Pois bem, já expliquei o motivo dos capítulos estarem demorando mais, mas ainda assim peço desculpas por tal. E quero dizer que este é o penúltimo capítulo. A não ser que o final fique muito comprido e eu tenha que partir em dois. Agradeço muito aos que tiveram saco para ler 20 e tantos cap de uma fic Sessh/OC, o que mataria muitos leitores já no primeiro capitulo. Graças às leitoras fiéis dessa fic é que ela pôde chegar até aqui. Espero que gostem desse capítulo, e digo que tem um hentai leve perdido por aí, então para quem curte, espero que ele agrade. No mais, boa leitura!
A última noite
Hattemaru caminhava seguindo a margem do riacho, sem nada com que se preocupar, já que com o começo do inverno tantos os youkais quanto os bandidos costumavam manter-se menos dispostos a perturbar a paz do vilarejo, o que tornava a guarda do lugar fácil.
Seus olhos estavam voltados para a correnteza, enquanto a melodia das águas alcançava seus ouvidos, sem imaginar a figura que há um bom tempo o seguia.
Mas foi preciso apenas o barulho de folhas secas sendo amassadas para que ele se voltasse, já empunhando sua espada.
- Espero que não deseje me matar... – disse Yume, que era quem o seguia.
- O que faz aqui? – perguntou ele guardando a arma.
- Vim lhe fazer uma pergunta – disse ela – Apenas isso.
Ele a olhou sem o mínimo interesse.
- Quero saber o que aquela humana que você ama estava fazendo na cabana, ontem à noite – disse Yume – E ainda por cima, acompanhada de Sesshoumaru...
Ele franziu a testa ao ouvir aquilo.
- O que disse? – perguntou ele.
- Exatamente o que ouviu...
- Satsumi estava em sua casa ontem à noite – disse Hattemaru.
- Você a viu lá? – disse Yume – Você "passou" a noite com ela, lá?
- Não, mas Asuka me...
Ele parou ao perceber que fora enganado. Sorriu nervosamente ao descobrir que Asuka e Satsumi eram cúmplices.
- O que fará? – disse a youkai – Sinceramente, espero que você tenha mais capacidade de manter sua amada longe de Sesshoumaru, ou então, eu terei que matá-la também...
Hattemaru a olhou como se dissesse para ela esquecer-se dessa idéia.
- Cuide para que ela não o encontre essa noite – sugeriu Yume – Ou então, serei realmente obrigada a matá-la junto com ele...
- Nem pense nisso – disse ele.
- Então faça de tudo para segurá-la – disse Yume – Se é que você consegue isso...
A youkai desapareceu numa esfera de luz, deixando Hattemaru irritado com sua risada. Ele então olhou de novo para as águas do riacho. Em seu pensamento, a simples imagem de Satsumi se entregando novamente ao youkai o deixava furioso.
- Satsumi, você quer me tirar do sério – disse ele – Não ouse me fazer de tolo...
Caminhou de volta ao vilarejo, certo de que seu casamento não deveria deixar de acontecer, e de preferência, o mais rápido possível.
Satsumi olhava pela porta do casarão, observando silenciosamente Asuka plantar algumas flores em um vaso. Deu um sorriso ao notar a flor amarela que se sobressaia entre outras vermelhas e rosas.
"Narciso" pensou ela "Me lembra ele...".
Desviou seu olhar da flor quando notou Hattemaru voltando da mata. Pela pressa dele, algo havia acontecido.
- Aconteceu alguma coisa? – perguntou Satsumi ao vê-lo se aproximar.
- Quero falar com você – disse ele seco e entrando no casarão – Venha!
Satsumi e Asuka se olharam sem entender, e depois a jovem seguiu o noivo até dentro da casa.
- Venha até o quarto que foi de seu pai! – disse Hattemaru.
Satsumi o obedeceu, embora achasse estranho que ele quisesse conversar com ela num quarto fechado. Ela se ajoelhou e esperou que ele também se abaixasse, mas ele permaneceu em pé, andando de um lado para o outro, pensativo.
-O que deseja falar comigo, Hattemaru? – resolveu ela mesma começar a conversa.
Ele parou de andar e a encarou, sério demais até mesmo para o Hattemaru que ela conhecia há tempos.
- Por que você foi atrás dele? – perguntou o noivo.
- O que...?
- Por que foi atrás do youkai? – disse ele de novo.
- Eu não fui atrás dele...
- Você pediu para Asuka mentir dizendo que já havia se recolhido ontem à noite – disse Hattemaru – E foi atrás daquele maldito youkai!
- Eu não pedi a Asuka...
- Não minta! – gritou ele assustando Satsumi – Eu tenho muitos amigos espalhados por aí, sabia? Não foi difícil um deles vê-la enfiar-se numa cabana para ficar com um youkai!
- Eu só estava ajudando – disse ela o encarando com raiva por ter gritado – Eu não tenho que me preocupar com o fato dos seus amigos me verem e virem contar bobagens a você.
- Como eu posso saber se você estava mesmo o ajudando? Como posso saber se você não estava se entregando àquele ser novamente?
- Como ousa insinuar isso? – disse ela se levantando – - Eu fui ajudá-lo, e pronto! Você não é obrigado a acreditar em mim, mas também não tem o direito de duvidar de minha palavra!
