Um triste adeus – Parte II

Sesshoumaru mostrou-se ainda mais furioso em sua forma youkai verdadeira. Olhou para a mata a frente, procurando sentir o cheiro de Yume, e logo conseguiu. Sentia o cheiro do sangue dela, sentia o cheiro do medo dela, e aqueles odores só faziam sua vontade de destruí-la ainda maior. Um som em sua mente o deixava ainda mais irado, e mesmo que na forma de um grande cão deixasse a razão de lado e lutasse mais usando do instinto, conseguia distinguir que aquele som, de batidas tão rápidas, mas ao mesmo tempo tão harmoniosas, nada mais eram que a lembrança remota do bater do coração de sua filha, o único modo que ele a conhecera. O som aumentava a cada passo seu, como se ele o guiasse ao lugar onde Yume se encontrava. Quando o som finalmente chegou ao máximo, Sesshoumaru sabia que havia encontrado a youkai, então as batidas cessaram, dando lugar apenas ao som de seu próprio coração, que batia lentamente.

Rosnou, alertando Yume; embora fosse impossível para ela não perceber que ele a encontrara; e a youkai saiu de trás de uma árvore de tronco largo, segurando o braço machucado que sangrava sem parar.

- Você me encontrou... – disse ela esboçando um sorriso -... acabe comigo de uma vez por todas...

Sesshoumaru cravou as patas dianteiras no chão com força. Estava se segurando para não levar as garras afiadas em direção da youkai e cortá-la ao meio, matando-a assim de uma forma muito mais rápida. Seu lado racional começava a ter controle de novo, e assim ele começou a voltar a sua forma humana. Yume apenas olhava, já que mesmo que tivesse como fugir dele, já não tinha condições físicas de fazê-lo.

Sesshoumaru, após ter voltado à forma humana, olhou para o próprio corpo, cheio de cortes e hematomas, então passou a mão pelo sangue que escorria de um deles, e estendeu o braço a Yume a sua frente.

- Era esse o sangue que tanto procurava? – perguntou ele – Era o sangue dos youkais cães que era necessário para desfazer o feitiço que meu pai lhe colocou?

Ele agarrou o pescoço de Yume com a mão limpa, e passou o sangue da outra mão por todo o rosto dela.

- Você o tem... – disse ele –...embora você tenha preferido o sangue da minha criança, que era a única de minha família que não poderia se defender... Agora, EU quero o seu sangue, e pode ter certeza de que eu vou derramá-lo todo por minhas terras!

Cravou as garras afiadas no rosto de Yume, tapando a boca da boca para que não ouvisse o grito dela enquanto terminava seu serviço. Levou a boca, com os caninos saltados até a garganta dela, e mordeu com força, fazendo jorrar o sangue assim que ele a soltou.

Yume levou a mão ao pescoço, sentindo o ferimento queimar pela quantidade de veneno que ele lhe colocara. Sesshoumaru cuspia e limpava o sangue odioso da youkai de sua boca, enquanto a via começar a se contorcer de dor.

- Meu veneno tem o poder intensificado com a minha ira... – disse ele – Então aproveite a sensação dele, pois você com certeza o provará em sua força máxima...

Yume caiu de joelhos no chão, e de seu nariz e ouvidos saiam uma mistura de sangue e veneno. Os olhos começaram a revirar, e sua respiração cessou, asfixiando a youkai. Ela deixou o corpo soltar-se, caindo de cara no chão, já vermelho com seu sangue, e após um tempo parou de se debater, fazendo Sesshoumaru irritar-se por ela ter morrido tão rapidamente.

Ele ficou olhando para o cadáver da youkai, até perceber algumas sombras negras surgirem do chão e envolver o corpo, então deu as costas, sabendo que aqueles espíritos se encarregariam de levá-la ao lugar merecido, o inferno.

Caminhava devagar, repassando na mente as palavras de Yume, a descrição da morte cruel que dera à sua filha, e também percebendo o quão fora injusto com Satsumi, ao culpá-la naquele momento por isso, e deixá-la só quando ela mais precisava dele ao seu lado. E agora teria que contar a verdade a ela, revelando ainda a participação daquele homem...

"Hattemaru..." lembrou-se do nome.

