Mais uma vez em seus braços.
Dois dias se passaram sem que Sesshoumaru visse Satsumi. A demora em revê-la tornava-se preocupante para o youkai, que embora dissesse a si mesmo que a humana era apenas parte de um jogo, sentia, mesmo que no fundo de sua alma, algo que ele mesmo não sabia definir. A frieza habitual disfarçava muito bem esse sentimento diferente, novo. Mas por dentro, sentia algo apertar o peito ao imaginar que ela pudesse ter piorado.
"Como você é frágil, Satsumi!" pensou sentindo-se entristecido "Como os humanos são frágeis!".
Passara os dois dias sempre por perto do vilarejo, até porque não havia mais nada a se fazer. Procurar pela espada do pai sem pistas era andar às cegas. Pelo menos o youkai dragão lhe servia como entretenimento, fazendo coisas tolas como sair rolando do alto de uma colina. Sesshoumaru concluíra que o animal era apenas um filhote, apesar do tamanho que tinha. Agora mesmo, lá estava o dragão, praticamente numa luta entre suas duas cabeças por um pedaço de carne.
Sesshoumaru levantou-se da pedra onde estava olhando o youkai, saindo caminhando mais uma vez em direção ao vilarejo.
- Fique aí! – ordenou ao dragão – Eu voltarei logo!
O animal continuou a comer sua refeição, já confiante nas palavras de seu novo dono.
Sesshoumaru aproximou-se da entrada do vilarejo, e mais uma vez pulou no alto da árvore a qual ele ficara observando a procura de algum sinal de Satsumi nos últimos dias.
Sua primeira visão foi a dos homens da guarda treinando, e quando pôde olhar por todo o local, encontrou Satsumi sentada em frente ao casarão, assistindo o treino. Um sorriso contido se formou nos lábios de Sesshoumaru, ao perceber que ela já havia melhorado. Mas mesmo de longe era possível perceber que ela ainda estava um pouco abatida.
"Você não imagina o alívio que vê-la me traz, Satsumi" pensou.
Uma outra mulher trouxe algo para o jovem beber, um chá com certeza, e ficou conversando com ela. Próximo delas, também conversando de vez em quando, estava o chefe da guarda. Sesshoumaru conseguia notar o olhar dele preso à ela, como se estivesse enfeitiçado pela jovem, que apenas lhe retribuía alguns sorrisos esporádicos. Era visível que ele a amava, isso estava praticamente escrito na testa dele, e já confessara esse amor à Satsumi, embora ela estivesse desmaiada.
Viu Hattemaru aproximar-se mais de Satsumi e passou a mão em seu rosto, certamente para ver se havia febre, mas este gesto fez Sesshoumaru franzir a testa irritado. A ousadia dele de tocá-la era uma afronta ao youkai, e isso um dia seria cobrado dele.
Resolveu ficar por lá até a hora em que Satsumi entrasse, somente para poder acabar um pouco com sua necessidade de estar ao seu lado. Depois esperaria longe pela total recuperação dela. Tinha certeza de que novamente a veria, que ela também desejava por isso e que faria o que fosse preciso para encontrá-lo.
"Estarei esperando, Satsumi" pensou "Meu corpo necessita do seu como preciso do ar para respirar!".
Satsumi conversava com Asuka que ia escolher um traje vermelho para usar na festa do vilarejo, e Hattemaru confidenciava que vermelho era sua cor favorita, causando um riso escandaloso em Asuka, que o chamara de bobo apaixonado.
- Apaixonado sim, mas não bobo! – respondeu ele.
- Veja, Satsumi-Hime – disse a mulher – Ele ama a srta, acabou de confessar! Aposto que agora se encherá de coragem e falará com seu pai!
Satsumi sorria com a conversa, mas no fundo nem sequer prestava muita atenção nas palavras dos dois. Sua mente estava voltada apenas para Sesshoumaru, e mesmo que o amigo lhe pedisse em casamento agora não daria importância ao fato.
Olhou para a mata, sentindo saudades de percorrer aquele caminho para encontrar o youkai, mas nem notou que ele estava no alto da árvore, olhando-a. Suspirou, como se isso fosse liberar do peito a angústia de ainda não poder sair de casa. Hattemaru chamou sua atenção para algo que ele acabara de falar, e que ela não prestara atenção.
- O quê?- perguntou Satsumi – Eu estava perdida em um pensamento...
