AVISO: se BB me pertencesse...
WARNING: Yaoi Tyson X Kai...
Capítulo IV – Memórias
"Eu te odeio..."
"Te amo muito, mais do que qualquer coisa na vida..."
"Não vá..."
"Não chegue perto..."
"Vá embora..."
"Volte..."
"Não te pertenço..."
"Cale-se..."
"Mentira..."
"Quero que morra..."
"Morreria por você..."
Acordou assustado, sentando-se na cama de uma vez. Estava ofegante, gotículas de suor escorriam por sua face, por seu corpo. Sua respiração totalmente descompassada. Por um instante, não reconheceu o lugar em que estava.
- Que bom que acordou, Kai.
- M-Mai...
- Você estava tendo um pesadelo. Eu já ia te acordar aos tapas se continuasse gritando.
Kai estava meio confuso, sua irmã sentada bem ali, ao seu lado.
- Você dormiu quase o dia todo. Estava só te esperando para irmos embora daqui. – disse animada – A Drª. Springs me deu alta.
- Eu errei... não errei? – lágrimas teimavam em cair de seus olhos.
De repente, Mai se sentiu triste. Não gostava quando Kai ficava melancólico e fazendo perguntas sem sentido. Isso já causou muito sofrimento um tempo atrás, tanto, que a saúde dele se tornara algo frágil também. Como ela queria trucidar o pescoço de um certo Granger.
- flashback -
Moscou – Rússia
Fim de tarde qualquer, um tanto mais frio que o normal. Mai fazia seu trajeto de volta para casa, sempre passando pelo centro antes, pois gostava muito de ver as vitrines. Não tinha pressa em chegar em casa, afinal, seu avô há muito havia sido preso. Estaria meio que com um pouco de liberdade.
Passando por um jornaleiro, o título de uma notícia havia lhe chamado atenção. Estava no topo da página "Bladebraekers". Sem pensar duas vezes, comprou o jornal e se dirigiu a uma praça ali perto. Sentou-se num dos bancos, não sabia por que, mas sentia um mau presságio naquele jornal.
"Bladebreakers – onde está o líder?
Kai Hiwatari está desaparecido há dez dias..."
Mai não teve forças para continuar lendo.
- Kai... desapareceu..?- olhou mais uma vez o jornal – C-como...? Não pode ser...
"Ninguém sabe seu paradeiro... Polícia diz que se for um seqüestro, há 50 de chances de ele estar vivo..."
- Não... impossível... – murmurou, quase chorando.
Voltou para casa correndo. Naquela noite, havia se trancado no quarto, perdido o apetite. Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse o seu irmão. Isso a preocupava muito, pois Kai não era do tipo de desaparecer, ao menos, não desse jeito.
Fracos raios de sol invadiam o quarto de Mai, transpassando o vidro da janela. A russa abriu os olhos calmamente, estavam um tanto cansados. Não conseguira dormir muito bem, as notícias do dia anterior, tudo estava muito confuso.
Precisava dar uma volta. Sem perder mais tempo, se arrumou, pegou uma mochila e desceu as escadas. Em seguida, andou pelo longo caminho do jardim. Logo à sua frente estava o portão. Preparou-se para dar o primeiro passo para fora do portão, quando tropeçou em alguma coisa no meio do caminho. Foi um susto repentino, conseguiu usar suas mãos como apoio para aliviar a queda.
Levantou-se com raiva, odiava mendigos dormindo na porta de sua casa. Cutucou a capa preta que a pessoa usava, na tentativa de acordá-la. Sem sucesso. Mai a pegou pelos braços e virou seu corpo, para ver o seu rosto. Surpreendeu-se, até as palavras fugiram de sua boca... balbuciou em desespero a única palavra que fazia a cena ser real.
- KAI...
Mai o sacudiu. Ele estava desmaiado, e muito gelado também.
- Ainda bem que acordou, Kai... – disse uma voz feminina.
Não estava focalizando direito a pessoa, mas reconhecia a voz. Sentiu uma bolsa de água quente embaixo de sua cabeça.