- E eu não tenho motivos para duvidar? – disse Hattemaru – Sabendo o que sei, de tudo que aconteceu entre os dois... Não tenho mesmo motivo para duvidar de que estivesse cedendo mais uma vez aos caprichos daquele youkai?
Satsumi ia responder a pergunta, mas Hattemaru fez sinal para que ela não falasse. A expressão dele mudou, saindo de séria para sofrida em poucos segundos.
- Eu tenho medo, Satsumi – disse ele – Tenho medo que mais uma vez você deixe de cumprir com sua palavra... e que escolha ficar com ele...
- Não se preocupe... – disse ela – Ele não me quer mais ao lado dele... E eu tenho uma promessa para cumprir ao meu pai...
- Então...?
- Eu me casarei com você – disse Satsumi – Quando quiser...
Ela o olhou, mostrando toda a tristeza que aquela decisão lhe causava, mas o amor cego de Hattemaru não o deixava perceber a verdade. A verdade de que o coração de Satsumi jamais sentiria por ele um por cento sequer do que sentia por Sesshoumaru. E que se ela ia se casar com ele, não era por nada mais que obrigação.
- Amanhã – disse ele – Então se case comigo amanhã!
Ela o olhou sem entusiasmo.
- Então... – disse ela - ...que seja amanhã...
Um enorme sorriso se formou nos lábios de Hattemaru, que estava certo de que agora seu futuro ao lado da mulher que amava estava garantido. Satsumi apenas encarava o chão, tentando não desistir de cometer aquela loucura.
- Mal posso esperar, Satsumi – disse ele por fim se agachando frente a ela – Só de imaginar que amanhã a terei para mim...
Ela se desvencilhou da tentativa dele de beijá-la, e se levantou.
- Vou ajudar Asuka – disse ela saindo do quarto.
Saiu do casarão a procura de ar puro para respirar. Além de sentir-se mal pelo casamento, o simples fato de ter permanecido no quarto onde o pai passara tanto tempo preso por causa da doença roubava dela todo o ar. Hattemaru saiu do casarão logo em seguida, indo tratar de assuntos referentes ao casamento antecipado. Asuka notou a expressão da jovem, e parou de mexer em suas flores para aproximar-se dela.
- Já posso imaginar o motivo da conversa – disse Asuka – Ele descobriu que a srta passou a noite fora, não é?
- Sim – respondeu Satsumi sentando-se no degrau da escada.
- E o sermão? Foi bom? – disse a amiga séria.
- Não houve sermão... – disse a jovem – Foi algo bem pior, ao meu ver...
- O que foi? – perguntou Asuka preocupada.
- Eu me casarei com Hattemaru...
- Isso não é novidade – interrompeu a amiga.
- ... amanhã! – concluiu Satsumi chamando a atenção da amiga para a seriedade do assunto.
- Oh... – limitou-se a dizer Asuka.
Satsumi olhou para o céu, como se de lá viesse a resposta a todas suas dúvidas daquele momento.
- Será que meu pai está vendo tudo isso? – perguntou ela – Será que ele vê a dor que corrompe meu coração nesse momento?
O silêncio foi a resposta que ela já esperava.
- Vou para o meu quarto – disse Satsumi se levantando – Só sairei de lá amanhã, pela manhã. Não deixe que ninguém me perturbe, Asuka.
Entrou novamente no casarão, e rumou para o quarto, onde se trancou, disposta a passar o último dia livre de sua vida na mais completa solidão. Sem a presença de ninguém do vilarejo que pudesse sentir o desejo de dar-lhe os parabéns, naquele momento onde só queria desaparecer.
Sentou-se no futon, braços cruzados de frio, olhando para a parede, como se ali ela visse o próprio futuro. Mexeu-se apenas quando teve uma crise de tosse, tão violenta que a fez deitar-se de bruços na cama por alguns minutos. Quando conseguiu se recompor, olhou no tecido alvo do futon, e viu todo o sangue que acabara de expelir. Passou sua mão pelo liquido vermelho, deixando que um sorriso nervoso escapasse.
- Fico imaginado... – sussurrou - ... se há alguém em todas essas terras capaz de passar por tanta coisa ruim em tão pouco tempo...
Não conteve a raiva que começava a sentir de sua vida. Cravou as unhas no tecido do futon e o rasgou. Liberou parte de sua frustração destruindo-o por inteiro. Resolveu descontar um pouco mais de seus sentimentos de fracasso e incapacidade levantando-se e destruindo alguns enfeites do quarto, sorrindo como se tivesse perdido de vez a razão.
Pensou em rasgar também o kimono vermelho, que comprara pensando em Sesshoumaru, mas contentou-se em apenas jogá-lo ao chão, ainda mais quando notou algo que havia guardado dentro dele, quando o havia dobrado.
- O que eu faço com você? – perguntou deixando-se cair de joelhos no chão, ao lado da faixa azul de seda que uma vez entregara ao youkai – O que eu faço com você, meu coração...?
Pegou a faixa na mão e ficou olhando aquela peça de tecido fino, tentando descobrir um fim para ela.