- Eu perguntei se você deseja ir amanhã até a cidade – repetiu o amigo – Para comprar a roupa vermelha que você usará.
- Sim, eu quero ir amanhã – respondeu Satsumi – Tenho certeza que estarei completamente curada desse resfriado. E Asuka irá conosco!
- Então sairemos daqui pela manhã – disse Hattemaru – Eu também preciso comprar algo importante!
- Humm! – fez Asuka – Espero que não seja um traje vermelho também! Essa cor não ficaria bem em você!
- Asuka! – chamou a atenção sorrindo Hattemaru – Não teria cabimento um homem como eu vestido com uma roupa vermelha. Eu vou em busca de algo muito valioso!
-Um presente? – perguntou curiosa a mulher.
- Não seja indiscreta, Asuka! – disse Satsumi – Isso é muito feio!
- Ah, Satsumi-Hime – disse Asuka rindo – Vai me dizer que a srta não teve curiosidade em saber também?
- Vocês logo saberão o que é! – disse Hattemaru – Agora deixa eu voltar ao trabalho!
Sesshoumaru viu Hattemaru se afastar das duas e voltar a treinar os homens. Viu que Satsumi voltara a olhar para o caminho do riacho, e sentiu vontade de mostrar a ela que estava lá, mas se conteve, pois havia muitas pessoas por ali e poderiam vê-lo também.
Pouco tempo depois, a mulher que estava com ela a chamou e as duas entraram, colocando também um fim à vigília de Sesshoumaru, que desceu da árvore e caminhou de volta ao local onde havia deixado o dragão.
Satsumi voltou para o quarto, deitando-se para descansar um pouco mais, conforme a indicação de Asuka. Já estava se sentindo bem, mas como não comia nada há algum tempo, estava sentindo uma leve fraqueza. Mas estava decidida a comer a sopa que estavam fazendo para ela, mesmo que não sentisse fome, somente para poder sentir-se bem o suficiente para ir até a cabana, talvez no dia posterior.
"Tenho que vê-lo logo!" pensou "Espero que ele não tenha esquecido de mim de vez!".
Este parecia ser o dia mais tedioso de toda a vida de Sesshoumaru. Nada lhe chamava a atenção. Não tinha interesse em caminhar, lutar, comer, embora comer fosse uma coisa dispensável para ele, e até mesmo pensar na espada do pai. E o tempo, que parecia não querer o dia terminasse. Olhava para o céu e o sol parecia estar sempre parado na marca do meio dia. Encheu-se de coragem e caminhou até a cachoeira, decidido a pelo menos se livrar do calor.
Arrancou toda a roupa e entrou nas águas frias, afundando a cabeça para que os cabelos também se molhassem e ficando embaixo da água testando sua resistência. Logo o youkai dragão já pulava na água, a procura de Sesshoumaru, que viu com espanto que o animal se preocupava com ele.
- Era mais provável que eu morresse com você caindo em cima de mim do que me afogando, youkai! – resmungou Sesshoumaru ao animal que soltou seu ruído característico feliz ao ver o dono bem – Agora saia enquanto eu me banho!
Quando a noite chegou, Satsumi preparou-se para cometer mais uma vez um ato de rebeldia. Tomou um demorado banho com ervas e flores que deixariam seu corpo perfumado, e vestiu um lindo kimono branco com flores bordadas em amarelo e vermelho. Sentia-se muito melhor, sem fraqueza, e decidiu que não ficaria esperando por mais um dia para rever Sesshoumaru. Não suportaria passar mais uma noite quase totalmente acordada pensando nele. Sairia antes de Hattemaru juntar seus homens para a vigília, e se encontrasse o youkai na cabana, pediria para irem a outro lugar, afastado do perigo de serem encontrados. Sabia que seria difícil sair do vilarejo carregando uma lamparina sem ser vista, mas estava disposta a correr o risco.
"Isso prova que você enlouqueceu mesmo, Satsumi" pensou rindo sozinha no quarto "Tomara que não seja trabalho em vão!".
Esperou que as poucas pessoas que ainda estavam fora de suas casas sumissem e que os homens que faziam a guarda do vilarejo durante a noite fossem fazer sua caminhada de sempre.
Saiu na porta do casarão, segurando a lamparina, quando ouviu alguém assoviar atrás de si. Virou-se e com surpresa viu Asuka, dando um meio sorriso para ela.