... o qual Satsumi tantas vezes chamou de amigo, e o mesmo que uma vez dissera que a amava tanto e nunca deixaria que ninguém a machucasse.

"Maldito...".

Olhou um pouco para o céu, vendo que logo amanheceria, e desejou que com o nascer do sol, pudesse ter um pouco de paz, para poder, pelo menos uma vez, estar ao lado de Satsumi num momento que ela precisaria dele.


- Não fuja de mim! – gritou Hattemaru desesperado para Satsumi – Por favor, deixe que eu lhe mostre os motivos para ter feito isso...

- Saia de perto de mim! – gritou Satsumi chorando e correndo na direção da cachoeira – Nunca mais fale comigo, seu maldito!

- Me perdoe...

- Jamais! Eu jamais o perdoarei por ter matado minha filha, Hattemaru... Como você pôde...

Satsumi não agüentou mais correr e caiu de joelhos. A dor em seu coração era tão grande, que parecia afetar todo o resto do corpo, como se estivesse sendo esmagada por uma força maior.

- Não se aproxime de mim... – gritou ao ver Hattemaru vindo em sua direção.

Baixou a cabeça e chorou, até que não houvesse mais lágrimas. Sentiu-se então envolvida por braços e abriu os olhos, imaginando se Sesshoumaru finalmente a encontrara, mas gritou ao ver que era Hattemaru, tentando consolá-la na dor que ele mesmo causara.

- Não! – gritou o mais alto possível – Não quero seu abraço! Me solta...

- Satsumi... – disse ele apertando-a contra o peito -...acalme-se. Eu não desejo fazer mal a você...

- Já o fez... – gritou ela debatendo-se -...tirando de mim minha filha...

- Haverá muitas outras crianças... – disse ele -...Dê-me a chance de fazê-la feliz e dar-lhe os filhos que merece...

Satsumi parou de se debater e o encarou.

- Maldito... – sussurrou – Você tirou de mim até o consolo de ter outros filhos...

- O quê? – perguntou ele sem entender.

Satsumi livrou-se dos braços dele e se levantou enxugando o choro.

- Na sua ânsia por ter-me, Hattemaru, você acabou por me matar... Matou a mulher que eu era, e agora, eu não sou nada, nunca poderei sentir a felicidade comum às outras mulheres, de poder carregar no colo os próprios filhos...

- Não... – disse ele se levantando -...nunca tive o desejo de fazer isso... Perdoe-me...

- Eu o odeio por isso... – gritou ela – O odiarei até os meus últimos dias, Hattemaru!

- Não...

- Você me matou... junto com minha filha... E saiba que pelo menos me alegra saber que você não me terá nunca... NUNCA!

Ela deu as costas ao chefe da guarda, e caminhou um pouco mais, chegando próxima à cachoeira, aonde ia se sentar e chorar, esperando por Sesshoumaru.

Hattemaru a observou atentamente, enquanto na sua cabeça ainda ecoava as palavras dela dizendo que ele nunca a teria.

- Nunca? – repetiu baixo.

Levou a mão até a faixa em sua cintura, e retirou um punhal, ganhado como presente do pai de Satsumi. Olhou para a arma, tão bela e delicada, na mão, e decidido a cometer uma loucura começou a caminhar em direção à Satsumi.


Sesshoumaru apertou o passo ao sentir uma sensação ruim encher seu peito. Lembrou-se da visão que tivera do pai, dizendo-lhe que qualquer que fosse sua escolha na vida, o fim não seria bom. E havia escolhido Satsumi, já que nesse momento não desejava mais nada, além de estar com ela. Deixou escapar um palavrão dos lábios ao ver que já estava correndo, e ainda assim parecia não estar saindo do lugar. Sentiu a presença dela, justamente próximo a cachoeira, aquele local onde a morte havia procurado por ela já por duas vezes. Sentiu também a presença de Hattemaru, e isso o enfureceu. Agora corria ainda mais, disposto a evitar que ele tocasse em Satsumi, e também a vingar-se dele pela participação na morte da filha.


Hattemaru caminhou rapidamente até Satsumi, que nem percebeu sua aproximação, já que agora estava perdida em sua dor, chorando desesperadamente.

