Sonho esse que fez a jovem sorrir dormindo, como uma criança.

Um vento forte bateu no rosto de Sesshoumaru, esvoaçando seus cabelos e o despertando. Olhou para o céu coberto de nuvens escuras, sabendo que a chuva logo cairia e seu único refugio seria a cabana. Levantou-se e caminhou, já imaginando que seu dia seria tedioso e inútil. Quando chegou na cabana, sentiu que seria impossível ficar ali sem se lembrar da humana, sem desejar encontrá-la de novo. Sentou-se, esperando ficar sossegado, mas uma ansiedade sem tamanho tomou conta de seu corpo, fazendo-o se levantar e ficar andando de um lado para o outro, começando a se irritar com o simples barulho da água no telhado.

"Que a chuva passe logo!" pensou "Enlouquecerei se ficar preso aqui muito tempo!".

Satsumi olhava o prato de arroz e legumes deixado por Asuka em seu quarto sem a menor vontade de prová-lo. Não conseguia comer, não tinha fome, e mais uma vez aquele prato sairia dali do mesmo jeito que entrara, cheio. Ainda mais hoje, que estava se sentindo mal, com um pouco de febre, fora a tosse, que de vez em quando aparecia para piorar tudo.

Asuka entrou no quarto e fez uma cara feia.

- Eu espero que a srta diga que não come porque não gosta da minha comida! – disse Asuka – Vai ser bem melhor do que saber que a srta está doente!

- Eu estou ótima, Asuka! – disse Satsumi sem querer causar preocupação – Eu só estou sem fome! Mas ficaria muito feliz se você me trouxesse um chá!

Asuka saiu do quarto dizendo que logo voltaria com o chá. Satsumi se levantou e vestiu um kimono mais grosso, pois estava sentindo um pouco de frio. Olhou pela janela e mais uma vez se lembrou de Sesshoumaru, pensando em cometer a loucura de procurá-lo mais tarde, assim que a chuva passasse e sua febre melhorasse.

"Eu preciso vê-lo pela última vez!" garantiu a si mesma em pensamento "Apenas para agradecê-lo!".

Asuka veio trazer o chá e lhe dar uma notícia que talvez a ajudasse a realizar seu desejo.

- Hattemaru convocou todos os guardas para uma reunião daqui a pouco – disse Asuka entregando o chá para Satsumi – Será às portas fechadas, para se discutir o que fazer sobre o youkai. Ele mandou avisá-la, mas disse que não era para a srta ir lá de maneira alguma!

- Eu não o desobedecerei dessa vez – disse Satsumi com um plano formado na cabeça – Eu não tenho nenhum interesse nessa reunião.


Já estava entardecendo e a chuva não dava nenhum sinal de que estava parando. O vento aumentara e os trovões também, causando mais impaciência em Sesshoumaru. Abriu a porta, olhando para os lados esperando ter uma idéia melhor do que fazer num dia como aquele.

"Se pelo menos eu pudesse estar com ela de novo..." pensou.

Resolveu sair dali antes que resolvesse quebrar toda a cabana numa tentativa de evitar o tédio. Caminhou pela mata, sem rumo, apenas sentindo a chuva lhe encharcar as roupas e os cabelos, só para passar o tempo, ou até que encontrasse algo útil para se fazer.


Satsumi esperou na porta de entrada da casa que todos os outros guardas entrassem de vez na casa de Hattemaru e fechassem a porta para o início da reunião. Ouviu o comandante começar a falar com os homens, e viu que esse era o momento oportuno para o que ia fazer. Ficou feliz por estar chovendo forte, porque não havia ninguém andando pelo vilarejo para vê-la sair. Fechou bem o kimono que usava, pois o vento estava fazendo com que tremesse.

"O vento?" pensou confusa "Ou o medo que eu estou sentindo de me verem?".

Poderia ser a febre voltando. Satsumi tinha melhorado com o chá que Asuka havia feito, agora só o peito doía um pouco, mas nada que fosse impedi-la de fazer o queria.

