A calmaria antes da tempestade.
- Maldição! – disse Sesshoumaru furioso ao olhar dentro do túmulo de youkai que encontrara – Este não é o túmulo de meu pai!
Saiu de dentro da espécie de mausoléu e olhou para os corpos de youkais que tinha acabado de matar.
- Tanta sujeira – disse ele vendo o sangue nas mãos – Para no fim estar enganado... De novo!
Sua raiva era tanta que com a força do pensamento lançou uma grande pedra na direção de um dos youkais que ainda estava vivo, terminando com sua fútil tentativa de fugir.
- Estou perdendo meu tempo nesse maldito fim de mundo...
Caminhou para fora daquele lugar, que agora, mais do que antes, cheirava a morte. Já havia encontrado vários túmulos de youkais, e nenhum deles era o do pai. Fora o fato de que sempre dava de cara com os youkais que habitavam esses locais, e que não ficavam muito satisfeitos de deixá-lo profanar os túmulos sem uma luta antes.
Encontrou um lago, onde se lavou, retirando todos os resquícios da carnificina que acabara de cometer. Saiu da água e sentou-se próximo à margem, esperando que a roupa molhada secasse antes de vesti-la. Ficou então olhando para algo que lhe fazia companhia durante todos os dias em que estivera longe de suas terras. Apertou na mão a faixa de seda, que ganhara de Satsumi, e que carregava junto ao peito, tentando apaziguar um pouco sua alma, que sofria em silêncio pela falta da humana.
"Talvez esteja na hora de voltar, Satsumi" pensou "Espero que não esteja com raiva de mim!".
Satsumi revirou-se na cama sem conseguir dormir. Asuka passou-lhe um pano molhado na testa, tentando abaixar a febre que a jovem tinha. Há dias que ela estava assim, febril e com dores cada vez mais fortes no peito.
- A sra Yume perguntou se pode ajudar em algo – disse Asuka.
- Não! – respondeu Satsumi com dificuldades – Não a quero perto de mim! Eu não me sinto bem quando ela está por perto...
Asuka sabia que essa seria a resposta da jovem. Desde que aquela senhora chegara no vilarejo há pouco mais de um mês, dizendo-se tia de Hattemaru, Satsumi não havia ido com sua cara. Costumava passar mal toda vez que estava próxima a ela, e sentia que o bebê em seu ventre não gostava da estranha velha. Chegou a sentir dores na barriga quando Yume passou sua mão nela, com a desculpa de elogiar a formosura da jovem.
- Eu direi a ela que não será necessário – disse Asuka – Agora eu vou lhe preparar algo para comer, Satsumi-Hime.
- Não quero nada, Asuka – disse Satsumi passando a mão no peito – Não consigo comer...
- Acho que seria melhor chamar o doutor – aconselhou Asuka – Até mesmo para que a srta esclareça se sua doença fará mal a esse bebê na sua barriga.
- Não! – recusou Satsumi – Tenho medo de que ele diga que minha doença pode prejudicar minha filha. Eu sei que o que tenho não tem cura, Asuka! E que nenhum tratamento pode evitar que eu sofra como meu pai sofreu. Mas não quero que alguém me diga que posso perder essa criança por causa disso, eu não agüentaria. Deixe que eu viva esse sonho maravilhoso de ser mãe enquanto me for permitido. Tenho fé de que ela será uma criança saudável, é a única esperança que me resta na vida...
Asuka chegou até a porta, mas não conseguiu evitar sua pergunta para Satsumi.
- E quanto ao youkai? – disse Asuka – A srta não tem esperança de revê-lo?
Satsumi parou de se remexer no futon, como se a dor tivesse desaparecido de repente. Mas apenas se acalmou para poder lembrar-se de Sesshoumaru, sem que a dor conseguisse atrapalhar a imagem dele em sua mente.
- Já são quase dois meses, Asuka – respondeu Satsumi deixando-se vencer pelas lágrimas – Ele não voltará mais...