- Eu espero que a srta não esteja pensando em sair de casa! – disse Asuka.
Satsumi deu um sorriso, mesmo sentindo-se sem graça com o flagrante.
- Asuka, eu...
- A srta não pode arriscar ficar doente de novo! – interrompeu a mulher – E é perigoso sair nesse horário.
Satsumi resolveu contar o verdadeiro motivo que a estava levando a sair.
- Asuka, eu tenho que ir – disse Satsumi – É a minha felicidade que está em jogo!
- O que pode lhe causar tanta felicidade em meio à mata e a noite? – perguntou Asuka – Com certeza não é algo bom!
- Você já se apaixonou alguma vez, Asuka? – perguntou Satsumi certa de que ela entenderia o motivo.
- Claro que já! – disse Asuka só depois entendendo o que ela quis dizer – A srta está apaixonada?
- Asuka, eu preciso ir encontrar uma pessoa – disse a jovem – E não tem como ser de outra maneira.
- Essa pessoa com certeza não é o sr Hattemaru, não é mesmo? – disse Asuka.
- Asuka... – disse Satsumi - ...essa pessoa com certeza não é ele!
- Ai, Satsumi-Hime! – desesperou-se Asuka – Isso não é uma boa coisa!
- Eu peço que guarde esse segredo – disse Satsumi – Eu lhe contarei tudo amanhã. Mas agora, eu preciso mesmo ir. Meu coração não vai se aquietar enquanto eu não vê-lo!
- Eu não contarei sobre sua paixão para ninguém – disse Asuka – cabe a nós mesmos revelarmos nossos segredos, não outrem!
- Eu te agradeço, Asuka! – disse Satsumi dando um abraço na mulher – Você é a única pessoa a quem eu confiaria isso.
- Eu gosto de você como uma filha, Satsumi-Hime – disse Asuka – Por isso não gostaria que a srta saísse. Mas como de sofrer por amor eu entendo um pouco, eu vou fingir que não a vi sair. Vá, antes que os guardas voltem...
Satsumi deu um enorme sorriso e saiu rápido em direção à mata. Ainda olhou para trás e recebeu um aceno de Asuka, que ficou olhando para os lados enquanto Satsumi sumia no caminho que conduzia ao riacho.
"Sesshoumaru, se você pudesse ouvir meus pensamentos, mesmo longe daqui saberia que estou a sua procura".
Atravessou o riacho, e foi até a cabana. Olhou tudo, dentro e fora do casebre, entristecida por não encontrar Sesshoumaru. Encostou-se na parede externa da cabana, sem saber o que fazer. Sua intuição dizia para não voltar para casa, mas também não deveria continuar ali. Saiu caminhando sem rumo, apenas seguindo as trilhas já abertas na mata. Se não o encontrasse, pelo menos teria tentado, melhor do que voltar para casa triste. A lamparina era a única coisa que alertava para os perigos do caminho, e também seria o alvo para algum animal ou youkai que quisesse atacá-la. Mas coragem nunca faltou a Satsumi, e não seria naquele dia que faltaria.
Sesshoumaru estava quase pegando no sono quando sentiu seu cheiro. Levantou-se e olhou atrás da árvore onde estava encostado procurando o rastro de seu perfume.
"Não pode ser!" pensou "Ela não viria para esses lados!".
Ele estava um pouco além da cachoeira, num local cheio de árvores cujas flores caiam no chão, formando um carpete florido e perfumado. Pensou que pudesse ter confundido o cheiro dela com o dessas flores, mas tinha que ter certeza. Caminhou devagar de volta à cachoeira, até que escutou Satsumi gritar.
- O dragão! – disse para si mesmo e correu.
Chegou e encontrou Satsumi encostada numa árvore, com a lamparina caída no chão, enquanto o youkai dragão, que tinha ficado ao lado da queda d´água a observava curioso. Olhou-a, sem ser notado e ficou observando o jeito dela para se livrar do animal.
- Você é um bicho muito bonito – disse Satsumi – Mas está me assustando desse jeito. Deixa eu sair, deixa!
- Deixe-a! – disse Sesshoumaru – Ela não é perigosa!
O dragão saiu de perto da jovem, que respirou aliviada. Satsumi olhou para Sesshoumaru, sorrindo feliz por encontrá-lo.
- Sesshoumaru... – disse ela.
