Mesmo tudo se acabe, ainda resta a esperança.

Capítulo II : A vida continua... e mudanças acontecem.

7 anos depois...

São Luís, Maranhão, Brasil.

Shun abre a janela do seu apartamento e se assusta com o tempo feio.

"Beleza! Um sábado nublado! Ideal pra aumentar a depressão de qualquer um!" reclama e se encaminha para o banheiro.

"O pior de tudo é não poder ver minhas crianças hoje", pensa enquanto se ensaboa.

Refere-se aos seus alunos do jardim de infância do colégio Nossa Senhora dos Anjos, onde dar aulas á pouco mais de 6 meses. Shun tem paixão por cada um dos pequeninos. Ensin�-los a ler e escrever é um prazer pra ele. Formou-se em pedagogia no ano anterior e começou como professor substituto, mas a diretora da escola notou seu jeito com crianças e resolveu efetiva-lo.

A chuva que ameaçava cair há horas finalmente tem início. Após o banho, sem nada pra fazer, Shun resolve dar uma olhada nas atividades feitas pelos seus pequeninos na sala de aula. Ele sempre leva tudo pra casa para analisar com mais calma. A primeira folha arranca um sorriso do rapaz, nela há a figura de uma fada, e uma mini-historinha criada por Ana, uma de suas alunas favoritas. Ela é uma garotinha muito doce e esperta, foi uma das primeiras a aprender a ler. Fora essa, há outras duas que moram no coração do jovem professor: Karina e Thamires. São duas verdadeiras pestinhas, mas não deixam de ser adoráveis e aprendem rápido também. O que deixa Shun realizado é saber que cada uma daquelas crianças está destinada a ter uma vida normal. Algo que ele e seus irmãos não tiveram.

De repente ouve-se um forte barulho de trovão, seguido de uma queda de energia.Shun providencia velas, mas resolve parar o que está fazendo. Sozinho, e ouvindo o barulho da chuva, esparrama-se no sofá. O inevitável acontece: as lembranças dos seus entes queridos invadem sua mente e ele sempre se pergunta a mesma coisa:

"Como será que estão todos?"

Olha para o telefone, e lembra das inúmeras vezes em que parou diante dele, com uma imensa vontade de ligar para algum de seus irmãos. Sempre desiste. É necessário que permaneça escondido.

Uma lágrima brota em seu rosto, dali á uma semana completará 21 anos. Não costuma comemorar, mas nessa data, as recordações de June são maiores. Seus aniversários na ilha de Andrômeda eram premiados com a linda voz da loira, que sempre tinha uma canção especial para ele nesse dia.

Santuário, Atenas, Grécia.

Aldebaran encontra-se sentado nas escadarias que levam à casa de touro, quando pressente alguém se aproximando. Ele sorri reconhecendo o cosmo da pupila de Mu de Áries. No mesmo instante surge ao seu lado por meio de teletransporte, uma bela amazona de expressivos olhos castanhos, e cabelos da mesma cor, na altura dos ombros.

-Ol�, Arwen!

-Oi Deba... Nossa! Isso aqui tá um silêncio... Onde estão Seika e as crianças? – Pergunta Arwen, acostumada com a barulheira feita pelo os filhos do cavaleiro.

O gigante de Touro solta sua risada característica e diz:

-Minha mulher foi visitar Marin que chegou ontem do Oriente. Já as crianças estão dormindo profundamente, aprontaram tanto que gastaram toda a energia.

-E você parece mais criança que eles, pois ao invés de contê-los é o primeiro a começar as brincadeiras! – comenta Arwen também sorrindo.

Aldebaran está casado com Seika há exatos cinco anos e é pai de três crianças pra lá de arteiras. A irmã de Seiya conheceu o cavaleiro em uma de suas visitas ao santuário e ficou encantada com seu jeito bonachão e engraçado.O namoro não foi longo, pois Deba logo a pediu em casamento.Vivem felizes na casa de touro, e suas vidas são recheadas com a presença de seus adorados filhotes Sylvester, Evander e Mônica. Deba tem um carinho especial por Arwen, pois além de ser sua conterrânea e sua vizinha, ele acompanhara de perto o crescimento dela como mulher e amazona.

-Arwen... O Mu me disse que você está pensando em ir embora da casa de Áries, isto é verdade- perguntou ele assumindo uma fisionomia séria.

-Sim, é verdade.

-Mas... Por quê? Sinceramente não entendo! Você, Mu e Kiki sempre foram uma família, por que isso agora?

