Defendendo quem se ama.
Bem, quero me desculpar pela demora desse novo capítulo, mas tenho que estudar para um concurso que vou prestar, logo meu tempo está mais corrido. Mas prometo que não abandonarei a fic, está bem? E se alguém sente falta de hentai, saibam que no próximo capítulo vai ter mais um. Os agradecimentos pelas reviews estão no pé da fic, certo? Boa leitura...
Satsumi ajoelhou-se ao lado de Sesshoumaru e tentou acordá-lo, mas em vão. Tentou controlar seu pavor ao notar que ele estava de bruços, e seu rosto estava caído sobre uma poça.
- Sangue...? – perguntou-se ao passar a mão pelo liquido – O que aconteceu com você?
Puxou-o com toda força para virá-lo de barriga para cima, e novamente chamou por seu nome numa tentativa de acordá-lo.
- Acorde... por favor, Sesshoumaru – disse ela próximo ao ouvido dele.
Uma respirada profunda dele deixou Satsumi um pouco mais aliviada. Pelo menos, ele estava vivo.
- Não consigo enxergar nada nessa escuridão... Preciso buscar algo para iluminar a cabana.
Decidiu correr o risco de ir até o vilarejo rapidamente e pegar uma lamparina. Levantou-se e saiu correndo pela porta, parando apenas para dar uma ordem ao youkai dragão.
- Não deixe que ninguém se aproxime – ordenou ao animal – Eu volto logo...
Disparou em direção ao vilarejo, atravessando o riacho tão rápido que nem parecia que as águas estavam tão geladas. Quando chegou ao vilarejo, nem se preocupou em ver se Hattemaru estava por perto, o que causaria problemas a ela para voltar e ajudar Sesshoumaru. Entrou no casarão, pegando a primeira lamparina que encontrou pelo caminho, depois deu as costas e saiu de novo da casa.
Correu de volta ao caminho que levava ao riacho, certa de que ninguém a vira.
- Onde está indo com essa pressa?
Satsumi quase deixou a lamparina cair com o susto que tomara. Olhou para a pessoa atrás de si, e após ver quem era, conseguiu respirar novamente.
- Asuka... – disse para a amiga que a olhava surpresa – Você quase me mata...
- A srta é que quer me matar – disse a amiga – Eu estava a sua procura pela mata.
- Por quê? Aconteceu algo?
- Claro... – disse Asuka – Hattemaru a está procurando. E me incumbiu de ajudar. Veja se tem cabimento isso, um frio danado e eu tenho que ficar procurando a srta...
- Asuka – interrompeu Satsumi – Eu preciso de uma grande ajuda sua...
- O que quer? – disse a amiga já desconfiada.
- Preciso que arranje uma desculpa para Hattemaru – disse a jovem – Para que ele não me procure.
- Por quê?
- Porque preciso ajudar uma pessoa – respondeu Satsumi – Essa pessoa está muito ferida.
- Quem é? – perguntou curiosa.
- Asuka... é o meu youkai...
Os olhos de Asuka se arregalaram, e sua boca entreaberta era sinal de que ela queria dizer algo, que com certeza não era bom.
- Asuka...
- Eu direi que a srta já foi dormir... – disse a amiga por fim – Já que me parece inútil tentar dissuadi-la de fazer a besteira de correr para aquele youkai...
- Você não sabe como eu ficarei agradecida, Asuka – disse Satsumi sorrindo – Agora, deixe-me ir...
Satsumi virou-se e correu até sumir da vista de Asuka. A amiga apenas balançava a cabeça negativamente ao ver a jovem ir em busca de um sonho que com certeza não poderia se tornar realidade.
- Espero que pelo menos aquele youkai veja seu valor... – disse ela virando-se para voltar para o casarão.
Yume parou ao lado da cabana, sentindo o cheiro forte do sangue de Sesshoumaru.
- Vejo que finalmente meu veneno começou a fazer um efeito maior – disse ela aproximando-se lentamente do casebre – Agora, poderei ficar ao seu lado, esperando pela morte lenta e dolorosa que terá...
Parou ao ouvir o rugido de alerta do youkai dragão.
- Acha que você pode me impedir de entrar? – disse rindo – Um youkai inútil como você foi o que sobrou para defender o Grande Senhor das Terras do Oeste?
Ela levantou a mão com rapidez, criando um forte vento que jogou o dragão longe. Depois caminhou até a porta da cabana, abrindo-a e sorrindo satisfeita ao encontrar Sesshoumaru inconsciente em meio à escuridão.