- Você é persistente, Satsumi! – disse Sesshoumaru sério.
- Isso é ruim? – perguntou ela ainda encostada na árvore.
- Não para mim – respondeu o youkai.
Ela olhou de novo o youkai dragão, que agora estava deitado próximo à margem da cachoeira.
- Parece que você arranjou uma companhia! – disse ela.
- É o que parece...
- Ele não me parece perigoso – disse Satsumi se aproximando do animal.
- É apenas um filhote – disse Sesshoumaru.
- Ele tem um nome? – perguntou passando a mão no focinho de uma das cabeças.
- Não sei! – respondeu Sesshoumaru – Ele ainda não se apresentou.
Satsumi olhou para Sesshoumaru fingindo uma cara feia.
- Isso não é jeito de responder a uma dama! – repreendeu ela.
Sesshoumaru se aproximou também do animal, passando a mão pelo youkai até encontrar a mão de Satsumi.
- Você demorou... – disse ele segurando a mão de Satsumi.
- Meu resfriado não foi tão pequeno quanto eu imaginei – explicou Satsumi sentindo-se como se ele a tocasse pela primeira vez.
- Espero que esteja bem o suficiente – disse Sesshoumaru olhando bem nos olhos da jovem.
- Suficiente para quê? – indagou Satsumi.
- Para me servir – disse ele levando a mão dela até o seu rosto – Não se esqueça que você me pertence, humana!
- Isso é inegável – disse ela sorrindo – Talvez não da maneira que você imagine, mas com certeza... eu pertenço a você.
- Pertence a mim de corpo...
- Coração e alma! – completou Satsumi.
- Só tenho interesse no que posso tocar – disse Sesshoumaru beijando a mão de Satsumi – Não posso arrancar seu coração do peito, e nem tirar sua alma de dentro de você, logo essas coisas não me têm serventia!
Satsumi abaixou a cabeça diante da resposta do youkai. Ele segurou seu queixo, obrigando-a a encará-lo.
- Isso não quer dizer que a falta que seu corpo me faz não seja atordoante – disse ele – Algo em você conseguiu me conquistar.
- Mas ainda assim – disse ela suspirando – Não posso ter de você o mesmo sentimento que te ofereço.
- Eu serei sincero – disse Sesshoumaru – Não se perca em sentimentos que eu não posso retribuir. Não venha atrás de mim esperando que eu queira mais do que apenas o prazer de possuí-la. Venha para saciar o desejo que também existe em você, só por isso!
- Infelizmente, já não é possível separar sentimentos e desejo no meu caso – disse Satsumi - Mas ainda assim, não vou fingir que posso dizer não ao que me oferece. Se você só pode me desejar fisicamente, eu aceitarei isso, mesmo que seja tão pouco comparado ao que realmente quero.
Ele levou seus lábios de encontro ao dela, sentindo ao encostar seu corpo ao dela, as batidas rápidas do coração humano e sensível. Beijou-a sem pressa, sentindo o sabor dos lábios dela em sua língua, sabendo que nenhuma das youkais que já beijara na vida tinham aquele gosto. Era como se o sentimento de que ela falava, o amor, pudesse ser transmitido através de um ato tão simples como um beijo.
"Nunca me vi tão atordoado" pensou "Talvez não seja tão impossível retribuir ao que ela deseja, embora sua humanidade me faça querer mantê-la próxima do corpo e longe do coração".
A mão dela passeou por dentro da roupa de Sesshoumaru, causando um desejo de possuí-la ali mesmo, ao lado do dragão inocente no qual ela agora estava encostada. Puxou seu kimono para cima, passando a mão pelas coxas dela, sem pressa de tocar seu sexo. Preferiu subir com as mãos e passar as unhas em suas costas, descendo depois até suas nádegas, com certeza deixando marcas leves de arranhão. Puxou-a com força contra si, sentindo os seios dela apertados contra seu peito, e em contrapartida, o sexo dele já bastante duro contra a perna dela.
- Vamos sair daqui – disse ele soltando-a – Vamos em meio às árvores. Vou deitá-la naquele chão coberto de flores e misturar o seu aroma com o delas.
Ele a puxou pela mão, levando-a até onde falara, mas primeiro encostando-a numa das árvores e beijando seu pescoço e o colo de seu peito com paixão.
- Tê-la acalma meu espírito selvagem – sussurrou ele – me faz querer sentir como você, humana, sente...
