Capítulo 3 Antes da Festa São Luis- Brasil

Shun chega ao colégio Nossa Senhora dos Anjos, e nota uma movimentação fora do comum para o horário.

"Estou atrasado, ou esse pessoal caiu da cama?" pergunta a si mesmo.

Tem a resposta meia hora depois ao entrar na sala de aula e ser recebido com um caloroso "Parabéns pra você" cantado por seus pequeninos. Encantado e emocionado, recebe o cumprimento dos pais das crianças, da diretora da escola, e de alguns dos seus colegas. Ao abraçar cada um dos seus alunos, uma lágrima escapa de seus olhos verdes.

-Chora não, tio Shun... – diz Ana carinhosamente – Olha , eu tenho um presente pra você.

-É? Deixe-me ver ,querida? – diz ele limpando a lágrima e abrindo o pequeno embrulho

Logo em seguida algumas guloseimas são servidas e por ultimo o bolo. Shun sente-se feliz ... ele nunca havia comemorado seu aniversário desde que chegou ao Brasil.Sabe que o carinho que aquelas crianças sentem por ele é verdadeiro e isso o deixa satisfeito.

Santuário , Atenas, Grécia (alguns dias antes)

Dia normal na casa de Ikki e Shina:

-IKKI, EU VOU TE MATAR! – grita a amazona, os olhos em fogo.- Como ousa me desautorizar desse jeito!

-Isso é pra você aprender á me consultar antes de aprontar das suas! responde ele ignorando o nervosismo da esposa.

-Eu só estava tentando ser educada, coisa que você não é!

-Ora não me faça rir! Desde quando, hospedar o Seiya faz de você uma mulher educada?

-Se podemos hospedar o Hyoga, podemos receber o Seiya que também é seu irmão e além de tudo é meu amigo!

-É meu irmão, mas também é um sem vergonha e não quero ele aqui em casa, perto de você! Já falei pra ele procurar abrigo com a Seika ou com o Aioros e fim de papo!

-Fim de papo, nada! Essa casa é minha e eu hospedo quem eu quiser! Não vai ser por causa desse seu ciúme idiota que eu vou deixar de atender o pedido de um amigo!

-EU SOU SEU MARIDO, E ESTOU DIZENDO QUE AQUI O SEIYA NÃO FICA!

-VOCÊ É MEU MARIDO, MAS NÃO MANDA EM MIM! O SEIYA ASSIM COMO O HYOGA, VAI FICAR AQUI, QUANDO VIER AO SANTUÁRIO!

-Veremos, Shina! Veremos! diz ele irritadíssimo, encaminhando-se para cozinha, pois seu estomago está roncando. Não admite, mas o principal motivo de tanta confusão é o ciúme que tem da sua bela mulher. Só de lembrar que um dia, ela já fora apaixonada pelo seu irmão, já se sente incomodado. Sabe que o mais certo seria hospedar Seiya em sua casa, mas não vai dar o braço a torcer!

-Que droga! Não tem comida nessa casa ? grita ao achar todas as panelas vazias

-Não! Estou de dieta, e dispensei a cozinheira. Se estiver com fome, faça algo você mesmo!diz ela para provocá-lo.

-Hunf! Eu não seria maluco de pedir pra você cozinhar pra mim! Até a gororoba da ilha da Rainha da Morte é melhor que a sua comida!

Logo uma panela enorme veio em sua direção. Uma chuva de pratos surgiu logo atrás! Mas Ikki, ao invés de ficar nervoso, caiu na gargalhada, irritando ainda mais a esposa. Desviando com êxito de todos, achou melhor saí dali, Shina nervosa, era mais perigosa que qualquer deus maligno.

Na casa de Áries, Arwen prepara-se para ir ao treino físico das amazonas. Na entrada, esbarra em Kiki, mas desvia sem olhar nos olhos do garoto. Está chateada com ele.

-Por quanto tempo você vai ficar sem falar comigo, maninha? –pergunta o jovem ruivo com um ar de preocupação.

-Por exatos cem anos, Kiki! Talvez até lá você cresça e pare de estragar o encontro dos outros!

-E você acha que eu ia te deixar sozinha com aquele leão, metido a garanhão! Ele não é homem pra você!

-Seu pirralho intrometido! Quem sabe o que é melhor pra mim, sou eu! E não ouse falar mal do Aioria na minha presença!

-Mas o que está havendo aqui? – pergunta Mu surgindo de repente

Os dois se olham e ficam em silêncio.

- Eu tenho notado que vocês estão brigados desde o começo da semana, eu espero que resolvam suas diferenças da melhor maneira possível. Lembro de ter ensinado aos dois que gritos só pioram qualquer situação. Amanhã é a festa de confraternização do santuário e seria uma hipocresia participarmos, se vocês estão se desentendendo.

-O senhor tem razão Mestre Mu ... – responde Arwen - ...Mas tarde conversaremos, Kiki. Estou atrasada. – avisa ela com ar de seriedade e sai

Mu aproveita para perguntar ao pupilo, o porque da gritaria que presenciou.

