O fim de toda tristeza para quem se ama!

O Sol já começava a aparecer no horizonte quando Sesshoumaru pôs seus pés novamente nas terras da qual ele era o senhor absoluto. Embora há mais de um mês atrás pensasse que não voltaria ali tão cedo, agora se via novamente naquele lugar, que com certeza lhe trazia lembranças e que lhe guardava várias surpresas pela frente.

Sua busca pela espada poderosa do pai, ao contrário do que ele imaginava, não o afastou dali, e sim, fez com que ele voltasse, e só por esse motivo estava lá de novo.

Em uma conversa com Bokkuseno, que até então dizia não saber do paradeiro da espada, ouviu da boca do youkai a informação de que, em um sonho, Inutaisho lhe havia mandado uma mensagem.

"Inutaisho mandou que você encontrasse o tesouro que lhe faltava em suas terras!" disse o youkai.

Sesshoumaru logo imaginou que o pai escondera a Tessaiga em algum canto ao oeste, e assim fizera meia volta em busca dela.

Parou no topo de um monte, do qual se enxergava grande parte do lugar, e respirou o ar sentindo o aroma de algumas flores que só cresciam naquela parte. Desviou o olhar para o céu, quando notou estar olhando para onde se encontrava o vilarejo de Satsumi.

"Satsumi... como será que você está?" pensou olhando o céu límpido.

Olhou para trás, confirmando se o youkai dragão já o havia alcançado, e depois voltou a caminhar, esperando chegar na área da cachoeira para que o filhote pudesse beber um pouco de água.

"Não passarei dessa área" decidiu-se "Não posso enfrentar tal situação. Não se ainda pretendo ir embora daqui de novo!".


Hattemaru olhou para trás e viu que Satsumi havia parado novamente.

- Ainda está se sentindo mal? – perguntou ele mandando ao resto dos guardas que continuassem o treino.

- Eu ainda estou um pouco tonta – disse Satsumi colocando a mão na cabeça – Parece que eu vou desmaiar toda vez que faço um movimento mais rápido.

- Vá para casa – disse o amigo – Espere até melhorar, depois você volta!

Satsumi concordou e saiu, deixando o grupo que treinava ao lado do riacho, e foi para sua casa. Há mais de uma semana sentia a mesma coisa todos os dias. Enjôos e tonturas. Sabia bem do que se tratava, mas não poderia contar a ninguém ainda. Apenas Asuka sabia que ela esperava um filho de Sesshoumaru, e jurou manter segredo disso até o dia em Satsumi resolvesse contar para os outros.

Entrou na sala de casa e encontrou com Asuka, que carregava nas mãos um lenço cheio de sangue.

- Ele está piorando! – disse ela para Satsumi – Não sei se agüentará muito tempo ainda...

Satsumi foi até o quarto, onde o pai, pálido e fraco, estava sofrendo com sua doença. A última vez que o vira sem dor fora no dia da festa do vilarejo, aquele mesmo fatídico dia. Depois disso ele piorara de tal forma, que ou estava dormindo, ou estava se contorcendo de dor, como agora.

A jovem molhou um pano em uma tigela com água ao lado do futon e passou na testa do pai, que ardia em febre. Não havia mais nada a se fazer, segundo o doutor que agora fazia visitas semanais ao pai de Satsumi.

"Ele só irá piorar!" lembrou-se das palavras do doutor "Não há mais como salvá-lo. Temos que orar para que ele não sofra muito até que se seu dia chegue!".

Satsumi se lembra que nesse dia, ela descumpriu uma promessa que fizera a si mesma, e voltara na cabana, onde antes se encontrava com Sesshoumaru, somente para poder chorar tudo o que conseguisse, e depois agüentar sua dor sem derrubar mais nenhuma lágrima.

Sorriu ao olhar para o pai, decidida a contar-lhe sobre a criança que esperava, para que ele soubesse que poderia partir sossegado.