Asuka não conseguiu esconder sua própria tristeza ao ouvir Satsumi falar daquele youkai, que ela tanto amava, e que tinha certeza que não veria mais. Saiu do quarto, encontrando-se com Hattemaru pelo caminho.
- Como ela está? – disse o chefe da guarda.
- Com dor e febre – respondeu Asuka – Mas essa doença é assim mesmo. Alguns dias ela ficará mal, enquanto outros ela estará muito bem. O problema maior é a fraqueza que a doença causa, pois a pessoa pára de comer, o que pode deixá-la ainda pior pelo fato de estar esperando um filho...
Asuka parou assustada ao perceber que acabara de abrir a boca sobre o segredo de Satsumi para Hattemaru sem querer.
- O que foi, Asuka? – disse o chefe da guarda rindo – Não acha mesmo que eu não sabia que ela espera um filho daquele youkai, não é?
- O sr já sabe? – disse ela ainda mais surpresa – E não falou sobre isso com ela?
- Essa criança não é do meu interesse! – respondeu Hattemaru – E logo não será um problema também...
Asuka ficou intrigada com o sorriso no rosto do chefe da guarda. Por que ele estava feliz naquele momento, mesmo sabendo da doença de Satsumi e do fato dela estar grávida?
- Não diga que eu sei do segredinho dela, está bem? – disse Hattemaru – Se ela não quis contar ainda, é porque tem seus motivos... ou vergonha...
Hattemaru deixou o casarão e foi direto para sua casa, onde encontrou a feiticeira Yume olhando as mãos, já bastante afetadas pela idade, depois as passando no rosto enrugado.
- Não vejo a hora de ter de volta meu corpo de youkai – disse ela – Sei que estou perto de consegui-lo. Sinto que Sesshoumaru está voltando para cá! Mais alguns dias, e nós poderemos nos vingar dele...
Sesshoumaru chegou em suas terras acompanhado do pôr do sol. Conseguiu sentir o alivio de estar de volta àquele lugar, depois do tempo que perdera em busca de algo que não conseguira encontrar.
- Descanse! – disse para o youkai dragão, que finalmente havia aprendido a voar, e agora passava a maior parte do tempo praticando sua nova habilidade.
O animal pousou e colocou-se ao lado do amo, que também havia sentado para repousar um pouco, depois de vários dias andando sem parar para poderem chegar o mais rápido possível.
- Amanhã iremos procurá-la – disse Sesshoumaru ao dragão – Tenho certeza que ela ficará feliz em ver que está voando...
Fechou os olhos, tentando dormir, mesmo que fosse por alguns minutos. Pelo menos poderia deixar sua mente descansar um pouco, já que não conseguia parar de pensar em Satsumi enquanto estava acordado.
Satsumi sentou-se na escada da entrada do casarão, aproveitando o dia de sol que logo daria lugar ao frio do outono. Encheu o peito com o ar puro, alegrando-se por não estar sentindo mais dor, depois de quase uma semana de tormento. Teve sua alegria triplicada quando sentiu, pela primeira vez, a filha se mexer em seu ventre. Levou sua mão até a barriga, passando-a por cima do local onde havia sentido um leve chute, rindo sem parar da sensação maravilhosa que acabara de experimentar.
"Faça de novo!" pediu em pensamento "Apenas mais uma vez!".
Esperou por mais um pouco até ter seu pedido atendido, então se levantou e correu até a sala de casa, onde encontrou Asuka e puxou a mão da amiga até sua barriga.
- Sinta! – disse Satsumi com um enorme sorriso.
Asuka não conteve a risada escandalosa quando sentiu a leve pressão sob a pele, compartilhando com Satsumi a felicidade do momento. Só deixaram os sorrisos de lado quando perceberam a presença de uma outra pessoa na porta, as observando. Yume olhava as duas com um sorriso irônico no rosto.
- Bom dia! – disse a feiticeira.
- Bom dia! – respondeu Asuka.
