Título: Vitral
Autora: Dana Norram (mais detalhes, vide profile)
Shipper: Rude/Reno e OC/Reno
Classificação: Nc-17
Gênero: Romance/Drama/Yaoi/ (esse capítulo possuí um pouquinho de "non-con")
Parte: 03 de 06
AVISO: Este fic contém YAOI/LEMON, e é IMPRÓPRIO para menores de 18 anos. Você ainda é um pirralho? Não gosta de dois homens se agarrando? Então clique em "VOLTAR" na sua barra de navegação e procure algo que lhe agrade. Se continuar é por sua conta e risco, eu sou Pilatos e lavo minhas mãos.
N.A: Quem já leu qualquer outra história minha, deve saber que eu normalmente não "pego pesado" nas cenas nc-17, mas o caso aqui é bem diferente e se você não gosta de cenas de sexo um pouco mais "cruas", não recomendo a leitura deste texto. Não venha me torrar o saco depois!
— Vitral
Por Dana Norram
P.O.V. RENO
Parecia que daquela vez era sério. A 'menina das flores' — como Tseng às vezes chamava, tinha de vir conosco. Não achei que seria um grande problema. Ela era só uma garota dentro duma igreja e eu era um Turk treinado com três soldados a tiracolo armados até os dentes.
Claro que eu não contava em encontrar um ex-Soldier a protegendo. Reconheci aqueles olhos azuis claros, vidrados de Mako.
Então, os cabelos louros e aquela espada enorme. Bem, a descrição batia. Só podia ser o mesmo rapaz que atacara o Mako 1 e 5 junto da Avalanche. Cheguei a pensar duas vezes, mas acabei mandando os soldados atrás dele.
Ou melhor, deles. A minha segunda grande surpresa não demorou a aparecer...
A menina das flores sabia lutar. E bem.
Imobilizou dois soldados enquanto o 3º era esmagado por um barril jogado pelo loiro. Assobiei baixinho enquanto via os dois fugirem por um buraco no teto da Igreja. Tentei cercá-los por fora, mas daí já era tarde demais.
Tseng ia ficar uma fera.
Quando finalmente voltei a Torre, fiz uma horinha na lanchonete antes de ir "encarar" Tseng. Pensei em procurar Rude, mas ele estava numa outra missão. Aparentemente escoltando Rufus numa viagem rápida a Junon. Senti uma coisa engraçada na barriga.
Ciúmes.
E olhe que nem tinha exatamente o direito. Eu e Rude tecnicamente não tínhamos nada. Eram só umas noites...
Suspirei enfiando o rosto entre os braços sobre a mesa. Olhei esperançosamente para o meu refrigerante, esperando que ele tivesse todas as respostas do mundo para me dar. Ele só borbulhou.
"Ei, Reno..."
Juntei as sobrancelhas antes de me virar. Não reconheci a voz de imediato.
Era um grupinho de soldados rasos. Sorri para eles, cujo 'líder' se aproximou.
"Nós estamos saindo, não quer vir com a gente?"
Oh. Eu sabia o que aquilo significava, e por um segundo hesitei, mas também sabia que não poderia. Não era somente o pedido de Rude. Eu sentia que devia aquilo a mim mesmo. Sem falar que...
"Desculpem, rapazes... mas vai ficar pra outra vez. Tseng vai arrancar meus olhos se não entregar um relatório hoje".
Pelo sorriso maldoso que alguns deles esboçaram, só pude supor que até Tseng devia ter fama de trepar comigo.
Bem, não é culpa de Tseng. E eu nunca tivera nada com ele, a propósito... até porque sei que meu querido superior nunca foi muito fã de ruivos... na verdade suponho que ele prefira loiras...
Ou loiros, talvez.
Sorri enquanto via o grupo de soldados sumir da lanchonete. Deixei um suspiro escapar, erguendo o corpo com dificuldade, sem vontade de me mexer.
Caminhei a esmo, pensando no que eu inventaria com Rude mais tarde. Talvez a gente pudesse sair, assistir um filme, uma peça ou qualquer bobagem... talvez...
Abro a porta e pisco os olhos alucinadamente, mas não tenho tempo de fechá-la antes que me percebam.