Com um enorme esforço pra disfarçar sua tristeza Arwen sorriu e disse:

-Deba, eu já tenho 18 anos, sou uma amazona... eu queria um pouco mais de liberdade... é isso. Por isso conversei com o mestre Mu e lhe falei da vontade que tenho em me mudar para o chalé das amazonas.

-Pois essa sua decisão causou uma enorme tristeza em meu amigo, você sabe do amor que ele sente por você e pelo Kiki, ele sempre cuidou de vocês e os quer por perto. E não é a primeira vez que você o magoa. Até hoje ninguém entendeu porque você não deixou ele te adotar. Aquela conversa de que os laços de família poderiam atrapalhar o treinamento não colou.

Arwen nada respondeu. Sempre costumava fugir daquelas perguntas, sabia que todos achavam esquisitas certas atitudes tomadas por ela, mas guardava a sete chaves o verdadeiro motivo de tudo isso.

Aparentemente, Arwen é uma moça alegre e despojada, mesclando todo o treinamento zen que Mu lhe dera com suas raízes brasileiras; mas a jovem amazona guarda em seu coração uma grande angústia, um segredo que ela só divide com sua amiga, a também amazona: Helena.

-Muito bem... – continuou Aldebaran. – Vamos mudar de assunto: vai viajar para o Brasil nas férias da faculdade?

-Sim, e dessa vez levarei a Helena.- Respondeu ela dessa vez com um sorriso sincero.

-Jura? Que maravilha!

Na casa de Virgem, uma jovem de longuíssimos cabelos negros e feições indianas, toma chá ao lado de Shaka. Trata-se de Helena, pupila do cavaleiro.

-... Eu jamais privaria você de conhecer o Brasil, esse país possui uma cultura muito rica. A viagem, além de servir como diversão, também trará um conhecimento que você certamente nunca teria na escola – Diz Shaka à jovem amazona.

-Que bom que concorda comigo, mestre. Só iremos no começo do ano que vem, mas achei melhor avis�-lo com bastante antecedência.

-Já fizeram o roteiro?

-Essa parte é com a Arwen... mas já sei que a rota principal será o Nordeste do país.

O cavaleiro de virgem nota uma animação fora do comum em Helena, e isso o deixa satisfeito. Ele sempre viaja com ela nas férias, mas acredita que fazer algo diferente será muito proveitoso para sua pupila.

-Mudando de assunto, mestre... o senhor deve ter percebido que a Marin voltou do Oriente, não é mesmo?

-Sim ... sinto o cosmo dela desde de ontem.

-Mestre...

-Sei o que vai dizer, Helena... mas não se dê ao trabalho, as coisas não são tão simples como você imagina.

-Mas, mestre...

Shaka abre os olhos vagarosamente. Helena sabe melhor do que ninguém que este é um sinal do quanto o assunto mexe com ele.

De todas que me beijaram,

De todas que me abraçaram,

Já não lembro, nem sei...

Foram tantas as que me amaram,

Tantas foram as que amei...

Mas tu – que rude contraste,

Tu- que jamais me beijaste,

Tu- que jamais abracei,

Só tu nesta alma ficaste...

De todas as que amei!

Seis meses. Por todo esse tempo Marin ficou fora do santuário e Shaka chegou a pensar que ela não voltaria mais. A amazona partiu para o Japão logo que se separou de Aioria e se instalou no apartamento do irmão Thoma. Separação esta cujo motivo ainda era um mistério para todos no santuário e que mexeu muito com o cavaleiro de Virgem.

A paixão de Shaka por Marin era de longa data. Ele não se lembrava ao certo de quando esse sentimento surgiu , mas desde então nunca a esquecera. No entanto, Aioria, sempre sociável e extrovertido (qualidades não muito presentes na personalidade de Shaka), acabou se aproximando mais da amazona, conquistando sua amizade, e mais tarde, ganhando o seu amor. Anos depois os dois se casaram e ao cavaleiro de virgem só restou tentar esquecer Marin. Conseguiu? Achava que sim, até o dia que soube da separação do casal. A chama que ele pensava ter se apagado, voltara a arder com mais intensidade. Ainda assim, Shaka não pretendia ir atrás de Marin.Quem podia lhe garantir que seria correspondido? O que sentia não era medo, mas sabia que não suportaria levar um fora... Não dela. Apesar de ser discretíssimo na sua vida amorosa, jamais tivera problemas com as mulheres, e candidatas a dona do seu coração não faltavam, ele é que insistia em permanecer solteiro.Mas quando o assunto era Marin, tudo mudava de figura, sua postura em relação á ela era diferente.

