Título: Vitral
Autora: Dana Norram (mais detalhes, vide profile)
Shipper: Rude/Reno
Classificação: Nc-17
Gênero: Romance/Drama/Yaoi
Parte: 05 de 06
AVISO: Este fic contém YAOI/LEMON, e é IMPRÓPRIO para menores de 18 anos. Você ainda é um pirralho? Não gosta de dois homens se agarrando? Então clique em "VOLTAR" na sua barra de navegação e procure algo que lhe agrade. Se continuar é por sua conta e risco, eu sou Pilatos e lavo minhas mãos.
N.A: Quem já leu qualquer outra história minha, deve saber que eu normalmente não "pego pesado" nas cenas nc-17, mas o caso aqui é bem diferente e se você não gosta de cenas de sexo um pouco mais "cruas", não recomendo a leitura deste texto. Não venha me torrar o saco depois!
— Vitral
Por Dana Norram
P.O.V. RUDE
Norton provavelmente estava com pressa para se enfiar no meio das pernas daquela secretária.
Um encontro usual levaria ao menos duas horas, para que o casal em questão tivesse tempo de conversar se conhecer melhor antes de partirem para os 'finalmente'.
Entretanto, mal tinha se passado uma hora quando ele saiu com a garota a tiracolo. Vi-o apertar a mão de um homem à porta do restaurante — possivelmente para que ele cuidasse de seu carro — e logo em seguida a atravessar a rua para o hotel.
Esperei eles alcançarem o outro lado da calçada antes de ligar o carro e seguir na direção deles. Parei frente ao hotel e baixei o vidro bem a tempo. Norton, talvez por curiosidade, talvez por instinto, virou-se para mim. Seus olhos se arregalaram quando me reconheceu.
"Você...?"
Fiz um sinal grave com a cabeça.
"Senhor Shinra, por favor, entre... temos um problema".
A atendente estava pálida debaixo das sardas que tinha no rosto. Norton hesitou um segundo antes de sentar no banco de trás junto dela. Olhei para ambos os lados da rua. Ninguém parecia estar prestando atenção em nós e, mesmo que estivessem, o carro era inrastreável.
"O quê...?" O tom de Norton era de irritação.
"Tivemos um contratempo durante a explosão do pilar número 07. O presidente solicitou que todos sejam levados para locais seguros... ele teme novos atentados..."
Os olhos de Norton continuavam arregalados, mas ele não fez mais nenhuma pergunta. A garota ao lado dele sequer piscava.
O carro avançou rapidamente. Senti Norton se mexer no banco de trás. Minutos depois vi-o escancarar a boca pelo retrovisor.
"Por que... por que estamos indo para os slums?" Seus olhos corriam de um lado para o outro, talvez perguntando se havia algum novo esconderijo naquela direção.
Senti vontade de sorrir, mas ainda não era hora.
"Os terroristas jamais atacarão o senhor por aqui..."
Ele recostou-se no banco e soltou a respiração. Reprimi outro sorriso.
Ergui minha mão na direção do painel. Pisei mais fundo no acelerador. Norton percebeu o movimento brusco e aprumou o corpo.
Tarde demais.
Um vidro grosso, a prova de balas vedou o espaço entre nós. A atendente deixou a boca pender, incrédula. Apertei outro botão e um gás atordoante começou a encher a parte de trás do carro. Norton começou a socar o vidro.
Permiti-me um sorriso amplo.
Os socos contra o vidro cessaram repentinamente. Norton e a garota tinham perdido a consciência. Acelerei mais. Uma estranha sensação de liberdade me invadindo por todos os poros do corpo. Senti alívio.
"Por Reno". Pensei, imaginando se ele estaria bem.
Parei pouco antes da barreira feita para impedir a entrada na zona de risco próxima ao setor sete. Uns poucos soldiers guardando a entrada. Baixei os olhos para o relógio. 18:55.
Seria o bastante.
Puxei Norton para o banco da frente, usando o cinto de segurança para fazê-lo ficar razoavelmente sentado. Atei suas mãos com silver tape no volante e fiz o mesmo com seu pé no acelerador. Estávamos no topo de uma rua alta. Linha reta e sem carros até a barreira. Os soldiers abririam fogo contra o carro que explodiria a um acionar do controle que eu levava no bolso ou...