- O senhor disse que não deixaria esse mundo enquanto não tivesse um neto – sussurrou ela ao pai – Pois saiba que eu espero um filho, e agora o senhor já pode deixar esse mundo e se encontrar com a mamãe...

Deu um beijo na testa do pai, que forçou os olhos, abrindo-os por alguns segundos e olhando para ela como se agradecesse a boa noticia. Depois ele voltou a sofrer com a dor que atingia seu peito.

Ela saiu dali quando Asuka voltou trazendo um lenço limpo para o senhor. Foi para o quarto e se deitou, incomodada com o enjôo que começara. Passou a mão por cima da roupa, acariciando a barriga, como se o pequeno ser ali dentro já pudesse sentir tal carinho.

- Você terá o nome de meu pai se for menino, e o de minha mãe, se for uma menina! – disse para seu filho.


Sesshoumaru correu em busca do youkai dragão que fazia um barulho alto, certamente de dor. Encontrou-o dentro de um buraco no chão, bem profundo, sem conseguir sair.

- Armadilha para youkais – disse Sesshoumaru – Espero que você não tenha se machucado!

Pulou dentro do buraco e viu se havia algum machucado no animal, que tivera bastante sorte, pois estava ileso. Saltou de novo para fora, e comunicou sua decisão ao youkai.

- Infelizmente terei que usar meu chicote para erguê-lo daí – disse Sesshoumaru – Isso o machucará um pouco!

Lançou o chicote e o passou ao redor dos pescoços do dragão, puxando-o com força e o tirando de lá em poucos minutos.

- Ou você aprende a voar logo, ou aprende a distinguir melhor o local onde vai pisar – disse para o youkai que soltou um rugido agradecido.

Só então Sesshoumaru parou para ver onde estava. A sua frente, apenas há alguns passos de distância, estava a cabana, onde ele e Satsumi se encontravam. Seus olhos ficaram fixos no casebre, enquanto em sua mente formava a imagem da humana deixando a faixa simbolizando seu coração lá dentro. Aquela faixa que ele agora guardava em sua roupa, próxima ao seu próprio coração.

Era a primeira vez que passava da área da cachoeira depois de voltar para o oeste há seis dias. Sentia vontade de procurá-la, ainda mais sabendo que ela estava grávida, mas segurava-se, para que não a machucasse de novo. Para que não causasse nela um sofrimento ainda maior. Deu as costas para a cabana e voltou para seu refugio, além da cachoeira, onde passara todas as noites desde sua volta.


Satsumi acordou com um grito do pai, que a chamava desesperadamente. Levantou-se tremendo e caminhou pelo corredor escuro até chegar no quarto dele. Ao lado do futon, havia um tecido coberto de sangue, e seu pai parecia sofrer bastante.

- Pai, o que foi? – perguntou ela desesperada se ajoelhando ao lado dele.

Asuka estava do outro lado, segurando um pano, também todo sujo de sangue, e a olhava como se pedisse que ela se preparasse para o pior.

O pai segurou a mão de Satsumi, conseguindo forças para apertá-la e trazê-la ao peito.

- Satsumi... eu sei que é minha hora – disse o pai com dificuldade - ... só há uma coisa... que quero pedir a você...

- Pai, não diga isso – disse Satsumi chorando – Não é sua hora ainda...

- Prometa – continuou o senhor – prometa que se casará com Hattemaru. É a única coisa que lhe peço antes de partir...

Satsumi olhou para Asuka sem saber o que dizer.

- Prometa... – repetiu o pai chamando a atenção da filha de novo para si.

Satsumi fez que sim com a cabeça, prometendo ao pai algo que ela sabia não ser capaz de cumprir.

- Eu quero que você saia do quarto, minha filha – disse ele – Não quero que volte aqui dentro... até que eu tenha partido...

- Pai...

- Vá... – disse o homem, voltando a gritar de dor.

Satsumi se levantou, dando um último beijo no pai, e dizendo que o amaria para sempre. Saiu o quarto e deu de cara com Hattemaru, que como amigo fiel lhe ofereceu um abraço consolador, que Satsumi jamais poderia recusar.