- Eu só me sinto viva, Sesshoumaru – disse Satsumi com os olhos fechados – E talvez seja seu espírito selvagem que me faça isso...
Soltou-a momentaneamente para olhá-la de cima a baixo e depois a puxou novamente contra seu corpo. Satsumi começou a abrir a parte de cima da blusa dele, mas sem tirá-la. Depois partiu para a calça, desfazendo o laço que a prendia, deixando que ela escorregasse pelas pernas de Sesshoumaru. Ele apenas olhava enquanto ela começava a desamarrar o laço do kimono, jogando-o no chão, e depois mantinha fechada a parte da frente, como se quisesse esconder sua nudez. Sesshoumaru tentou tirar o resto da roupa dela, mas ela afastou-se sorrindo maliciosamente. Ele então pegou os braços de Satsumi e a puxou com força fazendo uma cara séria.
- Ai, isso machucou – sussurrou ela.
- Não fuja de mim – disse Sesshoumaru arrancando o kimono da jovem e o jogando bem longe.
- Estou com frio! – reclamou Satsumi encostando-se ainda mais no youkai.
Ele a pegou no colo e a deitou no chão, depois tirou a parte de cima de sua própria roupa e jogou em cima dela.
- Vista isso! – disse ele de joelhos ao lado dela.
Ela se sentou e vestiu a roupa, fechando-a novamente na frente somente para deixar Sesshoumaru irritado. Ele abriu a blusa, e empurrou Satsumi, deitando-se em cima dela e segurando seus braços acima da cabeça.
- Eu mandei você vesti-la – disse Sesshoumaru desviando das tentativas de beijo dela – Mas não era para se cobrir toda novamente!
- Beije-me... – ela sussurrou.
- Você pretende dar ordens a este youkai? – disse ele – Ou está implorando?
- Beije-me... é uma ordem... – disse ela.
- Implore! – disse Sesshoumaru sério.
- Eu ordeno – disse encarando-o com os olhos cheios de desejo – Beije-me... agora...
- Implore! – repetiu ele.
Ela fez que não com cabeça, virando o rosto para o lado. Como se desistisse de beijá-lo.
- Não quero mais... – disse ela.
Ele ficou somente olhando, em silêncio, enquanto se segurava para não penetrá-la logo. Satsumi olhou para ele, imaginando se ele ficara irritado com sua recusa, então ele aproveitou e a beijou, surpreendendo a jovem. Ele usou suas pernas para separar as dela, e penetrou-a com força, mas somente ficando dentro dela, sem se mexer.
Ele parou de beijá-la, encarando-a com um brilho diferente nos olhos.
- Você tem noção do desejo que você me desperta, a ponto de me fazer deixar o desprezo por sua espécie de lado e querer misturar meu sangue ao seu? – perguntou Sesshoumaru.
Satsumi não respondeu nada, por não entender o significado da pergunta. Ele começou a penetrá-la de uma forma suave e sem pressa, sempre olhando em seus olhos, como se tentasse ler seus pensamentos em meio ao prazer que sentia. Satsumi o encarou enquanto pôde, fechando depois os olhos e deixando que seu corpo sentisse algo muito mais prazeroso que nas vezes anteriores.
Quando os gemidos dela ficaram mais freqüentes, indicando o orgasmo próximo, Sesshoumaru aumentou sua velocidade, passando ele a sentir o próprio prazer chegando. Conseguiu fazer com que o orgasmo dela e o seu fossem ao mesmo tempo, fechando os olhos ao notar que eles deviam ter ficado vermelhos, significando que dessa vez, sua natureza youkai, selvagem, havia se sobressaído e que se ela ainda não estivesse com um descendente dele em seu ventre, teria um em poucos dias. Caiu cansado e extasiado ao lado dela, respirando profundamente para conseguir controlar seu instinto, que insistia em tomar conta dele. Se isso acontecesse, sabia que teria de sair dali o mais rápido possível, evitando ficar em sua verdadeira forma próximo de Satsumi.
Em sua verdadeira forma, de um grande cão branco, Sesshoumaru não tinha controle sobre seu ódio por humanos, e poderia machucar Satsumi mesmo sem querer. Acalmou-se um pouco mais quando ela deitou a cabeça sobre seu peito, procurando por algo mais macio do que o chão para encostar-se.