Ou eles deixariam o carro passar e Norton seria enterrado pelos escombros do setor sete.
Sorri mais uma vez.
Seria isto que chamavam de justiça divina?
x-x-x
P.O.V. RENO
Luz.
Pouca luz.
Luz vermelha.
Vermelha e bruxuleante. A luz bem em cima.
"Próximo".
Um peso sobre a cama. O frio me engolfando e subindo pelo peito como um verme que rasteja. Sinto como se estivesse me afogando.
"De quatro". A voz é enérgica, bruta.
Sinto medo enquanto viro de bruços, apoiando as mãos no colchão.
O lençol também é vermelho.
"Assim..."
Sinto dor, mas não demonstro. Ele pode gostar.
Meus olhos se enchem d'água, mas reprimo o choro.
Ele também pode gostar.
"Isso... isso... assim..."
Eu quero que tudo acabe logo. Logo...
Mais vermelho. Úmido.
Pegajoso.
Uma risada.
Vá embora...
"Próximo."
Chega...
"Reno..."
Quem...?
Luz.
Explosão.
Mais luz.
O pilar desmoronando...
Muita luz.
Arregalo os olhos.
Luz branca.
x-x-x
P.O.V. RUDE
"Ele está mal".
Aquelas palavras me atingiram de uma forma que chegou a doer. Me larguei no sofá, do lado de fora da cirurgia, me sentindo repentinamente vazio e incapaz.
Não sei quanto tempo se passou. Não sei quanto tempo fiquei ali, sentado, me remoendo em silêncio. Desejava que a porta se abrisse logo, para poder ver Reno bem...
Mas, ao mesmo tempo tinha medo que o médico saísse por ela fatigado, seguido de uma maca coberta com um lençol branco até em cima...
Eu não queria estar ali quando a porta se abrisse. Estava com medo. Eu matara o irmão do presidente há menos de uma hora atrás e agora estava com medo. Medo que o esforço tivesse sido em vão e que no final... Norton, onde quer que estivesse, ainda pudesse rir de mim.
Levei algum tempo para sentir que o PHS vibrava freneticamente no bolso interno do meu paletó. Sem olhar para o identificador de chamada, atendi.
"Pronto". Disse depois de um segundo de hesitação.
"Rude". A voz de Tseng era enérgica, mas estranhamente consoladora. "Você não pode fazer nada por Reno agora. Mas pela companhia sim. O irmão do presidente está desaparecido há horas, creio que teremos de dar uma busca pela cidade..."
Sinto um arrepio involuntário ao escutar isso, mas respondo que já estou a caminho. Ao menos, poderei culpar o estado de Reno por qualquer traço de nervosismo que por ventura eu apresentar. E no fim...
Talvez a razão seja essa mesmo.
Incrível como as pessoas preferem não se meter. Nenhuma das secretárias da companhia soube explicar o paradeiro da mocinha que saíra com Norton naquela tarde. Sorri intimamente, colocando a mão sobre meu PHS. Eu pedira para me avisarem assim que a operação fosse terminada e a cada segundo que se passava...
"Caso estranho este, não acha Rude?"
Os olhos escuros de Tseng me encaram fixamente. Agradeço aos céus por estar com meus óculos escuros. Ele provavelmente seria capaz de ver a culpa expressa neles.
"Nem tanto... boa parte das estradas estão interditadas por conta da explosão. Devemos estar com falha no sistema de comunicação e..."
Meu coração começa a bater, acelerado. Tirei meu PHS do bolso rapidamente e o aviso da falta de sinal é como uma mão gelada apertandomeu coração.
"Ele não vai morrer".
Guardo o PHS de volta, sem olhar para Tseng. O que ele sabe sobre isso afinal?
"Eu mesmo levei Reno para o hospital". Diz como se tivesse lido meus pensamentos."Ele pode ter sido muito ferido, mas ainda é um Turk. Eu confio na força dele, Rude. Você também deveria confiar".
E dizendo isso, Tseng coloca rapidamente uma mão sobre meus ombros no primeiro gesto razoavelmente humano que eu já o vira esboçar.
"Vamos". Ele diz diante do meu ar embasbacado, recobrando sua expressão de aço. "Vamos continuar com a investigação..."
x-x-x
P.O.V. RENO
Claridade.
Frio.
Maciez.
E dor.
