Asgard – O Regresso do Guerreiro
Capítulo 2 – GUERREIRO DAS SOMBRAS
ALGUM PONTO AO NORTE DA NORUEGA (CIDADE NATAL DE SIEGFRIED)
Em antigas ruínas encontra-se uma entrada que dá acesso a um enorme corredor, no fim tem uma câmara onde se encontra uma mulher totalmente vestida de negro, seus cabelos são escuros, lisos e bem compridos, bem como seus olhos. De uma grande beleza, mas maléfica. Ela veste um vestido colante, revelando as belas formas. O estilo é semelhante ao da Idade Média com mangas longas e na cintura um cinturão dourado todo trabalhado com símbolos nórdicos.. Na testa ela usa uma tiara dourada também toda trabalhada e com uma pedra azul escura no centro. A mulher se dirigiu até uma espécie de esquife de cristal onde se encontrava um homem de cabelos marrom claro, ele estava sem roupas, pois seu corpo recebia uma energia azul que flui de todo esquife. Com seu poder ela desliza a tampa do esquife até o meio e então apara. Ela se inclina e beija os lábios do homem que está ali desacordado.
-Até que enfim é meu. Você é meu maior troféu. Sua alma me pertence para todo e sempre, como deve ser. Felizmente consegui salvá-lo a tempo. Durma agora, quando eu tiver Asgard em minhas mãos eu o despertarei, há,há,há
Ela pegou sua mão e deslizou pelo peito dele até a cicatriz, causada pelos ferimentos. No dedo dela se via um anel com o símbolo de Nauthiz. Ela fechou o esquife e saiu da câmara.
ASGARD
Hilda estava ainda meio confusa, mas como que movida por uma imensa força e renovada alegria, ela decidiu que devia ir atrás daquela esperança. Ela levou Balmung até a estatua de Odim e a levantou como pedindo benção.
-Odim permita-me ausentar de Asgard. Por favor! Preciso resgatar aquele que sempre lutou pela paz neste lugar. Odim?-ela chama de novo- Odim?
Uma voz que ela conhecia bem e que chegava a ela respondia.
-Hilda de Polaris ide buscar o valoroso guerreiro deus da estrela alfa e entregue-lhe a espada Balmung. Vá antes que seja tarde.
-Odim o senhor sabe algo?
Mas a voz desapareceu, ela sabia que ele não responderia. Odim era sábio o bastante para fazer revelações somente na hora certa. Ela apenas se limita a dizer:
-Odim eu agradeço, manterei minhas preces para Asgard mesmo longe.- ela se ajoelhou e rezou mais vez antes de partir e retirou-se dali. Momentos depois uma figura com capa branca surge na frente da estatua.
-Eu estarei olhando por todos Odim como uma sombra, não deixarei que molestem Hilda novamente, isto já nos trouxe muito sofrimento. Além disso devo lealdade ao senhor e a ela.
Ele colocou o elmo branco se ajoelhou pedindo proteção, a seguir se levantou a viagem seria longa, mas ele estava preparado.
-No palácio Hilda pede para Elendir ficar com Fler e juntas tomarem conta de Asgard em sua ausência. E assim Hilda, Gunther e Dankwart iniciam sua jornada rumo a Noruega.
Hilda usava o corpete de luta muito semelhante ao da batalha contra Atena, era azul escuro, preto e dourado, usava um vestido preto por baixo, acompanhado pela capa negra. Usava seu elmo que mais parecia as asas de um pássaro, não levaria seu tridente, pois estava com a espada, que ia presa a cela do cavalo negro que montava.
Dankwart usava uma calça negra e um blusão pesado marrom, ele montava um magnífico cavalo branco que havia pertencido a Hagen. Gunther usava uma calça azul escura quase negra e um blusão da mesma cor.
Hilda seguia no meio, escoltada pelos dois, ainda havia um cavalo extra que levava provisões para a viagem.
Fler e Elendir observavam eles partirem e elas faziam suas orações para que retornassem bem.
Eles seguiram em frente cavalgando por horas, até alcançarem um vilarejo.
-Vamos passar a noite aqui. Amanhã continuaremos.- dizia Dankwart.
O vilarejo não era muito grande, mas foram acolhidos confortavelmente.
-São viajantes?- pergunta um homem velho, dono da estalagem.
-Sim- responde Hilda
-Podem dizer para onde vão.
-Para Oeste- responde secamente Dankwart- agora nos veja quartos, estamos exaustos.