- Você é muito parecido com seu pai... – disse ela chegando perto dele – O mesmo belo rosto... Talvez seja por isso que eu alimente esse ódio tão grande por você também...
De repente sentiu uma presença e parou de falar.
- Não pode ser! – disse ao perceber quem era – Aquela humana?
Sentia a presença dela se aproximando rápido, e irritou-se ao perceber que teria que sair dali, já que não poderia matar a humana, afinal ela era propriedade de Hattemaru, que ajudara Yume a voltar a sua forma verdadeira.
- Maldição! – esbravejou Yume – O que essa garota está fazendo por aqui?
Olhou novamente para Sesshoumaru no chão e deu um meio sorriso.
- Espero que não morra sem que eu veja – disse ela – Seria muito frustrante...
Seu corpo transformou-se numa esfera luminosa e ela desapareceu no ar, pouco antes de Satsumi chegar ao local.
Satsumi estranhou a ausência do youkai dragão parado a porta, mas acreditou que ele tivesse saído para comer ou beber água. Entrou na cabana, e agora com a iluminação pôde ver quanto sangue Sesshoumaru estava perdendo.
- Vou ajudá-lo... – sussurrou ao ajoelhar-se ao lado dele – Não se preocupe...
Rasgou um pedaço do próprio kimono para poder limpar o sangue que ainda escorria do nariz dele.
- Você sangra, mas não vejo nenhum ferimento... O que fizeram com você?
Tirou a bainha com a espada da cintura dele e decidiu arrancar sua armadura, colocando-as num canto. Viu pela pequena abertura na blusa dele algo que a deixou ainda mais apavorada.
- O que é isso? – perguntou-se ao abrir um pouco mais a blusa e notar vários hematomas pelo tórax dele.
Ela tocou levemente um desses arroxeados, e viu pela reação de Sesshoumaru que eles doíam.
- Me desculpe... me desculpe – disse ela tirando a mão – Eu não queria que isso lhe causasse dor...
Limpou o rosto dele, notando que ela própria estava tremendo, mas sabia que não era de frio. Deixou uma lágrima escorrer do rosto e pingar próximo aos lábios do youkai, e logo foi limpá-la. Parou para olhá-lo mais de perto, sem conseguir evitar que outra lágrima também caísse. Sentia o peito apertado com a simples idéia de que ele estivesse sofrendo, que ele pudesse sair da vida dela de vez.
- Não! – disse abraçando-o apertado – Isso não acontecerá! Você vai melhorar logo...
Chorou abraçada ao youkai inconsciente, soluçando em seu ouvido confissões sobre seu amor por ele.
- Eu o amo demais... não deixe que eu perca a você também... eu não agüentaria isso...
Para surpresa de Satsumi, ela sentiu o braço de Sesshoumaru envolver sua cintura, puxando-a para mais perto do corpo dele.
- Eu não vou morrer... – sussurrou Sesshoumaru.
Ela parou de chorar e o encarou, primeiro espantada, depois abrindo um enorme sorriso ao vê-lo abrir um pouco os olhos.
- Você acordou... – disse ela – Que bom que acordou...
Abraçou-o novamente, apertando-o ainda mais dessa vez.
- Satsumi... – disse Sesshoumaru – Você não pode ficar...
Ela o soltou e o olhou séria.
- O quê? – perguntou ela.
- Você tem que ir embora...
- Não... – disse ela acreditando que ele estava fazendo isso por estar ainda com raiva dela.
- Não é um pedido... – disse ele tentando se sentar – Não a quero aqui...
Na verdade, Sesshoumaru sabia que Yume não tardaria a encontrá-lo. Sabia que a youkai estava apenas esperando para pegá-lo num momento propício, onde ele não teria como se defender bem.
- Por que não pode aceitar minha ajuda? – perguntou Satsumi – Por que não quer que eu fique?
- Você não vai ajudar em nada ficando aqui! – disse ele.
Satsumi se levantou furiosa com a atitude dele. Mesmo machucado ele ainda mantinha-se com um ar de superioridade que chegava a irritar.
- Se você prefere ficar sozinho... – disse ela – Eu o deixarei. Eu já não tenho mesmo nada que fazer aqui...
Sesshoumaru a olhou apenas de relance, depois desviou seu olhar para a porta, onde sentia a presença de Yume.
"Você está por perto, não é?" pensou ele "Não vou deixá-la machucar Satsumi!".
- Vá embora logo! – gritou ele para Satsumi, assustando-a.
- Não grite comigo...
Sesshoumaru sentia a presença de Yume cada vez mais perto da entrada da cabana, e certo de que se não agisse de forma rude, Satsumi não o deixaria sem uma boa discussão. Caminhou rápido até a jovem e a empurrou até que ela batesse as costas na parede.