Saiu rápido em direção da mata, levantando a barra da roupa para não causar uma sujeira ainda maior com a lama. Já estava indo descalça para evitar o incomodo de perder um dos sapatos enquanto andava, só precisava tomar cuidado ao atravessar o riacho, pois as pedras eram bastante escorregadias.

Com a forte chuva, a força das águas do riacho estava maior, e quase conseguiu derrubar Satsumi duas vezes. Respirou aliviada quando terminou de atravessá-lo, agora era só mais um pequeno trecho de caminhada e estaria na cabana.

"Se eu não encontrá-lo lá, deixarei um sinal de que o procurei" decidiu pelo caminho "Tenho certeza de que ele irá me procurar depois!".

Viu a porta aberta quando chegou e enquanto dava os últimos passos para entrar na cabana, pensou que sua esperança em vê-lo não tinha sido em vão. Mas o vazio do lugar lhe fez entristecer. Ficou olhando o pequeno espaço por pouco tempo, então pegou de dentro do decote da roupa um lenço, com seu nome bordado, ensopado pela chuva, e o deixou no chão próximo à porta.

- Espero que planeje voltar aqui logo! – disse pensando em Sesshoumaru.

Deixou a cabana sem muita pressa em voltar. Caminhava devagar ouvindo os trovões e pensando em coisas tolas.


Sesshoumaru voltou correndo para a cabana. Parecia que algo dizia em sua mente para voltar. Não estava sentindo a presença de ninguém, era mais sua intuição que lhe guiava. Entrou no casebre, se achando um tolo por correr tanto para voltar para um lugar vazio. Mas antes que amaldiçoasse sua intuição viu o lenço molhado jogado no chão e o pegou. Deu um sorriso quando viu o ideograma com o nome de Satsumi.

- Está bastante molhado ainda" pensou apertando o lenço na mão "Ela esteve aqui há pouco tempo!".

Olhou para o caminho que dava no riacho e saiu correndo. Se tivesse sorte a encontraria antes de sua chegada ao vilarejo.

Parou na margem do riacho feliz com o que via. Satsumi estava acabando de atravessar pelas águas, fazendo um esforço considerável para manter-se em equilíbrio ao chegar do outro lado.

- Estava me procurando? – perguntou ele demonstrando frieza por fora, mas sentindo-se um pouco mais alegre por revê-la.

Satsumi parou ao ouvi-lo falar. Ficou com receio de se virar e não ser ele, embora sua voz fosse inconfundível. Virou apenas um pouco a cabeça, até que conseguisse ver de relance que era ele mesmo, Sesshoumaru. Virou então o resto do corpo, ficando de frente para o youkai e dando um enorme sorriso que o surpreendeu.

- Me ver te deixa assim tão feliz? – perguntou ele.

- O que acha? – disse ela.

- Por que veio aqui? – perguntou Sesshoumaru.

- Eu precisava vê-lo – respondeu Satsumi – Para agradecer por ter me salvado daquele outro youkai. E também para avisá-lo que os homens do vilarejo farão outras vigílias.

- Eles não me preocupam! – disse ele.

Houve um silêncio estranho após a resposta do youkai. Satsumi esperava que ele falasse algo mais, mas ele somente a olhava sério.

- Eu tenho que ir! – disse Satsumi – Eu saí escondida, não posso demorar!

Esperou mais uns segundos por uma simples palavra de Sesshoumaru, e convencida de que ele não falaria nada, virou-se e começou a caminhar para o vilarejo.

- Satsumi! – chamou Sesshoumaru.

- Sim? – ela disse se virando.

-Fique!– disse Sesshoumaru.

Ela apenas sorriu como resposta ao pedido do youkai. Ele deu um salto de um lado ao outro do riacho e se aproximou dela.

- Você não veio até aqui só para isso, não é? – disse ele – Sair numa chuva dessas, só para agradecer foi somente um desculpa, não é mesmo?

Ele passou a mão pelo rosto de Satsumi, retirando os cabelos molhados que estavam caídos sobre os olhos e fazendo-a suspirar ao seu toque.

- Você está gelada! – disse ele – Venha, eu vou aquecê-la!

