Título: Vitral
Autora: Dana Norram (mais detalhes, vide profile)
Shipper: Rude/Reno (e um pouquinho de OC¹/Reno)
Classificação: Nc-17
Gênero: Romance/Drama/Yaoi
Parte: 02 de 06


AVISO: Este fic contém YAOI/LEMON, e é IMPRÓPRIO para menores de 18 anos. Você ainda é um pirralho? Não gosta de dois homens se agarrando? Então clique em "VOLTAR" na sua barra de navegação e procure algo que lhe agrade. Se continuar é por sua conta e risco, eu sou Pilatos e estoulavando minhas mãos.

N.A: Quem já leu qualquer outra história minha, deve saber que eu normalmente não "pego pesado" nas cenas nc-17, mas o caso aqui é bem diferente e se você não gosta de cenas de sexo um pouco mais "cruas", não recomendo a leitura deste texto. Não venha me torrar o saco depois!



— Vitral
Por Dana Norram

P.O.V. RENO

Não.

Rude não podia estar falando sério. Não podia... não podia...

Eu estava satisfeito, sabe? Satisfeito de poder dormir com ele de vez em quando... de poder abraçá-lo... de fazê-lo rir com as minhas gracinhas.Ele não sabia, mas eu já tentava chamar sua atenção há algum tempo...

Desde que eu me tornara um Turk para ser exato.

Realmente achava que as coisas ficariam mais fáceis para mim. Achava que Norton me deixaria em paz. Que ele não tentaria nada comigo nesta... posição...

Como eu estava enganado. Ele não deu a mínima. Continuou me ameaçando... me chantageando...

Eu não podia contar a Tseng... muito menos a Rude. Independente do que ele sentisse com relação a minha pessoa, sei que o companheirismo prevaleceria. Sei que ele iria querer acabar com Norton, e eu não posso deixar que ele se envolva.

Não posso... simplesmente não posso.

Podemos ser Turks e estarmos acima das leis, mas... não nos temos como ir contra a própria companhia... contra alguém do círculo pessoal do Presidente — principalmente quando este se trata do querido padrinho de Rufus Shinra...

Rufus mesmo — que eu mal conhecia e era pouco mais do que um "moleque crescido" aparentemente não ligava a mínima para o padrinho Norton. O Presidente por outro lado praticamente se desmanchava em cima do irmão. Tinha orgulho dele. Orgulho do império que ele o ajudara a levantar e mais orgulho ainda em delegar-lhe a tarefa de educar o afilhado...

Ele só não devia estar muito a par do que o irmão costumava fazer em seus dias de folga. Mutilando e fodendo garotos nos Slums de Midgar... talvez se ele soubesse... talvez ele não tivesse deixado o cara cuidando de Rufus um minuto mais sequer... e talvez... talvez Norton não tivesse tido a oportunidade de fazer o que fez comigo e com tantos outros.

Senti um gosto amargo na garganta assim que pus os pés dentro do banheiro. Por um segundo achei que fosse vomitar, mas logo uma sensação ruim desapareceu para dar lugar a outra.

Ergui a cabeça da pia e meu coração deu uma guinada brusca quando percebi que estava sendo observado.

Não...

Agora não.

"Vi o Turk grandalhão saindo do seu quarto... estava trepando com ele, é? Parece que você tomou mesmo gosto pela coisa, Reno..."

Os olhos cinzas metálicos, o cabelo loiro jogado para trás, os braços musculosos saltando por de dentro do paletó. Como ele podia ser tão bonito e asqueroso ao mesmo tempo?

Norton devia ter a altura e praticamente o mesmo porte de Rude e eu me sentia pouco mais que uma criança perto dele.

Mas ainda assim uma criança atrevida.

"Não é da sua conta com que eu trepo ou deixo de trepar, Norton". Respondi, sem me virar, segurando na pia como se ela fosse um tipo de apoio.

Escutei seus passos e fechei os olhos. Suas mãos grossas me abraçaram. O gosto amargo voltou e podia ser impressão minha, mas senti um baque forte que sacudiu tudo ao meu redor.

E eu estava tremendo.

Estava com medo... não queria que ele me tocasse, não... não depois que Rude tinha me beijado... que tinha feito amor comigo...

"Você está mais grosseiro que o costume sabe? Acho que talvez algumas marcas novas o deixem mais... relaxado..."

Norton me largou assim que escutou o barulho da porta se abrindo. Eu também voltei o rosto e arregalei meus olhos para Rude.

Parado na soleira da porta, segurando a maçaneta, ele não sabia se encarava a Norton ou a mim.

"Algum problema, Turk?" Norton perguntou em tom de deboche. "Você já teve o seu hoje... e não é educado entrar sem bater, sabe?"

