O plano de Hattemaru

Hattemaru olhou para o céu que começava a clarear, ainda com chuva e pensava no que poderia fazer para conseguir tirar da vida de Satsumi o tal youkai por quem ela se apaixonara. Sabia que um ser poderoso como um youkai não seria vencido na espada, então decidiu que usaria da mesma vantagem do inimigo, acharia um modo de derrotá-lo usando poderes sobrenaturais, tirando sua desvantagem de ser humano.

"Feiticeira Yume!" lembrou-se da velha que muitas vezes ajudara outros vilarejos contra youkais "Eu vou encontrá-la e pedir sua ajuda!".

Um sorriso confiante se formou no rosto do rapaz, que sabia o quão poderosa era a tal feiticeira, e o quanto ela odiava os youkais e adoraria matar qualquer um deles que conseguisse cruzar pelo caminho.

Resolveu esperar apenas que a chuva parasse para poder sair e buscar por Yume, a qual ouvira há tempos atrás, estaria vivendo agora num pequeno vilarejo ao sul.

"Logo trarei você de volta á realidade, Satsumi!" pensou ele "Você verá o quão valiosa é a sua promessa de se casar comigo!".


Encostado em uma parede de rochas no interior da caverna onde havia passado as noites desde que voltara para suas terras, Sesshoumaru olhava a chuva que caía de forma leve, mas incessante. O sono, que ultimamente até parecia estar mais amigo do youkai, resolvera não dar o ar da graça naquela noite, que ficara ainda mais tedioso com a impossibilidade de se fazer pelo menos uma caminhada.

Já que estava entregue aos pensamentos, permitiu-se imaginar como seria aquela criança que Satsumi carregava no ventre, sua filha. Quais seriam as habilidades dela no futuro, como seria seu rosto, sua personalidade. Sorriu ao formar uma imagem da criança em sua cabeça e notar que a imaginava com os traços iguais ao da youkai que era sua mãe.

"Mãe, se ela se parecer com a senhora, eu já me dou por satisfeito!" pensou Sesshoumaru ao lembrar-se da beleza que a mãe possuía em vida.

Pensou no que ela diria ao saber dessa notícia. Embora a mãe fosse apegada ao fato de manter totalmente pura a linhagem da família, sabia que se ela ainda estivesse viva jamais se mostraria contrária ao fato de sua própria neta ser um hanyou.

"Agora vejo que meu ódio por humanos e hanyous se dava com base no que sinto por Inuyasha" pensou "Nunca fui incitado por meus pais a desprezar tais raças, minha ira vem de dentro de mim, apenas do meu interior!".

Quem sabe sua fé nessas duas raças não mudasse de agora em diante? Não que isso fosse fazer com que ele se aproximasse do irmão, nunca, jamais haveria tal possibilidade. Mas pelo menos seu coração estaria sossegado em relação àquelas duas pessoas a quem agora deveria dedicar-se.

"Satsumi... que poder tem uma simples humana para mudar tanto um youkai como eu?".


Satsumi levantou-se pronta para comer alguma coisa e depois ir levar flores ao túmulo do pai. Em sua roupa, levava a flor que havia ganhado de Sesshoumaru, delicadamente presa por um alfinete. Exibiria aquele presente como se fosse o maior símbolo de nobreza daquelas terras.

Encontrou com Asuka pelo caminho. A mulher que ajudava seu pai havia ficado por lá, já que ela não tinha mesmo com quem viver, e futuramente poderia ajudar a própria Satsumi com seu parto, que ela já demonstrara saber muito bem como fazer.

- Bom dia, Satsumi-Hime! – disse Asuka – Vejo que está bem disposta hoje!

- Bem disposta e aliviada, Asuka! – respondeu a jovem – Depois de conversar com Hattemaru e contar-lhe a verdade, não me sinto mais tão preocupada como antes.

- Como ele aceitou o fato de que a srta não irá se casar com ele? – perguntou Asuka fingindo não saber que ele ainda não desistira de tal idéia.

- Ele ficou chateado comigo – disse Satsumi – Mas ele é uma pessoa maravilhosa, não guardará rancor por muito tempo!

- Tenho certeza que não – disse Asuka – Isso fará a srta ver o quanto ele é especial!

Satsumi sorriu com o comentário da amiga. Pelo menos Asuka nunca escondera sua preferência pelo chefe da guarda. Mas também nunca prejudicou Satsumi com relação ao seu segredo.

