Bom, pessoal! Sei que vocês vão ler e achar esse capítulo um pouco sem graça, mas no próximo as coisas começam a melhorar, está bem? Espero que estejam conseguindo acompanhar a história, é que as vezes eu mesma leio e me perco um pouco na trama. Agradeço as reviews. Abraços, boa leitura!

O veredicto de Sesshoumaru.

Satsumi abriu os olhos e notou perplexa que já escurecera.

"Ele não veio?" perguntou-se "Ele nem ao menos me deu o direito de conversar com ele?".

Sentou-se com dificuldades, encostando-se na parede da cabana, e passou a mão por cima do kimono que usava, sentindo que ele estava ensopado de sangue. Teve vontade de gritar, amaldiçoando cada segundo de sua vida, que parecia estar sempre cercada pela tristeza, mas não tinha forças nem para isso. Apoiou-se na parede e tentou se levantar, e já não sabia se a escuridão era por estar mesmo de noite ou se era sua visão que estava totalmente turva.

- Fique sentada! – ordenou uma fria voz no canto da cabana.

"Sesshoumaru?" pensou surpresa.

- Eu só vim até aqui para me despedir... – disse ele – E devolver algo que lhe pertence...

Satsumi sentiu algo cair em seu colo e a pegou na mão. Baixou a cabeça, entristecida ao notar que era a "faixa" que dera ao youkai de presente.

- Eu não a quero de volta...

- Ela não tem mais nenhum valor para mim – disse Sesshoumaru friamente – Eu a jogaria fora se ela não tivesse pertencido a sua família...

Um longo e doloroso silêncio tomou conta do lugar, mostrando que nenhum dos dois sabia como encarar a situação em que se encontravam.

- Vá embora! – disse Sesshoumaru finalmente.

- Como...?

- Você já conseguiu me trazer até aqui – disse ele – Não há necessidade de sangrar até a morte na minha frente. Isso não irá me comover...

- Eu não vou embora – disse Satsumi – Eu vim aqui para conversar com você...

- Não há o que conversar, humana – disse ele enfatizando seu desprezo ao chamá-la de "humana".

- Por que você não pode ouvir o que tenho a dizer?

- O que quer? Pedir desculpas pelo que aconteceu? – disse ele irritado – Acredita que isso melhora algo?

- Você acha que tenho culpa nisso? – perguntou com a voz falha.

- Você sabia que esse seria o fim – disse ele – E ainda assim, fingiu que estava tudo bem.

- Eu sabia que isso aconteceria? Como?

- Você sabia que minha filha ia morrer... – disse Sesshoumaru – E nem ao menos me contou isso...

- Isso é mentira! – disse Satsumi chorando – Você acha que se eu soubesse que isso aconteceria, eu manteria um sorriso no rosto?

- A verdade apareceu, mas vinda da boca de outra pessoa, Satsumi, não da sua!

- Do que está falando? – estranhou a jovem.

- Asuka me contou toda a verdade – disse ele – Ela me contou sobre o conselho do tal doutor...

- Conselho do doutor? Que conselho?

- Está dizendo que sua amiga estava mentindo? – disse Sesshoumaru – Ou sou eu o mentiroso aqui?

- Não, não estou dizendo isso – disse Satsumi fazendo um esforço e tentando se aproximar do youkai.

- Fique aí! – disse ele – Se você chegar perto de mim, eu me levanto e vou embora!

- Por que isso? O que eu fiz de tão errado? – disse ela chorando.

- Responda minha questão! – disse ele – Sua amiga é uma mentirosa? Uma idosa como ela é uma mentirosa?

- Idosa? – estranhou Satsumi – Asuka não é...

- Por que ela mentiria? – interrompeu ele.

- De quem está falando? Asuka não é idosa...

- Então eu enlouqueci? – disse ele sorrindo – É isso o que quer dizer?

- Não...

- Sua amiga me encontrou ontem, pela manhã – disse ele – Ela disse se chamar Asuka. Você reconhece esse nome, não é?

- Sim, mas...

- Então, por que duvida de minhas palavras?

- Ontem? Asuka não saiu de casa ontem – disse Satsumi – E Asuka não é idosa...

- Quem era então? – disse Sesshoumaru.

- Não sei...

- Ainda assim – disse Sesshoumaru – Essa pessoa me contou a verdade...

- Verdade? – interrompeu Satsumi – Que verdade?

- De que o doutor disse que essa gravidez não tinha futuro. Ele até mesmo aconselhou que você não se apegasse a essa criança...

- Essa é a verdade? – disse a jovem – A mentira de outra pessoa é a única verdade em que você acredita? Prefere confiar nas palavras de alguma desconhecida que o encontrou pelo caminho do que acreditar em mim?

Sesshoumaru ainda pensou um pouco antes de responder a pergunta de Satsumi.

- Minha filha está morta, não está? – disse ele – As palavras da desconhecida não foram tão mentirosas como você diz...