Pela ordem, foram as sensações que me assaltaram tão logo recobrei a consciência. Soltei um gemido que soou agudo aos meus ouvidos estranhamente acostumados ao silêncio. Senti os fios e tubos presos nos meus braços. Aquilo incomodava.
Muito.
Abri os olhos e fitei o teto branco. Então, ouvi uma voz próxima a mim.
"... desejei muito que esse momento chegasse, mas não ousava sonhar com ele... porque se eu acordasse e descobrisse que era só um sonho... eu não sei... não sei se iria agüentar".
Rude...
O pilar. Eu tinha de explodir o pilar. E eu fiz. Rude... eu tenho que te dizer uma coisa...
Sinto suas mãos descreverem uma linha imaginária no meu rosto. Tenho absoluta certeza de que estou inchado. Posso sentir.
"Hey..." é tudo que consigo pronunciar, forçando um sorriso que me custa mais do que algumas pontadas de dor.
Eu prometera... jurara... jurara que quando tudo estivesse acabado... depois que eu tivesse apertado aquele maldito botão...
Eu jurara que terminaria a dita "relação" que eu e Rude tínhamos. Poria um ponto final nessa idéia sem futuro. Estúpida. Não daria a Norton a chance de machucá-lo também. Sim, eu faria isso pelo nosso bem.
Pelo bem dele.
"Você está inconsciente há mais de dois dias".
Malditos terroristas!
"Wow... parabéns para mim". Outro sorriso forçado.
"Aqueles três da Avalanche. Aqueles que te atacaram... eles invadiram a torre ontem à noite, sabe, para resgatar a menina que Tseng trouxe".
Sinto um frio no estômago. Como eles sobreviveram? Ninguém teria escapado vivo daquele pilar em tempo!
"Tseng e eu os prendemos... quero dizer, houve um contratempo esta manhã... Sephiroth... você se lembra dele, não lembra? Ele invadiu a torre... tirou algo do laboratório..."
Uma sensação, que nada tem a ver com alívio, me invade. Mas isso não importa. O que importa é o que eu tenho de fazer.
"Rude..."
"Reno..." não sei se ele não me ouviu ou fingiu não ouvir. "Sephiroth chegou na sala do presidente".
Tento mover o rosto para vê-lo melhor, mas isso machuca e deixo um novo gemido escapar de meus lábios inchados. Eu não queria que Rude estivesse me vendo assim.
"O Presidente Shinra está morto".
Silêncio.
"Rude..."
"Norton também está".
Eu penso que poderia sorrir, mas há algo na voz de Rude que me impede de sentir plena felicidade.
"Você está livre, Reno. Eu desejei tanto poder lhe dizer isso..."
Frio e calor, tudo ao mesmo tempo. O calor aquece meu rosto. O frio invade o meu peito. Há algo de errado aqui e eu não sei se quero descobrir o que é...
"Como Norton morreu?" Mesmo medindo minhas palavras, sinto a mão que Rude tem em meu rosto estremecer repentinamente.
Não. NÃO.
"Eu..."
"Rude... você... você não fez...!"
Escuto o ruído da porta sendo aberta com brutalidade. Rude volta o rosto na direção dela. E ele está pálido.
"Ei, ei... veja só quem resolveu acordar".
Rufus. O que ele faz aqui?
Meu coração bate acelerado. É óbvio!
O presidente está morto. Norton está morto. Rufus veio aqui para punir Rude... eu... eu preciso fazer alguma coisa!
"Vim para lhe agradecer, Rude. Sua..."
"Rufus!" Minha voz sai aos arquejos. Ele franze o cenho ao ser interrompido. "Norton é...!"
"Oh". Vejo um estranho sorriso se formar no rosto pálido e pontudo. Eu me calo e ele continua. "Já soube? Meu pobre tio faleceu num trágico acidente".
Logo atrás de Rufus, Tseng nos encarava com sua típica expressão cheia de vazio.
"Soubemos logo depois do meu pai... Triste, não? A família Shinra perder dois de seus membros de uma só vez..."
Mas longe de estar triste, o tom de sua voz tinha um quê de satisfação que me assustou. Rufus nunca fora o melhor amigo do pai ou mesmo do tio, mas eu jamais imaginaria que alguém pudesse ser tão frio.