Pegou a mão de Satsumi e a levou de novo até a margem do riacho. Pegou-a no colo para atravessar as águas, mas não a colocou no chão quando terminaram de passar, ele continuou com ela no colo pelo caminho.

- Pode me colocar no chão se quiser! – disse Satsumi sorrindo.

- Você vai fugir! – disse Sesshoumaru sério.

- Não vou... – disse Satsumi olhando no fundo dos olhos do youkai -...não quero!

Ele entrou na cabana e colocou Satsumi no chão. Os dois estavam encharcados e Satsumi já começava a sentir frio.

- Tire a roupa! – ele ordenou de um modo frio.

Satsumi riu do modo como ele falou, e balançou a cabeça negativamente.

- Tire a sua primeiro! – disse Satsumi provocando ele.

- Você quer me dar ordens, Satsumi? – perguntou ele com um meio sorriso.

- Por favor? – insistiu ela.

Ele sorriu e soltou primeiro a armadura, colocando-a no chão. Colocou a mão na parte de cima da roupa, mas não a tirou. Olhou para Satsumi maliciosamente e fez sinal para que ela se aproximasse, o que ela obedeceu.

- Eu dou as ordens aqui – sussurrou no ouvido dela – Agora, tire a roupa!

- Não... – respondeu Satsumi desafiadoramente -...venha tirar!

Um sorriso foi o sim ao desafio da jovem. Ele a puxou contra seu corpo, descendo uma das mãos pelas costas dela até a faixa do kimono, enquanto a outra era gentilmente enroscada nos cabelos úmidos de Satsumi.

- Você não perde mesmo a chance de disputar forças comigo, não é Satsumi? – disse ele aproximando sua boca à dela sem se tocarem – Eu vou mostrá-la novamente como eu sou mais forte do que você...

Fingiu que ia beijá-la, e assim que ela tentou juntar seus lábios ao dele, ele a afastou. O laço do kimono caiu pelo chão, deixando-o um pouco aberto na frente. Ele colocou as mãos na abertura do traje, na altura dos seios de Satsumi, depois subindo até os ombros, abrindo de vez a roupa e deixando que ela caísse no chão. Contemplou o corpo dela por alguns segundos, passando a mão pelo braço arrepiado da jovem. Pegou a mão de Satsumi e a levou até o laço de sua calça.

- Agora você vai tirar a minha roupa... – disse ele.

Ela puxou o laço e abaixou a calça dele pelos lados, sem olhar diretamente para a parte íntima dele, o que causou um sorriso em Sesshoumaru. Abaixou a calça até os pés do youkai, depois se levantou e foi abrir a blusa, mas ele segurou sua mão impedindo-a de continuar. Ela o olhou sem entender, então ele colocou a delicada mão da jovem em seu sexo, surpreendendo Satsumi, que sentiu o quanto ele estava excitado.

- Se você não tem coragem de olhar, pelo menos sinta o quanto eu a desejo! – disse ele sussurrando.

Satsumi fechou os olhos e aproveitou o momento, sem sentir nenhum pudor por isso.

- Continue! – disse ele levando a mão dela de novo até a blusa.

Ela abriu a parte de cima da roupa e a retirou devagar, passando sua mão pelos braços fortes do youkai, sentindo o calor da pele dele, mesmo estando molhada. Jogou a blusa num canto e ficou esperando, sem saber o que fazer.

- Me beije! – ordenou Sesshoumaru.

Ela sentiu o rosto pegando fogo de vergonha, pois ele sempre a beijara primeiro. Aproximou-se dele e ergueu-se um pouco na ponta dos pés, conseguindo altura suficiente para juntar seus lábios aos dele, passando a mão pela nuca do youkai. A língua dele logo veio de encontro a sua, num beijo suave, sem o desespero habitual. Sesshoumaru colocou as mãos na cintura de Satsumi e trouxe o corpo dela de encontro ao seu, fazendo com que agora sim, o beijo se tornasse tão ardente como sempre.