Rude comprimiu os lábios repentinamente. Me encarou e algo em minha face deve ter me traído... porque vi ele fechar uma das mãos em punho com muito mais força antes de voltar-se para Norton.

"Este banheiro é público". disse entredentes, mas antes que Norton pudesse responder-lhe, Rude virou-se novamente para mim. "Venha Reno, precisamos ir".

Eu pisquei meus olhos antes de arregalá-los. Rude estaria em tão sérios problemas por ter respondido Norton...

"Foi a Avalanche. Acabaram de explodir o Mako 1."

x-x-x

P.O.V. RUDE

Eu juro que vi alívio nos olhos de Reno quando contei sobre a explosão. E ele deveria ter ficado apavorado, afinal, estávamos falando de um Reator!

Mas não. Seu rosto ficou calmo e ele suspirou enquanto me seguia para fora do banheiro. Arrisquei um rápido olhar por cima do ombro e vi o tal de Norton Shinra — irmão do Presidente, praticamente me fuzilando com os olhos.

Não dei bola. Eu tinha ordens em chamar Reno. Ordens de Tseng... pro inferno se ele estava querendo dar umazinha com...

Estanquei no lugar e Reno parou também, me encarando. Vi seus olhos voarem para minhas costas, para o corredor que se estendia atrás de nós e então, soltar um suspiro.

Outro suspiro de alivio.

Entendi tudo. Entendi a tranqüilidade que ele sentira quando contei do Reator, entendi o medo que vira em seus olhos. Entendi a raiva que eu sentira ao entrar naquele lugar...

Não fora somente ciúmes, afinal. Até porque eu já vira tanta gente tentando (e conseguindo) algo de Reno...

Não disse uma palavra e voltei a caminhar com Reno nos meus calcanhares. Rapidamente alcançamos o elevador e somente depois de descermos dois andares que perguntei:

"É ele, não é?"

Um par de olhos verdes me encararam com medo.

Medo por mim.

"Não faça nada, Rude.. por favor não faça nada..."

Ergui uma de minhas mãos e toquei no rosto dele. Reno não recuou, fechou os olhos e suspirou. Naquela hora também entendi porque ele tinha medo. Entendi porque ele deixara que eu o beijasse, mas não tive como ter certeza, nem como perguntar...

O elevador parou de repente e eu puxei minha mão com rapidez enquanto Reno abria os olhos para o oriental alto que acabara de entrar.

"Noite explosiva essa... não, Tseng?"

Reno pusera novamente a máscara. Tseng fechara a cara. E eu fingi que não estava ouvindo.

Mas estava vendo. Vendo tão claramente como nunca vira antes.

Reno era pequeno.

Era frágil e tinha medo.

x-x-x

P.O.V. RENO

Já era manhã quando deixamos a área do reator destruído. Nosso serviço tinha sido bastante diferente do que o de costume. Não precisamos ameaçar... nem matar ninguém. Somente recolher informações. A autoria da Avalanche foi confirmada, é claro, mas aparentemente tinham recrutado um novo membro... um rapazinho loiro de cabelos espetados que carregava uma espada enorme.

Totalmente fora do meu catálogo.

Na verdade, eu não estava preocupado com a investigação, mas deixei Tseng pensando que sim. Intimamente torcia para que a explosão tivesse ao menos servido para distrair Norton — que devia estar "urubuzando" o Presidente naquele mesmo instante, enchendo-o de conselhos inúteis de como rechaçar tamanha "afronta"...

Rude parecia tão envolvido na investigação quanto Tseng, mas quando deram exatas sete horas da manhã ele disse que estava se mandando e me ofereceu uma carona de volta ao alojamento.

É claro que eu aceitei.

Tseng referiu ficar. Rude não insistiu.

Voltamos sozinhos, em silêncio praticamente por todo caminho. Rude não quis escutar o noticiário. "Já vimos e ouvimos o bastante" ele comentou enquanto desligava o rádio, que acionara junto à ignição.

Quando já estávamos próximos da Torre, paramos no farol e Rude, na hora de mudar a marcha raspou a mão na minha perna. Estremeci sem querer e ele riu-se, divertido.

"Que tem de engraçado?" eu perguntei.

"Você tem medo de mim, Reno?"

Foi minha vez de rir.

"Não... claro que não. Por que eu teria?"

Rude ficou em silêncio enquanto o sinal abria.

"Minha proposta ainda está de pé..."

"Rude, eu..."

Ele parou o carro bruscamente. Sorte não haver nenhum veículo atrás de nós. Colocou um dedo sobre meus lábios. Eu me calei.

"Pense". Ele disse e seus dedos acariciavam minha bochecha de leve. "Não é uma ordem... não é uma imposição..."