- Fiquei muito preocupada... – sentou-se ao lado de Kai.
- Mai...
- Sim, Kai. Você está se sentindo melhor?
Kai assentiu. Uma leve tontura fez com que deitasse novamente.
- Precisa descansar – disse alarmada – Apesar de ter dormido um dia inteiro.
- Tudo isso? – perguntou surpreso.
- O que aconteceu? Por onde andou? Como chegou até aqui? Todos os jornais diziam que você estava desaparecido, que você tinha sido seqüestrado...
- Eu deixei os Bladebreakers. – disse triste – Vim para cá porque é o único lugar onde posso ser feliz.
- Kai...? – a russa notou lágrimas teimando em cair.
- Mai... ele me rejeitou, não me aceitou...
Kai estava chorando, sim, na frente de sua irmã podia fazer isso. Mai puxou seu irmão para um doce abraço, acariciando sua franja volumosa e secando suas lágrimas.
- Ele me odeia...
- Calma... vai ficar tudo bem... Durma um pouco, depois a gente conversa.
Mai permaneceu ao seu lado, dando-lhe um beijo de boa noite e esperando que adormecesse.
- fim do flashback -
- Kai...
- Se eu nunca tivesse feito nada disso...
- Kai! – disse autoritária – Escuta aqui, você tem uma missão a cumprir, não quero ouvir falar nesse Tyson por um bom tempo, de preferência, nunca mais.
O russo não tinha palavras para dizer, em termos, sua irmã tinha razão. Levantou-se e se preparou para ir embora.
"Where love goes
When love dies,
Heaven knows,
But it's more than meet the eyes,
So much more than just a last goodbye
It's a cold and lonely heart,
So sad and torn apart,
Yes, it's more than meet the eyes."
"Aonde o amor vai
Quando morre,
O Céu sabe,
Mais do que encontrar os olhos,
Muito mais do que um último adeus
É um coração solitário e frio,
Tão triste e arrasado,
Sim, mais do que encontrar os olhos."
(More Than Meet the Eyes, Europe)
Escuridão. Sons? Há um tempo tudo estava quieto. Mas onde estava? A última coisa que se lembrava, era estar no hotel, assistindo tv. O dia anterior foi o "cair" do mundo em suas costas. Seu rosto doía, estava um pouco inchado. Toda a briga, toda a discussão... não queria admitir, mas Kai tinha razão. Por que diabos somente agora foi perceber tal situação? Isso era muito mais complicado do que aparentava. Se não tivesse aceitado essa missão... se não tivesse feito aquilo... como o destino conspirava contra ele. Como certa vez alguém havia lhe dito: "Tuas lágrimas tornaram-se meus adornos, e minhas palavras continuam te magoando, estaria eu te amando?..." .
- flashback -
- Para você. Achei que estivesse com fome, afinal, você treinou duro hoje.
- Obrigado... – pegou o pacote das mãos do outro – Kai... você está tão diferente...
- Hnf...
Tyson abriu o pacote, nele continha três sanduíches. Estava cansado, com fome. Seu capitão estava sendo atencioso, e se não estivesse exagerando, um pouco além da conta.
- Quero falar com você.
- Sobre..? – perguntou enquanto dava outra mordida no sanduíche.
- Quando terminar de comer, me encontre no parque, perto do lago.
- Precisa ser lá? – reclamou.
- Sim, e é muito importante.
Kai não esperou o moreno responder, foi logo embora. Tyson ficou todo confuso, havia alguma coisa estranha em Kai. Contentou-se apenas com o fato de que ele estava começando a se abrir.
Tyson chegou ao lago, não via nenhum sinal de seu capitão. Caminhou para perto de algumas árvores e ficou encostado em uma delas.
- Demorou... – disse Kai de cima da árvore.
O coração de Tyson gelou, tamanho fora o susto.
- Ô Kai, quer me matar do coração é?
- Não exagera... – falou, pulando do galho.
- O que é de tão importante que você queria me dizer? – perguntou curioso.
- Tyson... se lembra quando nos conhecemos? – o moreno assentiu – Venho te observando desde então... – disse polido.