- Coma alguma coisa! – ordenou Asuka – Gerar o filho de um youkai deve requisitar muito mais nutrientes do que gerar uma criança humana.

Satsumi foi tratar de fazer o que Asuka falara, mas antes de ir para a cozinha parou para ver Hattemaru, que se preparava para sair à cavalo. Ele a viu parada na porta da entrada do casarão, e baixou a cabeça numa saudação formal, depois saiu.

"Hattemaru, não me prive de sua amizade. Você não tem idéia do quanto ela me é necessária".


O chefe da guarda saiu do vilarejo galopando rápido, esperando chegar no vilarejo onde a feiticeira que procurava teoricamente vivia, ainda antes do entardecer. Passaria a noite por lá, pois seria impossível a volta durante a madrugada, visto que o vilarejo ficava após a travessia de alguns montes, onde bandidos se escondiam aproveitando a escuridão da noite para poderem atacar. Hattemaru carregava consigo dinheiro o bastante para poder comprar qualquer serviço de qualquer feiticeira que quisesse, então deveria tomar cuidado se sobrasse algo para trazer de volta.

"Terei prazer em ver esse youkai ser derrotado!" pensava enquanto passava ao lado da mata onde Satsumi com certeza o conhecera "Ele nunca deveria ter impedido meu destino de se cumprir!".


Sesshoumaru colocou-se a uma distância segura da jovem ajoelhada frente a uma lápide. Sua oração não podia ser ouvida por ele, mas sabia que ela não estava triste, pois não havia lágrimas em seu rosto. Aproximou-se um pouco mais, aproveitando-se do fato dela estar de olhos fechados e concentrada. Agora sim, conseguia ouvir um pouco do que ela falava, que nada mais eram do que confidências sobre a felicidade que sentia naquele momento, tanto por não ver mais o pai em sofrimento, quanto por esperar uma filha de alguém que amava tanto.

Quando Satsumi terminou de orar, colocou um ramalhete com algumas flores que ela colhera pelo caminho no túmulo, só então percebendo a presença de alguém a observando. Olhou para o lado assustada, mas sentiu um alivio ao ver que era Sesshoumaru.

- Não queria tê-la assustado – disse ele.

- Não tem problema – disse ela se levantando – Não foi um susto grande.

- Vamos caminhar! – convidou ele – Eu tenho que procurar pelo youkai dragão, que mais uma vez desapareceu para comer e se perdeu.

Satsumi deu um sorriso e colocou-se ao lado dele, caminhando em silêncio por um bom tempo. Isso às vezes a deixava com a impressão de que Sesshoumaru não tinha muito interesse por saber nada sobre ela, mas tentava se convencer de que era apenas o jeito dele. Com certeza ele não era acostumado a ter companhias tagarelando ao seu lado. Para alguns o silêncio diz muito mais do que palavras.

- Vou ter que ficar longe alguns dias – disse ele finalmente – Preciso procurar pela espada de meu pai...

Satsumi parou de caminhar, receosa de que ele fosse embora e nunca mais voltasse. Mas o sorriso no rosto dele demonstrou o quanto ele estava feliz ao seu lado.

- Eu volto em dois dias, no máximo! – prometeu ele – Só preciso me certificar de algo que me veio à mente durante a noite.

- Espero que consiga o que deseja - disse a jovem confiante nas palavras do youkai – E vou esperar ansiosa por sua volta...

Ele olhou-a com carinho. Levou sua mão até a dela, e a trouxe até a armadura em seu peito.

- O que eu guardo aqui dentro só pertence a você, ninguém mais – disse ele – Não haveria meios de manter-me longe mesmo que desejasse, pois esse coração já conhece o caminho até sua pessoa!

Satsumi sorriu, envergonhada com a declaração, mas extremamente feliz. Ela então colocou a mão dele sobre o seu próprio peito e o encarou com amor nos olhos.

- E aqui há dois corações, que precisam de você – disse ela – São eles que guiarão seu caminho de volta!

O olhar dele, embora sério, demonstrava bem o quanto aquelas palavras eram importantes para ele. Voltaram a caminhar, até avistarem a cachoeira, lugar que se tornara tão comum aos dois. Satsumi logo correu até a margem, mais uma vez olhando para o alto da queda com o encanto de uma criança.

- Você aprecia olhar lá para cima, não é? – perguntou Sesshoumaru.