"Ah, aí está você. Entre, Reno..."
Era o Presidente Shinra e — senti meu coração ser mergulhado num balde de gelo, Norton.
Eu não podia estar mais encrencado. Rodo os olhos pela sala a procura de Tseng, e claro... não há mais ninguém ali.
"E a Ancient?"
Ancient? Ahhh sim, a menina das flores. É. Eu merecia! Ordens do Presidente e eu falhara miseravelmente.
Mordo o lábio inferior, enquanto abaixo o olhar.
"Reno, o Presidente lhe fez uma pergunta..." diz Norton, divertido. "Onde está a Ancient?"
"Eu... eu... nós... ela escapou, Senhor."
Era óbvio que Norton já sabia. Provavelmente pelos soldados. E ele mesmo contara ao Presidente, claro... que agora me fulminava com aquele par de maldosos olhos azuis.
"Escapou?" disse Norton em tom de chacota. Eu fechei minhas mãos em punho. "Como, Reno? A Ancient é só uma garota! Você e três soldados não conseguiram trazê-la?"
"Eu..."
Por que mentir? pensei, dando de ombros.
"Ela tinha um guarda-costas, senhor Presidente. Um Soldier".
O Presidente fez ar de espanto. Norton fez "tsc tsc" com o canto dos lábios. Senti vontade de chutar-lhe entre as pernas.
"Um Soldier? Oh, por favor, Reno... não espera mesmo que acreditemos nisso!"
"Eu vi os olhos dele. Eram olhos de Mako. Tinha uma buster, claro que era um soldado!"
O Presidente parecia estar em dúvida — lembrei-me que ele encontrara os terroristas na noite anterior, talvez ele acreditasse em mim. Mas Norton, por outro lado, não estava disposto a me deixar em paz.
"Isso não elimina o fato de você ter falhado, Reno". Norton virou-se para o irmão. "Isso exige medidas..."
O Presidente Shinra fez que sim com a cabeça e eu gelei.
Que ótimo! Repreendido pelo Presidente sem Tseng por perto para livrar o meu rabo!
"Eu vou enterrar a Avalanche". Anunciou o Presidente em tom solene, e eu ergui uma de minhas sobrancelhas. "Nem que para isto tenha de afundar todo o setor sete junto".
Estremeci. Seja lá o que o Presidente tinha na cabeça não me parecia nada bom. E era ainda pior imaginar o que eu tinha ver com toda a história...
"Depois de amanhã, Reno, depois de amanhã..."
Então o Presidente saiu da sala, lançando um sorriso ao irmão. Estremeci mais uma vez e o som da porta se fechando foi como o brandir do martelo de um juiz.
E eu era o réu.
"O que ele pensa que você vai fazer, Norton?" Pergunto para ganhar tempo enquanto penso numa saída estratégica. "Suponho que seu irmão ainda não saiba sobre suas... como direi... preferências?"
Norton cruzou os braços enormes sobre o peito igualmente enorme. Ele poderia me partir em dois com aqueles braços.
"Para quem está prestes a ser fodido até que você está muito corajoso, Reno".
Senti meu rosto ficar quente. Ele era louco!
"Não precisa ficar vermelho, eu sei que você gosta. Aliás, a companhia inteira sabe, Reno... menos o Presidente, claro. Meu querido irmão pensa que só vou lhe dar uma bela prensae bem, na verdade eu não pretendo desapontá-lo, se é que você me entende..."
Norton abriu mais seu sorriso e eu dei um passo para trás.
"Ei... está com medo, é? Até uns dias atrás você não reclamava... tanto".
A lembrança de Rude dizendo "quero tomar conta de você" me encheu de coragem. Ainda que eu soubesse que ele não estava lá para me salvar e que mesmo se estivesse não poderia fazer muita coisa...
"As coisas mudaram, Norton". Quase cuspi as palavras num novo arrombo de atrevimento.
Ele sorriu maldosamente para mim e se aproximou mais.
"Tseng foi enviado numa missão de reconhecimento. O grandalhão está de babá do Rufus... meu irmão foi fazer o que sabe de melhor, ou seja, sentar o traseiro gordo naquela cadeira e assinar papéis. Bem, acho que então somos só eu e você..."