Satsumi respondeu apenas com um meio sorriso, já que não se sentia confortável ao lado daquela senhora, que mesmo tendo sido sempre gentil, nunca conseguira ganhar a confiança da jovem.
- Eu vou ao túmulo de meu pai, Asuka – disse Satsumi passando pela feiticeira sem olhá-la – Voltarei logo, está bem?
- Bom passeio, jovem Satsumi – disse Yume – Hoje o dia está bastante agradável para caminhadas. Isso fará muito bem à srta!
Satsumi fingiu não escutar as palavras e saiu da casa. Passou pelos guardas do vilarejo, que treinavam no pátio da frente, e deu bom dia á Hattemaru.
O chefe da guarda retribuiu o cumprimento e depois virou seu olhar para Yume, esperando pelo sinal da feiticeira de se devia ou não seguir Satsumi. Yume balançou negativamente a cabeça, depois deu as costas e voltou para a casa do chefe da guarda.
"Deixe que os dois se reencontrem primeiro!" pensou a feiticeira "Deixe que matem a saudade antes de acabarmos com a alegria dos dois!".
Sesshoumaru deu um sorriso contido ao sentir no ar o aroma da humana. Há horas estava parado naquele mesmo lugar, esperando por ela, que certamente passaria por aquele caminho para chegar até o túmulo do pai.
"A rotina dos humanos os torna tão previsíveis!" pensou enchendo os pulmões com aquele cheiro maravilhoso que Satsumi exalava "Ela está por perto!".
Deu mais alguns passos até chegar à trilha aberta na mata para passagem dos moradores do vilarejo. Notou surpreso que sua respiração tornou-se mais acelerada com a proximidade dos passos dela.
"Vejo que o tempo não diminuiu o meu sentimento por você, Satsumi" pensou ansioso "A simples idéia de te rever já me deixa atordoado!".
Seus olhos então se fixaram naquele caminho de onde ela surgiria. Era difícil até de piscar sem achar que fosse perder sua chegada. Mas estranhamente, seus olhos fecharam-se o mais apertado possível quando a viu aparecer a sua frente. Esperou pela primeira palavra dela, mesmo que não fosse agradável, mas queria ouvir sua voz ecoar em sua mente antes de encarar aquele rosto que tanta falta lhe fazia.
Abriu os olhos após o torturante silêncio que se seguiu. Imaginou que ela estivesse tão magoada com sua demora que nem ao menos desejava falar algo. Mas a expressão no rosto dela não era de mágoa, tampouco raiva, e sim de surpresa. Via-se que ela não conseguia falar, por mais que o quisesse. A jovem levou uma mão a boca, enquanto a outra procurava um árvore para se apoiar.
- Satsumi... – disse Sesshoumaru ao notar que ela não estava bem.
Ele aproximou-se rápido e a segurou, antes que ela caísse desmaiada no chão.
- O que foi? – perguntou preocupado – Eu não queria deixá-la assim...
Sentou-se e a deitou em seu colo, esperando que ela recuperasse a consciência. Sua mão logo trilhou até o ventre da humana, procurando saber se sua filha estava bem, o que confirmou com um sorriso no rosto.
- Acorde, Satsumi – sussurrou ao ouvido dela – Não deseja me ver?
Passou a mão pelo rosto dela, frio e pálido, e notou que aquilo não era apenas por causa do desmaio.
- Você não está muito bem, não é? – perguntou para a jovem desfalecida em seu colo – O que se passa com você, Satsumi? Não me agrada voltar e encontrá-la tão fraca...
Alguns minutos se passaram até que Satsumi abrisse um pouco os olhos. A primeira coisa que enxergou foi o sol, ou melhor, dois sóis. Sorriu ao ver que eram os olhos dourados do youkai, que estavam fixos nela.
- Sesshoumaru...
- Shhhhh! – fez sinal para que ela não falasse – Descanse um pouco mais...
- Não – disse ela tentando se sentar – Eu já estou bem.
Ele a apertou contra o próprio corpo, impossibilitando a ação de Satsumi.