- Vamos ficar em outro lugar – disse ele – Você o ouviu, ele não quer que você esteja aqui...

Hattemaru a levou até a casa de uma das moradoras do vilarejo, e ficou com ela até o amanhecer, quando o doutor chegou, após ter sido buscado por um dos guardas. O doutor olhou para Satsumi, sem nem mesmo precisar dar a notícia para que ela entendesse que seu pai havia deixado aquele mundo. Ela chorou, abraçada à Hattemaru, que também se comovia pela partida daquele que sempre o tratara como um filho.

O enterro do pai de Satsumi, aquele que fundara o vilarejo um ano antes do nascimento da filha, aconteceu no final daquele mesmo dia. Todas as honras possíveis foram prestadas a ele, assim como Satsumi esperava.

Logo depois, já de noite, Satsumi pôde enfim se deitar, e se não conseguiria dormir, pelo menos poderia pensar no que ia fazer em relação a promessa feita ao pai.

"Como vou me casar com Hattemaru?" pensou triste "Sem amá-lo e ainda por cima esperando um filho de um youkai!".

Não tinha a menor idéia de como resolver aquele problema, mas sabia que teria de contar ao amigo o pedido do pai e confessar a ele sua situação.

- Apenas mais uns dias! – prometeu a si mesma – Esperarei mais uns dias e contarei que estou esperando um filho!

Satsumi imaginava que sofreria muito se o pai morresse, mas pelo contrário, sentia saudades, mas também se sentia aliviada por ele não estar mais sofrendo. Isso fez com que suas lágrimas secassem após dois dias da ida do pai. Agora, uma semana depois, já se permitia sorrir novamente, até mesmo porque sabia que não estaria sozinha no futuro, teria um filho que lhe faria companhia, e nada poderia tirar essa alegria dela.

Caminhou até o túmulo do pai, como fazia todos os dias, para deixar flores junto à lápide. Depois andaria pelos arredores do vilarejo, aproveitando o calor da manhã.

Havia pedido para deixar definitivamente a guarda, já que agora deveria se cuidar um pouco mais, mas usara a desculpa de que deveria se preparar para seu futuro, o que Hattemaru aceitou rapidamente, visto que ele imaginava que ela falava que resolvera se casar. Ele havia confessado a Satsumi que ouvira o último pedido do pai dela, e que sabia que ela havia prometido ao pai que se casaria com ele. Mas disse também que esperaria pela decisão da jovem, sem forçar uma resposta rápida. Isso deu a ela alguns dias extras para se encher de coragem e contar tudo para o amigo.

Satsumi caminhou próximo à cabana, e viu surpresa, alguns buracos cavados no chão. Sabia que eram armadilhas e sabia que não havia sido feita pelos moradores do vilarejo, já que eles não tinham interesse em capturar nada. Andou um pouco mais, chegando próximo da cachoeira, e viu que havia mais buracos, alguns já devidamente disfarçados com folhas por cima. Começou a andar com mais cautela, pois quase caíra em um deles.

- Quem está fazendo isso? – perguntou-se – Forasteiros, com certeza!

Ouviu um barulho e olhou para o lado. Sua surpresa com o que viu foi ainda maior do que descobrir invasores naquelas terras, até porque já conhecia o que estava vendo.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou sorrindo – Espero que não tenha sido deixado para trás...

Ela caminhou devagar até o dragão de duas cabeças, esperando que ele demonstrasse de alguma forma que a reconhecera. Ele deu um rugido baixo, e se abaixou claramente mostrando que não ia atacá-la. Satsumi passou a mão no animal, que pareceu bem feliz com o carinho.

- O seu dono está por perto? – perguntou com receio da resposta.

O dragão virou as cabeças para a área da cachoeira, e Satsumi entendeu o recado.

- Eu irei embora, antes de encontrá-lo – disse para o dragão – Não desejo vê-lo, nunca mais...

Deixou o youkai dragão, e começou a fazer o caminho de volta, sentindo uma tristeza por saber que ele estava de volta, e que nem se preocupara em saber dela.