- Mestre eu encontrei a Arwen no cinema com o Aioria!

-E daí?

-Ora! E daí que o Aioria até um dia desses era um homem casado. O que ele quer com a Arwen, heim? Ele pensa que minha irmã é qualquer uma ? Mestre, por que o senhor ta rindo?

-Kiki, tudo isso é ciúmes? Você sabe que o Aioria é um homem de bem... – responde Mu tentando conter o riso, acha engraçado ver Kiki enciumado.

-Eu não sei de nada... e não tenho vergonha de dizer que atrapalhei mesmo o encontro deles, sentei em uma cadeira no meio dos dois no cinema, na maior cara de pau, mas deixei meu recado pro Aioria! Se ele quer algo com a minha irmã, tem que saber que não vai ser fácil!

Dizendo isso, o jovem ruivo sai , deixando Mu ás gargalhadas.

Depois de escapar das "paneladas" de Shina, Ikki se dirige á casa de seu melhor amigo no santuário: Shaka de virgem. Lá chegando, encontra Helena se preparando pra ir treinar, e Virgem tomando chá.

-Olá, Ikki! – cumprimenta a jovem indiana – Acompanha meu Mestre no chá? Posso providenciar uma xícara pra você. Eu infelizmente estou de saída...

Ikki olha com cara de nojo para a bandeja e responde na lata:

-Eu por acaso estou doente pra ficar tomando chazinho? Por que não me oferece uma cerveja?

-Fênix , não seja mal educado com a Helena diz Shaka - Não vê que ela só está sendo gentil? Se queria cerveja, por que não parou na casa de câncer?

-Isso é por que eu insisto em ser amigo de um besta como você!

Helena olha espantada para Shaka, que já está acostumado com a língua afiada do cavaleiro de fênix.

-Por que veio me perturbar hoje? A Shina te pôs pra fora de casa de novo? Pergunta o loiro já esboçando um sorrisinho.

Ikki começa a rir também e diz:

-Ela não me pôs pra fora de casa, eu saí por livre e espontânea...

-... Pressão? Quais as armas hoje? Vasos? O rolo de massa? – pergunta Shaka já rindo muito e provocando o riso em Helena também.

-Ta engraçadinho hoje, né Shaka? Hum... foram panelas! – responde soltando uma gargalhada

-Por Buda! – exclama Helena – Você deve ter feito algo muito sério pra irritá-la dessa maneira, Ikki.

-Que nada... só falei mal da comida dela, só isso...

Helena olha novamente para Shaka que balança a cabeça. A jovem amazona se despede dos dois e vai treinar.

-Shaka, eu to morrendo de fome... o que tem de bom pra comer aí?

O loiro balança a cabeça novamente, isso é que dar ter um amigo tão diferente. De qualquer forma prefere vê-lo assim. Ikki durante muito tempo sofreu por causa do desaparecimento de Shun, mas agora casado com Shina , parece ter aprendido a viver com a esperança de um dia, encontrar o irmão caçula.

No outro dia cedinho, Shina acorda e não encontra Ikki na cama, a amazona levanta-se e

vai achá-lo na sala, sentado em sua poltrona com o semblante pensativo. Ela sabe que essa data mexe muito com o marido: o aniversário de Shun. Não diz nada, só o abraça. É briguenta sim, mas sabe dar apoio quando Ikki precisa.

Ás nove horas, Ikki vai com Shina ao aeroporto de Atenas buscar os irmãos que vieram pra Festa de Confraternização Anual do Santuário. Depois de cumprimentos calorosos, fica decidido onde cada um vai ficar: Shiryu que está acompanhado de Shunrey e os gêmeos, como sempre ficará com seu mestre Dohko na casa de libra. Seiya e Mino mesmo á contra gosto de Shina, resolve ficar na casa de sagitário. Já Hyoga, preferiu ficar na casa de Ikki , recusando o convite de Kamus.

A tradicional Festa de Confraternização Anual do Santuário é a comemoração de todos os cavaleiros aos anos de paz que estão vivendo. Nessa época, o santuário fica cheio. A festa reune não só os cavaleiros de Atena, mas também os guerreiros deuses de Asgard, e os generais Marinas de Poseidon. Todos vão trajados com suas armaduras e podem levar qualquer acompanhante. Shun é único cavaleiro que nunca compareceu á essa festa.

No chalé das amazonas, June que acabara de chegar, coloca a conversa em dia com a amiga Marin.

-Sinto muito pelo fim do seu casamento, minha amiga...

-Não sinta, June. Essa foi a melhor solução que eu e Aioria encontramos. Nós não nos amamos, o que adiantava nos enganarmos? Somos jovens ainda e podemos encontrar o melhor caminho para nossas vidas.

-Tenho certeza que sim.