- Me... me o-observando? C-como assim?
- Você mudou muito. Tanto no beyblade, como fisicamente e mentalmente.
- Aonde você quer chegar? – perguntou, achando muito estranha essa conversa.
- Tyson... – o russo encostou o moreno no tronco da árvore – Não consigo mais controlar esse impulso...
- O-o que?
Tyson sentiu as mãos de Kai em volta de seu pescoço, e seus corpos um tanto mais próximos.
- Eu... – disse suavemente, com seus lábios colados no ouvido de Tyson – Te amo!
- A-ama...?
- Sim...Eu te amo, muito. – disse sussurrando em seu ouvido.
Por um instante, Tyson pensou estar ouvindo coisas. Seu capitão acabara de dizer que o amava. Seria possível? Queria dizer algo, mas Kai o atacou com um beijo. Sim, um beijo, verdadeiro e puro. Kai o puxou para um abraço, introduziu suas mãos dentro da camiseta dele, percorrendo seus dedos pelo tórax e costas do moreno. Tyson sentiu um tremor percorrer a espinha. Inconscientemente, acompanhou o beijo, os leves contornos da boca de seu líder nos seus lábios.
Na tentativa desesperada de se livrar, Tyson conseguiu empurrar Kai, o suficiente para afastá-lo. Kai o olhou surpreso.
- O que pensa que está fazendo? – apontou para Kai.
Revoltado com o que acabara de acontecer, Tyson deu soco na face de Kai, fazendo-o cair no chão. Provavelmente sua bochecha direita ia ficar com uma marca roxa. Kai se sentou e passou a mão pelos lábios, limpando o sangue que escorria pelo canto de sua boca.
- Não se atreva a fazer isso de novo. Fico triste em pensar que você é gay, mas não quer dizer que eu seja também.
-...
- Ponha uma coisa na sua cabeça: você é apenas meu capitão.
Tyson foi embora, deixando Kai sozinho e triste. Ninguém gosta de ser descartado pela pessoa que ama, e ninguém gosta de amar forçadamente, ainda mais sendo do mesmo sexo.
- Eu ainda vou te conquistar, Tyson. Nada pode derrubar uma Fênix, muito menos um soco.
Kai ainda ficou ali, sentado, esperando o prévio anoitecer. Pensava em tudo que Tyson havia lhe dito... céus, como aquilo doía... uma lágrima solitária escorreu livre pelo seu rosto, deixando o quente rastro da tristeza.
- fim do flashback -
Mexeu-se. Tudo o que conseguiu foi rolar alguns centímetros. Nem braços, nem pernas se mexiam. Cordas firmes atavam seus pulsos e tornozelos, estavam bem apertadas. Uma venda cobria seus olhos e um outro pedaço de pano jazia entre seus dentes, o impedindo de falar. Rolava de um lado para o outro, na louca tentativa de se soltar. Sem chance, quanto mais se mexia, mais as cordas marcavam a pele.
"Como eu vim parar aqui?"
Só conseguia pensar em uma única pessoa. Aquele por quem seus sentimentos traiçoeiros agora almejavam.
"Kai..."
Vento plangente, esse que passa por entre as árvores, com leveza e carregado de folhas. Fez companhia aos gêmeos, durante todo o percurso do hospital até sua casa. Mai sempre gostou da presença do vento, fazia se aproximar ainda mais de Kai, Dranzer e Dreamer. Curioso, ela e Kai não trocaram nenhuma palavra no caminho de volta. Kai estava perdido nos pensamentos. Jamais havia pensado em dizer o que havia dito no dia anterior, ou melhor, pensou sim, mas não de um jeito tão rude. Tyson era seu amor. Definitivamente não queria sequer vê-lo pintado. Lembrou-se de um verso: "Por que não olhaste para a mutilação que deixaste? Cala-te vida, pois és maldita sem face...".