- Satsumi... – disse ele baixo há alguns passos dela -...se eu não posso tê-la... por tudo que me é mais valioso nessa vida, eu juro... que aquele youkai também não a terá...

Ele agarrou-a pelo braço e a virou de frente para si, abraçando-a. Satsumi tentou empurrá-lo, mas não conseguiu evitar que ele encostasse os lábios ao seu ouvido para as últimas palavras.

- Me perdoe por amá-la tanto... – sussurrou ele -... Perdoe-me pelo que fiz e pelo que farei...

- Me solta... – disse ela com a voz falha.

-... eu a amarei... para sempre...

Ele teve tempo de olhar nos olhos dela e ver que acima de tudo, o que ela sentia era mágoa. Então, antes que aquele olhar o fizesse mudar de idéia, cravou o punhal no abdômen de Satsumi, até o cabo. O olhar dela baixou para o local onde ele a esfaqueara, depois voltou para seu rosto.

- Hatte... – disse ela deixando um grito de dor preso na garganta, e deitando a cabeça sobre o ombro dele.

- Me perdoe, me perdoe... – disse ele chorando -...eu farei o mesmo comigo... sei que não mereço viver...

-... como pôde...

Ele a abraçou ainda mais apertado, evitando que ela se debatesse e aumentasse ainda mais sua dor.


Sesshoumaru parou incrédulo ao ver, junto à margem da cachoeira, Hattemaru abraçado à Satsumi. Foi diminuindo a distância, até que chegasse há alguns passos deles. Sentiu ciúmes, por um breve momento, antes de perceber o sangue que começava a se empossar no chão. E o cheiro era inegável, aquele sangue era de Satsumi. O mundo pareceu parar a sua volta quando viu que ela abrira um pouco os olhos e o chamou com uma voz falha e dolorosa.

- Sesshou...maru...

Hattemaru virou um pouco o pescoço, notando a presença de seu rival. Soltou Satsumi, deixando o punhal ainda cravado nela. Ela caiu ajoelhada, apoiando o corpo com um dos braços.

- Maldito... – disse Sesshoumaru correndo na direção de Hattemaru e agarrando-o pelo pescoço.

Olhou com ódio para o chefe da guarda, e desejou ter mais tempo para poder dar a ele o sofrimento merecido, mas tinha que ajudar Satsumi, então o mataria rapidamente.

Ergueu-o e levou até perto de algumas árvores de galhos secos.

- Isso é por minha filha... – disse empurrando o corpo dele contra um galho quebrado, que atravessou pelas costas e saiu na barriga.

Um grito desesperado saiu da garganta de Hattemaru, e Sesshoumaru teve vontade de arrancar a língua dele.

- E isso... é por Satsumi... – disse colocando as garras sobre a área do coração dele – Pela dor que você causou ao coração dela... Agora você sentirá o quanto é ruim ter seu coração arrancado do peito...

Forçou as garras no peito de Hattemaru, rasgando a carne e quebrando os ossos, em meio aos gritos de dor dele, até que encontrou seu coração, e num único puxão, arrancou-o, segurando-o na mão por alguns segundos e depois o jogando no chão, e esmagando-o com o próprio pé. A cabeça do chefe da guarda pendeu sobre o peito, e Sesshoumaru deu-se por satisfeito de ter acabado com sua vida.

Virou-se para Satsumi, e viu que ela olhara toda a cena. Correu até ela, e ajoelhando-se frente a ela, viu o punhal em seu abdômen. Sabia que se removesse a faca, ela sentiria mais dor e aumentaria o sangramento, mas sabia que isso também adiantaria a morte dela, que no caso daquele tipo de ferimento, aconteceria de qualquer maneira. Mas sua preocupação não era a morte dela, era não deixá-la sofrer até que seu corpo desistisse de lutar. Ele tinha o poder de vencer a morte e trazê-la de volta aos seus braços, assim que ela desse o ultimo suspiro. E assim o faria, usando a Tenseiga.

Estava tão absorto nesses pensamentos que se assustou ao sentir a mão gelada de Satsumi

Em seu rosto.

- Você voltou... – disse ela com dificuldade para respirar –Tive medo de que tivesse me deixado...