- Só me livrando de você eu poderei suportar o pouco de vida que me resta... – sussurrou – Afinal, uma pessoa sem coração não sofre...
Levantou-se e saiu do quarto, encontrando com Asuka na sala da casa. Estendeu a mão com a faixa para a amiga e ordenou firme.
- Queime! – disse ela – Certifique-se de que sobraram apenas as cinzas disso...
- O que é isso? – perguntou Asuka.
- Algo que entreguei a quem amava... – respondeu Satsumi entregando a faixa e dando as costas para voltar ao quarto - ... e que me foi devolvido, como se não tivesse nenhum valor...
Asuka apenas olhou a faixa na mão, sem entender qual o motivo de se destruir algo tão belo e ao que parecia, de valor tão forte para a jovem Satsumi.
O youkai dragão olhava para seu dono, que já estava sentado no mesmo lugar há um bom tempo. Desde que chegaram na cachoeira, Sesshoumaru havia se recostado a uma pedra e ali vira o sol se levantar no horizonte, depois chegar ao seu ápice e agora começar a descer do outro lado, pronto para entregar o dia à escuridão da noite. E ele lá, imóvel, em um silêncio que chegava a ser atordoante. Apenas olhando para um ponto ao longe, como se estivesse realmente mergulhado em seus pensamentos, sem se importar com o frio cortante, nem com o sangue que pingava do nariz.
Só acordou de seu transe quando ouviu barulhos de passos se aproximando. Estava tão concentrado nos pensamentos que nem conseguia distinguir se era um humano ou um youkai. Virou apenas um pouco o olhar para receber o visitante que o incomodaria.
- Com licença – disse a voz feminina.
Virando um pouco mais a cabeça, ele pôde notar que já vira aquela mulher em algum lugar.
- Eu não desejo incomodá-lo...
- Já o fez! – interrompeu Sesshoumaru.
- Vim em nome de uma amiga – continuou a pessoa.
- Vá embora! – disse ele friamente – Qualquer que seja o motivo não me interessa...
- Ouça pelo menos o que tenho a dizer – insistiu a desconhecida.
- Não! – disse Sesshoumaru se levantando e pronto para deixar o local.
- Veja isto... – disse a pessoa sem conseguir voltar o olhar do youkai para ela – Olhe... é algo que sei que irá reconhecer...
Sesshoumaru olhou apenas de relance, vendo que a mulher lhe estendia a mão com algo pendurado entre os dedos.
"A faixa de Satsumi..." reconheceu ele surpreso.
- Parece que você a reconhece – disse a mulher ao notar o olhar fixo de Sesshoumaru no objeto.
- Quem é você? – disse ele.
- Uma criada pessoal de Satsumi-hime – disse a mulher – Meu nome é...
- O que quer? – interrompeu ele.
- Apenas entregar-lhe isso – disse ela – Sei que Satsumi deseja que você fique com isso.
- Não quero... Leve-a de volta a dona...
- Ela não se sente mais dona disso – disse a mulher –Ela pediu que eu a queimasse, que a reduzisse a cinzas...
- Então obedeça à ordem de sua senhora – disse Sesshoumaru.
- Não posso! – disse ela esticando o braço um pouco mais perto do youkai – Se você quiser, pode fazer isso...
- Eu não quero essa faixa – disse ele – Ela não tem mais nenhum valor para mim.
- Então queime-a! – disse ela – Acredito que essa seja uma honra sua... Acabar com algo que parece ter sido dado a você com tanto amor...
A mulher deixou a faixa no chão, poucos passos à frente de Sesshoumaru e deu as costas, pronta para desaparecer pelo mesmo caminho pelo qual viera. O youkai apenas olhava para a peça de tecido azul no chão, quase sendo levada pelo vento forte.
- Espere! – disse ele fazendo a mulher parar – Como ela está?
- Infeliz... – respondeu simplesmente – Como mais ela poderia estar nesse momento? Sabendo que se casará com alguém que não ama, e ainda por cima fazendo isso por causa de uma expectativa que nunca será alcançada...
"Casar?" pensou espantado "Satsumi irá se casar?".
- Do que está falando? – perguntou ele – Que história de casamento é essa?
A mulher se virou e o encarou ainda mais surpresa.
- Você não sabia? – disse ela – Satsumi aceitou se casar com Hattemaru...
- O quê?
- Apenas para cumprir uma promessa feita ao pai – continuou a mulher – Ela vai aceitar ser infeliz para o resto da vida, só por causa de uma maldita promessa...
- Então essa decisão partiu dela?
- O que ela tinha a perder? – disse a mulher – Ela já não tinha a você, nem à criança que gerava, então, não tinha nada mais a perder...
- Ainda assim – disse Sesshoumaru voltando a olhar a faixa – Ela decidiu se casar.
- Você é mesmo cego, não é? – disse a mulher num rompante de intolerância – Não vê que ela o ama, e que se você dissesse que ficaria ao seu lado, ela largaria tudo.
- Então por que ela vai se casar? – disse Sesshoumaru perdoando as palavras ofensivas da mulher.
- Por que ela acredita que é o único jeito de conseguir preencher um vazio na vida dela...
- Preencher um vazio? – disse num tom de desconfiança – Isso é estranho...