"Minha tristeza não pode voltar" pensou "Não vou me deixar abalar pela presença dele aqui!".

Deu mais alguns passos quando ouviu alguém rindo um pouco à frente, mas escondido atrás de algumas árvores.

- Olha o que encontramos! – disse o homem que estava rindo – Se não é uma coisinha linda!

Satsumi parou, apenas observando o rapaz, que era magro e baixo, logo se ele a atacasse, ela poderia pelo menos se livrar dele facilmente e fugir, embora soubesse que não deveria lutar.

"Por que eu não carrego minha espada comigo mais?" criticou-se em pensamento.

Depois um outro homem, esse alto e bem forte, apareceu bem ao lado de Satsumi, também rindo.

- Ela é linda mesmo! – disse o segundo homem.

- O que vocês estão querendo nessas terras? – perguntou firme Satsumi – Não os conheço do vilarejo.

- É, nós não somos de lá – respondeu o primeiro homem – Nós só estamos aqui caçando youkais.

- Então foram vocês que fizeram essas armadilhas? – continuou Satsumi.

- Exato, mocinha! – respondeu o primeiro rindo de novo – Nós os capturamos, depois os matamos e vendemos seus ossos.

- Vocês não podem fazer isso por aqui – disse Satsumi – Essas terras tem um dono, e ele não gostaria de saber que andam caçando youkais...

- Bem – disse o segundo homem se aproximando mais de Satsumi – A gente precisa de dinheiro, para comer, sabe? Se a gente arranjasse alguma outra coisa, que nos desse bastante dinheiro, com certeza deixaríamos os youkais de lado. Mas teria que ser algo bem valioso, entende?

Satsumi notou o olhar do homem fixo no colar que ganhara de Hattemaru.

- Então por que não começam a procurar um trabalho? – disse ela.

- Eu acharia melhor esse lindo colar que está no seu pescoço! – disse o segundo homem.

O primeiro homem se aproximou, querendo ver o colar do qual o amigo estava falando.

- Esse colar deve render um bom dinheiro! – disse o primeiro tentando tocar o colar e sendo barrado pela mão de Satsumi.

- Se você encostar essa mão nojenta em mim, eu a arrancarei! – disse Satsumi num ímpeto de raiva.

- Eu queria ver você tentar, srta! – disse o primeiro homem – Você é bastante corajosa para uma simples mulher...

A resposta à segunda tentativa dele de encostar no colar foi um soco, muito bem dado por Satsumi, que conseguiu fazer o homem cair sentado. O amigo dele resolveu atacar Satsumi, dando um empurrão nela.

- Sua vadia sem vergonha! – disse o segundo homem – Nós vamos acabar com você!

O primeiro homem levantou e deu um tapa no rosto de Satsumi, enquanto o outro a segurava covardemente.

O youkai dragão viu o que estava acontecendo, e veio em socorro de Satsumi, mas caiu em uma das armadilhas, para sorte e alegria dos homens.

- Parece que o dia hoje vai ser muito bom! – disse o segundo homem.

- Temos um youkai, um colar valioso e uma bela jovem para nos divertir! – disse o primeiro homem rindo ainda mais alto.

- Vamos jogá-la em outro buraco – sugeriu o que segurava Satsumi – Assim poderemos ir buscar as armas para matar e despedaçar o youkai, e ela não fugirá.

- Isso! – concordou o primeiro – Depois faremos o que quisermos com ela. Só que ela não pode estar acordada para ficar gritando por ajuda...

- Entendi! – disse o segundo homem soltando Satsumi – Espero que sonhe comigo!

O homem pegou uma pequena marreta de dentro do bolso e bateu na cabeça de Satsumi, fazendo-a cair desmaiada. Depois a jogaram dentro do buraco ao lado da onde estava o youkai dragão.

- E você fique quieto! – disse o primeiro homem para o youkai que rugia.

Os dois saíram para buscar suas coisas que tinham deixado em outro lugar no qual estavam cavando mais buracos. O youkai dragão começou a rugir ainda mais alto, esperando que Sesshoumaru pudesse ouvi-lo.