- Eu não a deixei... – disse ele fechando os olhos com o carinho dela -...eu só havia saído um pouco... me perdoe por isso...

Ela ia falar algo mais, mas a dor a fez morder os lábios e segurar as palavras e o grito.

- Aquiete-se... – disse Sesshoumaru colocando a mão levemente sobre o punhal -...eu o tirarei, e logo a dor passará...

Ele foi impedido pela mão dela em cima da sua.

- Não tenha medo... – disse ele forçando um sorriso e levando a mão dela até a Tenseiga -...eu não deixarei que a morte te leve embora...

- Não... – sussurrou – Não quero...

Sesshoumaru a encarou surpreso. Ela deu um pequeno sorriso, que o fez engolir seco.

- Satsumi...

- Não quero voltar... – disse ela tirando sua mão da espada -...não faça isso...

- Mas...

- Não há nada que me prenda a esse mundo...

- Há esse youkai... – disse ele puxando a mão dela de encontro ao seu peito -...que a ama, por que não quer voltar para mim?

- Você não é meu... – disse ela -...você é tão livre, que eu não posso me dar o direito de tê-lo...

- Satsumi, eu não permitirei...

- Faça isso por mim... deixe que eu vá... Eu prefiro que seja assim, uma morte rápida e com você ao meu lado, do que ter que morrer no próximo inverno, depois de sofrer tanto como meu pai sofreu...

- Não diga bobagens...

- Eu estou doente Sesshoumaru... Não adie minha partida...

- Eu não posso deixá-la morrer...

- Eu quero ir... – disse ela - Eu quero encontrar de novo minha família, que me faz tanta falta... minha mãe, meu pai...

Ela deu um sorriso sincero, enquanto sua mão passeava pelos cabelos prateados de Sesshoumaru pela última vez.

-...eu quero vê-la... – disse suspirando profundamente -...quero conhecer nossa filha...

Ele ouviu em silêncio, não argumentaria mais, já que faria a mesma escolha se estivesse no lugar dela.

- Diga que não me trará de volta... – pediu ela – Diga...

Ele sentiu o peito encher-se de dor e frustração. Mesmo possuindo um poder tão grande, o de devolver a vida a quem quisesse, não poderia usá-lo nas únicas duas pessoas que amara. Não pôde trazer sua filha de volta, e agora não poderia trazer a mulher que amava de volta aos seus braços.

Abaixou a cabeça concordando com o pedido de Satsumi, depois a acomodou nos braços, disposto a passar os últimos momentos juntos. A mão dela alcançou a bainha da Tenseiga, tocando levemente a faixa de tecido que já imaginava não existir mais.

- Ela está com você? – perguntou surpresa, com a voz já bem fraca - Mas como...?

- Uma amiga sua me devolveu... – respondeu Sesshoumaru beijando sua testa -...e eu jurei nunca mais tirá-la de perto de mim...

- Sei que um dia seu coração encontrará alguém que a mereça... Não fique em dúvida em desfazer-se dela, nem de amar alguém no futuro, Sesshoumaru...

- Eu a entregarei a você, quando eu a reencontrar... – disse ele – Até lá, não haverá ninguém que tire essa faixa de mim...

Satsumi contorceu-se com uma dor fortíssima, fazendo Sesshoumaru apertá-la contra seu corpo, como se isso pudesse diminuir o sofrimento dela.

- Meu coração... – disse ela com a respiração fraca -... eu sinto ele parando...

- Logo passará... logo a dor cessará, e você estará junto de nossa filha...

- Como dói... – sussurrou ela chorando.

- Eu estou aqui, para ajudá-la a agüentar essa dor... – disse ele.

- Só quero pedir uma coisa antes de partir...

- O que quiser...

- Prometa que me guardará na memória...

Ele a olhou, depois beijou seus lábios com amor.

- O tempo apaga até mesmo as mais belas memórias, Satsumi...

- Entendo...

- Por isso eu a guardarei em meu coração...

Ela tentou sorrir, mas quase não conseguia suportar a dor.

- Te amo... – disse ela fechando os olhos e encostando a cabeça em seu peito.

- Eu também te amo, Satsumi... e cem primaveras não poderão me fazer esquecer de você...