-Pois não senhor, mas aconselho a não andar com mulheres por estas estradas -ele olhava para Hilda- principalmente se elas forem bonitas, tome as chaves.
Hilda ficou surpresa com as palavras do homem, mas ria consigo mesma " Alguém se atreva a mexer comigo e verá o que eu faço."
-Hilda se precisar de algo nos chame- estaremos no quarto ao lado- disse Dankwart.
-Obrigada, mas sei me cuidar- disse ela sorrindo.
Ela tomou um bom banho quente e se enfiou debaixo das cobertas, olhava a neve que começava a cair, até que adormeceu, a vela que estava acesa apagou-se por completo.
Algumas horas depois a maçaneta da porta abriu-se vagarosamente e um homem corpulento, barbudo e com uma cicatriz no olho esquerdo entrou, ele cheirava a vinho. Ele tapou a boca de Hilda com uma das mãos. Ela acordou assustada com tão horrenda figura em cima dela.
-Não faça barulho se não quiser que a machuque-ele pegou uma adaga e colocou no pescoço dela- se gritar a mato. –ele vagarosamente enfiava a mão por baixo do cobertor.
Os olhos dela enfureceram-se e seu cosmo aumentou, o homem se assustou e tentou mata-la, porém o cosmo era muito forte e o lançou na outra extremidade do quarto.
Gunther que dormia no quarto ao lado ouviu o estrondo e levantou-se rapidamente.
-Me matar? – dizia Hilda ironicamente, levantando-se, sua camisola esvoaçava, seu poder era absoluto, era uma deusa naquele momento –vou lhe ensinar a não molestar mulheres – seu cosmo arremessou o homem pela janela, neste instante Gunther entrou esbaforido.
-O que..- o estrondo se fez, Gunther viu Hilda enfurecida, parecia tomada pelo demônio, até que finalmente ela parou. Dankwart chegou também. Ela sentou-se na beira da cama.
-Você está bem?-perguntou Gunther, cobrindo-a com a coberta. Apesar da extraordinária beleza dela, ele a considerava um ser intocável e sagrado, era difícil imaginar alguém querendo molestá-la.
-Não, não estou, vejo que já não sou a mesma – ela olhava para cima – por Odim no que me transformei?
Naquele resto de noite, no quarto de Gunther, Hilda tentava dormir, sem sucesso, os dois homens se revezaram na guarda.
No dia seguinte eles partiram cedo, pagaram pelos danos e foram rumo a estrada. Antes de sair do vilarejo, Dankwart comprou umas roupas e entregou a Hilda.
- Vista isso, você ficará melhor protegida, além do mais é bom que não nos exponhamos demais, não sabemos o que existe pelo caminho.
Hilda concordou, ela vestiu aquelas roupas masculinas, apesar das mangas do blusão ultrapassarem seu braço, ela acabou dobrando.
-Você está engraçada –ria Dankwart –falta uma coisa – ele pegou um gorro e uma tesoura.
- Ah não! Concordei em me vestir assim, mas isto eu não vou deixar fazer.
-Hilda, você sabe que é o melhor a fazer. Em Asgard todos a respeitam, mas estamos longe agora e você é apenas uma mulher comum. E uma mulher que chama a atenção. Pense bem, Hilda, lembre-se que precisamos achar Siegfried e precisamos de você.
Ela suspirou e disse:
- Faça antes que eu me arrependa – Dankwart pegou os cabelos dela, eram tão sedosos e brilhantes, ele ficava realmente com pena de fazer aquilo, mas era necessário. Após algum tempo havia pedaços de cabelo pelo chão – Siegfried juro que se você não estiver morto eu mesma o matarei. – resmungava Hilda.
- Pronto! Te que não ficou tão ruim –disse Dankwart – ponha isto - e deu-lhe o gorro – Agora preste atenção, quando chegarmos a outras aldeias, fique de cabeça baixa e fale pouco. Nós cuidaremos do resto.
- Eu sei, agora vamos. Ah, se Fler me visse assim agora – ela sorriu e os três partiram.
Logo atrás um homem alto de roupa escura entra na estalagem, o velho homem o atendeu.
O senhor quer um quarto?
- Na verdade – ele disse bem baixo e com uma moeda na mão quero uma informação.
Os olhos ambiciosos do velho brilhavam e esticou a mão para a moeda.
-Não, antes quero a informação.
-Está bem, fale.
-Dois homens e uma mulher apareceram aqui?
-Sim passaram esta noite e aquela mulher parece o demônio sobre a terra, quase mata Blödel, o mais forte daqui!