Sesshoumaru estava parado próximo à uma caverna, a qual tinha acabado de vasculhar a procura de algo que se parecesse um esconderijo para uma espada. Mais uma vez sua busca por aquelas terras tinha sido em vão. Preferia não pensar que aquilo tinha sido apenas uma bobagem falada por Bokkuseno, até para evitar voltar lá e acabar com o youkai por quem sentia alguma simpatia.

Deixou os pensamentos de lado quando ouviu, bem distante, o ruído do youkai dragão.

"Não pode ser o que eu imagino" pensou irritado "Ele não pode ter caído em outra armadilha!".

Saiu caminhando sem pressa, deixando com que o animal se virasse enquanto ele não chegava. Queria ver se ele não conseguiria sair sozinho se realmente tivesse caído na armadilha.

Olhou, do alto da cachoeira para localizar o lugar de onde vinha o barulho do animal. Mas algo mais forte chamou sua atenção. Uma presença, bastante conhecida.

- Satsumi! – disse surpreso – Não pode ser...

Desceu da cachoeira e caminhou até encontrar o buraco onde se encontrava o youkai. Sentiu então a presença da jovem, para seu espanto, no buraco ao lado. Correu até ele e a viu, desmaiada.

- Maldição... – xingou pulando dentro do buraco - ...o que aconteceu?

Segurou-a nos braços, verificando um ferimento em sua cabeça, mas aliviado de sentir que ela estava bem, que "eles" estavam bem. Pegou Satsumi no colo e quando pensou sem sair do buraco ouviu homens conversando e se aproximando. Deitou a jovem novamente no chão, ouvindo com ódio as palavras deles.

- Nós a levaremos conosco – disse um dos homens – Primeiro matamos o dragão, depois vamos embora levando a jovem. Assim poderemos brincar com ela sempre que quisermos!

Os dois homens caíram na gargalhada com a idéia de transformar Satsumi em diversão. Mas seguraram a risada quando viram Sesshoumaru os olhando de dentro do buraco.

- Parece que conseguimos outro youkai! – disse o segundo homem segurando uma faca – Como estamos com sorte hoje!

Um sorriso diabólico se formou nos lábios de Sesshoumaru.

- Vocês estão mesmo com muita sorte! – disse ele – Eu estou num mau humor terrível...

Sesshoumaru deu um salto de dentro do buraco, parando bem na frente dos dois homens que deram passos para trás com o susto. O segundo homem tentou acertar Sesshoumaru com a faca, mas teve seu braço arrancado com fúria pelas garras do youkai, e caiu gritando de dor no chão. Sesshoumaru olhou então para o outro homem, que segurava uma foice, e também tentou acertá-lo, sem sucesso. Sesshoumaru apenas agarrou seu pescoço e o levou até que visse Satsumi no buraco.

- Está vendo aquela mulher? – perguntou ele – Vocês cometeram o maior erro de suas vidas ao mexer com aquela que carrega meu filho no ventre!

Apertou o pescoço do homem até ouvir o barulho de ossos sendo esmagados, mas não o matou de vez, soltou-o para que morresse asfixiado, um modo lento e sofrido. Olhou para o outro, que certamente morreria pela perda de sangue, mas não se conteve e deixou as marcas de sua garra também no rosto dele.

Satisfeito com o fim que dera aos homens, Sesshoumaru tratou de retirar Satsumi da armadilha. Pegou-a no colo e saiu do buraco num salto, levando-a até a área da cachoeira, onde a deitou no chão. E partiu para salvar o youkai dragão, que para sua surpresa já estava quase saindo sozinho, forçando-se a voar. Ajudou a filhote e depois voltou para ver Satsumi.

O ferimento na cabeça dela sangrava um pouco, então Sesshoumaru pegou um pouco de água para limpar a parte do machucado, causando um gemido de dor nela.

