Consegui! Depois de mais de um mês tentando todo dia escrever esse bendito final, eis que eu consigo! Cruzes, sabe o que é sentar a bunda na frente do PC e não conseguir escrever nada, nadinha? Terrível... Peço mil desculpas aos que lêem essa fic pela demora, e espero que achem o cap bom, já que eu sinto que faltou alguma coisa nele. No mais, boa leitura! (e olha que esse cap é leitura pra caramba!).
Um triste adeus – Parte I
Sesshoumaru apenas observava atentamente, imóvel e sério, enquanto Yume procurava posicionar-se melhor antes de começar a luta. Ela parecia despreocupada, exibindo um sorriso vitorioso na face, e resolveu colocar-se distante do oponente.
- Estou pronta! – disse ela aumentando o tamanho do sorriso. – E você?
Não ouve resposta por parte de Sesshoumaru, como ela já esperava.
- Parece que sim...
Antes que conseguisse terminar sua frase, Yume foi atingida pelo chicote de Sesshoumaru, que a acertou no pescoço, causando um corte.
- O que...? – disse ela surpresa passando a mão pelo ferimento e sentindo o sangue escorrer – Como ousa...?
- Você deveria parar de falar tanto... – disse Sesshoumaru - ... e começar a lutar de uma vez!
- Está bem! – disse ela desmanchando o sorriso do rosto – Vamos lutar...
Yume correu em sua direção, tentando várias vezes acertá-lo com suas garras, mas Sesshoumaru desviou em todas. Quando a youkai deu uma parada, Sesshoumaru usou novamente seu chicote, lançando-o dessa vez no rosto de Yume, que quase não teve tempo de desviar. Ela o olhou surpresa, já que imaginava que seu ataque com o pó da morte tivesse diminuído sua habilidade na luta corpo a corpo.
- Parece que você herdou toda a força de seu pai, maldito! – disse ela – Mas ainda assim, não poderá me vencer!
- Talvez eu seja bem mais forte que meu pai – respondeu friamente Sesshoumaru – Ele ainda permitiu que você continuasse viva, eu não te darei a mesma chance!
Sesshoumaru correu na direção dela, e agarrou-a pelo pescoço, apertando com força. Yume rapidamente encheu suas mãos com seu pó venenoso e cravou as garras nos braços dele, tentando soltar-se. Olhou desolada para o fato de que o pó causava um sangramento grande no braço dele, mas ainda assim, a força dele aumentava cada vez mais em volta de sua garganta.
- Parece que você não vai poder aproveitar seu corpo youkai por muito tempo, Yume – disse Sesshoumaru – De que adiantou tanto trabalho em roubar a Tenseiga e reverter o feitiço, se você não poderá usufruir a vida longa que tanto sentia falta? Valeu tanto a pena assim, mexer com que não devia?
Apesar da dificuldade em respirar, Yume não podia deixar de formar um sorriso no rosto com a frase de Sesshoumaru.
- Do que ri, youkai?- disse ele afrouxando um pouco a mão.
- Va...valeu a pena... – disse ela com a voz baixa e falha - ... ainda ma..mais pela dor que cau... causei...
- Acha que causou dor em mim, youkai? – riu Sesshoumaru – Quando?
Yume apenas aumentou o sorriso, e decidiu que a luta deveria começar... de verdade.
Satsumi sentiu o ar faltar ao ver Hattemaru parado ao seu lado. Sentou-se rapidamente e tentou puxar o kimono para poder se cobrir, mas o chefe da guarda foi mais rápido e o pegou primeiro.
- Hattemaru... – disse ela tentando cobrir o corpo nu com as mãos - ... deixe que eu me vista, por favor...
Ele olhou para o traje na mão, e apertou o fino tecido entre os dedos.
- Eu o comprei especialmente para o nosso casamento – disse ele – E você o usou para se entregar ao youkai...
- Hattemaru...
- Sabendo a dor que isso me causaria – disse ele encarando-a – Por que fez isso comigo, Satsumi?
