Título: Vitral
Autora: Dana Norram (mais detalhes, vide profile)
Shipper: Rude/Reno
Classificação: Nc-17
Gênero: Romance/Drama/Yaoi/
Parte: 04 de 06


AVISO: Este fic contém YAOI/LEMON, e é IMPRÓPRIO para menores de 18 anos. Você ainda é um pirralho? Não gosta de dois homens se agarrando? Então clique em "VOLTAR" na sua barra de navegação e procure algo que lhe agrade. Se continuar é por sua conta e risco, eu sou Pilatos e lavo minhas mãos.

N.A: Quem já leu qualquer outra história minha, deve saber que eu normalmente não "pego pesado" nas cenas nc-17, mas o caso aqui é bem diferente e se você não gosta de cenas de sexo um pouco mais "cruas", não recomendo a leitura deste texto. Não venha me torrar o saco depois!



— Vitral
Por Dana Norram

P.O.V. RENO

Estava decidido.

Terminaria tudo com Rude hoje à noite, tão logo a operação no setor 7 estivesse encerrada.

Era injusto, eu sabia. Não só com ele. Comigo também. Mas era um preço a se pagar para vê-lo em segurança. Norton não me deixaria em paz tão cedo e Rude não merecia assistir a tudo aquilo calado... sem poder fazer nada. Eu sei que ele se culpa, que ele se atormenta por não poder me defender, embora eu realmente me pergunte o porquê de toda essa atenção. Que eu fosse uma "boa foda" não era nenhuma novidade, mas daí para Rude dizer que...

Como eu era idiota. Rude nunca disse nada. Disse que queria tomar conta de mim... e daí? Isso não significa que ele esteja apaixonado ou qualquer coisa parecida...

Não.

Talvez fosse apenas egoísmo. É normal que as pessoas não gostem que seus amantes fiquem por aí, pulando de galho em galho. E isso não era (ou ao menos não costumava ser) amor...

Era pura e simples auto preservação. Fidelidade. Uma série de regras e idéias estabelecidas há anos. E não seria eu, Rude ou a nossa "relação" que mudariam isso.

Olho para a porta fechada e me pergunto quanto tempo faz que Rude saiu por ela, dizendo que voltaria o mais rápido que pudesse. Disse que não queria me deixar sozinho... mas que precisava resolver umas coisas.

Não questionei. Conhecia o trabalho dele. O meu trabalho.

Tseng me telefonara bem cedo, passando o horário da detonação. Pontualmente às 7 da noite! Pensei por um segundo se aquilo não fora um repentino arrombo de humor negro do Presidente, mas talvez também não passasse de mera coincidência, afinal, sete da noite era um excelente horário para se matar centenas de pessoas de uma só vez.

Por um momento fugaz lembrei que seria eu quem estaria apertando aquele maldito botão.

Estremeci.

Não era arrependimento. Só estava ansioso... e nem era pelo ato em si. Era só para saber como eu me sentiria depois que tudo estivesse acabado...

O Setor7 e seus habitantes... eu e Rude...

Era incrível que como eu conseguiria ruir com tantas coisas em tão pouco tempo. Talvez fosse talento nato.

Talvez...

Escuto o som da porta se abrindo. É Rude, claro, trazendo um saco de papel pardo numa das mãos. Ergo os olhos etento sorrir. Meus lábios ainda ardem, mas mesmo assim eu o puxo para um beijo. Ele não tenta se esquivar, deixa o saco pardo de lado e me abraça.

Às sete horas da noite ainda estavam longe. Eu tinha direito de aproveitar um pouco daquela felicidade... enquanto ela estava ao alcance de minhas mãos.

Rude me pergunta se eu não estava dolorido. Tão gentil. Claro que estava... mas já estive tão pior, já precisei agüentar muito mais do que um Norton irritado...

E eu quero essa oportunidade. Minha última oportunidade.

Eu mesmo abro sua camisa, encarando-o. Tiro seus óculos escuros e peço que ele me toque. Assim ele faz. Suspiro fundo, sentindo os dedos grossos e ásperos me acariciarem com cautela. Quase sorrio, deixando um suspiro escapar.

Rude se livra do restante de suas roupas, se junta a mim na cama. Eu o abraço, enlaçando-o com minhas pernas, implorando que ele faça de uma vez.

Mas Rude prefere ser lento. Terrivelmente lento. Abaixa o rosto e me beija, morde meu lábio inferior de leve, puxando-o devagar antes de soltá-lo. Volta a me tocar com as mãos. Eu fecho os olhos e inspiro, sentindo sua língua no meu pescoço, deslizando sobre meu peito, sugando os mamilos um a um, descendo por minha barriga, tocando no umbigo...

Oh Deus...