- Parece que a morte te segue, não é Satsumi? – sussurrou ele – E toda vez ela te encontra aqui, nesse mesmo lugar. E mais uma vez eu estou ao seu lado para impedir que seja seu fim...

A jovem se mexeu um pouco, fazendo com que Sesshoumaru a colocasse encostada em seu corpo.

- Eu tinha prometido nunca mais vê-la – disse Sesshoumaru passando a mão no rosto dela – Nunca mais fazê-la sofrer. E agora, ao seu lado, receio não conseguir evitar que isso aconteça de novo...

Desceu sua mão até encontrar a barriga de Satsumi, pousando-a com carinho em cima do lugar onde a criança a quem ele dera as costas estava se formando, em segurança, longe da frieza daquele que o havia gerado.

- Espero que seu futuro seja melhor do que o meu... – disse para o filho - ... eu tenho consciência da dor que sentirei no futuro, ao renegar aquilo que tenho vontade de aceitar com amor.

Deitou Satsumi novamente no chão e se levantou, deixando-a sozinha, enquanto se distanciava, a procura de algum lugar para ficar escondido, zelando pela jovem até que ela acordasse.


Satsumi abriu os olhos, sentindo a cabeça doer pelo ferimento. Sentou-se e olhou para os lados, a procura do youkai dragão.

"Espero que não o tenham matado!" pensou tentando se levantar com dificuldade.

Caminhou lentamente até o buraco onde ele havia caído, encontrando os dois homens que a atacaram mortos e nenhum sinal do youkai.

- Não pode ter sido ele que fez esse estrago todo! – disse pensando na possibilidade do filhote ter conseguido matar os homens – Será que...

Olhou para trás, e voltou correndo para a cachoeira, olhando para os lados em busca daquele que a quem não deveria procurar nunca mais.

- Sesshoumaru... – disse baixo - ... foi você quem me salvou?

O youkai observava de longe, impedido pelo próprio orgulho de responder a questão de Satsumi.

- Apareça! – disse ela, dessa vez bem alto – Eu preciso saber se foi você!

O único barulho ouvido era o do vento batendo contra as pedras da cachoeira.

- Eu preciso vê-lo...

Sesshoumaru resolveu que aquilo era o suficiente. Ninguém merecia sofrer daquela maneira, nem ela, nem ele. Caminhou até aparecer no campo de visão de Satsumi, que o encarou sem conseguir dizer uma palavra sequer.

- Eu a salvei, Satsumi – disse ele sério – Não seria decente de minha parte não salvar você e essa criança que você está esperando.

Um meio sorriso se formou no rosto de Satsumi.

- Essa criança é sua... – disse ela.

- Eu sei! – respondeu Sesshoumaru – E eu não me importo com ela!

Embora as palavras fossem duras, Satsumi não se surpreendeu. Já esperava mesmo tal indiferença da parte dele.

- Eu não voltei para cá com a intenção de cuidar desse hanyou – concluiu Sesshoumaru.

- Eu sei! – respondeu ela – Eu só lhe disse que esse filho é seu porque eu não acho correto esconder isso. Mas não espero nada de sua parte. Eu só quero agradecê-lo por salvar a minha vida...e a "dessa" criança também.

Satsumi se virou, pronta para voltar para o vilarejo, aliviada por não ter mostrado a ele o quanto ainda o amava. Seria muito mais fácil do que imaginava deixá-lo para trás em sua vida, isso se ele não resolvesse mudar toda a história de novo.

- Satsumi... – chamou Sesshoumaru.

A jovem parou para ouvi-lo, mas sem se virar para olhá-lo.

- Como está a sua vida? – perguntou Sesshoumaru demonstrando um pouco de preocupação.

- Qual a utilidade de você saber disso? – perguntou Satsumi seca – Te deixará mais feliz saber o quanto eu ainda sofro?

O silêncio do youkai fez Satsumi sorrir.

- Isso parece um sim para mim! – disse ela voltando a caminhar.

Sesshoumaru apressou-se e a segurou pelo braço, deixando-a irritada com o ato.