Recuei outro passo, o que pareceu divertir Norton, cujo sorriso ficou mais largo e muito mais insano.
"Não adianta se fazer de difícil, Reno. Sabe que posso acabar com sua carreira e com sua vidinha miserável se eu quiser..."
Nunca senti tanto alívio ao escutar batidas na porta, que se abriu logo em seguida. Na soleira estava Rufus, vestindo seu costumeiro terno branco. Era um pouco mais baixo que eu, e claro, me encarou com aquele irritante ar de superioridade.
Não que eu me importasse muito. Rufus encarava até o próprio Pai com aquele "ar".
"Oi Tio..." disse ele a Norton, que estava quase soltado fumaça pelas orelhas, mas logo já tinha se voltado a me encarar. "Tseng ligou para Rude, disseram que precisam de você lá embaixo num piscar de olhos. Parece que seu PHS¹ está sem sinal. Mudaram meus planos graças a você, vou para Junon amanhã..."
Ele não parecia realmente chateado, só um pouco irritado em servir como o "garoto de recados". Enfiei uma das mãos no bolso de minha calça e tirei o aparelho.
Realmente não havia sinal. Dei de ombros e sorri amarelo para Rufus que rodou os olhos e saiu da sala, mas parou depois de dar uns dois passos. Voltou o corpo para nós, os braços ainda cruzados.
"Turk... acho que disse num piscar de olhos, não disse? Ou vai querer que eu desenhe? Vamos, agora!"
Virei o rosto para Norton por um segundo e depois dei no pé, tentando segurar um sorriso.
Posso dizer que nunca fiquei tão feliz em obedecer a uma ordem de Rufus como naquela tarde.
x-x-x
P.O.V. RUDEQuando Tseng me contou que o Presidente e seu irmão iriam ter sozinhos com Reno eu quase tive um acesso. Tseng, claro, percebeu e sem que eu pedisse mexeu todos os pauzinhos possíveis.
Até Rufus ele usou.
"Por quê?" Perguntei enquanto um loiro mal-humorado entrava na torre sob nosso olhar vigilante.
Tseng só voltou os olhos na minha direção quando teve certeza de que Rufus estava seguro.
"Não posso confiar Rufus a você se estiver com a cabeça no espaço. Hum... o Presidente acabou de voltar para a sala dele..." informou Tseng acompanhado uma tela no painel do carro. "Norton e Reno devem estar sozinho agora".
Senti um tremor passar por todo o corpo. Queria eu ter ido no lugar de Rufus.
"Relaxe, homem". Advertiu Tseng. "Eu sei o que eles querem de Reno... sei o que todos querem, aliás. Mas isso não é da minha conta. Só me importo com o sucesso de nossa próxima missão. O fracasso de Reno em trazer a Ancient para nós vai ser um problema... querem que ele seja punido de alguma forma".
Senti minhas costas enrijecerem. Tseng continuou no mesmo tom calmo, como se estivesse comentando o tempo.
"... até sugeriram que ele detonasse o pilar de sustentação do setor sete..."
"O QUÊ?"
Tseng ergueu uma das mãos para me fazer calar.
"Não concordei, é claro. É suicídio, mas Norton está com raiva de Reno, o que por acaso também não é da minha conta, mas..."
Meus olhos se arregalaram por trás dos óculos escuros. Tseng fixou os olhos em mim.
"Mas um Turk morto é da minha conta. Reno vai sim detonar o pilar, mas escoltado por mim. E num helicóptero. Já está tudo decidido".
"Tseng! Isso é loucura... derrubar uma das placas!"
Tseng quase sorriu.
"Ora vamos, Rude! Como se você estivesse ligando para o Slum. Se forem estas as ordens do Presidente, eu pretendo acatá-las..." ele baixou a voz enquanto via Rufus se aproximando e, para meu alívio, com Reno nos calcanhares. "... o mais a risca possível".
Eu também sorri para Tseng.
O possível. É claro.
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P.O.V. RENO
Obviamente eu não achava que tinha me livrado de Norton, mas tão logo entrei no carro, Tseng e Rude me deram algo mais urgente com que me preocupar.