- Ela só se casará para poder ter filhos... – disse a mulher – Sem nem imaginar que nem isso conseguirá...
Sesshoumaru a olhou esperando por uma explicação melhor. A mulher apenas abaixou os olhos e fitou o chão.
- Eu me sinto culpada por não ter dito a ela algo que o doutor me revelou quando ela perdeu aquela criança...
- Minha criança – disse ele como se a estivesse corrigindo – O que o tal doutor disse?
- Que seria quase impossível que ela voltasse a ter um filho novamente – disse a mulher.
Sesshoumaru permaneceu inexpressivo, mas sentiu uma dor atingir-lhe o peito com aquela notícia.
- Vá! – disse ele friamente – Não há nada que eu possa fazer em relação a isso...
- Não há mesmo nada – disse a mulher – Por isso mesmo ela vai entregar-se a um homem que não ama, pois não há mais nada que você possa fazer para melhorar a vida dela.
A mulher saiu caminhando novamente, sem esperar por alguma outra palavra de Sesshoumaru. Ele resolveu deixá-la ir embora, sem se preocupar em perguntar o nome dela, o que deixou Yume, que assistia a tudo de longe, bastante aliviada.
"Ele não pode descobrir a verdade pela boca de outra pessoa" pensou ela empoleirada em cima de uma alta árvore desfolhada "Eu mesma quero contar-lhe toda a história!".
Sesshoumaru ainda ficou olhando para a faixa, jogada ao chão, por algum tempo. Depois se aproximou a pegou, levando-a consigo de vez.
Satsumi abriu a porta e gritou por Asuka. Uma das criadas disse que ela havia saído e que disse que logo voltaria.
- Diga a ela para vir ao meu quarto quando chegar – disse Satsumi trancando-se novamente no aposento.
Ela foi até o canto do quarto e pegou o embrulho com o traje que Hattemaru havia lhe dado no dia anterior. Colocou-o sobre o futon rasgado, ajeitando todas suas peças. Havia acabado de tomar um banho, e uma vez que estava nua, resolveu experimentar a roupa, para ver como ficaria dentro dela.
Pegou a peça na ponta dos dedos, e começou a vesti-la lentamente, sentindo a maciez da seda em contato com a pele. Havia um pequeno espelho no canto do quarto, e foi nele que ela se olhou, sentindo-se pela primeira vez, entregue totalmente a Hattemaru. Agora, até mesmo usando o traje que ele escolhera para o casamento, sabia que seria dele, pelo resto de sua vida, mesmo que isso a entristecesse.
Ouviu o som de batidas na porta, e sabia que era Asuka, então a abriu rapidamente.
- A srta pediu que eu viesse aqui? – disse a amiga.
- Sim , Asuka – disse Satsumi – Quero que veja para mim, se há algo que precise ser ajustado nessa roupa.
- Parece que um vendaval passou por este quarto – disse a amiga causando um sorriso em Satsumi.
Asuka a olhou, tão bela e infeliz vestida no kimono azul, procurando pelo menor detalhe que necessitasse de um conserto.
- Ele está perfeito na srta – disse Asuka – Infelizmente...
- Infelizmente, Asuka? – repetiu a jovem sem entender – Que eu me lembre, você sempre torceu bastante para que eu me casasse com Hattemaru.
- Sim, isso é verdade – disse a amiga – Mas não posso fingir que não vejo essa tristeza no seu olhar, hime.
- Isso passa, Asuka – disse Satsumi terminando de amarrar a faixa do kimono – Mesmo que demore...
Asuka ia falar algo quando Satsumi teve outra crise de tosse, curvando-se com a dor que isso causava.
- Satsumi... – disse ela.
A jovem apontou um pano em cima do futon rasgado e Asuka o pegou. Satsumi colocou-o sobre a boca, tentando evitar que sujasse sua roupa de casamento, como se isso importasse para ela. Terminada a crise, Satsumi encarou a amiga com um meio sorriso no rosto.
- Veja pelo lado bom, Asuka – disse ela – Talvez eu não viva por muito tempo nessa tristeza...
- Hime... – disse a amiga abraçando-a – Não fale assim... Entristece-me vê-la dessa forma.
- Certo, Asuka – disse Satsumi – Eu não vou me mostrar tão derrotada...
Ela voltou a se olhar no pequeno espelho, ajeitando todos os detalhes da roupa, até que não agüentou mais segurar as lágrimas.
- Não chore, Satsumi – disse Asuka.
- Não quero chorar, mas não há mais nada que eu possa fazer – disse a jovem.
- Você é a dona de sua vida, hime – disse a amiga – Como não há mais nada a se fazer? Mesmo que não possa ficar ao lado de quem ama, não quer dizer que tenha que estar ao lado de alguém por quem não nutre nenhum sentimento além da amizade...
- Asuka, não posso mais uma vez fugir ao meu destino – disse Satsumi – Há muito tempo ele já foi decidido...
- Talvez seu pai fique mais feliz onde ele está, sabendo que a srta também está feliz – disse Asuka.
- Eu tenho que cumprir com minha palavra... – disse Satsumi limpando os olhos – E o que me consola é o fato de que poderei dar a ele muitos netos...