Satsumi parecia estar acordando de um sono pesado, tão dormente que seu corpo estava. Conseguiu ouvir as batidas do coração dele desacelerando aos poucos, até ficarem bem mais lentas que as de um humano normal.
"Há um coração batendo aí" conversou em pensamento com o youkai "Por finge que ele não existe?".
Sesshoumaru olhou para o lado que levava à cachoeira e ficou observando concentrado.
- O que foi? – perguntou Satsumi já imaginando que pudesse ser alguém que os vira.
Ele apontou e Satsumi pôde ver o youkai dragão preso em meio à uns arbustos. A jovem não conseguiu conter um riso com a situação e levantou-se para tentar ajudar. Sesshoumaru aproveitou e também se levantou, vestindo-se apenas com a parte inferior de seu traje.
- Vamos sair daí! – disse Satsumi quebrando alguns galhos e soltando o animal.
Como retribuição ele deitou-se aos seus pés, enquanto ela lhe acariciava as costas. Ela olhou para Sesshoumaru que se mantinha em um silêncio e seriedade estranhos. O youkai dragão resolveu voltar para seu lugar ao lado da cachoeira, deixando os dois sozinhos de novo. Satsumi resolveu arrumar-se, e devolveu a parte de cima da roupa do youkai, que a vestiu ainda sem falar nada.
Quando terminou de se vestir, Satsumi parou em frente a Sesshoumaru, esperando que ele pelo menos a olhasse, o que não aconteceu.
- Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou.
Ele balançou a cabeça negativamente, deixando-a ainda mais confusa.
- Vamos embora! – ele finalmente falou, saindo na frente.
Satsumi começou a segui-lo, já imaginando que ele a dispensaria de vez. Quando chegaram na cachoeira, ele simplesmente sentou-se, sem dizer nada, sem pedir a ela que se sentasse também ou que fosse embora. Ele só olhava para as águas, pensativo e bastante sério. Ela ficou ali, parada em pé, apenas esperando algo que ele fosse falar, por um bom tempo. Terminou por se irritar e decidir ir embora. Simplesmente deu as costas ao youkai e começou a caminhar de volta para o vilarejo.
Sesshoumaru olhou surpreso a ida de Satsumi. Levantou-se e a chamou, sem obter resposta.
- Satsumi! – repetiu ele – Volte aqui!
- Eu não tenho que ficar olhando enquanto você se sente arrependido pelo que aconteceu – disse ela já bem à frente.
- Do que está falando? – perguntou ele.
Ela continuou a caminhar rápido, sem responder a pergunta. Logo ele parava à sua frente, impedindo sua passagem.
- Do que eu me arrependi? – perguntou Sesshoumaru sério.
- Do que aconteceu hoje! – respondeu Satsumi irritada – Dá para perceber de longe que você se arrependeu!
- Eu não tenho arrependimentos, Satsumi – disse ele.
- Então por que ficou calado, sem me olhar nos olhos? – disse ela – Se eu não tivesse saído de lá, você ainda estaria sem falar comigo!
Ela tentou passar por ele, mas com apenas um braço ele conseguiu barrá-la.
- Eu tenho que ir embora! – disse ela – Não faça com que eu me prejudique ainda mais por sua causa!
- Se eu a prejudico, pode ir! – disse ele saindo da frente.
Ela voltou a caminhar, mas parou um pouco depois e se virou.
- Eu não consigo acreditar que mesmo que eu volte aqui mil vezes, ainda assim você vai me tratar desse jeito depois! – disse ela – Por que você faz isso?
O silêncio dele fez mais uma vez o sangue de Satsumi ferver. Ela passou a correr, sem nem mais olhar para trás, e sentindo as primeiras lágrimas escorrerem pelo rosto. Só parou quando chegou próximo à cabana. Encostou-se nela e ficou chorando, até que ouviu os homens da guarda por perto.
- É melhor você vir comigo! – disse Sesshoumaru chegando pouco depois.
Ele a puxou pela mão para uma parte da mata bem fechada. Sesshoumaru ia na frente, abrindo caminho entre galhos e plantas mais baixas, enquanto Satsumi se protegia atrás dele.
Conseguiram chegar em uma colina, da qual era possível observar o vilarejo na parte baixa. Satsumi viu que sua casa estava toda escura, sinal de que Hattemaru não havia ido procurá-la antes da vigília.
- Por que você saiu daquele jeito, Satsumi?- perguntou Sesshoumaru.
