A volta do youkai de gelo!

Satsumi olhou para o céu límpido da manhã, bocejando e tentando manter-se acordada para poder ir até a cidade com Asuka e Hattemaru. Desde que acordara, teve que lidar com a curiosidade de Asuka, que ficou lhe perguntando quem era a pessoa por quem ela se apaixonara. Satsumi prometeu contar tudo quando voltassem, mantendo a mulher que cuidava de seu pai numa expectativa louca.

Quando saíram do vilarejo acomodados numa carruagem, Asuka não conseguia parar de jogar indiretas para a jovem com frases do tipo "O amor é sempre misterioso" ou "Eu sempre achei que a mata fosse muito interessante, mas não tanto", causando sorrisos envergonhados em Satsumi e um olhar desconfiado em Hattemaru.

A ida a cidade demoraria a metade do dia, já que Hattemaru tinha negócios do pai de Satsumi para resolver, dando as mulheres a chance de andarem bastante em busca de uma ótima costureira que tivesse trajes realmente fabulosos para vender.

Entraram numa casa, finamente decorada, e lá os olhos de Satsumi brilharam ao encontrar o mais lindo kimono que já vira em sua vida. E era vermelho, como ela mesma já havia dito preferir.

Experimentou o traje, que tinha lindos detalhes bordados em fios brilhantes, em formas de pequenas flores multicoloridas. Nem muito chamativo, nem simples demais.

- Perfeito! – disse ela com o traje no corpo – Como ele...

Sorriu ao notar que agora tudo em sua vida se baseava no sentimento que nutria pelo youkai. Asuka ficou maravilhada com a beleza da roupa, dizendo que nunca Satsumi havia parecido tanto uma princesa.

- Ainda temos que escolher o seu traje, Asuka! – disse Satsumi orgulhosa da escolha que fizera – Vamos procurar mais!

Depois de comprarem o que precisavam, as duas saíram andando pela cidade, apenas passeando, para depois se encontrar com Hattemaru e irem embora. Quando encontraram o chefe da guarda, viram que ele carregava um belo embrulho na mão, e Asuka não conseguiu evitar perguntar o que era.

- É esse o presente? – disse Asuka – Parece algo bastante caro!

- Saiba que não vou dizer o que é! – disse Hattemaru – Então, não pergunte!

- É uma jóia? – insistiu Asuka.

- Não posso dizer! – disse firme Hattemaru – Vocês saberão logo o que é! Só digo que é tão especial que só pode ser dado a alguém especial!

O olhar dele voltou-se, mesmo que rápido para Satsumi, que olhou para Asuka na tentativa de disfarçar o embaraço que acabara de sentir.

- Espero que essa pessoa realmente mereça tal presente! – disse Asuka – E que ela entenda o valor dele!

Satsumi abaixou a cabeça entendendo a indireta de Asuka.

"Espero que ele encontre alguém que faça por merecer isso!" pensou Satsumi "Eu não poderei aceitar um presente que ele diz ser tão especial. Não, tendo outro no meu coração!".

Voltaram para o vilarejo pouco depois do meio-dia. Satsumi correu e guardou seu traje em um pequeno baú, que continha saches de flores secas, que deixariam a roupa com um cheiro maravilhoso. Saiu do quarto disposta a passear pelo vilarejo, já que sabia que Hattemaru não a queria de volta à guarda tão cedo, com certeza com um certo temor de um novo ataque do youkai, do qual eles ainda não tinham encontrado nenhum rastro.

Mal começou a andar pelo local e notou Asuka correndo atrás de si com sua curiosidade.

- A srta vai comigo na casa de uma amiga! – disse Asuka puxando-a pelo braço – No caminho me contará quem é o seu amado!

Satsumi sorriu e contou tudo como havia prometido. Viu o queixo dela cair de surpresa ao contar o quão íntimos ela e Sesshoumaru eram.

- Satsumi-Hime! – disse ela com espanto – Então, a srta já não é mais...pura?

- Ai, Asuka! – disse Satsumi corando – Não faça essa cara! Faz até parecer que isso é tão horrível...