Ela aquietou-se, e Sesshoumaru ouviu as batidas do coração humano tornarem-se mais raras, até que ele se silenciou por completo. Manteve-se abraçado a ela, para que não descumprisse sua promessa e usasse a Tenseiga, pois tinha certeza que se seu braço a soltasse por um segundo, ele faria isso.

Ficou ali, sentado em silêncio, segurando Satsumi, com o olhar perdido ao longe, sem perceber o céu tornando-se claro com o amanhecer.

Quando o dia amanheceu por completo, Sesshoumaru notou a presença de alguém pelos arredores. Virou seu rosto para a direção em que a pessoa estava vindo, e ouviu-a chamar pelo nome de Satsumi.

Apertou Satsumi ainda mais nos braços, fechando os olhos, sabendo que logo a encontrariam, e a levariam embora. Então nunca mais a veria, nem sentiria seu cheiro doce ou tocaria seus lábios novamente.

A pessoa finalmente os encontrou, e Sesshoumaru reconheceu a amiga de Satsumi.

Asuka não pôde conter um grito desesperado ao notar sua jovem senhora, e acima de tudo amiga, já sem vida nos braços do youkai. Logo depois apareceram alguns guardas do vilarejo, partindo para cima de Sesshoumaru, ainda mais após verem seu chefe morto preso a uma árvore.

- Não! – gritou Asuka – Ele não fez nada à Satsumi! Ela jamais perdoaria vocês se o culpassem...

Os homens pararam, esperando pelo desfecho estranho daquela situação ainda mais estranha.

- O que te faz pensar que eu não tenho culpa na morte dela? – perguntou Sesshoumaru.

- Mesmo sabendo que você a fez chorar tantas vezes... – disse Asuka sofrendo -... ainda assim, sei que somente um amor doentio é capaz de matar... Isso se encaixa em Hattemaru, com certeza, e não em você...

Asuka pousou sua mão sobre o ombro dele.

- Temos que levá-la... – disse ela -...ela merece um enterro digno...

Sesshoumaru aos poucos soltou Satsumi, colocando-a no chão com cuidado, como se ela ainda pudesse sentir algo. Depois se levantou, sem tirar os olhos dela. Sabia que agora sim, era a última vez que a veria, e quando desse as costas e partisse, só poderia contar com a lembrança dela em sua mente.

- Um dia, Satsumi... – sussurrou ele -...estaremos juntos novamente...

Virou-se e saiu caminhando devagar, sob protestos de alguns guardas, e sob cochichos de outros, os quais não deu a mínima importância. Desapareceu da visão de todos, que logo foram tratar de cuidar de seus mortos, como se ele nunca tivesse aparecido em suas vidas.

Foi até a cabana, onde pegou a roupa e a armadura. Parou por um tempo para olhar o pequeno local, sem luxo, sem nada, e que ainda assim, lhe parecia o paraíso quando estava ao lado de Satsumi.

- Adeus... – disse baixo ao local vazio, como se soubesse que o espírito de Satsumi estaria ali ouvindo suas palavras -...minha Satsumi...

Saiu e perdeu-se na mata, caminhando sem saber o que fazer. Estava perdido na mente, alma e coração, e não havia como se encontrar. Esperava que com o passar dos dias aquele nó na garganta desaparecesse, ou que pelo menos se transformasse em lágrima, uma única, que já seria suficiente para mostrar sua dor. Até isso acontecer, só podia mesmo andar sem rumo.


Precisou esperar alguns dias até poder visitar o tumulo de Satsumi sem a presença de nenhum morador do vilarejo. Ela havia sido enterrada ao lado do pai, e Sesshoumaru ficou satisfeito que o seu assassino, Hattemaru, não tivesse virado um herói na história, e tivesse sido enterrado ao lado dela. Não havia sinal de sua cova pelo pequeno cemitério, o que mostrava que Asuka é quem havia mostrado a versão dos fatos ao vilarejo.