- É que eu fico maravilhada com isso – respondeu Satsumi sem desviar o olhar – Essa água caindo constantemente, sem fim, persistindo por tantas e tantas gerações, e com certeza ainda vai existir quando eu for velhinha, velhinha...

Satsumi parou então de olhar para o alto da queda e fixou o olhar no nada. Sua cabeça se encheu com pensamentos que ate então não haviam aparecido.

- O que foi? – perguntou Sesshoumaru notando a mudança dela.

- Os youkais não envelhecem, não é? – perguntou ela – Ao contrário dos humanos...

Sesshoumaru silenciou-se por um instante, esperando que ela virasse para olhá-lo exigindo uma resposta, o que ela logo fez.

- Isso é uma verdade inegável, Satsumi – disse ele – Mas por que se preocupar com isso? Você ainda tem bastante tempo para ficar ao meu lado!

Ela fez uma cara descontente, cruzando os braços, agora ainda mais parecida com uma criança.

- Acontece que eu vou estar velha e feia, enquanto você será ainda um youkai jovem e bonito! – disse ela fazendo bico.

Isso conseguiu arrancar uma risada de Sesshoumaru, deixando Satsumi envergonhada. Ele se aproximou dela e lhe deu um abraço, desfazendo o sorriso e mostrando-se novamente com uma seriedade particular.

- Não são rugas que me preocupam, Satsumi – disse ele apoiando a cabeça dela contra seu peito – O que me entristece é o fato de que eu ainda vou viver muito tempo após você partir...

Satsumi viu que o amor dos dois estava fadado a causar tristeza em ambos, justamente por ser um amor verdadeiro. O tempo era o único inimigo com o qual não se podia lutar igualmente. No fim, ele venceria de qualquer forma. Ela se apertou contra o corpo dele, sentindo-se protegida e feliz por estar ao lado dele naquele momento. O amanhã seria preocupante apenas quando se tornasse o hoje.

- Mas ainda vou encontrá-la de novo – disse ele – Mesmo que isso demore o dobro do que já vivi, tenho esperança de que me reencontrarei com você ainda nessa vida. Mesmo que seja em outro corpo, sem suas lembranças sobre mim, ainda assim saberei que é você...

Satsumi deixou escapar um sorriso com as palavras, chamando a atenção de Sesshoumaru.

- O que eu disse de tão engraçado? – perguntou ele.

- Eu acho que não vai ser tão fácil de me conquistar novamente no futuro – disse ela.

- Lembre-se que nesse jogo eu sou muito bom, Satsumi – disse ele a encarando – Eu a vencerei de qualquer maneira!

Ela se afastou, colocando os pés na água enquanto levantava o kimono para não molhá-lo, deixando a mostra as pernas para a alegria do youkai.

- Está calor hoje, não é? – disse ela pegando um pouco de água na mão e jogando por dentro do decote da roupa.

- Está tentando seduzir este youkai? – perguntou ele sério – Acha que consegue?

Ela deixou que o kimono escorregasse um pouco de seu ombro, olhando para Sesshoumaru séria também.

- Eu só disse que estava muito calor – respondeu ela – Não estou fazendo isso para seduzi-lo...

Sesshoumaru já estava decidido a render-se, quando sentiu uma estranha sensação que o fez desviar seus olhos de Satsumi e olhar para o alto da cachoeira. Seus olhos viram com surpresa algo que lhe era bastante familiar.

- Pai...? – sussurrou ao ver o homem parado junto a maior rocha da queda d´água.

- O quê? – perguntou Satsumi sem entender.

O ser, ou espírito, Sesshoumaru não sabia ao certo, fez sinal para que o seguisse, o que foi obedecido pelo youkai.

- Onde você está indo? – perguntou Satsumi ao ver Sesshoumaru saltar da parte baixa para o alto da cachoeira sem nenhum esforço.

- Fique aí! – disse ele sumindo pelo caminho das águas.

Sesshoumaru seguiu o espírito por um longo caminho, até chegar na colina onde ele levara Satsumi na noite anterior. Manteve uma distância para evitar que aquilo fosse alguma armadilha de inimigos, e esperou pelo que desejava mostrar ou falar o pai.

- Meu tempo aqui é curto – disse o espírito se virando para Sesshoumaru – Não é permitido que eu faça isso que estou fazendo. Então escute minhas palavras com atenção...

- Pai...

- Se é o seu desejo trilhar o mesmo caminho que eu, o faça por inteiro – continuou o espírito – Se escolher ficar com essa jovem, esqueça a outra espada que em vida me pertenceu. Você não pode escolher dois caminhos diferentes...