- Horrível não é! – disse Asuka – Só confesso que estou surpresa. Mas confesso também que eu sou a última a poder me escandalizar com isso. Já tive minha juventude, sabe? Fiz a mesma coisa que a srta, só que eu me casei com o sem vergonha!

Satsumi riu das palavras da mulher, que agora podia ser muito bem ser chamada de amiga. Sempre ria quando ela contava algo sobre o falecido marido.

- Mas espero que tenha mais sorte com o seu amado do que eu tive com aquele miserável! – concluiu Asuka – E quem é ele? É conhecido?

A resposta dessa pergunta ia deixar a amiga escandalizada, com certeza.

- Ele não é conhecido – respondeu a jovem com receio – É um youkai!

Asuka parou de andar e lançou um olhar ainda mais espantado para Satsumi.

- Agora eu estou sem palavras! – disse Asuka – Ou a srta enlouqueceu ou está querendo enlouquecer!

- Não exagere! – repreendeu Satsumi – Eu estou muito sã! E antes que imagine que ele é um ser selvagem, já lhe digo que não é! Ele tem aparência humana e age de forma normal, como eu e você!

- Menos mal! – riu Asuka despertando da surpresa – Espero que seja bem bonito também.

- Disso você pode ter certeza, Asuka – disse Satsumi sorrindo – É o homem mais lindo que eu já vi.

- A srta é uma moça de sorte, mesmo! – disse Asuka – Já não bastasse Hattemaru, que é o sonho da mulherada do vilarejo, ainda consegue achar outro ainda mais bonito? Vai ser sortuda assim lá longe!

- Você sempre consegue encaixar o Hattemaru na conversa, não é? – disse a jovem.

- É para a srta também não se perder nesse sonho louco e esquecer de sua realidade – disse Asuka – Embora seja uma linda história de amor, uma hora a srta vai ter que lembrar que muita coisa aqui nesse vilarejo depende das decisões tomadas por você!

Satsumi somente suspirou. O que Asuka falava era uma verdade inegável. Mas se tivesse que escolher entre casar-se para manter a família no comando do vilarejo ou abandonar tudo só para ficar com Sesshoumaru, escolheria o youkai com certeza.

Olhou para o lado da mata, imaginando se ele estaria por perto e o que ele estaria fazendo naquele momento. Foi novamente puxada por Asuka e voltou a caminhar.

- Vamos logo, Satsumi-Hime! – disse Asuka – Senão o filho de minha amiga nasce antes de chegarmos para ajudar!

- Você vai fazer o parto de uma amiga? – perguntou Satsumi – E não me disse antes? Eu não quero ver isso! Eu vou voltar para casa!

- Ai, deixa de frescura! – disse Asuka sorrindo – Você vai ver que é a coisa mais normal do mundo. Assim você já fica sabendo como vai ser com a srta no futuro!

- Kami... – disse Satsumi sendo arrastada para o espetáculo que ela não fazia a mínima questão de assistir - ... socorro!


Sesshoumaru passou o dia tentando ensinar algo útil ao youkai dragão que agora o seguia como se lhe pertencesse mesmo. Já fizera o animal correr bastante atrás de si, e até se arriscar a voar. Até sorriu com a primeira tentativa de vôo do pobre bicho, que foi direto ao chão. Arrancar um sorriso descontraído de Sesshoumaru era como encontrar um tesouro, difícil e gratificante.

Sesshoumaru deu ao filhote um tempo para poder descansar e comer, e resolveu andar para acalmar um pouco sua mente, que ultimamente só se ocupava de pensar em Satsumi. E isso incomodava o youkai de certa forma. Não era natural que isso acontecesse, nunca se sentira assim. Era algo novo, e até um pouco assustador para ele. Não ter controle dos próprios sentimentos era algo que ele jamais havia experimentado, e com certeza não o fazia com seu consentimento.

"Talvez eu deva me afastar!" pensou enquanto caminhava até o riacho "Não sou tão tolo a ponto de não perceber o quanto estou perto de amá-la. Por isso mesmo, acho que apenas a distância poderá evitar que eu me perca totalmente nesse sentimento!".

Olhou as águas cristalinas e por impulso as atravessou indo direto para a entrada do vilarejo.