- Não, não poderá! – disse Asuka colocando-se à frente da jovem.
- O quê? – disse Satsumi surpresa – Do que está falando?
- A srta não poderá ter mais filhos – soltou de vez Asuka – Segundo palavras do próprio doutor que cuidou da srta após você ter perdido sua filha...
- Mentira... – disse Satsumi encarando Asuka sem acreditar – Você só está dizendo isso para me fazer desistir...
- Como eu queria que fosse mentira, Satsumi – disse Asuka – Mas não é... e eu só não lhe contei isso até hoje, porque sei o quanto isso a machucaria...
Satsumi balançou a cabeça negativamente, enquanto se afastava da amiga.
- Satsumi...
- Asuka, por favor... – disse ela – Diga que é mentira...
- Me perdoe, Satsumi – disse a amiga – É uma verdade que a srta merecia saber a muito tempo...
- Que tipo de mulher eu sou...? – perguntou-se Satsumi – Não consigo nem gerar uma criança... Coisa que qualquer mulher, mesmo as que não possuem caráter, respeito, decência, consegue... e eu, não consigo nem ao menos isso... O que eu sou, afinal?
- Você é uma pessoa maravilhosa...
- Meu pai sentiria ódio de mim ao saber que nunca deixarei um herdeiro para esse vilarejo...
- Seu pai a amava – disse Asuka – Ele jamais a odiaria por isso...
Satsumi saiu do quarto correndo, em prantos. Deixou o casarão e correu para a mata, perdendo-se da vista de alguns guardas que apenas a olharam sem entender nada. O céu, já completamente escuro, trazia também uma companheira, a neve. Neve que acabara de começar a cair, e em pouco tempo já cobriria todo o chão, transformado-o num lindo tapete alvo.
Satsumi correu o máximo que conseguiu, até tropeçar em uma pedra e cair de joelhos no chão. Afundou os dedos na fina camada de gelo, amaldiçoando-se por sua fraqueza, depois se levantou e passou a caminhar, já certa de não querer voltar para casa.
Estava seguindo a margem do riacho, que com certeza a levaria até a cachoeira em pouco tempo.
Sesshoumaru sentiu a tênue presença de Satsumi, bem distante do local onde ele se encontrava.
- O que ela está fazendo por aqui? – perguntou olhando para o lado onde a sentia – Nesse tempo...
Parou a caminhada que fazia enquanto pensava justamente na humana e esperou.
- Onde ela está indo? – se perguntou ao notar que ela se afastava cada vez mais.
Satsumi parou ao sentir os pés descalços começarem a congelar. Tentou se cobrir mais com o kimono, mas este era fino demais para protegê-la de um frio tão grande. Olhou para trás, o caminho de onde havia vindo, mas decidiu não voltar para casa, queria distância de tudo que a lembrasse de sua vida, e se tivesse que morrer andando pela mata em meio à neve o faria, já que agora não tinha mesmo mais nada que a fizesse querer permanecer naquele mundo. Lembrou-se então dele, a única pessoa a quem queria ver antes de desistir de vez de tudo.
- Sesshoumaru... – sussurrou soltando fumaça pela boca – Eu queria que estivesse aqui... Eu estou com tanto medo...
Sesshoumaru fechou os olhos. Mesmo distante, mesmo sendo impossível ouvi-la, ele sabia que ela o chamava, sabia que Satsumi o queria próximo a ela naquele momento. Voltou a encarar o caminho do qual sentia a presença dela, agora parada em algum lugar, ainda ouvindo na mente a voz dela chamando seu nome.
Satsumi olhou para o céu, deixando que a neve tocasse seu rosto, misturando-se as lágrimas que escorriam dos olhos negros.
- Sesshoumaru... – gritou ela com todo o ar dos pulmões – Eu estou com medo... Ajude-me... – seu último grito fora cheio de tristeza, pela certeza de que ele não apareceria, que não o veria nunca mais.
Sesshoumaru sentiu o coração parar por alguns segundos enquanto ouvia o grito desesperado de Satsumi. Sabia que nenhum ser vivo se encontrava ao lado dela naquele momento, mesmo assim ela estava apavorada..
- Satsumi... – sussurrou passando a correr de encontro a ela.
Sentia a presença dela cada vez mais perto, enquanto seus passos mal tocavam o chão devido à rapidez com que corria. Logo viu seu vulto em meio à escuridão da mata, de costas para ele, chamando por seu nome num sussurro quase inaudível. Correu um pouco mais até aproximar-se dela.
- Satsumi... – chamou ele fazendo-a se virar e a agarrando num abraço apertado e protetor – Eu estou aqui... Não há o que temer...
A jovem sentiu que suas pernas adormeciam e deixou que o peso de seu corpo fosse sustentado pelo youkai.
- Sesshoumaru...
- Shhhh – fez ele – Não diga nada... Estamos juntos agora...
Ele a pegou no colo, sentindo o quão gélida ela estava e passou a caminhar. Satsumi encostou sua cabeça no ombro do youkai e fechou os olhos, esperando que ao abri-los novamente não descobrisse que aquilo era apenas um sonho.