- Eu nunca tive a intenção de machucá-lo...
- Cale-se... – disse ele num tom baixo, mas firme – Não diga nada...
Satsumi obedeceu. Calou-se e apenas observou o modo como ele a olhava. O olhar dele, carregado de tristeza e fúria fixou-se nos dela por um tempo, como se tentasse ler através deles seus pensamentos. Ela desviou um pouco o olhar, como se procurasse pelos cantos por Sesshoumaru, mesmo sabendo que ele não se encontrava nem ao menos por perto da cabana, senão ela não estaria sozinha com Hattemaru naquele momento.
Voltou a olhar para Hattemaru, e viu que os olhos dele agora percorriam todo o seu corpo, o que a deixou envergonhada. Viu no chão, ao seu lado, a parte de cima da roupa de Sesshoumaru, e tentou pegá-la, mas novamente foi mais lenta que Hattemaru, que pegou a peça, e sabendo se tratar da roupa do rival, jogou-a bem longe dos dois e encarou Satsumi som raiva.
- Não! – disse ele – Eu não vou deixá-la se vestir! Você pode ficar nua na frente daquele youkai selvagem, mas fica ruborizada ao fazê-lo na frente do seu noivo? Que falso pudor é esse, Satsumi?
- Hattemaru...
- Cale-se! – disse ele, dessa vez em voz alta – Eu não quero ouvi-la bancar a inocente...
- Eu não quero bancar a inocente... Eu só quero me vestir...
- Não!
- Por favor...
- Não... e cale-se...
- Eu estou com frio! – gritou Satsumi que tremia, mas não sabia se era mesmo pelo frio ou pela situação em que se encontrava – Deixe que eu me vista...
Hattemaru a encarou sério, depois estendeu a mão com a roupa.
- Vista-se – disse ele virando de costas enquanto ela pegava a roupa – Vamos para casa...
Satsumi vestiu-se rapidamente, depois ficou sentada no chão, em silêncio, até que o amigo resolvesse se virar para ela.
- O que está fazendo? – perguntou ele – Levante-se para irmos...
- Eu não vou...
- Como...? – disse ele sem acreditar que havia ouvido direito.
- Eu não vou... não agora... – repetiu ela – Vou esperar por Sesshoumaru.
Hattemaru segurou a vontade de pegá-la pelo braço e arrastá-la para fora da cabana. Preferiu continuar mostrando-se calmo, mesmo que estivesse a ponto de explodir com Satsumi. Levantou-se e estendeu o braço para que ela também o fizesse, mas ela recusou, apenas balançando a cabeça negativamente.
- Responda, youkai! – disse Sesshoumaru deixando mostrar-se impaciente – Quando foi que causou dor a mim? Pois acredito que isso foi somente em seus delírios de poder...
- Posso não ter causado dor física a você, youkai... – disse ela com a respiração já normal - ... mas tenho certeza, que consegui machucá-lo tão gravemente nos sentimentos, que foi a mesma coisa que segurar seu coração em minhas mãos e apertá-lo com toda minha força...
Sesshoumaru franziu a testa. Não fazia idéia do que ela falava, e já estava pronto a acreditar que lutava contra uma youkai insana.
- Esmagar meu coração com as mãos? – disse ele deixando escapar um sorriso irônico – Tão poético...
- Da mesma forma que esmaguei aquela criança hanyou nas mãos...
Sesshoumaru desfez o sorriso e uma seriedade mortal tomou conta de suas expressões. Notando isso, Yume pô-se a gargalhar.
- Poético... – repetiu ela – Uma poesia mórbida, mas de uma beleza incontestável...
- O que disse...?
- Aposto que isso machucou bastante a você, não é? – disse ela contendo a risada – Mas aposto que machucou muito mais àquela humana fraca... É incrível como os humanos se apegam à sua cria...
- Como...? – a expressão de Sesshoumaru agora se tornava mais mortal – Do que está falan...