"Seria uma grande punição para mim!" pensou subindo na árvore de sempre "Apaixonar-me pela humana com a qual eu mesmo decidi brincar! Feitiço contra feiticeiro? Seria mesmo irônico!".

Olhou em busca de Satsumi, sem encontrá-la, mas descobrindo que haveria algo importante em alguns dias, visto a movimentação, pessoas armazenando comidas e bebidas e juntando madeira o suficiente para se manter acesa uma fogueira por um bom tempo.

Observou mais um pouco, cansando-se da vista e indo embora. Voltaria a treinar o dragão, já que isso se tornara algo interessante, e fazia o tempo passar mais depressa.


Satsumi saiu de dentro da casa da amiga de Asuka branca como uma vela. Asuka saiu logo atrás, rindo bastante da expressão da jovem.

- Nunca mais me traga para ajudá-la nisso, Asuka! – disse Satsumi – Eu não acredito que eu ajudei aquela criança a sair de dentro da mãe dela.

- Viu como é fácil? – disse Asuka – Não é mágico?

- É angustiante, isso sim! – respondeu Satsumi – Agora, deixa eu ir passear em algum lugar maravilhoso de verdade. Eu vou até a cachoeira, se meu pai precisar de algo, mande me chamar. Mas não diga para Hattemaru onde eu vou, senão ele irá atrás de mim. Está bem?

- Satsumi-Hime – disse Asuka – Só posso aconselhá-la a tomar cuidado pelo caminho, já que suas decisões são sempre firmes.

- Obrigada! – disse a jovem se separando de Asuka.


Em pouco tempo estava próxima a cabana, já sabendo que Sesshoumaru não se encontraria ali. Passou direto para o caminho que levava a cachoeira, e pouco antes de chegar nela avistou o youkai dragão bloqueando a passagem.

- Espero que me reconheça – disse Satsumi passando a mão no filhote – Onde está seu dono, hein?

O dragão virou a cabeça mostrando o caminho para Satsumi, que andou o mais rápido possível para encontrar Sesshoumaru. Encontrou-o nas águas da cachoeira, se banhando, e sentiu o rosto pegar fogo de vergonha. Virou-se, esperando que ele não a descobrisse ali.

- Satsumi – disse Sesshoumaru sem precisar se virar para vê-la – Chegue mais perto!

- Eu não queria atrapalhar seu banho – disse ela ainda corada – Eu volto depois!

- Não seja boba! – disse ele virando-se – E pode olhar para mim. Acho estranho que vocês humanos se sintam tão incomodados com um simples banho.

- Eu não me sinto incomodada com isso – disse Satsumi finalmente olhando para o youkai – É que eu só acho que é um momento de privacidade...

- Eu seria bastante ingênuo se esperasse privacidade numa cachoeira, Satsumi! – disse ele – Venha aqui!

Ela se aproximou e agachou ao lado da margem, observando hipnotizada o modo como ele enchia as mãos com água e lavava o rosto.

"Ele é lindo!" pensou "Até mesmo se banhando ele consegue ser perfeito!".

- Entre! – ordenou ele.

- O quê? – disse surpresa Satsumi – Não, eu só vim aqui para passear, tenho que voltar logo!

- O que há de mais interessante a se fazer? – perguntou sedutoramente – Há algo melhor do que estar comigo nessas águas?

- Quanta confiança – disse Satsumi sorrindo – Cuidado, a resposta pode não lhe agradar!

- Você estaria mentindo se dissesse que há outra coisa melhor! – disse ele – Mas isso somente desagradaria a você mesma. Com certeza se arrependeria de não ter sucumbido ao seu desejo.

- Ainda assim, você não saberia – concluiu ela se levantando – Eu guardaria isso só para não te dar o gostinho de sentir-se vitorioso mais uma vez.

- Entre! – ordenou novamente, só que dessa vez bastante sério.

- Não posso! – respondeu já sem tanta firmeza.

- Eu não tocarei em você! – disse Sesshoumaru – Apenas quero que me faça companhia.

Satsumi sorriu imaginando se isso era possível. Estar ao lado dele e não querer que ele a tocasse, era algo inimaginável. Olhou para os lados a procura de algum espectador curioso que pudesse vê-la.