Ele a levou até a cabana, o local que pertencia aos dois desde que começaram a se amar. O único problema do lugar naquele momento era o frio que tomava conta dele. Olhou para Satsumi, que dormia sossegada em seus braços e resolveu permanecer por lá, e a aqueceria o tempo todo. Deitou-a no chão por alguns segundos, apenas para se desfazer da armadura e da parte de cima de sua roupa. Depois tirou o kimono da jovem, que se encontrava molhado pela neve e colocou nela sua roupa. Viu que ela abrira um pouco os olhos para vê-lo arrumá-la, mas depois voltou a fechá-los.
Sentou-se encostado na parede, com Satsumi entre suas pernas, abraçada a ele e com as pernas encolhidas.
- Logo o frio passará... – disse ele – Não se preocupe, eu não a deixarei senti-lo muito tempo...
O corpo dela logo começou a se aquecer, nem parecendo estar em meio ao frio de uma noite de inverno. Tudo porque o corpo de Sesshoumaru a aquecia, dividindo o calor dele com ela. Satsumi nem tremia mais, e suas pernas começavam a arriscar se esticarem.
- Satsumi... – chamou ele baixinho sem resposta.
Ela continuava dormindo, e para sua surpresa parecia estar sonhando, já que um pequeno sorriso se formou em seu rosto.
- Do que você estava com medo... – sussurrou ao ouvido dela - ... eu não deixaria nada machucá-la...
Ela se mexeu um pouco, acomodando-se melhor nos braços dele, enquanto a mão do youkai passeava pelo seu cabelo, num carinho que a deixava ainda mais segura.
Sesshoumaru desceu sua mão para o rosto de Satsumi, deixando os dedos contornarem os lábios da jovem humana que conseguira domar seu coração. Fechou os olhos, lembrando-se dos beijos ardentes que aqueles lábios lhe deram, e que mesmo na primeira vez já se mostraram totalmente seus, e que agora corriam o risco de pertencer a outro homem.
"Não!" gritou em sua mente ao pensar no fato dela se casar com outro "Eu não permitirei!".
Levou seus lábios aos dela, num toque leve, mas carregado de calor, tanto que fez Satsumi acordar surpresa. Os olhos dele conseguiam enxergar na escuridão os dela, que se fixavam também nos dele, mesmo que ela não o visse.
O silêncio ecoava as palavras de amor que só se formavam na mente dos dois, num receio tolo de expressá-las em voz alta e depois descobrir que foram em vão.
Ele repetiu o ato, beijou-a de novo, só que dessa vez de forma ardente, enlouquecida, recebendo dela a resposta na mesma intensidade. As línguas se tocaram, relembrando-os do gosto um do outro. A mão de Sesshoumaru, descendo agora até a cintura de Satsumi, forçando o corpo da jovem contra o seu, os seios dela mal cobertos por sua roupa tocando o tórax do youkai, causando um arrepio de desejo nos dois.
- Ainda sou o dono do seu coração? – sussurrou ele quebrando o beijo entre os dois – Mesmo depois de tudo o que fiz...?
- Meu coração será seu eternamente... – respondeu ela - ... Mesmo que não estejamos juntos... ele não será de ninguém mais...
Os lábios do youkai, agora encontrando o pescoço de Satsumi, beijando-o com delicadeza. Ele colocou sua mão por dentro da roupa dela, pousando-a sobre o ombro da jovem e fazendo com que o traje de algodão deslizasse até o antebraço.
Satsumi percorreu todo o peito de Sesshoumaru com seus dedos, fazendo o caminho para baixo, até encontrar o laço da calça dele e desfazendo-o. Passou as costas da mão sobre o tecido, sentindo o quanto ele estava excitado, antes de liberá-lo daquela barreira. Um gemido baixo de Sesshoumaru mostrou o quanto o simples toque dela o deixava louco. Ela enfiou a mão dentro da calça, pousando-a sobre o sexo dele, enquanto a outra mão puxava a cabeça do youkai de encontro ao seu colo, onde ele passava apenas a ponta de sua língua sobre o seio esquerdo dela.
Satsumi sentia-se feliz de novo. Mesmo que aquela felicidade só durasse o tempo em que eles estivessem se entregando ao calor irresistível do sexo, e que depois ela tivesse que voltar para sua realidade, ainda assim ela aproveitaria ao máximo aquela sensação.
A mão de Sesshoumaru desceu de encontro ao sexo de Satsumi, e seus dedos tocaram a umidade do local num intenso carinho.
As bocas voltaram a se tocar, num beijo que agora beirava ao violento, tamanha a força com que os lábios se apertavam, unidos às mordidas que pareciam querer cortar a pele frágil.
Satsumi conteve um gemido ao sentir um dedo do youkai escorregar para dentro de sua feminilidade e mover-se lá dentro como uma prévia do que Sesshoumaru faria com ela depois. Ela teve que levar sua mão a dele, forçando-o a parar antes que ela se entregasse ao prazer.
Ele a deitou no chão rústico e frio, mas que não era capaz de competir e vencer o calor que percorria o corpo dos amantes. Retirou seu dedo de dentro de Satsumi e o levou até os lábios, passando a língua por ele e sentindo o gosto doce que o prazer dela tinha. Separou as pernas dela com as suas, deitando-se sobre a mulher que amava, penetrando-a com desejo, entrando por completo nela.