Agarro o lençol com força e meus olhos, agora arregalados, fitam o teto. Os sons úmidos que chegam aos meus ouvidos deixam meu peito quente. Minhas bochechas ficam vermelhas e eu gemo alto. Rude desliza os dedos entre minhas pernas, fazendo-as tremerem. Ele me chupa com força, sem parar, ignorando completamente as golfadas de ar que saem de minha boca segundo a segundo.

Mas tão logo tudo quanto começa, também termina e intimamente eu respiro fundo, de prazer, de alívio...

De dor.

x-x-x

P.O.V. RUDE

Reno tinha o rosto sensivelmente mais pálido do que o costume conforme a hora da detonação se aproximava. Uma, duas, três vezes eu tentara convencer Tseng a me enviar no lugar dele.

"Fora de cogitação". Ele respondia, irritantemente calmo. "A nomeação de Reno é uma ordem expressa do presidente, que já está a par de todos os pormenores da missão. Ainda que Reno não pudesse comparecer — e ele pode — eu jamais enviaria outra pessoa em seu lugar. Abortaria a operação no mesmo instante e nós não podemos nos dar a esse luxo por nada. É arriscado, Rude, eu sei. Mas nós somos pagos para correr esse risco".

Diabos. Ele estava Certo. Tseng sempre estava certo.¹

Eu tinha minhas ordens. Sabia o que fazer. Despedi-me de Reno, que partiria naquele instante na companhia de Tseng. Ainda que estivesse pálido, ele parecia decidido. Orgulhoso demais para recuar. Mas eu sabia que no fundo... ele sentia medo.

Por Deus, quem não sentiria?

Assisti o carro se afastar, uma contração engraçada no peito. Uma espécie de mau pressentimento formigando sobrea pele. Desejei intimamente que corresse tudo bem e que Reno voltasse são e salvo para os meus braços...

Então eu o vi.

Norton conversava animadamente com uma das atendentes logo na entrada da Torre. Discretamente me aproximei e nem ele, nem a sorridente mocinha pareceram reparar que eu podia ouvi-los.

"Ás cinco você disse?" Norton consultou seu caríssimo relógio de pulso. "Hmm... que tal se nos encontrarmos às cinco e quinze? Te pego na saída do estacionamento F, conheço um excelente restaurante no setor 02, que me diz?"

A atendente teve um acesso de risadinhas, devidamente coberta por uma das mãos cujas unhas recém feitas cintilavam. Corando, ela aceitou com um gesto de mesura.

Quando Norton passou ao meu lado esboçando um presunçoso sorriso de vitória eu já tinha me decidido.

Só precisava descobrir como levar aquela idéia adiante.

x-x-x

P.O.V. RENO

Sentia o coração batendo forte, o barulho que ecoava dentro da minha cabeça se misturando com ao som das hélices do helicóptero que já estava abaixo das placas... rumo ao setor Sete...

Ainda não acredito que vou fazer isso... — Eu não conseguia parar de pensar, olhando para baixo e me arrependendo logo em seguida.

Não que tivesse medo de altura, mas ver aquelas pessoas... todas aquelas pessoas levando suas vidinhas normalmente, sem fazer idéia do que aconteceria em menos de uma hora... bem, era cruel.

Tão cruel e covarde quanto atacar alguém pelas costas.

Lá em baixo um grupo de crianças apontou para o helicóptero e acenou animadamente. Senti num nó formar-se na minha garganta.

"Não se preocupe". Escutei Tseng dizer, sua voz soando sempre calma. Dona de si. "Vai ser rápido. Logo, logo estaremos de volta a Torre".

Eu franzi a testa, voltando meus olhos na direção dele.

"Como você...?" Perguntei sem conseguir me conter. Apoiei os braços sobre minhas pernas flexionadas, ligeiramente abertas.

Tseng ergueu uma sobrancelha, questionando minha dúvida.

"Como você pode não dar a mínima pra tudo isso? Um monte de gente inocente vai morrer, Tseng!"

Vi-o sorrir meio de lado. Um sorrisinho de escárnio. Quase maldoso.

"Inocente". Ele pareceu apreciar o som da palavra enquanto a repetia, entoando cada sílaba. "Você realmente considera alguma dessas pessoas inocente?" Tseng olhou através do vidro embaçado do helicóptero. "Você era uma delas, Reno. Sabe que ninguém aqui é inocente".

Engulo em seco, voltando meu olhar para fora.

Relembro dos dias em que era obrigado a revirar latas de lixo atrás de um jantar menos apodrecido ou de algo para me proteger do frio. De quando dormia com pessoas que me machucavam em troca de uns trocados...