- Fique quieta! – ordenou ele – Eu não a deixarei se levantar até que melhore...
Ela aproveitou aquele momento para matar a saudade que sentia do calor do corpo do youkai. A filha parecia também conseguir sentir aquele calor, tanto que respondeu ao abraço dos dois com um leve toque do lado esquerdo da barriga de Satsumi.
- Ela se mexeu... – disse sorrindo para Sesshoumaru.
Ele levou a mão até a barriga dela de novo, esperando que o movimento se repetisse.
- Eu posso sentir o coração dela batendo – disse Sesshoumaru sério – Mais acelerado que o seu, e muito mais rápido do que o meu...
Satsumi posicionou a mão dele no local onde havia sentido o chute da criança, e não demorou muito para que Sesshoumaru pudesse comprovar o milagre que acontecia tão próximo dele, mas distante de sua visão. Podia sentir o quanto sua menina estava bem, mesmo que não pudesse ver isso em seus olhos ainda.
Naquele momento, tão rápido e simples, conseguiu entender o motivo do pai de não deixar para trás a humana com quem se envolvera, e que assim como Satsumi, carregava em seu ventre o maior tesouro que alguém pode ter.
- Quanto tempo? – perguntou Satsumi.
- O quê? – disse Sesshoumaru sem entender ao que ela se referia.
- Por quanto tempo você ficará? – disse ela demonstrando agora um pouco de ressentimento.
Sesshoumaru olhou para o topo das árvores que balançavam majestosamente com o vento. Embora soubesse que a resposta que ela esperava era a de que não iria mais embora, sabia que não conseguiria mentir para ela. Embora sua busca não tivesse tido resultado, não conseguia se desfazer da idéia de procurar pela espada do pai.
- Eu ficarei o tempo que for preciso – respondeu ele.
- Já me basta... – disse Satsumi sabendo que nada no mundo mudaria a obsessão dele com o tesouro do pai – Basta saber que ficará ao meu lado enquanto pode...
- Eu não queria ter demorado tanto para voltar...
- Pensei que não o veria mais – disse ela - Tive medo de que se esquecesse de nós...
Ele a olhou com um sorriso, e Satsumi envergonhou-se com a tolice de suas palavras.
- Desculpe... – disse ele -...mas quanto a esquecê-las, creio que não é mais da minha competência decidir tal coisa. Meu coração não age mais conforme minhas vontades.
- Acho que já posso me levantar – disse ela com um sorriso – Já estou melhor.
Sesshoumaru a ajudou a se erguer, e a olhou de cima a baixo. Ela estava ainda mais linda do que o normal. Estava vestida com um simples kimono azul sem desenhos e com os cabelos soltos ao vento. E aquela simplicidade conseguiu despertar o desejo dele, fazendo-o abraçá-la com força, enquanto tentava em vão segurar a excitação que começava a aparecer.
- Eu tenho guardado meu desejo por todo esse tempo, Satsumi – disse ele – Deixe que eu o sacie agora...
Um beijo tão longo quanto a distância que os havia separado uniu seus lábios. Mas aquilo não seria suficiente para aplacar o calor que emanava dos corpos que agora se encontravam tão apertados um contra o outro, que era possível para Satsumi sentir as pontas afiadas dos detalhes na armadura dele quase furarem o tecido do kimono, machucando-a um pouco. Ele notou isso e soltou a proteção, apenas afastando seu corpo um pouco do da humana, mas sem deixar que os lábios se separassem, jogando a armadura longe.
Puxou-a de novo para si, passando a beijar o pescoço da jovem que controlava o volume dos gemidos enquanto seus olhos vigiavam os arredores com medo de algum transeunte curioso.
- Não há ninguém... – disse Sesshoumaru fazendo-a se encostar em um árvore – Ninguém irá atrapalhar nosso momento...
Ela fechou os olhos, sentindo o calor dos lábios dele que agora tocava seu ombro esquerdo.
- Eu a quero agora... – disse ele levantando o kimono dela até a cintura – Não posso esperar mais...