A Shinra ia detonar com o setor 7. Literalmente falando.
Não fiquei nada feliz. Eu nascera no setor Sete. Crescera em meio aquela gente. Claro,há anos e anos que eu não tinha mais nada com aquele lugar, mas ainda assim... era estranho. Tão estranho quanto jogar fora uma camisa velha, aquela de que você tanto gosta, mas que não presta mais...
Assobiei baixinho quando Tseng me contou os pormenores.
"Mas você acha mesmo que a Avalanche vai deixar a gente explodir o pilar numa boa, Tseng? Conheci hoje um dos rapazes novos deles... os caras não estão para brincadeira!"
Acho que vi Tseng esboçar a sombra de um sorriso, mas sumiu tão rapidamente que eu não ousei retribuir.
"Por isso mesmo escolheram um de nós para fazer o trabalho. Você não está com medo de meia dúzia de terroristas, está?"
Escutei Rufus rir-se baixinho ao meu lado e reprimi bravamente a vontade de lhe dar um tapa, mas vi Rude me encarando por detrás dos óculos escuros e sorri.
"Claro que não". Eu disse a Tseng, que se voltou para frente, dando a partida no carro.
Durante o restante da tarde e começo da noite — não que fizesse muita diferença em Midgar, que era sempre escura, sobretudo debaixo das placas — ficamos ocupados estudando o local onde haveria a explosão. Eu apertaria o botão vermelho para a contagem regressiva, enquanto Tseng me daria cobertura num helicóptero.
Rude coordenaria um grupo que cuidaria das saídas dos setores. Ninguém sem uma ID devidamente registrada poderia deixar a zona de isolamento.
Fiquei por um segundo imaginando todos que morreriam por causa de uma "meia dúzia de terroristas" como dissera Tseng. Não era nada justo, mas... a vida em Midgar dificilmente era justa.
Pouco antes das sete da noite Rufus se queixou a vozes altas que estava cansado e exigiu que alguém o levasse de volta a Torre da Shinra. Sem poder fazer o serviço por ele mesmo, Tseng deixou-o aos cuidados de Rude e nós dois continuamos com o trabalho.
Quando bateram pouco mais de nove horas e eu já não agüentava mais saber como fazer, por onde correr, quem chamar e quais daqueles milhares de botões apertar, Tseng pareceu se dar por satisfeito e "sugeriu" que voltássemos a torre.
Pegamos o trem (Rude levara Rufus de carro) e já passava das onze da noite quando eu finalmente alcancei o andar do meu quarto. O corredor estava escuro e silencioso.
Silencioso demais.
Se não estivesse tão cansado, com tanta vontade tomar um banho e dormir eu certamente teria percebido que havia algo de errado. Mas, como emtodas essas histórias macabras que ouvimos por aí, quando euergui minha guarda já era "tarde demais"...
Tinha acabado de encontrar minhas chaves, perdidas nalgum bolso de minha calça quando uma mão grande tapou minha boca, me impedindo de gritar.
Não precisei olhar em seus olhos frios, metálicos e cruéis para saber que Norton finalmente teria o que queria. Senti um peso muito grande na boca do estômago e intimamente desejei que Rude aparecesse e me salvasse. Claro que isso não aconteceu e... talvez tenha sido melhor assim...
Quem me garantiria que ele não tentasse parar Norton e acabasse morto? Eu afinal já não vira o que a família Shinra costumava fazer por muito menos?
Com as mãos trêmulas terminei de abrir a porta, sem oferecer resistência. Eu sabia que era inútil. Ainda que eu conseguisse me soltar e fugir... só seria isso. Mais uma fuga.
Eu podia fugir, mas não me esconder para sempre de Norton. Uma hora ou outra ele acabaria me pegando sozinho... desprevenido...
Como agora.
"Assim que eu gosto..." escutei a voz arrastada enquanto suas mãos arrancavam meu casaco seguido da camisa. Senti uma pontada de nojo. Mas não de Norton.
De mim.
Eu me deitei, de barriga para baixo, o rosto afundado no travesseiro.
Seria rápido.