Ele a encostou na parede e a levantou. Satsumi passou suas pernas em volta da cintura dele, e ele a penetrou com força dessa vez, assustando um pouco a garota. Aos poucos ela foi se acostumando ao ritmo forte com que ele entrava e saía de seu corpo, e seu prazer foi aumentando, enquanto ele agora beijava seu pescoço.

- Como eu desejo você, Sesshoumaru... – sussurrou ela.

Ele voltou a beijar sua boca com fúria, e acabou por causar um corte no lábio inferior de Satsumi com um de seus caninos. Ele olhou a gota de sangue que começou a se formar no corte e passou o dedo, limpando-o.

- Eu vou beijá-la com mais calma agora – disse ele.

- Não! – disse Satsumi passando a língua no sangue que começava a sair de novo do corte – Continue assim!

Ele acatou o pedido de Satsumi e continuou beijando-a avidamente. Desencostou-se da parede e ajoelhou-se no chão, sem tirar Satsumi de seu colo. Ele a incentivou a mover os quadris, ajudando-a a encontrar o ritmo em que ele a penetrava e aumentando ainda mais o prazer dos dois. O gemido dos dois acontecia quase ao mesmo tempo.

Sesshoumaru deitou a parte superior do corpo de Satsumi no chão, erguendo apenas um pouco das costas dela para não deixá-la desconfortável e diminuiu um pouco o ritmo, pois estava quase chegando ao prazer. Passou a mão pelos seios dela os acariciando, fazendo com que Satsumi gemesse ainda mais.

Sesshoumaru aumentou novamente o ritmo da penetração quando percebeu que Satsumi já estava no auge de seu prazer. Deitou seu corpo sobre o dela e manteve a força até que ela o abraçasse forte demonstrando o orgasmo que estava tendo. Ela puxou sua cabeça e o beijou enlouquecidamente até que Sesshoumaru também chegasse ao êxtase sem se preocupar em sair de dentro dela antes.

Embora soubesse dos riscos do descuido, Sesshoumaru não deixou que isso atrapalhasse seu prazer e continuou beijando Satsumi com desejo, permanecendo dentro dela por um bom tempo ainda. Deixou seu corpo cair sobre o dela, descansando e aproveitando para aquecê-la ainda mais, pois agora ela começava a sentir o vento da janela entrar na cabana. A chuva continuava forte, e começava a escurecer.

- Preciso ir embora – disse Satsumi sem se mover – Antes que anoiteça!

- Daqui a pouco! – disse Sesshoumaru – Fique abraçada a mim!

Ela sorriu despreocupada. Ao lado dele parecia que não havia mais ninguém no resto do mundo. Se ele pedisse para ela passar a noite ali, ela passaria, sem se lembrar que teria muito a explicar depois. Começou a fazer carinho na cabeça do youkai, mas parou, lembrando-se que ele disse que se desejasse algum carinho ele pediria.

- Continue... – sussurrou Sesshoumaru.

Ela passou a mão nos cabelos prateados dele, até que notou que ele havia dormido.

- Eu me apaixonei por você, Sesshoumaru – sussurrou ela – Espero que isso não me cause um sofrimento sem fim...

Fechou os olhos e logo adormeceu, sem imaginar que no vilarejo a reunião de Hattemaru com os guardas já havia acabado há um bom tempo, e ele a tinha procurado para dizer as decisões. Asuka jurou que não sabia onde Satsumi estava, depois de procurar no quarto, onde ela pensava que a jovem estava dormindo.

Hattemaru franziu a testa mostrando-se visivelmente irritado. Saiu na porta do casarão, e ficou olhando a noite chegar enquanto a chuva continuava.

- O que você está fazendo, Satsumi? – perguntou já imaginando que ela havia saído do vilarejo – Eu vou querer saber por que você me desobedeceu mais uma vez!

Ulalá! Agora é que a porca torce o rabo e o sangue começa a jorrar para valer. Vai ser mais emocionante que ver a Haidéé de América roubando castiçais numa festa gran fina! Aguardem! Beijão à todas as que mandaram reviews e só respondendo em especial as perguntas da Neve: Você entendeu direitinho a cena do hentai, e o resto das perguntas, a resposta é tudo SIM! Vai por mim, experiência própria!

Beijos à todas!