- Ora, ora... – debochou Yume – Viu como eu o machuquei...
- Você enlouqueceu? – perguntou Hattemaru tentando manter o tom de voz baixo – Acha mesmo que eu vou deixá-la aqui? Esperando por um youkai, que com certeza não voltará...
- Ele voltará!
- Ele a largou aqui sozinha! – gritou ele explodindo de vez – Sozinha, no frio e nua, como se você fosse uma meretriz sem valor!
- Meça suas palavras, Hattemaru – disse firmemente Satsumi – Pois me parece que é você quem está achando isso de mim...
- Oras, Satsumi... – disse ele nervosamente – Não fui eu quem a trouxe para uma cabana abandonada e a usou como um brinquedo...
- Cale-se! – disse ela se levantando – E vá, antes que nossas palavras acabem ferindo um ao outro muito mais do que podemos imaginar.
- Não há como eu me machucar mais... – disse ele -...ainda mais com palavras...
- Hattemaru... – sussurrou ela tentando evitar uma briga maior – Vá para casa, eu irei depois e conversaremos tudo o que temos a conversar. Deixe que eu descubra o que vou fazer da minha vida...
- Não!
- Eu não posso deixar para trás o que sinto...
- Nem eu posso deixar para trás você... – disse ele encarando-a estranhamente – Não vou abrir mão de você, ainda mais por um youkai. Ele não a merece tanto quanto eu. Ele não a esperou por tanto tempo...
- Eu amo aquele youkai... – disse Satsumi – E o tempo todo que você me esperou, que esteve ao meu lado, Hattemaru, foi suficiente para me fazer amá-lo como um amigo, mas nunca como um homem... O que te faz acreditar que eu o amarei um dia?
- Amigo? – ele repetiu a palavra sorrindo ironicamente, como se ela indicasse um defeito – E não como um homem?
- Hattemaru...
Ele caminhou lentamente em direção a ela, forçando-a a encostar-se na parede.
- Quem sabe se eu tivesse mostrado a você antes o quanto eu sou um homem, você não estaria me amando agora, não é?
- Hattemaru... – disse Satsumi quando ele segurou seus braços para o alto e encostou seu corpo ao dela – Pare...
- Quem sabe se eu não tivesse tido tanto respeito por você até hoje... – sussurrou ele chegando seu rosto junto ao dela – Se eu a tivesse tratado como uma vadia, como aquele youkai faz, você não estaria nua na minha cama, ao invés de estar numa maldita cabana à espera de um desconhecido...
- Pare... – disse ela virando o rosto na primeira tentativa dele em beijá-la – Não estrague o único sentimento que terá de mim. Não destrua nossa amizade...
- Para o inferno com sua amizade, Satsumi – gritou ele assustando-a – Eu a quero como mulher...
- Me solta...
Ele tentou beijá-la de novo, mas ela virava o rosto ao máximo para evitá-lo.
- Deixe que eu a beije...
- Não! – gritou Satsumi – Me solta...
- Aceite o meu beijo... – sussurrou ele.
- Não faça isso, Hattemaru... – disse ela -...Se o fizer, matará em mim o respeito que sinto por você...
- O que me importa...
Hattemaru parou de tentar beijá-la, e esperou que ela o encarasse. Quando ela virou o rosto de frente para o seu, ele apenas ficou olhando para os lábios dela, que agora estavam trêmulos.
- Não posso beijá-la... – disse ele.
Satsumi acreditou que ele tivesse recuperado a razão, e que a soltaria, mas um sorriso dele a fez mudar de idéia.
- Não posso beijar seus lábios agora... – continuou ele -... não enquanto eles ainda guardam resquícios daquele youkai...
- O que...? – perguntou Satsumi surpreendida pelo modo que ele a pegou pelo braço e arrastou-a na direção da porta.
- Preciso que lave sua boca antes de beijá-la – disse Hattemaru que parecia ter ensandecido de vez – Talvez um pouco de neve seja suficiente...