- Ahnnn... – gemeu Satsumi ao sentir Sesshoumaru mais uma vez tomá-la como sua.
Ele entrava e saía dela com calma, tentando levá-la ao ápice do prazer antes de buscar seu próprio orgasmo. Sentia o sexo dela contrair-se contra o seu, tornando o ato ainda mais prazeroso. Conseguia ouvir o coração dela bater acelerado, misturando-se com o barulho da respiração ofegante dela, como uma melodia aos ouvidos.
Ele já não a beijava, deixara-se hipnotizar pelos gemidos dela, e ficou apenas observando o modo como ela mordia o lábio inferior a cada vez que ele entrava e saía dela.
- Sesshou... – sussurrou ela rendendo-se ao orgasmo que a fez puxar o corpo dele contra o seu ainda mais apertado.
Sesshoumaru aumentou seu ritmo para que seu orgasmo não demorasse muito mais. Sentiu o calor que antecipava o prazer e deixou que ele se concluísse sem impedimento, deixando seu sêmen quente inundar o corpo de Satsumi, marcando mais uma vez o corpo dela como seu.
Deixou o corpo cair ao lado do dela, puxando Satsumi para que ela colocasse sua cabeça sobre o peito dele, o que ela fez, ficando ouvindo as batidas do coração do youkai.
Eles ficaram em silêncio enquanto se recuperavam do cansaço. Ou talvez estivessem procurando pelas palavras certas para expressar tudo o queriam.
- A partir desse momento, Satsumi... – disse ele passando a mão pelas costas da humana – Você ficará ao meu lado, direto...
- O quê? – perguntou ela sem entender.
- Não a deixarei ir embora, pois seu lugar é ao meu lado...
- Até o fim? – perguntou ela.
- Além do fim... – respondeu ele surpreendendo Satsumi.
- Além do fim... – repetiu ela numa interrogação.
- Eu já disse que a encontrarei novamente... – disse ele – Mesmo que demore, ainda assim, eu a encontrarei, pois você me pertence... eternamente...
- Acredita mesmo nisso...? – teve a pergunta interrompida por uma dor aguda nas costas, que a fez tentar se afastar de Sesshoumaru – O que...?
- Acalme-se – disse ele calmamente – Tanto acredito nisso, que deixarei em você uma marca... tão pessoal, que quando sua alma reencarnar em outro corpo, levará essa marca junto. Assim, eu a reencontrarei...
- Está doendo...
- Já está terminado – disse ele finalizando o desenho de uma meia lua na parte inferior das costas dela – Pronto... logo cicatrizará...
Ele lambeu dos dedos o pouco sangue que havia arrancado de Satsumi. Depois a abraçou bem forte, protegendo-a do frio que ela começava a sentir de novo.
- Quem sabe, se em outra vida, eu não te darei uma filha novamente... – disse Satsumi – Já que eu falhei em fazê-lo nessa vida...
- Você não falhou em nada... – interrompeu ele – Não se culpe pelas decisões estranhas do destino...
Ela apertou-se contra ele, e sussurrou um sim baixinho. Depois fechou os olhos, imaginando quanto tempo ainda teria ao lado de seu amado. Sesshoumaru notou quando a respiração dela se acalmou, e ao olhá-la, viu que dormia novamente.
- Amo você... – sussurrou ele pouco antes de também ceder ao sono.
Hattemaru olhou para o quarto vazio de Satsumi e depois se virou com uma expressão de raiva para Asuka.
- Dormindo, você disse? – disse ele para a mulher que havia dito que sua noiva já se encontrava na cama – Vocês acreditam que podem me fazer de idiota?
- Sr Hattemaru, eu... – tentou arranjar uma desculpa Asuka.
Um tapa dado pelo chefe da guarda a impediu de continuar a falar. A mulher caiu no chão, com sangue escorrendo do lábio inferior.
- Você pagará por isso, Asuka! – disse ele antes de passar por ela e sair do casarão.
Ele sabia que Satsumi havia saído pela mata, pois os guardas o haviam avisado, mas resolveu perguntar a Asuka, para que tivesse certeza de que ela ajudava Satsumi a se encontrar com o youkai.
- Eu vou procurar por Satsumi – avisou ele aos guardas da noite.
- Deseja que o sigamos? – ofereceu-se um dos guardas.
- Não! – disse ele sério colocando sua espada na bainha e pegando uma lamparina – Eu tenho muito a conversar com ela, a sós!
Hattemaru saiu em direção à mata, certo de que arrancaria Satsumi dos braços do youkai, e depois a trancaria dentro de sua casa até que eles estivessem casados e seu casamento consumido.
Ao chegar próximo do riacho, ouviu um assovio vindo do alto de uma árvore. Olhou para cima e encontrou Yume, sentada em um galho, sorridente não se sabe com o que.
- O que quer? – perguntou ele impaciente.
- Vejo que chegou a nossa hora! – disse ela descendo num pulo – Parece que nossa festa vai começar.
- Não encha minha paciência – disse Hattemaru olhando em direção da cabana – Já que você não matou aquele youkai, eu o farei!
- Deixe-o comigo – disse Yume – Cuide de sua amada...