Eu pisquei os olhos e o vi sorrir.

Eu nunca o vira sorrir.

"É um convite, Reno."

Ele então me beijou uma outra vez. Um beijo rápido, mas tão intenso e quente quanto os anteriores. Escutamos uma buzina atrás de nós e Rude deu a partida no carro.

x-x-x

P.O.V. RUDE

Reno não disse de imediato se aceitava meu convite.

Na verdade, ele não disse nada.

Mas nós dormimos juntos naquela noite, após a explosão. Ele pediu que eu tomasse por trás... disse que queria se sentir meu.

meu.

"Nem que tenha sido apenas por alguns minutos..." ele murmurou quando, esgotado, caí por cima dele, o abraçando.

Tentei lhe dizer que eu o queria... que bastava uma palavra dele... Mas com o rosto virado meio de lado, vi suas lágrimas escorrendo em silêncio até o travesseiro. Os olhos estavam abertos, encarando o vazio.

"Ele pode matá-lo, Rude... ele pode fazer o que quiser..."

Uma onda de ódio me invadiu. Fiz com que Reno se virasse, se erguesse. Segurei-o pelos ombros e empurrei-o contra o encosto da cama, mas imediatamente me arrependi, com medo de tê-lo machucado.

Ele me olhou e deu um meio sorriso, balançando a cabeça.

"Oh, por favor, Rude... eu não sou feito de vidro... acha que já não fizeram coisa muito pior comigo?"

Baixei os olhos e escutei-o suspirar. Então, para minha surpresa, senti que ele me envolvia com as pernas, me puxando para si.

"Me beije" ele pediu em voz baixa, sensual, encostando os lábios nos meus.

É claro que eu o fiz.

E não foi só isso que eu fiz.

x-x-x

Durante a madrugada bateram à porta. Eu mesmo abri.

Era Tseng.

1º; ele não perguntou o que eu estava fazendo ali, no quarto de Reno plena cinco da manhã, vestindo somente as calças desabotoadas. 2º; ele não pareceu nem um pouco surpreso com aquilo (de fato, Tseng nunca parecia ficar surpreso). E 3º; houvera outro atentado.

"Imagino que o sucesso em explodir o Mako 1 deva tê-los incentivado..." disse Tseng com ar tranqüilo.

Reno, que vestia suas roupas enquanto Tseng falava, soltou um muxoxo e bocejou.

"O que eles explodiram desta vez?"

"O Mako 5". comentou Tseng entediado. "Imaginamos que eles tentariam alguma coisa e reforçamos nossa guarda ... trocamos as ID's e bem... Aparentemente quase foram pegos num bloqueio de um dos trens próximo ao sector 5, daí calculamos onde seria o novo ataque. O Presidente Shinra em pessoa foi até lá e apresentou-lhes o novo brinquedo de Scarlet..."

Eu e Reno trocamos olhares arregalados.

"Não sabemos se sobreviveram. Hunf... que idiotice! Fazer um atentando um em cima do outro, quando sabiam que teríamos aumentando a vigilância". os ombros de Tseng tremeram, desprezando aquele tipo de atitude impensada. "Mas não foi por isso que vim até aqui".

Tseng olhou para Reno e eu senti um tremor. Será que tinha algo a ver com Norton?

"Chame uns dois ou três soldados... hoje você vai ver a menina".

Respirei aliviado e, aparentemente, Reno também.

Continua...


NA.: E aqui está o segundo capítulo! Bem mais "leve" que o anterior, né? No próximo, novas emoções!Eu aliás, queria agradecer a Lily, ao Maven e ao Biel que são fofos, leram e deixaram comentários. (Dana hugs todos) xD

Nota: OC¹ é uma sigla para original character. Ah... você deve estar perguntando quem diabos é esse Norton que você NÃO se lembra de ter no jogo. Pois bem, não tem mesmo. Ele é um personagem original, criado por mim. Eu já usei um personagem com o mesmo nome e com mais ou menos o mesmo papel numa fanfic de Harry Potter e todo o odiou! Norton é a minha Mary Sue. Ele não é fofo? x


Final Fantasy VII e seus personagens pertencem a Square Enix. Em outras palavras eles não são meus e eu não estou ganhando um único gil com esta história. Na verdade, ela me custou muitas noites mal dormidas. O personagem Norton, por outro lado, é uma criação única e exclusivamente MINHA e eu sou muito ciumenta! Humph...
Esta fanfic ME PERTENCE, e vou ficar puta da vida se por um acaso do destino eu a encontre em algum lugar sem minha prévia autorização, OK? Quer usar qualquer trecho dela para qualquer coisa? Tudo bem, mas me avise antes, né?

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