- "Nossa filha", Sesshoumaru – corrigiu Satsumi – Nossa filha está morta, mas eu juro, pela alma dela, que nunca ouvi tal conselho desse doutor. Aliás, ele nem mesmo sabia que eu esperava uma criança, há tempos que não o vejo. E eu o mataria com minhas próprias mãos se tivesse ouvido um conselho tão frio e sem respeito como esse...

- Então por que nossa filha morreu? – perguntou Sesshoumaru – Seria uma coincidência muito grande, não é mesmo?

- Por que não acredita em mim? – gritou Satsumi – Se você olhar nos meus olhos nesse momento, verá que não estou mentindo!

- Não levante sua voz para mim – disse ele calmo.

Ela se aproximou mesmo contra a vontade dele, e ficou frente a frente com ele, na escuridão da cabana.

- Olhe nos meus olhos – disse ela – Eu sei que sua visão no escuro é boa. Você pode olhar bem no fundo dos meus olhos...

- Saia de perto de mim...

- Não! – disse ela firme – Olhe nos meus olhos e diga se estou mentindo!

Ele segurou os ombros de Satsumi e a encarou com ódio.

- Eu não vejo nada em seus olhos – disse ele – Não acredito em mais nada do que vejo em você, Satsumi. Você mostra estar sofrendo, mas eu chego a duvidar até mesmo disso!

Ele a soltou e virou o rosto. Satsumi levou a mão à boca, sem acreditar que ele achava que seu sofrimento era apenas fingimento.

- Você me considera um monstro? – disse ela chorando – Acha que eu finjo sofrer?

Ele tentou se levantar, mas foi impedido por Satsumi que colocou a mão em seu peito.

- Você não vai! – disse ela – Fique e olhe nos meus olhos de novo! Mas sem esse ódio todo que está te cegando. Aí você verá que meu sofrimento não é mentira.

Ele pegou a mão dela, pronto para tirá-la de seu peito, mas não conseguiu soltá-la.

- Por que tudo o que vem de você me parece mentira, Satsumi? – disse ele com a voz embargada – Eu sinto a dor que você tem no coração, mas não acredito nela.

- Essa dor está me matando, Sesshoumaru – disse ela deixando a cabeça encostar-se ao tórax dele – Como isso poderia ser mentira? Como eu gostaria que fosse mesmo mentira, eu poderia me livrar dela tão facilmente. Mas não é! E eu não suporto sentir isso...

Ele permitiu-se consolar Satsumi por alguns instantes. Abraçou-a com força, enquanto ela chorava convulsivamente.

- Eu a quero de volta... – sussurrou Satsumi – Eu quero minha criança de volta...

Sesshoumaru passou uma das mãos pela bainha da Tenseiga, pensando na ironia do destino. Carregava uma espada capaz de devolver a vida, mas não poderia usá-la em sua própria filha.

"Se tivéssemos ficado juntos na noite de ontem, Satsumi" pensou fechando os olhos "Haveria como evitar toda essa dor. Mas o destino agiu totalmente contra nós...".

- Por que eu sempre perco tudo o que amo? – perguntou Satsumi – Perdi meus pais, mas isso eu posso suportar... mas minha filha... essa perda eu não consigo enfrentar, eu não quero acreditar nisso... E vou perder você também, não é? Você não acredita em mim...

- Satsumi...

- Espero que um dia descubra a verdade – disse ela se afastando dele – Eu não quero morrer imaginando que me culpa pela morte de nossa filha...

- Eu não vou atrás de verdade nenhuma, Satsumi – disse ele se levantando – Eu vou embora daqui, e vou esquecer tudo o que se passou, para que eu consiga um pouco de paz. Não me interessa mais saber nada, só quero me livrar desse sentimento horrível que me consome. E isso, eu conseguirei com o tempo... e a distância desse lugar...

Ele caminhou para a porta e a abriu, parando por alguns segundos antes de sair.

- Adeus! – disse ele friamente ao sair e fechar a porta.

Satsumi ficou de joelhos no chão, sem olhá-lo sair da cabana. O adeus dele a fez ver que essa era mesmo sua realidade. Agora estava sozinha com sua dor. Era apenas ela agora, presa num mundo cercado de tristeza.

- Perdi tudo – sussurrou – Minha filha, Sesshoumaru, tudo. Não existe meio de tornar minha vida pior...

Sesshoumaru parou em frente à cabana e encarou o homem segurando uma lamparina, que estava encostado numa árvore.

- O que está fazendo aí? – perguntou.

- Esperava que a conversa dos dois terminasse – respondeu Hattemaru – Embora minha vontade fosse de entrar lá e livrar Satsumi de ter que falar com você!

Sesshoumaru apenas deu as costas e caminhou para o lado contrário de onde o chefe da guarda estava.

- Eu cuidarei dela! – disse Hattemaru – Você vai ver que eu vou dar a ela a felicidade que ela merece!

- Eu não me importo! – respondeu Sesshoumaru – Satsumi e eu já não temos mais nada...

Hattemaru olhou o youkai desaparecer em meio à escuridão da mata, então resolveu entrar na cabana, e oferecer sua solidariedade a Satsumi. Encontrou-a de joelhos, perdida em seus pensamentos.