- Eu cuidarei dela... – disse ele.
- Espere aqui por algum tempo – sugeriu a youkai – Eu tirarei Sesshoumaru de dentro da cabana, e terminarei minha luta com ele. Aí você pega sua amada, e a carrega para casa.
- Não! – disse Hattemaru – Eu quero vê-lo morrer...
- Você é quem morrerá se tentar tirar aquela jovem de lá – disse Yume – Acalme-se! E espere até que eu tire Sesshoumaru de lá...
Ela começou a caminhar, sem esperar pela resposta do chefe da guarda, pois sabia que ele aceitaria seu conselho.
- Satsumi... – disse Hattemaru baixo – Mas uma vez você me passou para trás...
Sesshoumaru abriu os olhos, completamente vermelhos de raiva, ao sentir a presença de Yume nos arredores.
"Maldita! Você aparece somente quando estou com Satsumi".
Olhou para a jovem, deitada sobre seu peito, dormindo profundamente.
Ouviu seu nome ser chamado por Yume, que devia estar do lado de fora da cabana, num tom baixo e perceptível somente para sua audição de youkai.
"Eu vim para lutar..." disse Yume "Largue essa humana aí e me siga...".
Era tudo o que ele queria ouvir, que ela finalmente terminaria sua luta com ele. Ele sabia que Yume acreditava que ele estava mais fraco após ser atingido pelos efeitos do estranho pó que ela lhe tacara, mas para engano dela, o ataque só causara sangramento, nenhum outro efeito maior.
Retirou Satsumi de cima de si, colocando-a sobre sua blusa, e cobrindo-a com o kimono com o qual ela estava vestida antes, que ainda estava molhado, mas era bem melhor do que ficar no vento. Não quis acordá-la para que ela não pensasse que mais uma vez ele a mandava embora de sua vida.
- Eu voltarei logo... – disse dando um último beijo nos lábios dela – Voltarei antes mesmo que acorde...
Saiu da cabana, vestindo apenas a calça de seu traje e com a Tenseiga na cintura, além da faixa que ganhara de Satsumi, que agora ficaria amarrada na bainha da espada, para evitar que se perdesse.
- Aí está você... – disse Yume ao vê-lo sair pela porta – Vamos?
Ela saiu caminhando pela mata, sendo seguida por ele que nem imaginava onde ela o levaria. Ela estava tão despreocupada com a luta que até mesmo cantava uma estanha canção.
- É até uma alegria lutar com um youkai tão belo e praticamente desnudo – brincou ela – Mas acho que deveria ter se vestido para essa ocasião.
- O modo como eu me visto não interfere no meu modo de lutar – disse Sesshoumaru sério – Então, cale-se e encontre logo o lugar onde terminaremos nossa conversa.
Yume deu uma gargalhada com a resposta de Sesshoumaru, depois caminharam em silêncio até chegarem ao mesmo descampado onde lutaram pela primeira vez.
- Pronto! – disse ela virando-se de frente para ele – Chegamos!
Sesshoumaru a encarou furiosamente, sabendo que enfim chegara a hora de acabar com aquela youkai que já deveria ter morrido há muito tempo.
Hattemaru abriu a porta da cabana, segurando na mão a lamparina. Franziu a testa, irritado ao notar Satsumi deitada no chão. Deixou a lamparina no chão, próxima à porta e se aproximou da jovem. Ajoelhou-se ao lado dela, e passou a mão delicadamente pelos cabelos dela, causando uma agitação que a fez descobrir-se do kimono, que estava apenas jogado sobre seu corpo. Um grito de ódio parou na garganta de Hattemaru ao notar que ela não estava vestida com o traje que ele lhe dera para ser usado no casamento. Ela estava nua, sinal claro de que se entregara ao youkai.
Sentiu o sangue ferver ao olhar aquele corpo, tão belo, beirando a perfeição, e que devia ser somente dele e imaginar que o youkai o havia tocado, que o havia possuído.
"Maldito!" pensou irado "Ela deveria ser só minha!".
Passou a mão pelo rosto de Satsumi, segurando seu queixo e aproximando seus lábios do ouvido dela.
- Então isso é o amor que você deseja? – sussurrou ele.
A jovem se remexeu um pouco e sorriu, acreditando ser Sesshoumaru que lhe falava algo.
- Sesshoumaru... meu amor... – disse abrindo um pouco os olhos e se assustando ao ver o chefe da guarda.
- Errou... – disse ele soltando o queixo dela.
- Hattemaru...
Pois é, mais uma vez eu termino o capítulo de uma forma seca só para criar suspense. Espero que mandem bastante reviews, chutando como o "corno" vai morrer, ou a Yume vaca vai se pulverizada. E também quero que digam se vale a pena fazer uma continuação dessa fic, ok? Um abraço grande as pessoas que não me deixam na mão e mandam reviews.
Juliane.chan1: Obrigada pela fidelidade a fic. Abraços!
Lulu-lilits: Obrigada pela review e agradeço pelo boa sorte. Abraços!
"Manga": Fico feliz que tenha gostado da fic e agradeço a review, mas infelizmente, final feliz ela não terá. Mas espero que ainda assim goste do final dela. Abraços!