- Não... – disse Satsumi tentando segurar-se na porta – Não, Hattemaru...
- Aposto que Inutaisho nunca pensou o quanto o feitiço dele poderia se virar contra seu próprio sangue... – disse Yume – O sangue da própria neta... usado para desfazer o feitiço que ele me lançou...
Sesshoumaru sentiu o coração parar de bater por alguns segundos. Cada palavra de Yume parecia solta e sem nexo. Mas quando seu cérebro conseguiu entender que aquilo era a confissão de que, de algum modo, fora ela a culpada pela morte de sua filha, não teve como segurar a fúria que sentia dentro de si.
- Você... – sussurrou ele - ... o que fez?
Ela apertou o pescoço dela com toda sua força, mas antes que a matasse, e desse a ela um fim rápido demais, jogou-a com força contra as árvores à frente.
Yume derrubou umas cinco ou seis árvores, antes de cair no chão, cheia de cortes e arranhões. Levantou-se com dificuldade, mas sorriu agradecida por pelo menos estar livre para atacá-lo. Correu na direção de Sesshoumaru, e ergueu a mão para acertar um corte diretamente no rosto do oponente, mas ele a segurou, e torceu seu pulso, até que ambos ouviram o barulho do osso se quebrar.
Yume se afastou e segurou a mão junto ao peito. A dor não era incomodo, mas a mão ficaria inútil durante alguns dias. Ela o encarou furiosa, mas espantou-se ao ver que o ódio no olhar de Sesshoumaru superava o seu em muito.
- O que você fez, maldita youkai? – perguntou Sesshoumaru num misto de palavras e rosnado – O que fez contra minha criança?
- Eu só a mandei para o lugar certo para aberrações como ela... Acredito que seja o inferno...
Antes que se desse conta, Yume havia sido acertada no rosto por um soco de Sesshoumaru. Ele havia se movido tão rápido, que ela sequer havia visto. Ele então voltou para o mesmo lugar de antes.
- Conte o que fez – disse ele – E aproveite para adiar sua morte por algum tempo.
- Adiar a minha morte? – riu Yume sem conseguir esconder o medo que o olhar de Sesshoumaru começava a lhe dar – Eu não morrerei hoje...
Ela tentou correr e atacá-lo, mas como se lesse seus pensamentos, Sesshoumaru a impediu com outro soco, que dessa vez a fez cair sentada, há uns quatro passos de distância. Ele então correu até ela e agarrou-a pela roupa e a ergueu.
- Conte agora... – disse ele exibindo os caninos – O que fez à minha filha?
- O que quer saber? – disse Yume rindo – Quer saber como eu a matei? Pois saiba que foi muito fácil matar aquela criança...
Sesshoumaru fechou os olhos, e quando os abriu de novo, o dourado havia desaparecido, sendo substituído pelo vermelho.
- O que vai fazer? – perguntou Satsumi enquanto Hattemaru conseguia levá-la até o lado de fora da cabana, onde a neve e o vento acertavam o rosto de ambos. Ele a empurrou, fazendo-a cair de joelhos no chão branco.
- Preciso lavar sua boca... – disse Hattemaru ajoelhando-se ao lado dela e pegando um punhado de neve com a mão direita, enquanto a esquerda agarrou os cabelos de Satsumi – Abra a boca...
- Me solte! – gritou ela se debatendo e tentando evitar que ele colocasse a neve em sua boca – Hattemaru, me solta!
- Lave a boca... – repetiu ele.
Satsumi fechou a boca e ele forçou a neve contra os lábios dela, com força suficiente para causar um corte na parte inferior, e logo a neve era tingida com sangue.
Satsumi conseguiu empurrar a mão dele, e o encarou. Algumas lágrimas contrastavam com a raiva no olhar, mostrando que ele fora longe demais. Ela limpou a boca, ferida e gelada antes de falar alguma coisa.
- Solte-me! – ordenou ela baixo – E suma da minha frente, Hattemaru. A partir desse momento, eu não o quero mais perto de mim...