Olhou para a lápide de pedra branca, com o nome Satsumi escrito com tinta preta, que já começava a se apagar. Agachou-se e pegou a primeira pedra que lhe pareceu resistente o suficiente e contornou os ideogramas, com uma facilidade para marcar a lápide, que parecia estar usando um pincel sobre uma folha especial. Logo o nome dela estava gravado na pedra branca, e ele deu um meio sorriso, sabendo que não esqueceriam o nome dela tão rápido. Levantou-se e partiu de vez, deixando as Terras do Oeste, sem saber se um dia desejaria retornar, mesmo sendo essas suas terras.

Fim do flashback...


Sesshoumaru deu um passo para fora da caverna, e num tom de voz que causou estranheza em Rin e Jaken, avisou que ia sair.

- Fiquem aqui... – disse ele – Eu volto pela manhã. Vou levar o Aruru.

Ele saiu, e Rin perguntou por que ele estava levando Aruru, se geralmente deixava o youkai dragão junto dela.

- E eu é quem sei! – respondeu Jaken sem paciência e voltando a mastigar – Agora coma logo!

Sesshoumaru caminhou junto de Aruru, que o seguia em silêncio.

- Você já imagina aonde vamos, não é? – disse ele para o dragão, o único dos companheiros que compartilhava os poucos segredos de sua vida.

O animal soltou um rugido, entendendo as palavras do dono. Pararam algumas vezes, para que Sesshoumaru pudesse pegar algo pelo caminho, para depois continuarem sua caminhada até o destino certo.


Rin acordou, e com os olhos entreabertos sentou-se e olhou para os lados, à procura de algo.

- Sr Sesshoumaru! – disse ela alegremente, como já era costumeiro – Bom dia!

- Rin – disse ele que estava em pé junto aos restos da fogueira da noite anterior – Acorde o Jaken, e diga que já estamos de partida.

A menina concordou com a cabeça e chacoalhou o servo. Sesshoumaru poderia ter acordado o pequeno youkai, mas gostava do modo como ele se irritava quando Rin é quem o acordava. Virou-se e esperou que tudo estivesse pronto, para poderem deixar as Terras do Oeste mais uma vez.

Passaram ao lado do cemitério humano mais uma vez, e Rin, que parecia ter um apreço especial em olhar lápides, correu para aquela do dia anterior, que Sesshoumaru parou para observar.

- Veja, Sr Sesshoumaru – gritou ela chamando a atenção de todos.

- O que há de mais aí, Rin? – gritou Jaken – São apenas flores! Como as que você vê todos os dias!

- Essas são muito mais lindas... – disse a menina pegando uma das flores amarelas colocadas no chão, frente à lápide – Como será que elas chamam...

- Narcisos... – respondeu Sesshoumaru de costas – São flores de uma beleza rara...

- Será que eu posso pegar uma? – perguntou Rin inocentemente.

- Pegue... – disse o youkai – "Ela" não se incomodará...

- "Ela"? – perguntou Jaken olhando para o mestre – Ela quem, meu senhor?

- Cale-se, Jaken! – disse Sesshoumaru voltando a caminhar – E ande logo, Rin. Pois vamos andar durante todo o dia.

A menina pegou a flor e saiu correndo atrás de seu protetor, sob protestos de Jaken, deixando para trás o cemitério onde, entre vários túmulos vazios, um com lindas flores amarelas se destacava.

Fim...

Agradeço todas as reviews, também a todos que leram mesmo sem mandar reviews e quero avisar que já que vocês me apoiaram, eu vou fazer a continuação. Aliás, eu já tenho o primeiro cap pronto, só falta revisar e postar, ah, e achar um nome decente também. Espero contar com vocês para me elogiarem ou apoiarem nela também. Obrigada, mil obrigadas! Abraços

Lamni-Ciss

Kimi-Higurashi

Srta Kinomoto

Roberta

Lili-chan

Jonata

Tamy-chan

Mangá

Marcella

Juliane.chan1

Lulu-lilits

Neve: Pra você eu vou deixar um recado, além do obrigada de sempre. Não, aquela frase não foi uma indireta para você, pois você é uma das que "nunca me deixaram na mão", sempre mandando reviews. E eu sei que nem sempre é possível mandar reviews, ou ler a fic. Aliás, no capitulo 25, só coloquei mais um hentai porque lembrei que você ia gostar, pois eu havia decidido deixar somente subliminar a noite do Sesshie e da Sats. Abraços, e obrigada de coração...