Olhando para June, Marin tem a mais absoluta certeza que de todas elas, a loira fora a que tivera menos sorte. Separara-se do homem que amava de uma forma muito triste, nunca tivera sequer uma notícia de onde ele , e mesmo depois de sete anos não conseguia esquecê-lo. Shun ainda mora no coração da amazona de camaleão. Nem mesmo o assédio de outros homens despertou o interesse de June, que permanece solteira.

Depois de se instalar na casa de Ikki, Hyoga visita seu mestre Kamus. O cavaleiro de aquário por sinal, preocupa-se com a tristeza oculta nos olhos do pupilo, mas não consegue arrancar nada de Hyoga, que se mantém fechado e prefere não desabafar. Ao sair da casa de aquário, o cavaleiro de cisne tem uma surpresa desagradável ao cruzar com Eiri e Argol na casa de capricórnio. Eles são amigos de Shura. Sai de lá em péssimo estado e resolve isolar-se. Dirige-se á uma cachoeira que fica em uma floresta nos arredores do santuário. Sabe que lá pode ficar sossegado, longe de tudo e de todos.

Mas não fica sozinho como queria, menos de um minuto depois , surge na frente dele a jovem Helena, por meio de teletransporte.

Hyoga que já havia se recostado em uma árvore, levanta –se furioso:

-Mas que droga!Que é, heim? Tá me seguindo, garota?

-Como? pergunta ela surpresa com a falta de educação do loiro.

-Não se faça de desentendida, mocinha! O que veio fazer aqui?

-Talvez o mesmo que você, cavaleiro de cisne. responde ela calmamente

-Ah, vai me dizer que também veio buscar um lugar tranqüilo? Ora não me faça rir! Diga logo porque está me seguindo!

Helena suspirou. Nunca tivera nenhum contato com Hyoga, era a primeira vez que falava com ele, tinha certeza que não era um rapaz desagradável. Só não entendia porque ele queria parecer assim.

-Cavaleiro eu não devo satisfações a você , mas diante do seu nervosismo acho melhor falar... diz ela sem perder a calma e continua:

-Todos os dias quando saio do treino físico, eu venho até este lugar. Faço isso desde pequena, pois como você percebe, aqui é um lugar isolado, ideal para minha meditação. Hoje eu senti sua presença aqui, mas não hesitei em aparecer, pois ambos estamos procurando sossego. Jamais achei que minha companhia o perturbaria tanto.

Os olhos negros encaram os azuis.

-Que motivos eu teria para segui-lo? Eu só o conheço de nome. Você também não me conhece, se conhecesse, jamais ousaria pensar em algo assim.

Hyoga continua olhando pra ela com um ar de dúvida. A jovem amazona tem razão, ele não a conhece. Vai ao santuário uma vez por ano somente pra participar da Festa de Confraternização e todo esse tempo jamais pusera os olhos nela, nem em qualquer outra. Por alguns segundos observa o rosto moreno, admirando seus traços. Mas logo desperta. Ela é uma mulher, e todas as mulheres são umas traiçoeiras! Podem ser diferente umas das outras , mas no fundo não passavam de mercenárias... Ele jurou não confiar mais em nenhuma delas e não confiaria! Então não tinha que ser gentil com uma desconhecida!

Não diz nada, apenas volta para debaixo da árvore , recosta-se no tronco e fecha os olhos...

Helena não se incomoda com esse gesto. Teletransporta para uma pedra próxima a margem do rio e começa a meditar. Mas quem disse que consegue se concentrar? Seus pensamentos são invadidos pela figura alta e forte de Hyoga. Ela sabe que aquela falta de educação demonstrada por ele não é genuína... Ikki já havia comentado a respeito desse comportamento do irmão. A traição da ex- noiva deixou Hyoga traumatizado.

"Ai Buda, o que há?" – pergunta a si mesma – "Não consigo me concentrar de jeito nenhum..."

Olha na direção de Hyoga e fica surpresa ao cruzar seu olhar com o dele. Teletransporta novamente á sua frente e diz com um sorriso:

- Fique tranqüilo, eu já estou indo.

-Não me importa!

- Tudo bem... Prazer em conhecê-lo... Hyoga. Sinto que não seja recíproco.Sei que não te interessa , mas me chamo Helena.

Hyoga franze a testa.

- Helena? Você parece ser tudo, menos grega. diz ele mudando repentinamente o tom de voz, mas tentando parecer indiferente.

-Sou indiana... Mas meu pai era grego.

Dizendo isso, se despede de Hyoga e teletransporta.

"Por que será que ela não ficou meditando?" pergunta –se - "Ora! E o que me importa?"

Continua...

Não tenho palavras pra explicar a vergonha de está postando este capitulo depois de tanto tempo. Eu só posso pedir mil perdões. Não mencionarei desculpa alguma, porque já está ficando chato isso. Agradeço os comentários que recebi e prometo finalizar essa fic o quanto antes, e dessa vez nada impedirá. Um abraço.

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