- Com certeza, ele teve o que merecia. Eles disseram para onde iam?
-Falaram que iam para Oeste.
-Ótimo, tome – ele deu-lhe a moeda.
O homem se dirigiu a uma mesa e pediu uma cerveja escura e comida. Um grupo de caras forte bebia e ria, até virem o estranho. Um dos caras bem gordo e alto chegou perto e perguntou:
-Não gostei da sua cara. Caia fora daqui.
-Nem eu da sua e não pretendo sair agora.
-Ei rapazes ele disse que não vai sair.
O homem continuava comendo despreocupado.
-Vamos dar uma lição nele – o gordão tentou atacar, mas foi inútil com um único dedo o outro o parou e o lançou longe destruindo mesas e cadeiras.
Os outros enfurecidos resolveram ataca-lo, ele se levantou da cadeira e com um olhar de zanga esperou os atacantes. Ele levantou as mãos em forma de garras e com um golpe derrubou todos.
-Quem é o próximo?
Alguns que estavam atrás largaram pedaços de madeira e vidro e saíram correndo.
Ele se sentou novamente e terminou a refeição. Os que permaneceram olhavam atônitos. Assim que terminou, pagou o homem e deu-lhe a mais pelos estragos causados.
-Vocês são malucos ou que? Quem é você? – pergunta o velho.
-Me chamam de Bado e o que sou não importa, agora preciso ir. Adeus.-e assim ele seguiu cavalgando pela estrada na mesma direção dos outros.
Começava a anoitecer e não havia nenhuma vila por perto, Gunther, Dankwart e Hilda resolveram procurar abrigo, encontraram uma caverna, onde fizeram fogo. Dankwart foi em busca de comida, deixando os outros.
-Gunther, me conte mais sobre você e Elendir, como podem ser tão fortes e viverem isolados?
-Na verdade, meu pai era um guerreiro.
-Um guerreiro? Com certeza devo conhece-lo. Quem era?
-Provavelmente sim, seu nome era Rüdiger.
- Rüdiger? Mas eu me lembro, não foi ele que teve uma luta espetacular com Ortlieb, pai de Alberich?
-Ele mesmo.
-Eu era criança quando tudo aconteceu e depois houve vários boatos.
-Na verdade meu pai nunca com concordou com determinadas atitudes de Ortlieb. Principalmente o fato de ser extremamente ambicioso. A desavença entre os dois teve seu cume e Ortlieb tramou tudo para que todos ficassem contra meu pai. Desgostoso ele se afastou de tudo e viveu isolado na floresta. Lá ele treinou a mim e Elendir na esperança de que um dia servíssemos Asgard de maneira honesta e justa.
-Seu pai tinha razão, e quanto a sua mãe.
-Ela morreu durante o parto de Elendir.
-Sinto muito.
-De qualquer forma quero que saiba que fiquei feliz de encontra-los. Quanto a Ortlieb, parece que ambição fazia parte da família- ela lembra com tristeza de Alberich.- tiveram o que mereciam.
-Não quero ser intrometido, mas ouvi muitos comentários sobre os guerreiros deuses e ...
-Pessoal cheguei, consegui achar alguma coisa –eles trataram de preparar rapidamente a refeição, pois estavam famintos, e o assunto entre Hilda e Gunther sumiu.
Naquela noite Hilda sonhou novamente com Siegfried, ele passou a mão pelos cabelos dela.
-Cortou seus belos cabelos?
-Era necessário, eles crescerão de novo – ela sorriu – Breve estarei com você.
-Eu sei, eu sei e lhe agradeço por isso.
-Você sabe que eu faria qualquer coisa para lhe trazer de volta. Siegfried você se sacrificou por mim. Como o fiz sofrer, me perdoe.
-Faria tudo de novo se fosse preciso. Mas agora não se atormente tanto Hilda – tome cuidado por favor – ela o abraçou, até que não sentiu mais nada em suas mãos, ele se fora. Ela notou uma escuridão a sua volta e ela gritava por Siegfried.
-Acorde Hilda –era a voz de Dankwart, ela abriu os olhos – outro pesadelo? – ela consentiu. Ele foi pegar um pouco de água e deu para ela beber. Gunther dormia profundamente.
-Obrigado, volte a dormir, estou bem agora.
Dankwart obedeceu e mais uma noite Hilda não dormiu. Lá fora só os sons de animais selvagens.
Quando o dia amanheceu continuaram sua jornada, até que eles depararem com um rio.
-E agora?-pergunta Gunther.
-Vamos atravessar com cuidado – disse Hilda já indo à frente.