- flashback -
Era um pouco mais 23h30min, teoricamente os moradores do dojo dos Granger estariam dormindo, exceto por duas pessoas. Tyson estava andando em direção ao seu quarto, quando passou pela porta do quarto de Kai e notou que ela estava entreaberta. Sem cerimônias, entrou no quarto, chamando a atenção de Kai, que estava sentado na cama, admirando sua Dranzer.
- Tyson... – disse assustado.
- Quero te pedir um favor. – disse seco.
- Um favor...?
- Sim! Que você pare de me perseguir. Desde aquele dia, você continua tentando algo comigo. Eu já te disse, eu não sou gay, eu não te amo!
Aquelas palavras machucavam seu ser. Mas Kai não fraquejou, continuou firme.
- Você realmente não sente nada?
- Hnf...
- Não devia ignorar seus sentimentos... Tenho certeza q...
- Você devia parar de se esconder nessa ilusão! – cortou o russo.
- Acha o nosso amor uma ilusão? Você apenas não quer acreditar que me ama.
- Nosso amor? Não seja ridículo! Como você pode dizer que eu te amo?
- Vejo em seus olhos...
- Ah é? Então vou te dizer a verdade! – o moreno derruba Kai na cama – Vou te dar o que você tanto quer.
Tyson subiu em Kai, com uma das mãos, prendeu as mãos do russo acima da cabeça, enquanto a outra, apertava seu pescoço. Kai não estava conseguindo respirar direito, o oxigênio ia sendo roubado aos poucos. Tyson prensou seus lábios nos lábios de seu capitão, forçando-o num beijo violento. A mão do campeão mundial apertava com mais força o pescoço de Kai, fazendo com que este buscasse desesperadamente por ar. Em meio a este ataque repentino, Kai sentiu seus lábios serem perfurados por dentes agressivos. Logo, o gosto de sangue misturou-se em sua boca, e caindo na garganta, fazendo-o se engasgar com o próprio sangue.
- Satisfeito? Era isso que você queria? – disse separando o beijo – Este é o meu último aviso! Afaste-se de mim. – alertou o jovem na cama.
Tyson saiu do quarto, fechando a porta. Kai não parava de tossir. Ia recuperando o ar aos poucos e limpava seus lábios com a ponta do lençol, agora manchado com gotículas de sangue.
- fim do flashback -
"I wanna give you my heart,
Give you my soul
I wanna lay in your arms,
Never let go
Don't wanna live my life without you,
But I know when you're gone
Like a fire needs a spark,
Like a fool in the dark,
Honey, I'll cry for you."
"Quero te dar meu coração,
Te dar minha alma
Quero deitar em seus braços,
Não vá
Não quero viver minha vida sem você,
Mas eu sei que quando você for,
Como o fogo que precisa de faísca,
Como um bobo na escuridão,
Querida, eu chorarei por você."
A russa abriu a porta, e foi adentrando a casa. Logo sua expressão se firmou estática, ficou ali parada sem se mexer. Kai estranhou a reação da irmã, passou à frente dela e observou o local. Uma onda de choque invadiu os dois. Não podiam imaginar o que acontecera com a casa. Com exceção das janelas e portas, tudo ali dentro estava quebrado.
Continua…
A/N: verso de uma poesia de minha autoria chamada "Nunca Dizer Adeus"
verso de outra poesia de minha autoria chamada "Desabafo Poético"
Tava meio sem inspiração para fazer esse cap... XD não sabia nem como fazer as cenas dos beijos.
Kaina Granger: pronto, tah aqui o cap 4. Ei fofa, num se apresse não que tudo vai ser explicado com o tempo. XD e sim, só o Kai tomou sedativo pq qnd os médicos entraram na sala, era o Kai que estava batendo e o Tyson apanhando. Quanto ao resto, aguarde... (riso diabólico...)
Josiane Veiga: vc tbm não precisa ter pressa... XD eu tinha deixado os beijos p colocar a partir deste capítulo.. como deu p ver, teve o 1º beijo dos dois. Ainda virão outros beijos, mais românticos.
Sora Takenouchi Ishida: muito obrigada pelo seu review...
Quem estiver acompanhando, não deixe enviar reviews, eu gosto deles.
Kisses... Aka