- Me solta! – disse Satsumi – Não ouse me tratar como se eu ainda fosse parte do seu joguinho doentio!

- Eu só quero saber se você está bem! – perguntou ele soltando o braço dela.

- Se eu estou bem? – disse ela cinicamente – Eu estou bem! Se eu não contar tudo que tem acontecido na minha vida nos últimos meses, posso dizer que minha vida está fabulosa!

Um olhar sério de Sesshoumaru encontrou os olhos negros de Satsumi, exigindo uma resposta melhor.

- Minha vida está bem, apesar de tantas coisas que aconteceram – disse ela – Primeiro, eu conheci você, aí eu me apaixonei, como uma idiota. Então eu fui desprezada, descobri que espero um filho que com certeza não será bem aceito onde eu vivo. Meu pai morreu há pouco tempo e ainda tenho que cumprir a promessa de me casar com alguém que não amo...

Satsumi baixou a cabeça, rindo da própria história.

- Como você vê – concluiu ela – Não poderia estar melhor!

Sesshoumaru segurou o queixo de Satsumi fazendo-a olhar para ele.

- Eu sinto muito...

- Não, você não sente! – disse ela – Não finja ter sentimentos quando não tem ao menos um coração!

- Você está tentando ser fria comigo assim como eu fui com você, Satsumi – disse ele – Mas eu sei que você não me odeia. Você não pode me odiar tendo um filho meu dentro de você. Se você me odiasse, ia ter que odiá-lo também!

- Eu não estou sendo fria com você, Sesshoumaru! – disse Satsumi – Eu estou sendo sincera. A única pessoa fria aqui é você! Você é mais frio do que o inverno todo, com a diferença de que o inverno acaba. Mas você não, você será eternamente frio...

Ele puxou Satsumi de encontro ao seu corpo, tentando mostrar a ela o quanto sentia sua falta, e o quanto aquele tratamento dela o deixava ainda mais louco por ela.

- Por um acaso eu fui frio quando a possuí? – sussurrou ao ouvido dela – Eu não te dei o calor que você desejava?

Ela o empurrou, enfurecida pelo gesto dele.

- Você só deu calor a você mesmo! – respondeu ela – A você não interessava o que eu desejava. Só importava ganhar, e mesmo que eu não quisesse ser sua, você faria com que eu fosse. Você só tem desejo de vitória, só isso!

- Mas nesse jogo eu perdi muito mais do que você imagina, Satsumi – disse ele causando um riso irônico na jovem – Eu perdi a certeza que eu tinha de que nunca cometeria o mesmo erro de meu pai...

- Onde está o youkai que não comete erros? – perguntou ela séria – Eu duvido que ele tenha desaparecido por causa de uma simples humana, carregando um hanyou miserável no ventre!

- Não compare essa criança ao maldito do meu meio-irmão! – gritou ele – Eu não permito que meu sangue seja colocado no mesmo nível daquele a quem odeio!

- Seu sangue? – gritou ela em seguida – Aquele mesmo que há pouco você disse não se importar? Poupe-me dessa sua incerteza!

- Eu tenho certeza do que quero, Satsumi – disse Sesshoumaru mais uma vez a abraçando – E não é ficar longe de você, saiba disso!

- Por que você faz isso? – perguntou Satsumi enquanto tentava se soltar – Por que gosta de me ver sofrer por você?

- Eu não gosto de vê-la sofrer – disse ele tentando beijá-la – Houve um tempo em que fazê-la sofrer era o que me impulsionava, mas agora, tenho que me segurar para não confessar tudo o que sinto...

- Então guarde o que você sente – disse ela parando de se debater –E volte para o lugar de onde veio, pois você não é mais o dono do meu coração!

Ela o empurrou, e ele deixou que ela se soltasse facilmente. Satsumi saiu andando rápido, querendo voltar para sua casa, longe dele, e esperando que ele sumisse de vez da sua vida. Mas ele parou bem à sua frente, impedindo-a de continuar e segurando na mão algo que ela mal conseguiu acreditar.