-Uma coisa devo admitir, ela é corajosa – fala Gunther ao companheiro.
-Ela sempre foi assim – complementa Dankwart – vamos.
Finalmente eles chegaram a outro vilarejo e desta vez não houve problemas, ou quase.
-Como é bom ter uma cama para dormir, minhas costas ficaram doendo – diz Hilda – estou ouvindo música, será uma festa neste vilarejo?
-Quem sabe? –responde Gunther.
-Vamos até lá, só um pouquinho, estou cansada, mas há tanto tempo eu não vejo uma festa.
-Não acho boa idéia. –responde Gunther.
-Por favor, só um pouco, que mal pode haver? Vocês dois estrão comigo.
Acho que não terá problemas – diz Gunther.
-Está bem, está bem, vamos lá, mas só um pouco, amanhã temos uma longa jornada.
Os três desceram até onde havia a festa. Todos cantavam, dançavam e riam em torno de uma enorme fogueira no central.
-Dankwart você se lembra das festas em nossas terras, o quanto eram alegres?
-Realmente – a saudade tomou conta deles.
Uma mulher forte estava com bandejas contendo canecos enormes com cerveja escura. Eles pegaram uma.
-Não abuse Hilda- aconselhava Dankwart.
-Se esquece que fui criada em Asgard em meio a isso?
Uma bela garota se aproxima de Gunther, sorri e o convida para dançar.
-Vá Gunther, aproveite, nos encontramos na estalagem -dizia Dankwart.
Após um tempo Hilda se queixa que estava com fome.
- Se prometer que vai ficar aqui quieta eu vou atrás de algo para nós.
-Que droga Dankwart! Eu não sou uma criança. Vá suma daqui, antes que eu mesma o faça. – Ele se afastou rindo.
-No fundo ele é muito parecido com Hagen, que sempre se preocupou comigo e Fler.
-Ela olhava em volta e lembrou da primeira vez que dançou numa festa assim. Era tão desastrada. Pobre Siegfried que pacientemente lhe ensinava os passos. Ela ria com tal recordação.
-Senhor quer dançar? –era uma garota loira de olhos lilás, lembrava Fler.
-Não obrigado –respondia Hilda, disfarçando a voz.
-Vamos lá, não tenha vergonha, todos estão se divertindo.
"Ah, Odim, mais essa, onde está Dankwart?" – e ela procura aflita com olhos por ele.
-Desculpe senhorita, mas não me sinto bem.
-Oh que pena! Quer alguma coisa?
" Sim que vá embora"
-Não obrigado.
-Mas que indelicadeza a minha, meu nome é Helche.
-O meu é ...é Gernot – era o nome do falecido pai de Hilda e o que havia combinado com os rapazes durante a viagem.
-O senhor é daqui?
-Não sou da Noruega – mentiu.
-Ora, ora vejo que meu irmão arrumou uma bela companhia – diz Dankwart que acabara de chegar com comida. Hilda estava fuzilando com os olhos.
-Esta é Helche. Helche este é Dankwart.
-Prazer senhorita.
-O prazer é meu- ela corou-seu irmão não quis dançar, o senhor aceita?
-Mas é claro, porque não? Gernot logo estarei de volta.
-Eu acho que vou voltar para a estalagem, não estou bem.
-Deve ter sido a cerveja...você deve ter abusado. Vá.
Hilda lança um olhar furioso na direção de Dankwart e parte. No caminho ainda é abordada por outra mulher muito mais atrevida.
-Oi bonitão quer companhia?
-Não, sae –disse rudemente.
-Eu heim? Não gosta de mulheres?
"Não definitivamente, não" , pensa ela apressando o passo e deixando a mulher para trás.
Sozinha consigo e seus pensamentos, ela se recorda de seu primeiro beijo. Era uma manhã belíssima em Asgard. Um dos raros momentos. As flores desabrochavam, era o início da primavera. Ela devia ter 13 ou 14 anos. Naquele dia em especial ela estava feliz pelos recentes acontecimentos. Queria poder compartilhar com o amigo inseparável Siegfried. Eles foram até a floresta, num lugar que costumavam ficar longamente conversando e rindo.
-Estou feliz hoje, eu passei no teste para ser a representante de Odim sobre a Terra. Daqui para frente serei preparada para assumir esta responsabilidade.
-Que notícia maravilhosa Hilda!
-Você não parece contente Sieg, o que foi?
-Acho que agora você terá menos tempo...nos veremos com menos freqüência...vou sentir sua falta.