Ao menos eu torcia para que fosse rápido. Norton nunca era suave. Não que isso me importasse. Às vezes era melhor que doesse. Que doesse o bastante para que se pudesse esquecer a situação humilhante e só pensar na dor... pensar em quanto tempo aquela agonia persistiria.
Norton não se fez de rogado e com um gemido abafado entrou em mim de uma só vez.
Literalmente rasguei meu lábio inferior na tentativa de reprimir um gemido. Fazia muito tempo desde que sentira tanta dor assim... tanto tempo que eu chegara a me esquecer de quanto aquilo podia doer.
Senti o gosto de sangue em minha boca. Do meu próprio sangue. Escutei Norton soltar grunhidos baixos e ritmados. Com as mãos grossas ele ergueu o meu quadril, arremetendo com mais força... mais rapidamente. Ele parecia estar gostando de me causar desconforto... humilhação...
Dor.
Não tentou fazer com que eu sentisse prazer, não me tocou mais que o essencial... e de uma certa forma... eu agradeci.
Era bem provável que ele achasse estar me punindo ao agir daquela maneira... mas era melhor assim... ao menos ele não tentaria me fazer desfrutar daquela situação... de estar traindo Rude...
Senti o peito apertar ao pensar em Rude, mas foi inevitável.
Terminou rápido, mas tempo suficiente para eu fizesse uma mancha no travesseiro devido ao corte no lábio. Escutei Norton erguer-se e vestir as roupas enquanto comentava coisas do tipo "Incrível como você continua apertado" para em seguida rir alto. Debochado.
Mais uma vez senti ânsia e só não vomitei porque meu estômago estava totalmente vazio. Norton sentou-se na cama e beliscou uma de minhas nádegas, dando um tapa nelas logo em seguida. Ele riu-se mais uma vez e se levantou, avisando que nos veríamos "muito" em breve.
Escutei o som da porta batendo e com as poucas forças que me restavam consegui me enfiar debaixo das cobertas. Tentei reprimir o choro, mas uma espécie de alívio tomou conta de mim quando a primeira lágrima escorreu.
x-x-x
P.O.V. RUDE
Rufus me fizera ir a três lugares diferentes tão logo alcançamos a cidade alta.
Primeiro, quis comprar um CD numa badalada loja próxima do reator Mako 6, depois literalmente me fez "dar a volta" na cidade atrás de um par de sapatos de couro e por último demorou quase duas horas para escolher uma elegante gravata azul que a sorridente vendedora embrulhou para presente. Talvez o aniversário do Presidente estivesse chegando.
Então, quando finalmente deixei-o na porta de seu apartamento, fiquei pensando que só mesmo Tseng, com toda aquela paciência oriental para aturar Rufus a toda hora,todos os dias.
Eram quase onze e meia quando me vi dentro do elevador que levaria ao meu dormitório. Corri os dedos sobre o painel eletrônico e me detive sobre o nº 47. O andar de Reno. Olhei novamente para o relógio, me perguntando se não estaria muito tarde para lhe desejar "boa noite".
Certo, eu estava me tornando um bobo apaixonado...
Suspirei enquanto tamborilava os dedos sobre a superfície lisa da porta, contando os andares que faltavam. 17... 18... 10... 6... 3... 47º. A porta metálica se abriu após um "click" agudo e com passos rápidos me precipitei pelo corredor.
Talvez eu estivesse com muita vontade de vê-lo ou no fundo sentisse que tinha algo errado porque em menos de um minuto dobrei a esquina que dava para o quarto dele.
A porta parecia fechada, mas quando faltava apenas um segundo para alcançá-la, ela se abriu.
Mas não foi Reno que saiu de dentro do quarto.
"Ah... você outra vez?", Norton sorriu, enquanto arrumava a gravata. Senti uma vontade enorme de enforca-lhe com aquele pedaço de tecido. "Veio ver o ruivo, hum? Veja se é suave... foi uma noite muito dura pra ele, sabe?"
E ele sorriu. Sorriu amplamente ao dizer aquilo. Riu-se da própria piada. Nunca antes eu testara meu autocontrole como naqueles míseros segundos. Eu poderia tê-lo matado com um golpe, mas ele era o irmão do Presidente e havia pelo menos umasdez câmeras de vigilância só naquele corredor. Tanto eu quanto Reno estaríamos em grandes problemas. Xinguei-me por estar de mão atadas.