Pegou-a no colo e a deitou no chão coberto de folhas secas, sem tempo de fazer nada mais além de soltar o laço de sua calça. Penetrou-a com força, arrancando dela um gemido alto. Acalmou um pouco do desejo furioso que sentia, ficando dentro dela sem se mover pr alguns segundos, dando a ela a chance de também senti-lo dentro de si, e evitando machucá-la.
- Como eu senti sua falta... – sussurrou ela -... como eu sofri de não poder sentir-me da maneira que me sinto agora, entregue totalmente a você...
- Eu não também não tive um dia de paz – disse ele – E como minhas noites foram sofridas sem poder tê-la em meus braços. Eu amo você, Satsumi... A distância apenas me fez ver o quanto eu a amo...
Eles deixaram as confissões de lado para poderem juntar os lábios mais uma vez, sentindo a respiração ofegante um do outro conforme a movimentação dos corpos tornava-se maior, indicando a proximidade do orgasmo de ambos. Satsumi levou uma das mãos a boca, mordendo-a para evitar o grito que se formava em sua garganta ao sentir um prazer sem igual. A visão dela, cravando os dentes com força no lado da mão, fez com que o youkai sentisse ainda mais tesão, e poucos segundos depois foi sua vez de alcançar o prazer, tão intenso que o fez perder o ar pelo tempo em que sentia seu corpo estremecer com o orgasmo. Ele deixou seu corpo repousar sobre o dela, recuperando o ar.
Os dois ficaram deitados no chão rústico, sem se importar se naquele momento poderia chegar alguém. Seus corpos não conseguiam se mover, e eles aproveitaram cada pequena sensação que causavam um no outro. Até mesmo o leve toque do antebraço de Satsumi no peito de Sesshoumaru pareceu criar ondas de choque, arrepiando a pele do youkai.
Ficaram deitados por um bom tempo, em silêncio e olhando para o céu, até que uma questão veio à mente de Sesshoumaru.
- Eu sei o que você vai me responder, mas ainda assim devo perguntar – disse Sesshoumaru – Você está bem, Satsumi?
- Eu estou maravilhosa – disse ela – Não é visível o quanto estou feliz?
- Eu não perguntei sobre estar feliz – disse ele – Eu perguntei se você está bem. Se você tem se sentido bem fisicamente.
Satsumi calou-se, o que causou uma certa desconfiança no youkai.
- Diga, o que está acontecendo?
- Nada! – respondeu ela – Eu só tenho sentido um pouco de indisposição por causa de um forte resfriado.
Ele a olhou sério. Franziu a testa para demonstrar a importância das palavras que sairiam de sua boca.
- Espero que não esteja me escondendo nada, Satsumi – disse firme – Eu jamais a perdoaria se algo acontecesse a essa criança por motivos que você não quis me contar...
- O quê? – perguntou ela assustada com as palavras dele – Por que diz isso? Você sente algo em relação a nossa filha? Você sente que ela não está bem?
- Não...
- Por tudo que é mais sagrado a você, Sesshoumaru – disse ela desesperada – Eu preciso saber se você sente que ela não está bem...
- Eu não sinto nada ruim! – disse ele tentando acalmá-la – Ela está muito bem. O que me preocupa é você!
- Eu estou ótima! – disse Satsumi se sentando – Por que você não pode apenas aceitar minha primeira resposta?
- Porque eu sei da capacidade dos humanos para mentir! – respondeu ele friamente – E não me diga que você não faria isso, pois faria.
- Você não acredita em minha palavra? – disse ela apesar daquilo ser verdade – Acha que eu sou assim? Uma mentirosa?
- Acho! – disse ele – Mas sei que isso não é por maldade. Sei que as intenções humanas para isso também podem ser a de proteger outra pessoa. Vocês não chamam isso de mentira, mas sim de encobrir a verdade.
- Lindas palavras, para no fim me chamar de mentirosa de qualquer maneira! – disse ela se levantando irritada – E desde quando você entende tanto de humanos, hein? Que eu saiba, nos odiar não o torna um especialista...