-Pare de bobagem, estaremos sempre juntos.
-Não se iluda Hilda.
-Sieg- ela aproximou-se e pegou suas mãos- nunca iremos nos separar. Você será um grande guerreiro e o quero sempre ao meu lado.
Ele a olhou nos olhos e sorriu
-Mas você tem Hagen e outros guerreiros.
-Mas é em você que eu deposito toda minha confiança e minha vida.
-Hilda...-ele passou as mãos pelo seus cabelos e seu rosto.
-Me beije Sieg.
Ele foi tomado de surpresa, mas ele conhecia Hilda e sabia que ela era assim. Quando queria algo, ela ordenava, mas de uma maneira não autoritária, mas sim doce. Era impossível não realizar seus desejos. Sim, ele gostava muito dela, não podia recusar tal pedido. Ele aproximou-se e beijou-lhe carinhosamente.
-Eu gosto muito de você –dizia ele- seria incapaz de fazer qualquer coisa para machucá-la.
-Eu sei Sieg, eu sei.
Ela não entendia o que havia acontecido durante os anos, a magia tinha acabado, acho que o fato de se tornarem adultos, ela não sabia, tudo tinha ficado para trás, apenas uma recordação daquele dia. A magia só voltara uma vez, no dia fatídico da batalha contra Atena.
Seus pensamentos foram interrompidos por um barulho no quarto ao lado, devia ser um dos rapazes, ela ouviu um leve bater em sua porta.
-Entre.
-Vim ver se está tudo bem.
-Está sim Gunther, obrigada, a não ser o fato de levar cantadas, está tudo bem. O pior é que eram mulheres, que droga!
Gunther não conteve a risada.
-Cale-se –disse ela jogando um travesseiro em sua direção e rindo muito também.
Dankwart chegou cantarolando e já estava alto.
-Querida Hilda, aceita a próxima dança?
-Vá dormir Dankwart, você está bêbado.
-Não, antes quero ter a honra de dançar com a senhora mais poderosa de Asgard.
Hilda impaciente, soltou um pequeno cosmo, que funcionou como um soco em Dankwart, Gunther o aparou.
-Leve ele- ordenou Hilda.
No dia seguinte Dankwart acordou com uma violenta dor de cabeça e almadiçoando Hilda pela noite anterior. Os três se reuniram para partir e Hilda parecia indiferente ao ocorrido. Eles cavalgaram por entre a estrada e notaram uma jovem segurando pedaços de madeiras e um machado. Logo Hilda e Dankwart reconheceram quem era.
-Precisa de ajuda?-indaga Dankwart
-Olá como vão?
Eles desmontaram dos cavalos e seguiam em direção a ela.
-Venham tomar algo quente e comerem pão e queijo. Não me lembro do amigo de vocês.
-Muita gentileza sua Helche, nos aceitamos com prazer. Meu irmão aqui tem muita habilidade em cortar madeira e irá ajudá-la. Não é mesmo Gernot?
Hilda ia protestar, mas não houve tempo.
-Eu agradeço muito – Helche sorria.
Dankwart entrou na cabana e levou Gunther, mas antes lançou uma olhar zombeteiro para Hilda.
-Faça tudo direitinho, viu?
Naquele momento ela gostaria de fulminá-lo com seu cosmo. Quando entraram ela pegou o machado e tentou cortou a madeira, foi inútil, o machado foi numa direção e a tora de madeira para o outro.
-Que droga! Mas não vou ser vencida, ele vai ver.
Ela com seu cosmo partiu em pedacinhos as madeiras.
-Pronto, vamos ver quem é o mais esperto – ela se dirigiu a cabana e entrou – ainda tem algo para mim?
-Você já acabou?-pergunta Dankwart surpreso.
-Claro veja com seus próprios olhos.
-Isto foi trapaça – cochichou em seu ouvido e Hilda apenas sorriu.
Depois de alimentados, eles se despediram de Helche e partiram.
-Ela é uma boa garota – disse Gunther.
-Sim é tão raro encontrar gente hospitaleira por estas bandas – concordou Dankwart.
Enquanto isso, Helche preparava sua cesta, para fazer compras no vilarejo.
-Ainda bem que existe gente prestativa no mundo – ela sorria vendo a madeira cortada.
