O triste destino de Satsumi começa a se revelar.

Sesshoumaru olhava ao céu estrelado, relembrando tudo o que o espírito do pai falara, ali mesmo, naquela colina. Estava em silêncio há bastante tempo, e pôde ouvir um suspiro alto vindo da jovem sentada encostada à arvore.

- Quer ir embora? – perguntou ele sem tirar os olhos das estrelas.

- Não, mas de que adianta estar aqui se você está longe? – disse Satsumi – Seu pensamento com certeza está em algum lugar que eu desconheço...

- Está aqui mesmo! – disse ele voltando a se calar.

Satsumi esperava que ele ao menos contasse o que lhe causava tanta aflição. Mas ele não contaria, mesmo se ela perguntasse diretamente.

"Ninguém te ensinou a confiar nos outros, Sesshoumaru?" pensou ela olhando o youkai de olhar dourado e distante "Por que mantém um muro tão alto à sua volta?".

Ela cogitou tentar conversar com ele mais uma vez, mas uma tosse forte conseguiu fazer com que ela até se esquecesse do assunto que ia tratar com Sesshoumaru.

Sesshoumaru olhou para a jovem, que tossia sem parar, e notou que ela levara a mão ao peito.

- Está com alguma dor, Satsumi? – perguntou ele serenamente, mas bastante preocupado.

Ela mal conseguia responder, a tosse não lhe dava uma chance. Sesshoumaru sentou-se ao lado dela, sem sequer imaginar o que poderia fazer para ajudá-la.

Após uns minutos, Satsumi conseguiu controlar a tosse e responder a pergunta que Sesshoumaru havia repetido.

- Meu peito doeu um pouco – disse ela – Mas nada de mais! Deve ser a de novo a chuva que eu tomei!

- Não quero que você se arrisque a ficar doente dessa maneira – disse ele sério – Eu não a quero na chuva mais!

Ela concordou e encostou sua cabeça no ombro dele. Nem acreditava que já havia ficado com ele durante o dia, depois fora para casa apenas para comer e tomar banho, e agora estava com ele de novo. Queria aproveitar o máximo de tempo ao lado dele, já que ele sairia em busca da espada do pai, deixando-a sozinha, mesmo que por dois dias.

- Quando você vai partir? – perguntou Satsumi.

- Em três, quatro dias – disse ele – Preciso apenas comprovar uma coisa que pensei durante a noite passada inteira.

- O que é? – disse ela sem imaginar que ele daria uma resposta.

- Tenho que ver se meu meio-irmão não está com a espada – disse Sesshoumaru – Não pretendo perguntar a ele sobre ela, apenas tentar sentir a presença dela. Se eu sentir a presença da Tessaiga, eu acabarei com o Inuyasha, e a tomarei para mim...

- Mataria o seu próprio irmão, por uma espada? – disse Satsumi fazendo com que ele a encarasse sério – Me desculpe, eu não devia me intrometer...

- Não sinto nenhum apego a ele, Satsumi – disse Sesshoumaru – Não sentiria o mínimo remorso em acabar com a vida daquele miserável!

Satsumi levou sua mão novamente ao peito, demonstrando que a dor não aparecia somente com a tosse.

- Eu acho melhor levá-la embora! – disse Sesshoumaru se levantando – Quero que você descanse, e espere essa dor melhorar.

- Você não vai partir sem me dar tchau, não é? – perguntou ela se levantando.

- Nunca! – disse ele beijando-a com um misto de amor e desejo – Nunca!

Logo o beijo se tornou insuficiente para acalmar os corpos dos dois, que já estavam apertados um contra o outro o máximo possível. Satsumi conseguiu soltar a armadura do youkai, deixando-a cair ao lado dos dois. Depois abriu com força a blusa dele e passou a beijar seu tórax forte com paixão. A mão dele passeou pelas costas de Satsumi, e terminou por puxá-la pela faixa do kimono afastando-a de perto de si.

- Você precisa ir para casa – disse ele visivelmente excitado, mas disposto a deixar o prazer de lado para cuidar dela.

- Eu não quero! – disse ela sorrindo – Eu não vou...

Ela se afastou ainda mais, indo parar atrás da árvore onde ele agora estava encostado.

- Você não pode me levar para casa antes de acabar com esse calor que toma conta do meu corpo...

- Satsumi, eu não vou fazer nada com você hoje – disse ele sabendo da falsidade da própria resposta.