- Não entendo esse conselho – disse Sesshoumaru surpreso ao reconhecer até mesmo a voz do pai – Por que não posso escolher as duas coisas?

- Porque haverá um momento em que os dois caminhos exigirão a sua presença, e você não pode estar em dois lugares, filho! Faça sua escolha, e saiba que qualquer uma delas causará um sofrimento em você...

- O quê...?

O espírito desapareceu tão de repente quanto apareceu. Sesshoumaru olhou para os lados, procurando por algo mais, mais alguma aparição, mas não havia nada, além do vento que balançava a frondosa árvore no alto da colina.

- Mas... o que foi isso? – perguntou-se sem entender aquele aviso.

Um temor passou pela cabeça do youkai, fazendo com que ele retornasse para junto de Satsumi o mais rápido possível.

- O que aconteceu? – perguntou ela ainda assustada – Você viu alguma coisa?

Sesshoumaru chegou bem próximo a ela, e instintivamente levou sua mão até a barriga de Satsumi, para ter certeza de que algo de ruim não acontecera.

- O que foi, Sesshoumaru? – repetiu ela ainda mais assustada – O que você está sentindo?

Ele retirou a mão e respirou aliviado.

- Nada! – respondeu abraçando-a – Não aconteceu nada de mais... "Ela está bem...".

- Você me deixou preocupada – disse Satsumi – Sair daquele jeito, eu pensei que tinha acontecido algo!

- Eu também pensei! – disse ele – Mas foi só uma estranha sensação, só isso! Vamos procurar o youkai dragão, antes que eu me esqueça dele de vez...

Os dois saíram caminhando novamente, tentando encontrar o filhote, mas Satsumi não se convenceu de que não havia acontecido nada, embora não fosse interromper o silêncio do youkai para perguntar mais sobre aquilo.


Hattemaru deu um sorriso quando conseguiu encontrar a vila que procurava. Cavalgou lentamente a procura de algum habitante que pudesse lhe dar a informação que tanto queria. Encontrou um camponês, que lhe atendeu com um sorriso.

- Você poderia me dizer se aqui neste vilarejo há alguma feiticeira de nome Yume? – perguntou Hattemaru ao senhor.

- Oh, sim, ela mora aqui sim! – respondeu o camponês – Ela tem uma casa bem no final do vilarejo.

Hattemaru notou que Yume devia ser bastante querida pelos habitantes, já que o homem lhe respondera com bastante entusiasmo onde encontrá-la. Cavalgou mais um pouco, passando por moradores curiosos quanto a quem era aquele belo cavaleiro, até encontrar uma cabana totalmente pintada em branco, como o camponês havia lhe mandado procurar. Desceu do cavalo, e nem precisou chamar para que uma senhora, já de idade bastante avançada aparecesse na porta, chamando-o para entrar.

- Venha, jovem rapaz! – disse ela – Posso ver em sua alma que o motivo que te trás até aqui é bastante sério...

Hattemaru olhou desconfiado para os lados quando entrou na casa da gentil senhora. Havia bastante animais que não deveriam estar lá dentro, como porcos, galinhas e alguns ratos também.

- Me conte seu problema, rapaz! – disse ela pedindo a ele para se sentar – Quem é essa jovem em seu pensamento que te fez vir procurar por essa velha feiticeira?

- Vejo que escolhi realmente a melhor – elogiou Hattemaru – Já sabe até que vim por uma jovem...

- Seus olhos dizem isso, nem é preciso ser uma feiticeira para ver que está sofrendo por amor! – disse a senhora – Qual o nome dela?

- Satsumi... – respondeu ele apreensivo – Eu desejo que ela retorne a mim!

- Retornar? – riu a bruxa – Quando foi que ela lhe pertenceu? Nunca, pelo que sinto! Mas há como fazê-la tornar-se sua...Mas o meu preço não é barato!

- Eu tenho dinheiro o suficiente! – disse Hattemaru mostrando uma bolsa cheia de moedas de ouro – E arranjarei mais se precisar.

- Não falo apenas desse tipo de pagamento, rapaz – disse a feiticeira – Eu desejo algo de valor bem maior que dinheiro, e sei que quem "roubou" a jovem de você possui o que quero!

- O youkai? – estranhou Hattemaru – O que quer daquele youkai maldito?