Helche ia em direção ao vilarejo por entre a floresta. " Como os invejo, são livres para ir e vir, nunca tive uma chance de sair deste lugar, meu sonho era poder conhecer outras terras, outras pessoas. Quem sabe um dia. Por enquanto tenho que ficar aqui e cuidar bem da minha mãe doente". Finalmente, ela chegou ao vilarejo e fez suas compras habituais e retornou para sua casa. No entanto, ela percebeu uma fumaça muito escura por entre as árvores, ela ficou preocupada e apressou o passou. Ficou apavorada quando percebeu o que estava acontecendo, sua cabana pegando fogo.
-Mamãe – ela grita, largando a cesta e correndo em direção a cabana, mas ela foi interceptada por três caras.
-Fica quieta garota, sua mãe já foi para o céu, ha,ha,ha,ha,ha
-Não!-ela batia e esmurrava – o que...
-A gente veio pegar uma coisinhas, mas não havia muita coisa, então resolvemos destruir tudo – eles riam.
Cheia de ódio Helche mordeu a mão do seu captor e saiu correndo.
-Peguem esta maldita.
Helche corria pela mata em desespero, estava toda arranhada e suas roupas rasgavam. Até que ela tropeçou e caiu. Um dos malfeitores a alcançou e a pegou pelo pescoço, começando a sufocá-la.
-Vai morrer maldita.
Helche ainda com um resto de força chutou o cara que berrou de dor, ela tossiu, mas arranjou força para fugir, porém de novo ela tropeçou e pior torceu o pé, ela soltou um grito de dor. Para sua infelicidade o mesmo cara apareceu diante dela , ela se arrastou até a árvore.
-Vou acabar com você vagabunda – ele tirou a faca do cinto e aproximou-se dela.
-Mas que jeito de tratar uma mulher – diz um homem de cabelos verdes e olhar felino por dentre as árvores.
-Quem é você maldito?
-Aquele que vai te mandar para o inferno!
-Seu desgraçado, vamos ver se banca o valentão – o cara tentou atacá-lo, mas um segundo depois estava caído, se saber o que o havia atingido. Os outros dois comparsa chegaram e bem que tentaram lutar, mas alguns minutos depois estavam derrotados no chão.
Bado se aproxima da moça que estava totalmente fora de si e chorando em desespero. Ele não parou e quando ia tocá-la uma energia emanou dela repelindo-o.
-Mas... como? –exclama ele.
-Ele não desiste e acende seu cosmo, desta vez, ela não conseguiu impedi-lo. Ele segurou-a para acalmá-la, mas ela parecia um animal enfurecido lutando contra ele. Mas ele a segurou firme, por fim ela parou e desmaiou, ele a tomou nos braços e tirou-a dali.
Helche acordou numa caverna, havia uma fogueira ao seu lado.
-Vejo que acordou, como se sente?
-Minha cabeça doe. –ela se sentou, a coberta que a cobria caiu, só então se deu conta que estava com as roupas em frangalhos e estava quase nua, rapidamente ela puxou a coberta. Bado se dirigiu para fora e trazia algo nas mãos, e deixou ao lado dela.
-Vista isto por enquanto, depois lhe arrumarei algo. – ele saiu da caverna.
Helche tirou a roupa e começou a se trocar, ela notou que havia hematomas por todo o corpo. Rapidamente ela coloca uma enorme túnica que lhe batia nos joelhos, mas já esquentava bastante. Sozinha ela não conseguia mais chorar, só lhe restou o sentimento de vazio e dor.
Algum tempo depois Bado chegou com comida.
-Coma um pouco, mesmo que não queira, precisa manter as forças – ele lhe deu carne. pão e a fez beber uma bebida bem forte, aquilo a fez esquentar.
-Senhor queria me desculpar pelo acontecido e agradecer por tudo o que fez por mim. Meu nome é Helche.
Ele continuou impassível e continuava comendo.
-Qual é seu nome?
-Bado.
Ele permaneceu calado e logo em seguida deitou-se noutra extremidade.
-Preciso retornar para ver o que restou – dizia Helche e com lágrimas nos olhos.
-Não sobrou nada. Já cuidei de tudo. Já enterrei a pessoa que estava na cabana.
Helche começou a chorar, lembrando da mãe indefesa.
-Amanhã eu a levarei de volta ao vilarejo, você tem algum parente lá?
-Não, minha mãe era a única pessoa que eu tinha e ela ...-ela chorava.
-Você é uma garota forte, vai sobreviver. Agora descanse.
Ambos dormiram em torno da fogueira, apesar de Helche sempre acordar sobressaltada. Finalmente o dia nasceu. Bado reacendeu a fogueira e preparou um delicioso chá quente, cujo aroma acordou Helche.
-Levante-se, preciso deixá-la na vila e seguir viagem o mais rápido possível.