- Vá embora, antes que eu...
- Que você o quê? – disse ela encarando-o.
Sentiu que ela mantinha-se firme a voz, mas que estava com muito medo dele. Não conseguiria fazer aquilo, não era seu desejo apavorar Satsumi.
- Vá embora... – disse ele soltando-a – Por favor...
- O que está acontecendo? – perguntou ela vendo que a expressão do rosto dele mudara – Fale comigo...
Antes que Sesshoumaru decidisse contar do perigo que rondava a cabana, sentiu uma dor aguda no peito, que o fez cair de joelhos no chão.
- Sesshoumaru... – disse Satsumi desesperada – O que está sentindo?
O youkai deixou o corpo cair ao chão, voltando a ficar inconsciente. Satsumi ajoelhou-se ao lado dele, tentando acordá-lo, quando a porta se abriu, batendo com força na parede, assustando Satsumi, que viu atordoada a estranha youkai que parava a porta.
- Vejo que você gosta mesmo dele, não é? – disse Yume.
- Quem é você? – gritou Satsumi colocando seu corpo em frente a Sesshoumaru para protegê-lo.
- Eu sou aquela que será lembrada como a youkai que matou Sesshoumaru... – disse ela sorrindo – Gostou?
- Até parece que eu deixarei você tocá-lo...
- Eu não preciso tocá-lo, humana – disse Yume – Eu só preciso esperar que o efeito do meu ataque acabe com ele...
Satsumi deu as costas a Yume e tentou acordar Sesshoumaru, chacoalhando-o e chamando seu nome.
- Desista, jovem – disse a youkai se aproximando dos dois – Não há mais salvação para ele...
- Cale-se! – gritou Satsumi – E saia de perto dele, antes que eu mesma acabe com você!
Yume parou surpresa com a coragem de Satsumi. Depois deu uma sonora gargalhada, e agarrou a jovem pelo pescoço.
- Você tem sorte que eu não posso matá-la! – disse Yume – Mas isso não me impede de causar algum ferimento bastante doloroso em você...
Jogou Satsumi contra a parede da cabana, fazendo-a bater as costas e cair imóvel ao chão.
- Agora, eu vou cuidar de você, Sesshoumaru – disse Yume retirando um pouco mais de seu pó da morte da roupa e jogando-o pelo tórax de Sesshoumaru – Logo, seu corpo sangrará até não haver mais nenhuma gota de sangue nele.
Satsumi levantou seus olhos e viu a youkai ajoelhada ao lado de Sesshoumaru. Olhou para o canto onde havia deixado a armadura e a bainha com a espada dele.
"Tenho que pegar a Tenseiga" pensou Satsumi "Embora ela não seja uma espada para matar...".
Aproveitou que a youkai estava concentrada em Sesshoumaru e arrastou-se rápido até a espada, sacando-a da bainha. Levantou-se e correu até a youkai, disposta a mostrar a ela o quanto estava disposta a defender seu amado.
- Afaste-se dele, sua maldita youkai! – gritou Satsumi atravessando a lâmina da Tenseiga pelo abdômen de Yume.
- O quê? – perguntou a youkai surpresa com a sensação estranha que a espada lhe causara – Oras, sua humana miserável...
Levantou-se e olhou furiosa para Satsumi, que segurava o cabo da Tenseiga.
- Acha que me matará com essa maldita espada? – disse Yume retirando a lâmina de dentro do seu corpo – Ela nem ao menos me machucou...
Satsumi olhou para o local onde havia acertado a youkai, e viu que o corte nem ao menos sangrara, e que logo o ferimento se fechava, assim como acontecera da vez em que cortara e dedo com a Tenseiga.
- Você está pedindo para morrer, sua cretina! – gritou Yume caminhando na direção de Satsumi – Se ousar me impedir de terminar meu serviço logo, eu vou arrancar sua cabeça!
- Sesshoumaru! – gritou Satsumi - Acorde!
- Grite o quanto quiser, humana! – disse Yume levantando a mão cheia do pó venenoso – se você quer tanto ficar ao lado desse youkai, morra junto com ele!
Yume lançou o pó na direção do rosto de Satsumi, que só levantou a Tenseiga como defesa e fechou os olhos. Mas antes que o pó alcançasse a jovem humana, algo aconteceu. Uma luz forte, quase cegadora envolveu o corpo de Satsumi, criando uma barreira protetora.
- O quê? – disse Yume sentindo a pele queimar com o calor que a luz emitia – A espada a protegeu?