- Não há ninguém por perto – disse ele – Eu não sinto nenhuma presença além da sua e a do dragão. E ele com certeza fará barulho se alguém se aproximar.

Ela soltou o laço do kimono devagar, sem que ele tirasse os olhos de seus movimentos. Depois soltou os cabelos, que estavam presos em um coque displicente, para por fim tirar as duas peças do traje com a qual estava vestida. A de cima, um kimono azul escuro de um tecido fino, e o de baixo, de algodão todo branco e meio transparente. Jogou tudo para o lado e colocou o pé dentro da água, sentindo a temperatura baixa dela.

- Perdi a coragem – disse ela cruzando os braços – Está gelada!

- Você não veio até aqui para perder a coragem por causa da água fria – disse Sesshoumaru estendendo a mão – Venha...

Ela deu a mão ao youkai que a fez entrar de uma vez na água. Sentiu o corpo congelar ao se abaixar para se molhar por inteiro. Tremia, mas logo o frio passaria, deixando-a mais livre para aproveitar a cachoeira.

Sesshoumaru manteve-se distante dela, justamente para mostrar que falava sério quando disse que não ia tocá-la. Mas desejava que ela pedisse por isso, que ela mesma se aproximasse e exigisse dele que a beijasse e a possuísse ali, em meio ao barulho da queda d´água e à paz do local. Mas ela parecia bem mais disposta a ajudá-lo a manter a palavra do que se render ao desejo. Brincava na água como uma criança, indo de um lado ao outro sem parar. Aproximou-se da queda d´água e ficou encantada olhando para cima, como se estivesse vendo uma cachoeira pela primeira vez na vida.

Sesshoumaru ficou olhando para a jovem, sem conseguir desviar o olhar, desejando que ela pertencesse eternamente a ele.

- Haverá uma festa no vilarejo – disse ela se virando e pegando o youkai em flagrante – Será um dia muito especial...

- Pretende me convidar? – perguntou surpreso – Deseja levar um youkai a uma festa?

- Há algo que me proíba? – disse ela sorrindo.

- Eu agradeço, mas não tenho interesse nesse tipo de coisa – respondeu Sesshoumaru.

- Ainda assim – disse Satsumi – Eu o verei, não é?

- Quando?

- Em dois dias – disse Satsumi voltando a olhar para o alto da cachoeira – Eu queria muito vê-lo na noite da festa.

- Algum motivo especial para isso? – perguntou Sesshoumaru finalmente decidido a deixar sua palavra de lado e se aproximado da jovem.

- Sim – respondeu ela – Mas não vou te dizer o que é...

Foi surpreendida por ele, que passou a mão em sua nuca, retirando os cabelos molhados e beijando-a com paixão.

- Você disse que não ia tocar em mim...

- Eu descobri que sou um mentiroso nato – disse ele virando-a de frente e passando a beijar sua boca, enquanto uma mão enroscava-se nos cabelos dela. Ele parou de beijá-la e a encarou, esperando pela expressão de sua vontade.

- Eu quero você, Sesshoumaru... – sussurrou Satsumi - ...agora...

- Eu aceitarei sua ordem... – disse ele puxando-a para si.

Encostaram na pedra que estava mais perto deles, beijando-se e mais uma vez tornando-se um só corpo, enquanto sentiam o calor do momento sendo refrescado pela garoa que se formava próximo da queda d´água. Seguraram o prazer o máximo que puderam, conseguindo mais uma vez sentirem juntos o orgasmo, tendo o momento ainda mais realçado com a confissão inesperada de Sesshoumaru.

- Nada nesse mundo irá tirá-la de mim... – sussurrou ao ouvido de Satsumi.

Ela sorriu ao ouvir as palavras do youkai, retribuindo a ele com a mesma sinceridade.

- Eu amo você... – disse ela selando suas palavras com um longo beijo.

Quando se soltaram do abraço, Satsumi foi para o mais longe possível dele, sorrindo e dizendo que aquilo era para não cair de novo nos braços de Sesshoumaru.