Shaka olhou com ternura para sua jovem pupila, cujos olhos negros levemente puxados encaravam os dele. Helena era única que sabia da sua paixão por Marin. Não tinham segredos um com o outro.

A doce Helena, se parece com Shaka em muitos aspectos. Possui um semblante calmo, e é muito perspicaz, tendo também uma sensibilidade fora do comum. Mas engana-se quem a acha frágil, pois a jovem é dotada de uma grande autoconfiança, fato que sempre foi vital para alcançar seus objetivos. Não tem um senso de humor tão expressivo quanto o de Arwen, mas não chega a ser ranzinza, nem melancólica.Todos esses fatores adcionados á sua beleza exótica, tornam Helena uma figura única. Outra característica marcante da amazona, é o orgulho imenso que sente por ter sido treinada e adotada por Shaka, tem por ele um sentimento que mistura amor, adoração e gratidão.

No chalé das amazonas, Seika e Marin põem a conversa em dia.

-Juro que pensei que você não voltaria mais, Marin – disse a irmã de Seiya com sua calma natural.

A amazona de águia sorriu e disse:

-Esses meses que passei com Thoma no Japão foram excelentes, mas meu lugar é aqui.

-Regularizou sua situação com o Aioria?

-Sim, agora estamos separados legalmente... e confesso que me sinto mais tranqüila. Aioria está livre agora.

-E você também !

-Bom... não quero pensar nisso.

Marin e Aioria estiveram casados por três anos, e aos olhos dos outros, pareciam um casal perfeito. Mas a realidade não era essa. Faltava algo no casamento e de início, os dois não descobriram o que era. Somente com o passar do tempo é que notaram a diferença entre eles e os outros casais do santuário. Ali havia uma imensa amizade, carinho, respeito, compreensão, mas faltava o principal: o amor. Sempre estiveram lado a lado, talvez por isso confundiram os sentimentos, e estando casados, se acomodaram quando perceberam a verdade. Até que chegou o momento em que concluíram que cada um tinha que seguir e encontrar o caminho certo. Não houve brigas, nem mágoas na separação. Os dois também sabiam que sempre podiam contar um com o outro.

-E como ele est�, Seika? Não pude manter contato com ninguém quando estava no Japão, e você sabe que me preocupo com Aioria.

-Olha, eu mesma tenho o visto poucas vezes, mas o Deba sempre conversa com ele. Aliás, tenho uma novidade.

-Qual ? pergunta Marin ansiosa.

-Parece que o Aioria está interessado na Arwen - responde Seika sorrindo.

Marin se enche de alegria.

-Oh! Tomara que seja verdade! Essa menina é novinha, mas é adorável! Cheia de personalidade e tem caráter.

-Isso eu tenho que concordar, pois conheço a Arwen muito bem.

Girl I love to watch you
Garota eu amo ver você
You're like candy to my eyes
Você é como um colírio para meus olhos
Like a movie that you've seen
Como um filme que você vê
But you gotta watch just one more time
Mas tem que assistir mais uma vez
But that smile you're wearing
Mas o seu sorriso
It's a beautiful disguise
É um lindo disfarce
It's just something
É algo
You put on to hide the emptiness inside
Que você põe para esconder o vazio de dentro

Arwen entra na casa de Áries e sente o cosmo de Mu na biblioteca. Ela procura pelo cosmo de Kiki, mas sente que o rapaz não está em casa.

"Droga! Precisava conversar com ele."

O telefone toca e Arwen prontamente atende. É Aioria.

-Arwen, queria saber se ainda não desistiu de ir ao cinema comigo.

-Claro que não, Aioria. - respondeu sorrindo - Ás oito, não é?

- Exato!

Enquanto a amazona conversa com o cavaleiro de Leão. Mu a observa. Não faz isso pra bisbilhotar. Está seriamente preocupado com a decisão de Arwen em ir embora de casa.Ela sempre foi um poço de mistério, nunca compartilhando seus sentimentos com ele.

" Talvez, Kiki saiba de alguma coisa." Conclui ele.

Tókyo, Japão.

Shiryu e Shunrei adentram a mansão Kido trazendo consigo nos braços, os gêmeos Shingo e Shao, dois garotinhos de 10 meses, que são o xodó de Seiya.O pégaso se diverte com os sobrinhos sob os olhos risonhos do casal, e da namorada Mino. Logo após a brincadeira, os dois irmãos batem um papo sério.