A luz começou a aumentar, obrigando Yume a dar alguns passos para trás. Logo, a youkai já se encontrava perto da porta, e a barreira já protegia tanto Satsumi quanto Sesshoumaru.
- O que é isso? – perguntou-se Yume virando-se assustada ao sentir uma presença forte atrás de si.
- É uma pena que meu estado espiritual não me permita tocá-la, Yume... – disse um vulto masculino – Senão teria prazer em fazê-la pagar pelas atrocidades que está cometendo contra os meus...
- Inutaisho? – disse a youkai surpresa ao reconhecer o líder dos youkais cachorros.
- Mas me contento em saber que meu filho vai fazer isso...
- Será? – disse Yume forçando um sorriso para disfarçar seu medo – Será que eu não acabarei com ele primeiro? Sossegue Inutaisho, eu mandarei Sesshoumaru fazer companhia a você... e também àquela criança impura...
- Veremos... – disse o espírito se aproximando de Yume – E quanto ao sangue de minha neta, saiba que ele era bem mais limpo que o seu...
Yume arregalou os olhos em pavor ao ver o vulto de Inutaisho chegando mais próximo dela. Quase gritou ao senti-lo tocá-la, mas estranhamente ele passou direto por seu corpo, e se dirigiu ao interior da cabana, aproximando-se de Sesshoumaru.
- Filho... – disse Inutaisho – Acorde, e cuide dessa jovem...
Inutaisho desapareceu no ar, confundindo-se com a luz da barreira produzida pela Tenseiga. Satsumi, que até então mantinha seus olhos fechados, até mesmo pela alta claridade, abriu-os enquanto a luz começava a enfraquecer. Olhou para Sesshoumaru, que começava a se mover um pouco, depois procurou pela youkai.
- Ela desapareceu? – disse Satsumi baixando a Tenseiga – O que aconteceu?
Correu até Sesshoumaru, colocando a cabeça dele sobre seu colo.
- Acorde... Você precisa sair daqui! – disse ela.
Os olhos de Sesshoumaru se abriram, encontrando os de Satsumi. Ele levou sua mão até o rosto dela, acariciando-o.
- Eu tenho que cuidar de você... – disse ele – Foi uma ordem a qual eu não posso desobedecer...
Satsumi deu um sorriso ao notar que ele já parecia melhor.
- Onde ela está? - perguntou ele olhando para a porta aberta.
- Aquela youkai? – disse Satsumi – Não sei, acho que desapareceu...
"Ela fugiu de novo?" pensou ele "Pelo menos ela não machucou Satsumi".
- Ela queria mesmo acabar com você – disse Satsumi buscando a armadura e a bainha da Tenseiga – Se não fosse pelo poder de sua espada...
- Poder da Tenseiga? – perguntou surpreso – O que aconteceu?
Satsumi contou sobre a estranha luz que emanara da espada enquanto ele estava inconsciente e como a youkai havia desaparecido depois disso.
- A Tenseiga? – disse ele pegando a espada da mão de Satsumi – Ela a protegeu?
- Parece que sim – disse Satsumi – E a você também...
- Essa espada me surpreende cada vez mais...
- Talvez você deva aprender a dar o valor merecido a ela – disse Satsumi.
- Há muitas coisas as quais eu devo aprender a dar valor, Satsumi – disse encarando a jovem – E isso virá com o tempo...
- Você tem todo o tempo do mundo para isso... – disse Satsumi ressentida por não poder dizer o mesmo de si mesma.
Satsumi olhou para Sesshoumaru, que mantinha o olhar fixo na espada, sem perceber que o youkai a olhava pelo reflexo na lâmina. O que desviou a atenção dele da jovem foram as gotas de sangue que pingaram na espada, manchando a imagem de Satsumi.
- Você parece estar sangrando mais do que antes – disse Satsumi.
- Não se preocupe – disse ele guardando a Tenseiga na cintura – Não é nada de mais. Vamos! Eu vou levá-la para casa.
Era visível que Sesshoumaru estava enfraquecido, ainda assim ele saiu da cabana, esperando por Satsumi do lado de fora. Ele olhou para os lados, e logo avistou o youkai dragão caído há uma certa distância.
- Aquela maldita... – disse ele indo em direção ao animal.
Satsumi o acompanhou, e os dois encontraram o dragão desacordado.
- Ele não parece machucado – disse Satsumi – Talvez só esteja desmaiado...
Sesshoumaru demonstrou sua preocupação com o animal com um leve toque em suas costas, enquanto Satsumi colocou-se de joelhos ao lado dele e o acariciou. Logo o animal abria os olhos, rugindo ao ver seus dois protetores.