"Como ia dizendo... vim lhe agradecer, Rude. Seus homens passaram uma informação precisa. Vocês devem ir a Myltril Cave antes de embarcamos para Junon, você sabe... a oficialização da presidência... bem eu tenho de ir. Muito que fazer agora. Melhoras para você, Reno. Vamos, Tseng".
x-x-x
P.O.V. RUDE
Por um segundo, achei que estava realmente ferrado. Por um segundo, achei que Rufus mandaria Tseng matar a nós dois num piscar de olhos.
Ele sabia. De alguma forma os dois sabiam. Sabiam o que eu fizera e muito provavelmente porquê fizera.
Mas não foi tão difícil entender a indiferença de Rufus. Ele era ambicioso e agora não havia mais pai ou tio para o segurarem. Agora ele era o dono da companhia e que os céus tivessem piedade de quem atravessasse seu caminho.
Mas não era com Rufus Shinra e sua megalomania que eu devia me preocupar.
Não agora.
"Reno?"
Ele pisca os olhos verdes e me encara.
"Eu pedi para você não fazer".
Sinto um tremor por todo o corpo. Tudo com o que eu não sonhava era uma reprimenda da parte dele.
"Sim, você pediu". Assenti com um ar fraco.
"E mesmo assim... você fez". A voz dele era estranha. Nem emotiva, nem fria.
Impessoal talvez.
"Sim, eu fiz". Respondi hesitante.
Silêncio. Ele parecia pensativo. Fitava o teto branco acima de nós. Os olhos piscando de segundo em segundo...
"Rude?" Ele vira a cabeça um pouco, e me encara.
"Sim?" Respondo depois de alguns instantes.
"Obrigado".
Um sorriso minúsculo se forma em seu rosto e pela primeira vez em muito tempo eu sinto que as coisas podem ser melhores do que elas realmente são.
"Não foi nada". Respondo com outro sorriso.
"Você me salvou. Duas vezes".
"Duas?" Pergunto, curioso. Logo reparo que seus olhos estão úmidos.
"Sim, duas. Primeiro: Acabou com uma sombra que eu achava que fosse me perseguir para sempre. Segundo: Impediu que eu fizesse uma imensa burrada. Algo que provavelmente faria eu me arrepender até os ossos. Eu sou covarde, Rude. Eu não mereço você..."
As palavras de Reno ecoam no meu cérebro de forma quase dolorosa, como uma pancada.
"Por que diz isso?" Pergunto mesmo sabendo que provavelmente sua resposta irá me machucar ainda mais.
"Eu ia acabar com tudo. Com tudo. Eu não podia mais suportar aquilo... não podia deixar que você suportasse aquilo. Não queria que te acontecesse algo de ruim... eu estava com... com..."
"Medo?"
Reno fecha os olhos e assente em silêncio.
Eu sorrio e recolho uma lágrima dele com a ponta dos meus dedos.
"Isso não é covardia, Reno".
Ele abre os olhos, me encarando. Há um ar de desalento em sua face. Um ar tão grande de incompreensão e dor que eu teria o abraçado com força caso seu estado o permitisse.
"É amor".
Continua...
NA.: É, eu matei o Norton. x.x O capítulo acabou meigo, eu sei. Nem parece coisa minha. Sem notinhas hoje, acho que não tem nada neste capítulo que eu precise explicar e se tiver, bem, é só vocês perguntarem. Tipo, eu sei que vocês não curtem comentar, mas eu estou vendo pelos hits e sei que tem mais gente lendo (ou ao menos acessando a página! xD). Bem eu quero agradecer a todos de qualquer forma, em especial a Lily e a kaza (Sim!Eu nunca vou deixar de escrever sobre ff7, é minha paixão! Eu não entendo bem porque as pessoas não curtem o Rude, eu acho ele tão fofo. xD) pelas reviews fofas. Beijos para todos. O próximo é o último!
Final Fantasy VII e seus personagens pertencem a Square Enix. Em outras palavras eles não são meus e eu não estou ganhando um único gil com esta história. Na verdade, ela me custou muitas noites mal dormidas. O Personagem Norton é de minha autoria.
MAS esta fanfic ME PERTENCE, e vou ficar puta da vida se por um acaso do destino eu a encontre em algum lugar sem minha prévia autorização, OK? Quer usar qualquer trecho dela para qualquer coisa? Tudo bem, mas me avise antes, né?
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