Sinto uma contração engraçada no peito e quase sorrio. "Como se você tivesse parado de dormir com quem te machuca..." — disse uma vozinha traiçoeira, claramente zombando de mim.

Tseng estava certo. Ninguém era inocente. O velho que dá um doce a sua neta em troca de um abraço mais íntimo, o menino que rouba a boneca da irmãzinha só para vê-la chorar... a mãe que coloca uma saia mais justa e larga os filhos sozinhos à noite para sair com o novo namorado...

"Chegamos".

Volto meu rosto. O pilar de sustentação se materializa bem na minha frente, como se tivesse brotado das profundezas do inferno. Um enorme tronco de ferro e aço escuro e grotesco... sustentando aquela imensa placa...

Senti o vento batendo no meu rosto quando a porta do helicóptero se abriu e eu me preparei para pular. Olhei para baixo e o nó dentro do meu peito se desfez.

O slum² 7 logo voltaria a ver o céu.

x-x-x

P.O.V. RUDE

Eu não podia contar com ninguém. Um soldado daria com a língua nos dentes por um punhado de gils³. Ninguém podia ser envolvido mais do que o necessário. A pobre atendente infelizmente morreria, era claro. Mas... bem, não se faz uma omelete sem quebrar alguns ovos...

Olhei novamente para o meu relógio de pulso. Eram exatamente 17:10 PM. Mais cinco minutos até Norton aparecer. A mocinha já estava esperando, a bolsa segura nas mãos, o olhar ansioso. Como era burra. Qualquer pessoa sabe que Norton tem o péssimo hábito de trepar com funcionários e depois demiti-los sem a menor consideração. E ainda assim ele conseguia sair com um incrível número deles... o que pensavam? Que depois de uma noitada talvez ganhassem o coração do irmão do presidente?

"Bando de idiotas" — repeti, tamborilando os dedos sobre o volante de um dos carros da companhia.

Aquele era um veículo estratégico. Um de muitos usados para escoltas do Presidente Shinra (ou mesmo de Rufus). Tratava-se de uma frota com uma série de carros idênticos, de vidro escuro e chassis adulterado. Ideal para perseguir e "apagar" gente importante. Apenas Turks e assessores especiais do Presidente sabiam a combinação para fazer aqueles veículos funcionarem. Tseng e eu éramos os responsáveis pela segurança daqueles veículos. Apenas nós (e o Presidente, é claro) tínhamos os códigos de acesso para o lugar onde ficavam guardados. Nem mesmo Rufus e Reno sabiam da existência daquela garagem. Na verdade, a idéia era de Tseng. Quanto menos pessoas soubessem, melhor seria.

Vi o carro de Norton se aproximar devagar e parar próximo da saída. A atendente sorriu e baixou o corpo ligeiramente. Logo em seguida a porta da frente foi aberta e ela entrou no automóvel, que deu a partida.

Silenciosa e discretamente, eu os segui. Vi Norton entrar numa das ruas mais estreitas paralelas a Torre. Sabia o caminho que ele tomaria, já que uma vez escoltara-o nele. Sabia inclusive onde levaria a atendente. Um restaurante bastante discreto. E logo em frente, estrategicamente posicionado havia um hotel de aspecto duvidoso, onde você não precisava se identificar para passar a noite ou algumas horas. Perfeito para alguém como Norton. Até mesmo eu já usara o tal lugar algumas vezes. Nem precisava dizer que Reno era um cliente cativo.

Segui o carro por algum tempo. Sabia perfeitamente bem como dirigir sem deixar que o outro notasse que era seguido. Bastava virar em ruas estratégicas e manter uma distância segura. Nada que o tempo não aperfeiçoasse. Sem falar que Norton provavelmente estaria tentando enfiar suas mãos dentro da saia daquela atendente — não devia estar muito preocupado com o que acontecia ao seu redor.

Logo alcançamos o restaurante em questão. Vi o carro de Norton estacionar em bem frente, de onde desceram ele e a mocinha, cujas pernas tremiam de leve. Senti uma pontada de nojo de ambos.

Olhei para o relógio de pulso mais uma vez. Eram 17:31.

Uma hora e meia até o pilar ser detonado.

x-x-x

P.O.V. RENO

Dizem que não devemos reclamar mesmo quando tudo está dando errado...

Porque as coisas sempre podem piorar.

A missão tinha sido mantida no mais completo segredo. Havia pelo menos dois soldados bem armados e treinados a cada lance das escadas que levavam ao topo do pilar. Todos com um equipamento que permitiriam uma rápida fuga tão logo a detonação fosse ativada. Era exatamente 18:49 e dali a 60 segundos eu apertaria o botão que marcaria os dez últimos minutos de vida para os habitantes do Setor Sete.

35... 39... 40... 48... 55... 59...