Norton se afastou ainda sorrindo. Escutei-o cantarolar enquanto eu abria a porta do quarto.
A luz da cabeceira estava acesa e não demorei a divisar a figura encolhida na cama. O edredom cobria-o somente da cintura pra cima e os braços esguios que eu tanto gostava de ter em volta do pescoço abraçavam o travesseiro manchado de...
Sangue?
Meus olhos se arregalaram.
"Reno..."
Ele visivelmente estremeceu quando escutou seu nome. Ergueu o rosto na minha direção, mas o simples ato de se mexer pareceu machucar-lhe profundamente, o que se refletiu numa careta de dor. Os lábios estavam vermelhos, cortados... e havia sangue neles. Os olhos estavam úmidos e Reno rapidamente voltou para a posição inicial, abraçado ao travesseiro.
"Reno..." me aproximei dele com cautela, sentando ao lado da cama, hesitando em colocar uma mão sobre seu corpo... e se eu o machucasse?
"Eu entenderei se estiver com nojo de mim". Escutei-o dizer em tom baixo e embargado, abafado pelo travesseiro. Não soube o que responder de imediato. Somente me contive para não brigar com ele, por dizer tamanha bobagem...
Encostei as costas da mão em sua bochecha e um de seus olhos verdes virou-se para mim. Achei tê-lo visto sorrir, mas o ato também devia lhe causar dor porque logo já estava sério novamente.
"Eu devia lavar o chão da torre com os miolos dele, Reno... e é o que vou acabar fazendo".
Reno balançou a cabeça de leve, me censurando por aquelas palavras. Não respondi, tentei fazer com que ele se sentasse.
"Isso, venha... deixe me ver como está esse rosto..."
Fora os lábios cortados e os olhos vermelhos não havia nenhuma grande avaria. Felizmente.
Corri até o banheiro, de onde voltei quinze segundos depois com um lenço umedecido e me pus a limpar o machucado que havia em sua boca.
Ele estava nu por debaixo do edredom e senti uma fagulha de ódio se acender dentro de mim ao imaginar Norton tocando naquela pele.
"Rude, você está bem?"
Abri meus olhos e encarei Reno. Ele devolveu o olhar. Parecia que mesmo estando com os óculos, Reno tinha certeza de que eu o fitava.
"Não" admiti. "Só vou ficar bem quando todos eles lhe deixarem em paz, Reno... nem que tenha de matar um por um e..."
Me calei ao sentir dois de seus dedos sobre meus lábios.
Reno aproximou seu corpo do meu, enfiando o rosto na curva do meu pescoço. Não pensei duas vezes e o abracei. Com cuidado, mas com força.
"Se é verdade que gosta de mim... promete que não vai fazer nada estúpido... que não vai tentar nada contra Norton. Por favor, me prometa,Rude... eu não valho tanto..."
Suspirei, sentindo o coração de Reno batendo forte contra o meu.
E aquilo doía.
Como machucava escutá-lo pedindo pela vida de alguém que tanto lhe fazia mal e, intimamente, ter de aceitar tudo quieto... de cabeça baixa.
Continua...
NA.: Tadinho do Reno. É, eu sei. Mas a gente colhe o que planta, né? Agora esses capítulos estão do jeito que eu gosto... DRAMA! E digam a verdade, o Norton não é adorável? xD
Notas: PHS¹ é nome dado ao comunicador/celular usado pelos personagens durante o jogo. Achei mais legal usar isso como termo no lugar de "celular", mesmo que em Advent Children não seja assim. xD
Final Fantasy VII e seus personagens pertencem a Square Enix. Em outras palavras eles não são meus e eu não estou ganhando um único gil com esta história. Na verdade, ela me custou muitas noites mal dormidas. O Personagem Norton é de minha autoria.
MASesta fanfic ME PERTENCE, e vou ficar puta da vida se por um acaso do destino eu a encontre em algum lugar sem minha prévia autorização, OK? Quer usar qualquer trecho dela para qualquer coisa? Tudo bem, mas me avise antes, né?
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