Capítulo 3

Harry passou um bom tempo tentando voltar a dormir, virava-se de um lado para o outro em sua cama. Três horas da manhã e nada, continuava acordado e com os pensamentos a mil.

Apesar de estar cansado, mentalmente acima de tudo, ficou acordado achando-se um idiota por mais uma vez ter perdido o sono.

'Por que não posso ter paz?'... Esta mesma pergunta martelando em sua cabeça por mais uma noite.

Revoltado consigo mesmo, pegou sua capa da invisibilidade e foi dar uma volta pelo castelo... Afinal, além dos fantasmas, quem mais ele poderia encontrar?

Todos deveriam estar dormindo, aproveitando a paz que finalmente voltara a reinar no mundo bruxo. Ninguém mais estaria passando pelas mesmas coisas que ele... O único amaldiçoado continuava sendo Harry Potter, o menino que matou o Lord das Trevas.

Com esses pensamentos, saiu de seu dormitório na Torre Grifinória sem rumo definido, mas com a certeza de que estaria só.

O que Harry não sabia é que a guerra havia deixado suas profundas marcas em outrem...

oOoOo

Após a grande batalha, Severus Snape ficou desacordado por dois longos dias na enfermaria de Hogwarts. Ele acordou ao raiar do terceiro dia e, dando-se conta de que não sangrava mais e conseguia firma-se em pé, decidiu que já estava na hora de voltar as Masmorras do castelo.

Madame Pomfrey entrou na enfermaria pouco depois do amanhecer, mas ela não estava preparada para encontrar um Professor Snape com suas tradicionais roupas pretas pronto para deixar a ala médica. A curandeira caminhou rapidamente até seu paciente rebelde decidida a mantê-lo sob seus cuidados. Ela fez tudo o que estava ao seu alcance para impedi-lo de ir embora, mas seus esforços não obtiveram resultado. Passados intermináveis minutos de discussão, Snape deu seu usual giro de calcanhares e seguiu em direção as masmorras.

Por mais que quisesse ajudar na reconstrução do castelo, Severus percebeu que seu corpo ainda precisava de vários cuidados e muito descanso. Injuriado, resolveu ficar recolhido em seus aposentos. Uma vez ou outra fazia poções, tanto para ele quanto para os que ainda estavam precisando de cuidados.

No décimo dia após a derrota de Voldemort, Albus Dumbledore foi visitá-lo em seus aposentos. O diretor chegou com um sorriso no rosto, seus olhos azuis brilhavam em uma intensidade que há muito não se via. Albus logo explicou a Severus o motivo de sua alegria... Os pacientes que permaneciam internados não corriam mais risco de vida e até mesmo Harry Potter já havia sido liberado. Dumbledore lhe informou também que a reconstrução de Hogwarts estava praticamente acabada e que as vagas no corpo docente seriam ocupadas por antigos membros da Ordem da Fênix, embora ainda existissem cargos vagos. Terminada as considerações sobre o castelo, o diretor quis saber como Severus estava.

Snape fez sua tão conhecida carranca e respondeu que estava ótimo. Albus o fitou por alguns segundos, logo percebendo as grandes olheiras em torno dos olhos de seu fiel companheiro de guerra. Severus mostrou-se incomodado com o olhar desconfiado do diretor. Ao notar isso, Dumbledore desviou o olhar e disse:

- Você suportou sozinho coisas que um exército não faria junto. Após tantos anos de luta e sacrifícios, a paz voltou a reinar na terra... Aproveite este momento de luz e comece a viver de verdade, você já passou tempo demais apenas sobrevivendo. Pense sobre isso, meu amigo...E ao acordar amanhã, veja como a vida pode ter outros tons.

Albus deu um sorriso cheio de ternura e saiu sem que Snape pudesse responder qualquer coisa. Apesar de ter sido apenas uma conversa, Severus descobriu-se bastante cansado assim que o diretor saiu.

Foi direto para seu quarto, trocou de roupa e ao deitar em sua cama dormiu quase que de imediato. Caiu no sono tão rápido, que se esqueceu de tomar a poção para sono sem sonhos... Mesmo com a derrota do Dark Lord, esta poção continuava a fazer parte da rotina noturna do Mestre de Poções e a falta dela iria cobrar seu preço.

Não demorou muito e começou a contorcer-se na cama.

- Ora, Ora... Então o traidor pensa que agora poderá ter uma vidinha feliz...

- O que! – Severus olha de um lado para o outro tentando descobrir quem falava com ele.

- Tsc, Tsc, Tsc... Não lembra mais do seu mestre, Snape?

- Milord...

- Como você ousa me chamar assim depois de tamanha traição! – Voldemort vociferou – Mas sabe de uma coisa, eu terei a minha vingança e... – dizia quando foi interrompido.

- Você está morto, não pode fazer nada contra ninguém! – Snape gritou.

- Sim, você conseguiu se livrar de mim... Mas como vai livrar-se de você mesmo? – Severus estremeceu e o Lord das Trevas continuou – O que acha que as pessoas vêem quando olham para você... Eu vou lhe disser: elas vêem um Comensal da Morte, uma pessoa vil, um assassino...

Snape acordou coberto de suor, seu coração batia em descompasso e seu corpo tremia. Respirou fundo e disse:

- É Albus, parece que pela primeira vez você está errado... Eu sempre serei um Comensal da Morte.

Ao olhar para o relógio, Severus viu que eram quase três horas da manhã e apesar de ainda estar cansado, resolveu que voltar a dormir não seria uma boa idéia. Com um suspiro, se levantou e decidiu dar uma volta pelo castelo. Precisava espairecer e nessa hora não haveria ninguém para perturbá-lo.

Continua...


Respondendo as Reviews do cap anterior:

Sheyla Snape: Os capítulos são curtos de propósito, é para os leitores perceberem o que não está escrito e é também por isso que os caps terminam assim. Espero que você tenha agüentado esperar...

DarkAngelAngst: Eu disse no 1° capítulo que o Voldie morreu...Ainda não ficou claro que o Harry está sonhando? É sempre bom saber das dúvidas, assim eu vou tentando melhorar.

Fabi – Chan: Medo! Se bem que, ter o Voldie perturbando mesmo depois de morto é de arrepiar os cabelos mesmo...

Amanda Saitou: Estou muito feliz que tenha descoberto a minha fic, afinal eu nem anunciei. Que bom que você gostou da descrição do Sevie, é realmente assim que eu o vejo.

Ana Cláudia Snape: Nem todo pedaço da alma do LV gosta de matar...Tem pedaço que prefere uma boa tortura, outro gosta mesmo é de mandar nos DEs... Hahaha Isso foi horrível.

Tachel Black: Você amou! pula de alegria na frente do micro Humm, você percebeu a semelhança... Foi proposital, armadinho mesmo!

Lilibeth: UHUL! Você entendeu direitinho a 'velocidade' da fic, mas nos próximos caps os leitores vão poder respirar um pouquinho mais. Espero

Magalud: E não é que o Sevie apareceu... Acho que ambos precisam da 'ajuda' um do outro...Ah, mas isso é assunto para os próximos chappies.

Ptyx: Adorou o final! Nossa a maioria quis me esganar :-) Acho que já dá para ter uma idéia de como o Sevie vai se encaixar nisso, não?