-O senhor está viajando?
-Sim
-Para onde vai?
-Não sei.
-Como?
-Eu estou procurando três outras pessoas. perdi o rastro deles aqui.
-Estas pessoas também estão viajando?
-Sim.
Helche pensou: " Só podem ser os três forasteiros, foram os únicos a aparecerem, tem que ser eles".
Quando decidiu por fim levá-la, ela disse:
-Senhor por favor me leve para onde for, não tenho mais nada para fazer aqui. Já perdi o que me era mais precioso.
-Ficou maluca?
-Por favor me ensine a lutar como o senhor, não quero que ninguém mais me machuque.
-Garota você está louca e eu não tenho tempo para crianças.
-Eu não sou criança!
-Não adianta para onde vou, não há lugar para mulheres.
-E se eu disser que sei para onde eles foram?
-Não minta garota!
-Se eu lhe disser que se chamam Gunther, Dankwart e Gernot.
-Ha,ha,ha Não conheço nenhum Gernot, mas os outros dois são eles.
-Mas Dankwart disse que Gernot era seu irmão mais novo.
-O único irmão mais novo de Dankwart está morto e se chamava Hagen. Com certeza era Hilda disfarçada.
-Hilda! Uma...mulher.
-Sim, pelo visto lhe enganaram bem, ha,ha,ha,ha,ha,ha
-Agora me digam para onde foram?
-Não, só se você me levar com você.
Bado pensou e pensou, ele estava atrasado em relação aos outros e até conseguir uma pista iria perder mais tempo, não havia solução. Por enquanto teria de levá-la consigo, até encontrar um jeito de deixá-la num lugar mais seguro.
-Você é esperta garota.
-Pare de me chamar de garota, meu nome Helche.
-Então trate de arrumar tudo que iremos viajar o mais rápido possível. Irei em busca de outro cavalo e provisões e ai partiremos.
Algum tempo depois, ele retorna e lhe entrega um saco de roupas.
-Vamos- ele ordena.
No caminho, ela perguntava a Bado
-De onde vem?
-Asgard.
-Asgard, a lendária terra de Odim!
-Sim esta mesma.
-Mas é apenas uma lenda.
-Eu estou aqui.
-Você é um guerreiro.
-Sou um guerreiro-deus, não na verdade eu sou apenas um sombra.-ele ficou com um olhar triste, Helche não quis insistir, parecia que aquilo o magoava ainda mais.
-Mas me diga, os outros também são de Asgard?
-São sim.
Os dois continuaram em silêncio, ela o achava tão só e triste. O dia estava terminando, conforme iam para o Sul o dia ia ficando cada vez mais longo, mas não o suficiente. Logo acharam um abrigo. No dia seguinte ela levantou e estava de pé se espreguiçando quando Bado a pegou por trás e a imobilizou.
-Lição número 1, sempre vigie as costas, o inimigo pode estar a espreita. Vamos quero lhe ensinar algo.
Eles foram ate a floresta. Bado levantou os braços e com um golpe partiu uma das árvores, ela arregalou os olhos.
-Concentre-se, você precisa emanar a energia que existe dentro de você, o cosmo. Feche os olhos e tente sentir.
Ela fez o que ele disse. Só sentia o vento batendo em seu rosto.
-Sinta a energia e veja-a crescer. Concentre-se
Um pequenino cosmo começou a surgir. " Eu não estava enganado ela tem mesmo o cosmo".
-Visualize a energia crescer dentro de você, expanda.
Ela ia bem, até se distrair com um súbito movimento de Bado.
-Não deve perder a concentração, em instante nenhum, isto pode ser fatal. Por hoje já chega.
Os dias iam passando e ela aprendia rápido, da última vez que ele tentou pegá-la desprevenida por trás, ela o girou sobre os ombros e o derrubou.
-Ai o que eu fiz, se machucou?
Ele olhou satisfeito.
-Esta aprendendo rápido – ele se levantou – quero-lhe mostrar algo – ele a conduziu para uma caverna imensa, lá dentro havia um lago límpido – veja isto Helche – ele apontou com a mão para o meio do lago, Helche se inclinou.
-Eu não vejo nada.
-Olhe direito – ela se inclinou mais e então ele a empurrou e começou a gargalhar.
-Aproveite que esta água não é gelada e sim quente, ha,ha,ha,ha
Ela subiu e começou a engasgar.
-Eu não sei nadar, me tire daqui –ela se debatia na água, até que afundou, na superfície só os cabelos longos espalhados. Bado se preocupou e se jogou na água, quando a pegou, ela sorriu divertida.