Meus dedos congelaram tão logo escutei um berro de dor. Ele vinha de muito perto.

Girei o corpo e arregalei os olhos para os três vultos que surgiram da escada. Uma menina, talvez da mesma idade que eu, cabelos castanhos escuros e olhos amendoados. As mãos enluvadas estavam erguidas em posição de ataque. O rapaz do meio era meu conhecido — o loiro que fugira com a menina das flores e me condenara a estar aqui, agora. O último era um negro grandalhão com uma arma no lugar de um dos braços e uma tatuagem cujo desenho eu conhecia muito bem.

Avalanche.

"Vocês estão atrasados". Sorri presunçoso, talvez para esconder meu nervosismo.

Os três vieram para cima de mim sem pestanejar, mas fui mais rápido e bati a mão sobre o botão que acionava a detonação. O painel começou a piscar alucinadamente. Tseng apareceria para me buscar em poucos segundos... mas enquanto isso eu precisava me manter vivo.

Espada, arma de fogo e socos. Tudo contra minha barra eletrifica e habilidades de barreira. Eu não sabia quanto tempo agüentaria. Algo estava errado. Tseng estava demorando... será que este era o plano? Me deixar morrer aqui? Junto deles?

Não.

Rude jamais concordaria com isso...

Ergui a barra outra vez, me defendo de um ataque do loiro, que recua como se tivesse tomado um choque. Minhas pernas tremem... não sei quanto mais vou agüentar... as forças aos poucos se esgotam... minha barreira desaparece e... e eu não tenho energia para invocá-la novamente...

Dor.

Sinto o soca da garota me atingir no estômago. Largo minha barra, me abraçando como uma criança com frio. Um sabor metálico enchendo minha boca.

Sangue.

O loiro novamente corre na minha direção, a espada em punho...

Eu vou morrer...

Ouço metal cortando o ar... mas não é o som de uma espada. Seriam... hélices?

Levanto os olhos. O barulho aumenta gradativamente.

Sorrio, me sentindo totalmente aliviado. A cabeça de Tseng surge pela porta do helicóptero como um anjo da guarda engravatado. Não posso ver a expressão de seu rosto, mas algo nele refletia vitória.

Meus atacantes se voltam na direção do helicóptero e eu sinto como se tivesse engolido gelo. Bastaria um tiro do grandalhão e Tseng estaria indo pro chão em seguida...

"NÃO!"

Minha voz morre nalgum lugar entre a garganta e a boca... meus olhos se arregalando para a garota de vestido rosa que Tseng segurava pelo braço, exibindo-a como um troféu para os três membros da Avalanche.

A menina das flores...

"Não atire! Você vai acertá-la!" — Um deles berra para o homem negro. Sinto a força voltar a minhas pernas e corro na direção do helicóptero no exato instante em que Tseng desfere um tapa na garota, deixando-a desacordada. Trepo no helicóptero sem olhar para trás e me jogo num dos bancos, intimamente satisfeito.

Aqueles três estavam ferrados... e confesso que me sentia bem em ter lhes proporcionado aquilo... em ter apertado aquele maldito botão...

Sinto o helicóptero se afastar, meus olhos correm pelo interior. Vejo Tseng sorrir meio de lado — mas não para mim. Meu chefe mirava a garota desmaiada em seu colo com um misto de desprezo e admiração. Sinto a dor voltando para cada parte do meu corpo e pouco a pouco... tudo vai ficando escuro...

Continua...


NA.: Eu admito que "enfeitei" um pouquinho a cena da batalha contra a Avalache, no jogo ela é mais sem graça. Eu adoro Rude fazendo carinho no Reno (e outras coisas também! xD). Então, gostaram? Thanks to Biel, Lily (SÁDICA!) e Sylphiel por lerem e comentarem.(smile) Semana que vem eu posto os capítulos 5 e depois, o 6º. Ok?

Notas: ¹Eu AMO o Tseng, vocês não? xD - ²slum seria um sinônimo para "periféria" (favela, coisas assim xD), são as áreas de Midgar que ficam abaixo das placas, destinada a população de "baixa renda". ³gil é a 'moeda' de Final Fantasy, mas eu não faço idéia de como converter isso para o dolár, ou algo assim. xD


Final Fantasy VII e seus personagens pertencem a Square Enix. Em outras palavras eles não são meus e eu não estou ganhando um único gil com esta história. Na verdade, ela me custou muitas noites mal dormidas. O Personagem Norton é de minha autoria.
MAS esta fanfic ME PERTENCE, e vou ficar puta da vida se por um acaso do destino eu a encontre em algum lugar sem minha prévia autorização, OK? Quer usar qualquer trecho dela para qualquer coisa? Tudo bem, mas me avise antes, né?

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