- Tenho certeza que você fez o melhor para proteger Sesshoumaru – disse Satsumi – obrigada...
- Vamos! – chamou Sesshoumaru – Tenho a impressão de que "ela" logo voltará...
Saíram caminhando pela mata, com Sesshoumaru indo à frente. Ele parou ao avistar o riacho, e virou-se, encarando Satsumi com uma expressão bastante séria.
- Essa será a última vez que eu atravessarei esse riacho, Satsumi – disse ele – Eu acho que você entende o que isso quer dizer.
Satsumi abaixou a cabeça, confirmando com um fraco sim que havia entendido.
- Irei atrás daquela youkai, agora – continuou ele – Depois partirei em definitivo dessas terras. Só assim conseguirei reaver a paz que tinha antes.
Satsumi deu um meio sorriso, então o encarou.
- Espero que encontre o que deseja, Sesshoumaru... – disse ela atravessando o riacho sozinha – Não há a necessidade de me acompanhar...
Sesshoumaru a olhou desaparecer entre a mata, sem olhar para trás, sem dizer-lhe adeus. Teve dúvida se aquele era o fim que queria. Não, não era dúvida, era uma certeza. Tinha certeza que aquele não era o fim que queria. Mas o que poderia fazer? Sabia que nunca estariam juntos para sempre, e fingir que o pouco tempo que teriam juntos era suficiente, era mentir para si mesmo.
- Um dia... Satsumi... – disse ele virando-se - ...um dia você será feliz...
Satsumi parou na entrada do vilarejo, olhando para os lados em busca de guardas que pudessem vê-la chegar aquele horário. Ainda era madrugada, e as fogueiras ainda acesas indicavam que os moradores haviam se recolhido para suas casa há pouco tempo. Atravessou o pátio central e entrou no casarão, tentando não fazer barulho para não acordar as criadas e nem Asuka. Foi direto para seu quarto, onde ficou deitada, pensando em Sesshoumaru. Ou havia cansado de chorar por ele, ou já não restavam mais lágrimas para tal, pois elas se recusavam a cair.
- Talvez... isso seja o certo... – sussurrou no escuro do quarto - ...Talvez, não tenhamos que ficar juntos, nem mesmo por pouco tempo...
Sesshoumaru caminhou até a cachoeira. O frio do lugar com certeza era capaz de afetar um humano, mas não causava nenhum incômodo a ele. Recostou-se em uma pedra, sentindo o vento gelado bater no rosto e esvoaçar os cabelos. O nariz, agora sangrando sem parar já não o irritava mais. Poderia perder todo sangue ali, que nem se importaria. Acabara de deixar para trás coisa muito mais valiosa que seu sangue, do qual ele tinha tanto orgulho de ser tão puro e superior.
Deixara para trás a chance de dizer a Satsumi o quanto a amava e o quanto ela significava para ele. De dizer que não a culpava pela morte da filha, e que só o fizera por estar tão atordoado no momento.
Mas, mais uma vez ele escolhera se afastar quando seu desejo era ficar ao lado da humana. E já nem entendia mais o porque disso. Não era pelo fato dela ser humana, isso já não tinha o menor problema. Aliás, acreditava que só havia se apaixonado por ela ser humana, tão diferente dele próprio, que causava a vontade de conhecê-la cada vez mais.
Sentiu-se fraco. Pela primeira vez em sua vida sentia-se um ser fraco, incapaz de lutar pelo que queria, e isso o atormentava muito. Mas ainda assim, preferia agüentar o tormento que se apoderava de sua alma a ter que voltar atrás em sua decisão.
- Está feito... – sussurrou – Simplesmente feito...
De longe, Yume observava o youkai próximo à cachoeira.
- Maldito! – disse irada – Você e seu pai são dois malditos! Seu pai me deixou com medo pela última vez... e você, Sesshoumaru... eu vou arrancar sua cabeça do seu corpo, e carregá-la em um saco como um prêmio.
Yume estava tão irritada com o fato do espírito de Inutaisho ter aparecido para defender o filho e ainda por cima mostrar o quanto ela ainda o teme, que decidira lutar com Sesshoumaru tão logo se curasse das queimaduras que a luz emitida pela Tenseiga havia lhe causado.
- Eu acabarei com você, filho de Inutaisho – disse ela cerrando os dentes – E pegarei essa maldita espada que carrega com você para mim...
Agradecendo as reviews de:
Lili-chan
TaiNatsu
Juliane.chan1
Nike
Kimi Higurashi