- O quê? – perguntou ele rindo.
- Vá embora... antes que as coisas piorem...
- O que vai fazer? – disse ele ainda rindo – Lutar comigo? Não acredito que seja capaz, depois de tanto tempo parada...
- Me solta! – gritou ela tentando tirar a mão dele de seus cabelos – Agora! Me solta! Você não pode me tratar dessa maneira!
- Pare!
Satsumi deixou o cabelo de lado e partiu para cima de Hattemaru, batendo em seu tórax. O chefe da guarda tentava conter as mãos dela, mas a fúria parecia dar-lhe uma força maior. Cansada, Satsumi logo foi dominada e Hattemaru a puxou, num abraço forçado, enquanto ria da estúpida tentativa dela.
- Vou levá-la para casa... – ele sussurrou junto ao ouvido dela – Amanhã, nos casaremos, e você deixará tudo o que aconteceu para trás... tanto esse youkai maldito, quanto tudo o que lembre ele...
- Não... – disse ela tentando reunir forças novamente – Eu não me casarei com você...
- Sim, casará... E você servirá a mim, como serviu a esse tal Sesshoumaru...
- Nunca...
- E você gostará disso... Ou ao menos fingirá bem o suficiente para que todos achem isso...
- Eu não o amo, Hattemaru. Nem ao menos o respeito mais... – disse ela soltando-se e afastando seu corpo do dele – Nada nesse mundo fará com que me case com você...
- Então... – disse ele sério – Prefere viver como a prostituta de um youkai?
- Eu prefiro ser a prostituta de qualquer um... mas não me deitarei com você por nada, ouviu? Nada!
- Maldita... – disse Hattemaru levando o punho fechado na direção do rosto de Satsumi, acertando um soco no rosto da jovem, que caiu desacordada na neve.
Ele olhou para Satsumi, e desesperou-se pelo que fizera. Passou a mão no rosto dela, limpando o sangue que agora escorria do nariz, e tentou acordá-la.
- Satsumi! – chamou – Acorde, Satsumi! Eu não queria fazer isso, Satsumi!
Os olhos vermelhos eram o sinal de que o ódio de Sesshoumaru estava aumentando. Yume sabia que logo ele se transformaria, então a luta tomaria proporções gigantescas. Era melhor para ela que isso acontecesse mesmo, já que em sua forma verdadeira, ela não precisava se preocupar com o pulso quebrado. Resolveu contar de vez toda a história para ele.
- Foi tão fácil, Sesshoumaru – disse ela – Precisei apenas da ajuda de uma pessoa muito ligada à sua humana. Só precisei da ajuda daquele jovem, de nome Hattemaru...
- O chefe da guarda... – disse ele com os caninos saltados – Como...?
- Foi ele quem colocou um veneno no chá daquela humana – continuou Yume vendo que ele tinha interesse no que ela contava – Naquela mesma noite em que roubei sua espada...
Sesshoumaru ouvia em silêncio as palavras de Yume, imaginando o quanto aquela história poderia se tornar mais cruel.
- E veja, que irônico... – disse ela sorrindo – Pelo menos ser uma humana me ajudou a estar do lado da sua amada quando ela perdeu aquela criança. Eu até servi de apoio moral para ela naquele momento. Mas sabe o que foi melhor, mesmo? Foi ter enganado você, a tal ponto, que você achou que a morte de sua filha era culpa da pobrezinha da humana, que sofreu tanto...
- O que...
- Lembra-se da velhota que o incomodou na colina, dizendo se chamar Asuka? – ela gargalhou ao ver a expressão do rosto de Sesshoumaru.
"Asuka... sim, eu me lembro..." pensou ele soltando Yume "Não pode ser...".
- Pena que minha forma humana não era tão bonita quanto agora, não é? E você acreditou em tudo o que falei... Tolo!