A feiticeira deu uma risada estridente, mostrando uma cicatriz no pulso.

- Vê essa marca? – disse ela – Ela me foi feita há muito tempo atrás, por um youkai, que tinha muito haver com esse que procura destruir agora...

Hattemaru estranhou a conversa da velha, achou que ela estivesse delirando ou algo assim.

- Sesshoumaru é o youkai que procura destruir – disse ela surpreendendo o rapaz – E Inutaisho é o nome daquele que me fez essa marca, pai daquele que roubou o coração da jovem Satsumi.

Um sorriso espantado se formou no rosto de Hattemaru. Apesar de não saber o nome do youkai por quem Satsumi havia se apaixonado, era possível notar na feiticeira uma certeza absoluta sobre o que falava.

- Como esse tal Inutaisho lhe causou essa marca? – perguntou curioso para entender o ódio que ela aparentava ao falar aquele nome.

- Isso é uma história antiga, meu rapaz – disse ela – Mas creio que terá tempo para ouvi-la! Inutaisho foi um poderoso youkai que comandou essas terras há pouco mais de 50 anos atrás. Você pode não acreditar no que eu vou falar agora, mas eu também era uma youkai, bastante forte, de um clã ao qual ele deveria ajudar. Eu tinha a missão de ocupar o lugar que outrora fora da mãe de Sesshoumaru, ou seja, eu deveria me casar com Inutaisho. Só que ele desprezou o meu interesse, pois já estava apaixonado por uma humana.

A feiticeira se levantou e foi buscar algo que fervia numa caneca em cima de um fogão a lenha. Ela serviu um estranho chá para Hattemaru, dizendo-o para beber, pois não era veneno, voltando a se sentar em seguida.

- Eu tentei dissuadi-lo de se envolver com aquela humana – continuou Yume – Mas ele não me dava ouvidos. Então, eu decidi acabar com aquele sentimento da única forma possível: Matando a humana. Mas meu plano não deu certo, e Inutaisho se voltou contra mim. Ele perdoou o clã ao qual eu pertencia, mas selou minha alma num corpo humano, este aqui no qual eu me encontro, sofrendo do mesmo mal de vocês, doenças, velhice, até que um dia minha morte será inevitável, como a de qualquer ser humano.

- E essa cicatriz foi causada como? – perguntou interessado o chefe da guarda.

- Pela espada que hoje é carregada pelo filho mais velho – disse a feiticeira – Com um golpe, unido a algumas palavras de poder, eu fui enclausurada neste frágil corpo humano. E meu ódio agora não é pelos humanos, e sim pelos youkais que me viraram as costas quando lhes pedi ajuda.

- O que quer que eu faça? – disse Hattemaru.

- Você deverá roubar a espada! – disse Yume – E me trazer junto com o sangue do youkai!

Hattemaru não conseguiu conter uma risada ao ouvir o pedido da feiticeira.

- Você não deseja algo mais difícil, não? – disse ele – É até possível roubar a espada dele, mas como conseguir seu sangue?

- Tolinho, tolinho! – disse a feiticeira – A espada é que será o mais difícil! O sangue pode ser o de um herdeiro direto de Sesshoumaru.

- Ainda assim, como vou encontrar um herdeiro dele? – insistiu Hattemaru – Se é que ele tem algum...

- Vejo que seus olhos cegos de amor não cogitaram essa possibilidade – disse ela – Mas me parece que já há um herdeiro dentro do ventre de sua amada Satsumi. O sangue dele me bastará!

Hattemaru deixou que sua mente apagasse tudo o que se passava ao seu redor ao ouvir aquela revelação.

- O que você disse? – perguntou ele surpreso – Satsumi, está...

- Esperando um filho do youkai! – completou a feiticeira com um sorriso – Aliás, uma filha!

Ele se levantou sem saber para onde ir. Pensou em tudo que deixara para trás por aquela mulher, que nem ao menos se dera o respeito de manter-se pura até o casamento. Mas a amava, e desejava ficar com ela, mesmo com essa mancha em sua honra.

- Vai ser mais fácil conseguir o sangue do youkai do que eu imaginava – disse ele com a voz embargada em raiva – Eu farei o que a sra quer...

Como sempre, agradeço a todos que lêem essa fic e que me mandam reviews. Eu quero dizer que demorarei uns dois ou três dias para postar algum novo capítulo, pois tenho algumas coisas a fazer com o fim das férias, ok? Gracias por tudo, e voltem sempre!