- Duvido! – desafiou ela.

- Dúvida? Desde quando você tem motivos para duvidar de minhas palavras?

- Desde aquele dia na cachoeira – disse ela – Que você disse ter descoberto que era um mentiroso nato.

- Mas hoje minha palavra é lei! – insistiu ele – E eu não vou descumpri-la!

Quando ela voltou para frente dele, já estava completamente nua, fazendo o youkai engolir seco com a visão de seu corpo. Ele respondeu com um sorriso ao gesto malicioso dela de passar a língua nos lábios.

- Ainda quer me levar embora? – perguntou ela soltando o cabelo que estava preso em um coque – Vai mesmo recusar o meu pedido de que acabe com meu desejo?

Sesshoumaru sabia que aquilo era inevitável. Não conseguiria resistir ao encanto dela, que ao mesmo tempo em que tentava ser sensual conservava uma ingenuidade. Desfez-se da blusa e a agarrou num abraço apertado, levantando-a do chão, enquanto seus lábios encontravam os dela sentindo o gosto doce deles.

Satsumi sentia o sexo dele, já bastante duro, sendo apertado com força contra sua perna, e embora quisesse ser logo penetrada por ele, decidiu que ia deixá-lo louco na espera de que ela abrisse as pernas.

Ele a encostou na árvore, colocando-a de volta no chão, e pressionando seu corpo contra o dela. Desceu sua mão até alcançar as pernas dela, mas a resistência de Satsumi não permitia que ele as separasse.

- Está querendo brincar, Satsumi? – sussurrou ele ao ouvido dela – Eu gosto de brincar de conquista violenta, e você?

- Eu não gosto de violência! – disse ela sorrindo – E não gosto de ser conquistada...

Um beijo dele calou a jovem, que mesmo sem saber já estava na brincadeira dele. A força do beijo conseguiu deixar Satsumi sem fôlego, e ela teve que afastá-lo de seus lábios.

- Não ouse parar meus atos! – disse ele novamente puxando-a para outro delicioso beijo.

Satsumi já não desejava mais impedi-lo de agir, queria logo que ele mostrasse a ela toda a experiência que ele possuía, fazendo-a facilmente chegar ao prazer como das outras vezes.

As mãos de Sesshoumaru trilharam rumo ao sexo dele, que se mantinha preso sob a calça, evitando que Satsumi sentisse todo o calor que emanava daquele youkai. Retirada a barreira de tecido entre os dois, era impossível resistir e Sesshoumaru conseguiu facilmente separar as pernas de Satsumi. Não demorou muito para que ele já estivesse dentro dela, entrando e saindo com força, fazendo Satsumi mostrar que chegara ao prazer mordendo seu ombro com tanta força, que conseguiu fazer um corte pequeno, mas que sangrava bastante. Sesshoumaru olhou para o ferimento e deu uma risada ao vê-lo.

- Eu tenho sorte de você não ter caninos como os meus! – disse ele achando divertido – Senão você teria arrancado meu braço fora!

Ele continuou a penetrá-la, enquanto Satsumi lhe beijava de uma forma mais carinhosa do que necessariamente luxuriosa. Ela parou de beijá-lo para poder olhá-lo nos olhos e depois passar a mão por todo o rosto dele, delineando suavemente a marca em forma de meia lua na testa do youkai.

Os olhos dourados dele fixaram-se nela, jurando através disso o sentimento dele, numa confissão verdadeira do amor que nutria por ela, mesmo que de forma silenciosa. E ele via o mesmo sentimento retribuído nos olhos de Satsumi. Deixou apenas de encará-la quando chegou ao prazer e não resistindo, fechou os olhos, deixando-os assim até que todo o calor se dissipasse do seu corpo.

Sentaram-se aos pés da árvore, e logo Satsumi se deitou no colo do youkai, que passava a mão pelos seus cabelos, Ele continuou com o carinho mesmo após ela adormecer, depois se lembrou de outra parte dela que também deveria acariciar. Levou sua mão até o ventre de Satsumi, passando a mão delicadamente, imaginando o tamanho que aquele pequeno ser deveria estar. Podia sentir a presença da criança, mas não via a hora de poder sentir o coração da filha batendo, coisa que ainda não conseguia.

Só sentiu sua felicidade ser desmanchada quando se lembrou das palavras do espírito do pai, que dizia que qualquer que fosse a sua escolha, o fim seria doloroso. Esperava pelo menos que se alguém tivesse que sair ferido nessa história, que não fossem elas, as únicas pessoas que amava.