- Satsumi? – chamou ele ajoelhando-se ao lado dela – Vamos para casa.

- Hattemaru... – disse ela o abraçando – Eu os perdi... Perdi os dois de uma única vez...

Ele a apertou contra seu corpo, sentindo as lágrimas dela molharem sua roupa, a sentiu-se mal por ter culpa naquilo.

- Se te serve de consolo, Satsumi – disse ele – Você ainda tem a mim... Eu jamais a deixarei. Eu a amo demais para deixá-la.

Satsumi aceitou o apoio do falso amigo, que permaneceu com ela na cabana por um bom tempo ainda, sem que ela imaginasse que na cabeça dele pouco importava a morte de sua filha ou a partida de Sesshoumaru. Tudo o que ele visualizava era o futuro, onde finalmente conseguiria ter Satsumi só para si.


Sesshoumaru caminhou até a cachoeira e parou, olhando tudo a sua volta. Sentiria falta daquele lugar, de Satsumi, de sua filha, de tudo. Mas tinha que reencontrar um objetivo em sua vida, já que não tinha mais nada com que se preocupar. Lavou o rosto na cachoeira, limpando o sangue que voltava a pingar do nariz. Sim, esqueceu-se que ainda tinha algo a fazer naquele lugar antes de ir embora de vez.

- Eu ainda tenho que terminar minha luta com Yume – disse para si mesmo – Aquela youkai me paga por me fazer sangrar!


- Ela encontrou o youkai? – perguntou Asuka para Hattemaru que colocava Satsumi desacordada no futon.

- Sim! – respondeu ele – E ele a deixou...

- Pobre Satsumi – disse Asuka saindo do quarto acompanhada do chefe da guarda.

- Isso vai ser melhor para ela – disse ele – Há coisas que acontecem na vida que tem o propósito de ajudar as pessoas.

- Você acha que ela perder a criança e quem ama pode ajudar am algo? – perguntou Asuka irritada.

- Você vai ver, Asuka – disse Hattemaru – Ela ficará bem melhor agora.

- Ao seu lado, suponho – disse a mulher cinicamente.

Hattemaru a olhou e depois sorriu.

- Espero que sim – disse ele – Ao meu lado!

Asuka passou pelo rapaz, balançando a cabeça negativamente. Lembrou-se de perguntar a ele sobre a luta dos dois youkais.

- Você mandará os guardas fazerem vigília?- perguntou Asuka – Para o caso dos youkais voltarem para lutar aqui...

- Eles não voltarão, Asuka – respondeu Hattemaru – Tenho certeza disso!

Hattemaru deixou o casarão e foi para sua casa. Abriu a porta e sorriu surpreso ao encontrar Yume na sala.

- Pensei que não a veria mais – disse ele – Tia...

- Só vim para agradecer – disse Yume – Às vezes uma youkai também é capaz disso. E vim para avisá-lo que Sesshoumaru não partirá tão cedo.

- O quê? – disse Hattemaru irritado – Ele ainda ficará por aqui?

- Sim! – disse ela – Ele não irá embora enquanto não terminar sua luta comigo!

- Então acabe logo com isso! – disse Hattemaru – Mate-o e pronto!

- Não! – disse Yume – Eu já disse que ele vai morrer, mas não diretamente por minhas mãos. Ele sofrerá com o ataque que eu lancei nele, por dias, quem sabe semanas. Afinal ele é um youkai forte, não sei quanto tempo meu pó da morte levará para destruir todos os órgãos internos dele. Mas ele morrerá, de qualquer maneira. Enquanto isso, eu ficarei apenas observando de longe...

- Mate-o! – ordenou Hattemaru – Antes que ele resolva ter Satsumi de volta...

- Nossa, quanto medo de perdê-la, rapaz! – riu Yume – Apesar de que o corpo dela pode se tornar seu, mas o coração... jamais...

- Eu me contento com isso – disse ele – Ter o corpo é melhor do que não ter nada, não é mesmo?

- Homens... – disse Yume – Sempre acham isso...

Ela se levantou para poder ir embora.

- Espere, Yume! – disse Hattemaru segurando-a pelo braço – Eu lhe peço, mate-o!

- Não! – respondeu ela sorrindo – Se quer tanto se livrar dele, mate-o você mesmo! Pois eu não o farei!

- Maldição! – disse o chefe da guarda – Sabe que não tenho como fazer isso...

- Então... paciência! – disse Yume deixando a casa.

Yume desapareceu no ar, deixando o chefe da guarda sem saber como poderia evitar que Satsumi e o youkai se reencontrassem.

- Logo agora que pensei que tudo estava resolvido – disse ele – Terei que esperar semanas para poder ter a paz que esperava!


Yume olhou de longe a figura majestosa de Sesshoumaru em silêncio próximo da cachoeira. Um sorriso diabólico se formou em seus lábios.

- Não se preocupe, Sesshoumaru – disse ela – Eu revelarei toda a verdade sobre a morte de sua filha. Mas não agora, por enquanto quero vê-lo sofrer e culpar aquela jovem humana por tudo... Isso apenas completará minha vingança!