Ele se colocou bem embaixo da queda, deixando a água que caía com moderada força bater em seus ombros, chegando a massagear o local.

- Como eu posso amá-lo se nem ao menos sei nada sobre você? – disse ela – Isso parece até loucura...

- O que precisa saber de mim? – disse ele – Apesar de já me conhecer intimamente, ainda há algo que queira saber?

- Sesshoumaru, Senhor das Terras do Oeste – disse ela – Você pertence a uma família de youkais bastante nobre, não é?

- Se você não contar um meio-irmão como família, eu posso lhe dizer que todos são bastante nobres – respondeu ele mais sério.

- Meio-irmão? – disse Satsumi curiosa – Por parte de quem?

- Por parte de pai...

- Você não parece aceitar isso – disse Satsumi vendo que o assunto o aborrecia – Eu não perguntarei mais sobre ele...

- Não, realmente eu não aceito aquele... – Sesshoumaru parou ao notar que ia falar "hanyou" - ...ilegítimo como família. Mas não me importo de ter que falar sobre ele. Só não espere que eu fale bem.

Ainda assim Satsumi preferiu não tocar mais no assunto.

- E você? – perguntou Sesshoumaru após um pequeno silêncio – Tem irmãos de quem você não gosta, ou coisa assim?

- Não, sou filha única – respondeu – Minha mãe já é falecida e meu pai está muito doente. Temo que em pouco tempo minha família será apenas eu...

- Será? – disse Sesshoumaru deixando a jovem confusa.

Ele olhou para o céu, observando a posição do sol. Já era tarde, e logo começaria a escurecer. Ficou em dúvida entre deixar a jovem ir embora ou pedir que ela ficasse até anoitecer.

- O que você quer fazer agora? – perguntou ele.

- Eu preciso ir para casa – respondeu Satsumi – Embora minha vontade seja de ficar ao seu lado.

Ele concordou com a cabeça e começou a sair da água. Ela o seguiu, e esperaram que o corpo secasse antes de se vestirem. Ela viu a bainha com a Tenseiga encostada em uma pedra e resolveu olhá-la.

- É uma bela espada – elogiou tirando-a da bainha – Mas não me parece uma espada comum...

Sesshoumaru começou a se vestir, olhando a forma como Satsumi passava a mão pela lâmina, como se desejasse sentir o fio dela.

- Ai... – reclamou Satsumi.

Sesshoumaru olhou surpreso o pequeno corte no dedo da jovem. Foi até perto dela e segurou sua mão, olhando o ferimento.

- Um corte... – disse sem acreditar - ... feito com a Tenseiga?

Satsumi estranhou o espanto dele com o ferimento.

- Era de se supor que eu acabaria me cortando – disse ela – Eu passei o dedo direto na lâmina.

- Mas... essa espada não serve para ferir...

- Como não? – disse Satsumi sem entender – É uma espada, ferir é a única utilidade dela.

- Não a Tenseiga – disse Sesshoumaru – Veja seu dedo!

Satsumi olhou espantada o corte se fechar aos poucos, sem deixar nenhuma marca em seu dedo. Limpou o pouco sangue que tinha escorrido em busca de uma cicatriz ou algo mais, mas não havia nada. Olhou para a espada com admiração e depois a entregou a Sesshoumaru.

- A Tenseiga não pode matar – explicou ele – Meu pai a fez para um propósito bem diferente, salvar vidas...

Satsumi ouvia incrédula as palavras do youkai.

- Isso é fascinante – disse Satsumi – É uma espada de valor inestimável!

- Não tem serventia a um youkai como eu – disse Sesshoumaru guardando-a de volta na bainha – Eu só queria ter a outra espada dele, que tem um poder sem igual. Mas ele preferiu me deixar esta!

- E o que aconteceu com a outra?

Sesshoumaru deu um meio sorriso de irritação.

- Está escondida – respondeu ele – Em algum lugar que eu não consigo descobrir!

- Talvez você tenha que aprender a usar essa primeiro – disse Satsumi terminando de se vestir – Para poder ser merecedor da outra...

- Se fosse assim ela não teria sido escondida para ser entregue somente àquele hanyou imprestável – disse Sesshoumaru num tom de voz frio.