Sesshoumaru a olhou enfurecido. Correu para cima dela com as garras prontas para retalhá-la, mas ela desviava. Ela lançou duas esferas de fogo, e devido ao fato dele estar tão concentrado apenas em atacar, não desviou e elas acabaram por acertar em cheio seu tórax, que apesar de estar desprotegido, sofreu apenas algumas pequenas queimaduras.
Yume aproveitou o momento em que ele olhava para o local onde havia acertado o golpe e se preparou para lançar seu maior ataque.
Ela olhou para o céu nublado, e disse algumas palavras que pareciam ser em outra língua, e logo uma faixa de fogo começou a se formar, aumentando rapidamente. As chamas começaram a formar uma cortina incandescente, e o calor no local era forte até mesmo para Sesshoumaru, que apenas olhava o espetáculo que Yume apresentava.
- Morra agora, maldito cão! – gritou ela lançando a cortina de fogo na direção de Sesshoumaru.
Ele deu um salto, alcançando altura suficiente para deixar que a cortina de fogo passasse sob si, e atingisse a floresta que os cercavam, causando uma grande devastação, pulverizando árvores e derretendo até mesmo as maiores rochas do local. Quando ele alcançou novamente o solo, foi atacado por Yume que correra até ele e agora o atacava com suas garras.
- Eu acabarei com você, filho de Inutaisho... – gritou ela – Vou mandá-lo para fazer companhia a sua criança hanyou, aquela aberração da natureza...
Sesshoumaru se afastou e Yume parou de correr. A youkai parecia estar esperando que ele tomasse logo a decisão de se transformar, mas Sesshoumaru parecia seguro de que não precisaria disso.
- Foi a maior alegria da minha vida, Sesshoumaru, esmagar aquela criança nas minhas mãos, para poder tirar umas pouquíssimas gotas do sangue precioso dela... Depois, eu simplesmente a joguei no riacho, já que um lixo como aquele não merecia uma cova decente...
Sesshoumaru cerrou os dentes com força. Agora sim, Yume havia conseguido atingi-lo no centro de seus sentimentos. Ele fechou os punhos, apertando as unhas contra a palma das mãos, até que soubesse que havia furado a pele e sentisse o sangue escorrer das feridas. Fez isso para se certificar que estava acordado, e não num pesadelo horrível. Então deixou que o corpo começasse a se transformar, sendo seguido por Yume, que interrompeu uma alta gargalhada para poder transformar-se em sua forma de passaro youkai.
Ele rosnou o mais alto possível, fazendo o chão ao redor deles tremer levemente. Depois correu para cima de Yume, que também correu. Os dois chocaram-se, e Yume levou uma pequena desvantagem ao ser arremessada para trás. Ela bateu as asas rapidamente, usando o golpe de criar um vento quente, e Sesshoumaru aproveitou para correr até ela de novo, ultrapassando o calor sem se incomodar e cravando os dentes numa das asas da youkai. Sacudiu Yume até que conseguisse rasgar metade sua asa, causando um ferimento grande nela. A reação da youkai foi afastar-se um pouco, e quando viu que ele vinha novamente em sua direção, soube que não conseguiria defender-se do golpe e Sesshoumaru com certeza arrancaria sua outra asa. Deu um salto para defender-se da tentativa dele de mordê-la, mas já sem ter como voar, caiu direto no chão. Yume decidiu preservar-se o máximo possível, e rapidamente voltou à forma humana. Sesshoumaru olhou para a pequena criatura a sua frente, e rosnando, deu um passo na direção dela, mostrando que a atacaria da mesma forma. Só restou a Yume correr para a mata atrás dela, e esconder-se em algum lugar, mesmo sabendo que ele não desistiria até encontrá-la.
Satsumi abriu os olhos devagar. Sentia o rosto doer pelo soco que havia levado, e quando pode fixar seus olhos em algo, viu Hattemaru ao seu lado. Tentou levantar-se e afastar-se dele, mas ainda estava tonta demais até para sentar-se.
- Que bom que acordou – disse ele parecendo ter se acalmado – Eu sinto muito pelo que fiz, Satsumi.