- Lembra-se disso? – disse ele mostrando a faixa de seda que guardava com ele – Você mesma disse que isso era como o seu coração, e que estava dando ele a mim. Então, isso me faz sim, o dono do seu coração.

Ela olhou a faixa entre os dedos do youkai, e por um momento teve vontade de chorar ao descobrir que ele a guardara. Mas ele não deu a ela o tempo de derrubar uma lágrima. Beijou-a com paixão, demonstrando com os lábios toda a saudade que tivera dela, e recebendo nos seus próprios lábios todo o amor que ela fingia não existir mais.

Satsumi ainda tentou se desvencilhar do abraço dele, mas acabou desistindo, e mais uma caindo na sedução do youkai.

Ele deitou-se com ela no chão arenoso e coberto de folhas, quase rasgando a roupa dela de tanta necessidade que sentia em tê-la de novo. Conseguiu se livrar do kimono simples que ela usava, olhando com uma certa ternura para sua barriga, procurando um meio de não machucar aquele ser tão pequeno e tão frágil que se encontrava ali dentro. Colocou a mão sobre o ventre dela, sorrindo ao sentir a presença de algo que também era parte sua, independente de ser hanyou, youkai ou humano. Só então percebeu que Satsumi o olhava um pouco ansiosa, esperando que ele mostrasse com palavras o que estava sentindo.

- Eu estarei com você, Satsumi – disse ele – Do começo ao fim!

Ela deu um enorme sorriso, feliz de seu pesadelo ter chegado ao fim. Ele tirou a própria roupa, e a possuiu com calma, mostrando a ela que dessa vez, e mesmo antes, ela nunca fora um objeto. Tinha que admitir a si mesmo que tinha perdido no próprio jogo, e que a derrota nunca fora tão agradável aos seus olhos.

Ficaram se amando durante toda a manhã, até que o sol, chegasse no seu ápice, lembrando ao youkai que agora deveria se preocupar também com outro ser.

- Satsumi, você precisa ir embora – disse ele causando um olhar de incredulidade em Satsumi.

- O quê? – perguntou ela imaginando que ele a usara de novo.

- Você precisa se alimentar – completou Sesshoumaru – Aqui não há nada que possa ser bom para vocês!

A expressão dela foi de mais incredulidade ainda. Ele, o poderoso youkai se preocupando com ela, com eles? Sorriu ao ver o quanto aquele a quem amava podia ser tão ambíguo. Inverno e verão, numa só pessoa.

- Eu a verei ainda hoje! – disse Sesshoumaru ainda abraçado a Satsumi – Não se preocupe!

Embora sua vontade fosse de ficar ali com ele até o anoitecer, e depois esperar pela nova manhã ao seu lado, sabia que precisava mesmo se alimentar, mesmo que não sentisse fome nenhuma. Levantou e se vestiu, enquanto o youkai ficou lá, deitado com os braços cruzados apoiando a cabeça, como se não existisse a mínima chance de alguém pegá-lo tão à vontade ao lado da cachoeira.

- Eu já vou – disse Satsumi – À noite, eu irei até a cabana.

- Eu estarei lá! – disse ele finalmente se levantando e começando a se vestir.

Satsumi apenas deu um beijo nele, sem dizer tchau, muito menos adeus, palavra que ela desejava apagar de sua vida, e caminhou completamente feliz de volta ao vilarejo.


Quando Satsumi entrou em casa, Asuka já conseguiu ver a felicidade estampada no rosto dela. E até tentou segurar um pouco a alegria da jovem, mas não conseguiu evitar que ela entregasse o motivo de tal sentimento, o que naquele momento, não era uma coisa boa.

- Asuka, ele voltou! – disse Satsumi toda contente – Meu youkai voltou e ele me ama...

Quando Asuka conseguiu mostrar a ela quem a aguardava, Satsumi apagou o sorriso do rosto.

- Quem voltou? – perguntou Hattemaru – Quem é que ama você, Satsumi?

O amor é lindo! Ahhh! Agradeço as reviews, e mando um grande abraço a todas!