Satsumi entendeu ser o meio-irmão dele o hanyou imprestável.

- Hanyou? – repetiu ela – Filho do seu pai com uma humana?

Sesshoumaru olhou para ela sério. Sabia que ela tinha entendido de onde vinha o ódio maior dele pelos humanos. Sabia também que ela imaginara o que ele sentiria se ela engravidasse de um "hanyou imprestável" como ele mesmo dissera.

- Eu tenho que ir... – disse Satsumi - ... eu gostaria de vê-lo na noite da festa no vilarejo.

Ela começou a caminhar, sob o olhar de Sesshoumaru, que também se imaginava tendo um filho hanyou, se sentiria amor por ele ou se teria por ele o mesmo sentimento que tinha por Inuyasha. Mesmo que fosse também seu sangue, ainda assim não seria um youkai puro como ele esperava que seus filhos fossem. Sujaria mais uma vez a linhagem nobre da família da qual ele era o único descendente legitimo.

- Você irá? – perguntou Satsumi já perto do youkai dragão.

Sesshoumaru ainda teve tempo de pensar em sua resposta.

- Não! – respondeu ele seco – Eu não irei!

Satsumi sentiu-se triste, mas resolveu tentar algo mais.

- Ainda assim... – disse ela - ... eu irei até a cabana, pouco antes da meia noite pa..

- Não vá! – disse olhando seriamente para ela – Eu não estarei lá!

Satsumi deu um sorriso, sem graça com a estranha mudança dele. Era, com certeza, o mesmo youkai que encontrara na cabana, naquela noite de chuva. Frio, insensível e com desprezo por ela, pelos humanos em geral.

- Entendi... – disse para o youkai - ... eu tenho que ir... adeus...

Saiu caminhando rápido e sem olhar para trás. Sabia que dessa vez ele não viria atrás dela e barraria seu caminho. Se havia algum encanto que prendesse a atenção dele à ela, esse encanto com certeza acabara de ser quebrado. Ele finalmente se lembrara que ela era apenas uma humana, e nada mais. Controlou-se para não sair correndo, e também para não chorar. Isso também provava que era impossível o amor entre eles. Como algo poderia ter um futuro bom, se quando acabava o calor do sexo, ela tinha que ficar esperando com ansiedade o modo que ele a trataria, se seria frio, ou se seria carinhoso?

Atravessou o riacho sem se importar se estava molhando sua roupa ou não. Chegou no vilarejo e foi direto para sua casa, seu quarto, seu futon, seu refúgio. Chorou todas as lágrimas que tinha segurado pelo caminho, aceitando a certeza do fim de sua história com Sesshoumaru.

Sesshoumaru ficou apenas olhando, enquanto a única pessoa com quem realmente se importava na vida ia embora, certa de que aquilo era um adeus definitivo da parte dele. E não era? Após a recusa em encontrá-la na festa que ela mesma disse ser muito especial, quem em sã consciência não veria isso como um adeus?

"O que está acontecendo comigo?" criticou-se em pensamento "Ajo de forma totalmente contrária ao que realmente desejo! Esse não sou eu! Eu não sou um youkai que tem dúvidas sobre as próprias decisões! Então, por que eu a afasto se é exatamente o contrário que quero?".

Balançou negativamente a cabeça, contestando os pensamentos, sem conseguir se definir em relação as suas vontades.

- Agora é tarde! – disse para si mesmo – Eu já mostrei a ela minha decisão. Não vou voltar atrás como se não tivesse a capacidade de ser firme no que decido!

Guardou a Tenseiga na cintura, olhando para o lenço de Satsumi que ainda estava amarrado na bainha, e o qual ela nem percebera. Desamarrou-o e jogou nas águas, dando um adeus definitivo a tudo que lembrasse dela.

Ai ai! Como o Sesshoumaru pode ser tão quente e frio ao mesmo tempo? No próximo capítulo haverá a tão aguardada festa, com uma surpresa não tão feliz para Satsumi.

Agradeço as reviews de todas as apaixonadas pelo Sesshoumaru, e espero que mandem mais, isso me deixa tão feliz! Beijos!