-...então você está novamente sozinho nessa casa enorme? pergunta o dragão

-Sim, Hyoga foi novamente pra Sibéria.

Shiryu fica em silêncio por uns instantes, mas logo divide os pensamentos com o irmão:

- Estou preocupado com o Hyoga.

-Eu também... essa mania de largar o escritório de advocacia nas mãos dos outros e viajar pra Sibéria, já virou rotina e isso não é bom pra ele.

-Tentou conversar com ele, Seiya?

-Claro, mas ele não me leva á sério, você sabe. Sempre fechado e na dele, como se nada tivesse acontecendo.

-O Ikki, o que acha disso?

-Também está preocupado, até pensou em nos visitar, mas o Hyoga viajou em seguida.

-Não tem jeito, ele sempre vai ser assim. Nunca desabafará conosco. O único que conseguia arrancar confidências dele era o Shun.

Ao mencionar o nome do irmão desaparecido, Shiryu logo baixa a cabeça, o sumiço de Shun ainda é uma marca profunda na vida de todos eles.

-Sinceramente, não acredito que essa melancolia do Hyoga seja somente por causa da traição da Eiri. -Diz Seiya

-É... Tem mais coisa afetando nosso irmão.- Conclui Shiryu

Os irmãos de bronze ainda sofrem com ausência do caçula e não perdem a esperança de encontra-lo. Enquanto isso, vão seguindo suas vidas:

Shiryu tornou-se o presidente das empresas Kido, quando Saori foi convocada á voltar pro Olimpo. Formado em Administração, conduz a sua fortuna e de seus irmãos muito bem.Casou- se com Shunrei e é um ótimo marido e pai.

Seiya namora Mino e não tem intenção de se casar tão cedo.Tornou se o diretor do orfanato Filhos das Estrelas e montou uma escolinha de futebol. Faz faculdade de Educação física.

Ikki casou-se recentemente com Shina e foi morar nos arredores do Santuário, onde tem uma grande loja de material de construção. Assim como Shiryu fez faculdade de Administração. Vive as turras com a mulher, mas é muito feliz ao lado dela. Shina foi responsável por sua mudança de comportamento.Ikki deixou seu jeito de "lobo solitário" de lado e tornou-se um homem mais sociável e amistoso.

Hyoga montou um escritório de advocacia em Tóquio onde deu início á sua carreira.Tudo vinha correndo bem na vida do loiro até ele flagrar sua noiva Eiri nos braços de Argol de Perseu, durante uma visita ao Santuário.Essa decepção afetou o cisne de tal maneira, que ele passou a desconfiar de todas as mulheres que se aproximam. A beira de uma depressão, vive entre o Japão e a Sibéria, tentando conciliar os compromissos profissionais, com sua vontade de se isolar.

-Semana que vem iremos ao santuário pra festa de Confraternização anual.- diz Shiryu

-Verdade! Eu tinha me esquecido!

-Espero que o Hyoga não se esqueça.Essa comemoração é muito importante, e é a primeira sem a presença de Athena.

-E eu adoro ver todo mundo reunido.

Shiryu sorriu diante da animação de Seiya. De fato encontrar-se com os outros cavaleiros era uma grande alegria, visto que tempos atrás isso só acontecia durante as batalhas.

Continua...

Por Buda! Perdoem-me pela demora em postar esse segundo capítulo, mas o tempo e a tendinite não têm colaborado.

Bem... fiz uma apresentação básica dos personagens depois de 7 anos, pus duas novas amazonas (e vem outra por aí!) que por sinal somos eu e minha amiga Ada (Helena e Arwen, respectivamente). Fiz um pequeno agradecimento á três garotas que me mandaram rewiews e as coloquei como alunas do Shun! Detalhe: Botan Kitsune, a Graça me disse que seu nome é Thamires, mas ela não tinha certeza... de qualquer forma essa garotinha é você. Obrigada, por terem lido e comentado essa fic, de fato foi muito importante pra mim.

Não se assustem com os casais! Esses são meus personagens favoritos e os quero todos acompanhados... e não se preocupem que vou colocar sempre um pouco do cotidiano do Shun no Brasil.Também prometo que vou postar mais rápido dessa vez, certo? E desculpem se esse capitulo terminou meio sem graça, mas vem coisa boa por aí... Se puderem, comentem.

O poema do Shaka, é do Paulo Caruso, e a música dedicada á Arwen é um trechinho de Heart with a home interpretada pelo Nick Carter, e a letra é dos autores: S. mac/ W. Hector

Um abraço.