-Enganei você.
-Você é uma peste – e ele gargalhava como nunca, ela o olhava fixamente.
-O que foi Helche?
-Você está sorrindo, é a primeira vez que o vejo alegre.
Sim ele tinha que admitir que era bom ter uma companhia em sua viagem. Ele voltou a sorrir e empurrou a cabeça dela para dentro da água. Ficaram brincando feito duas crianças. Por fim Bado saiu da água e se enrolou em sua capa. Helche preparou uma fogueira para se secarem e foi buscar roupas secas perto de onde deixaram os cavalos. Foi então que percebeu que um outro saco maior estava num canto. Ela já havia percebido a tempos aquele estranho saco. Parecia pesado. Mas sua curiosidade foi maior, ela abriu o saco cuidadosamente e se deparou com uma armadura branca magnífica, ela desliza a mão sobre ela.
-É linda – ela toma o elmo em suas mãos – como é maravilhosa- seus dedos deslizavam pelos detalhes do tigre do elmo.
-Largue isso agora –dizia Bado duramente.
O susto que ela levou foi tão grande que ela deixou o elmo cair.
-Descul...Desculpe...eu confundi os sacos ...e ...e acabei abrindo este.
Ele colocou tudo novamente dentro do saco e não disse nada, também não precisava o olhar felino de desaprovação estava ali. Quando a noite caiu, Helche muito arrependida foi ter com Bado.
-Desculpe, você tem sido tão bom comigo e eu acabo sempre o irritando – ele ficou calado – Por favor me perdoe. Eu não resisti, aquela armadura é tão linda, você deve ficar bem nela. Vamos Bado eu já lhe disse que sinto muito-ele ficou calado- Droga! – ela se sentou do lado oposto a ele.
-Aquela armadura é a armadura dada ao guerreiro deus de Zeta- Bado começou a relatar toda sua estória e a de Asgard. Helche se aproximou dele e ouvia a tudo atentamente. A parte mais difícil foi a luta de Bado e os cavaleiros de Atena e sua difícil escolha. Ele só derramou uma lágrima, um dos raros momentos que ele fazia isto. Helche o abraçou, era uma forma de consolá-lo. Quando terminou, ele continuou enlaçado nos braços dela, havia tirado um peso das costas com o desabafo, por fim ele dormiu. Ela puxou a coberta e cobriu ambos. A fogueira queimava seus últimos galhos. Helche encostou na parede da caverna e olhava o rosto de Bado.
Não admira ser como é, com tudo que passou.
Ela passou a mão suavemente pelo rosto dele, e pelo seus cabelos.
-No fundo você só procura um pouco de compreensão e carinho.
Helche adormeceu também. na manhã seguinte continuarem sua jornada e finalmente chegaram a um vilarejo. Acharam uma estalagem bastante grande e confortável, nem parecia com as que vira antes.
Helche tomou um banho quente e quando saiu da espécie de banheira para o quarto notou um embrulho na cama, ela abriu, era um vestido simples, mas bonito, era todo de um lilás claro que combinava com seus olhos, ela fez duas tranças e amarrou por sobre o resto do cabelo solto. Se sentia tão bem.
Bado e Helche jantaram uma farta refeição.
-Obrigada pelo vestido.
-Você ficou bem com ele.
Ela tomou vinho, coisa tão rara por ali, aproveitou e tomou bastante a ponto de ficar meia bêbada, rindo como uma boba. Bado a carregou para o quarto dela.
-Meu herói-ela ria.
-Você bebeu demais.
-E qual o problema?
Ele a pôs na cama, porém ela o puxou pelo pescoço para baixo, seus rostos estavam próximos e ela o beijou. Ele foi pego de surpresa, mas retribuiu.
-Não Helche, desta forma não –ele se levantou e saiu, deixando-a sozinha.
Ela se lamentava por ele ter ido embora, mas estava feliz com as novas sensações e só pensava naqueles olhos ferinos.
No dia seguinte Helche acordou com uma violenta dor de cabeça e envergonhada com o que havia feito, não conseguia nem olhar para Bado. Ele lhe deu um pó:
-Tome isto que vai melhorar.
-Bado desculpe por ontem a noite, eu bebi demais, nunca fui de fazer isso, não sei o que me deu.
-Tudo bem Helche, agora vamos, descobri o rastro deles. Não estão muito longe de nós.
Ela obedeceu e ambos sairam a galope pela estrada que se seguia em busca de Hilda e dos outros.