"Essa será a última vez que procuro a Tessaiga!" decidiu-se "Depois manterei minha palavra de estar com Satsumi do começo ao fim! Sempre ao lado dela!".

Satsumi abriu os olhos e ficou espantada de ter passado a noite inteira com Sesshoumaru na colina. Olhou para ele, que parecia mais estar meditando do que dormindo. Levantou-se com cuidado para não acordá-lo, mas ele abriu os olhos encarando-a como se fosse se ela tivesse sido pega em fuga.

- Eu vou me vestir – explicou ela – Não vou embora...

- Eu sei! – disse ele voltando a fechar os olhos.

Ela se arrumou e ainda esperou que ele descansasse um pouco mais. Ficou olhando para o horizonte montanhoso e verdejante, que em poucos meses estaria coberto de neve. Imaginou como faria para se encontrar com Sesshoumaru nos dias de frio, na cabana, e ainda por cima com uma barriga enorme. Riu da idéia boba que tivera, acordando de vez o youkai.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Sesshoumaru.

- Nada, só minha imaginação que está trabalhando demais – respondeu ela sem segurar a risada.

- Vamos! – disse ele se levantando e se vestindo – Não devíamos ter passado a noite aqui!

Saíram deixando para trás a bela paisagem, sem imaginar que aquela seria a última vez que estariam juntos ali.


Hattemaru voltava para o vilarejo repassando as palavras da feiticeira em sua cabeça.

"Preciso da espada do youkai... e do sangue dele!" disse a feiticeira.

- É uma pena que eu tenha que causar essa dor em Satsumi. Mas o farei, pelo próprio bem dela! – disse ele já decidido sobre suas ações.

Quando chegou ao vilarejo, já por volta do horário do almoço, encontrou Asuka com uma cara bastante preocupada na porta do casarão.

- O que foi? – perguntou ele descendo do cavalo – Aconteceu alguma coisa?

- Satsumi – respondeu ela – Passou toda a noite fora!

Hattemaru deu um sorriso nervoso com a notícia.

- Até entendo que ela queira passar tanto tempo ao lado do youkai – disse ela – Que mulher na situação dela não ia querer!

Ele deixou Asuka e caminhou em direção de sua casa. A mulher ficou sem entender as palavras dele, mas jamais imaginaria que ele já soubesse da gravidez de Satsumi.

Ele entrou na casa, fechando a porta para que olhares curiosos não o vissem. Tirou de dentro de um bolso da roupa um saquinho, contendo um pó que a própria feiticeira havia preparado enquanto falava a ele como deveria ser usado.

"Isso deverá ser colocado num chá e dado para a jovem" lembrou-se das palavras de Yume "Espere até que ela chegue ao quarto mês de gravidez, então faça isso! Ela sentirá dores e perderá aquela criança mestiça que está esperando. Você precisa trazer para mim a maior parte do que for expulso do ventre dela, para que eu possa realmente usar o sangue daquela criança, não só o da jovem Satsumi. Entendeu?".

Embora a simples idéia de fazer isso tivesse revirado o estômago de Hattemaru, havia decidido fazer o que fosse preciso para acabar com o youkai e casar-se com Satsumi. Guardou o saquinho com o veneno bem escondido, já que ainda teria que esperar no mínimo dois meses para usá-lo. Enquanto isso, faria de conta que havia perdoado Satsumi. Trataria ela como antes, para que ela nunca suspeitasse dele em relação ao que aconteceria. Daria apoio a ela depois que ela perdesse o bebê, mostrando a ela que poderia ter quantos filhos quisesse se aceitasse se casar com ele.

- Vamos ter muitos filhos, Satsumi – disse ele rindo – Muito mais bonitos do que essa aberração que você tem no ventre!

Agora só precisava arranjar uma maneira de pegar a espada do youkai, o que a feiticeira disse ser o mais difícil, mas não impossível. Já sabia pelo menos que teria que começar a seguir Satsumi em suas escapadas para poder saber onde encontrar a espada. Seria muito desgostoso ter que vê-la encontrar-se com o youkai, mas agüentaria tal coisa, pois no fim, ficaria com ela.

- Eu amo tanto você, Satsumi – disse ele – Como você pôde fazer isso? Esperar um filho daquele youkai, é uma afronta a mim e a memória de seu pai!