- Saia... – disse ela – Afaste-se de mim...
- Eu não queria machucá-la – disse ele – Eu perdi o controle, não sei o que me deu...
Ela se arrastou na neve, até ficar um pouco longe dele. Passou a mão no nariz, vendo que este sangrava.
- Me perdoe, eu jamais levantarei minha mão para você novamente...
- Eu vou procurar por Sesshoumaru... – disse Satsumi se levantando devagar -...não ouse tentar me impedir...
Ela deu apenas alguns passos, e sentindo-se tonta, levou o braço até uma árvore próxima para se apoiar. Hattemaru aproveitou para tentar impedi-la, pegando em seu braço.
- Satsumi...
- Me solta! – gritou ela virando com tudo e acertando um forte tapa no rosto do chefe da guarda – Não ouse tocar em mim de novo!
Ele colocou a mão no local onde fora acertado, sentindo a área arder.
- Como ousa? – gritou ele agarrando os braços dela – Como ousa bater em mim dessa maneira?
- Me solta!
- Vou ensiná-la a me tratar bem, Satsumi – disse ele derrubando-a no chão e caindo sobre ela – Você me respeitará, ou eu vou matá-la como fiz com sua filha...
Satsumi parou de se debater ao ouvi-lo falar de sua filha.
- O que disse? – perguntou ela.
Ele a imobilizou e só então pensou no que havia acabado de dizer. Ficou calado, sem saber o que dizer.
- Responda minha pergunta... – disse ela irritada – O que disse sobre minha filha?
- Esqueça isso – disse ele – Deixe o passado enterrado...
- Não! O que quis dizer com "matou minha filha"?
- Nada!
- Não minta!
- Eu não disse nada!
- Mentiroso! Maldito mentiroso! – disse ela voltando a se debater – Seja homem, e responda minha questão!
- Eu sou homem, Satsumi... Não me provoque a provar isso...
- O que disse sobre minha filha, seu covarde!
- Eu disse que a matei! – respondeu ele irritado com as ofensas de Satsumi – Sim, eu o fiz! Matei sua criança, para o seu próprio bem!
Satsumi deu um grito ao ouvir a confissão. Não podia acreditar naquilo. Não conseguia imaginar que Hattemaru, a quem tinha como um amigo valioso, estava dizendo que matara sua filha.
- O que você fez? – perguntou ela chorando.
- Eu coloquei um veneno em seu chá... – disse ele virando o olhar para não vê-la chorar – Foi o chá que a fez perder aquela criança.
- Não... – desesperou-se ainda mais – Você não...
- Sim, Satsumi – disse ele também chorando – Eu matei sua criança... Mas juro, pelo amor que tenho por você, que o fiz para protegê-la...
- Não...
- Não queria que você tivesse aquela criança, que nem era humana – disse ele colando seu rosto ao dela, sentindo as lágrimas dela molharem sua boca – Todos perderiam o respeito por você. Tenho certeza que seu pai me apoiaria nisso...
- Não, Hattemaru, não... – disse ela tentando sair debaixo dele – Por que fez isso comigo? Por que me machucar dessa forma?
- Não, minha amada... não quis machucá-la, nunca. Essa dor passa com o tempo. O desprezo de todos ao seu redor é muito mais doloroso...
- Minha filha... era inocente...
- Ela seria maltratada por todos, escute minhas palavras...
- Ela não lhe fez nada... Eu não lhe fiz nada...
- Foi preciso... – disse ele – Um dia você me entenderá, e poderá me perdoar por isso...
- Nunca! – disse ela deixando as lágrimas de lado e o encarando – Nunca entenderei seus motivos... Nunca aceitarei seus pedidos de perdão...
Ela o empurrou para o lado e se levantou rapidamente, saindo correndo em seguida, pegando o caminho que a levaria até a cachoeira. Hattemaru levantou-se e passou a segui-la, gritando por seu nome.
Continua...