- Onde você pensa que vai? – perguntou Sesshoumaru calmo – Por que foge toda vez que eu tento conversar seriamente com você?
- Talvez pelo fato de que você simplesmente se acha superior a tudo e a todos! – disse ela arrumando a roupa – Eu creio que isso é motivo suficiente para que eu não queira perder meu tempo discutindo com você!
- Eu não estou discutindo...
- Não mesmo – disse ela – Você não pode discutir apenas consigo mesmo. E eu não vou ficar aqui para ouvi-lo...
- Satsumi! – disse ele irritado – Pare com essa bobagem... Agora!
- Você demorou tanto tempo – disse ela – Agora volta só para me igualar a todos as outras pessoas, me dizendo que minha natureza humana me torna uma mentirosa. Você acha que isso é bobagem?
Ele se levantou disposto a impedi-la de sair dali, mesmo que tivesse que amarrá-la numa árvore. Não deixaria que ela fugisse do assunto, pois sua atitude mostrava o quanto ela queria esconder algo. Segurou o braço dela, mas soltou-o assim que viu que ela fazia força para se liberar.
- Pare! – disse ele tentando abraçá-la – Seu nervosismo não fará bem a nossa filha.
- Me deixe ir para casa! – disse ela se esquivando do abraço dele – Eu não quero que você fique ao meu lado se você não acredita em minhas palavras.
- Por que você tem de ser tão teimosa? – gritou Sesshoumaru – Eu nunca conheci alguém tão difícil de se lidar como você, Satsumi! E olha que eu já vivi o bastante...
Ela o encarou em silêncio, boquiaberta pela reação dele. Por fim um meio sorriso irônico se formou no canto da boca dela.
- Você é incrível, Sesshoumaru – disse ela – Eu aconselho que você se analise um pouco, pois não sou eu o teimoso e difícil de se lidar aqui! Você nem imagina o quanto isso são características de sua personalidade...
Ela deu as costas e saiu pisando duro em direção ao vilarejo. Sesshoumaru ficou observando, sem intervir.
- Eu quero vê-la hoje à noite! – disse ele – Não ouse me deixar esperando...
Satsumi desapareceu da visão dele, então ele deixou que seu lado de youkai insensível de lado e suspirou.
- Eu adoro esse seu jeito, Satsumi – disse ele – Sei que não deveria te irritar, mas você pede por isso...
Satsumi não escondeu um sorriso ao ouvi-lo dizer que queria vê-la à noite. Embora estivesse com um pouco de raiva, sentia-se feliz pela volta dele. Sentia tristeza apenas de ter de esconder dele sua doença.
"Me perdoe, Sesshoumaru" pensou "Mas não direi a você o quão meu futuro é triste. Não até que nossa filha nasça saudável e forte, como eu acredito que ela será. Não quero ter que fazê-lo sofrer com a expectativa de que sua filha corre risco, até porque meu coração de mãe diz que ela não será prejudicada com o que tenho!".
Yume revirou os olhos ao ter uma visão bem clara da conversa entre Satsumi e Sesshoumaru. Quando voltou a si, ajoelhada no tatame da sala da casa de Hattemaru, deixou uma gargalhada ecoar pelo ambiente, chamando a atenção do chefe da guarda que estava do lado de fora.
- O que aconteceu? – perguntou ele entrando curioso.
- Uma ótima noticia, meu jovem! – respondeu a feiticeira – Conseguiremos pôr em prática o nosso plano bem antes do que eu imaginava...
- Quando? – perguntou ansioso pela resposta.
- Hoje à noite! – disse Yume certa de suas palavras – Ainda essa noite...
Demorou, mas postei um novo capítulo! Desculpem a demora, é que eu fui pega pela famosa gripe que tem assolado esse país. Mas agora que melhorei, não há desculpas para não postar logo. Ou seja, me xinguem se eu demorar muito, ok? Abraços a todas que mandaram reviews, e peço que mandem mais. Bye, bye!