Satsumi estava ao lado de Asuka e mais duas criadas na cozinha do casarão, preparando algo para comerem e rindo das coisas fúteis que conversavam. A jovem parou de rir ao sentir uma dor ainda mais forte do que antes no peito. As outras mulheres só perceberam que ela estava com dor quando Satsumi deixou-se cair sentada no chão respirando com dificuldade.

- Satsumi-Hime! – disse Asuka largando o prato que estava em sua mão e socorrendo a jovem – O que você tem?

Satsumi levou sua mão ao peito, mostrando a origem de sua dor. Asuka e as criadas ajudaram-na a se levantar e a levaram para o quarto, onde ela se deitou.

- Peçam para Hattemaru ir atrás daquele doutor – disse Asuka – Aquele que cuidou do pai da hime!

As criadas saíram correndo para chamar o chefe da guarda, que saiu em direção a cidade, em busca do doutor.

A respiração de Satsumi voltou ao normal em pouco tempo, mas a dor continuava, para preocupação de Asuka, que já imaginava o que era aquilo.

- Está melhor? – perguntou Asuka oferecendo água para a jovem.

- Só a dor que incomoda – respondeu Satsumi – Mas logo vai melhorar de vez!

- Deite-se – disse a amiga – Logo o doutor chegará e poderá dizer melhor o que é isso!

Asuka saiu do quarto e foi para a porta, esperar pela chegada do doutor.

Já estava escurecendo quando o homem chegou para ver Satsumi. Encontrou-a dormindo, mas a mão no peito indicava que a dor não havia cessado.

- Satsumi? – chamou o doutor – Acorde, eu preciso falar com você!

Satsumi abriu os olhos, encarando aquele homem que havia cuidado do pai.

- Como você está? – perguntou ele.

- Agora eu estou bem – disse ela – Mas meu peito...

- Dói, não é? – disse o homem – Você tem tossido muito ultimamente?

- Tenho tido alguns ataques de tosse – disse Satsumi já sentada no futon – Mas não sempre...

- E sangue? – perguntou ele – Quando você tosse sai sangue?

Satsumi olhou para Asuka no canto do quarto. Lembrava-se muito bem do pai sofrendo com aquele sintoma, e teve medo de que o doutor dissesse que ela tinha a mesma doença.

- Não! – respondeu ela séria – Se tivesse sangue, seria a mesma coisa que meu pai tinha?

- Infelizmente, sim! – disse o doutor – Mas como a srta disse que não há sangue, eu não posso afirmar o que é, ainda. Mas você deve prestar bastante atenção nessa tosse, de hoje em diante.

Satsumi concordou e ficou em silêncio, pensando se deveria contar àquele desconhecido sobre sua gravidez, e se a doença poderia prejudicar a filha.

"Não, não vou falar disso!" decidiu-se em pensamento "Não vou me preocupar, acredito que é apenas uma tosse passageira!".

O doutor se despediu, dizendo que faria uma visita em uma semana, para ver como ela estava, e saiu, para voltar à cidade ainda durante a noite, já que tinha trabalho a fazer no dia seguinte.

Satsumi olhou pela janela pensando em Sesshoumaru, que com certeza a esperaria na cabana.

"Não conseguirei ir hoje, meu amor! Mas amanhã pela manhã procurarei por você, e explicarei o motivo de minha falta!".


Sesshoumaru permaneceu sentado na cabana, esperando por Satsumi durante toda a noite. Nunca havia odiado tanto o silêncio como naquele momento, em que as palavras da humana lhe faziam tanta falta. E a preocupação de que ela estivesse doente de novo o deixava ainda mais ansioso. Tinha vontade de invadir o vilarejo e descobrir logo o motivo dela não ir até o local do encontro deles. Mas preferiu deixar que amanhecesse, para depois procurá-la, já que ela podia também ter sido impedida de sair pelo tal chefe da guarda.

- Como é ruim estar longe de vocês... – sussurrou ao vazio da cabana - ... nunca imaginei que isso me afetaria tanto...

Mais uma vez agradeço a paciência de todos que suportam essa fic, e conseguiram fazer com que eu me animasse a continuá-la. Como passei das 50 reviews, vou deixar que vocês me digam se o corno do Hattemaru deve morrer pelas mãos do Sesshoumaru ou da própria Satsumi. Espero suas opiniões. Bye!