- Por que você me tratou daquele jeito? – perguntou ela.
- Como eu a tratei? – disse ele.
- De um modo frio, como se eu não estivesse ali com você! – respondeu Satsumi – Ficou mudo, como se não desejasse falar comigo.
- E eu não desejava mesmo falar com você – disse ele sério.
Satsumi não acreditava na resposta dele. Sentou-se na grama e ficou apenas olhando para o vilarejo, pensando numa maneira de descer aquela colina e ir para casa.
- Satsumi... – disse Sesshoumaru.
- Você não precisa ficar comigo – interrompeu ela – E nem te a obrigação de falar comigo.
Numa situação normal, Sesshoumaru não aturaria o comportamento de alguém como Satsumi. Era acostumado a mandar, sem ser questionado em seus atos. E agora, aquela humana, que deveria tirá-lo facilmente do sério, obtinha de sua boca a resposta ao que queria ouvir.
- Eu não fiquei em silêncio por arrependimento – disse Sesshoumaru – Eu só senti algo estranho após o que fizemos. Algo dentro de você, que me deixou um pouco confuso.
- Algo dentro de mim? – disse ela sem olhá-lo – Como o quê?
- É esse o problema – disse ele – Eu não sei o que é!
- É ruim? – insistiu ela.
O youkai não respondeu. Ela virou seu rosto para ele, tentando olhá-lo nos olhos, mas mais uma vez ele desviara o olhar.
- É algo ruim? – repetiu ela – Pode me falar! Eu não sou uma criança que não é capaz de ouvir verdades sobre mim!
- Não é nada ruim, Satsumi! – respondeu Sesshoumaru – É só algo diferente de todas as outras pessoas.
- Isso me desmerece em alguma coisa? – perguntou a jovem.
Ele deu um meio sorriso com a pergunta.
- Do que você está rindo? – disse ela.
- Às vezes, sua auto-estima parece desaparecer – respondeu Sesshoumaru – Nada desmerece você, Satsumi. Se houvesse algo em você, que fosse desmerecedor, eu jamais teria me interessado. Eu sei reconhecer de longe o caráter das pessoas.
Satsumi voltou a olhar sua casa, certa de que o que ele falava era verdade.
- Tenho que voltar para casa – disse ela se levantando.
- Eu a levarei até lá embaixo – disse Sesshoumaru pegando-a no colo.
- Isso vai me deixar mal acostumada – disse Satsumi sorrindo.
Ele desceu a colina com ela no colo como se estivesse caminhando normalmente. Colocou-a no chão quando chegaram ao lado da plantação de arroz do vilarejo.
Ela o olhou já sabendo que ele simplesmente viraria as costas e iria embora. Ele ainda a encarou por alguns segundos, desta vez olhando diretamente em seus olhos, depois deu um passo para trás para poder ir.
- Espere! – ela disse se aproximando e dando um beijo apaixonado nele – Obrigada por me ajudar a não ser descoberta. E você nunca me prejudicou, eu só falei isso por estar com raiva.
Ele se afastou de costas, sem tirar seus olhos dos dela, depois se virou e tão fácil quanto desceu ele fez a subida de volta. Satsumi esperou que ele desaparecesse na escuridão da mata para poder ir para casa.
"Não me sinto triste por você não me amar, Sesshoumaru" pensou pelo caminho "Porém, a minha felicidade não pode ser completa sem isso! Vejo que não há nenhum futuro para nós!".
Sesshoumaru caminhava pensando no que sentira. Após tê-la em seus braços, mais exatamente quando ela deitou sua cabeça sobre seu peito, ele sentira uma dor dentro dela. Como um prenúncio de algo ruim que ainda estava por vir.
"Espero ter sido apenas uma sensação tola!" pensou "Não gostaria que algo acontecesse com Satsumi!".
Agradeço: Juliane.chan1; a Neve; a srta Kinomoto e a Aya pelas reviews! Obrigada pelos elogios. Abraços!
E quanto à Kagura Higurashi: Meus parabéns pelo seu aniversário. Infelizmente, não poderei fazer uma fic como me pediu por enquanto, quem sabe mais para frente. É que já tenho que me virar em mil para poder atualizar esta fic, que se dissesse a você que ia fazer outra, estaria prometendo algo que não poderia cumprir. Agradeço por gostar da fic, e espero que não me leve a mal, ok? Abraços!
